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História

Esporte e lazer como benefício ao funcionário

História de: Paulo Henrique Godoy Marinheiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/07/2005

Sinopse

Marinheiro nos conta o início da sua carreira na extinta Light, hoje Eletropaulo, como artífice e também suas participações nos campeonatos de futebol da empresa, como atleta e na organização, o que o levaria a se tornar um dos fundadores e Vice-Presidente da Associação de Esportes, Lazer e Social.

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História completa

P/1-  Qual o seu nome?

 

R-  Paulo Henrique Godoy Marinheiro.

 

P/1 -  Marinheiro?! É...

 

R-  Mais conhecido como Marinheiro.

 

P/1 -  Tá, então. Porque o pessoal te chama de Marinheiro. Então posso te chamar assim?

 

R-  Pode me chamar de Marinheiro.

 

P/1 -  Então tá bom. E aí, Marinheiro, quando assim...Onde você nasceu? E em que lugar?

 

R-  Eu nasci em São Paulo, na capital, né?

 

P/1 -  E o bairro?

 

R-  Bairro da Lapa.

 

P/1 -  Da Lapa? Que ano?

 

R-  1950. 14 de janeiro de 50.

 

P/1 -  50. E sua família toda é de São Paulo? De onde sua família toda veio?

 

R-  É... meus pais, meu pai eram de Bragança... de, de Vale do Ribeira e minha mãe aqui de Bragança Paulista...

 

P/1 -  De Bragança... E o avós também são assim brasileiros ou vocês são descendentes de imigrantes?

 

R-  Olha, meu pai é descendente de índios, segundo consta... quer dizer as origens da minha avó, o passado dela a gente não sabe direito, mas parece que é de índio. Minha mãe é italiana, né?

 

P/1 -  Italiana? E você sempre morou aqui em São Paulo?

 

R-  Sempre morei em São Paulo.

 

P/1 -  No bairro da Lapa?

 

R-  É... morei no bairro da Lapa e depois mudamos para Osasco, ainda com 7 anos, 6 anos, mais ou menos, fui para a cidade de Osasco.

 

P/1 -  De Osasco? Tá. E me diz uma coisa, durante a sua infância, né? Quais são as suas recordações da época? Onde você morava, assim, casa? Como que era?

 

R-  É, a infância foi bem difícil, né? Foi uma infância...meu pai tinha poucos recursos, né? Emprego na época eu lembro que era difícil pra ele, né, e nós tínhamos muita dificuldade. Morávamos em casa própria. Era nossa mesma, mas era uma casa bem modesta, bem simples, né? E foi uma infância boa, agradável, porque a gente tinha toda a liberdade, né, quer dizer, as crianças tinham toda a liberdade. Eu me lembro bem que eu tinha...corria pelo meio do pasto. No meio da... entendeu?

 

P/1 -  Por que? A sua casa ficava assim afastada da cidade?

 

R-  Ficava afastada da cidade. Num bairro... com pouca, a população era pouca. Tinha poucas residências em volta. Era um bairro mesmo, bem... é... não era cidade, né?

 

P/1 -  Era tipo um bairro rural...

 

R-  Rural, rural, rural mesmo.

 

P/1 -  E seu pai fazia o que, Marinheiro?

 

R-  Então, meu pai ele era eletricista, tá? Mas devido as dificuldades que ele tinha pra arrumar emprego na época ele era... vivia mais como vendedor ambulante.

 

P/1 -  É? Ele vendia o que?

 

R-  Ele vendia o biju, que nós chamamos...

 

P/1 -  Ah! O biju?

 

R-  ... Ele fazia o biju e nós vendíamos. Nós todos irmãos. Nós éramos em seis. Todos nós saíamos e íamos ajudá-lo. Final de semana, por exemplo. Nós não tínhamos o domingo, entendeu? Eu lembro que as crianças da rua, todas, tinham seu final de semana e nós não tínhamos. Era obrigado a ir ... nós fazíamos essa venda... esse comércio no bairro, dentro do Butantã. Então, nós, todo domingo, éramos obrigados a ir lá e fazer esse trabalho, né?

 

P/1 -  E vocês eram em quantos irmãos?

 

R-  Seis. Tenho mais cinco irmãos. 

 

P/1 -  Então seu pai pegava os bijus e vocês revendiam...

 

R-  Nós pegávamos ali e todo domingo ele levava pros pontos de venda e nós íamos todos lá, cada um lá no seu ponto a vender esse, esse produto.

 

P/1 -  Assim, dos seus irmãos, todos eram homens?

 

R-  Não...

 

P/1 -  E as mulheres iam também iam vender biju?

 

R-  Também iam.

 

P/1 -  Entravam todo mundo na parada.

 

R-  Todo mundo entrava na parada ... somos três irmãos, três homens e três mulheres. 

 

P/1 -  E sua mãe? Ela fazia o que?

 

R-  Ela ajudava também. Ela ajudava na fabricação dessa... 

 

P/1 -  do biju?

 

R-  ... do produto. É, do biju.

 

P/1 -  Ah! Por que eram vocês que fabricavam?

 

R-  Nós fabricávamos e nós vendíamos

 

P/1 -  E assim. E a educação? A questão assim do colégio, tal? Vocês estudavam aonde? Perto de sua casa? Colégio particular? Como que funcionava?

 

R-  É, esse foi um dos pontos importante na minha vida, na nossa vida, né? Dos meus irmãos todos. Porque meu pai sempre foi uma pessoa que sempre, ele, nos pontos que ele sempre brigou, foi o estudo. Então nós estudávamos sempre em escola do município, que era uma escola do primeiro grau, e sempre escola do Governo. A gente nunca estudou em escola particular até uma certa idade, né? Então nós estudávamos no grupo do bairro... e todos nós fizemos o primário, fizemos o ginásio e continuou estudando todo mundo.

 

P/1 -  E colegial. Vocês continuaram? Chegou a fazer algum curso de especialização? Porque tem vários, né, colégio especializados técnicos. 

 

R-  Então, eu fiz o... no caso eu fiz o ginásio, né, e quando eu ... curiosamente, com quatro anos, eu estudava numa escola vocacional que era no Butantã, meu pai me colocou pra aprender um ofício. Meu pai queria que eu aprendesse um ofício, alguma coisa. Então eu entrei numa escola vocacional do Butantã. E até foi uma coisa curiosa isso que aconteceu que a professora um dia lá conversando com outro aluno falou que: "Olha, a Light tá fazendo uma seleção de meninos pra entrar no SENAI [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial], tal, vocês podem ir lá". Pra dois, três meninos e eu ali do lado ouvindo. Quer dizer, não tava falando pra mim. Nessa eu peguei e cheguei em casa e falei pro meu pai. Falei “Olha tá tendo uma seleção de garotos, lá na Light...”.

 

P/1 -  E era seleção pra que, na realidade?

 

R-  Pra aprendiz de ofício... né?

 

P/1 -  Pra aprendiz de ofício?

