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História

Eu acreditava ter um superpoder

História de: Jéssica Cristina Alves dos Santos
Autor: Jéssica Cristina Alves dos Santos
Publicado em: 20/01/2022

Sinopse

Eu sempre fui uma criança observadora, questionadora e sensível. Minha percepção sobre o mundo era carregada de intensidade e frustrações. Bom, observar às pessoas, mostrou-me que o mundo poderia ser mais superficial do que eu pensava. Meus verdadeiros problemas, começaram na infância e, se perpetuaram para à vida adulta, quando eu descobrir que o superpoder, na verdade,  chama-se; transtorno de personalidade. A minha história basear-se nas dificuldades que as pessoas de origem humilde enfrentam diariamente.

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História completa

O quê seria a ilusão? Eu nunca havia me feito essa pergunta. Sempre acreditei que eu tinha algo de maior; sensibilidade? Talvez, mas essa não é a questão. Nunca fui uma criança como as outras. Chorava por tudo e, com extrema sensibilidade, eu nunca aprendi a lidar com os pensamentos que tomavam conta da minha pequena cabeça, as frustrações me causavam dores extremas e, o pior de tudo, é que eu não contava para ninguém e, aprendir, desde muito cedo, à lidar com tudo sozinha. Assim cresci, em uma casa que faltava de tudo, às vezes, alimentos e coisas de higiene pessoal. Meu pai sempre trabalhou, papai estudou até o sétimo ano, a antiga sexta série do ensino fundamental. Açougueiro, raramente estava em casa. Minha mãe nunca trabalhou, quase não estudou e nem era uma mãe afetiva, pelo contrário, batia muito em mim e nos meus irmãos, eu cresci sentindo na pele à rejeição materna, algo que me perturba até hoje. Aos 15 anos sair de casa, case-me com um estranho, dessa relação abusiva, nasceu minha filha mais velha, ela me salvou, acredite, me tornei uma pessoa melhor. Terminei o ensino médio aos 18 anos e separe-me aos 19. No mesmo ano conheci meu esposo atual, com quem tenho dois filhos. Eu estraguei muitas coisas nesse relacionamento, devido à minha instabilidade emocional, porém o perdão sempre foi muito presente entre nós. Hoje aos 28 anos, sou estudante de letras, casada, resido em Goiás e, estou na luta para encontrar um trabalho. Vivemos com o um pouco mais de um salário mínimo. Meu esposo é formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, mas não trabalha na área. Ele estuda diariamente, quando chega às 20h do trabalho até 1h da manhã, isso, de domingo a domingo, mesmo quando nos esforçamos tanto, as coisas parecerem não quererem acontecer. Sempre fico me perguntando, o porquê do nosso país formar tantas pessoas, mas não dá a oportunidade para que esses arrumem um bom emprego? Quando as crianças adoecem, a preocupação é quase incessante, pois não temos grana para bancar os remédios, além de que moramos em uma bairro que não tem farmácia; supermercado; hospital e o transporte público é escasso. Nos últimos meses, à minha instabilidade de humor e emocional despencaram, cair em uma depressão profunda e, o pior, foram os pensamentos suicidas que se fizeram presente por alguns dias. Como alguém que tem filhos lindos, um marido maravilhoso, saúde e força de vontade para vencer na vida se encontra nessa situação? Não tenho essas respostas, ainda mais quando se reconhece todas essas primícias. Em 2021, eu resolvi procurar ajuda, então venho a surpresa, eu tenho transtorno de personalidade, atualmente uso medicamento e estou na terapia, que alivio... agora parece que o céu se abriu e as coisas começaram a fazer sentido. Nas redes sociais, as pessoas costumam dizer que eu sou uma pessoa muito inteligente. Minha sede de conhecimento é vultosa, não pense você que eu escolhi letras porque domino à gramática ou porque eu escrevo bem, eu escolhi letras porque sair do ensino médio sem saber acentuar uma palavra, louco, não é? Realidade do ensino em nosso país, mas a língua portuguesa está além da gramática ela é só uma das inúmeras possibilidades da língua. Hoje, estou sobrevivendo, nem se eu usasse todo o vernáculo da língua eu conseguiria exemplicar como tem sido difícil conviver com tudo isso. A minha maior dificuldade hoje, sem dúvidas, é o convívio social, estou reclusa, admito, mas estou caminhando para quebrar essa barreira. Eu amo as pessoas, suas histórias de fracassos e superação, também sei que posso contribuir muito para o mundo. Meses atrás, eu alfabetizei algumas crianças, pois, a pandemia atingiu com força as famílias em vulnerabilidade social. Eu reconheço, que eu ainda não posso ajudar o outro financeiramente, mas posso contribuir com o que eu sei fazer de melhor — mediar o conhecimento. Quem lhes conta essa história é a criança que cresceu com complexo de imagem por nascer com o estrabismo, que sofreu abuso sexual infantil, que sentiu na pele a rejeição materna, a adolescente que foi mãe, a que sofreu agressão no seu primeiro relacionamento, que cresceu desprovida de tudo e, que enfrenta um transtorna psicológico grave e, que mesmo assim, não desistiu da vida, de perpetuar o amor, à coragem e à força de vencer qualquer desafio. Essa, sou eu!

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