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História

Essa é pro José Roberto Wright

História de: Daniel Carlos Gomes Neto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/02/2020

Sinopse

Nenel conta em sua entrevista sobre como era o bairro da Savassi em sua infância, o nascimento de seu irmão e a dinâmica dos seus pais em casa. Fala sobre suas encrencas na escola e sua entrada no mundo da música, através da bateria e de suas amizades de adolescência. Conta causos de suas bandas, suas turnês e sua formação em jornalismo. Por fim, comenta sua paixão pelo Atlético-MG, o nascimento do blog Baixa Gastronomia e faz um panorama dos bares e botecos de Minas Gerais.

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História completa

Meu pai foi editor de esportes, durante muitos anos, do Jornal Estado de Minas e depois foi para o Hoje em Dia, mas antes, ela já trabalhou, já fez muito freelancer nos anos 80, antes de eu nascer, para a Revista Placar, TV Manchete… Basicamente, o Estado de Minas é o que mais representou na vida dele, o Jornal Estado de Minas, que é o jornal mais tradicional do estado. O que eu via de jogo quando era criança… Hoje, eu quase não vejo, gosto de futebol, mas não tenho mais saco. Eu gosto desses programas que velho assiste, Mesa Redonda, mas jogo, eu via tudo. Se eu tivesse seguido, eu seria meio que um caxias, eu via muita coisa. Meu pai sempre foi um cara que nunca gostou de misturar muito as coisas. Eu nunca entrei com time em campo. Eu sou atleticano e meu pai falava, "não, não vou pedir nada para ninguém", ele é assim. Mas eu ia, claro, ele já me levou, eu ficava lá na tribuna com ele, mas assim, quietinho, caladinho. A maior alegria do Atlético foi a final da Libertadores contra o Olímpia do Paraguai, eu vi com ele. Eu passei mal durante o dia, cara, de tensão, falei, "não, não vou", eu sou muito pessimista, não acreditava. Apesar do Atlético já ter virado várias coisas naquele campeonato daquele ano, falei, "não, não vai dar". Começou o jogo com uma tensão... Eu acho que estava bebendo cerveja e tinha show da minha banda no dia, a gente tocava toda quarta no Lord Pub. Eu comecei a beber e fiquei meio com febre de tensão, eu e meu pai. Porque meu pai sempre foi muito isento e depois que ele se aposentou, ficou fanático. Acho que tudo que ele segurou durantes tantos anos… Tanto que ele tinha uma coluna no jornal - e era muito lido o jornal, na época que as pessoas vendiam e compravam -, e ninguém sabia se ele era atleticano, cruzeirense ou americano. E aí nós ficamos tensos, acabou o primeiro tempo no zero a zero, o Atlético fez o primeiro gol no comecinho do segundo tempo, deu 30 minutos e eu fui para a área de serviço. A casa do meu pai tem uma área assim, e eu fiquei lá, cara, fiquei lá ajoelhado e rezando. Eu estava parecendo um muçulmano, deitado com a cabeça no chão. Como ele mora na Savassi, na Praça da Savassi, lá tem uns bares atrás. Eu só escutava o "uh!", uma multidão gritando, gritando, lamentando… Eu percebi que estava chegando, tinha 40 minutos e falei, "não vai dá". A galera xingando, Belo Horizonte parecia um túmulo. Foi um dia surreal, surreal, estava tudo parado e uma gritaria na rua. Eu pensando, "não vai dar" e de repente escuto assim, "aaaaaa". Sabe quando a galera joga cadeira para cima? Saí correndo e meu pai já veio correndo… Foi do cacete. Na hora dos pênaltis, eu estava confiante. Foi inesquecível, nossa, foi foda, foi foda! Estava assim por causa do Victor e porque o Atlético, depois daquele dois a zero, psicologicamente, o time me deu uma confiança. Eu estava tenso ainda, ficava de costas para o pênalti, mas já fiquei na sala, não estava mais na área. O Galo foi campeão, eu abracei meu pai e ele falou, "essa é para o José Roberto Wright", eu nunca vou esquecer essa primeira coisa que ele falou. Em relação à Libertadores de 1981, Atlético e Flamengo, se você perguntar aqui em Belo Horizonte, as pessoas vão te dizer o que aconteceu: ele expulsou seis jogadores do Atlético numa semifinal de Libertadores. Então essa foi pro José Roberto Wright.

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