 

R-  Era aprendiz que entrava no SENAI. 

 

P/1 -  E nessa época você já tinha, assim, arrumado uma tendência especial em termos vocacionais?

 

R-  Tinha. Eu sempre quis ser mecânico de automóvel. 

 

P/1 -  Ah! Sempre quis?

 

R-  Então essa minha paixão de mexer com carro...

 

P/1 -  E você mexia com carro?

 

R-  Não... até essa idade não. Eu gostava que meus tios tinham carros, tal, mas eu sempre tava junto. Mas eu, até então, mexer, mexer, não. Foi quando eu fui fazer esse, nessa seleção, nesse dia, ela deu a data lá e eu escutando anotei e tal e fui fazer. E curiosamente eu passei e os outros dois não passaram na seleção e eu fiquei e fui justamente pra aprendiz de mecânica de automóvel.

 

P/1 -  E aí? Depois disso né? Aí você passou a estudar né?

 

R-  Eu fazia o SENAI. Sete meses de SENAI. Estudei na Barra Funda, no Horácio Augusto da Silveira. E estudava lá sete meses e seis meses... Cinco meses ficava na empresa... fazendo a parte... prática, né? Fazia teoria e a prática fazia nas oficinas do Cambuci.

 

P/1 -  Era um tipo de um estágio?

 

R-  Um estágio. Você fazia sete meses o SENAI e cinco meses você fazia a prática do serviço.

 

P/1 -  Tá. E funcionava também como um colegial técnico.

 

R-  Como colegial técnico. Você saía dali com o colegial.

 

P/1 -  E daí depois? Aí depois você terminou com o colegial, né? Você chegou a fazer... exercer alguma atividade profissional? Assim, ligado a essa área...

 

R-  Veja bem. Quando eu terminei o curso, a Light antiga. Terminava o curso, era um contrato que você fazia com a empresa. Então terminado esse curso, você era dispensado da empresa. A não ser que você optasse em... em ser transferido. Se você quisesse ser transferido para um outro setor da empresa, você poderia ir. Mas você não poderia ficar naquele, no setor que você estava aprendendo, ali. Então, eu precisava do serviço, precisava do emprego. Meu pai precisava, tal. Eu falei “Não, eu quero ficar”. Porque muitas pessoas, às vezes, já sabem que queriam seguir a carreira, por exemplo, de mecânico de automóvel, né? E quem não quisesse seguir, então, era obrigado a mudar de cargo. Foi quando eu optei em ficar na empresa. Eu me efetivar na empresa... e mudar de ramo. Aí eu fui pro setor que chamava Distribuição Capital, que era na 7 de abril. Eu fui pra ser ajudante de artífice.

 

P/1 -  Artífice?

 

R-  Seria, por exemplo, tipo, tinha os agrimensores, o pessoal que fazia o levantamento topográfico para extensão de, de iluminação pública de São Paulo. Quando começou iluminação pública mesmo, entendeu?

 

P/1 -  E como que era essa coisa, _____ do início da iluminação pública? Você tem alguma, assim, memória?

 

R-  Tenho. Bastante, puxa.

 

P/1 -  Então conta pra gente, né? 

 

R-  Participei de vários. De vários programas de iluminação pública, por exemplo: Rubem Berta, quando ela terminou eu que fiz praticamente todo o projeto, né, juntamente com os outros profissionais, eu acompanhava. Quer dizer, eu fazia toda aquela parte de... nós chamávamos de puxar a trena. Então, esticava a trena, então media. Fazia todo o levantamento topográfico e eu era o auxiliar que auxiliava o pessoal na época. Então a Rubem Berta, tem a própria marginal, toda a marginal inteirinha, na época. Eu fiz todo o levantamento, também junto.

 

P/1 -  Essa época, assim, só para recordar. Era em torno de que ano?

 

R-  1967, 1968, mais ou menos.

 

P/1 -  E assim, seu pai sempre incentivou a essa atividade? Como ele se posicionava frente a isso?

 

R-  Sempre. Ele... meu pai era um orgulho, né, quer dizer, o filho tá nu... empregado, né, numa empresa como era a Light antiga, que era ... qualquer pessoa queria ter um emprego como aquele, né. Estar na Light...

 

P/1 -  Tá, porque aí você era artífice, né? E aí, como foi essa evolução na carreira?

 

R-  Veja bem. Como eu fui aprendendo, né, o serviço. Eu passei pra copista. Copista que seria? Seria a pessoa que passa, por exemplo, então o... técnico fazia lá o rascunho e você passava para o vegetal. Você passava tudo aquilo no vegetal. Você copiava tudo aquilo no vegetal com nanquim, com tinta. Então fui aprendendo...

 

P/1 -  E pra isso você já tinha alguma habilidade? Assim, uma tendência natural?

 

R-  Não, eu... fui pegando aquilo...

 

P/1 -  Automaticamente...

 

R-  Automaticamente. Fui fazendo, fazendo. Daqui a pouco eu já estava muito bem. Aí fui promovido de artífice pra desenhista. Aí eu era o desenhista. Aí eu fazia também o projeto. Aí comecei a fazer eu mesmo o projeto, na rua, levantamento sozinho e vinha, passava tudo aquilo da caderneta pro papel, né? 

 

P/1 -  Marinheiro, até então, você já tinha um vínculo com a empresa, né?

 

R-  Já tinha...

 

P/1 -  Já tinha. Já estava contratado?    

 

R-  Apesar que a minha, o meu tempo de serviço conta desde o dia que entrei.

 

P/1 -  Desde o dia?

 

R-  Desde o dia de 1964 quando eu entrei, tá, mas eu fui efetivado, meio que três anos de experiência que eles chamavam.

 

P/1 -  E de copista e depois você passou pra desenhista?

 

R- ... Pra desenhista e aí eu fiquei como desenhista e pra mim poder ... é, mudar, por exemplo, crescer na empresa. Mudar de ramo de atividade, eu teria... que a empresa essencialmente é de eletricidade, né, então pra mim passar pra parte técnica eu teria que fazer o técnico.

 

P/1 -  E pra você fazer o técnico? Você chegou a fazer?

 

R-  Aí eu entrei numa escola técnica e fiz eletrotécnica.

 

P/1 -  E a empresa te ajudou nesse sentido? Ela deu um apoio, um incentivo?

 

R-  Não, ela dava... ela financiava o estudo. Descontava, por exemplo, ela financiava, dava o valor total do curso e descontava em 10 vezes sem juros, né?

 

P/1 -  E assim, ela te liberava, assim, também do tempo de trabalho da empresa...

 

R-  Não. Não. 

 

P/1 -  E deu pra conciliar então bem, né?

 

R-  Deu, deu. Eu saía do serviço mais ou menos 5 horas, 5:30 e ia direto pra escola e de lá ficava até 10, 11 horas da noite.

 

P/1 -  E nessa época, me diz uma coisa, né, como que era assim a atividade de lazer dentro da empresa. Existia? Como as pessoas se portavam? Como era essa coisa do relacionamento, né, entre as pessoas?

