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História

"Esse projeto mudou a minha vida"

História de: Alexandra Pereira de Jesus
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 02/04/2015

Sinopse

Alexandra conta em seu depoimento como teve uma infância feliz, mas com certos problemas. O barraco onde morava cedeu com a chuva, e sua família acabou indo morar com a avó.  Depois de cinco anos guardando dinheiro, outra casa foi construída para a família com ajuda do Centro Social Carisma. Ela também fala sobre sua paixão pela dança, e como ingressou no projeto Jovem Aprendiz, do Centro Social, além de comentar a importância do apoio que o Criança Esperança oferece ao Centro.

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História completa

Meu nome é Alexandra Pereira de Jesus. Eu nasci na cidade de São Paulo, no dia 7 de dezembro de 1995. Minha mãe se chama Sílvia Helena Pereira de Oliveira Silva e o meu pai se chama Almir Silva de Jesus. A minha mãe é diarista e o meu pai trabalha como segurança numa danceteria. O meu pai na verdade, eu não cresci com ele. Eu fui criada pela minha mãe e pelo meu padrasto. Eu tenho uma boa relação com ele, sim, mas não somos muito próximos. Agora a minha mãe é uma excelente pessoa. Ela é maravilhosa. Josiel é o meu padrasto, ele é fantástico. Ele me criou desde os dois anos de idade, está comigo até hoje, ele é um cara sensacional, não tenho o que reclamar dele. Ele é caminhoneiro. Ele trabalha na empresa Votorantim. Tenho uma irmã por parte de mãe, Maria Isabel e tenho um irmão e uma irmã por parte de pai, que o meu irmão já é casado, a propósito, eu sou tia, e tenho uma irmãzinha de quatro anos.

Foi uma infância bem divertida. Não tenho o que reclamar. Minha mãe sempre fez o possível pra me dar o que eu precisava, às vezes não podia me dar o que eu queria, mas ela não deixava faltar nada que eu precisava. Eu sempre fui uma pessoa que tive bastante contato com a minha família, nós somos muito próximos, eu e os meus primos, os meus tios, com a minha avó, que infelizmente não está mais comigo. Mas nós sempre tivemos uma boa ligação entre família e com amigos também.

Eu estudava meio período na pré-escola minha avó que me acordava, que me colocava pra tomar banho, penteava, até os meus cabelos, arrumava-me pra ir pra escola e me levava até a porta da escola. Quando eu comecei a estudar de tarde que eu saía às seis e 20, seis e meia da escola, ela ia me buscar na escola e não era longe. Era na rua de baixo da minha casa, só que a gente chegava a minha avó estava lá. Ninguém mexia com os netos dela. Era a dona Nena, como a chamavam.

Quando minha mãe veio pra cá, em uma casa onde morava eu, minha mãe, minha irmã, que era recém-nascida, meu padrasto. Era uma casa bem grande, mas ela era dividida pra todos. Era uma casa, mas tinha umas partes, umas paredes que eram com madeira pra poder comportar todos que estavam ali, toda a família que morava ali. Eu lembro que um dos meus tios saiu, foi pra uma casa, um barraco que tinha a umas cinco casas depois da minha avó e ele construiu um barraco ali. Só que quando ele separou da minha tia ele voltou pra casa da minha avó e minha mãe fez uma troca com ele, ela foi morar no barraco com a gente e ele foi morar com a minha avó. Eu lembro que teve uma chuva muito forte e o barranco cedeu, então o banheiro caiu. Isso foi à tarde, acho que era umas cinco e 20, por aí, quando eu cheguei do projeto que eu lembro que eu vim pro projeto e vim pra cá. Quando eu cheguei em casa com a minha mãe a chuva começou a ficar muito forte, a gente viu uma rachadura no banheiro uma água começou a subir. Subiu água o barranco começou a descer, não ficou mais nivelado e ele desceu, cedeu. A Celina, a gestora do projeto, ela ficou sabendo o que aconteceu, então ela conversou com a equipe de trabalho daqui, com os mantenedores da ONG e passou o que estava acontecendo, porque realmente era uma situação de risco e não tinha o que fazer. Então eles fizeram uma reunião e nós fomos surpreendidos. Eles reconstruíram a minha casa. No lugar do barraco que tinha eles fizeram uma casa. Teve projeto, arquiteto, engenheiro, foi toda uma preparação e onde eu moro até hoje, acho que faz uns dois anos, por aí, três. Nós fomos morar na rua de cima, na rua da minha escola na casa da minha líder da igreja. Ela tinha uma casa, só que ela tinha outras casas que ela alugava, então ela cedeu uma casa pra gente ficar durante o processo da construção. Acho que nós ficamos lá uns oito meses. Quando eu pude entrar na minha casa, ela pronta, foi uma sensação que eu acho que nem consigo descrever. Você parar e falar: “Nossa, agora eu vou conseguir dormir sem me preocupar com a chuva, sem me preocupar com vento, sem me preocupar com qualquer coisa”. É sensacional. Nós não tivemos nenhum investimento financeiro. Foi tudo dado a nós mesmo. Até o armário da cozinha, eles nos deram o armário da cozinha e uma mesa.

