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História

"Era um sonho trabalhar em um banco"

História de: Norival Majesti da Cruz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Norival nasceu no interior de Minas. Chegou a começar a faculdade de Física na Universidade Federal de Juiz de Fora, mas queria independência financeira. Mudou-se para o Rio de Janeiro com um sonho: trabalhar em um banco. Nessa entrevista, ele nos conta sua trajetória. 

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História completa

P/1 - Boa tarde, Norival. Eu gostaria de começar o depoimento pedindo que você nos forneça o seu nome completo, local e data de nascimento, por favor.

 

R - Norival Majesti da Cruz. Eu nasci em Goianá, Minas Gerais, em onze de janeiro de 1954.

 

P/1 - O nome dos seus pais e a profissão?

 

R - Meu pai, Norval Manoel da Cruz, ele é militar ex-combatente, lutou na Segunda guerra Mundial e minha mãe, Maria Lúcia Majesti da Cruz, ela é do lar.

 

P/1 - Você conhece um pouco a origem da família?

 

R - Nós somos todos da roça. Eu imagino que a geração bem pra trás, talvez os tataravós, tenham alguma ligação com a Itália, mas de família mesmo é só isso.

 

P/1 - Conheceu seus avós?

 

R - Só o meu avô, pai da minha mãe, Nestor Majesti. O resto, todos morreram antes.

 

P/1 - Qual a sua memória em relação a esse avô?

 

R - Era ótimo. Eu o adorava, mas eu convivi com ele muito pouco. [Quando] ele morreu eu tinha treze anos. Já [se] passaram quase quarenta anos, então tive pouco contato também com ele. [Ele era] também da roça.

 

P/1 - Conte um pouquinho como foi a sua infância em Goianá.

 

R - Minha família é muito grande, somos dez irmãos e eu sou o sexto filho. Em Goianá não tinha nada, era roça, então as nossas brincadeiras, nossa vida toda era o que a gente fazia. Não tinha brinquedo, cada um desenvolvia a sua capacidade, cada um criava o que queria brincar. Ficava mais no meio do mato, era subir em árvore, roubando fruta, pescando, pegando passarinho. Não tinha televisão, não tinha rádio, nada.

 

P/1 - Situe Goianá no estado de Minas.

 

R - Goianá fica no interior da zona da mata. Fica a 40 km de Juiz de Fora, sentido de quem vai… Pra lá tem outras cidades menores, Viçosa, Manuel Pacheco. É bem interior mesmo, não consigo situar melhor, acho que é isso.

 

P/1 - E a casa, como era? Como vocês se distribuíam na casa?

 

R - Nós morávamos numa casa de aluguel. Se não me falha a memória, em 59 um irmão do meu pai arrumou um dinheiro pra ele construir uma casa pra gente. Foi nessa casa que a gente foi ter uma vida diferente, um pouquinho melhor. Passamos a ter um espaço nosso, mas passamos pouco tempo lá, porque meus irmãos e eu fomos crescendo e a gente tinha que ir pra algum lugar que tivesse escola, aí mudamos pra uma cidade um pouco maior. Essa casa de Goianá existe até hoje. É uma casa muito grande; eu colocaria hoje como uma chácara, não são essas casas de hoje, que você vive num terreno limitado. Não tinha vizinhos crianças, nada; pra nossa família não precisava de muita criança, já éramos bastante, éramos dez. Acho que é isso.

 

P/1 - E em relação à escola, em Goianá tinha primário?

 

R - Em Goianá tinha só o primário - Grupo Escolar Tolomeu Casali, se não me falha a memória - e era um pouquinho longe da nossa casa, então meu pai mandava levar de bicicleta e meus irmãos que levavam. Eu, como era o mais novo, ia na garupa de bicicleta pra escola. Meu pai é muito rigoroso, ele dizia que estava vendo a gente dentro da escola, então a gente ficava muito controlado dentro da escola. Mesmo ele não vendo a gente achava que ele ficava sabendo.

Depois meus irmãos tinham que levar a gente na escola; eu lembro que o meu irmão que mora aqui no Rio hoje, o Zé Carlos, andava muito bem de bicicleta. Ele foi me levar uma vez na escola e eu lembro que ele corria muito e passou em cima de uma pedra. Caímos, eu [me] machuquei e pra me trazer de volta pra casa machucado meu pai criava caso. Voltamos e numa outra vez um tio meu, que morava com a gente, foi me levar de bicicleta. Na volta, a gente andava com guarda-chuva; o guarda-chuva entrou no aro, a bicicleta voou e eu caí, bati com a boca numa ponte que estavam construindo. Meu pai esperando a gente, ele não trabalhava, era aposentado já da guerra, aí eu chego todo machucado. Acho que é por isso que eu não ando de bicicleta até hoje.

 

P/1 - E essa coisa de ser ex-combatente de guerra? Ele contava histórias sobre o período da guerra pros filhos, como era?

 

R - O papai, no início, até comentava, quando a gente era mais novo. Depois, eu penso que todo mundo que passa por uma situação dessa não deve gostar muito de lembrar. Ele e minha mãe são vivos até hoje, mas o que eu tenho mais vivo dele sobre esse negócio na guerra foi em 1963, próximo da revolução de 64. A gente morava em Rio Novo nessa época e o rádio começou a falar muito, os militares na rua, e eu lembro que o papai falava que a gente ia morrer. Eu acho que em função do que aconteceu na Segunda Guerra, as bombas, ele falava que a gente ia virar tudo caveira, que as carnes iam sair pelo que iam fazer com a gente. Eu não sei se ele falava isso por falar ou se era em função do que ele tinha passado na Segunda Guerra.

 

P/1 - E você ficava assustado com essa história?

 

R - Fiquei assustado na época. Em final de 63 viemos pra Juiz de Fora.

 

P/1 - E em termos de educação política, religiosa, havia uma diretriz a ser seguida em casa?

 

R - Em termos de religião, sim, tanto que eu fui coroinha durante muitos anos, cheguei a pensar em ser padre. Os padres estiveram lá em Minas pra me trazer pro seminário. Ainda bem, acho que não teria dado certo.

Nós temos uma formação religiosa, minha mãe é muito religiosa; meu pai não, nunca ligou muito pra igreja, acho que hoje, no final da vida, ele pensa mais. Na educação ele foi muito rigoroso e penso que foi a melhor forma que ele poderia ter feito pra criar dez filhos. Mesmo na época dele, criar dez filhos na situação que só ele trabalhava era difícil. Penso que criou muito bem, porque somos uma família que eu tenho muito orgulho, pela união de todos os filhos; a gente se dá muito bem. A gente se reúne todo ano, não tem discussão entre os irmãos, então penso que isso é fruto da educação que o papai e a mamãe nos deram. Ele foi como soldado pra guerra; quando estourou a guerra, vieram catar ele aqui no interior de Minas. A profissão dele, parece que ele foi cozinheiro aqui no Rio de Janeiro. Parece que a mãe dele morreu, ele era muito novo e ele viveu aqui no Rio durante muitos anos, até depois de casado. Papai trabalhava, vendia laranja, trabalhou em restaurante como cozinheiro, então não tinha uma profissão definida.

 

P/1 - E em relação à continuidade dos estudos, onde você fez o ginásio?

