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História

Estrela de diamante

História de: Antonia Natalina Gasparine da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/10/2008

Sinopse

Nascida em Brotas. Passou toda sua infância na fazenda. Mudou-se para São Paulo em 1967. Começous a trabalhar como revendedora na Avon. É revendedora estrela diamante. Casada, mãe de quatro filhos e também borda, faz tricô e crochê.

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História completa

P/1 – Dona Antônia, vamos começar. A senhora pode me dizer seu nome completo, o local e a data de nascimento.

 

R – Antônia Natalina Gasparina da Silva.

 

P/1 – A senhora nasceu onde?

 

R – Em Brotas.

 

P/1 – Quando?

 

R – Dia 24 de dezembro de 1932.

 

P/1 – E o que a senhora faz atualmente?

 

R – Atualmente eu sou dona de casa e vendo Avon, só.

 

P/1 – Borda?

 

R – Bordo, faço tricô, faço crochê. Só isso.

 

P/1 – Tá certo. Qual o nome dos seus pais?

 

R – Batista Gasparine e Angêla Finote.

 

P/1 – Qual a atividade profissional deles?

 

R – Deles? Já faleceram os dois, né, mas meu pai era fazendeiro e minha mãe dona de casa.

 

P/1 – E a senhora sabe a origem da família, de onde que eles vieram seus avós?

 

R – Da Itália, agora do lugar eu não sei, meus avós vieram da Itália.

 

P/1 – E a senhora tem irmãos?

 

R – Tenho.

 

P/1 – Quantos?

 

R – Nossa (risos), minha mãe teve 18 mas ela criou 15 e dois sobrinhos dela que ela criou desde pequenininho que morreu pai e mãe, então a gente considera como irmão.

 

P/1 – Certo. E onde é que a senhora morava quando a senhora era criança?

 

R – Em Brotas.

 

P/1 – Na fazenda?

 

R – É.

 

P/1 – Como é que era a casa que vocês moravam?

 

R – Ah, até que era uma casa mais ou menos boazinha. Tinha quatro quartos, né, porque era muita gente, tinha quatro quarto pra nós mas um pra minha mãe, tinha sala, cozinha, varanda. Era uma casa grande, bem grande, terraço enorme. Era uma casa grande.

 

P/1 – Como é que era o cotidiano da família?

 

R – Ah, o cotidiano era assim, era, levantava de manhã, ia trabalhar, né, na roça, todo mundo ia, só ficava em casa minha mãe e uma filha, só, o resto tudo ia, aí depois, né, minha mãe fazia o almoço, essa minha irmã levava pra roça pra todo mundo comer, a tarde voltava pra casa. Todo dia era assim, todo dia.

 

P/1 - E nos finais de semana?

 

R – Final de semana quando tinha festa na cidade a gente ia, né, ou então ia na missa aos domingos. Meu pai era muito católico, ele gostava muito de ir na igreja, acompanhar procissão, sabe, então a gente ia todo mundo. Era muito bom.

 

P/1 - E o que vocês comiam, o que sua mãe cozinhava?

 

R – Ah, nossa, oh, pra começar meu pai criava porco, galinha, vaca. A gente fornecia leite, fazia queijo, então minha mãe, era o que tinha em casa. Minha mãe tinha horta, era tudo que tinha em casa. Aí quando a gente tinha vontade de comer uma carne diferente, assim, uma carne moída de açougue aí meu pai ia buscar na cidade, porque o meu pai tinha porco, matava porco que dava 12 arroba. Sabe o que é arroba? Então, mas era cada porco enorme e tinha muita galinha, né, muitos ovos. E era tudo coisa que a gente tinha, e horta muito boa.

 

P/1 - E era perto da cidade?

 

R – Ah, não era, era longe. Era duas léguas. Não sei se você sabe o que é légua.

 

P/1 -  É uma medida (risos).

 

R – É uma medida e é muito longe.

 

P/1 -  É longe.

 

R – É, mas a gente ia, saía quatro horas da manhã. Era muito gostoso, nossa.

 

P/1 -  E as brincadeiras, tinha tempo pra brincar?

 

R – Ah, brincadeiras. Aí final de semana quando meu pai deixava, eu tinha quatro irmãos que levava nós, né, mas quando meu pai deixava, era assim, baile, que lá tinha muito baile, tinha muita fazenda, então a gente ia nos bailes. Tinha algum que meu pai não deixava não mas alguns ele deixava. Aí meus irmãos iam, né, a gente ia tudo a pé para o meio do mato, sabe, nossa que saudade. Muito bom.

 

P/1 -  E como é que eram esses bailes, tocava musiquinha?

 

R – É, tocava música da época, né, era com sanfona, violão, essas coisas. Era, por que lá dificilmente tinha salão então sabe onde que era os bailes? Era no curral, onde o pessoal tirava leite, então era muito grande, e aí ia até quatro horas da manhã porque depois ia tirar leite, né? Então a gente ficava a noite toda.

 

P/1 - E as roupas, como eram as roupas que se usavam, as meninas e os meninos?

 

R – Ah, a gente usava só vestido. Só vestido, saia e blusa, né, só isso.

 

P/1 - E os rapazes?

 

R – Ah, os rapazes era uma calça de brim, não era jeans, era brim, e uma camisa qualquer. Não era muito camiseta que nem no dia de hoje é mais camiseta, né, aquela época não, era mais camisa.

 

P/1 - E usavam chapéu também?

 

R – Usava. Meus irmãos nunca usaram chapéu, eles não eram muito chegados não, mas tinha muitos que usavam chapéu.

 

P/1 - E o que a senhora lembra da cidade de Brotas, como é que era?

 

R – Ah, eu lembro muita coisa porque eu vou lá sempre, minha família mora todinha lá, todinha, aqui em São Paulo só tem eu, mais ninguém. Então eu...

 

P/1 - Como é que era a cidade?

 

R – Ah, a cidade é uma cidade pequena, mas ela tem um rio grande que chama Jacaré, esse rio que dia de hoje, é, ai como que eu vou te explicar, tem turismo, é a cidade de turismo no dia de hoje.

 

P/1 - Dos esportes, né?

 

R – Isso, até que as minhas sobrinhas que eu tenho lá, que são mais de 50, todas trabalham nesse turismo, todas, sabe, a cidade agora ficou bem grande, a cidade, e esse rio eles arrumaram, né, o rio. Nossa, é a coisa mais linda. Precisa de ver como é lindo, tem uns hotéis maravilhoso. Eu vou sempre lá porque minha família é toda de lá.

 

P/1 - Mas antes tinha já esse turismo do esporte?

 

R – Não, não tinha. Antes era uma cidade pacata, né, tinha uma igrejinha, assim, saindo da cidade tinha uma igrejinha e depois saindo do outro lado da cidade tinha uma igreja bonita então nessa igrejinha tinha festa, sempre tinha festa e é aonde a gente ia.

 

P/1 – Que lembrança mais marcante a senhora tem da época da infância?

 

R – Ah, eu tenho, nossa, porque quando esses dois primos meus cresceram um pouquinho então meu pai, todo mundo pra roça, né, aí então iam trabalhar eu, minha irmã e meus dois primos. Nós íamos trabalhar em serviços mais leves porque nós éramos bem criança e nós não fazíamos nada, só brincava o dia inteiro e meu pai, ele e meus irmãos eles iam trabalhar em serviço pesado, né, roçar, arar terrar, essas coisas, né, e nós ele punha pra, assim, tomar conta lá de algodão, de fazer qualquer servicinho leve. Só que nós não fazíamos nada, sabe o que nós fazíamos? Nós fazíamos anzol de arame e íamos pescar peixe no rio com anzol, você acredita? Subia em árvore, andava pelo campo catar fruta, ia roubar coisa do vizinho, nós tínhamos tudo, tinha fazenda que tinha tudo, mas do vizinho era melhor, né, passava debaixo da cerca e ia roubar coisa do vizinho. Mas era, essa é a melhor época da minha vida. Eu tinha o que? Acho que eu tinha uns 10 anos, nem isso, nove, por aí.