Eu conheci o Centro Social através de uma amiga minha que foi uma das primeiras a participar do projeto. Eu lembro que às vezes alguns dias da semana ela sumia de tarde, nós estudávamos de manhã e à tarde ela sumia. Eu não sabia pra onde ela ia. Eu lembro que uma vez eu fui na casa dela à tarde, ela já tinha chegado, e eu perguntei, falei: “Drica, onde você estava que você passou a tarde inteira fora, eu fiquei em casa sem fazer nada?”. Ela: “Então, Alê, eu estou participando do Centro Social, é uma ONG que tem ali embaixo na Rua São Bento. É muito legal, tem várias atividades, curso e tem uma coisa que você vai gostar muito.” “O que?” “Lá eles têm aula de balé”. Eu falei: “Ah, não. Eu preciso...”. O meu maior interesse na verdade em participar da ONG foi por conta da aula de balé. Então eu vim com a minha mãe e ela conseguiu me inscrever no projeto e eu comecei a participar. Quando eu entrei aqui a professora de balé saiu. Aí, que frustração, porque minha mãe não tinha condição de pagar uma aula pra mim e eu sempre fui apaixonada por dança, por balé, como eu disse, e quando eu entrei foi o ano que a professora de balé saiu. Eu fiquei muito chateada, mas eu continuei no projeto. Eu não queria, eu falei: “Não, é muito difícil conseguir, então como eu consegui eu vou aproveitar”. Tinha outros cursos, tinha curso de fotografia, era muito legal e entrou uma professora de dança, ela não dava balé, mas ela dava dança e dança me atrai. Então eu continuei o projeto e fiquei até participar do Programa Jovem Aprendiz que eles têm aqui e fui a primeira da turma a ser contratada. Trabalho até hoje na empresa que eu fui contratada, que eu trabalho na mantenedora da ONG. Agora em abril vai fazer três anos.

Eu comecei trabalhando na secretaria da igreja fazendo as rotinas de escritório diárias como formulários, atendia telefone. Hoje eu trabalho como auxiliar administrativa. Ainda faço algumas tarefas que eu fazia de começo, mas faço outras também. Eu lembro que eu fiz aula de percussão, fotografia, lembro também que tinha curso de marketing, marketing pessoal. Fiz inglês também, mas isso depois no projeto. Eu não lembro muito dos cursos. Eu entrei aqui no projeto que ficam as crianças de sete a 12 anos, se eu não me engano, que tem parceria com o Criança Esperança, tinha outros cursos que era o de dança, percussão, fotografia que teve um tempo. Tinha informática, esportes. Eram muito legais, eu me divertia muito.

Eu conhecia o Criança Esperança pelo que eu via na televisão. O que passava na verdade. Eu conhecia mais quando entrou no projeto, pude ter certeza do que eles faziam, que eles ajudavam mesmo. Nós temos o apoio do Criança Esperança, através deles creio eu que conseguiu aumentar o alcance de outras crianças, porque nós tínhamos um limite, eles tinham um limite aqui de quantas crianças poderia ter e expandiu o projeto. Foi uma parceria muito bacana.

O apoio do Criança Esperança nos projetos se eu não me engano foi na parte do projeto dos sete aos 12, que era com os cursos, a parte de artes, de esportes. Foi um projeto apoiado depois que eu entrei. Eu acho que ficou um pouco mais forte. Acho que pelo apoio do Criança Esperança nós conseguimos ser um pouco mais vistos como uma ONG séria, que realmente tem um trabalho com as pessoas, os moradores do bairro. Acho que depois disso deu um up nas parcerias com outras empresas que apoiavam, que davam suporte.

