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História

Eu e os meus botões

História de: Orlando Cruz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/12/2012

Sinopse

Identificação. A família, proprietária de padaria, no interior da Bahia. Ida para São Paulo aos 15 anos. Moradia em Regente Feijó e em Lucélia, onde trabalhou na loja de couros e calçados de seu tio. Ida para São Paulo, em 1944, para trabalhar na Casa Ferro. As impressões da cidade e o início de suas atividades na firma, como office-boy. O curso superior de Economia na PUC. Como assumiu a contabilidade e também a administração de todo o negócio. As especificidades do ramo de aviamentos, das transformações pelas quais o bairro do Bom Retiro passou e da importância do bom atendimento.

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História completa

“Com 15 anos eu vim embora da Bahia. Fiz a viagem de Irará para Salvador e de Salvador para o Rio de Janeiro com uma família da cidade,porque uma moça de lá tinha se casado por procuração com um meio parente nosso que tinha clínica em Regente Feijó. Esse meio parente foi nos esperar no Rio de Janeiro e de lá tomamos um trem, até um trem bom, com destino à região da Alta Sorocabana. Foi uma viagem de 12 horas. Chegando em Regente Feijó, eu fui trabalhar com um tio que era dono de uma sapataria. A Casa Ferro era uma das fornecedoras, então nós já tínhamos contato com eles desde aquela época. Mais adiante, como meu tio estava pensando em mudar para São Paulo,o pessoal da Casa Ferro perguntou se ele conhecia um jovem para trabalhar com eles. Meu tio falou: ‘Tenho um rapaz e tal.’Aí nos mudamos para São Paulo e eu comecei minha história na Casa Ferro. Era 1944 e meu primeiro emprego ali dentro foi como office-boy. Era uma casa bastante conhecida: fabricava malas, fabricava sapatos, canos de bota, capacetes, perneiras militares – usavam-se perneiras de couro antigamente, não? Trabalhavam dois contadores lá na época e eu ficava, ou ajudando no escritório ou fazendo pagamentos na cidade, porque não existiam bancos, correio, repartições públicas nos lugares mais afastados; tudo era localizado no centro. Depois, mais tarde, me tornei um vendedor de sapatos. Cheguei a me formar na PUC, mas nunca deixei de trabalhar na Casa Ferro, porque nessa altura eu já tinha assumido a contabilidade da empresa. Tivemos um período bom, forte mesmo, mas com o passar dos anos o movimento foi decaindo, então um dia chamei o Senhor Mário Ferro, o proprietário, e falei: ‘Senhor Mário, nós estamos indo para trás.’ E ele concordou: ‘Sim. Vamos fechar.’Então, em janeiro de 1980, nós deixamos definitivamente de trabalhar com couro. Dispensamos os funcionários e eu fiquei cuidando da nova casa, na Rua da Graça. Nós ficamos só com botões, rebites, ilhoses, strass. Aí prosperou. Esse ramo tem apresentado um crescimento muito surpreendente e expressivo. Antes nós tínhamos unicamente três tipos de botões: o botão tipo capota, botão barra cem (que era um botão tipo luva, que se usava nas luvas; os homens usavam luvas naquela época) e o tipo cueca, que hoje não se usa mais. Hoje usa no collant, para o collant das mulheres. Agora usam também esses botões em roupas de bebês. E aí começaram a aumentar também os tipos de botões para braguilha aqui para os homens, nas calças. Eram botões fixos e flexíveis. Hoje se usa de todos os tipos: com pedras, trabalhadas. Ficou muito diversificado o ramo de botões. A moda exigiu.”

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