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“Eu já tinha latente esse espírito social”

História de: Depoimento de Jairo Luís Brod
Autor: Tayara Barreto de Souza Celestino
Publicado em: 10/07/2021

Sinopse

Em seu depoimento, Jairo Brod relata sua infância e juventude na cidade interiorana de Toledo (PR). Cercado de brincadeiras e atento às radionovelas, seu primeiro sonho de infância era seguir a carreira de ator. Já aos 20 anos, mudou-se para Brasília para servir ao Exército depois de tentativas fracassadas em Curitiba. Dois anos depois, em 1980, prestou concurso e entrou como escriturário no Banco do Brasil, participando da organização e realização de projetos sociais. Com a criação da Fundação do Banco do Brasil, em 1985, permaneceu realizando, ativamente, iniciativas de auxílio às comunidades locais, como Projeto Bandas e a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade. Dez anos depois, mudou de carreira e seguiu para a Câmara Federal, onde trabalha até hoje.

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História completa

Projeto Fundação Banco do Brasil

Depoimento de Jairo Luís Brod

Entrevistado por Eliete Silva e Aurélio Araújo

Brasília, 03 de janeiro de 2006

Realização Instituto Museu da Pessoa

Código do Depoimento FBB_HV0023

Transcrito por Lúcia Nascimento

Revisado por: Danyella Xavier Franco

 

P1 – Jairo, bom dia.

 

R – Bom dia, Eliete.

 

P1 – Gostaríamos que você falasse seu nome completo, também a data e local de nascimento.

 

R – Meu nome completo é Jairo Luís Brod, de origem alemã e nasci no dia 5 de maio de 1958, em Toledo, uma cidade lá perto de Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, no Paraná.

 

P1 – Jairo, qual o nome dos seus pais?

 

R – Henrique Brod e Isoldi Brod.

 

P1 – Qual a atividade profissional deles?

 

R – Meu pai era professor de português e minha mãe era do lar.

 

P1 – Você falou que a origem de sua família é alemã?

 

R – Isso.

 

P1 – Você sabe de qual região da Alemanha? Quando se deu essa imigração, pode contar um pouco para a gente?

 

R – Na verdade, meu sangue é alemão, porque minha mãe é filha de alemães e meu pai também é filho de alemães. Minha mãe veio da região da Baixa Baviera, ali perto da região de Munique e meu pai, os avós do meu pai vieram da região de Frankfurt, quase que na divisa com a França.

 

P1 – Você tem irmãos, Jairo?

 

R – Tenho. Três irmãos homens, sanguíneos, e uma irmã de criação do segundo casamento do meu pai.

 

P1 – Você gostaria de registrar o nome deles?

 

R – Pela ordem de idade, o Jaime, depois vem o Mário, o Sérgio e, por último, a irmã de criação, a Isabel.

 

P1 – Você é o...

 

R – Eu sou o primogênito, o mais velho.

 

P1 – Jairo, como que foi a sua infância lá em Toledo?

 

R – É, foi, eu diria, foi feliz, uma infância feliz, porque a gente tinha muita liberdade, a gente brincava muito, evidentemente eram aquelas brincadeiras tradicionais, carrinho de mão, bolinha de gude, jogar futebol em campo de terra, soltar pipa, uma infância feliz.

 

P1 – E como você, você frequentou a escola, você estudou lá em Toledo, como que era a escola?

 

R – Eu estudei, inicialmente numa escola evangélica, escola luterana, da primeira à quarta série, depois da quinta série do antigo colégio de admissão até o terceiro ano do ensino médio eu fiz no Colégio La Salle.

 

P1 – E você tem alguma lembrança marcante dessa época da escola?

 

R – Tenho. Foi um torneio intercolegial na cidade, e eu sempre fui perna de pau (risos), aí na decisão, o treinador cometeu o desatino de me colocar, faltando 5 minutos e o jogo empatado. E eu ficava sempre na banheira, ali na..., era perna de pau, aí eu lembro que o nosso “zagueirão”, o Felipe, dessa largura, deu um chute lá da nossa defesa, a bola bateu no meu pé, enganou o goleiro, a bola entrou e fomos campeões (risos). E eu fui carregado em delírio (risos), como autor da proeza, quando na verdade não fiz. Apenas como tem esses “gambitos” aqui (risos), a bola bateu e entrou (risos).

 

P1 – Jairo, e esse seu ensino médio, você cursou lá também em Toledo?

 

R – Também.

 

P1 – E como que era?

 

R – Era ensino médio semi profissionalizante, era técnico em contabilidade. Dali, a gente já saía para trabalhar em escritório de contabilidade, empresas do ramo ou qualquer atividade comercial.

P2 – Como era ser jovem lá em Toledo?

 

R – Bem, nessa época, nós não tínhamos televisão. Nossa maior diversão em casa, além do bate-papo com a família, era ouvirmos rádio. E é dessa época, eu me lembro muito bem, que a gente, toda a família, e olha que nós éramos maioria lá em casa, eram cinco homens e uma mulher só, minha mãe era religiosa, dava oito e meia da noite, a gente sentava no pé do rádio para ouvir as novelas, as radionovelas daquela época, que substituía as atuais novelas. Essa é uma das coisas que eu gravo, né? Daí minha paixão, hoje em dia, por telenovela, e o pessoal até brinca, dizem que eu sou muito noveleiro; assumo, eu gosto de novela que substitui os antigos folhetins do Machado de Assis e outros do século passado. E também, como nós não tínhamos televisão e o cinema era muito escasso, então ser jovem em Toledo era tomar banho no rio ali perto, era ir na praça para conversar ou andar de bicicleta, era fazer longas caminhadas, porque Toledo era muito bem arborizado, tinha mata nativa, então era essa, basicamente, nossa diversão. Uma vida bem interiorana, calma, pacata, sem os atropelos que a gente encontra nas cidades grandes.

 

P1 – E Jairo, você começou a trabalhar nesse período em que estava no ensino médio, ou você só foi trabalhar depois que você terminou?

 

R – Não, eu já trabalhava, comecei a trabalhar cedo.

 

P1 – Com quantos anos?

 

R – Com 14 anos, 13 para 14 anos eu já comecei a trabalhar.

 

P1 – E como era seu emprego, como foi esse emprego?

 

R – Bem, nós tínhamos um terreno muito grande, era cerca de 5.000 metros quadrados, então tinha a casa e o restante era cultivado com abacate, mandioca, goiaba, com laranja que a gente, nas ocasiões apropriadas, a gente pegava esses produtos e saía vendendo nas vilas ali próximas. Esse foi meu primeiro contato com atividade semiprofissional, digamos, eu passava o dinheiro para o meu pai que rachava com a gente depois, né?

 

P1 – E depois, você terminou o ensino médio, você pensou em estudar, fazer o vestibular, ou você ficou trabalhando? Como foi isso, depois que você terminou a escola?