 

R-  Olha, era intensa, sabe? Na época da Light mesmo fazia-se muitas excursões.

 

P/1 -  Excursões pra onde?

 

R-  Excursões, por exemplo, nós íamos aqui, por exemplo, pra Cubatão, que era uma coisa, né, pô, você pegar um ônibus e ir pra Cubatão, visitar Cubatão. Hoje você vai e em meia hora você tá lá. Antigamente era...sabe era uma coisa assim até... pô, pra você era uma viagem que você ia fazer, né?

 

P/1 -  Era difícil o meio de transporte na época?

 

R-  Tinha excursão pro Rio de Janeiro. O pessoal ia, porque era a Light São Paulo e Rio, né, então você ia fazer visita no Rio, né?

 

P/1 -  E a empresa que promovia tudo isso?

 

R-  Era... era a empresa que promovia, ela também fazia, mas era mais um grupo de pessoas. Os grêmios que existiam, né, existia o GRA na época. Existia alguns grêmios dentro da empresa que... que fazia esse tipo de...

 

P/1 -  E, assim, esses grêmios, eles recebiam um grande apoio da empresa? Como que funcionava essa questão de incentivo?

 

R-  Olha, eu não me lembro disso, mas não era... tinha um incentivo. Pra ser sincero eu não estou a par, porque eu não fazia parte assim... dessa, do pessoal mesmo que tava...

 

P/1 -  Então você não atuava muito ainda no lazer né?

 

R-  Não. Nessa época não... eu era mais, era mais um participante do que... né?

 

P/1 -  E assim depois, né, disso e aí qual foi o seu próximo passo dentro da empresa?

 

R – É eu como técnico ouve há... eu ainda como desenhista na época houve há descentralização de novo, como foi crescendo, crescendo foi dividido de novo em regionais

 

P/1 -  É e como que funcionou esse processo?

 

R-  E ai... quando ele teve a divisão aí começou a separar o pessoal, então por... local onde morava, mais fácil. Então como eu morava na cidade em Osasco, no Butantã na época já, eu fui pra... pro Jaguaré foi uma regional Sul que foi chamada, então eu fui pra Sul ainda como desenhista tal, mas já estudando, né, e o pessoal e outros amigos foram pra outros um foi pra Norte, outro pra Leste e foi essa divisão, né?

 

P/1 - Mas... você tinha, assim, bastante contato, assim, uma grande proximidade, né, com essas pessoas como que ficou essa... essa infusão, né? Infusão não, ou melhor... divisão.

 

R-  É... eu sei, quando você para assim você perde o contato, entendeu? Você tem muitos amigos que eu perdi realmente o contato, não tinha mais contato.

 

P/1 -  E as pessoas sentiram muito isso dentro da empresa?

 

R-  É, senti, eu não sei se sentiram pra... eu... eu acho que quando se muda você já forma novas amizades e parece que você esquece, você entendeu, pra mim, eu vejo isso, você esquece. Então, houve essa... essa mudança, essa... descentralização depois teve outra descentralização novamente aí eu fui pra cidade de Osasco, houve outra mudança, fui pra regional Sudoeste, aí fui pra Osasco, aí fui já como técnico, né, pra Osasco ai quando eu passei pra técnico eu não me recordo a data. Foi logo que eu fui pra cidade de Osasco que houve essa...é que eu comecei a participar mais do clube.

 

P/1 -  Ah, tá. 

 

R-  Porque como ficou longe, entendeu, então...existia já a ADC [Associação Desportiva Cultural], né, na época ...já tinha havido alguma fusão de... alguns clubes, né, de... de alguns grêmios, então começou haver os campeonatos que era todo feito aqui na cidade, né, então a única pessoa que tinha essa disposição pra formar time, pra formar...era eu, na época, e alguns amigos também, então eu vinha de lá pra cá pra fazer inscrição pra fazer e tal...então eu comecei a vir a participar mais do clube assim, entendeu, como...um integrante do clube vamos dizer do clube como um... representante, né, eu era um representante, então eu vinha fazia inscrição do pessoal fazia... pra participar do... desses campeonatos internos que começaram a ser feitos dentro da empresa.

 

P/1 -  O que te levou a participar tanto do clube?

 

R-  Foi gostar desde da época que... que... desde quando entrei na empresa sempre participei, né, dos grêmios existentes, como atleta, não como...

 

P/1 -  E o que assim... quais as atividades os grêmios exerciam na época?

 

R- Olha, essencialmente, mais o que acontecia na... na época era o campeonato de futebol de salão, né, e campo.

 

P/1 -  E campo?

 

R-  E como a Eletropaulo tem mais homens que mulher, mais... masculino que predomina, né, então era mais campeonatos pra... pra homens, então era mais campeonatos de futebol de salão, então mais participava mais mesmo era futebol de salão.

 

P/1 -  E as esposas, filhos não participavam juntos? Não iam assim, por exemplo, assistir aos jogos de futebol ?

 

R-  Iam... no meu caso não, que eu não era nem casado ainda nessa época, né, então... eu ia só mesmo.

 

P/1 -  E como que era o campo, que você estava falando do campo, tal e como era esse campo da Eletropaulo era época Light, né, ainda?

 

R-  É, eu... na época Light não tinha campo.

 

P/1 -  Não tinha?

 

R-  Tinha um campo que era na... no Glicério, se eu não me engano, mas que eu não cheguei a participar, porque não era na minha época, né? No... no meu tempo não tinha mais campo...

 

P/1 -  Sei...

 

R-  Já tinha terminado, tinha um campo na Piratininga, mas era difícil jogar, porque tinha um grêmio meio separado e o pessoal tinha um certo ciúme pra que se usasse, tal. Então era usado o campo do CERET [Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador] e 7 de Setembro era o campo que era alugado pelas...

 

P/1 -  Aí você estava falando do clube, né, e esse clube como é que era? Quais as atividades que eles promoviam?

 

R-  Do... da ADC? Da (ADACEL?), né, na época, né, eles promoviam justamente esses... era muito departamental que fazia, né, era os bailes que sempre fazia, então eu participava, assim, participava de todas as atividades do... do grêmio eu participava, né?

 

P/1 -  E tinha os campeonatos, né?

 

R-  Os campeonatos.

 

P/1 -  Nessa época já tinha mais atividades assim direcionada pra mulheres ou as mulheres ficavam de lado?

 

R- Tinha... tinha atividades, mas não era tanto, não era tão...tão grande como para os homens, era pouco as atividades pras mulheres, eu não me recordo bem das atividades pras mulheres, depois quando passou pra a ADC, começou ter mais atividade mesmo para as mulheres.

 

P/1 -  Para as mulheres?

 

R-  É

 

P/1 -  E aí? Que tipo de atividade começou a ser criada?

 

R-  Só... vôlei masculino... vôlei feminino, basquete feminino, tênis de mesa, é... hand [handebol] feminino, e começou a incrementar mais esse tipo de esporte feminino, né?