 

R - Nós viemos pra Juiz de Fora em 64, aí fui estudar no Colégio São Luís. Só papai trabalhava, ganhava pouco pra dez filhos, penso que ainda pagava aluguel. Surgiu a oportunidade da gente estudar no Colégio Militar em Belo Horizonte porque o papai não precisava pagar, então fui eu e esse meu irmão aqui do Rio, e lá eu fiz todo o ginásio e todo o colegial. Eu fiquei sete anos interno.

 

P/1 - Conte um pouquinho como foi essa experiência?

 

R - Se eu pudesse viveria de novo. Aprendi muito com todos que convivi na escola. Pela educação que meus pais me deram e pela minha formação eu tive oportunidade de…. Se eu quisesse ter saído da linha normal eu teria saído porque naquela época, no Colégio Militar, já tinha droga, mas o medo do meu pai estar vendo de onde ele estivesse, alguém podia falar pra ele, então… As drogas daquela época, que eu me lembro de ouvir falar, era maconha, o LSD, e lança-perfume, punha no lenço, cheirava e parece que drogava.

Mas tinha umas passagens engraçadas na minha infância. Voltando pra Goianá, estou me lembrando, o meu pai punha muito medo na gente. O quintal era muito grande em Goianá e era tudo escuro; lá no final do quintal tinha um chiqueiro, a gente criava porcos. Qualquer coisa de errado que a gente fizesse durante o dia, à noite, quando ele chegava - ele saía pra roça -, ele dava um castigo. Uma vez ele me deu um castigo de, sei lá, nove horas da noite eu olhar se os porcos estavam dormindo. A gente tinha que andar aquele quintal todo e antes a gente ouvia muita história de fantasma: a trouxinha gelada, o fantasma não-sei-de-que. Você sabe que a gente tinha tanto medo dele acompanhar? Não podia acender a luz. Fui ver se os porcos estavam dormindo. A gente voltava, não parava. Hoje, se ele mandasse eu  pararia, mas na época, a gente cumpria o que ele falava, independente de ele estar acompanhando, então talvez por isso o caso da droga. Eu achava que ele estava me vendo.

 

P/1- O que é “trouxinha gelada”?

 

R- Papai contava pra gente umas histórias. Uma vez ele, andando à cavalo na roça… Tinha um morro e falaram que passou um enterro em cima do morro; estava chovendo, o fundo do caixão soltou e parou naquela árvore, então ficava aquele fantasma [ali]. Quando passava uma pessoa à cavalo ele pulava atrás do cavalo, uma trouxinha gelada. O cavalo disparava! (risos) Ele passava essas histórias que iam dando medo na gente. Mas eu tenho muito orgulho da educação que nós tivemos. Com tudo isso, acho que meu pai não podia ter feito melhor. Pela vida que ele e minha mãe tiveram, pela formação que eles tiveram, criar todos nós da forma que criaram, melhor não podia ser.

 

P/1- Essa região de Goianá tinham imigrantes?

 

R - Não.

 

P/1 - E a Escola Militar, como foi seu curso? Algum professor lhe marcou mais, alguma matéria lhe marcou e foi definitiva pra sua opção profissional depois?

 

R - Pra opção profissional eu não sei. Pra não profissional… Geografia eu detesto, nem inglês, eu me recuso a fazer curso de inglês - não sei se pelos professores, pelas notas que eu tirei. Matemática eu gosto muito, tive bons professores. Física... Tem uns professores na minha época de Colégio Militar - a maioria deles era militar, então o tratamento deles com a gente era rigoroso, mas tratamento pessoal, acho que o melhor que podia ter nós tínhamos. Eu uma vez cheguei a ter uma aula, se não me falha a memória, do Ari Quintela, que era catedrático do Colégio Militar.

Minha experiência e minha vida no Colégio Militar foram muito boas. Serviu pra eu perceber que eu não servia pra ser militar. Meu pai sempre quis ter um filho militar e eu disse que não seria comigo. Eu penso que ele tinha naquela época que os militares estavam no governo. Os militares não podiam exercer a vontade deles, ficavam mais na dependência do militar superior, então se estivesse muito calor e o comandante estivesse com frio, todo mundo tinha que botar a blusa. É assim que era e eu não concordava com aquilo, isso então serviu pra eu ver que militar não servia, pra mim pelo menos.

 

P/1 - E outras atividades com jovens? O senhor saía em grupo, pra dançar, iam ao cinema? Como era a vida cultural e de lazer nessa sua...

 

R - Durante o tempo que eu estive no Colégio Militar a gente não vinha pra casa sempre, só em períodos de feriados prolongados ou férias, então eu tinha minha turma. 90% deles são do Rio de Janeiro.

A gente não tinha muita atividade, não. O aluno do Colégio Militar, naquela época ele, o menor, tinha que tinha um responsável se quisesse sair no final de semana. Esse responsável tinha que ir lá buscar o aluno no sábado de manhã e trazer no domingo à noite, então a gente não tinha muita atividade fora disso. O controle era grande.

 

P/1 - E o que vocês faziam no fim de semana?

 

R - Normalmente, ficava no colégio, jogava bola. Eu tinha uma família em Belo horizonte que o senhor tinha ido à Guerra junto com meu pai, a gente descobriu depois. Às vezes, no final de semana, eu ia pra casa dele e ficava lá. A gente não era muito de sair, começamos a sair depois de dezoito anos, depois eu já [estava] praticamente saindo de Belo Horizonte.

Nossa vida era muito restrita ao colégio e quando vinha pra Juiz de Fora, pra casa dos meus pais, aí a gente não podia sair muito mesmo, já era outro militar que controlava. O quartel era outro, mas a disciplina era a mesma. Não tinha muita atividade, nem eu nem meus irmãos não tínhamos muita atividade fora, mas acho que tinha que ser. Pra segurar dez tinha que ter pulso forte, senão não segurava.

 

P/1 - E em relação à Faculdade, qual foi a motivação pra ter cursado Física?

 

R - Faculdade. Eu em 73 eu era muito rebelde no Colégio Militar. Eu não aceitava as imposições dos militares, ele tinha que ter a vontade dele, mas eu também tinha que ter a minha. Independente dele ser Coronel e eu ser aluno, eu batia de frente; me consideraram maluco, me botaram pra fazer tratamento com psicólogos, aliás eu detesto psicólogo por causa disso. E com essa minha rebeldia, naquela época, quando saí do Colégio Militar, fiz grandes amigos, todos eles que encontro até hoje em São Paulo, Rio, no litoral.

Optei por Física porque eu gosto de matemática até hoje. Comecei a fazer Física. Não estava indo mal, mas aquela dependência do dinheiro de família, aquilo me incomodava, então comecei a dar aula.

 

P/1 - Você entrou pra qual faculdade? Em que ano?

 

R- [Na Universidade] Federal de Juiz de Fora, em 74, 75, mas eu fiz um período de faculdade. Eu precisava de dinheiro e com dezenove anos achei que não tinha que depender do meu pai, ele já tinha muitos filhos. Resolvi tentar minha vida.

 

P/1 - Qual foi o ambiente político que você encontrou na universidade na época?

 

R- Nessa época estava pesado. Eu entrei pro diretório acadêmico e em intervalos de aula a gente ia jogar xadrez no diretório com a turma. Tinha um amigo nosso que desapareceu na época; ele era líder estudantil, não sei que fim foi dado a ele. A gente estava no diretório e chegou um pessoal lá, disse que tinha gente chamando ele. Ele saiu e esse cara, nós não vimos mais. Não me lembro o nome dele, mas na época a gente estava no auge da repressão.