 

R – Na verdade, meu sonho era ser ator. Eu participava do grupo de teatro amador ali do Colégio La Salle e fizemos algumas peças. Eu lembro de uma que foi baseada no Navio Negreiro de Castro Alves e eu era (risos), eu era o escravo negro, fiquei todo pintado de preto e tenho uma cicatriz até hoje por causa da minha morte em cena, eu instintivamente quis me defender e acabei ferindo aqui a minha mão. Mas não foi essa a razão de eu ter desistido da carreira artística, foi por convencimento da parte do meu pai, dos amigos, que não era aquele glamour que a gente imaginava, é uma carreira muito difícil e então resolvi tentar a sorte em cidade grande. Tentei inicialmente em Curitiba, por intermédio do Exército, queria vir servir o exército fora de Toledo, não deu em Curitiba, tentei mais um ano Curitiba, não deu e no terceiro ano, quando acabava o prazo de eu servir o exército, com 20 anos, eu consegui vir para Brasília, talvez por tanta insistência, porque o pessoal já não me aguentava mais lá, na Junta de Serviço Militar de Toledo.

 

P1 – Mas por que, você estava pedindo para entrar, como é que foi?

 

R – Estava, eu estava pedindo para entrar, mas por excesso de contingente e também por excesso de magreza, que eu era muito magro, eles achavam que não tinha porte para servir o exército, né? E, depois de insistir pelo terceiro ano, aí sim é que me liberaram para vir servir em Brasília.

 

P1 – Isso foi em qual ano?

 

R – Eu vim para Brasília em 78, maio de 78.

 

P1 – Como era Brasília naquela época?

 

R – Olha, o primeiro contato com Brasília foi mágico. A gente imagina, eu imaginava Brasília só com aqueles monumentos, com a catedral, com o congresso, mas não imaginava o que tem por trás, o que tem por lado, como é o fundo, o cenário que compõe a Brasília mágica. Então, eu levei um choque, vi vendedores ambulantes, vi miséria do lado, pedintes na Catedral, então isso me marcou muito na minha primeira passagem em Brasília.

 

P1 – Então, você foi morar aonde em Brasília?

 

R – Eu servi o exército, na Polícia do Exército, e dali a três meses que eu estava no exército, fui fazer curso de cabo e conheci um colega, o João Gilberto, e ele gentilmente me convidou para ir para a casa dele, onde eu conheci a irmã dele, que hoje em dia (risos) é minha mulher.

 

P2 – E nesse período inicial de três meses você ficava morando no quartel da Polícia. É isso?

 

R – É, ficava morando no quartel da Polícia do Exército. De maio de 78 a 7 de janeiro de 80, eu fiquei morando no quartel e eventualmente dormia na casa do meu colega, Gilberto.

 

P2 – Como foi essa experiência de ser policial do exército?

 

R – Foi uma experiência...

 

P2 – É num período complicado!

 

R – Foi, foi ainda em plena, não digo que em plena ditadura, mas nos resquícios da ditadura. Para mim foi difícil, porque eu sempre tive sentimento de esquerda, sempre participei dos movimentos estudantis e me vi lotado depois que fui cabo, justamente no Pelotão de Investigações Criminais, que era o órgão repressor do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília. Felizmente, eu não participei de nenhuma atividade repressora, sabia que havia atividades que não podiam vir à luz do dia, mas a minha função era apenas burocrática, felizmente, porque talvez se eu tivesse que agir de forma contra os meus princípios, eu talvez, não sei, ia pedir para sair, ia fazer alguma atividade. Mas foi uma atividade burocrática não sem..., sem desconforto. Foi muito desconfortável eu ficar lá no Pelotão de Investigação Criminais por 16 meses, fiquei três meses como soldado e depois como cabo, fiquei lá no Pelotão de Investigações Criminais por 16 meses.

 

P2 – Valeu essa experiência?

 

R – Valeu, porque o exército ensina a nos dar disciplina e duas coisas eu sou muito grato ao exército, embora eu sempre tive muita, muito preconceito contra o exército, mas me fez ver que as instituições são feitas por homens. Há homens e há homens. Então, no exército encontrei homens boníssimos, homens que era contra a ditadura e, sobretudo, eles fazem um trabalho social que talvez é pouco divulgado. Claro que naquela época vinha mais à luz o trabalho de repressão, mas o exército tem trabalhos sociais que são de extrema utilidade para o país: construção de pontes, a ação cívico-social, conhecida mais como Aciso [Atendimento de Comunidades Carentes], as bandas de música das corporações do exército que prestam serviço nas pequenas comunidades, que é um trabalho que eu acho de extrema utilidade social. E duas coisas que eu aprendi também no exército é essa valorização da atividade física, como nós somos um todo, corpo físico e mente, no exército eu adquiri o hábito de, diariamente, exercer alguma atividade física, tanto é que depois fiquei estimulado e fui fazer faculdade de educação física. E, hoje em dia, continuo mantendo uma atividade física regular. Mas, principalmente, a coisa que mais me estimulou no exército foi o estímulo que eles dão para que os “recos”, como a gente chama, os que vêm do Sul, os que vêm de Goiânia, vêm de São Paulo para estudar. Eu tive a sorte de ter um comandante que era um apaixonado por educação, Domingos Antonio Miguel Gazineu, que saiu até com a mais alta patente, depois eu soube, General do Exército, que era um grande, um ardoroso defensor da educação. E ele me estimulou, pessoalmente, embora eu já tivesse o ensino médio, eu fiz questão de fazer o Telecurso do segundo grau, que me deu muita bagagem para depois passar nos vestibulares. Nenhum aluno, nenhum “reco”, que eu saiba, e eram muitos, cerca de 1300, metade talvez não tivessem segundo grau, todos, que eu me lembre, saíram com o segundo grau completo. Então, esse legado eu reconheço ao Exército Brasileiro.

 

P2 – E dentro da polícia você prestou vestibular, dentro do exército, prestou vestibular, ou foi depois?

 

R – Foi depois, eu prestei depois.

 

P2 – E essa transição do exército, você podia explicar para a gente como é essa transição?

 

R – Você fala, Álvaro, essa transição do Exército ou depois que eu saí do Exército?

 

P2 – É, como é que foi essa saída do Exército, essa experiência do exército? Chegar a cabo e depois, você em 80 acaba saindo da força. Como é que isso acontece?

 

R – Ah, sim. Bem, o pessoal do Sul, quando saía do Exército já tinha emprego praticamente garantido, desde que tivesse uma folha de serviço onde não constasse nenhum apontamento negativo. O pessoal do Exército era empregado na Câmara dos Deputados, no Senado, no antigo SNI, nos Ministérios, para que lá trabalhassem como seguranças. Então, eu tinha duas alternativas: ou trabalhar como segurança, o que eu não gostaria de continuar trabalhando, porque a gente ainda estava no período militar, ou voltar para o Sul. A alternativa que me restou foi estudar para fazer um concurso para algum órgão público aqui de Brasília. E foi o que eu fiz. Estudei e fiz o concurso para o Banco do Brasil e passei. Eu saí dia 7 de Janeiro lá do Exército, dia 8 tomei posse, 8 de janeiro de 80 tomei posse no Banco do Brasil.

 

P1 – E como que, naquela época, o que representava o Banco do Brasil?

 

R – Olha, o Banco do Brasil, eu vejo pela minha cidade, o gerente do Banco do Brasil era uma da três pessoas mais influentes na cidade. Rivalizava com o prefeito e com o pároco local, hoje em dia eu sei que mudou bastante, por razões históricas, financeiras etc. Mas era um sonho, que eu pensei inatingível, de entrar para o Banco do Brasil e pensei que iria fazer carreira para o resto da minha vida ali. Foi com muito orgulho, o Banco do Brasil foi uma outra escola para mim.

