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Esquina em Santa Tereza

História de: João Luiz Tadeu Petrocchi Ribas da Costa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/11/2004

Sinopse

Em seu depoimento, João Luiz Petrocchi conta sobre sua infância no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, coladinho ao Clube da Esquina, o lugar físico, no qual foi cofundador com Lô Borges. Fala sobre o nascimento do Clube e como adotou a esquina para passar o tempo, o relacionamento com Sheila, irmã de Lô, e como os viajantes veem o lugar. Também conta como o álbum “Clube da Esquina” foi um marco da música, das suas músicas favoritas e os lugares onde se reuniam para tocar.

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História completa

P/1 – Bom João, vou pedir para você repetir o seu nome completo, o local e a data do nascimento.

 

R – O meu nome é João Luiz Tadeu Petrocchi Ribas da Costa. Nasci em Belo Horizonte, no Bairro de Santa Tereza, coladinho ao Clube da Esquina, no dia 2 de março de 1945.

 

P/1 – Que rua que você morava?

 

R – Rua Divinópolis.

 

P/1 – Rua Divinópolis. Está joia. E, assim rapidamente, João, para gente ter uma ideia da sua carreira profissional. O que você fez profissionalmente?

 

R – Eu me formei em Psicologia. Depois eu fiz uma pós-graduação em Psicologia Empresarial. Trabalhei na Aracruz Celulose.

 

P/1 – Ah, é?

 

R – É. E me aposentei. Hoje eu sou aposentado.

 

P/1 – Mas trabalhava no Espírito Santo?

 

R – Em Espírito Santo, mas morei 25 anos ainda lá na Rua Divinópolis, em Santa Tereza.

 

P/1 – Até os 25 anos. 25 anos você vai para o Espírito Santo.

 

R – Migrei para Espírito Santo e depois eu retornei. Hoje eu volto a morar em Belo Horizonte.

 

P/1 – Está joia. Me fala uma coisa... Bom, então você cresceu lá em Santa Tereza, né? Qual era o bairro da sua infância? Descreve Santa Tereza da sua infância?

 

R – Santa Tereza da minha infância era um bairro que só nós gostávamos de lá, porque era um bairro que não tinha água. Era um bairro que tinha um quartel da Polícia Militar e era um bairro, apesar de ser muito próximo do Centro, naquela época, se considerava longe. Então Santa Tereza era uma cidade do interior porque não tinha passagem para outros bairros. Ele era circundado pelo Rio Arrudas. Então quem morasse em Santa Tereza ficava. Quem não morasse em Santa Tereza ou ia visitar algum parente, ou algum amigo, mas retornava para sua origem. Então era uma cidadezinha bem interiorana dentro de Belo Horizonte.

 

P/1 – E você morava na Rua Divinópolis?

 

R – Exatamente.

 

P/1 – Entre quais ruas?

 

R – Entre Paraisópolis e Bocaiúva.

 

P/1 – E o que você lembra? Vocês brincavam do que na rua?

 

R – A nossa rua era uma coisa maravilhosa. Era 6 horas, desciam as mães. Vinham para a calçada, sentavam e faziam as suas trocas de receitas, de bolos e doces e a criançada brincava, assim, como se fosse um paraíso livre porque não passava carro. Então eram mil crianças e dezenas de mães grávidas e não grávidas fazendo aquelas trocas de receitas, que eram... Então é aquilo que eu te falei, é uma coisa bucólica e muito romântica. Então a nossa infância era uma coisa extremamente divina e pura.

 

P/1 – Vocês brincavam do quê? Os meninos tinham brincadeiras diferentes das meninas?

 

R – Tinha, não tinha dúvida. Tradicionalmente, as meninas brincavam de casinha e de boneca e a gente, como eram todos de classe média pobre, a gente passava sabão na tábua e descia a rua... Era o skate dinossauro, entendeu? Descia a rua e ficavam ali avisando: “Olha, vem um carro!” Então você tinha ... Ou você ia ser atropelado ou saía ralando o joelho porque não tinha freio. Então eu acredito que a gente tinha sido até os pioneiros do Ayrton Senna. (risos)

 

P/1 – Tinham, assim, lugares que não podia ir ao bairro, que era perigoso? Perto do rio?