 

P/1 – E a senhora chegou a ir para a escola?

 

R – Só seis meses.

 

P/1 - Só seis meses?

 

R – Só seis meses.

 

P/1 - Como é que foram esses seis meses?

 

R - Ah, era uma escola que meu pai nessa época ele era colono então, ele era colono até do marido, não, na época a minha filha, a minha irmã era nova ainda, né, então nós morávamos na fazenda que depois ela casou com o dono, entende, com o filho do dono. Então, e nessa época, o que você perguntou?

 

P/1 - Da escola, dos seis meses.

 

R – Ah, da escola. Então, aí a gente foi na escola numa estação de trem, que era uma estação de trem abandonada, então fizeram uma escola, aí eu fui seis meses nesse lugar. Aí meu pai mudou de lá e onde a gente mudou, que meu pai comprou essa fazenda não tinha escola perto, não tinha. Era muito longe, muito, muito longe, então fiquei sem escola. Só estudei seis meses.

 

P/1 – Mas a senhora queria ir para a escola?

 

R – Ah, na época eu queria, né, eu queria, eu gostava da escola, mas não tinha como, não tinha.

 

P/1 - E, bom, e aí quando a senhora veio pra São Paulo?

 

R – Ah, eu vim pra São Paulo eu tinha 18 anos, aí eu trabalhei na, não, eu trabalhei na roça até 18 anos aí depois a minha mãe não quis mais ficar porque aí meus irmãos já se casaram, foram tudo embora. Aí meu pai não quis mais lidar com gado, sabe, vendeu tudo o gado. Meus primos também se casaram, aí minha mãe não quis mais ficar lá, aí ela foi morar na cidade. Aí na cidade, aí tinha eu e minhas duas irmãs abaixo de mim, né, aí nós fomos bordar, aí o serviço nosso era bordar. Bordamos dois anos, aí uma senhora de lá falou pra mim porque que eu não vinha trabalhar aqui em São Paulo, aí eu falei “Ah, eu tenho a minha prima que mora na Vila Ema.” Aí me comuniquei com minha prima, ela trabalhava na fábrica de tecido, aí me comuniquei com ela e ela falou “Se você quiser vir eu ponho você junto comigo.” Aí foi o que eu fiz, eu vim pra São Paulo, fui morar na casa dela, é, e trabalhei nessa fábrica de tecido dois anos. Aí me casei, aí fui morar, aí morei na Vila Prudente, morei dois anos, em Santo André eu morei cinco anos e onde eu moro agora eu moro a mais de 40 anos.

 

P/1 -  E depois desse emprego a senhora voltou a trabalhar?

 

R – Não, depois que eu casei, né, e meu marido não deixou mais eu trabalhar. Aí eu saí da firma, eu fazia tecido pra Marinha. Eu tecia só aquele artigo branco da Marinha, só isso que eu tecia. E aí então eu me casei e ele não deixou mais eu trabalhar, aí sabe o que eu fui fazer? Costurar pra 25 de Março. Aí eu costurei, muito tempo. Aí nesse meio tempo eu tive a minha filha mais velha, aí eu costurei pra 25 de Março.

 

P/1 – Como é que era esse trabalho pra 25 de Março?

 

R – Eu costurava blusa, blusa, assim, eu comprei a máquina, né, e eu costurava blusa, aí depois veio mais um filho, aí já ficou difícil, era longe a 25 de Março, né, aí eu fui fazer colchete em casa, sabe colchete de gancho? Então, a gente colocava na cartelinha o colchete de gancho, isso era perto. Aí quando não tinha esse serviço pra fazer nós fazíamos bijuteria, fazia bijuteria. Aí, porque eu nunca deixei meus filhos na rua, nunca, nunca, nunca. Eu criei eles no quintal, então era quatro, pra ficar no quintal não era fácil, né, o Sérgio que era danado. Aí pra eles ficarem no quintal eu tinha que fazer alguma coisa, aí era meio dia de escola e meio dia fazia as coisas.

 

P/1 – Eles ajudavam a senhora?

 

R – Ajudavam. Ajudavam, todo, tudo que eu fiz eles me ajudaram. A gente fez plástico, fez cortina, nunca, por isso que eu falei, eu nunca fiquei parada, nunca, nunca. Sempre fiz alguma coisa.

 

P/1 – Mas conta mais um pouquinho desse trabalho pra 25 de março, quem eram os clientes.

 

R – Não, era pra loja que eu costurava.

 

P/1 – Pras lojas?

 

R – É, pras lojas, então, aí tinha já a loja, eu fui procurar um dia, achei, né, onde dava serviço pra casa, mas só que eu ia levar e ia buscar também, por isso que depois com dois filhos não deu mais, tinha que pegar trem, né?

 

P/1 - Como era o comércio na 25 de março nessa época?

 

R – Ah, era bem menos do que é hoje.

 

P/1 – Era diferente?

 

R – Nossa, bem menos, bem menos.

 

P/1 – E que tipo de comércio se tinha ali?

 

R – Ah, mesma coisa que tem hoje só que era menos, né, assim, os camelôs, essas coisas e tudo era menos, mas era tudo como tem hoje, loja de tudo, né, e tinha loja que dava costura pra casa, que hoje nem sei se tem mais que é só loja, né, de hoje.

 

P/1 - Aham, entendi. Então a senhora continuou costurando com os filhos?

 

R – É, costurei bastante, que eu tenho a minha máquina até hoje, até hoje eu tenho ela, e depois, né, aí não quis mais costurar porque não dava pra mim levar porque também é assim, eu não gosto de amolar vizinho nenhum, eu sou totalmente independente. Coisa que eu mais detesto na minha vida é amolar vizinho, mas com nada, entende, com nada. Se é preciso tudo bem, eu peço, né, gosto de servir, adoro servir as pessoas, mas pedir eu sou inimiga. Eu nunca tive empregada por isso, nunca, que eu não sei mandar, eu sei fazer, mandar não. Se a Marta vier aqui você pode perguntar pra ela que você vai ver o que ela fala de mim.

 

P/1 – Entendi. E a Avon, como é que surgiu a oportunidade de trabalhar pra Avon?

 

R – Então, a minha filha, ela tava na escola, a Sirlene, porque a mais velha não é muito chegada em vendar não, aí a Sirlene, ela, acho que ela tinha nove anos e uma coleguinha dela a mãe pegou Avon pra vender porque se apertou, parece que o marido foi embora, sabe, e ela tinha essa menina, então ela pegou Avon pra vender e levou catálogo na escola. E minha filha, criança de tudo, né, a mais de 40 anos atrás, então ela se interessou por, assim, um batom, né, menina se interessa, e levou o catálogo pra casa. Aí até minha filha mais velha que já era, tinha o que, acho que 11 anos, aí quis também, bom, aí a gente encomendou, aí a menina trouxe, aí eu já, eu me interessei pelo catálogo. Foi assim, rápido. Aí eu me interessei pelo catálogo, eu falei, né, quanto que a mãe dela, aí falei pra minha filha, pergunta pra ela como que é, porque eu não tinha a menor ideia como que era. Aí minha filha perguntou e ela falou “Oh, se sua mãe quiser vender a minha mãe paga 15%”, aí eu me interessei, né, aí foi onde eu fui na casa da mãe dela me informar. Aí fui na casa da mãe dela, me informei e já peguei o catálogo e já comecei a vender. E to até hoje.