 

P1 – E você entrou no Banco do Brasil em que ano, então?

 

R – 1980. 8 de janeiro de 1980.

 

P1 – E qual foi a primeira área que você foi trabalhar no Banco do Brasil?

 

R – Olha, o Banco do Brasil não sabia, mas “deu a galinha para um vampiro”, porque eu sempre gostei de ler muito e fui lotado na biblioteca. Eu acho que meus superiores na época, melhor dirão que eu trabalhava pouco, mas lia muito. (risos) Nas horas vagas, eu trabalhava, mas na maior parte do tempo eu lia, era biblioteca, cheia de assinaturas de jornais, revistas, todos os livros eram acondicionados ali.

 

P1 – A biblioteca era aberta ao público ou só para funcionários?

 

R – Era só para funcionários.

 

P2 - E quanto tempo você esteve lotado na biblioteca?

 

R – A biblioteca, uns dois anos, dois anos e meio, nessa faixa, quase três anos.

 

P1 – E depois?

 

R – Depois eu fui trabalhar na antiga, se bem que a biblioteca já pertencia à antiga Diretoria de Planejamento. Aí, eu saí e fui trabalhar em outras áreas da Diretoria de Planejamento, no embrião, sobretudo no embrião da atual Fundação Banco do Brasil, que era o Fipec (?) e também o Fundec [Fundação de Desenvolvimento Comunitário].

 

P1 – Qual era o seu trabalho ali? Você acompanhava projetos ou trabalhava como assistente administrativo, como é que era esse seu trabalho lá nesse embrião da Fundação que era o Fipec, Fundec?

 

R – É, quando eu tomei posse, quando todos nós tomamos posse no Banco do Brasil, nós somos escriturários, aí depois a gente era alocado nos setores. A minha função era...era...a minha função era...dar andamento aos projetos, era ligar para as agências, as superintendências para ver como estava o acompanhamento dos projetos, auxiliava os assessores nas pesquisas de algum parecer que tinha que dar. Na verdade, embora eu fosse escriturário, era um assistente administrativo, eu colaborava para que os projetos do Fipec e do Fundec tivessem bom andamento.

 

P1 – Você lembra de algum projeto em especial, daquela época, que te surpreendeu de alguma maneira, te chamou a atenção, ou que você acompanhou mais de perto?

 

R – Você fala nesse período inicial da Fundação Banco do Brasil?

 

P1 – Isso.

 

R – Do Fundec. Do Fundec, teve um projeto que me chamou muito a atenção, que é aquele projeto de revitalização do vale do Gurguéia, lá no Piauí. Era uma área degradada, outras áreas eram inaproveitadas e, mediante ações de estímulo da comunidade, aquela região foi recuperada, foi entrando no processo produtivo e dando fonte de renda e dignidade para aquelas pessoas que estavam alijadas por falta de conhecimento, falta de fomento financeiro, construção de estradas e pontes. Enfim, a Fundação colaborou para a implantação das condições para que aquelas cidades ali do Vale, ali no Piauí, se auto-sustentassem.

 

P2 – Essa experiência no Fipec e no Fundec, de alguma forma deu uma sacudida para o espírito, assim, social, alguma coisa assim, no seu sentimento de ajudar?

 

R – Ah, sim. Eu já tinha latente esse espírito social, cooperativo, sempre participei de atividades da igreja católica, então, isso me empolgou a continuar desenvolvendo trabalhos. Aí eu tomei como deliberação que se pudesse escolher eu ficaria no Fipec, no Fundec, ou na área social do Banco e não na área financeira. Na área financeira, eu nunca trabalhei em agência, porque logo de cara eu entrei na biblioteca e ali fiquei, até considero uma espécie de especialização em generalidades que eu fiz lá na Fundação, na biblioteca. E, depois, entrei na área social que me estimulou cada vez mais trabalhar nesse setor.

 

P1 – Agora, Jairo, você em 88, em 85 é criada a Fundação, até 88 ela está naquele momento de implantação, né? Em 88, sai uma circular, começa também o trabalho efetivo da Fundação, de programas, de projetos, como é esse período de transição? Como que você vivenciou esse período?

 

R – Foi de muita incerteza, porque a gente não sabia se a Fundação Banco do Brasil ia emplacar, a gente..., a Fundação começou, no papel pelo menos, no início da era Sarney, no impacto do plano cruzado. Então, a gente não sabia se o plano cruzado ia dar certo, se o Banco do Brasil ia ter lucros ou não, que a gente sempre pensava que se o plano cruzado desse errado, sem dúvida haveria reflexos no Banco do Brasil, havendo reflexos no Banco do Brasil, o braço social do Banco, a Fundação, seria a primeira que “iria para a degola”. Então, foi um período de muita instabilidade e também, isso de instabilidade no cenário macro-econômico, no cenário interno, a regularização da Fundação Banco do Brasil foi muito difícil. Eu lembro que nós tínhamos um Coordenador Chefe, o Valter Piedade Denzer, que uma vez ele pediu para a gente colaborar com ele e me deu um check list, primeira vez que eu tinha ouvido esse termo, check list, são 33 documentos que constavam nesse check list que eram necessários para regularizar a Fundação Banco do Brasil. Eu lembro que ele “ticou” lá e só tinha sete, faltavam ainda 26 itens, 26 documentos para a Fundação ser regularizada. Eu não sei se foi 85 ou antes, eu sei que a gente ficou desanimado, eu, particularmente, fiquei desiludido, “a Fundação não vai sair, são 33 documentos, nós temos sete” (risos). Assim, foi um cenário de muita instabilidade, coincidiu também com a retomada do movimento sindicalista, muitas greves, muita instabilidade, muitos diretores que eram trocados, porque participavam ou estimulavam a greve, então foi um período muito tumultuado essa fase de criação da Fundação Banco do Brasil.

 

P1 – E você vê esse momento tumultuado até 88 ou depois também? Porque em 88 é que sai aquela circular para os funcionários e que parece que começam os trabalhos efetivamente. Você consegue, você lembra desse período?

 

R – Lembro.

 

P1 – Como é que era, ou era instável ainda?

 

R – Hum, hum. Até 88, quando saiu do papel, nós passamos por esse período de dificuldades de sobrevivência como instituição. A partir de 88, as dificuldades, eu encaro de uma outra ótica, que são..., qual era o papel efetivo da Fundação Banco do Brasil, como braço social do Banco e como justificativa de existência para a sociedade. Eu lembro que nós tivemos um seminário de todas as seis áreas da Fundação Banco do Brasil daquela época, sete áreas da Fundação, e foram convocados especialistas, técnicos, administradores dos mais expressivos em nível nacional, para que nos dessem subsídios, para que a gente soubesse o que a sociedade esperava da Fundação Banco do Brasil. Então, o tormento, nessa época passou a ser um tormento existencial. Para quê nós vamos querer existir? O que vai nos validar perante o povo brasileiro? Por isso, foi um período muito profícuo, dois, dois anos, a gente, a Fundação tinha uma determinada linha, mas nós víamos que não havia resposta da sociedade, então mudávamos a linha para que a gente pudesse ter garantida a sobrevivência, não apenas perante o nosso patrão que era o Banco do Brasil, mas perante a sociedade.

 

P1 – E naquela época, como que era o quadro de funcionários? Vocês eram muitos, como que era?

