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História

Eu já acordo cantando

História de: Maria Salvadora
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/10/2012

Sinopse

A atriz, cantora e bailarina Maria Salvadora nasceu em Miracema, Rio de Janeiro. Filha caçula de mãe afetuosa e pai músico, estudou em colégio interno. Na infância, passou os finais de semana na Baixada Fluminense. Sua primeira obra foi o musical Otelo. Com 15, 16 anos tornou-se ginasta. Fez participações na televisão no seriado Malu Mulher e Maysa. Em Suburbia, interpreta a personagem Margarida.

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História completa

Minha mãe teve cinco filhos, sendo que quatro homens, e eu sou a única menina. Nasci 16 anos depois, então eu sou temporão; super paparicada. Vivi numa fazenda em Cataguases e quando eu fiz cinco anos de idade minha mãe veio para o Rio de Janeiro, só comigo e com meus irmãos, e aqui eu deslanchei minha vida. Minha mãe é aquela pessoa que se chama de “mão de fada”, que cuidava de uma fazenda, cozinhava super bem, sabia fazer sabão, manteiga; muito afetuosa, muito carinhosa, mãezona...

 

Eu não herdei esse dom, sério! Depois ela resolveu vir pro Rio de Janeiro pra ter uma nova chance. Meu pai, pelo que minha mãe contou, era músico, daí essa coisa minha de gostar de cantar: Tem uma coisa musical grande dentro de mim. Sou aquela pessoa que se você me cutuca eu já acordo cantando. Já está no meu DNA. E meus irmãos tocavam violão, então eu sou uma criança que consegue cantar as músicas antigas da época áurea. E eu era coisa fofa, uma pitoca dentro de casa. Aquele bando de grandalhões que eram os meus irmãos, com uma diferença de 16 anos... Me protegeram muito. Fui criada como uma princesa, num mundo cor de rosa, cresci muito segura.

 

Eu fazia questão de estar sempre bonita, bem. Mesmo pequenininha eu era vaidosa demais. A nossa geração e a nossa raça traz muita coisa da África. Eu sei que meu avô foi curandeiro; a minha avó era índia, aquele cruzamento. Eu sei que a minha mãe tinha um conhecimento de Umbanda e depois ela meio que me encaminhou pela linha católica. E a minha mãe colocou na minha vida o seguinte: se você estudar você chega em algum lugar. Então eu tinha que estudar pra ser diferente de todo aquele universo ao meu redor. Mas eu tirava acima de nove no ano inteiro, e dois em comportamento, porque eu era um azougue. Qualquer tipo de ilê, bagunça, farra, eu estava envolvida.

 

Eu fiz Dança Contemporânea, fiz Ginástica Rítmica e quando eu saí da ginástica fui fazer Balé Clássico. Eu queria ser bailarina, só que a vida da bailarina é curta. Aí fui estudar canto, e depois falei que eu queria ser atriz. Por isso que eu falo que eu sou atriz, cantora e bailarina. Consegui unir essas três artes, que é o que me facilita. Estrei em 83 num musical chamado Vargas, e tive a oportunidade de trabalhar com um grande ator cômico que é o Grande Otelo Eu estreei com Paulo Gracindo, Grande Otelo, Isabel Ribeiro, Milton Gonçalves! E eu era uma guria de 13 anos. Trabalhei na Ópera Aida; fiz a Ópera Porgy and Bess, no Teatro Municipal...

 

E teve uma época na minha vida que eu era ginasta, e convivia com um universo de búlgaras, húngaras, não sei que, e eu queria chamar “Radovalas Maria” que seria Salvadora de traz pra frente, pra eu me considerar uma russa. Aí veio aquele mulatão e disse: “Não pode, Maria Salvadora!” Você tem que aceitar seu nome de Maria Salvadora. Hoje em dia eu amo meu nome. Salvadora é um nome forte, bonito. Eu engrenei pela parte da ginástica, competi como ginasta nessa fase de 15 pra 16 anos, porque como eu sempre tive muita flexibilidade... Depois virei árbitro nacional, selecionava as atletas para Olimpíadas. Tinha uma época que Lupe Gigliotti tinha um grupo de teatro, e fazia peças infantis em aniversários. Eu comecei a trabalhar com peça infantil, depois fui fazer a CAL, me formei e deslanchei na minha carreira.

 

O primeiro Teatro que eu fiz legal foi com o Moacyr Goés, Baal. Fiz Fausto, A Serpente; Fedra, Balé Carmem... Cada ano eu tava com um diretor, porque com essa coisa de eu cantar, dançar e interpretar fica fácil de me pegarem! Eu sempre falei que eu queria ser a Marília Pêra negra. Canta, dança e interpreta!: Botei isso na minha cabeça e corri atrás desse resultado. Na TV trabalhei no seriado Mulher, fiz participações em A Favorita; Maysa, e agora que eu tô voltando com essa minissérie que pra mim é tudo! É fantástica essa personagem, Margarida, tô apaixonada! Na casa dela tem Tim Maia, James Brown... Uau! Com esse universo musical que eu tinha na minha infância. E a Margarida criou seu filho com todo amor porque o marido a abandonou com esse filho no ventre. E se o filho estava sorrindo, ela estava sorrindo; se ele não estava em casa, ela ficava em casa, prostrada, janela fechada. Ela é uma mulher muito densa!

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