 

P/1 -  Ah, então a senhora começou sendo, ajudando essa revendedora?

 

R – É, não, aí então, isso, aí eu ajudava essa revendedora, que ela vendia direto, mas aí era muito longe pra mim ir buscar os produtos, era muito longe. Aí tinha uma vizinha minha que vendia, aí eu saí dessa senhora e passei pra outras senhoras que eram minhas vizinhas. Que eu não queria entrar direto, eu achava que era muita mão-de-obra ir na reunião, tudo, sabe, mas aí eu vendi acho que uns dez anos pra essas minhas vizinhas, aí às vezes não dava certo eu largava daquele e pegava outras, sabe, e eu sei que eu acho que uns dez anos eu trabalhei assim. Aí depois foi assim, eu encomendei um produto pra uma que eu vendia pra ela e falei, primeiro eu falei pra ela “A senhora quer encomendar esse produto?” era um shampoo. Ela falou “Ah, eu não vou encomendar não.” Eu falei “Tá bom.”, era no demo, aquela época era demo, que a gente tirava bem baratinho.

 

P/1 – O que é demo?

 

R – Demo é, assim, é lançamento. Aí ela falou “Não, eu não vou tirar. Se a senhora quiser tirar pode tirar.” Aí eu tirei, né, quando chegou era a coisa mais linda a embalagem, que antigamente a Avon fazia embalagem maravilhosa. Então eu tirei, aí chegou e a mulher não quis me dar porque a embalagem era bonita. Aí eu criei encrenca com ela e parei de vender pra ela, aí passei a vender direto. Foi assim que eu entrei na Avon, direto, mas quem fez a minha ficha nem foi a Dona Marta, foi uma outra gerente que era a Juracy, ela que fez a minha ficha. E aí to na Avon até hoje.

 

P/1 – Entendi. Fala um pouquinho das embalagens.

 

R – Ah, nossa, a embalagem da Avon antigamente, eu tenho, eu tenho. Eu tenho acho que umas 30, tudo guardado, tudo cheia, mas a colônia não pode usar mais, né, mas é só pra enfeitar. Mas cada coisa linda, menina.

 

P/1 – Como era?

 

R – Nossa, tinha, ai eu não sei nem te explicar, tinha bailarina, eu tenho bailarina até hoje, toda de cor de rosa, aquela saia, sabe, tudo feito no, acho que era, o que era, acho que era louça muito boa, não sei o que era, um artigo muito bom. Tenho garrafa de champagne, tenho, nossa, eu tenho pescador, tenho o cachimbo, tenho a pombinha, nossa, nem sei que tanto que eu tenho, nossa. Tenho os pastores, pastores eu tenho bastante. Muito lindas as embalagens, hoje em dia eles não podem fazer mais essas embalagens porque senão fica muito cara a colônia, né, e não vende. Daí eles fazem essas embalagens simples. Outro dia foi uma gerente lá na minha casa com a Dona Marta, você acredita que ela levou uma embalagem minha, porque ela falou que ela, ela foi, ela ganhou um prêmio naquela embalagem que eu tinha, entende, então ela vendeu bastante daquela e ganhou um prêmio e não tirou a embalagem pra ela guardar e eu tinha, aí eu peguei e dei pra ela.

 

P/1 -  E como é que a senhora entregava os produtos pros clientes?

 

R – Tudo em sacola.

 

P/1 – E a senhora ia a pé na casa das pessoas?

 

R – Eu vou até hoje, eu tenho vendedora longe, Santo André, eu tinha em São Bernardo, e eu tudo a pé porque quando os meus filhos estavam em casa, que nem, assim, que era mais ou menos longe e que podia levar a noite, porque meus filhos todos trabalhavam, né, então elas levavam eu de carro, né, aí depois casaram, aí ficou meu filho, ele não queria casar. Ele ficou dez anos de companhia comigo, que disse que eu ia ficar muito sozinha, não sei o que, ficou dez anos, depois casou. Aí ele me levava a noite, entregar os produtos. Mas quando era Santo André, São Bernardo, é, Santa Efigênia, assim, Jaraguá, esses lugares tudo eu vou de ônibus, de trem, de ônibus, de metrô, entende, eu levo até hoje, isso eu faço até hoje porque agora eles moram tudo longe.

 

P/1 – Entendi. E depois que a senhora começou a ser revendedora, como é que foi essa trajetória, porque agora a senhora tem até 22 pessoas, é isso?

 

R – Tenho. Eu já tive 46, eu já tive 46 vendedoras mas, nossa, eu tava ficando doida, doente. Então isso eu parei faz dois anos que eu parei com 46 eu tinha, eu sou estrela diamante, desde que eu entrei direta só o primeiro ano eu não fui, depois ninguém mais me derrubou, ninguém. Eu sou em primeiro lugar desde que eu entrei bem dizer, né, que eu só fiquei um ano que eu não fui em primeiro lugar. Mesmo porque eu entrei no meio do ano, então, aí eu tinha 46 vendedoras, nossa, olha, eu tava ficando doida porque é muito dinheiro que entra, né, e o dinheiro tudo na mão delas, né, aí quando chegava o dia ia cobrar uma, cobrar outra. Uma paga tudo, outra paga metade, outra não ta em casa, outra não recebeu, outra filho ficou doente, marido desempregado, olha, ah, eu falei “Não, eu vou parar com isso.” Aí fui tirando. Tirando, tirando, tirando essas que davam mão de obra pra mim, agora to com 22, essas são ótimas, essas umas que trabalham comigo a mais de 20 anos, então essas eu durmo sossegada, tem muitas que quando, assim, vai buscar o produto, que nem, vamos supor, ela mora longe, se ela for buscar na minha casa eu pago pra ela 25%, eu ganho só 5%. Então ela vai buscar na minha casa, aí ela me dá um cheque dela cobrindo toda a venda dela que é 500, 600, 400, depende, né, então ela me dá um cheque dela cobrindo tudo. Eu guardo esse cheque até o dia que eu tenho que depositar aí nesse meio tempo ela recebe tudo e deposita na conta dela, aí ela liga pra mim Dona Antônia pode depositar o meu cheque, í eu vou no banco e deposito o cheque dela. Então essas umas, olha, são maravilhosas.

 

P/1 – É assim que a senhora trabalha?

 

R – É assim que eu trabalho.

 

P/2 – Mas como foi que a senhora pensou em ir conseguindo essas mulheres, como você chegou nesse número grande?

 

R – Porque a gente ouvia na reunião, né, ouvia na reunião. E depois tem  outra também, elas entravam pra vender direto e não dava conta de pagar, entende, porque o Avon é muito enérgico, chegou no dia minha filha se você não pagar seu nome vai pro SPC, você paga do outro dia em diante você já começa a pagar a diferença por dia, entende, por dia, então elas não davam conta de pagar e queriam vender Avon aí falavam comigo, aí eu ficava com dó e pegava, né, aí foi assim que eu arrumei as 46 mas aí como elas me exploraram muito eu fui largando e essas que eu tenho no dia de hoje são muito honestas, muito boas, são minha cunhada, minha sobrinha, minha filha, a cunhada da minha filha. Eu tenho estranha também, né, senhoras estranhas que vende pra mim mas é muito boa. Então é assim que eu vou levando a minha vida.

 

P/1 – Mas a senhora também revende para os clientes também, né?

 

R – Revendo.

 

P/1 - Quantos clientes mais ou menos a senhora atende?