 

P/1 - Vocês estavam se dando conta do que estava acontecendo?

 

R - [A gente] tinha [consciência] porque quando eu estava terminando o Colégio Militar, alguns padres que foram presos no regime militar estavam presos no colégio que eu estava. Os militares proibiam que a gente conversasse com eles. Ás vezes eu conseguia conversar com alguns, mas eles ficavam numa parte alta que tinha no colégio e a gente ficava na parte baixa. Tinha sempre a fiscalização pra gente não poder ter contato. Eu não lembro o nome deles.

A gente sabia da situação, mas como eu estava num Colégio Militar não era muito marcante a repressão. Senti isso na época da faculdade em Juiz de Fora, a gente não podia se reunir - em 75, 74, a gente não podia se reunir.

 

P/1 - É um campus a universidade ou os cursos eram separados, juntos, como era?

 

R - É um campus universitário. Não sei se ainda é, porque já faz um bom tempo. Na época, no centro de Juiz de Fora ainda tinha repressão pra agrupamentos de estudantes, nessa época a gente ainda sentia isso. Eu fiquei esse período pequeno e achei que podia ganhar mais saindo. Desci um dia na faculdade, passei onde eu dava aula, peguei o dinheiro, fui à rodoviária [e] comprei passagem. Fui pra casa, almocei e falei pro meu pai e minha mãe: “Tô indo embora de casa”. Estava  chovendo. Fui pra rodoviária, peguei um ônibus pro Rio de Janeiro e avisei: “Eu volto se eu melhorar; se eu não melhorar, não volto mais. ” Então comecei minha vida fora em 75.

 

P/1 - E essa atitude foi considerada como rebeldia pelos seus pais?

 

R - A minha mãe conta que antes de eu sair, eu não me lembro, eu disse: “Vou embora, porque se eu continuar aqui eu cruzo os bigodes com esse cara”. Era o meu pai. Eu não me lembro disso. (risos)

[Quando] vim pro Rio já tinha esse meu irmão que estudou comigo em Belo Horizonte. Ele trabalhava aqui na Brito Pereira, era uma empresa de construção, se não me falha a memória. Encontrei meu irmão; ele morava num quarto no Jardim América com um tio meu, esse que me derrubou da bicicleta lá em 1959. Eles moravam num quarto [e] eu fui morar com eles. No dia seguinte peguei um jornal e fui procurar emprego. Sentei na Praça Tiradentes, peguei um jornal, comecei [a] ler  e pedir informação de onde eu ia.

O meu sonho era trabalhar em banco - qualquer banco, só não podia ser banco de sangue. (risos) Consegui chegar numa empresa que ficava perto da Praça Tiradentes chamada Formulários Contínuos Continac. Tinha muita gente procurando emprego, fui lá, fiz uma entrevista. Eu lembro que o cidadão que me entrevistou falou assim: “Qual a sua experiência?” Eu falei: “Olha, eu dava aula particular.” “Mas e experiência de emprego?” “Não tenho.” “Aí fica difícil.” Eu disse: “Se todo mundo me pedir experiência e não me der chance de me tornar experiente não vou trabalhar nunca.” Terminou a entrevista, fiquei do lado de fora. Ele foi chamando um por um dos entrevistados e me deixou pro final, no final ele falou comigo: “Eu não sei quem é você, mas pelo jeito que você falou comigo eu vou te dar oportunidade de  adquirir experiência. ” E me contratou.

Eu saí desta empresa - era pra começar no dia seguinte - e desci a rua Primeiro de Março aqui no Rio de Janeiro. Quando chegou na esquina eu vi a placa do [Banco] Comind. Entrei lá, procurei o departamento pessoal e encontrei uma moça chamada Regina - gravei o nome dela. Pedi tanto pra ela - eu queria trabalhar em banco - que ela me deu o emprego. Voltei nessa Formulário Contínuo e avisei pro cara que eu tinha arrumado [emprego] em banco, que era o meu sonho. Comecei a trabalhar no Comind e aí foi.

 

P/1 - E qual foi sua primeira impressão do Rio de Janeiro?

 

R - Medo. Eu saí do interior de Minas Gerais pra uma cidade e eu não tinha noção de onde estava, mas tinha meu irmão que tinha vindo há três anos, então quando encontrei com ele eu fiquei mais tranquilo. Mas a primeira impressão [foi de] uma cidade enorme, um trânsito maluco em 75, mas depois passou. Hoje o medo daquela época voltou, tenho medo do Rio de Janeiro de novo, mas hoje é mais do que a imprensa mostra.

 

P/1 -  E no Comind você foi trabalhar em que setor?

 

R - No Comind eu fui trabalhar com um rapaz chamado Antônio. Na época tinha o departamento de cobrança e de desconto, fui trabalhar no de desconto. Eu era meio nervoso, acho que ainda sou. Depois eu fui trabalhar no departamento de cobrança. Foi na época em que o Rio de Janeiro estava começando com as obras de Metrô; tinha aquele pessoal que trabalhava um mês e quinze dias e era mandado embora, e o Comind pagava na época o Fundo de Garantia.

Uma vez eu lembro, foi um senhor e a mulher. Tinha trabalhado acho que três meses, então imaginou que tinha um fundo de garantia pra receber. Naquela época, os bancos tinham 90 dias pra recolher o fundo de garantia, 90 dias se a pessoa trabalhar 120 dias - 90 ela recebia na rescisão e [se fosse] 30 [dias], ela só teria o recolhimento de um mês. E o cara não tinha praticamente nada pra receber. Era um desses trabalhadores braçais de metrô, esses caras fortes. Quando eu disse o quanto ele tinha pra receber, ele me atravessou o balcão na mão, me suspendeu e disse que eu estava roubando dele. O pessoal me defendeu… Me tiraram desse setor e me levaram pra um setor de ordem de pagamento. Achavam que eu era meio maluco, então eu ficava trabalhando meio isolado. Imagine você no Rio de Janeiro, numa sala sem janela, sem ar condicionado.

 

P/1 - E por que eles lhe achavam maluco?

 

R - Porque eu acho que eu era muito nervoso, eu criava muito caso. Sempre fui muito briguento no trabalho. Hoje, acho que pelo tempo, você vai ficando mais tranquilo, mas sempre fui muito criador de caso.

Eu tinha objetivo de melhorar. O dinheiro que eu recebia era pra fazer concurso. Na época tinha muito concurso: fiz pro BNDES, pro Banco Central, pra Polícia Federal, pro INPS, Petrobrás.

 

P/1 - Mas para alguma atividade específica? Você falou que seu sonho era trabalhar em banco, fazia concurso, mas qual era sua expectativa em termos profissionais?

 

R - Eu queria trabalhar no Banco do Brasil e foi o único concurso que eu não passei, não consegui. Nesse meio tempo eu consegui na Petrobrás, distribuidora.

 

P/1 - Você não voltou a estudar, em termos universitários?

 

R - Na época eu não podia e hoje não tenho muita paciência, mas ainda vou fazer uma faculdade, talvez o ano que vem ou daqui a dois anos. Minhas filhas estão [se] formando, aí vou eu.

