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História

Eu ainda vou trabalhar dentro daquela televisão!

História de: Cyda Baú
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/12/2017

Sinopse

Cyda descreve sua infância no Quilombo Baú e a vida como empregada doméstica em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Aos 25 anos, ingressa na Escola de Teatro Martins Pena e a partir daí, começa a trabalhar como atriz de teatro e televisão. Fala de sua experiência como participante do programa Casa dos Artistas, no SBT, e do papel de Jacinta na novela Esmeralda, na mesma emissora. Hoje em dia, além de atriz Cyda é uma pesquisadora da história das mulheres negras no Brasil e está escrevendo um monólogo sobre o tema.

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História completa

Do quilombo à novela das oito: Cyda Baú subverte as regras e reescreve o roteiro da sua vida. Na noite em que Cyda veio ao mundo, uma enchente levou a casa da família embora. Só sobrou o esqueleto, que ela e os irmãos apelidaram de “casa velha” e transformaram em brincadeira de criança. A infância no Quilombo Baú (fundado pelo bisavô de Cyda, Antonio Baú, em Minas Gerais) era trepar em árvore pra chupar fruta, andar a cavalo e nadar pelado no rio. Cyda foi criada pela avó, que a preparou para trilhar o caminho das outras mulheres da família: o trabalho doméstico.

 

Aos 13 anos, foi trabalhar sem remuneração numa casa de família em Araçaí, e a partir daí começa a perceber que “o mundo era outro”. A infância idílica cheia de liberdade e inocência no quilombo dá lugar ao preconceito, ao isolamento e a muitas dúvidas. Cyda começa a questionar o seu lugar como mulher negra e decide que não teria o mesmo destino que as outras mulheres da família: casar jovem e ter filhos. Aos 16 anos, Cyda vai para Belo Horizonte trabalhar como empregada doméstica e começa a estudar. Um belo dia, em 1997, acorda e diz pra si mesma: “Eu não quero mais ser essa pessoa. Eu quero mudar.” Enquanto assiste a uma novela na TV, Cyda tem um estalo: “Gente, mas o que esse povo tanto fala, tanto mexe com a boca?”. Embora “não entendesse esse mundo da arte”, resolveu que ia trabalhar “dentro daquela televisão”. Em uma semana, se desfez de tudo o que tinha, pegou um ônibus e foi atrás de uma tia no Rio de Janeiro.

 

Ainda trabalhado como doméstica, presta vestibular e entra em segundo lugar na Escola de Teatro Martins Pena. A partir daí, o mundo se abriu. Começou a trabalhar como vendedora de loja, mas sempre buscando trabalhos como atriz nas horas vagas. “Eu fui fazendo tudo o que aparecia, menos papel de empregada doméstica”. Começaram a surgir trabalhos de publicidade e de figuração na Rede Globo e em 2004, Cyda foi selecionada para o programa Casa dos Artistas: Protagonistas de Novelas, no SBT, cuja vencedora seria contratada para protagonizar Esmeralda, a próxima novela da emissora. Apesar de ser uma das candidatas mais populares, Cyda é eliminada. Agora era uma celebridade sem casa e sem dinheiro. “Famoso pra você pegar o ônibus e ficar lá sacudindo? As pessoas me reconhecendo no metrô, no ônibus, e eu me sentindo vazia.” Além disso, fica sabendo que uma atriz loira e de olhos azuis já havia sido escalada para protagonizar a novela. Cyda também foi escalada - mas para o papel de Jacinta, a empregada doméstica da protagonista...

 

Hoje em dia, além de atriz, esposa e mãe, Cyda é uma pesquisadora da história da mulher negra no Brasil, e inspirada pelos escritos de Carolina Maria de Jesus, está escrevendo o monólogo “Os Rastros das Marias”, baseado em textos de várias escritoras negras brasileiras. “Entrar naquela televisão” não foi suficiente para Cyda. Ela quer também dar voz às negras, quilombolas, mães, domésticas e periféricas que como ela, também querem e podem reescrever as suas vidas.

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