 

R – Não, era muito limitado. Eu lembro que, nessa época eu era assessor de educação e cultura, eu tinha cerca de 50 projetos para analisar, acompanhar, e os outros assessores também. Era muito serviço para poucos funcionários.

 

P2 – Você foi absorvido pela Fundação, porque o Fipec e o Fundec acabaram caindo para a Fundação. Para ir para a Fundação, foi requisição de vocês ou foi automático, criou a Fundação, Fipec e Fundec vai junto. Como é que foi essa absorção?

 

R – Álvaro, na prática foi uma absorção. Praticamente todos os funcionários do Fipec e do Fundec foram incorporados à Fundação, só que também foi um processo formal penoso, porque, depois de implantada a Fundação Banco do Brasil, ela adquiriu personalidade jurídica própria, foi uma luta para que os antigos funcionários do Fipec, do Fundec e os novos que estavam se incorporando fossem, digamos assim, oficializados como funcionários da Fundação Banco do Brasil. Foi muito difícil também.

 

P1 – Agora, Jairo, se depois desse período de instabilidade, de se firmar a Fundação até como proposta social, enfim, instabilidade política econômica, logo depois assumiu o Collor, em 90. Como é que foi isso, assim, como é que foi o impacto do Plano Collor? Você pode comentar um pouco para a gente?

 

R – Primeiro o impacto pessoal, né? Eu que era lulista de primeira hora, foi uma decepção muito grande. Segundo lugar, como profissional, eu tive que trabalhar sob a era Collor. O sequestro da poupança deixou também sequelas profissionais entre colegas meus, eu sei de colegas endividados, que tinham recursos na poupança, perderam todos aqueles recursos e passaram sérias dificuldades. Um deles, me lembro, entrou num processo sem volta de bebida, se tornou..., ele já tinha propensão ao álcool, bebia muito, mas depois desse sequestro da poupança, ele se degradou de vez, tanto é que ele foi até demitido, não por justa causa, porque um grupo de amigos intercedeu e foi feito uma composição com o Banco do Brasil. Então, foi um período profissional e pessoal, para os colegas, muito tumultuado.

 

P1 – E na Fundação, como que impactou isso, em termos de projetos, em termos até de estruturação?

 

R – No início, até que não houve muita interferência, os trabalhos, a Fundação até onde era possível trabalharam de forma autônoma. Mas em 1992, com a iminência do impeachment do Collor, a Fundação foi utilizada como moeda de troca para que o presidente de então não perdesse o cargo.

 

P1 – E como que foi esse período? Explica para a gente.

 

R – Os bastidores, evidentemente, eu não sei. Foi feito lá um acordo de cúpula, mas até onde eu sei, eu também participei, foi feito um grupo, uma força tarefa que centraria todos os esforços para o atendimento de pleitos e interesses de Deputados, aliás, houve até uma diferenciação desses Deputados. Nós tínhamos até uma tabela da..., como é que cada Deputado se situava com relação ao Presidente Collor: havia os que eram já francamente favoráveis à manutenção do Collor, os que eram contra, ou seja, a favor do impeachment e os que estavam em cima do muro. Então, essa força tarefa teve a incumbência de aprovar projetos, claro que dentro das normas legais, que atendessem os interesses dos Deputados, para que eles votassem contra o impeachment. É claro que aqueles que eram favoráveis tinham maior poder de barganha, os que estavam em cima do muro também eram contemplados, desde que houvesse uma promessa de não votarem pelo impeachment e os que eram contra, a gente sabe, que houve tentativas de cooptação para que mudassem seu voto. Foi um período muito, muito..., talvez da minha..., do Banco do Brasil, sem dúvida, foi o período mais difícil.

 

P2 – A Fundação funcionava, naquele momento, diretamente vinculada à ideia de um ___ de balcão. Chegavam os projetos, analisavam e davam parecer, enfim, sobre aquele projeto. De alguma forma o ____ de balcão facilitou esse tipo de atendimento?

 

R – Ah, sem dúvida, porque muito, muitas decisões eram da alçada do secretário executivo, do diretor executivo e também da presidência, então foi, era comum que o presidente da época evocasse para si a aprovação, o que era regimental, dos projetos que atendessem os interesses do Presidente Collor.

 

P2 – A Fundação vai sofrer intervenção do Ministério Público por desvio de finalidade, o que vai gerar um mal estar, e nós vamos ter consequentemente a entrada do Maurício Teixeira como diretor executivo e, posteriormente, secretário. Como é que você dentro da Fundação encarou a entrada do Maurício? Foi uma esperança para vocês, porque ter o Ministério Público intervindo, a mídia ali envolvida, a imprensa toda hora na Fundação, como é que você sentimentalizou todo aquele processo?

 

R – O Maurício Teixeira da Costa, se não me engano na época ou em épocas anteriores, foi Diretor de Recursos Humanos do Banco do Brasil. Ele sempre teve um bom trânsito tanto na área, tanto na cúpula do Banco do Brasil, quanto junto ao sindicato. Ele sempre foi aberto a negociações, nunca foi intransigente, quem era sindicalista como eu, reconhecia as limitações dele, porque não estava na alçada dele, nem do presidente, porque estava na alçada do Ministro da Fazenda e, muitas vezes, do Presidente o acatamento de muitas solicitações dos funcionários. Foi visto, pelo menos da minha parte, foi visto com muita alegria a vinda dele, porque nós sabíamos que haveria, primeiro, a moralização, a moralização das atividades da Fundação Banco do Brasil e, em segundo lugar, que com certeza nós teríamos mais trânsito, nós funcionários teríamos mais trânsito, poderíamos influir nas decisões dos destinos da Fundação Banco do Brasil.

 

P1 – Jairo, só voltando um pouquinho assim nesse período de 92, eu lembro que em 8 de setembro saíram várias denúncias de favorecimento de projetos, e eu tive acesso a documentos com a auditoria. E como foi esse período dos funcionários, enfim, especificamente dentro daquele momento, parece que alguns funcionários quem fizeram essa denúncia para a Folha de São Paulo. Como foi esse período? Conta mais um pouquinho para a gente.

 

R – Foi. Olha, como cidadão, para mim foi um dos períodos mais ricos da minha vida, porque nós estávamos no olho do furacão. A Fundação Banco do Brasil, e a gente tinha consciência disso, era o principal balcão de negócio para manutenção do governo Collor, não havia, sem dúvida nenhuma, nenhum outro órgão público tão envolvido nessa negociação para salvar o mandato Collor. Então, como cidadão, para mim foi um dos períodos mais ricos, porque houve o vazamento dessas informações. Nós comentávamos se, entre nós lá, se nós não podíamos fazer alguma coisa para estancar essa sangria, essa imoralidade? É evidente que os colegas mais receosos não queriam se expor, porque estávamos em 92, toda a cúpula da Fundação Banco do Brasil, Ministério da Fazenda, Presidente Collor envolvidos até o pescoço e com poder de mando quase que autocrático, tanto é que o presidente da Fundação, “de uma penada”, ele aprovou trinta e tantos projetos, estava envolvido de todo poder. Então, o medo era muito grande de que houvesse alguma represália se a gente tentasse encontrar alguma saída para estancar tudo aquilo, assim um colega, que eu não vou revelar o nome, pegou alguns documentos que estavam nas mesas, não foi necessário ir no computador, segundo ele me confessou, pegou na mesa uma série de documentos e vazou. Entregou lá para a Folha de São Paulo, como você bem disse, Eliete, e depois a notícia se espalhou, foi para a Veja, Correio Braziliense, Rádio Planalto local, e isso foi o estopim. O estopim para que o Ministério Público, o Sindicato dos Bancários tomassem as medidas judiciais para que se parasse com aquele “toma lá da cá”.