 

R – Ah, que eu atendo agora, eu, porque essas que moravam, que mora perto, dessas que vende pra mim eu dei pra elas, eu falei “Oh, vocês podem comprar de fulana que ela vende pra mim” então é a mesma coisa. Aí foi até mais ou menos agora acho que umas 20.

 

P/1 – Umas 20 clientes?

 

R – Umas 20 clientes eu tenho, mais ou menos.

 

P/1 - Entendi. E são mulheres, homens?

 

R – É, são mulher, homem, moça, né?

 

P/1 -  E o que eles costumam comprar?

 

R – As meninas mais maquiagem, né, agora os homens é mais assim creme de barbear, desodorante, aquele gel pós-barba, é isso. E senhoras é creme. Eu tenho senhoras também, é creme que elas compram.

 

P/1 – E o renew?

 

R – Ah, o renew eu vendo muito, nossa. Vendo muito renew, esse aqui, ó, esse jogo que eu tenho aqui ganhei agora, que eu que vendi mais renew, desse novinho que saiu agora.

 

P/1 – E a senhora tem cota de vendas, precisa ter um limite de?

 

R – Não, não tem. Eu vendo quanto eu quiser.

 

P/1 – E qual a média de venda da senhora por mês?

 

R – Por campanha, é por campanha, eu tenho 19 campanha em um ano, quase duas no mês. A minha cota em bruto dá mais ou menos, assim, no meio do ano dá mais ou menos cinco mil, seis, cinco e meio, por aí, agora quando chega no final do ano é bem mais, né, bem mais.

 

P/2 – Isso por campanha?

 

R – Por campanha, por campanha.

 

P/1 - E como é que a senhora fazia pra ter novos clientes quando a senhora começou, como é que a senhora fazia?

 

R – Ah, eu ia de porta em porta. De manhã eu cuidava da minha casa, né, levava meu filho pra escola que também nunca deixei ele ir sozinho que tinha mato pra passar então eu levava. Aí vinha pra casa, fazia tudo que tinha pra fazer, né, lavava roupa, fazia tudo. Aí ia buscar na escola, ou então uma mãe leva e outra vai buscar e já traz todos, né, e leva todos. Aí eu dava almoço, lavava louça, deixava meus filhos fazendo lição, porque já eram bem grandinhos, deixava eles fazendo lição e ia procurar cliente. Pegava minha sacola e saía. Quando era mais ou menos umas quatro horas eu voltava, aí ia cuidar de fazer janta, recolher roupa, né, fazer tudo isso. Aí meus filhos iam brincar, mas não na rua, porque naquela época também nem tinha rua. Meu filho fez um campinho de futebol e ele e os coleguinhas iam jogar futebol enquanto eu fazia janta, tudo, né, aí depois vinha pra casa, tomava banho, era assim que eu achava cliente.

 

P/1 – E como é que era, você batia na porta, como que a pessoa te recebia?

 

R – Batia na porta.

 

P/1 – Que abordagem que a senhora fazia?

 

R – Ah, eu batia na porta, ou batia palmas, né?

 

P/1 – E aí a senhora falava o que pra pessoa?

 

R – Mostrava o catálogo, né, falava que eu vendia Avon, que a Avon tinha produtos muito bons, né, que, isso é coisa que eu não minto e ninguém pode mentir, que é muito bom mesmo, assim, depende da pessoa que me atendia. Se era uma menina, uma moça, eu oferecia pintura, maquiagem. Se era uma senhora eu já oferecia cremes e desodorante, né, naquela época não tinha o shopping mais, tinha só Avon, aí oferecia isso. Se era um homem que me atendia eu perguntava se a senhora dele estava em casa, se ele falava que não eu oferecia produto de homem, né, desodorante, creme de barbear, que é coisa que todo mundo precisa, quem não tem aparelho, né? Aí, mas dificilmente eu ia embora sem vender alguma coisa, dificilmente. E aí ficava sendo freguês. Aí eu ia levar, levava novo catálogo, levava amostra, toda vida eu trabalhei com amostra das colônias, amostrinha de batom, né, então era assim que eu vendia na época. Agora já nem carrego mais essas coisas porque todo mundo já conhece, né?

 

P/1 – E antes, as pessoas já conheciam a Avon?

 

R – Não muito, não muito. Mas nessa época eu vendia cinco linhas, eu não vendia uma coisa só, só Avon, eu vendia Avon, vendia DeMillus, vendia Hiroshima, vendia Adidas, eu vendia Adidas à roupa, quem queria comprar já o uniforme pra Adidas eu já tinha na sacola e vendia, olha, eu vendi tudo que você pode imaginar na vida, vendi Christian Gray 15 anos, vendi, é, como que chama aquela linha que era só bijuteria, ai esqueci agora, que era lá de Santo André. Eu já vendi tudo na minha vida, tudo, tudo. Mas a única coisa que eu mais gostei foi o Avon. Tudo eu parei, tudo. Aí fiquei com a Avon e Avon não vou parar nunca, até que eu puder eu vou ficar só com a Avon.

 

P/1 – E quais são as principais exigências dos clientes da Avon?

 

R – Dos clientes? São produtos bons porque se, olha, mesmo o renew, se eu entrego renew pra uma freguesa e ela disse que o renew fez mal eu tenho que pegar esse renew de volta, mandar de volta pra Avon, né, devolver o dinheiro pra ela se ela já pagou. A exigência é essa que os fregueses têm, eles querem produto bom, e os cremes da Avon eu acho, assim, os melhores, né, e a linha de maquiagem também. Eu já vendi Natura muito tempo também, vendi Natura mas eu não gostei da Natura.

 

P/1 – E os prêmios, fale um pouquinho dos prêmios.

 

R – Nossa, prêmios minha filha, esse eu ganho de monte. Eu já ganhei 15 televisão, 5 geladeiras, mas geladeiras, não é pequenininha não, eu ganhei uma que até ta com meu filho, eu dei pra ele, ela é prata, não tem em São Paulo não existe porque depois ele queria comprar o fogão igual, não encontrou. De jeito nenhum, não existe. A Avon mandou fazer especialmente aquele ano. Mas geladeiras enormes, sabe, de freezer em cima, tudo, muito linda, linda. Agora essa última que eu ganhei eu fiquei pra mim, né, dei pra todos os meus filhos aí, porque eu não vendo nada que eu ganho, não vendo nada, eu dou tudo. Aí essa última eu fiquei pra mim, então essa geladeira minha ela é tão linda, você abre, ela é todinha por dentro de um material que quando você abre a beirada dos vidros assim é tudo roxo, você precisa de ver que coisa linda quando abre. Até a Dona Marta foi lá e eu mostrei pra ela, a gente abre a geladeira assim e todos os vidros que ela tem a beiradinha dele é tudo roxo, então fica tudo aqueles enfeites roxos, coisa mais linda. Essa foi a última que eu ganhei, fiquei pra mim. Agora televisão eu já ganhei 15, também dei tudo, eu to com três só, o resto dei tudo pros meus filhos. Televisão de 29, de 20, de 14, de 7, ganhei de todas. Ganhei tudo que você pode imaginar, aparelho de som, microondas, olha, tudo que eu tenho e que meus filhos tem, forninho, essas coisas, tudo eu dou. Máquina de lavar, máquina de lavar louça, de lavar roupa de 10 quilos, tudo.

 

P/1 – E como é que funciona, quem vende mais?

 

R – Não, esse não é quem vende mais,

 

P/1 – Como é?

