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Esperar na areia / a chegada da baleia

História de: Lia Apolaro
Autor:
Publicado em: 12/09/2021

Sinopse

Aqui, Lia nos conta a história italiana de sua família e sobre como ela veio para o Brasil, a residir em Barcarena. Fala sobre sua infância musical e literata, no centro da cidade. Lia nos conta em pormenores sobre os estudos no Colégio Cônego Batista Campos e a carreira política e financeira de seu pai, personagem marcante de Barcarena. Fala do episódio da baleia que foi pescada por seu pai e, em seguida, a respeito de sua formação como pedagoga.

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História completa

Dizem que alguns dias, antes do dia três de agosto de 1974, uns dias antes, o povo de Barcarena começou a perceber algo que boiava, na maré, algo muito grande e eles pensavam que era boto, cobra grande, chegaram a dizer que era um submarino, pelo tamanho, pela maneira como boiava e afundava novamente. Então, quando o meu pai viu, ele ainda não tinha certeza do que era, mas ele já chamou pessoas pra ajudar. Eles começaram a busca no dia dois, por volta da tarde, assim, era tardezinha e eles começaram a busca pelo animal, né? A caçada. 

Esperar onde ia boiar, onde seria a próxima aparição do animal. E aí eles conseguiram pescar mesmo, pegar, já era o dia três. No dia três de agosto de 1974, foi quando eles conseguiram capturar o animal. E, apesar de ser um filhote, que tinha apenas oito metros e dez toneladas, mas para as embarcações, que eram pequenas, na época e a falta de equipamentos adequados, eles tiveram dificuldade para trazer para a beira, para deslocar o animal, para trazer para a praia. Que foi onde o animal foi cortado, repartido, para a população. Mas foi uma caçada, realmente, bem interessante. Apesar de que, hoje em dia a gente conta como um fato heroico do meu pai, mas ele já, assim, depois de muitos anos, chegava a dizer que hoje ele não faria mais isso. Que ele teria deixado o animal, por ser um filhote, ele teria deixado ir embora, teria ajudado. Mas também ele fala que o animal já estava muito machucado, por causa das pedras, por algum motivo o animal já estava cansado e morreria, de qualquer maneira. Também foi isso que levou eles a caçarem, a matarem e a repartir para o povo se alimentar, mesmo. E o povo comeu a carne da baleia. As pessoas estavam lá para pegar a gordura da baleia, para usar como medicamento. 

Tanto é que tem um relato engraçado de um rapaz da Localidade da Estrada, que a gente chama, que levou numa caixa, dentro do ônibus, alguns pedaços e tal. Queria levar, de Barcarena para lá, uma novidade. Só que, no meio da viagem, o povo começou a reclamar do cheiro forte e aí ele teve de jogar fora a carne da baleia. Não chegou na casa dele com a carne da baleia por conta disso: que o cheiro era muito forte.

E tem outra coisa, essa chegada da baleia foi tão demorada - eu penso assim que nos dias atuais seria rápido, com barco, uma embarcação com potência suficiente, com guindaste, traria rapidamente - que deu tempo do povo, assim, ficar nessa ansiedade toda. E por isso, até hoje, a gente fala que é o “esperar na areia”. Tem a música: “Eu vou, eu vou, com minha turma, esperar na areia, esperar a chegada da baleia”. Então, deu tempo de juntar, chamar a família, chamar alguém que estava longe, alguém que morava em outra localidade, em outra comunidade, em outro igarapé, em outro ramal. Deu tempo de chamar, pra chegar e esperar na areia. E a gente usa muito essa expressão.

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