 

P/1 -  E assim como representante, né, você enfrentava algum tipo de dificuldade pra poder assim... realizar, né, realizar as propostas?

 

R-  Bom na... na época a dificuldade que eu tinha era de deslocamento, né, pra você ir sair da cidade de Osasco, ir pra cidade tal, né, na época, né, dificuldade você tinha ... o horário também, era o horário noturno, então você era obrigado a sair ... para ir participar ou sábado e domingo você tinha que...que, né, dificuldade, assim pra participar eu nunca tive. Quando eu comecei a... quando eu fui convidado para ser dirigente começou ficar mais difícil, né? Então, na época já passando pra minha época assim que... eu tava em Osasco quando houve em 80, que o Takeo [Alberto Takeo Shimabuyoro] era o presidente da ADC, então eu comecei a participar mais ativamente, porque começou a fazer os campeonatos mais intenso, mais...  maior, vamos dizer assim, com mais modalidades, né, então pra você organizar era muito difícil, porque você pega um número muito grande de atletas, você conseguir é... unir esse número de atletas para poder participar era difícil. Então você tinha que correr vários municípios. Por exemplo, a cidade de Osasco, eu falo mais de Osasco onde eu fiquei mais. Então 14 municípios. Então você tinha que correr todos esses municípios pra requisitar atletas pra participar, tá entendendo?

 

P/1 -  E qual a forma de comunicação que vocês usavam pra poder engatilhar todo esse pessoal?

 

R-  Ou era via telefone, né, e indo no local. Visitando mesmo.

 

P/1 -  E o pessoal participava ou tinha gente que relutava um pouquinho pela questão...

 

R-  Não. O pessoal participava. O pessoal gostava. Sempre participou e sempre quis que houvesse, realmente, uma pessoa, né, pra poder cuidar disso tudo, né?

 

P/1 - Por exemplo, isso te atrapalhava assim no serviço, né, lá da empresa. Como que... porque aí você começou a ter mais, assim, atividades dentro do clube né? Como que funcionou isso.

 

R-  É... eu procurava conciliar. Como eu era uma pessoa que trabalhava no campo, né, eu trabalhava no campo. Tinha um carro da companhia a disposição. E eu corria todos os municípios, pra mim era fácil. Você entendeu? Então eu indo pra qualquer município eu passava, dava o recado e acabou. Era coisa rápida não tinha problema nenhum. Então, pra mim, a coisa era fácil, não era difícil, muito difícil. Quando eu era representante apenas, né? Depois disso teve a eleição do Takeo. Takeo perdeu depois, né, entrou outro grupo. A participação também... continuei participando mesmo com o outro grupo sendo... Presidente da Associação, mas era mais devagar. Não era tão intenso como na época do Takeo...

 

P/1 -  É? Qual a diferença, assim, mais gritante?

 

R-  A diferença que não tinha é... não tinha... eles não tinham muita organização pra fazer, né? Faltou muito, faltava muita organização. Então isso dificultava muito, sabe? Até o problema da comunicação com as chefias, precisava ter e eles não tinham muito... o relacionamento como chefia era difícil, então isso tudo prejudicava, né? O Takeo não, já tinha esse relacionamento mais fácil. Então, o que tornou... era mais fácil para mim, na época, poder assumir algum compromisso, porque tinha o respaldo dele, né? 

 

P/1 -  Só voltando um pouquinho a questão dos grêmios. Você chegou a participar de algum grêmio, aí...  Marinheiro?

 

R-  Participei. Eu participei do Faísca na época, que era na 7 de Abril. O Faísca foi um grêmio que foi formado, né, e essencialmente ele não tinha, não fazia atividades, né? Ele fazia mais, ele... era um grêmio onde quis se formar, quis se criar corpo, mas foi difícil. Não tinha como fazer, né, então ele começou e só dava algumas atividades assim, era excursão que fazia.

 

P/1 -  Excursão pra onde? Cubatão?

 

R-  Não, não. Era excursão... dentro do próprio São Paulo. Porque existem vários locais, dentro da própria empresa que são pitorescos, né?

 

P/1 -  Tipo o quê?

 

R-  Nós temos, por exemplo, tinha a ... aqui pro lado de Sorocaba, aqui pro lado de, de... Pirapora, né? Eram locais dentro da própria empresa que fazia esse tipo de excursão. 

 

P/1 -  Então o Faísca levava as pessoas pra conhecerem.

 

R-  Geralmente era time de futebol, né? Então o grêmio realmente foi formado pra levar os times de futebol pra jogar. Então você, dentro da própria empresa, você fazia várias excursões pra jogar contra os próprios companheiros da empresa, né?

 

P/1 -  E quem assim, fundou esse Faísca? Quem idealizou?

 

R-  Eu não lembro agora, viu? Sinceramente, eu não estou lembrado...

 

P/1 -  E na época tinha muita gente que participava do Faísca?

 

R-  Tinha, bastante. 

 

P/1 -  Ou era só...

 

R-  Tinha bastante gente, mas não lembro agora quem fundou o Faísca. Eu não lembro realmente. E tô, não me recordo agora.

 

P/1 -  E as mulheres, chegavam a participar do Faísca?

 

R-  Participavam, participavam...

 

P/1 -  Além do futebol, tinham algumas outras atividades esportivas ou não?

 

R-  Não... campeonatos pequenos de dominó, de dama. Não era coisa...

 

P/1 -   Tá. E aí agora voltando mais um pouquinho assim pra frente, né? É... na questão assim da diligência, né? Você chegou, tava assim como representante, aí você passou pra diligência né. E daí, como que foi sua trajetória?

 

R-  Veja bem. Aí foi uma ... uma proposta de campanha do Takeo, na época, que ele ia descentralizar, né, os recursos da própria ADC, da ADC para poder crescer, para associação poder crescer. Então a proposta de trabalho dele era de descentralização da associação, né? E formar as regionais.

 

P/1 -  E por que descentralizar?

 

R-  Justamente porque a empresa, ela é muito, ela é descentralizada, né? Se ela fosse uma empresa num local só, por exemplo uma Volkswagen, que ela é um local só, você faz um grêmio do lado e acabou. Então ali todo mundo... participa. Mas a Eletropaulo não. São 74 municípios, cada município tem... tem local que tem 30, 40 pessoas, 50, outras tem 100, 200 e para você ver, para você ver um pessoal, por exemplo, de cruzeiro se deslocar aqui para capital, para vir no nosso clube aqui é difícil. Então o que é essa descentralização? Os próprios... os recursos seriam revestidos para ajudar o pessoal desse local, entendeu? Então, por exemplo, uma mensalidade cobrada, 80% dessa mensalidade, ela retorna para a sede, vamos dizer, para essa regional. Para que lá ele... ele consiga fazer com que o pessoal participe lá no local dele. Então essa foi a proposta de trabalho dele e também das regionais aqui da capital, porque até então, nós não tínhamos a Praia do Sol, que é o clube que nós estamos formando agora, não tinha, entendeu? Então essa foi a proposta de trabalho dele e nessa proposta ele me convidou pra, por exemplo, pra participar da campanha, tal. E fazer essa descentralização.