Fiz uma passagem-relâmpago pela Petrobrás, saí da distribuidora e vim aqui pra esse prédio Selva de Pedra na época, fui fazer uma entrevista com um psicólogo. Eu já tinha alguma restrição e a Petrobrás tinha um sistema de entrevista dois funcionários pra ver em que departamento você se adaptaria melhor, então fui ser entrevistado. Ele começou com muitas perguntas, aquilo foi me irritando muito. A uma altura da entrevista ele perguntou:  “Qual foi o maior erro que você cometeu na sua vida?” Eu falei: “Quer mesmo saber? Ele falou: “Quero.” “Foi ter vindo aqui.” Ele falou: “Então tá terminado, pode voltar lá no departamento pessoal.” Me devolveram a carteira, disseram que eu não servia pra trabalhar na Petrobrás, então tive um emprego de mais ou menos meia hora, mas o Banco Central já tinha me chamado na época. Saí de lá e fui ao Banco Central.

 

P/1 - E como era o concurso do Banco Central na época?

 

R - Foi o mais difícil que eu já fiz na minha vida, mas eu tinha até que uma preparação boa. O Colégio Militar me deu uma base muito boa, tanto que de lá tudo que eu enfrentei, o vestibular, concursos, minha base era muito boa, pelos professores que nós tivemos. Mas o concurso do Banco Central foi muito difícil, eram poucas vagas e muitos concorrentes. O Banco Central eu fiz depois do BNDES, só que o Banco Central me chamou e o BNDES me chamou junto. Pedi pra ir pro final da fila no BNDES  e fui trabalhar no Banco Central.

 

P/1 - E foi pra que área no Banco Central?

 

R- Também era assistente técnico. Todos os concursos que eu fiz foram pra assistente técnico

 

P/1 - E era o que? Qual era a atividade?

 

R - O nome é bonito, mas é um auxiliar de escritório, cargo de apoio. Cada empresa dava um nome diferente: o Banco Central chamava de assistente técnico, o BNDES chamava de auxiliar de serviços administrativos, o ASA, mas a função era a mesma, era tudo auxiliar de administração.

 

P/1 - E por que você escolheu o Banco Central e não o BNDES se você passou nos dois concursos?

 

R - Porque era por ser o Banco Central e eu pretendia fazer carreira, Achei bonito. No Banco Central tinha diploma de posse, que eu tenho até hoje, assinado pelo presidente do banco. E eu pretendia continuar lá, mas quando eu entrei a gente  fazia parte de uma categoria que [se] chamava categoria isolada. Você não tinha oportunidade de progredir no banco, era aquilo que você entrou e só. Perdi alguns amigos que saíram por causa disso, muitos que saíram e vieram pro BNDES. Na época da minha turma o Banco Central tinha a preocupação por que tanta gente saía, era uma política de pessoal que é interessante, então a gente respondia um questionário quando saía, explicava que estava saindo porque não tinha chance de progresso.

Isso levou o Banco Central posteriormente mudar a política de pessoal dele. Se não me falha a memória, em 81 fui chamado pelo Banco Central pra retornar, porque tinha mudado a política de pessoal. Pegaram os primeiros colocados daquele concurso e os chamaram de volta.

 

P/1 - De quando?

 

R - 74, 75.

 

P/1- Você saiu quando do Banco Central?

 

R - [Em] Novembro de 77.

 

P/1 - E em 81 eles chamaram?

 

R - Chamaram. Disseram que durante cinco anos podiam chamar, desconsiderar o pedido de demissão - só os que pediram demissão. Eu já não tinha interesse em voltar, já estava no BNDES, em São Paulo e casado. Voltar pro  Rio de janeiro já não tinha muita...

 

P/1 - Conte um pouco do casamento. Como você conheceu sua mulher?

 

R - Eu conheci minha mulher quando a gente trabalhava no Comind. Eu trabalhava no Rio e ela trabalhava em São Paulo. Ela trabalhava no setor de telex, recebendo as ordens de pagamento e eu trabalhava no setor de telex, passando as ordens de pagamento pra matriz em São Paulo. A gente conversava por telex, ela tem até hoje alguns telex que eu passava pra ela. Naquela época era o telex antigo e a gente conversava muito por telex.

 

P/1 - Na base do “nunca te vi, sempre te amei”?

 

R - Exatamente. O pai dela era japonês.

A gente batia muito papo. Estive em São Paulo algumas poucas vezes, porque no Comind todas as compensações de cheques que transitavam pelo Rio de Janeiro tinham que ser levados para compensar em São Paulo. Eu tinha um amigo, Cláudio, que era motorista do Comind; três vezes por semana ele ia pra São Paulo de carro, eu ia com ele às sextas-feiras e voltava no domingo, isso em 76.

Em 07/07/77 eu sofri um acidente de carro no Rio de Janeiro, sete pessoas envolvidas. Foi às sete da noite no Jardim América. Caí no canal do mangue, não gosto do número sete. (risos) E na época minha namorada veio para cá, o nome dela era Edna Aparecida Miyashiro, e foi aí que começamos a namorar mais sério. Eu procurei, saí do Banco Central, achei que ele tinha me dado muito azar. O BNDES me chamou e eu fui pro BNDES.

 

P/1 e P/2 – Mas trouxe a sua esposa, além do acidente. (risos)

 

P/1 -  E quando vocês se casaram?

 

R - Isso foi engraçado. Eu morava com meu irmão aqui no Rio de Janeiro e a gente, solteiro, não tinha nada. Nosso dinheiro era pra tomar chope e comer camarão e estava bom demais.

 

P/1 - Onde vocês frequentavam?

 

R - Frequentava onde o povão frequenta, a praia do Flamengo. De noite tinha um restaurante ali na praça Tiradentes que a gente ia tomar chope, Parada de Lucas.

 

P/1 - Mas podia namorar também?

 

R - Também podia. (risos) Eu saí do Banco Central e fui pro BNDES. Eu já namorava minha mulher e no BNDES eu conheci algumas pessoas [que] eu acho que gostaram de mim.

Eu disse que tinha vontade de sair do Rio, não queria mais ficar no Rio. O acidente me atrapalhou muito, com um carro quem não era meu, era do meu irmão, ele estava pagando o carro ainda e a minha namorada estava lá. Eu conheci no banco um superintendente, Dr. José Ribamar e também o Amauri Leal, que era superintendente da área de representação - quem me apresentou foi o Jorge, que era um contínuo que tinha na sede do banco. Esse Jorge me apresentou o superintendente, eu disse pra ele: “Eu gostaria de mudar pra São Paulo, tenho uma namorada em São Paulo.” Ele disse: “Eu vou te ajudar.” Eu disse que ele não ia se arrepender nunca disso e penso que ele não se arrependeu, porque desde quando entrei - aliás, [em] todas as empresas que eu trabalhei eu sempre me dediquei muito. Acho que sou um funcionário muito dedicado, a ponto de sacrificar, como já sacrifiquei muito da minha vida pelo banco. Acho que pago hoje por algumas coisas, por não ter sabido dosar o tempo dentro do banco e a minha família, então eu penso que esses dois superintendentes que me ajudaram - o Costa e Silva também, que chegou a presidente da CVM [Comissão de Valores Mobiliários], me ajudou na época -, as pessoas não podem ter se arrependido disso porque eu nunca dei motivo. Fui pra São Paulo, eu fiquei pouco tempo aqui no Rio de Janeiro pelo banco.