 

R – Tinha.

 

P/1 – Qual era a fronteira, assim, que as mães permitiam?

 

R – Santa Tereza tinha alguns lugares extremamente perigosos em que a gente era educado para não falar mentira e não responder ao pai e a mãe. Se você respondesse ao pai e mãe, podia ser preso no quartel. Se você brigasse com o seu irmão iria para um hospital, que era o chamado Isolado. O nome já é extremamente perigosíssimo, Isolado. Nenhuma criança gostaria de ficar. E esses dois lugares eram os Bichos-Papão daquela época.

 

P/1 – Joia. E João Luís, você estudou onde?

 

R – Eu estudei no Grupo Barão de Macaúbas. Depois no Colégio Tristão de Athayde, que era em Santa Tereza, Colégio Municipal e depois na (Funec?).

 

P/1 – Está joia. E como é que você vê, assim, esse nascimento do Clube? Você é parte integrante também?

 

R – É, eu gostaria de me classificar como velha guarda do Clube da Esquina e, ao mesmo tempo, um abre-alas, porque eu morava em São Paulo e me rebelei, que eu não gostava de um emprego que eu tinha em São Paulo e cismei de voltar a Belo horizonte. Meu pai era muito severo e falou: “Você não vai ficar desempregado”. Mas eu queria definir o que eu ia fazer na minha vida. E eu resolvi adotar a esquina como o meu local de pensamento, de filosofar o que eu ia fazer na minha vida. E achei um grande companheiro que era o Lô. Eu era mais velho do que o Lô naquela época. Naquela época fazia uma diferença muito grande, mas hoje nós estamos, assim, muito páreo na idade. Então eu ia para a esquina e o Lô também ia.

 

P/1 – Você tinha quantos anos? O Lô tinha mais ou menos quanto? Só para situar.

 

R – Eu acredito que devia ter 22 anos e o Lô devia ter 16 ou 17 anos, mas naquela época, todos eram considerados bem crianças com essa idade. Então, eu ficava vendendo minhas roupas que eu trabalhei em São Paulo e ficava à toa na esquina e o Lô, uma fertilidade musical muito grande, nós... Sentados. Em volta disso, havia uns 60 garotos e garotas que ficavam lá curtindo. Mas, fundamentalmente, os dois ocupantes do Clube da Esquina fisicamente era eu e o Lô. E nós ficávamos o dia e noite, e lá, às vezes, nem íamos tomar banho.

 

P/1 – Esquecia de almoçar, esquecia tudo.

 

R – Não, almoçar era muito problemático. O meu pai era muito severo, então já nem ia lá. A mãe do Lô, que é minha sogra: “Lô, com quem que você está? Está com o raio do João Luís aí na esquina!” E, naquela época, como eu era mais velho, eu era um desencaminhador do Lô. Mas eu tenho um grande orgulho disso, que ele se tornou essa cabeça maravilhosa e essa poesia, que o Lô é todo uma poesia, né? 

 

P/1 – E você acabou casando com a Sheila, que é a irmã do Lô.

 

R – Não tinha dúvida. Eu não podia casar com o Lô. (risos) Então eu casei com a Sheila, que, apesar de não ter uma musicalidade explícita, mas ela toda é um poema, né? 

 

P/1 – Conta, assim, como que começou o namoro, como é que...

 

R – O nosso namoro começou uma coisa muito linda. A nossa turma toda noite se reunia: “Vamos fazer o quê?”. “Vamos para o cinema”. E um dia nós fomos para o cinema. Como era uma turma muito grande, variava de idades e nesse dia era um filme proibido até 18 anos. Resultado: alguns não podiam e outros podiam. Como a nossa turma era muito unida, ninguém vai para o cinema. E tinha um parque de diversão instalado num local, num terreno baldio e nós caminhamos para o parque: “Ah, então vamos para o parque.” E eu fui, chamei a Sheila para ir à Roda Gigante. Então foi a Sheila e a Sônia, irmã dela, e eu sentei no meio. E a roda começou a girar. E, de repente, eu estava de mão dada com as duas, mas como amigos. Não sei porque motivo, eu soltei a mão da Sônia e nunca mais soltei a mão da Sheila. E estamos agora 33 anos casados. Então foi um namoro muito bonito. Nunca teve interrupção e começou numa roda gigante.