 

P/1 -  E o pessoal aceitou bem essa proposta?

 

R-  Aceitou... tanto é que nós fizemos campanha em cima disso. Que essa reversão teria esse retorno garantido, né? Em função disso o pessoal aceitou, inclusive acho que isso culminou com a vitória do Takeo realmente, que foi uma proposta que devia ser cumprida, né? E quando terminou, logo que terminou... ele saiu vitorioso, ele me convidou a ser o Vice-Presidente da regional Sudoeste. É justamente em Osasco, onde eu estava né.

 

   

P/1 -  E como Vice-Presidente você fazia o quê? Qual era a sua atividade?

 

R-  Bom, era levar avante aquela proposta que nós tínhamos, que eu tinha pregado até então, dentro da regional. E uma das propostas qual que era? Era o lazer local. 

 

P/1 -  E me diz essa coisa, o que era esse lazer local?

 

R-  Então, lazer local é justamente isso. Como também, veja, não dá pra você formar um clube em cada cidade. Porque é impossível também você comprar um pedaço de terra pra formar um clube. Então o que que era isso: no próprio local de trabalho nos colocávamos alguns aparelhos, né, pra que o pessoal pudesse na hora do almoço, antes da sua entrada ao trabalho e após o expediente, ele poder ali fazer a sua diversão, seu lazer, né, então nós optamos em montar ali mesas de bilhar, de pebolim, de pingue-pongue, xadrez, dama, alguns aparelhos para que o pessoal pudesse ali mesmo fazer esse lazer. Então o que aconteceu com isso, né, a primeira área de lazer local foi eu quem montei na cidade de Osasco, a primeira área de lazer.

 

P/1 -  E como que era?

 

R-  Era... veja bem foi coisa meio difícil na época, né? Porque nós tínhamos levantado esse ... essa bandeira de colocar o lazer local e quando eu fui montar, porque nós tínhamos um espaço muito grande, sabe, nessa regional, quando eu ... bom, agora tem que fazer o trabalho ai de... ganhar o meu Superintendente pra que me deixe colocar esse material aqui, como é que eu vou fazer agora?

 

P/1 -  E foi fácil ganhar?

 

R-  Eu briguei, olha foi difícil viu!  Eu lembro que eu entrei na sala do Superintendente e ele pegou falou... eu falei: “Olha, doutor Angelo, eu quero montar uma sala de lazer aqui, né, trazer uma mesa de bilhar, uma mesa”... [Ele] foi radical: “Não e acabou”. “Eu sou contra e não gosto de esporte” falou bem assim pra mim. Eu: “Poxa, mas vamos tentar não custa, né?” Ai não. Saí dali: “Puxa vida e agora?” E aí insisti novamente, voltei lá depois, conversei com alguns outros chefes, vamos tentar, vamos conversar, né? E eles também dando uma força, né, até que chegou um dia ele cedeu, falou: "Bom, vamos fazer uma experiência, mas eu não gosto, qualquer coisa que acontecer você vai ser o responsável”... “Não tem problema eu assumo toda a responsabilidade" e nisso eu botei a primeira área de lazer e foi feita uma inauguração, tudo, né? E foi uma surpresa pra mim, que deu certo realmente, né? Que o pessoal ficou todo entusiasmado. Que depois em um ou dois meses ele era o primeiro cara a tá lá jogando seu bilhar de manhã, na hora do almoço, sabe? Ele mesmo sabe? Que era uma pessoa tão fechada tal, daqui a pouco ele mesmo se ... se abriu.

 

P/1 -  Então o pessoal aceitou bem, né?

 

R-  Aceitou, tanto é que dali nós montamos em toda Sudoeste, em cada setor, em cada agência, em cada... nós montamos uma área de lazer.

 

P/1 -  E qual foi seu próximo passo?

 

R-  Eu queria falar até ainda sobre a área de lazer ...

 

P/1 -  Então vamos lá.

 

R-  Sobre alguma coisa que... eu achei importante nessa... coisa foi uma vez que eu fui no setor de trabalho, né? Eu fui no setor de trabalho e uma pessoa me procurou, né, e falou que eu tinha modificado a vida dele. Eu falei: “Mas modificado como?, falou: “Porque você montou essa área de lazer aqui, e foi nessa história... de setor de iluminação pública”. Eu: “Bem mas... eu acho o que fiz, né, uma coisa natural” e ele falou: "Não, sabe o que acontece? Eu quando recebia o pagamento eu saía daqui da empresa, ia no bar ao lado jogar bilhar, gastava meu dinheiro, bebia, chegava em casa bêbado e sem dinheiro e minha mulher brigava comigo. Hoje não, eu fico aqui até 8, 9 horas jogando bilhar, não bebo, não gasto dinheiro, vou pra casa lúcido e minha mulher tá contente comigo." Então, você vê que a coisa social foi muito importante nisso tudo, né? E isso hoje tem várias experiências que... entendeu?

 

P/1 -  Por que... além da mesa de bilhar, você tinha mais alguma outra coisa dentro dessa área de lazer?

 

R-  Tinha, pebolim, tinha pingue-pongue, dama, xadrez...

 

P/1 -  E o pessoal podia, assim, aproveitar, né? Usufruir dessa área assim, né, além do... da semana de trabalho?

 

R-  O funcionário sim.

 

P/1 -  Sim

 

R-  Sim.

 

P/1 -  E assim, tipo ... então os filhos não, né? Se quisesse jogar era mais difícil...

 

R-  Não, porque é local de trabalho, né? É difícil você deixar o acesso. Então, até então, a família ainda estava sendo prejudicada nesse, né?

 

P/1 -  E assim... né, diante disso, vocês não pensaram, assim, em adotar alguma outra medida pra poder, assim, integrar a família?

 

R-  Sim. Aí... foi realmente a construção do clube, né? Foi o que também era uma bandeira que... que o Takeo tinha colocado e que... que teríamos que brigar muito pra conseguir esse clube, né? Da... de lazer partindo daí de Osasco foi que se expandiu para São Paulo todo, hoje em todo o setor, pessoal começou a procurar: "Pô, tô sabendo que lá tem e vamos tal" e chefias, muitas chefias contra, sabe? Mas aí a coisa foi tomando corpo e a coisa cresceu realmente. Hoje nós temos mais de 150 áreas de lazer dentro da empresa.

 

P/1 -  E... assim... qual o maior benefício, né? Além desses citados, né, dessa área de Lazer? Como... qual sua avaliação em torno disso?

 

R-  O benefício, que eu entendo, foi o crescimento da associação, porque isso fez com que a associação crescesse. Então, muitas pessoas se associavam ao clube por causa dessa área de lazer. E esse foi o crescimento que teve, o impulso que teve a associação foi em função dessa área de lazer.

