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EU ESCOLHI MEU PAI

História de: Josy Santana
Autor: Josy Santana
Publicado em: 07/09/2015

Sinopse

A 17 anos atrás conheci a pessoa que seria meu pai, e num dia de chuva pude ter a certeza sobre isto,hoje tenho orgulho do trabalho que fazemos juntos.

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História completa

Sou Joselma Santana conhecida como Josy tenho 29 anos, nasci em julho de 1986, em São Bernardo do Campo SP, hoje sou casada tenho um filho de 5 anos, hoje digo que sou realizada mas não era bem assim a 17 anos atrás, minha mãe Margarida Nascimento pernambucana arretada casou-se no ano de 1982 com o meu pai de sangue José Mendes veio a dar a Luz para seu primeiro filho em 1983 Jeferson Mendes que veio a falecer com 2 meses de vida em Pernambuco, por um tentativa de tempos melhores veio para São Paulo em 1985, assim concebeu e me deu a luz em 1986, infelizmente em 1992 meu pai veio a falecer, assim me deixando somente em memorias fotográficas daí começa nossa saga.

 

Sofrimento, minha mãe me criou sozinha com a ajuda de uma senhora nossa vizinha que por amor eu a chamava de vó Maria a vó branca que hoje já falecida senhora Maria José Esperoni, minha mãe deixou muitas vezes de comer e de se vestir para não me deixar faltar nada, vi minha mãe chorar muitas vezes e sempre sozinha na sua caminhada. Não sei se por obra de destino, mas creio na obra de Deus e em 1997 apareceu um anjo em nossas vidas.

 

Este anjo tem nome e sobrenome Telines Nascimento, veio como não queria nada, se tornou meu melhor amigo, o Telines conhecido como Carioca nasceu no Rio de Janeiro por isto o apelido, era um catador de material reciclável, conhecido já da família e amigo de um tio meu o já falecido José Luis, estava sempre lá em casa tomando todo dia pela manhã o cafezinho da vó Branca (Maria José), como eu estudava a tarde eu estava sempre fazendo minhas lições de casa e ele sempre me ajudava, nossa como era bom, vi nele um carinho grande, um carinho maravilhoso, naquele momento comecei a sentir o que não sabia como era mais via nas amigas da escola o amor de um pai.

 

Eu achava que estava pirando, mas era tão bom, era bom ter aquele carinho, ele mostrava muito preocupado comigo, sempre perguntando com quem eu andava querendo saber quem era minhas amizades as vezes bravo por eu ter ficado com nota feia nas matérias, bem começou aí uma história de amor e carinho, comecei velo como um pai sem ser. Como eu dizia sempre dele para minha mãe (Margarida), ela começou a ficar curiosa a saber quem era o “Tio” Carioca era assim que eu o chamava para minha mãe, como minha mãe trabalhava longe e o dia inteiro eu só contava para ela no fim da noite o que havia acontecido pelo meu dia, e nem precisa falar né que ela já não precisava mais me ajudar nas tarefas da escola. Um dia ela quis conhecer quem era o “Tio” Carioca que eu tanto falava, estava fazendo um trabalho para aula de música precisa da música para estudar como não tinha na época nenhum aparelho de som nem cd tive que ir à casa do “Tio” Carioca, minha mãe me acompanhou, daí então veio a conhecer o “Tio” Carioca conversa vai conversa vem acabaram ficando amigos, imagine minha alegria, passaram-se alguns meses e começaram a namorar.

 

 O “Tio” Carioca passou a ser namorado da minha mãe, ele pediu ela em namoro para mim nossa foi muito bom, depois de algum tempo como de costume passava sempre em frente ao ferro velho onde ele ficava após a escola ele me esperava para saber como tinha sido o dia de aula estava chovendo em meio a um sorriso perguntei a ele se eu poderia chama-lo de pai, ai em meio a lagrimas veio a resposta um sim, foi o sim mais maravilho do mundo, tinha ganhado um pai, eu pude escolher meu pai diferente de muitos eu escolhi e foi a escolha mais bem feita da minha vida. Meus pais agora “Pai” começaram morar juntos, mesmo unidos passamos por muitas dificuldades veio tempos de fome, meu pai saia de madrugada para um sacolão perto de casa para poder pegar frutas, legumes, verduras, e pelo coração maravilhoso que sempre teve dividia com a rua inteira, veio algum tempo depois meu irmão caçula o Marcos Paulo Nascimento hoje com 16 anos, mesmo com dificuldade foi daí que tudo mudou, meu pai se juntou com um grupo de catadores e veio a fundar a CooperCaps a cooperativa de reciclagem da Capela do Socorro, que hoje também participo dela. Hoje depois de muitas idas e vindas vencemos, passaram-se 17 anos e a vitória chego.

 

 Vi meu pai puxando carroça saindo de casa arrumado, muitas vezes de terno e gravata com vergonha dos vizinhos falarem dos filhos verem, mas foi destas puxadas que ele trouxe comida para casa, as vezes não trazia dinheiro mais o quantas vezes alguns moradores onde ele pegava material não tinha nada para dar dava um pote com comida e era esta comida que ele nos dava quando chegava. Agradeço por tudo que ele tenha me feito a mim a minha mãe e ao meu irmão que teve a chance de ser filho legitimo dele, mesmo não correndo o sangue dele em minhas veias, vejo como meu único e verdadeiro Pai, hoje dei a ele um neto que o chamava de avô.

 

Estou casada a 9 anos com Thiago Santana tenho um filho de 5 anos Thiago Junior, estou na Universidade prestando curso de Logística ,sou cooperada da CooperCaps a 4 anos, estou no momento na parte administrativa, meu esposo já trabalhou na CooperCaps de coringa, prensista coletor, hoje trabalha como coletor em uma outra empresa de Resíduos Urbanos, meu pai e o atual Diretor Presidente já no seu 3 mandato, trazendo melhorias para todos os 137 cooperados que trabalham conosco e melhorias para os 2 filhos 1 neto e esposa, minha mãe trabalha também na CooperCaps e coordenadora d esteira. Hoje tenho orgulho do que faço, e orgulho pelos sonhos do meu Pai. Esta é minha história, eu tive a chance de escolher meu pai poder passar por altos e baixos e hoje estar realizando os sonhos de meu pai pela CooperCaps.

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