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História

"Eu inovei bastante!"

História de: Rosana Leddomado
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/10/2016

Sinopse

Na entrevista, Rosana nos conta sobre de seus pais, imigrantes de Polignano a Mare, e sobre como se conheceram no Brás. Após isso, Rosana nos dá um panorama sobre sua infância no bairro e os lugares que mais a marcaram. Fala também sobre o comércio de seu pai, a Boa Luz, que cresceu em meio ao auge da Zona Cerealista, nos anos 60 e 70. Então, a entrevistada fala sobre a morte de seu irmão num acidente, a relação com sua irmã e a carreira das duas, na matemática e pedagogia. Seguindo em frente, ouvimos a respeito de seu casamento, o nascimento de seus filhos e seu divórcio. Depois, Rosana nos conta como tomou conta do negócio de seu pai, em parceria com sua irmã. Conta das dificuldades iniciais num ambiente machista, sua reviravolta como mulher de negócios e sobre como modernizou a forma e os produtos de seu comércio. Por fim, sabemos de sua experiência como síndica de condomínio e sobre seus sonhos e planos para o futuro.

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História completa

Olha, cada dia é um dia no comércio. Não tem regra (risos). A gente viajava, ia fazer negócio no Rio Grande do Sul, ia pro Rio Grande. Fizemos muita viagem pra China pra comprar alho. Fizemos viagens pra Espanha, pra Argentina, pro México. Onde cheirava o alho a gente estava lá. (risos). Foi assim. Ah, teve uma história engraçada (risos). Nós tivemos uma reunião com a cúpula de um banco na Argentina. E nós estávamos todos reunidos, estava o dono do banco, o banqueiro mesmo, toda a cúpula do banco, estava toda a turma do comércio, aqui do sindicato. Estava no meio da reunião eu comecei a dormir (risos) e os caras ficaram loucos da vida comigo. Sabe oque é dormir numa reunião com um banqueiro? No dia seguinte eu me encontrei com os banqueiros, eles não estavam chateados, não, os primeiros que eles vieram cumprimentar foi a mim. “Oi!” (risos). Eu falei: “Sabe por que ele veio cumprimentar? Porque o cara que dormiu na frente deles é porque não precisa de dinheiro” (risos). Não é por aí, não? (risos)

 

A viagem foi sobre alho. Porque a China revolucionou esse mercado. Porque antigamente não existia esse negócio de falar: “Eu quero um navio de alho”. Ninguém te preparava um navio de alho nunca, levava dez anos pra te pôr um navio, não tinha produção pra tanto. E a China é o único lugar do mundo que apareceu, você diz assim: “Eu quero um navio com 500 mil caixas de dez quilos. Daqui dez ou 15 dias consegue embarcar?” “É pra já”. Não tem medo de quantidade? Não é o que acontece em outros lugares. Em outros lugares você quer comprar 10 mil, 20 mil caixas, nossa... Precisa pegar de muita gente e mesmo assim você não consegue reunir tanta mercadoria.Mas a coisa rola dessa forma. Por isso que nós fomos pra China e nós trouxemos de fato, todos juntos. Nós fomos e carregamos a maior carga que veio da China, foi por intermédio do Dadá. Foi mais de 500 mil caixas em um navio. Foi divertido, viu? Ver desde quando começamos, até produzindo alho, tudo, e depois isso. Mas eu digo, a revolução no alho foram os alhos que vieram da China, a quantidade que eles conseguiam preparar, que em lugar nenhum do mundo você ia conseguir ter aquela quantidade pra trazer assim fácil. Mas de jeito nenhum. Então aquilo foi uma grande revolução, a China. Tanto que hoje o Brasil já está produzindo bastante, mas ainda não é autossuficiente, depende um pouco de importação ainda. O Brasil não produzia alho praticamente. Começaram a produzir devagarzinho em 76, 77 pra cá que eles vieram crescendo, o mercado foi ficando interessante, cada vez plantando mais, né? Porque dando lucro todo mundo corre pra plantar mesmo, né? (risos)

 

O Brasil hoje tem o melhor alho do mundo, em qualidade. Muito acima em qualidade. O chinês é bonito, bem trabalhado, o chinês é um capricho tremendo pra preparo da mercadoria, mas a qualidade do alho chinês não bate a do alho brasileiro de jeito nenhum, não tem aquele ardor que tem o nosso alho, nosso alho é mais forte, sei lá, tem uma coloração linda, o roxo lindo e tal, bem formado. O chinês também é bem formado, mas não tem esse charme todo não, viu? (risos) O melhor alho do mundo, pode escrever (risos).

 

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