 

P/1 - Você trabalhou em que prédio?

 

R - Quando eu entrei ainda não tinha um local que eles pudessem me colocar pra trabalhar, então eu trabalhei onde precisasse de um tampão. Eu ia lá e fazia o serviço, fiquei quase no banco inteiro, mas o lugar que eu fiquei mais foi na Gerência de Desenvolvimento aqui do banco. Tinha um grupo de pessoas ótimas que trabalhavam comigo, que estão no banco ainda, a maioria. A gente formava uma equipe que mexia com treinamento: era o Aladim, Armanda Leal, Sônia, Nei Melo Garritano, que foi pro IRB [Instituto de Resseguros do Brasil], Joel.

 

P/1 - Treinamento de que?

 

R- Treinamento de pessoal. O BNDES tinha um programa de treinamento muito bom, de cursos - curso de inglês, programa de idiomas, treinamento de profissionais.

 

P/1 - Você teve a chance de fazer algum desses?

 

R - Eu não fiz nenhum curso de treinamento no banco. Quando a gente entrava no banco tinha uma parte de adaptação, hoje tem o Projeto Evoluir, mas eu nunca fiz nenhum curso desses, eu acho que não tenho muito o que evoluir em banco. Na época era mais voltado pro corpo técnico, agrupamento de apoio. A nossa gerente era a Ivone de Vasconcelos; ela tinha vindo da Petrobrás, uma pessoa ótima, veio a ser minha madrinha de casamento em São Paulo. Mas o que eu me lembro foi isso, eu fiquei no BNDES no Rio de Janeiro [por] seis meses: entrei no dia 21 de novembro de 77 e saí no dia quinze de maio de 78.

 

P/2 - O banco já tinha o escritório em São Paulo?

 

R- O escritório de representação em São Paulo é antigo, ele deve ter uns 45 anos. Na época que eu fui pra lá parece que não tinha vaga, mas esses dois superintendentes arrumaram uma vaguinha pra mim lá e lá a gente está até hoje.

 

P/1 - Quando você entrou no BNDES, era uma coisa que você almejava, era uma realização?

 

R - Na realidade eu conhecia muito pouco do BNDES. O que eu sabia, quando fui pro Banco Central, [era que] os primeiros colocados tinham direito a optar onde queria trabalhar. Fui trabalhar com o diretor de Mercado de Capitais, chamado Ênio Benício.

Quando o BNDES me chamou fui conversar com o Sr. Ênio Benício; o BNDES tinha me chamado pela segunda vez e [perguntei] o que ele achava, em que ele podia me ajudar nesse sentido. Ele aconselhou que o BNDES era uma boa oportunidade, porque eu podia fazer carreira e no Banco Central não, então ele já conhecia o Costa e Silva, que na época era assessor. Conversei [com] a Ivone, que era da parte de recrutamento de pessoal e me deram oportunidade de vir pra São Paulo, então eu resolvi sair do Banco Central. Teve o acidente de carro e eu achava que era por causa do Banco Central, aí é que eu vim saber o que era o BNDES, ele não era um  banco de fazer muita propaganda como hoje, melhor em termos de divulgação.

 

P/2 - Eles lhe explicaram o que era esse banco, nessas conversas?

 

R - Muito pouco, porque o banco sempre teve um programa, toda pessoa que entrava tinha que fazer um curso pra trabalhar no banco. Eu, como não tinham local definido e logo que cheguei precisavam de gente, então fui pra outros departamentos e acabei não fazendo um curso de adaptação no banco. Eu não fiz, acho que é por isso que eu não me adaptei no banco até hoje. (risos) Mas toda pessoa que entrava tinha que fazer e aí provavelmente ia conhecer o banco, pegar um material pra ler. Eu não cheguei a passar por isso.

 

P/1 - Você foi pra São Paulo. E como é a experiência quando você chega?

 

R - Em São Paulo, em qualquer lugar que você vai, tem pessoas com quem você se dá bem e pessoas com quem você não se dá bem, então eu tive um pouco de dificuldade aqui em São Paulo. Em termos de trabalho, não, sempre me dediquei muito ao banco. Nunca tive horário pra entrar, nunca tive horário pra sair, não tenho até hoje. O que precisar, eu trabalho sábado, domingo, feriado. Nós estamos com obras lá em São Paulo, eu trabalho todo final de semana. E eu faço isso porque tudo que eu tenho na minha vida, em termos materiais, foi o banco, que eu paguei com o meu trabalho. Claro que a parcela de trabalho que eu dei pro banco foi em função da formação que eu tive dos meus pais, mas tudo que eu consegui na minha vida foi através do BNDES, então o banco fez muito por mim, eu fiz e farei por ele. Acho que eu podia ter dosado um pouquinho mais do meu tempo, mas vesti a camisa do banco e vou defender sempre, mesmo sabendo que algumas coisa poderiam ser mudadas. [Em] qualquer oportunidade que eu tiver eu vou defender o banco. Eu  penso que um funcionário em qualquer empresa, se não se dedicar a uma empresa como sua e não defender os direitos da empresa, não tem porque estar lá. A empresa é sua, você é um pedaço dela, então o que o BNDES precisar de mim ele vai ter.

 

P/1 - Como era o escritório em São Paulo quando você chegou?

 

R - O paulista é muito fechado. Quando eu cheguei em São Paulo, o escritório do banco eram salas com divisórias escuras e todas as portas fechadas. Pra mim era um negócio terrível. Criado em Goianá, aquele monte de porta fechada era terrível. E senti muita falta quando eu cheguei em São Paulo, no Rio de Janeiro eu estava acostumado com o chope da sexta-feira e em São Paulo não tem isso. Tenho 24 anos de São Paulo e não consegui formar minha turma pro chope, agora não formo mais. (risos) Aí comecei a abrir sala, entrar nas salas, bater papo e aí aos poucos o banco conseguiu abrir um pouquinho as portas. Hoje o escritório de São Paulo é muito bonito: todo aberto, divisórias baixas, todo mundo vê todo mundo e eu acho que tive contribuição nisso, porque eu fiz as pessoas verem o banco mais como um grupo que tinha um mesmo objetivo. Antes, era cada um na sua sala resolvendo seus problemas.

Consegui fazer uma reunião do pessoal em 1981, um churrasco comemorativo no aniversário do banco. Conseguimos um sítio, onde todas as pessoas puderam levar as famílias. Penso que foi a única reunião que a gente conseguiu com todo mundo.  Eu não sei se pelo tamanho da cidade de São Paulo. As pessoas moram em lugares muito diferentes, não é igual ao Rio de Janeiro, que é meia laranja, todo mundo mora pra um lado só. São Paulo é uma laranja inteira, todas as regiões, isso dificulta o encontro das pessoas. Quando chega no final de semana tem um que está no ABC, outro em Alphaville, a distância é grande entre um lugar e outro você tem 40, 50 km, 70 km. Isso dificulta.

 

P/1 - Quantos eram no escritório, você lembra?

 

R - (Pensando) Eram doze pessoas. O chefe do escritório na época era Arnaldo Araújo Santos, já [se] aposentou. Depois entrou o José Emílio, ficou pouco tempo, um ano talvez. Depois entrou o Laércio Gonçalves, ficou dois anos.