 

R – Esse você tem que atingir o prêmio. Então, ó, nesse jogo aqui que eu falei pra você eu tinha que vender 38 renew do novo, né, desse novo que saiu. Você viu esse da embalagem preta? Então, eu tinha que vender 38 pra mim ganhar, aí eu ganhei uma bolsa, que ela é térmica, mas não, é uma malinha assim, né, bonita, linda, ela é térmica. Ganhei esse jogo, ganhei um DVD, ganhei, ah eu nem me lembro mais porque é tanta, eu sei que eu acho que era seis brindes, ganhei jogo de talheres, faqueiro. Ai, não me lembro mais, ganhei todos, e assim, mas eu tenho que conquistar, entende, eu tenho que conquistar. Não é que a Avon dá não, a Avon não dá não a gente tem que conquistar. E eu muita coisa eu me esforço, muita coisa eu me esforço porque se eu quero aquilo, né, eu me esforço. Agora mesmo a gente encerrou uma campanha que era maquiagem, então tinha que vender acho que 170 maquiagens da melhor linha, não é todas não, da melhor linha da Avon pra ganhar aqueles brindes. Então o brinde era uma toalha, né, um jogo de toalha de banho, ai não me lembro mais também o que é, nem veio ainda, também ganhei todos. Ah, um relógio de pulso que a Dona Marta acha lindo, lindo, lindo. E outra malinha também que é, pode levar coisa gelada, pode levar coisa quente, é térmica. E um DVD com karaokê, esse nem veio ainda. Então é assim, eu conquisto todos.

 

P/1 – E como é que eram antes, os prêmios? A Avon sempre teve prêmios.

 

R – Sempre. Nunca teve tanto prêmio como tem agora.

 

P/1 – Mas como era antes?

 

R – A mesma coisa, tinha coisas que você tinha que conquistar, né, tem coisa que você tem que vender bastante, tem coisa que não precisa vender muito e tem coisa e tem o clube das estrelas.

 

P/1 – Como é o clube das estrelas?

R – O clube das estrelas é assim, a gente ganha um álbum e além desse álbum tem tudo o que o Avon vai dar, tem os pontos, então, se você tem 50 pontos tem o brinde dos 50 pontos, ai se você não quer escolher ele, se você não quer aquilo, você pode escolher outra coisa que dá o valor de 50 pontos, 50 mil pontos, não é 50 pontos não. Então é assim, toda a vida acho que foi assim, né, porque desde que eu entrei é assim.

 

P/1 – E os troféus?

 

R – Ah os troféus, esse a gente ganha em primeiro lugar, né, os troféus é, em primeiro lugar.

 

P/1 – No Brasil todo, assim?

 

R – No Brasil todo, acho que tudo, acho que o mundo todo é assim, então mas os troféus é assim, é mais pra quem é primeiro lugar do setor, que nem a Dona Marta, ela tem 1850 vendedoras, e eu sou em primeiro lugar, de 1850, então se tem um troféu, só eu ganho, entende? Só eu ganho esse troféu.

 

P/1 - E a senhora já ganhou?

 

R – Nossa, quantos, tem muitos na minha casa.

 

P/1 - Aquele da Mr. Albie, a senhora ganhou já?

 

R – Aquele eu tenho todas.

 

P/1 – Todas?

 

R – Eu tenho numa cristaleira, tão todas guardadas lá dentro da cristaleira, coisa mais linda.

 

P/1 – Tem algum prêmio que a senhora quer ganhar que não ganhou ainda?

 

R – Não, não tem nada, que até eu não sei falar, ta pra chegar uma televisão minha que de 29, que eu tinha de 29 e dei pro meu filho, ai fiquei só com uma de 20 e uma de 14, agora vai chegar uma de 29, até que agora eu vou tirar duas coisas, ai eu fiz acordo com uma vendedora, que é minha amiga, eu queria uma coisa, mas só que se eu tirasse a televisão e aquilo que eu queria eu ia perder muitos pontos, então eu combinei com ela, ela não ia alcançar o que eu tirei pra ela, ela alcançava o que eu queria que era menos pontos, entende? Então eu combinei com ela assim, ela tirava pra mim o que eu queria e dava os pontos dela e eu tirava pra ela uma coisa bem mais valiosa, nos meus pontos, entende? Então eu tirei a televisão e essa é a coisa que eu vou dar pra ela, e ela, como ela não tinha mais pontos ela alcançou só o que eu queria então ela vai tirar aquilo e ela vai tirar pra mim, então é assim, eu troquei essa vez.

 

P/1 – Entendi. E o que que mudou na vida da senhora depois que a senhora começou a revender Avon?

 

R – Ah, mudou muita coisa, assim, tem dia que eu tô tranquila, tem dia que eu tô feliz, tem dia que eu to nervosa, né, tem dia que eu choro e muito porque eu já sai, e isso faz anos, eu já sai na rua pra receber, na época 600 reais, que eu tinha que pagar o Avon no outro dia, e o dinheiro tudo na mão delas, né, eu sai na rua pra receber 600 reais, sabe quanto eu recebi? 26 , 26 reais, menina mas eu cheguei em casa, mas eu chorei tanto, tanto, tanto. Ai falei o que que eu faço, né, ai pedi dinheiro pra minha filha, ai falei pra minha filha, você pode me ajudar aqui, né, eu tinha um pouco de dinheiro ainda lá, no banco, mas não dava, ai eu falei pra minha filha, ela falou mãe não esquenta não, eu arrumo, ai me arrumou, também foi só essa vez, só, nunca mais, ai sabe o que que eu comecei a fazer, toda minha comissão, que era pouca, porque se eu pago 25% eu encomendo 100 catálogos, a 1 real cada um, sai 100 reais, né, e eu dou, o catálogo eu não cobro, eu dou, então esse 100 reais já saem do meu bolso, e se eu vendo 5, 6 mil por campanha, 5 e meio, 6, por ai, você vê que eu não tenho muita comissão e pegando 5% é bem pouco, agora elas não me pagando no dia eu tenho que ter um fundo, né, pra me pagar, ai o que que eu fiz? Eu fui deixando de tirar as coisas pra mim, não fui tirando mais nada, assim, pouquíssima coisa, né, e fui pegando minha comissão e deixando tudo no banco, tudo no banco, tudo no banco, que dia de hoje eu não esquento mais a cabeça.

 

P/1 – E estoque de produto, a senhora faz?

 

R – Não faço muito, não faço muito, não porque antes eu fazia, saio uma linha nova de maquiagem, eu tirava todas as cores, porque eu falava assim, depois vende e é onde a gente ganha dinheiro é ai, entende? Mas, ai vendia um daquela cor, não, vendia muitos daquela cor e de outras cores não vendia nada eu ficava com os batons lá, entende? E pó era tudo a mesma coisa, então eu parei de tirar, dia de hoje eu não tenho mais estoque, até que as pessoas ligam pra mim, se eu tenho um produto, eu não tenho aquele, às vezes eu tenho outro lá, né, mas é pouco, pouquíssimo.

 

P/1 – E o marido da senhora, o que que ele acha da senhora revender Avon?

 

R – Ele nunca gostou.

 

P/1 – Não? (risos)

 

R – Ele já chegou a fazer sabe o que, põe a caixa em cima da mesa, ele já chegou a empurrar a caixa e derrubar no chão porque ele dia de hoje ele é muito bom, e quando eu casei, ele foi muito bom também, só que depois que ele aposentou ele não tinha mais o que fazer e ele começou a beber demais, então, foi aonde aconteceu mil coisas na minha vida, entende, mil coisas, e ai ele não, só discutia comigo, só discutia, xingava, ele xingou a Dona Marta, ele pegou faca, que a Dona Marta tava lá na minha casa, ele ficou violento, entende, ele ficou violento e então eu, pra mim poder assim, ter uma coisa pra mim desabafar, foi aonde eu continuei com Avon e achava que eu ficava bem no Avon porque eu saia pra rua e saia pra conversar, entende? Pra conversar assim, vender, né, me distraia, eu conversava, andava e ele ficava em casa, bêbado, dormindo, aprontando, entende? Mas eu tava feliz porque eu tava na rua, fazendo isso, vendendo Avon, né. Ele não gosta, dia de hoje, ele ficou agora que eu vim hoje, ele ficou três dias sem falar comigo.