 

P2 – A maioria das pessoas que viveram nesse período dizem que a questão foi muito, o problema foi muito mais na cúpula, que os funcionários da Fundação Banco do Brasil se sentiram magoados com a situação, muito constrangidos ou desconfortáveis com o que estava acontecendo, e que tentavam de todas as maneiras, laudo técnico para tentar sair pela tangente ou evitar algumas coisas. Você concorda com essa perspectiva?

 

R – Concordo. A maioria dos funcionários estavam muito constrangidos com aquela situação. A maioria dos funcionários eram ligados ao Sindicato e a gente vinha de negociações muito difíceis, não ganhávamos nada de reajuste, ou valores irrisórios e, de repente, nós fomos obrigados, coagidos a trabalhar e derramando recursos..., assim pela..., pela vala comum para Deputados que nós sabíamos que eram picaretas. Então, “como é que nós estamos liberando recursos para um deputado, que certamente é só fisiológico, não vai colaborar..., esse recurso talvez nem chegue na comunidade, e nós aqui sendo obrigados e sem um reajuste pífio, irrisório de vencimentos?”, então o constrangimento era muito grande.

 

P2 – Outros colegas também comentaram que o funcionário da Fundação Banco do Brasil, ele sempre trata o dinheiro com muito carinho, como se fosse dele, porque existe uma conscientização muito grande ________ funcionário da Fundação.

 

R – É verdade.

 

P2 – Você concorda também com isso?

 

R – Concordo. Uma das coisas que nós funcionários do Banco do Brasil aprendemos é a lidar com muita segurança na hora de investir dinheiro. Se a gente olhar a maioria dos pareceres, eu conheço os da Fundação Banco do Brasil, os pareceres eram dentro do bom senso que o regulamento mandava e no final, claro, a gente dava o parecer dizendo que o projeto é inviável, porque falta maior perícia técnica para ser implantado, falta contrapartida financeira, mas o senhor presidente, usando das suas atribuições, poderá dizer o contrário. Por isso, nós sempre, até onde eu conheço, nós sempre zelamos pela boa utilização do dinheiro público. E também nós, pessoalmente, éramos conscientizados de que se nós déssemos, se alguém desse cheque sem fundo ia ter sua vida, passível até de demissão, se a gente tivesse o nome sujo na praça, desse cheque sem fundo. Então, o nosso zelo pessoal, a gente passava para a área profissional, ou talvez até o contrário, o zelo profissional fez com que a gente também tomasse mais a sério as nossas finanças pessoais.

 

P1 – Agora, Jairo, depois das denúncias públicas, como que ficou o ambiente da Fundação? Houve uma certa coerção de funcionários? Como que ficou esse clima, em relação à cúpula e aos funcionários?

 

R – É, bem, antes eu só queria relatar um episódio. Se eu não me engano, a Fundação nessa época estava no Edifício Morro Vermelho, no Morro Vermelho, décimo andar. Nós viemos para trabalhar, pela manhã, depois daquelas denúncias parecia que o mundo estava caindo nas nossas costas. Não sei se foi combinado ou não, eu sei que entraram os dois procuradores que analisaram o caso, aqui da procuradoria do DF e territórios, um deles até me lembro o nome, Doutor Jair e mais o outro, entraram dois repórteres da Folha de São Paulo, entrou mais um da Veja, entrou o pessoal do sindicato. Foi um, uma verdadeira operação abafa e o procurador foi logo dizendo, acompanhado do oficial de justiça, que a Fundação estava interditada, o secretário e o presidente impedidos de operarem, e eu lembro que, se não me engano era o Bezerra que estava lá e recebeu a intimação, se não me falha a memória, recebeu a intimação do oficial de justiça de que a Fundação estava impedida. Nós, como funcionários, foi como se fosse uma ving..., uma..., como se os paladinos da justiça nos tirassem um peso da consciência, a gente era obrigado a fazer determinadas coisas que a gente sabia que eram não ilegais, mas imorais. Então, a maioria viu com grande júbilo, mas a cúpula evidentemente nos olhou atravessado, alguns colegas também, foi até surpresa, começaram a fazer acusações, “foi você que não sei o quê, você é o responsável” etc, né? Então foi um momento, uma divisão, eu diria que mais gente favorável à intervenção, é claro, digamos 70% e 30% achou ruim aquela intervenção. Então, foi um ambiente muito pesado, muito carregado.

 

P1 – Logo depois saíram algumas decisões em relação à segurança dentro da Fundação? Mudou a rotina?

 

R – Ah, mudou. Mudou, houve mais segurança no arquivo dos papéis, a Fundação estava em fase de implantação da área de informática, então foi tomado mais precauções para que o acesso não fosse tão liberado como era antes.

 

P1 – Existia uma área lá que era o aquário, né, o que era o aquário?

 

R – Se não me engano, o aquário era, se não me engano eram dois aquários, acho que eram dois aquários. O aquário era uma área onde ficava a informática isolada, isolada, tinha até uma plataforma, deve ter especificações técnicas para isso, o pessoal ficava lá isolado. E aquário, era o pessoal ali da, como em toda empresa, o pessoal ali ligado à chefia. Mas, aquário, se não me engano, era mais relacionado à informática.

 

P2 – Nessa época do Morro Vermelho, comentam alguns colegas que, às sextas-feiras à tarde, vocês se encontravam ali num boteco, no setor comercial sul. Isso é verídico?

 

R – É verídico. É verídico. Eu nunca bebi, se participei foi uma vez, talvez duas, e das duas vezes que participei eu fui praticamente carregado (risos) para casa. Então, para evitar constrangimentos com a minha esposa, brigas lá com a minha mulher eu não participava mais.(risos) Mas era verdade, era um happy hour que acontecia lá toda sexta-feira, virava a madrugada. Inclusive tem até um episódio interessante: houve uma sexta-feira que o Batista, colega, e o Chicão me chamaram “vamos lá, Jairo, tomar uma ali embaixo” , falei “não, não que eu tenho que levantar cedo que eu preciso estudar”, “estudar para quê, não seja...já está querendo ___ o Brasil”. “Não, eu estou dormindo cedo e acordando, durmo lá pelas oito, nove horas e acordo às duas para estudar”. “Isso é conversa fiada”. O pessoal foi para a bebedeira e quem que me liga às duas da manhã? O Batista, lá em casa, bêbado que nem um gambá (risos) “Jairo, eu só queria confirmar se você está estudando mesmo”, e eu estava estudando.

 

P1 – Então, assim, depois desse período mais atribulado da Fundação em 92, como que foi a retomada dos trabalhos da Fundação?

 

P2 – Só para ilustrar a pergunta da Eliete, o Maurício Teixeira esteve aqui conosco e ele comentou o seguinte: que no final de 92, 93 foi um ano de reestruturação, levantar a auto-estima dos funcionários, mostrar que a Fundação agora estava para frente, responder ao Ministério Público, aos questionamentos que ele fazia com relação à Fundação e, finalmente, em 94, conseguiram fazer novos projetos, Banda e _____. Como foi essa retomada para você? Foi gratificante?