 

P/1 - Por favor, Norival, descreva um pouco o funcionamento do escritório de São Paulo quando você vai trabalhar lá.

 

R - Não só o escritório de São Paulo, os escritórios do BNDES funcionam como um mini-BNDES. É mais uma sala pras pessoas conhecerem o que é o banco, então lá as empresas conseguem informações das linhas de atuação do BNDES, onde ele opera, que tipo de apoio o BNDES dá pras empresas, mas só. Isso é direcionado pro Rio de Janeiro depois se a empresa quiser, são as informações preliminares sobre o banco, é assim que funcionam. Talvez seja um pouco diferente em Brasília, que é mais um órgão de ligação com o Governo Federal.

 

P/1 - E quando você vai pro escritório em São Paulo você vai pra desempenhar que função?

 

R - Apoio ao BNDES do Rio, um pouquinho de cada coisa. Talvez quem trabalhe nos escritórios fora conheça um pouquinho mais do BNDES do que quem trabalha no Rio, [em] que a pessoa conhece o setor de trabalho. Quem trabalha em escritório, na verdade, conhece pouco mais de todo o banco. A gente não chega a ter um conhecimento a fundo de um determinado departamento, mas a gente sabe exatamente o que cada um faz.

 

P/1 - E como foram os primeiros dias de trabalho em São Paulo? Com quem você trabalhava, o que você fazia?

 

R - Os primeiros dias eu fui trabalhar… No banco a gente divulgava pra ABIMAQ [Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos] e SINDMAQ [Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas]  todos os financiamentos de máquina e equipamentos que a Finame liberava naquela época, então a gente tinha que relacionar, mandar pra ABIMAQ e ela informava aos seus associados os financiamentos que foram liberados. Quando eu fui pra lá foi isso e também mexer com malote. Toda empresa que eu trabalhei eu abro e fecho malote, mas foi mais com isso, passando as informações pros sindicatos.

O BNDES na época tinha uma carteira de ações e uma gerência de custódia, que eram as empresas. O banco tinha ações que a BNDESPAR trabalhava, fundo de participação e tinha que exercer os direitos de subscrição, recebimento de dividendos. O BNDES do Rio não tinha quem fizesse isso lá em São Paulo e como eu conhecia algumas pessoas aqui eu me propus a fazer, então era pra trabalhar como procurador do BNDES perante essas empresas. Na época, quem cuidava disso aqui no Rio de Janeiro era a gerência de tesouraria, era o Luis Fernando de Jesus o gerente e o Nelson Rodrigues o coordenador de serviços, então eu me propus a fazer isso em São Paulo.

 

P/1 - Era procurador do BNDES pra essa função específica? Tem um nome?

 

R - Eu representava o banco só para o fim específico de subscrição de ações e receber títulos, dividendos, somente pra parte de custódia. Eu tinha uma procuração do banco. Eu podia receber pelo BNDES, assinar o cheque e o recibo de recebimento de dividendos, podia receber as ações que o banco autorizasse, não podia vender nem comprar ações,  só receber dividendos.

 

P/1 - Era de muita responsabilidade?

 

R - É porque naquela época a maioria era ações ao portador. A gente carregava muito título, eram muitas empresas e títulos ao portador. Eu via como de grande responsabilidade, como um serviço muito sério; não podia faltar, tinha que sair tudo certinho, um título daquele penso que valia muito dinheiro e a gente carregava isso. Você ia pras empresas e levava os cupons que davam direito à subscrição, a receber dividendos.

Fiquei com isso durante uns três anos, então eu conheci bastante São Paulo, bastante empresas em São Paulo em função desse serviço, mas normalmente esse serviço eu fazia fora do horário pra não atrapalhar o banco, então eu saía de casa seis horas da manhã pra ir às empresas em São Bernardo, Diadema. [Às] dez horas eu queria estar no banco pra não atrapalhar o horário. Apesar de ser um serviço do banco, eu achava que [às] dez horas eu tinha que estar no escritório do banco. Eu ligava pras empresas um dia antes, marcava com eles [às] sete, oito horas da manhã e ia lá. Sempre procurei fazer isso. Depois que eu comprei carro, eu ia de carro pra chegar mais cedo.

 

P/1 - Por que, Norival? O que lhe motivava a essa dedicação?

 

R - Eu gosto muito do banco, penso que é porque é um emprego que eu comecei novo e que eu me fiz nele. Profissionalmente, tudo o que eu consegui foi no banco então acho que estou preso ao banco, não consigo negar. Posso até não fazer, mas  não vou me sentir bem. Posso até usar o horário do banco pra fazer qualquer coisa, não vai ficar legal. Eu me sinto bem no banco, isso é bom.

 

P/1- Em termos profissionais e financeiros, as suas atribuições… Havia formalmente uma mudança de cargo, por exemplo?

 

R - Esse serviço de procurador eu fazia fora do horário. Pra dentro do horário eu estava na minha função mesmo; não mudava nada, eu não ganhava mais por isso. Passei a ganhar um pouquinho mais em 1984, quando eu comentei com o Luís Fernando. Ele me perguntou: “Quando você faz esse serviço lá em São Paulo, você é caixa. Você não ganha nada?” Eu falei que não, ele falou: “Mas aqui no Rio todo mundo ganha”. Então foi pedido pra criar uma função de caixa pra São Paulo e na época foi criada essa função de caixa, que existe até hoje e eu passei a ocupar. Aí eu passei a receber uma comissão de caixa.

 

P/1 - O que é ser caixa no BNDES?

 

R - Na época [em] que eu fui nomeado caixa… Quando você pensa em caixa, pensa no cara que autentica sua conta de água, luz e telefone. No BNDES a gente só recebia os pagamentos das empresas devedoras do banco, dos mutuários do banco, então era um movimento grande.

 

P/1 - Você atendia esse público?

 

R - É, mas esse público só pagava com cheque nominal ao BNDES. Eram valores altos, chegamos a receber em torno de 40% do retorno do BNDES. Entrava por São  Paulo uma quantia grande, algo em torno de 500 milhões naquela época.

 

P/1 - Mas era uma função de caixa? Com a máquina, comprovante de recebimento de depósito?

 

R - Na verdade, no BNDES, quando foi instituída essa função de caixa o cheque era trazido pra nós com uma carta de acompanhamento que não tinha título, hoje já tem. O BNDES não participava da compensação de cheques; a gente tinha que relacionar no final do dia e endossar pra depositar no Banco do Brasil, que é onde o BNDES tem conta.

Depois de um certo tempo eu estive aqui no Rio conversando com o Ricardo Vaz, que hoje é o chefe da auditoria. Ele era do departamento financeiro. Tinha o Esno, nós, conversando… Eu lá em São Paulo achava estranho que a gente recebia 60, 70 milhões, depositava na conta do BNDES no Banco do Brasil e esse dinheiro só ia ser liberado pro BNDES 48 horas depois, que era o tempo da compensação de cheques. Eu achava estranho, por que o Banco do Brasil ganhava com o dinheiro do BNDES? Então, conversando com eles, eu questionei por que o BNDES não fazia isso ele mesmo e que se quisesse tentar eu me oferecia pra fazer. Eu me lembro [que] o Ésio disse: “Vai ser muito difícil pra você fazer isso sozinho.” Eu falei: “Mas eu tento, me dá oportunidade.”