 

P/1 – Não, não fica assim não, então vamos falar mais um pouquinho assim da Avon. Quais foram os produtos que marcaram a história da Avon?

 

R – Que marcaram a história da Avon? Olha, eu acho assim, na minha época, eu acho o renew, o renew, eu acho o renew, que o renew é fora de série, é muito bom.

 

P/1 – Quais são os mais vendidos?

 

R – Os mais vendidos é essa linha Ultimate, eu, o que mais eu vendo é a Ultimate, tanto pra área dos olhos, como pro rosto, como pras mãos, é a linha que mais vende, que mais eu gosto e que mais eu faço propaganda.

 

P/1 – Que bom. E essa questão da Avon coloca refil nos produtos?

 

R – Nossa isso é ótimo, isso, olha isso é muito bom porque você pode comprar a embalagem, né, que é um pouco mais caro e depois você compra o refil que é bem mais em conta, que nem tem o sabonete Erva-Doce, nossa o sabonete Erva- Doce é ótimo, e então ele tem o refil e ai você compra a embalagem e vai comprando o refil que às vezes é menos da metade do preço e a quantidade é a mesma.

 

P/1 – Entendi. Então isso facilita a venda?

 

R – Facilita a venda, isso é muito bom, refil, olha é ótimo.

 

P/1 – A senhora lembra qual foi o primeiro produto que teve refil na Avon?

 

R – Ai bem, não lembro, mas eu acho que foi o sabonete, eu acho que foi, porque os outros eu não me lembro de refil não, agora o pó também, né, o pó acho foi o primeiro, acho que o pó ou o sabonete, um dos dois.

 

P/1 – E o Shopping Mais, com são as vendas?

 

R – Ah o Shopping Mais a gente vende pouco.

 

P/1 – Ah é?

 

R – Agora é Moda e Casa, isso, faz umas duas campanhas que é Moda e Casa, então a gente vende, sabe porque, porque eu falo pras pessoas  mas tem pessoas que não ouvem o que eu falo,  que nem vamos supor, você vai comprar uma vasilha, né, que é uma vasilha de plástico, tem a medida no catálogo, vamos supor, ela mede 20 centímetros, não custa nada você pegar a fita métrica e ver 20 centímetros, dá sim, ta bom, esse tamanho ta ótimo pra mim, agora as pessoas não medem, não têm ideia do que é 20 centímetros, quando chega ela acha pequena, ela reclama, ai não quer, pra mim não acontece muito não porque eu já alertei todo mundo,  minhas vendedoras, né, mas tem vendedora que leva tudo de volta na reunião, porque a freguesa achou pequeno, porque pensava que era maior, que era não sei o que, não sei o que, sabe? Então, e roupa também, roupa dá muito problema, calçado dá muito problema, eu falei pras minhas vendedoras, não vendam mais isso, pelo amor de Deus não venda porque vende um sutiã, uma coisa assim, a pessoa ta acostumada a usar um número só que o Avon, é assim, ela ta acostumada a usar DeMillus, ou então outras marcas, né, ai o Avon tem contrato com uma firma, que é outra marca, e é outro manequim, eu mesma, eu compro pra mim e não dá certo,  eu parei de comprar pra mim, parei, não dá certo, e eu falo pra elas, sapato e roupa eu não gosto que venda, agora o resto, né, tudo bem.

 

P/1 – E o que que vende mais?

 

R – Ah, o que que vende mais, vende mais assim bugiganga, nossa, é alicate de unha, é negócio de por no sapato pra não machucar o pé, é meia, meia vende bem, tanto cumprida, como 3/4, soquete, meia vende bem, vende também coisa de cozinha, coisa de criança, né, que é brinquinho, colarzinho, essas  coisinhas, que vende, bolsa vende bastante, essas coisa vende mais.

 

P/1 – A senhora falou agora de coisa pra criança, como que eram as linhas infantis da Avon antes?

 

R – E antes só tem aquela linha que tem até hoje, que é a linha, Baby ____, é a colônia, tinha a colônia e tinha o talco, depois lançaram a lavanda e depois lançaram o shampoo, então era essas quatro, agora tem bastante, né, tem bastante, mas antes, era só só essa linha só, não tinha outra linha, ai lançava depois outras linhas que tinha barquinho dentro do vidro, entende? De colônia era um vidro assim chatinho, tinha um barquinho dentro, eu não sei como que eles conseguiam por aquele barquinho dentro, porque a boca do vidro é pequenininha, acho que antes de montar o vidro, né, colocavam o barquinho, então as crianças gostavam, porque ia passar a colônia e o barquinho mexia, entende? E mas, logo também saiu de linha, não foi pra frente porque era caro, então, tudo essas coisas saiam de linha, entrava, né, e logo logo saia de linha, e essa linha Baby Gente tem até hoje e toda campanha vende, que é uma linha boa pra criança, bem fraquinha.

 

P/1 – Dona Antônia a senhora lembra do seu primeiro dia de trabalho?

 

R – Ai, o primeiro dia de trabalho?

 

P/1 – A sua primeira venda.

 

R – Ai, eu sei que olha, do primeiro acho que eu não lembro mas acho que eu lembro do segundo, que lá onde eu moro tem a fábrica de sino, vô fazer propaganda da fábrica de sino, então a fábrica de sino é a única no mundo, é a única, só tem lá, e como é perto da minha casa, é só descer assim, é lá embaixo, é pertinho, ai eu falei eu vou vender lá em baixo hoje e fui, peguei uma freguesa, até que ela comprou bastante, bem pegado com a fábrica de sino, pois você acredita que essa freguesa, ela me deu a maior mão-de-obra da minha vida, eu cheguei a ir na casa dela pra mim conseguir receber os produtos, cinco vezes num dia só, e tem que subir uma escada com 40 degraus pra chegar até a minha casa, porque daí tem  a avenida, tudo e depois tem uma escadaria pra subir, né, tem 40 degraus essa escada, eu cheguei a ir 5 vezes, eu fui de manhã, ela falou que ia buscar o dinheiro na Lapa, ai falou pra mim ir tal hora, eu fui, ela não tinha voltado, fui embora, ai a filha dela falou pra mim ir outra hora, eu fui 5 vezes num dia, mas recebi, recebi porque eu sou, menina, sou teimosa, você não me conhece, eu sou muito boa, eu tenho coragem de tirar a minha roupa e dar pra qualquer um, ajudo todo mundo, a minha igreja, tudo eu ajudo mas saiba lidar comigo, porque senão eu sou ruim demais, sou, e  também essa nunca mais eu vendi, e então era assim, eu ia vender, eu pegava uma freguesa, ai eu entregava o produto, ela marcava o dia de eu ir receber, porque dificilmente você recebe no dia, é duas, três vezes que você tem que ir pra receber, se ela me pagava direitinho, eu encomendava a próxima, senão não, ai eu deixava aquela e pegava a outra freguesa, entende? Agora já é difícil pegar a freguesa porque agora ta assim de vendedora da  Avon, né, antigamente era mais difícil, não tinha tanta, hoje em dia tem muita, muita, muita, e o Avon, hoje em dia ta em primeiro lugar na pesquisa que eu sei, então tem muita vendedora, hoje em dia ta difícil, todo mundo conhece, todo mundo já compra, já tem a pessoa certa de comprar, entende? Então hoje em dia ta assim, mas eu sei que na época eu andei muito, pra pegar freguês, andei muito.