 

R – Foi extremamente gratificante e só fez confirmar a boa impressão que a gente sempre teve do Maurício. Ele levantou a auto-estima, sempre participava, foi um dos raros secretários que participava das nossas confraternizações, deixava sempre um canal aberto para que a gente pudesse dar contribuições, tanto é que o Projeto Bandas, depois, que é a minha menina dos olhos, só acabou sendo possível graças ao decidido apoio do Maurício. Então, levantou a estima, eu sei que foram feitos seminários, foram feitas palestras motivacionais, palestras para que a gente pudesse rastrear o ambiente externo, o que a sociedade estava querendo para uma nova Fundação Banco do Brasil.

 

P1 – O que foi o Projeto Bandas?

 

R – É, o Projeto Bandas é aquelas coisas típicas de ideias que a gente “incasqueta” na cabeça e não sai, fica batendo, batendo. Bem, eu nasci no interior, nasci no interior e uma das pouquíssimas atrações era a bandinha de música. Eu toquei, e muito mal (risos) é, acho que é, não sei como era, uma corneta comum, era o que eu dava de tocar, né, outros colegas tocavam tuba, aquele, uma boca desse tamanho, então, eu sempre fui fascinado por bandinha de música. E depois quando eu fui para o exército, eu via como as bandas de música, sobretudo as militares, não só as militares, mas, sobretudo aquelas bandas antigas, com quase dois séculos de existência ainda prestavam serviço para as pequenas localidades. No exército, eu via a banda lá, eu não participava da banda da polícia do exército, do regimento da cavalaria de guarda, batalhão da guarda presidencial, nos finais de semana eles se dividiam em duas ou três frações e animavam as festinhas de escola aqui na Candangolândia, iam para Luisiânia participar de festas e formaturas. Então, o trabalho social das bandas, embora muito pouco visto, sempre me tocou. Então, eu pensei o dia em que eu tiver possibilidades, vou tentar convencer a Administração da Fundação a tocar o Projeto Banda. E foi de tanta insistência, né, fizemos um levantamento de todas as bandas, eram cerca de 4.000 que se cadastraram, acho que foram atendidas cerca de 300 a 400, culminou, a apoteose foi aqui no parque da cidade, um dia, para mim, especialmente inesquecível, fizemos, trouxemos cinco bandas, cada uma representando uma das regiões do Brasil e fizemos uma apresentação no domingo. No sábado anterior, lembro até de um episódio, naquele tempo o Alexandre Garcia era repórter, não sei se do DFTV, foi escalado para fazer a matéria. Aí, o Alexandre Garcia falou que queria fazer um take, um quadro né, vocês, Eliete e Álvaro, são mais habituados, fazer um quadro para passar no jornal local. Aí por sugestão do câmera-man falou assim “oh, pega aquela banda ali que vai aparecer bem, o visual dela é bonito na televisão”, que era a banda de Fernandópolis, se não me engano, representando a região sudeste. Eram meninos, 160 meninos, todos paramentados, aquele uniforme de gala, bonito, aí o câmera-man sugeriu “Alexandre, vamos fazer um take daquela banda pimposa ali”, aí eu falei “Olha, Alexandre, se você me permite eu queria que você fizesse daquela ali”, que era a Banda Curica, até o nome humilde, simples, né? Banda Curica, todos de, todos pretos, eram cerca de 30, mais ou menos, era uma fração da Banda de Curica. Curica é a banda lá de Goiana, cidade próxima a Recife, que representava, viu Álvaro, representava a região Nordeste. A Banda de Abaetetuba representava a região norte, uma cidade ali também perto de Belém, a Banda do Colégio Marcelino Champagnat representava a banda do, era representante da região sul. E a do centro-oeste era a banda de surdos e mudos, ali de Taguatinga. Como a banda de surdos e mudos não pode se apresentar no dia, as outras quatro estavam e eu falei “ Alexandre vamos fazer um take da Curica” aí o câmera-man falou “aquela ali é muito simplesinha”, “Alexandre, pode confiar que você não vai se arrepender, pode filmar aquela banda”, isso eu falei em off para não ofender o pessoal lá de Fernandópolis. Mas ele queria saber “mas por que você quer..”, “olha, Alexandre, apesar da aparência modesta, é uma banda que tem músicos de primeira linha, eles tocam desde a quinta sinfonia de Beethoven, a sinfonia do destino, até frevo. O que você quiser, eles tocam e eu tenho dúvida se a banda de Fernandópolis sabe tocar Beethoven, música clássica”. “Então vamos fazer um ensaio”. Então, eu falei lá com o maestro, “maestro, ataca aí a sinfonia do destino de Beethoven”, aí o que era para ser só um apanhado, o Alexandre ficou tão fissurado que tocaram a sinfonia do destino, claro que mais curta, por uns sete, oito minutos. E o Alexandre decidiu pôr aquela ali e saiu no DFTV do dia um quadro onde a população era convidada para participar do Festival de Bandas e Música no dia seguinte, com um quadro da Banda Curica, 30 pessoas modestamente trajadas, mas músicos de primeira grandeza.

 

P2 – Então esse foi o belo final do programa?

 

R – Para mim, foi a apoteose (risos). Minha missão estava cumprida no Banco do Brasil.

 

P1 –Jairo, então foi você que propôs o projeto?

 

R – Foi, eu não tenho modéstia de propor, porque é uma coisa..., não é nada para me vangloriar, porque além dos instrumentos musicais que foram doados, o que mais me deixou assim me deixou emocionado, foram as partituras musicais. Essas pequenas bandas não tinham partituras musicais e muitas iam sendo desativadas, porque não tinham acesso a partituras. Então a banda, além dos uniformes e instrumentos musicais..., patrocinou a compra de partituras musicais.

 

P2 – E os coretos? Eu soube que teve alguma revitalização.

 

R – Teve também. Mas isso não foi um projeto, não foi dentro do Projeto Bandas e Música, foi talvez em razão, eu não posso dizer com segurança, talvez em razão do apoio às Bandas e Música, eu sei que as superintendências estaduais e as agências começaram a ter uma verba específica a desembolsar recursos para revitalizar também os coretos, né?

 

P2 – Banda, uniformes e coreto.

 

R – É, banda, uniforme e coreto. Engraçado é que houve uma oportunidade, a gente foi até o Banco do Brasil, área de Marketing, se não me engano, para tentar vender essa ideia, para que eles ajudassem a promover esse encontro das cinco bandas lá no parque. Quando eu falei em bandas, a primeira ideia que veio à cabeça de um dos presentes da mesa lá da área, né, “é o que é Plebe Rude, Capital Inicial, Legião Urbana” (risos) então, não estava, não fazia parte da cultura daquele colega as bandinhas de música do interior. Claro, eu não tiro a razão, porque era um jovem, não tinha acesso a esse, talvez nem tivesse nascido no interior, né?

 

P1 – Agora, Jairo, como vocês faziam? Vocês faziam contato com as bandas, fizeram o mapeamento das bandas, abriam um edital? Como que funcionava essa forma de, até de financiamento, né, da Fundação em relação a essas bandas?