Me deram um mês de experiência. Nós entregamos cheque direto na compensação, o BNDES ia ganhar dinheiro e ia estar disponível pra ele no dia seguinte de manhã. Isso em 1989, e nessa época, pra que eu não perdesse essa oportunidade, eu cheguei a trabalhar até uma hora da manhã, com esse movimento grande que eu recebia na época. E eu não entendia nada de compensação.

O nosso representante na compensação era o Banerj [Banco do Estado do Rio de Janeiro]. Tinha um japonês na compensação do Banerj chamado José e eu disse pra ele que não entendia, [perguntei] como faz. Ele então pegava todo movimento que a gente tinha em São Paulo; por volta de oito horas da noite eu ia pro Banerj, lá em  São Paulo, pra eles me ajudarem a preparar essa compensação. Lá eu ficava até meia-noite, meia-noite e meia, pra não dizer pro Rio que eu não aguentava fazer. Eu acho que tive uma contribuição grande e esse serviço existe até hoje no banco. Depois que começou a fazer o banco não parou mais. Hoje é melhor porque está tudo eletrônico, as empresas já pagam direto.

 

P/1 - Então você passou pelo teste?

 

R - De 89 há uns 13 anos, deu certo, consegui, valeu meu esforço.

 

P/1 - E o que isso significa pra você, Norival?

 

R - Muito, muito porque o banco parou de perder. O desafio a que eu me propus eu consegui e isso pra mim é muito importante. Pelo banco eu não meço esforços. Como foi um desafio, a minha força foi maior, aprendi e hoje faria de pés nas costas. Acho que foi uma contribuição que eu dei pra que o banco não perdesse, isso pra mim é muito importante.

 

P/1 - Você falou de como agora esse serviço é mais ágil, por causa da tecnologia. De que forma essas mudanças tecnológicas, computador etc, influenciavam diretamente nas suas atividades no BNDES?

 

R - Eu recusei. Quando botavam um computador pra mim, fizeram um programa pra fazer os cálculos. Eu fazia com a calculadora direto, não acreditava que ele podia somar melhor do que eu. Eu resisti a aceitar o computador durante mais de um ano. Eu fazia um trabalho paralelo até acreditar que ele fazia bem. Agora não tem como fugir, está incorporado.

 

P/1 - Depois você desempenha a função de encarregado de serviços no escritório em São Paulo?

 

R - Essa função me foi dada mais em função do trabalho que eu desenvolvia que da liderança. Não tinha comandados, eu era um encarregado de mim mesmo, era mais em função do trabalho que eu exercia. Em 89, na época, a mesma função no Rio era um grupo que fazia.

Eu fiquei como encarregado de serviços [por] nove anos e pouco. Desde que eu fui pra São Paulo, trabalhei com uma pessoa que eu gosto muito no banco, que é a Ladinir. A gente sempre trabalhou junto, sempre formamos uma dupla que penso que carregava o piano. Ela era coordenadora em 88 e ficou até em 99. Em 99 ela saiu e eu assumi a função de coordenador. Ela é um pouquinho mais abrangente porque pega toda a parte administrativa do escritório.

 

P/1 - Como funciona exatamente o papel de um coordenador?

 

R - Eu vou dizer em São Paulo, não sei no banco todo. Em São Paulo a gente tem a Denise, que é responsável por todo escritório, [a] parte de divulgação, de contato com empresários, com a parte técnica do banco.

A parte administrativa, eu procuro dar o suporte todo no banco. A gente cuida da parte de pessoal de apoio, dos carros do banco, controle de energia elétrica, pessoal terceirizado, copa, limpeza, recepção. Tudo o que diz respeito ao administrativo do escritório: as contas, o controle da conta-corrente do Banco do Brasil - nós temos um caixa, que é o Marcos. Acompanhamento de obra - o escritório de São Paulo, nós mudamos pra Avenida Juscelino [Kubitschek] em agosto. Tm algumas coisas da obras que não ficaram prontas. Isso eu tenho acompanhado nos fins de semana, o quando está sendo feito pra concluir o escritório. Então é difícil dizer o que é a função de coordenador. Acho que tudo isso: compras, material de consumo, controle de pessoal, tudo isso é atribuição da coordenação de serviços.

 

P/2 - Como é um dia seu?

 

R - Eu chego no banco normalmente [às] oito horas, oito e meia vejo se a limpeza foi feita...

 

P/1  - Você mora longe do escritório?

 

R - Agora moro a 23 km do escritório. Antes eu morava mais perto, morava a 18 km. Chego, vejo se tá tudo ok, se o ar condicionado está bom, se tem alguma reunião, se está tudo funcionando. O pessoal começa a chegar [às] nove horas, [às] nove e meia o banco abre e ali eu estou: se precisar fazer café, se precisar varrer eu varro, eu abro malote se precisar, distribuo a correspondência, se queimar a lâmpada eu troco, se der algum problema na tomada eu conserto, eu tenho uma maleta de ferramenta embaixo da minha mesa e vou até fechar o escritório, normalmente às sete horas, quando tem diretor, alguém, às nove horas.

 

P/1 - Você é o último a sair normalmente?

 

R - Normalmente, sim. Eu é que fecho o escritório e gosto disso. Só não abro porque tem o pessoal da limpeza, que chega [às] seis e meia e abre, mas eu fecho.

 

P/1 - Já são 25 anos de BNDES? Que mudanças o senhor. pode perceber no BNDES desde a época em que entrou até hoje?

 

R - Em novembro vou fazer 25 anos. O banco hoje é conhecido no Brasil inteiro, principalmente pela privatização, que divulgou o nome do banco no país inteiro. Essa é uma das mudanças, mas também virou alvo de críticas. O BNDES era mais conhecido pelo meio empresarial, hoje é no Brasil inteiro, então essa foi uma mudança.

No passado, quando eu entrei, eu penso que o banco era mais família, hoje ele é mais empresa. Os funcionários hoje têm uma visão do banco como empresa e uma empresa que precisa estar acompanhando a evolução. Mas tá evoluindo, junto com tudo.

 

P/1 - Você se sentia melhor no BNDES no período da sua entrada ou hoje no relacionamento com as pessoas, nessa intimidade que você diz que havia um pouco mais?

 

R - Na relação com as pessoas a gente era mais família - se bem que eu era bem mais novo, também é preciso levar isso em conta, mas eu tinha um grupo mais unido dentro do banco.

 

P/1 - Vocês eram colegas de trabalho, mas também tinham uma vida social fora do horário de trabalho?

 

R - Eu procuro manter até hoje isso. Algumas pessoas, além de serem meus colegas de trabalho, são meus amigos particulares. Em São Paulo, pelo menos, eu tenho um grupo que começou [como] meus amigos dentro do banco e hoje são amigos fora do banco. No Rio de Janeiro me afastei muito das pessoas pela distância do escritório, mas tenho contato com todas elas,  tanto que vir aqui um dia só é pouco. Procuro atender as pessoas, qualquer pessoa do Rio que precisar, procuro atender em qualquer coisa, seja de trabalho ou particular eu vou atender, eu gosto do ambiente e das pessoas do banco. Algumas pessoas do banco, por eu não ter tido contato maior, não consegui passar essa amizade, mas o banco ainda carrega isso, porque as pessoas a maioria ainda é da minha época de entrada, então ainda consegue manter. Hoje, em São Paulo, somos menos no banco, tem muito terceirizado, mas das que estão a gente consegue manter um relacionamento bom.