 

P/1 – E como é que eram os treinamentos que a Avon dava?

 

R – Ah, dava treinamento, a gente ia pra esses hotéis da cidade, 5 estrelas, sabe? Esses hotéis ai da cidade eu conheço todos, então ai a gente passava meio dia lá, ai tinha o telão, ai passava no telão, aquele lançamento e ai treinava a gente sobre aquele lançamento e eu nunca perdi um lançamento, nunca eu arrumava jeito, tempo pra mim ir em todos, se era na Avon eu ia, se era na cidade eu ia, aonde era eu ia, eu ia em todos, era assim o treinamento e pelo catálogo, pela gerente da gente, né?

 

P/1 – Como é que era o relacionamento com a gerente?

 

R – Bom, o meu relacionamento com ela é ótimo, né, eu gosto dela porque eu acho ela, assim, ela é muito franca, entende, o que ela tem que falar ela fala, pode ser onde for e o que você pedir pra ela também sendo sobre a Avon, sobre o que ela pode arrumar pra você ela arruma. Ela revira céus e terra, mas ela arruma. Isso eu falo pra qualquer um, qualquer hora, em qualquer lugar porque ela é boa demais. Contanto que eu toda a vida, depois que eu entrei mesmo na Avon eu falei “O dia que a Dona Marta sair eu vou sair também, eu não vou vender pra outra gerente.” Mas aí eu pensando bem eu não posso parar agora porque eu vou fazer o que da minha vida, eu vou ficar em casa fazendo o que, né? Porque nessa idade não pode parar, nessa idade você tem  que fazer alguma coisa e como eu faço conta, eu marco, eu ando, eu converso, então eu tenho tudo perfeito, graças a Deus, eu não tomo um comprimido pra nada, nem pra pressão nem pra nada, então eu acho que eu não posso parar. Então eu to muito sentida por isso mas se a Dona Marta sair eu tenho que ficar com outra ou se eu não gostar de outra eu saio da Avon e entro pra outra linha, qualquer outra linha, mas que eu não vou parar eu não vou.

 

P/1 – E quais foram os principais desafios que a senhora enfrentou trabalhando pra Avon?

 

R – Trabalhando pra Avon?

 

P/1 – É, um desafio.

 

R – Desafio? Ai não sei, acho que nenhum porque toda vida eu fui, quando chega no começo do ano a Dona Marta chama a gente lá na frente, né, na reunião e ela fala “Ó, nós vamos esse ano começar do zero. Então todo mundo ta zero, inclusive a Dona Antônia.”, que sou eu, né, “Inclusive a Dona Antônia ta zero.” Aí eu falo “Quem quiser me derrubar pode me derrubar porque eu não luto pra isso. Eu não vivo de Avon, entende, graças a Deus eu não vivo de Avon, meu marido ganha muito bem, é aposentado e ganha muito bem então eu vendo por prazer, porque eu gosto e porque eu preciso de uma atividade. Então eu vendo Avon por isso.” Então eu não sei, acho que não.

 

P/1 – E as alegrias?

 

R – Ah, as alegrias são muitas, nossa. As alegrias são muitas porque todo lugar que a gente vai, esses almoços, eu nunca perdi um almoço, a gente já teve almoço no pico do Jaraguá, todos almoços eu fui, então em todos os lugares eu sou chamada lá no palco, entende, e lá em cima a gente recebe troféu, a gente recebe flores, a gente recebe o gerente lá da Avon, a minha gerente, sabe, então alegrias eu tenho demais.

 

P/1 – E o que a senhora acha que a Avon representa pras revendedoras que trabalham com ela?

 

R – Ah, muita coisa, muita coisa. Eu sei de revendedora que mora lá perto de mim que construiu uma casa pra alugar vendendo Avon. Então a Avon, ó, tudo é assim, se você se esforça e se você trabalha direito você consegue as coisas, você consegue. E meu pensamento é esse, eu trabalho direito, eu nunca deixei voltar uma caixa, nunca, nunca passou do dia de eu pagar, nunca passou, e eu trabalho assim então eu gosto muito.

 

P/1 – Tem algum caso engraçado que a senhora se lembre vendendo Avon ou com alguma revendedora?

 

R - Ah, não lembro no momento de nenhum não.

 

P/1 – É, o que a senhora acha da oportunidade que a Avon dá pras mulheres trabalharem? Isso ela faz já faz tempo...

 

R – Muito boa porque é uma linha, as outras linhas não é tanto assim, na Avon é assim. É uma linha que se você recebe um produto quebrado você manda trocar, eles trocam. Se você vende, vamos supor, um batom e a pessoa não gostou da cor você pode trocar pela cor, outra cor que ela escolheu da mesma linha mas outra cor. Então é muito bom por isso, eu acho. Se você não gostou de uma roupa, mesmo essa moda casa aí, casa moda, não sei, você pode mandar de volta, eles não. Quer dizer, a minha gerente, não sei se é verdade, mas a minha gerente fala que eles não gostam de receber de volta, que não pode e não sei o que, não sei o que, mas manda de volta, entende, e eles manda descontado na nota da gente. Que nem, se eu mando um sutiã de volta, né, então na próxima campanha vem descontado aquele valor na minha nota, que dinheiro eles não dão mas desconta na nota. Então eu acho isso excelente, não dá dor de cabeça pra gente, né? Também eu não ando devolvendo coisa, o que eu posso ficar, o que eu posso, né, assim, vender pra outra, pra usar, dar pras minhas filhas, eu não mando de volta.

 

P/1 – E o que a senhora acha do sistema que a Avon usa, né, a venda de porta-em-porta? O que a senhora acha disso?

 

R – Ah, eu acho bom porque é uma maneira da gente sair, da gente conhecer pessoas, né, da gente conversar e tem que ser assim mesmo porque vai ser como, né, se for num lugar talvez como uma perfumaria, não sei. Eu acho melhor de porta em porta, entende, porque aí eu vendo o quanto eu quero, pra quem eu quero.

 

P/1 – E o que a senhora acha das ações sociais da Avon?

 

R – Ah, eu acho muito boa. Que nem agora tem a pulseirinha, né, então quando é os produtos sempre eu procuro vender bastante coisa daquilo que a gente não tem comissão, minhas vendedoras todas já sabem. Teve uma em um ano que ela vendeu 38 produtos só daquilo que não tinha comissão, nem ela e nem eu. Só ela vendeu 38 e as outras também venderam mas venderam menos, né, então acho isso, olha, uma benção.

 

P/1 – Explica pra gente como é que é. Tem alguns produtos toda campanha?

 

R – É, tem alguns produtos toda campanha. Nessa campanha que vai agora que eu até já tive reunião sexta, é, desodorante aerossol. Então são três desodorantes aerossol que se vender não ganha comissão.

 

P/1 – E aí o dinheiro vai pro Instituto Avon?

 

R – Vai pro Instituto. E a pulseirinha agora, a pulseirinha é a segunda campanha, é pra ajudar ao Instituto de esses, dessas pessoas, essas senhoras que o marido judia, que ela sai de casa, então essa Instituição recolhe. Então essa pulseirinha é assim, eu compro a pulseirinha, cinco reais ela custa, é uma gracinha, cinco reais, e eu pago cinco e a Avon por conta dele doa mais cinco, entende, então cada pulseirinha doa 10 reais pra esse Instituto. Isso é a segunda campanha agora.

 

P/1 – E ta vendendo?