 

P/1 – E como que a dona Maricota recebeu o namoro?

 

R – A Maricota, ela é ciumenta, extremamente possessiva com os seus filhos. Mas eu sou italiano chato e persistente, e eu queria a Sheila. E nós fomos dando trombadas, fomos dando cabeçadas, mas no final foi tudo bem e hoje eu acho que a Maricota me aceita muito bem, como eu aceito ela como a minha sogra muito bem.

 

P/1 – E os irmãos sentiram ciúmes? Tem essa coisa de...

 

R – Não...

 

P/1 – Quando você começou a namorar a Sheila?

 

R – Não, porque as nossas famílias eram muito unidas. Então quando eles eram muitos pequenos e a Maricota precisava de sair, muitas vezes, minhas irmãs tomavam conta dos irmãos menores e vice versa. Então não tinha ciúme e nós éramos muitos amigos. Nós tínhamos uma afinidade muito grande.

 

P/1 – O disco “Clube da Esquina”, a gente está aprofundando como marco. Você lembra quando eles foram planejar o disco, você estava junto?

 

R – É como se fosse hoje.

 

P/1 – Então descreve para mim.

 

R – Nós estávamos sentados na esquina eu e o Lô, e de repente... Por que do Clube da Esquina? Tem um nome, né? O meu pai tinha nove filhos, o pai do Lô tinha 10 filhos e nenhum tinha condição de ter um clube. Então, na esquina tinha um canteirinho, que a gente só fazia xixi. A única coisa que tinha no clube era o mictório. Um dia nós estávamos conversando, mas se reunia... Lá gente chorava, eram os grandes fogos da adolescência. Um dia a gente cismou: “Poxa, esse é o nosso Clube da Esquina”. E aquilo ficou. O Lô começou a dedilhar no violão uma música maravilhosa. Ia haver um festival e me parece que a gente: “Pó, vamos fazer, vai para o festival e tal”. Realmente isso aconteceu. O Marcinho com aquela capacidade poética de escrever tudo o que você imagina, escreveu a letra. E a letra do Clube da Esquina é exatamente aquilo que a gente vivia. Então, esse foi o surgimento dentro da minha visão, dentro da minha vida ali, do Clube da Esquina. O Lô com uma capacidade musical fantástica. Eu extremamente desafinado e desajeitado com música, mas de uma poesia do próprio italiano, que é todo cheio de emoção. A gente curtia. Ali, o Lô fez várias músicas e foram complementadas com a capacidade do Marcinho de... Eu nem sei se é descrever ou de psicografar, entendeu? Mas que é uma genialidade. Eu me sinto muito feliz de te visto isso acontecer porque hoje eu sinto que esse movimento musical do Clube da Esquina é uma coisa muito grande, muito poética, muito bonita. Às vezes, eu sozinho, escuto as músicas e vejo que aquilo é uma linguagem maravilhosa de poesia, de amor, de sensibilidade pura que existia naquela turma.

 

P/1 – Qual música você curte mais? Assim, tem alguma que é mais significativa para você?

 

R – É... O “Clube da Esquina” é uma. 

 

P/1 – Essa.

 

R – Acho que “Equatorial”. Não sei se o nome ainda é “Equatorial”, se ele mudou. E gosto das músicas assim .“Girassol”. Uma música que eu acho que se eu fosse cantar, eu ia gravar, que é “Vento de Maio”.

 

P/1 – Quer cantar um trechinho para gente?

 

R – Não.

 

P/1 – Só para... De brincadeira.

 

R – Eles vão... (risos) Eu falei hoje de manhã que eu não ia cantar, eu ia interpretar o vento, se é que pudesse ter. Se aqui tem vídeo, eu interpreto o vento, mas cantar, não faz comigo isso não. (risos) A minha mulher vai me matar porque ela cola o ouvido dela aqui para não desafinar.

 

P/1 – João, você se lembra, assim, de quando eles gravaram o disco, que eles foram para o Rio? Você estava aqui?