 

R – Foi importantíssimo o apoio do Ministério da Cultura, eles tinham lá um setor só de, não era um setor só de bandas e música, era um setor de revitalização da cultura popular, algo parecido e tinha um setor lá específico de bandas e música. Então, eles nos deram lá a relação, os endereços, a relação das bandas de todo o Brasil, as cadastradas. E também, de extraordinário, foi o apoio das agências, né, as agências que, talvez, por alguma outra razão não poderiam receber recursos da Fundação Banco do Brasil, pois teriam que ter um projeto na área de pequenas comunidades e lá talvez não tivessem pequenas comunidades, tinha que ter um projeto na área de ciência e tecnologia, lá na pequena cidade talvez não tivesse esse tipo de projeto, então viram, como toda cidade de interior pequena tem banda de música, viram então uma excelente oportunidade de fazer um relacionamento público-social com a comunidade por intermédio das bandas e música. Aí que colaboraram, mandaram, preencheram projetos, como falei, foram cerca de 4000 bandas, mas infelizmente não havia recursos para atender todo mundo, né?

 

P2 – Jairo, você ficou na Fundação até que ano?

 

R – Até 31 de julho de 1995, quando eu saí no primeiro plano de demissão voluntária do Banco do Brasil.

 

P2 – Nesse período que você ficou na Fundação, houve mais algum projeto em especial que você participou diretamente?

 

R – Sim, foi da..., de uma, hoje em dia a gente chamaria de ONG, uma instituição sem fins lucrativos, mas tocada pela iniciativa privada, chamada Campanha Nacional de Escolas da Comunidade [Cenec], do Felipe Tiago Gomes, se não me engano, naquele tempo, era o presidente nacional. Então, também foi outro projeto que eu gostei muito, porque sabia que era chover no molhado, educação é fundamental em qualquer país do mundo, que dirá aqui no Brasil. Por isso, eu me senti novamente investido daquela aura de colaborador, para tentar ajudar a sociedade brasileira, nesse projeto específico eu não estava mais, nem como, eu estava mais do lado deles do que como funcionário do Banco do Brasil, tentava viabilizar, tentava ajudar, para que os projetos, claro que sempre dentro da legalidade, que os projetos fossem, eu mesmo dava dicas de preenchimento, é natural que tenham dificuldades de preenchimento de formulários, eu dava dicas fora do horário para que os projetos não fossem atendidos por uma questão burocrática.

 

P2 – Da intervenção até esse momento, 94 para 95, valeu a pena ter ficado na Fundação?

 

R – Ah, valeu. Foi uma escola de vida, não só uma escola de vida pessoal, mas uma escola de possibilidade de colaborar para melhoria do Brasil. Eu me senti como um grão de areia que colaborou para tentar solucionar, claro que em partes, alguns dos problemas crônicos que o Brasil tem.

 

P1 – Você lembra de algum momento marcante, Jairo, que você vivenciou na Fundação nesse período?

 

R – Foram vários. O mais marcante, é claro, e essa intervenção do Ministério Público na Fundação, outro foi o Projeto Bandas, esse na área de educação. Mas um projeto que eu lembro também, também da área cultural, foi na área do teatro. Parece que eu estava voltando à antiga, ao antigo projeto de vida que eu tinha, né, então nesse eu também me envolvi de corpo e alma, que foi recuperação do Teatro Dulcina, aqui no setor diversões sul, ali no Conic. Não só no aspecto físico, mas também com temporadas, que a gente chamava de temporadas populares, com a vinda de teatro de primeiro nível, né, eu lembro que eu não perdi um, evidentemente, fazia questão de pagar embora tivesse acesso livre. Fazia questão de pagar, porque sei que uma das sangrias para que faltem recursos no teatro era essa benesse generalizada que se fazia de distribuição de ingressos para pessoas que, a maioria, a gente via, a maioria não ia e a casa ficava vazia. Eu levei minha sogra, levei minhas filhas, que eram pequenas na época para assistir. Eu lembro que, até hoje minha sogra que mora comigo, tem na cabeceira da cama dela, com muito orgulho, fotos minha e dela com a Regina Duarte, coisa que ela nunca sonhou, Fernanda Montenegro, Paulo Goulart, Nicete Bruno, em carne e osso e extremamente simpáticas, né? Então foi, em termos pessoais como cidadão, e também a gente conseguiu trazer caravanas de estudantes da periferia para que assistissem gratuitamente essas apresentações. Assim, as cenas eram comoventes, você imagina uma criança com 12 anos, que só via lá os grandes astros pela televisão, ver ali de carne e osso. Eu lembro de uma menina que a Regina Duarte foi abraçar e ela estava dura, aí a Regina Duarte teve que falar “relaxa minha filha, eu sou que nem você”. Então foi um projeto muito interessante também.

 

P2 – A Fundação foi uma oportunidade de reviver sonhos da infância?

 

R – Foi. Foi uma oportunidade de reviver sonhos de infância e também de descobrir alguns outros sonhos que eu nem sabia que existiam, que é poder colaborar com essa área social, né, através do meu trabalho, do meu ganha pão, poder saber que eu estava influindo positivamente para ajudar o país de alguma forma.

 

P1 – Jairo, você lembra de pessoas que te marcaram nesse período que você ficou na Fundação?

 

R – Muitas, muitas pessoas me marcaram.

 

P1 – Você poderia citar alguma para a gente?

 

R – Eu lembro sempre com muito carinho do Artur. O Artur, eu lembro que vim do interior, muito caipira, só gostava de Tonico e Tinoco, Zico e Zeca, Zé Fortuna e Pitangueira, e por ouvir eventualmente na Rádio Guaíba, à noite, depois da novela, daquela novela, eu ficava ouvindo rádio e ouvia a música da Guaíba, com músicas clássicas, eu já adquiri aí um gosto pela música clássica e Roberto Carlos. Então, o meu ouvido musical não passava disso, música caipira, Roberto Carlos e eventualmente música clássica, né? O Artur, num belo dia, eu queria que ele gravasse long plays e fita cassete do Roberto Carlos, ele me deu uma senhora de uma aula de música: “Jairo, você tem que ouvir Beatles, tem que ouvir Blues, Jazz” e eu sempre contrário “não, eu não gosto dessas coisas, não é minha praia”. E de tanto insistir, acabei..., hoje eu sou fanático pelos Beatles, Jazz e Blues já incorporei também à minha vida, só não consegui, talvez falta um outro Artur na minha vida, para tentar fazer com que eu goste de rock mais pesado, rock pauleira, mas eu não acho difícil, porque no terreno musical eu continuo fiel à música caipira, hoje em dia breganeja, né, (risos) continuo fiel ao Roberto Carlos, cada vez mais a música clássica, música de bandas, etc, mas não acho difícil encontrar alguém que me faça gostar de música turca, música chilena, por exemplo, e outras áreas ainda não exploradas.

 

P1 – Você tem algum fato curioso, engraçado, desse período em que você trabalhou na Fundação?

 

P2 – Dos bastidores?