 

P/1 -  Então isso... assim, ajudou até a formar o clube, construir o clube...

 

R-  A crescer... entendeu?  A regimentação de associados, isso fez com que a própria empresa, ela visse a ADC como uma coisa forte, uma instituição... forte, né?

 

P/1 -  E nessa época, você tava ligado assim a empresa? Ou você só estava...

 

R-  Sim, a empresa. Eu tava na empresa. Tava trabalhando normalmente. Em função desse crescimento todo, né? ... desse... da minha performance, vamos dizer assim, frente a Vice-Presidência... regional, o Takeo me convidou a ir fazer a coordenação das regionais, de todas as regionais que existiam, na época, mais ou menos 32 regionais.

 

P/1 -  Tá... Tinha a questão do Conselho de Lazer, né. Ele está relacionado com essas áreas de lazer. O que que é esse Conselho de Lazer?

 

R-  O Conselho de Lazer é o seguinte: com o crescimento da associação... da ADC, nos chamávamos da ADC central, né, que existiam vários grêmios dentro da empresa, né, e a própria empresa ela se achava... achava difícil essa negociação, como... cada um Vice-Presidente, por exemplo, tinha que negociar com ela verba, negociar para poder cada grêmio desse se desenvolver. Então, a própria empresa, ela chamou todo pessoal, através do Recursos Humanos pra fazer uma composição... pra todos se unirem e fazer um clube só. Por que vários grêmios dentro da empresa? Então vamos formar um clube só, uma coisa só. Então, a própria empresa, através do setor de Recursos Humanos fez uma reunião com todos os clubes pra poder fazer essa fusão, para fazer essa unificação de clubes, entendeu? Para... por causa justamente dessa... da negociação que era muito difícil, por que era muita gente...então a empresa...então cada vez entra um, entra um Presidente de empresa como a Eletropaulo, como a Light tem que ficar negociando, né? Então houve essa... esse entendimento pra que se houvesse um estudo, um trabalho, para que formasse uma comissão e dessa comissão saísse essa fusão dos clubes.

 

P/1 -  Isso daí já era um pouquinho... posteriormente a essa questão da área de lazer, só... situa pra mim melhor.

 

R-  Era depois da área de lazer.

 

P/1 -  Era depois?

 

R-  Era depois... o clube já estava crescente...

 

P/1 -  Ah tá...

 

R-  Já tinha crescido, já tinha seu número de sócios, já tinha passado dos seus 1.000 sócios para 5.000, alguma coisa nesse sentido, né, então... aí houve, começou essa discussão sobre a unificação dos clubes.

 

P/1 -  E. então voltando a questão dos clubes, né, como que foi criado?

 

R-  O clube? ... A ADC?

 

P/1 -  Não. O clube que você tava falando que era uma das propostas do Takeo.

 

R- Sim.

 

P/1 -  Que tinha a primeira...

 

R-  Sim, você tá falando a área... o... você tá falando a sede onde vai ficar o clube realmente.

 

P/1 -  Isso.

 

R-  Então, aí... quando eu comecei a participar do ... já como coordenação... como coordenador, né, então nós começamos, eu juntamente com Seu Vargas... a percorrer toda área da Eletropaulo para saber onde existiam os terrenos ociosos, vamos dizer assim, para fazer formação de clubes. A Praia do Sol que hoje é um clube, já tinha um projeto, já tinha uma proposta, sabe, pra fazer a doação desse terreno, né, pra fazer, pra poder construir ali o clube. Já existiam propostas, várias propostas, tempo, ao longo do tempo tava essa discussão toda e “vai sair, não vai”. Entrava Governo, saía Governo e nunca saía, entendeu? Então, com o crescimento, com esse crescimento, o número de associado aumentando... a empresa, acredito, que sensibilizou e também na época o Governo Montoro [André Franco Montoro governou o Estado de São Paulo entre 1983-1987] foi importante, porque ele foi uma das pessoas que realmente cedeu pra nós aquela ... o clube, que hoje tá sendo formado as margens da represa de Guarapiranga. Ele cedeu em comodato para a associação. Então, na época, nós saímos em caça, a caça de vários terrenos que estavam ociosos, né, em várias regionais, para que cedessem, para que pudéssemos formar o clube, né? Não só aqui, porque no interior como é que ia fazer? ... então nós fomos pro interior todo procurando terreno, consultando cadastro de... mobiliário da empresa, pra saber onde ela tinha terrenos que estavam ociosos, tal. Pra poder ir formando o clube não só aqui na capital, mas também no interior. Foi quando começou a formação realmente do clube. Então, hoje nós temos vários clubes em atividades já, em andamento, né, funcionando, em função desse trabalho que foi feito, de justamente de pesquisa, né, pra você poder encontrar esses terrenos. Então, passando essa autonomia para o pessoal, para os Vice-Presidentes eles começaram a eles mesmos a formar esses clubes... partiu daí a formação do clube. O crescimento do clube e a construção do clube em si. E aqueles locais, onde não existiam terrenos disponíveis, nós passamos a comprar. Teve alguns casos que compramos. No interior é fácil de você comprar, porque o terreno é barato. Não é que nem na capital.

 

P/1 -  Então tá. Nessa época você já tava casado, né? Como que tava...

 

R-  Já, já. Eu casei em 1980, né? Foi justamente quando o Takeo saiu da presidência que ... aí... quando ele voltou eu já estava casado, já tinha meus filhos inclusive...

 

P/1 -  E a sua esposa trabalhava na Eletropaulo?

 

R-  Não

 

P/1 -  Não.

 

R-  Minha esposa trabalhava na Copersucar [comercializadora de açúcar e etanol]. Mas quando nós casamos ela foi mandada embora e daí ela não... ela ficou só mesmo no lar... cuidando do lar e não retornou mais a atividade profissional dela, ela parou, né?

 

P/1 -  E ela participava dessas atividades, no lazer?

 

R-  Eu sempre falo que hoje, trabalhar com o lazer não é fácil. É muito difícil mesmo, toma todo o seu tempo. E é uma coisa difícil pra família, sacrifica muito a família. Graças a Deus eu só consegui realmente... me desenvolver um bom trabalho, em função da minha família. Da minha esposa que realmente me deu toda a força, ela me deu todo o incentivo que eu precisava, sabe? Meus filhos também. E isso fez com que eu realmente pudesse desenvolver um bom trabalho dentro da associação. Foi... foi difícil, foi muito sacrificado, né... eles, mas, graças a Deus deu certo, né?

 

P/1 -  E eles participam bastante?

 

R-  Participam bastante. Meus filhos, minha esposa. Participam, estão comigo sempre...

 

P/1 -  É... E, assim, que atividades que eles gostam de fazer? Assim, lá nos clubes, né?

 

R-  Bom, o Fernando hoje ele tá... pratica judô... né, ele faz natação, joga bola... começou a jogar... Participam mais no clube assim, indo lá, piscina e tal. Brincadeiras, né? Quando tem festas, sempre estão, quando tem baile. Hoje já até a minha filha eu já tô até levando já...