 

R – Eu vendi oito na primeira campanha agora nessa ainda tenho que fazer meu pedido que eu vou levar amanhã, então eu não sei quantas tem ainda.

 

P/1 – Como é que funciona o pedido, como é que faz?

 

R – Ah, o pedido é complicado, muito complicado. Tem, que nem, eu como sou diamante então só tem eu e mais uma que somos diamantes da Dona Marta então vem uma folha assim, né, bem grandona, ela é assim e bem comprida assim, e dentro dessa folha tem todos os códigos, só código, só. Então você, e no catálogo tem aquele código, né, então você tem que ver no catálogo o código e marcar naquela folha, só um risquinho, que nem se você tem 10 produtos de um só aí você marca dentro daquele quadrinho que é assim um quadrinho pequenininho 10, então vem 10 produtos. O pedido é assim, é bem complicado. E eu, agora quem não é diamante aí é diferente o romaneio. O romaneio é assim, você tem que fazer todos os códigos, fazer, porque o código é cinco números e mais o dígito, então é seis. Você tem que fazer. Vamos supor que a pessoa vendeu 500, 600 produtos. Você tem que fazer dentro daquela folha, né, que é menor que a minha você tem que fazer tudo isso de código à mão, é o que eu vou fazer amanhã, é trabalhoso, eu faço isso lá na Dona Marta o dia inteiro.

 

P/1 – E como era antes?

 

R – Antes era diferente, antes era assim, tinha o código, né, e, não, não era o código, era um quadrinho, tinha um quadrinho pequenininho assim e no quadrinho saia um compridinho assim. Então nesse compridinho tava escrito o produto, vamos super que era uma colônia Toque de Amor, nesse compridinho tava escrito, é, Toque de Amor, aí no quadrinho você punha o tanto que era, se eram duas, se eram três, no quadrinho. E antigamente podia apagar com branquinho, sabe aquele branquinho que a gente apaga? Então, podia passar aquele branquinho e depois fazer outro número em cima. No dia de hoje não pode mais porque é leitura óptica, então no dia de hoje o que eu pus no código tem que ficar, não posso passar branquinho, passar borracha, nada, nada. O que eu pus tem que ir. Isso é complicado pra fazer.

 

P/2 – Dona Antônia, então são 41 anos trabalhando pra Avon, é isso?

 

R – São.

 

P/2 – Quais foram os aprendizados de vida que a senhora teve nesses 41 anos?

 

R – Ah, olha, eu tive muito. Lidar com as pessoas, com pessoas estranhas, né, não é isso, então, lidar, ter paciência, ter educação, né, se a pessoa eu vou cobrar uma pessoa e ela não pode me pagar eu não posso explodir na hora, né, eu tenho que ter paciência. Isso para mim foi muito bom, aprendi sozinha, ninguém me ensinou, né, mas eu aprendi assim. Dia de hoje eu tenho muita paciência com as pessoas, muita paciência. Eu vou receber ela fala assim “Ai Dona Antônia, não tenho dinheiro hoje, não sei o que...” “Ah ta bom, depois você me leva lá?” “Levo.” “Então está bom.” Eu troco cheque, já levei na cabeça em trocar cheque, dia de hoje eu não troco mais porque tinha pessoas que falavam “Ai Dona Antônia, troca o cheque pra mim?”, né, eu dava o dinheiro, pegava o cheque até chegar o dia de depositar aquele cheque. No dia de hoje não faço mais, eu já peguei nota de 50 que não valeu, que é falsa, que a menina, eu tenho certeza de que é ela, foi lá na minha casa onze e meia da noite levar esse dinheiro mas nem entrou. Chegou no portão me entregou e virou e foi embora, e não vendeu mais pra mim, e como era noite e eu já tava deitada, eu entrei pra dentro, eu ia pagar o Avon no outro dia eu misturei a nota, entende, só que quando eu cheguei no banco o banco me barrou, né, nota fals. E eu tenho certeza de que é essa menina, ela veio de lá do nordeste, sabe, tanto que ela não vende mais pra mim. Ela também sumiu, não sei. Eu desconfio que é ela, então...

 

P/1 – E a senhora passou já por vários presidentes na Avon, né, vários. A senhora chegou a conhecer algum, tem alguma história com algum?

 

R – É, teve um até que foi na minha casa, ele foi, ai meu Deus, imagina, ele foi me ensinar a vender Avon, né?

 

P/1 – Ah é, quem que era, a senhora lembra?

 

R – Ah, eu esqueci o nome dele, esqueci. Ele foi me ensinar a vender Avon. Aí tudo bem, né, ele chegou lá, falou, falou, falou o que ele quis. Tudo bem, eu ouvi, ele foi embora, tudo. Mas isso é totalmente errado. Ensinar a gente a vender Avon? Ensinar eu a vender Avon? Aí eu falei assim “Eu queria que ele me ensinasse a receber, né, a receber Avon. A ver na cara das pessoas quem é bom pagador e quem não é. Isso eu queria aprender, mas não vender. Vender eu sei de cor e salteado, né?” Mas ele foi na minha casa.

 

P/1 – Foi no começo, quando a senhora tava começando?

 

R – Não, não faz muitos anos não. Não, faz poucos anos que ele foi lá na minha casa, não faz muito não. Aí ele ficou lá ainda bastante, conversou muito, né, eu mostrei pra ele lá muita coisa que eu tenho. Que eu tenho muita orquídea então o levei pra ver minhas orquídeas. Muito legal ele mas de homem gerente. E depois foi gerente mulher, também foi na minha casa. Até que ela levou essa colônia que eu falei, né, que ela ganhou o troféu e não ficou com a colônia, ela levou a minha que eu dei pra ela. Então foi gerente, da Avon foi várias, né, tinha a Enedina, tinha a, ai uma que trabalhou na Avon tantos anos, ai esqueci o nome dela. Memória muito boa assim eu não tenho não, assim, pras coisas. Eu tenho pro catálogo e essas coisas assim eu tenho, eu sei que ela foi na minha casa também. Vários deles foram. E na Avon eu já fui oito vezes também, fui lá na Avon oito vezes só que agora eu não vou mais. Tem muita escadaria lá na Avon e eu fico muito cansada então não vou mais. Porque tem excursão, né, que vai pra lá mas eu não vou mais não. Eu conheço tudo lá dentro, os maquinários, né, como faz, tudo, como faz os batom, como enche os creme de mão, como, é, concentra as colônias, eu conheço tudo, tudo, tudo. Os escritórios, tudo, refeitório, tudo. Mas agora não vou mais.

 

P/1 – Quando a senhora começou a trabalhar pra Avon ela ficava na Interlagos já ou era na João Dias ainda?

 

R – Não, era na Interlagos já.

 

P/1 – É, a Avon ela ta completando 50 anos, né, o que a senhora acha dela estar resgatando a memória dela através desse projeto?

 

R – Ah, eu acho muito bom, né, eu acho bom porque tem tanta coisa que eu acho que até pra eles passa despercebido, né, então eu acho muito bom.

 

P/1 – E a senhora gostou de ter vindo aqui?

 

R – Eu gostei bastante, gostei muito. Eu conversei com a Dona Marta, né, sobre isso e ela falou “Não, vai sim Dona Antônia, é bom pro setor”, ela falou pra mim que era bom pro setor.

 

P/1 – A senhora quer falar sobre alguma coisa que eu não perguntei?

 

R – Não, eu só quero falar assim que eu agradeço a todos vocês, fiquei muito feliz, né, de vir aqui, muito contente mesmo e se precisar de mim outras vezes se eu puder estou às ordens.

 

P/1 – Tá certo. Em nome da Avon e do Museu da Pessoa agradeço a sua entrevista. Obrigada Dona Antônia.

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