 

R – Lembro, mas só o movimento de ir. Lá eu não pude acompanhar, porque eu tinha que trabalhar e aí a gente se separou um pouco.

 

P/1 – Mas aí eles receberam o disco e foram fazer uma audição. Você estava nesse dia?

 

R – Não, não estava. Essa parte, eu já estava trabalhando a minha vida. Então já não podia mais ficar.

 

P/1 – Já seguiu a carreira.

 

R – Já segui a carreira.

 

P/1 – E como é que foi, assim, acompanhar também meio a distância a carreira desse pessoal, que eram teus amigos, tua turma? E como é que foi ficar lá no Espírito Santo?

 

R – É uma coisa maravilhosa porque eu, apesar de ser mineiro, ninguém achava que eu era mineiro porque aonde eu chegava, eu fazia amigos e todo mundo fala: “Ah, mineiro é muito calado, mineiro é isso.” Eu não. Eu sou extrovertido, eu falo. Então eu tinha surpresas maravilhosas. De repente chegar num determinado lugar, onde não podia imaginar e alguém cantava o trecho ou alguma música do Clube da Esquina. Isso aconteceu diversas vezes. E como eu casado com a Sheila, também não tinha como ficar longe disso, de todo esse processo. Então muitas vezes eu tentei aprender a cantar com as músicas do Clube da Esquina, com a Sheila me monitorando auditivamente, mas infelizmente não teve jeito de melhorar. Eu acompanhei sempre, acompanho e fico muito feliz de hoje estar acontecendo esse movimento, que eu acho até que demorou um pouco porque eu sempre lutava para isso. Talvez não com a voz dos poetas, mas com a visão, assim, mais assim de “poxa, temos que marcar isso na vida”, que foi o movimento. Então, guardando as devidas proporções... Eu me sinto como se eu tivesse morado do lado dos Beatles, entendeu? Guardando as proporções, se é que tem que guardar. Mas com muito orgulho eu sempre acompanhei e sempre vejo, cada dia mais melhorando essa poesia e eternizando essa sensibilidade. 

 

P/1 – Estou até... Dos outros discos, depois o pessoal continuou carreira, tem assim algum que para você é emblemático, que...

 

R – Está gravando?

 

P/1 – Está.

 

R – Mas vai fazer...

 

P/1 – Pode.

 

R – Porque, realmente, depois eu só pedia: “Manda esse disco para mim”. Mas as músicas que eu guardo bastante são aquelas que eu te falei: “Girassol”, “Ventos de Maio”, Janela...

 

P/1 – “Janela Lateral”.

 

R – “Janela Lateral”. Essa, “Dois Rios”. 

 

P/1 – A Sheila chegou a cantar?

 

R – A Sheila, ela não canta, mas é o melhor ouvido da casa. A Sheila tem a sensibilidade de saber se está... Alguém está fora do tom. Em dezenas de pessoas, ela fala: “Você está fora do tom”. Então a Sheila, lamentavelmente, é muito tímida, porque ela podia ter sido uma grande estrela. (risos) Ela não canta, mas é musical. Tem uma sensibilidade musical muito grande.

 

P/1 – Quando vocês ficaram adolescentes, para que bares, que boates, que bailinhos que vocês frequentavam na cidade? Aí, já saindo de Santa Tereza?

 

R – A gente era muito regionalista e muito bairrista, até porque não tinha dinheiro para passear em outros lugares. Então você tinha de ficar, mais ou menos, dentro do perímetro de Santa Tereza. Mas eu tenho algumas passagens, assim, com eu, ______, Milton Nascimento, de frequentar o Edifício Maleta e eles achavam sempre que eu tinha uma capacidade de ser gerente, de empresário. Eu não era musical. Igual aquele negócio do jogador de futebol: “Se é ruim, vai para o gol”. Você não canta, você vai lá e pede dinheiro para a gente cantar. Então várias noites eu, Marilton e Milton Nascimento passávamos pelos inferninhos do Edifício Maleta e eu agenciava alguma canja para eles, para a gente faturar a cerveja e a janta naqueles infernos. Então eu tive alguns vôos maiores... Foram esses... Os outros eram os bares de Santa Tereza, o Tuxão. Eu acho que ninguém mencionou Tuxão.