 

P/1 -  E que tipo de baile tem?

 

R-  Festejam baile de aniversário, temos o baile de Anos Dourados ... foi colocado. Temos dois bailes no ano, né?

 

P/1 -  E aí você vai acompanhando. Isso daí são dois bailes gerais. E pra criançada, não tem mais nada? 

 

R-  Não. Por enquanto, não. Justamente, nós estamos querendo... fazer nosso clube... terminar logo nosso clube, né? Pra poder em época de carnaval, em época ... fazer mais atividades, né? Hoje nós fazemos festa junina, festa da criança... entendeu? Festa de fim de ano, quando eles participam, mas é... no tempo, não é sempre...

 

P/1 -  E atualmente, qual o seu cargo dentro da ADC?

 

R-  É, quando eu, quando eu fui convidado pelo Takeo para, para vir para associação... eu vi... passei a ... eu senti que eu teria que crescer também, não só, né... teria que crescer intelectualmente, né? Então fiz uma faculdade depois disso... agora foi em 86 que eu entrei na faculdade...

 

P/1 -  Que faculdade?

 

R-  Fiz Administração de Empresa, né, Faculdade de Osasco o ________. Então terminei minha faculdade, e estou desenvolvendo... hoje passei por alguns cargos dentro da associação...

 

P/1 -  E quais?

 

R-  Depois da coordenação, eu fui Vice-Presidente de esporte e lazer, de social...

 

P/1 -  E o que você fazia?

 

R-  Nesse... nesse tempo aí, eu fazia... desenvolvia, eu desenvolvi Olimpíada, participava dos jogos do SESI [Serviço Social da Indústria]. Ganhei... participava não, organizava, né, porque os jogos do SESI é o maior evento existente entre empresas, tá? Quando eu fui para a área de esporte e lazer, eu tive uma tarefa que foi muito difícil que foi o de... nós tínhamos ganho... três, duas vezes o troféu geral, né, e pra você ganhar, você precisava ganhar mais uma vez pra ficar com ele definitivo. E foi na minha gestão que nós ganhamos o troféu geral do SESI... um troféu importante que tá lá... 

 

P/1 -  E pra ganhar assim essa conquista, né? O que vocês fizeram nesse sentido?... Pra regimentar o pessoal... porque é necessário, né?

 

R-  Sim, exato. Bom, existe os torneios internos da associação. Que são os jogos interdepartamentais e os jogos... e a Olimpíada da ADC. E esses jogos é que dão base pra que você retire desse conjunto todo os jogadores, os atletas que vão participar desses jogos do SESI. Então eles vieram. Nós fazemos uma seleção de jogadores... pra poder participar dos jogos do SESI. Em função disso é que nós conseguimos ganhar esse troféu geral. Com a equipe também é importante. Uma equipe que nós tínhamos de trabalho que conhecia todos os... todos os ....

 

P/1 -  Macetes...

 

R-  Tudo que acontecia no SESI, né, então em função disso, nós utilizamos todos os recursos que nós precisávamos para ganhar, entendeu? Com recursos, com tua... nós entrávamos com recurso contra algumas empresas e aí nós conseguimos ganhar o troféu geral.

 

P/1 -  Você tava falando de Olimpíada, né?! Que tipo de Olimpíada a ADC promovia? 

 

R-  A Olimpíada da ADC ela acontece de dois em dois anos. Então a ... a olimpíada da ADC ela envolve todas as Superintendências. Ela é a nível de Superintendência, tá, e tem todas as modalidades. Natação, futebol de salão, vôlei, basquete, dama, dominó, xadrez... sabe? Feminino e masculino. Quase todas as modalidades.

 

P/1 -  E quando surgiu? Sempre teve olimpíada na ADC?

 

R-  Não. Ela surgiu... parece que essa daqui, se eu não me engano, é a sexta olimpíada.

 

P/1 -  Sexta?

 

R-  Essa última que teve agora. Sexta olimpíada. 

 

P/1 -  Tá e depois assim, bom ... você ajudava a organizar, né? As olimpíadas esses...esses eventos todos. Na época qual era seu cargo na ADC?

 

R-  Vice-Presidente Esporte e Lazer.

 

P/1 -  Vice–Presidente, tá.

 

R-  E social também. Além de.... do ... organizar os jogos, né, fazia também baile...

 

P/1 -  Ah! Tá. O social, então...

 

R-  Estava comigo também. É, nessa época, estava comigo...

 

P/1 -  Por que os bailes são uma coisa recente ou sempre teve?

 

R-  Não, sempre teve, sempre teve.

 

P/1 -  Você só organizava essa questão, né?

 

R-  Você faz os contatos, você aluga o salão, você tem que ir atrás. Porque nós não temos salão próprio, né? Então você é obrigado a fazer todos esse é... preparar tudo pra poder ter o baile, né?

 

P/1 -  Me diz uma coisa, né, voltando um pouquinho... essa coisa da fundação da ADC. Você teve uma participação intensa, na organização... pra criar a ADC?

 

R-  Eu tive como membro do conselho, né? Então eu participava do conselho. E... eu tive mais, da fusão dos clubes, sim eu tive essa participação, que foi o conselho de lazer. Aí eu tive uma participação efetiva, né, porque... quando a empresa fez a convocação dos grêmios pra poder, é... fazer a unificação... existia... tinha que ter um mediador, vamos dizer um presidente do conselho. E o primeiro foi o Arnaldo Jubeline Junior que foi o presidente, né, onde participava todos os grêmios, mais a empresa. A empresa também participava junto, através do RH (Recursos Humanos), setor do RH. Então, houve ... o Arnaldo ficou um período, né, e o segundo período precisava de ter uma segunda pessoa e eu fui eleito para ficar como presidente nesse último período. Então eu fiquei a... demorou três a quatro meses essa discussão. Você reunindo semanalmente, ou quinzenalmente, não me recordo, pra poder chegar culminar com essa fusão dos clubes, entendeu? Porque existiam muitos interesses, e tal, entendeu? Uns para que houvesse, outros para que não houvesse... entendeu? E daí, eu me sinto até feliz, que na época eu era o presidente e culminou com a fusão dos clubes, todos aceitaram. Tiveram três que não, que não quiseram fazer parte. Saíram fora, e a maioria se unificou. E aí cresceu mais a associação. Foi quando ela cresceu mais ainda.

 

P/1 -  E como os funcionários, assim, eles se posicionavam em relação a ADC, que estava sendo criada. Eles aceitavam bem a ideia?

 

R-  Os funcionários da ADC?

 

P/1 -  Não, da empresa.

 

R-  Não, eles aceitavam a ideia. Existiam alguns dirigentes que ficavam meio, né, com o pé atrás. Porque nós temos todo um poder, né, nós vamos passar tudo isso pra ADC e como é que vai ser? Mas os funcionários em si aceitaram bem a ideia. 