Eu acho que todos os projetos que eles tiveram aqui, durante a parceria do Criança Esperança, acho que todos eles foram apoiados por eles. Foi um grande apoio, um grande incentivo que eles deram. Esse apoio deu a oportunidade não só pra mim, mas pra outras pessoas também a poderem participar desse projeto. E esse projeto com certeza mudou muitas vidas, como mudou a minha. Os projetos que eu participei... Tinha os cursos que eles preparavam pro mercado de trabalho. Eles faziam palestras pra gente sobre trabalho, sobre como se comportar numa entrevista, sobre o seu marketing, marketing pessoal. Foi muito bom, ajudou muito, creio que também ajudou muitas pessoas, amigos meus também que trabalham hoje através do projeto.

Eu sempre me via atraída por decoração de interiores e por construção. Eu acho fantástico. Eu conheci essa escola onde eu estudo hoje, que eles têm o curso e eu fiz a prova e passei. Hoje eu faço Design de Interiores. Agora em julho faz um ano e meio. Eu quero muito fazer faculdade. Eu estava pensando em fazer Arquitetura, mas eu acho que eu vou fazer Engenharia Civil.

Depois que eu tive contato com a instituição, depois que eu comecei a participar eu percebi que eu me desenvolvi muito através dos cursos, de tudo que eu aprendi aqui. Pelo curso que eu tive aqui no Jovem Aprendiz eu comecei a escrever melhor. Já gostava muito de escrever, mas depois que eu comecei a participar de alguns cursos aqui que estavam dentro do projeto, do Jovem Aprendiz, através de uma professora que ela é muito culta, eu comecei a escrever melhor, falar melhor. A minha postura como pessoa, comecei a entender melhor como devo traçar os meus caminhos, como devo criar caminhos pra alcançar o que eu preciso, o que eu quero, o que eu desejo. Eu tive aula também com um coach que foi fornecido pelo projeto também daqui do Centro Social e foi uma experiência muito bacana, eu me desenvolvi muito depois que eu participei do projeto. Eu aprendi muita coisa, tem uma grande bagagem que eu adquiri no decorrer dos meus dias participando do projeto.

Acho que o que ficou em mim além de toda a credibilidade e apoio que eles nos deram. Acho que foi a oportunidade de estar e participar de todos os projetos. Acho que todas as atividades que nós tivemos aqui foram de extrema importância, tanto como eu disse que ele apoiava também a questão da arte, da dança, onde eu sou completamente atraída, apaixonada, eu fiz apresentação de balé clássico na festa de encerramento do Centro Social que teve aqui de dez anos. Foi a primeira apresentação de balé que eu fiz, então depois disso foi como se me desse um incentivo maior pra eu continuar. Então depois dessa aula de dança que eu tive eu continuei, eu falei: “Eu consegui. Eu posso ir além”. Então eu continuei buscando mais conhecimento em dança e pude participar de uma companhia gospel de dança que tinha aqui em Osasco. Foi uma coisa que me marcou muito porque eu vi que me deu um impulso pra eu ir pra o que eu queria.

Eu conheci essa companhia de dança, uma vez eu fui a uma igreja e eu vi o líder daquela companhia dançando, fazendo apresentação. Eu falei: “Nossa, que legal. Um dia eu quero dançar também”. Só que eu não conhecia, não conhecia a companhia, não conhecia nome nem nada. Eu lembro que uma vez eu vi um vídeo dessa companhia, eu falei: “Olha, é o rapaz que estava dançando”. Então eu entrei em contato com ele e falei: “Eu adorei a apresentação de vocês, vocês são fantásticos”. Ele perguntou pra mim se eu queria fazer... Perguntou se eu dançava, eu falei: “Eu danço um pouco, eu tenho pouco conhecimento de dança, muito pouco mesmo, mas eu gosto muito”. Ele falou: “Você quer fazer um teste pra participar da companhia?”. Eu falei: “Quero, como funciona?”. Ele falou: “Você fica um mês observando, participando dos ensaios pra ver se você se adapta, se é isso mesmo que você quer”. Porque às vezes a pessoa quer alguma coisa, mas quando começa a fazer fala: “Não é isso mesmo que eu quero”. Eu falei: “Não, está bom. Eu vou”. Eu fui e participei dos ensaios, eles tinham uma apresentação pra um congresso de crianças que era muito importante, eles perguntaram se eu queria participar da coreografia. Eu falei: “Eu quero”.  Ela se chama Companhia Getsêmani. Ela fez três anos, eu estou praticamente há uns dois, um ano e meio, dois anos, por aí.

 

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