 

P/1 – O que era o Tuxão?

 

R – O Tuxão era um bar sem vergonha, horroroso, mas era o nosso point. O Tuxão era composto de um bar e um anexo que tinha uma mesa de sinuca. A mesa de sinuca era tão terrível que tinha a sinuca de parede. Eu acho que nunca ninguém viu isso. A mesa não cabia no compartimento. Então você jogava a bola num determinado ponto, a pessoa tinha que pegar um toquinho do cabo de vassoura, encostar na parede e na mesa para ver se matava a bola. Então, quando a gente queria ganhar algum dinheiro de forasteiro que chegava lá: “Dá a sinuca de parede”. Você jogava a bola lá, o cara não tinha como sair. (risos) O tira gosto era uma latinha de álcool. Ele botava o álcool, cada um com um pedacinho de queijo. Derretendo o queijo e tomando cachaça, e aquilo ali. E eu vou te ser sincero, foi uma das coisas mais felizes da nossa vida porque não tinha e-mail, não tinha celular. Tinha boca-a-boca, olho no olho, palavrão por palavrão, brigas e abraços. Então era muita sensibilidade. Acho que a poesia aflorava demais por isso.

 

P/1 – É possível e com muita mineiridade.

 

R – É, exatamente.

 

P/1 – João, me fala uma coisa para gente acabando. Hoje você está dando uma entrevista para o Museu do Clube da Esquina, né? O que você está achando desse movimento, assim, de se virar um museu e de você estar contribuindo com a sua entrevista, com a sua versão da história?

 

R – O que eu acho do museu?! Acho um trabalho extremamente sério e necessário para Minas Gerais, porque algum poeta falou que Minas Gerais... O mineiro era solidário no _______. E eu lamento o que ele falou e eu, talvez, seja burro para não entender o que ele quis transmitir. Mas eu acho que a solidariedade tem que ser mostrada nesse museu. Independente de alguns resquícios de paixões, de vaidades, mas eu acho que o museu, para Minas Gerais, é um marco e eu falo isso com muita tranqüilidade porque eu vivi fora de Minas Gerais e eu era muito cobrado pelo Clube da Esquina: “Poxa, você fundou o Clube da Esquina. Você é o sócio-fundador do Clube da Esquina e não tem nada”. Então hoje eu vejo e eu vou contar um lance que aconteceu há uns 15 dias atrás. Estava na rua Divinópolis, exatamente na frente... (pequena interrupção) Chegou um carro com uma família de Campinas e o cara me perguntou: “Onde que é o Clube da Esquina?” Eu falei: “É aqui”. Ele falou: “Mas isso aqui?” Eu falei: “Exatamente isso aqui”. “Eu viajo 15 horas de Campinas para ver o Clube da Esquina e é isso aqui?” Eu falei: “É isso aqui”. Ele falou: “Eu não acredito. As tantas coisas que eu queria mostrar para os meus filhos que estão aqui e se resume numa coisinha dessa. Vocês não vão fazer nada mais?” Eu acho que estou falando isso em primeira mão porque aí eu acho que o museu vai exatamente trazer, e fixar, e registrar esse movimento bem definido, bem trabalhado, bem elaborado, para que todas essas pessoas que a gente não sabe quantas são, mas que vem, assim, com _________ buscar o Clube da Esquina. Então o museu é um movimento e é um trabalho seríssimo da mais alta importância. É isso.

 

P/1 – Está joia. Você queria falar mais alguma coisa, João, que você acha que ficou faltando, que a gente não abordou?

 

R – Não, não. Eu acho que foi bem.

 

P/1 – Deu conta?

 

R – Deu. Acho que dei. (risos)

 

P/1 – Então, tá. Então queria agradecer muito sua colaboração para o Museu Clube da Esquina. Obrigada.

 

R – Muito obrigado. Eu que fico muito feliz de falar sobre o Clube da Esquina porque é uma partezinha de mim que também está dentro desse Clube e que está indo para o Museu. Muito Obrigado.

 

P/1 – Obrigada a você.

 

Fim do depoimento.

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