 

P/1 -  Você se lembra na época com quantos sócios a ADC tinha? Contava, né?

 

R-  Eu não me lembro. Em torno de 3.000 - 3.500, se eu não me engano.

 

P/1 -  É. A empresa nessa época tinha quantos funcionários?

 

R-  22.000 funcionários.

 

P/1 -  22.000? Tá, em toda São Paulo, né?

 

R-  Ahh! Em todo Estado de São Paulo. Todo Estado de São Paulo. Todo Estado.

 

P/1 -  Tá, então, e ... depois disso, né, assim, depois ... na diretoria, né, além dessa organização de eventos, tal, qual a sua grande tarefa, a sua grande atividade?

 

R-  Bom, foi conquistar justamente esse troféu do SESI e organizar uma olimpíada, que eu também organizei uma olimpíada, organizei um ... jogo... um interdepartamental também organizei. Fiz alguns... minha grande tarefa foi, foi uma que eu fiz o ano passado, esse ano também foi repetido, foi fazer uma festa junina, né, na Praia do Sol.

 

P/1 -  Foi a primeira festa junina?

 

R-  Junina foi a primeira, entendeu? A gente teve uma participação grande do pessoal lá da empresa, né, e aí eu acredito que eu deva ficar agora no calendário e todo ano fazer essa festa junina, entendeu?

 

P/1 -  É, é uma coisa...

 

R-  E aí eu tive que mudar, novamente houve uma mudança, porque todo ano, de dois em dois anos nós fazemos o rodízio de diretores. Então um vai para uma área, outro vai para outra pra todo mundo tomar conhecimento de tudo, né?

 

P/1 -  Me diz uma coisa, Marinheiro, após a estatização da empresa. Houve alguma mudança da empresa frente a ADC?

 

R-  Houve. Eu acredito que sim... que... houve essa... vamos dizer... em termos de lazer eu acho que o crescimento do lazer ele só aconteceu após essa estatização. Foi quando... é... o Governo, realmente autorizou para que nós fizemos,... partindo já dessa fusão de grêmios e também com liberação desses comodatos  dentro da empresa, para que nós pudéssemos criar ali um centro de lazer. Então eu acredito que houve um crescimento.

 

P/1 -  E como a empresa vê a sua participação na ADC?

 

R-  Olha, eu acredito que vê com bons olhos. Eu acredito que ela deva hoje... é... deve entender que, deve entender que eu sou parte integrante de toda essa... conjunto da empresa, né? E eu tenho uma participação importante no lazer, né, da empresa. Eu acho que ela vê, apesar de nós sermos um pouco discriminado, vamos dizer assim, em relação a nossa... nosso crescimento profissional, né? Mas eu acredito que hoje ela entende, que é importante a nossa atividade, a nossa ação, entendeu?

 

P/1 -  Por que ... vocês são discriminados?

 

R-  Porque não existe uma política, vamos dizer assim, de... entendeu, de desenvolvimento profissional nosso. Ela ficou estagnada, ficou parada. Não existe uma política. Quer dizer, nós somos, vamos dizer assim um pessoal que... quando você fala em lazer é um pessoal que não faz nada, que tá lá, entendeu...Então eu acredito que isso, ela não dá muita importância... não criou a política, por exemplo, de crescimento profissional.

 

P/1 - Mas e você? Como você se vê, né, enquanto um profissional de lazer?

 

R-  Eu me vejo... eu entendo que eu... estou... vamos dizer assim, desenvolvendo bem essa atividade, né, apesar de eu não ser um profissional, né? Não estudei pra isso, né, é uma coisa mais pessoal, é uma coisa mais... mas eu vejo que eu estou desenvolvendo bem. Estou brigando para que o pessoal... para que o funcionário tenha uma atividade de lazer, para que sua família tenha condições de lazer. Estou fazendo um papel importante nesse setor. Eu, juntamente com meus amigos... de associação, estamos trabalhando para que o funcionário e sua família tenha realmente alguma coisa de lazer.

 

P/1 -  Nesse sentido, qual o seu próximo objetivo?

 

R; Não, é continuar trabalhando como sempre trabalhei, sem ter grandes pretensões. Eu acredito que não é isso. Pra mim tudo é uma consequência, tudo que aconteceu pra mim foi consequência. Eu nunca briguei por cargo, fiquei atrás de cargo, nada. Tudo pra mim foi consequência, entendeu? Tudo que aconteceu comigo foi uma consequência. Foi um convite, foi... uma consequência de um trabalho feito.

 

P/1 -   E qual é a próxima meta da ADC?

 

R-  É terminar a Praia do Sol, né, desenvolver nosso centro de lazer que é tão esperado, né... e partir pro ... pra arregimentar o maior número de associados. Aquele pessoal que ainda não acredita, ainda não veio, para que ele venha ajudar, para que ele venha compor essa família toda do clube, né? 

 

P/1 -  E pra finalizar. Você tem mais alguma coisa a dizer, que você acha que ficou faltando?

 

R-  Não, eu acredito que ... deu pra dar uma... em linhas gerais, né, ... deu pra dar uma visão do que a minha participação dentro do clube como que foi... como deve ser e como será daqui pra frente. Eu acredito que ... não tenho nada assim a acrescentar. Acredito que tenho... disse tudo que deveria, né?

 

P/1 -  Então tá bom.... Só uma pergunta, Marinheiro, como você avalia essa questão de ter sido chamado para esse depoimento, a importância desse depoimento para história da ADC?  

 

R-  Olha, eu... de uma importância muito grande. Muito relevante esse trabalho, né, porque é uma memória da associação, memória da empresa, memória do clube, memória do pessoal que passou pelo clube, que participou desse crescimento do clube, né? Eu acho importantíssimo esse, esse tipo de... de trabalho. Esse trabalho, né, esse projeto, né, então, entendo que essa é uma nova fase da mídia e que deve, deva deixar na memória daqueles que vão ver pro futuro, né? Tudo aquilo que passou, que hoje em dia o povo esquece muito fácil o que acontece e se não tiver alguma coisa que relembre, que o pessoal consiga rever. Eu percebo que até nos governos que passam, né? A coisa passa e daqui a pouco o pessoal esqueceu tudo o que aconteceu. Então eu vejo que a memória nossa, o brasileiro em si, geral, né? É muito... ainda, ele esquece muito fácil das coisas. Eu não sei se é porque o brasileiro nunca passou necessidade, nunca... teve grandes problemas, ele esquece das coisas. Então eu vejo que esse trabalho é uma coisa importante para gravar, pra ficar na memória. Pro pessoal consultar realmente e daqui a 100, 200, quantos anos for, o pessoal saber que teve um... uma sequência, como aconteceu, as dificuldades que houveram para que isso chegasse ao ponto que chegou. Para que isso fosse aperfeiçoando, entendeu? Então, eu acho importantíssimo isso, tá? Parabenizo até a ADC por essa iniciativa de abrir esse... esse espaço.

 

P/1 -  Muito obrigada... muito obrigada.

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