 

R – Dos bastidores, é tem esse, né, que o pessoal achava que eu era muito seminarista, muito sério e que eu tinha que sair para a noitada. Sempre fui muito bem casado, mas tinha que sair para a noitada. E um dia nós saímos para uma noitada, nem lembro, acho que eu estava tão bêbado depois que nem lembro mais. A gente foi por vários points aqui de Brasília, fomos até Valparaíso [GO], passamos por Luisiânia, voltamos pelo Plano Piloto, eu sei que eu cheguei a muito custo às 7 horas da manhã (risos), literalmente carregado por um colega, que era contínuo, se não me engano era o Dias, que estava na, pelo menos quando eu saí da Fundação, estava lá no Espírito Santo. Aí, também como eu tinha fama de sindicalista, eu lembro que até comentei com o Reinaldo, quando eu encontrei com ele, que o Reinaldo fazia vista grossa quando lá pelas 3 da tarde em pleno expediente eu descia, eu via lá pela janela, a gente trabalhava lá no vigésimo quinto andar, no último andar e eu trabalhava sempre perto da janela e via a movimentação ali embaixo. Então, quando via um grupo unido, sabia que tinha um colega sindicalista que estava sozinho tentando convencer lá alguns colegas a aderirem aos movimentos paredistas, eu falava que ia até a lanchonete, descia e, na verdade, ia gastar um pouco de saliva também para ajudar ao colega para tentar convencer os outros para aderirem também às nossas reivindicações. (risos)

 

P2 – Jairo, hoje você já não é mais do quadro do Banco do Brasil, mas você se sente funcionário do Banco do Brasil?

 

R – Ah, tanto é que, hoje mesmo eu cometi ali com a Eliete e com você, Álvaro, um ato falho, né? Eu sempre falo, “vou para o Banco”, ai lá em casa “pai, o senhor está na Câmera”, mas não sei, né, já está tão incorporado que eu, vez por outra, falo Banco.

 

P1 – Jairo, a gente já está encerrando, mas uma curiosidade: você entrou no PDV, em 95.

 

R – Isso.

 

P1 - O que te levou a entrar no PDV?

 

R – Porque, olha, talvez por querer trilhar uma outra vida. Claro, a gente nunca está satisfeito, as condições sociais do país sempre são insatisfatórias, por mais que a gente faça. Eu achei que já tinha dado a minha parcela. No Banco, pelo fato de ser sindicalista, nunca pude fazer carreira, também confesso que nunca liguei para isso, mas as meninas crescendo, minha mulher insistindo, os parentes (risos) viajando, com bom padrão de vida e eu sempre tirando dinheiro do bolso para ajudar nos movimentos sociais, né? Aí, caiu a ficha e eu pensei “vou ter que dar outra destinação para minha vida” e também para ter novos desafios, eu já estava há 15 anos, estava muito acomodado, com 37 anos eu pensei “não é tarde, vou tentar alguma coisa”, mas não sabia o que ia fazer. A primeira ideia que me veio à cabeça, eu via que os padeiros ali da minha quadra eram muito prósperos, pensei em entrar no ramo de padaria. Fiquei vasculhando lá por um mês mais ou menos, gostei, “vou entrar nesse ramo”, mas com a cara e com a coragem, confesso que não tinha nenhum pé de..., sabia que o PDV ia ser razoável, mas não estava calçado. Se eu tivesse algum tombo, eu voltaria à estaca zero. Mas, basicamente, foi por causa disso, para tentar dar um padrão melhor para minha família e para encarar novos desafios, para eu tentar sair daquele marasmo de funcionário do Banco do Brasil. E confesso, que foi um período dos mais difíceis da minha vida financeira, sem dúvida, mas muito rico, porque eu aprendi muito, cresci muito. Hoje em dia continuo colaborando na área social, mas muito mais ligado, com laços mais sólidos com a minha família, que eu acho fundamental.

 

P1 – Valeu a pena então?

 

R - Valeu a pena, é claro que ficou a amizade, ficou a saudade da Fundação Banco do Brasil, do Banco do Brasil, mas em termos de vida, de projeto de vida, para mim foi uma decisão muito acertada, porque com certeza estaria muito insatisfeito, sobretudo na fase atual do Banco do Brasil, né, com, a gente houve notícias, com essas dificuldades financeiras que os funcionários do Banco do Brasil estão passando, com a informatização, tirando postos de trabalho. Então, certamente, eu ia me sentir muito ruim com o atual panorama de atuação do Banco. Foi ótimo, encarei novos desafios, tive que ir à luta, tirei a roupa de funcionário público, tive que me virar para sobreviver. Assim como tive que sobreviver antes de ir para o exército, que se eu quisesse dinheiro, antes do exército, tinha que correr atrás, e quando eu saí do Banco mesma coisa, se eu quisesse dar um padrão bom de vida, se quisesse ter segurança financeira, eu tinha que ir à luta. Tive que dar aula, fazer vários concursos, então, para mim, foi um período muito rico a saída. Claro, não quer dizer que a Fundação Banco do Brasil foi ruim, não. Foi um período que marcou minha vida, mas eu tinha que ver outras formas de crescimento pessoal e profissional.

 

P2 – Como é que o senhor avalia sua trajetória na Fundação Banco do Brasil?

 

R – Uma pincelada, uma pincelada talvez dos pintores impressionistas, que gostavam muito das cores, uma pincelada amarela ali no canto, um quadro de Renoir, talvez, mas que sem essa pincelada amarela talvez, quem deu pinceladas mais visíveis, o verde, o azul não compusesse todo o quadro que a gente pode vislumbrar hoje em dia da Fundação Banco do Brasil.

 

P2 – O que o senhor aprendeu com a Fundação ?

 

R – Eu aprendi a ser..., que é possível compatibilizar a carreira profissional com a inserção, com a possibilidade de colaborar para um Brasil melhor.

 

P2 – O senhor poderia traduzir a Fundação Banco do Brasil em algumas palavras?

 

R – A Fundação Banco do Brasil é um oásis no meio da selva financeira que é o Banco do Brasil.

 

P2 – A gente está caminhando para a parte final da nossa entrevista, como a Eliete falou, e eu gostaria de perguntar para o senhor, qual é a importância de um trabalho como este de registrar a memória da Fundação Banco do Brasil?

 

R- Ah, é de fundamental importância, porque primeiro eu estou rememorando histórias que talvez de outra forma não iria recordar. E também deixar registrado para as novas gerações que a atual Fundação Banco do Brasil, ela foi feita..., ela não teve uma trajetória retilínea, ela teve muitos sobressaltos, parafraseando Winston Churchill, já que eu gosto de fazer discursos na minha função atual, muito sangue, suor e lágrimas (risos) foram derramados para que a Fundação chegasse ao atual patamar. Muita angústia, noites em claro, sentimento de perseguição, de medo, de incerteza, rolou até que a Fundação pudesse entrar no seu eixo normal de atuação, como hoje em dia vem atuando.

 

P2 – O que o senhor achou de ter participado dessa entrevista?

 

R – Olha, muito legal, além de você, Álvaro, e Eliete serem muito simpáticos, me deixaram muito à vontade. Confesso que é a primeira experiência nesse sentido, então fui estimulado por vocês a, realmente, abrir o verbo e o coração para fazer esse registro.

 

P1 – Bom, Jairo, a Fundação Banco do Brasil e o Instituto Museu da Pessoa agradecem pela entrevista.

 

R – Eu é que agradeço pela oportunidade e espero ter contribuído um pouco para que os novos funcionários, a nova, a atual direção encontrem um pouco, talvez, de alento, cada vez mais, para continuar nessa linha de atuação que cada dia a sociedade reconhece mais.

 

P1 – Obrigada.

 

P2 – Obrigado.

 

R – Eu é que agradeço.

 

 

---- FIM DA ENTREVISTA ----

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