 

P/1- Você disse que tem uma colega de trabalho que foi sua madrinha de casamento?

 

R - Foi a Ivone de Vasconcelos. Ela era gerente de Recrutamento e Desenvolvimento do banco, em 77.  Ela já saiu, perdi o contato com ela, acho que ela mudou do estado do Rio, mas foi bonito, ela saiu daqui pra ir no meu casamento, pegou a ponte aérea, foi e voltou no mesmo dia, achei bacana a consideração dela. Eu tenho hoje em São Paulo uma amiga no banco, a gente está há 24 anos trabalhando junto, é quem sobrou daquela época. De quando eu entrei no banco restaram umas cinco pessoas, então a maioria [se] aposentou.

 

P/1 - E a era Collor? De que forma aquele terror das demissões repercutiu, tanto no seu cargo como no escritório de São Paulo?

 

R - Pra mim, particularmente, foi muito traumático quando eu vi pessoas que trabalhavam no banco há muitos anos serem demitidas sem nenhum critério. Pra mim foi um massacre aquilo, eu senti muito, as pessoas choravam e algumas pessoas que estavam na direção tiveram que cumprir uma determinação que vinha de cima, então famílias foram sacrificadas. Aquilo me fez muito mal. Eu cheguei a ter um problema de saúde sério, disseram que eu tive um princípio de derrame, porque eu não conseguia dormir. Eu não consigo me ver fora do banco, eu vi um caos no banco, aquilo fez com que as pessoas esquecessem do grupo e pensassem em si, então cada um começou a defender só o seu lado. Isso foi ruim, me fez mal. As pessoas que tiveram que decidir, não sei baseado em que se decidiram, tem gente que foi demitida naquela época e tem dificuldade até hoje. Se eu tivesse sido demitido, honestamente não gosto nem de pensar o que eu teria feito porque a dedicação que eu tenho não dá direito ao banco de fazer isso.

 

P/1- Mas você se sentiu ameaçado?

 

R- Eu estive metade fora. Eu consegui… Quando vi que estaria pra ser demitido liguei pra algumas pessoas aqui no Rio e disse que eu não podia, tinha que ficar - porque tinha um limite de pessoas que iam ficar no escritório em São Paulo, acho que sete pessoas. Não sei se atenderam meu pedido, passaram pra nove, aí eu entrei, mas foi muito ruim. Até hoje lembrar disso é um negócio que chateia, pelas pessoas que saíram, que passaram dificuldades.

 

P/1 - E do ponto de vista pessoal, como são suas horas de lazer com a esposa, as filhas? Qual o nome das filhas?

 

R - Eu tenho duas filhas: a Andréa, que se forma esse ano em Processamento de Dados, ela trabalha numa empresa de consultoria em São Paulo, é a mais velha; tem a mais nova, que se forma o ano que vem em Biologia, a Débora. São duas filhas que eu adoro, apesar de eu ser meio nervoso, mas...

Diversão acho que eu perdi muito tempo, pela minha dedicação ao banco eu não soube dividir o tempo entre o banco e a minha família. Acho que isso me custou muito caro, eu tento correr atrás do tempo, mas a gente não consegue. Paguei um preço alto por essa dedicação, por isso eu não aceitei que o banco fizesse nada contra mim, eu cobro isso. Talvez essa seja a única coisa na minha vida que se eu pudesse fazer de novo… Eu teria dividido melhor o tempo entre o banco e a minha família.

 

P/1 - E sonhos a serem realizados?

 

R - Eu tenho sonhos porque eu penso [que] o dia [em] que a pessoa parar de sonhar a vida terminou, mas eu sonho pouco. Em termos financeiros acho que já tive mais do que eu mereço, porque saindo do interior de Minas e chegar onde eu cheguei... Tenho uma vida equilibrada, tenho minha casa, uma casinha na praia. Não tenho dívida, tenho carro, minhas filhas também, consegui praticamente formar minhas filhas, então meus sonhos hoje são mais em termos [de] talvez melhorar minha casa um pouco mais. Eu moro na Vila Matilde.

 

P/1 - E a sua esposa trabalha fora?

 

R - Não. A minha esposa, desde que nossas filhas nasceram ela parou de trabalhar, porque não podia pagar empregada e aí ela criou, foi melhor.

 

P/1 - Qual o programa que vocês fazem juntos?

 

R - A gente vai pro litoral.

 

P/1 - Ela é filha de imigrantes japoneses?

 

R - Meu sogro era japonês e minha sogra é mineira, ela é mestiça.

 

P/1 - Mas ela mantém alguma tradição oriental em casa?

 

R - Não, nenhuma. Não gosta de comida japonesa. Só tem os olhos meio puxados e tá bom.

 

P/1 - E você volta muito a Goianá?

 

R - Olha… Aliás, o Aeroporto Internacional de Minas Gerais vai ser em Goianá, já está em construção. (risos) É aquela cidade que tem um quebra-mola pra você poder ver a cidade, “Bem vindo”, “Boa viagem”. É uma cidadezinha pequena, está diminuindo. Quando eu nasci tinha dois cemitérios, agora só tem um; tinha duas igrejas, agora só tem uma. Era vila, depois virou cidade, mas não acho que cresceu. Vou a Goianá de vez em quando porque o meu irmão, que morava junto comigo aqui no Rio, comprou uma casinha lá, mas vou muito pouco.

 

P/1 - Pra encerrar, o que significa o BNDES pra você?

 

R - Minha vida, o banco pra mim é a realização de tudo que eu pensei. Era um sonho trabalhar num banco e eu trabalho e acho que é tudo o que eu queria. Talvez ainda falte um pouquinho, vou tentar fazer um pouco mais pelo banco em agradecimento ao que ele fez por mim, acho que é só isso.

 

P/1 - Norival, o que acha do projeto BNDES 50 anos e de ter dado seu depoimento pro projeto de memória?

 

R - Pra mim é uma experiência diferente. Acho que o banco poderia ouvir outras pessoas, com histórias mais interessantes que a minha, mas agradeço por ter sido indicado. Fiquei surpreso de saber que eu ia dar um depoimento sobre minha vida no banco, não me preparei pra isso. É a primeira vez que alguém me pergunta sobre o banco, então isso é um tipo de gratificação, poder falar do banco e falar bem, que eu acho que ele merece.

 

P/1 - E esse brochinho?

 

R - Eu tenho muito orgulho de estar no BNDES, é um broche de 50 anos do banco. Aqui do lado eu vou botar um de 25 meu e vamos eu e o banco em frente. Agradeço muito pelas oportunidades que o banco me deu de realizar grande parte dos meus sonhos, eu carrego isso [o broche] comigo com muito orgulho. Agradeço a todas as pessoas que me receberam, se eu fosse nomear talvez eu cometesse injustiça de esquecer algum, mas quero agradecer a todos que acreditaram em mim. Aprendi com todos, a minha vida no banco me deu muita experiência, a convivência com as pessoas eu gosto muito. Às pessoas de São Paulo, que me receberam muito bem, os que saíram, os que se aposentaram, agradeço todos eles, pois aprendi um pouquinho com cada um deles.

 

P/1 - Agradeço muito seu depoimento e sua participação, Norival.

 

R - Eu é que agradeço a vocês a oportunidade.






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