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História

Enxergando a pessoa cega

História de: Nivaldo Tadeu Marcusso
Autor: Ana Paula
Publicado em: 16/06/2021

Sinopse

Infância em Sorocaba, vida profissional em Campinas. Implantação da área de tecnologia da Fundação Bradesco, instituindo escola virtual e rede de acesso entre todas as escolas. Guarda na memória afetiva o encontro com Pelé, com direito a autógrafo, numa das viagens para transferência de tecnologia de informação e de ensino a distância.

História completa

Projeto Fundação Bradesco Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Nivaldo Tadeu Marcusso Entrevistado por Judite Ferreira e Maria (Leni?) Osasco, 16 de dezembro de 2005 Código: FB_HV018 Transcrito por Caroline L. Carrion Revisado por Esalba Silveira P/1- Nivaldo, vamos começar com você nos falando o seu nome completo, o local e a data de nascimento. R- Nivaldo Tadeu Marcusso. Local do nascimento? P/1- Isso, a data e o local. R- Tá. Sorocaba, 08 de setembro de 1960. P/1- E o nome dos seus pais? R- Juvenal Marcusso, Teresa de Carvalho Marcusso. P/1- E os seus pais nasceram onde? R- Minha mãe, ela em Águas de... hum, Águas de São Pedro. Isso que eu falei agora? Deixa eu ver... Águas da Prata. E o meu pai em Aparecida de São Manoel. P/1- E, assim, qual era a atividade deles? R- Meu pai foi policial militar, agora ele tá reformado, né; minha mãe é doméstica mesmo. P/1- E os seus avós, você lembra deles? R- Por parte... os avós, os pais do meu pai, eu lembro. Agora da minha mãe, eu lembro da minha “vó”; eu era muito pequeno, né. E o meu avô, por parte da minha mãe, eu nem cheguei a conhecer. P/1- Você lembra, assim, o nome deles, a origem? R- A origem, por parte do meu pai, era italiana, quer dizer, o meu avô veio da Itália. E a minha “vó”... acho que a mãe da minha “vó” tinha vindo da Itália, né? Eugênia Marcusso e João Marcusso por parte do meu pai. P/1- E irmãos, você tem? R- Não. P/1- Não. É filho único. R- Filho único. P/1- E vamos lembrar um pouquinho, assim, da sua infância. Você lembra da casa em que você morava na infância? R- Lembro. P/1- Como era? R- A casa em que eu morava é a mesma que meu pai ainda mora, a mesma, mesma casa. Casa muito simples. Meu pai, ele veio do sítio... quer dizer, os meus avós moravam no sítio; geração de italianos que vieram pra trabalhar em fazendas de café; o pessoal trabalhava na roça mesmo, né? E o meu pai, interessante, pelo que ele conta, ele teve um problema com o meu avô e acabou largando a família, foi morar com a “vó” dele, foi morar lá em Sorocaba. E aí ele acabou ficando. Trabalhou em fábrica de tecidos, Sorocaba na época, Sorocaba era chamada de Manchester Paulista, tinha empresa de tecidos. E aí o meu pai foi e ele é, sempre foi, muito esforçado e tal. Na época, ele tinha, eu acho, a primeira série, a segunda série do primário. Ele fez o supletivo, foi atrás, né? Conseguiu entrar na Polícia Militar. Aí veio trabalhar em São Paulo, na Guarda Civil, antigamente. Enfim, aí acabou que conseguiu se reformar como oficial, oficial da PM, aposentou-se como oficial. P/2- E essa casa da sua infância era onde? R- Sorocaba. P/2- Em Sorocaba mesmo? R- É. Eu nasci em Sorocaba. Enfim... P/2- Ele vive lá? R- Vive lá. Minha mãe é falecida, mas meu pai vive lá ainda. P/1- Você lembra, assim, como era o dia-a-dia naquela época? As brincadeiras que você gostava? R- Futebol [risos]. Tanto que eu tava comentando: o meu filho quase virou profissional em futebol, muito bom. P/1- Herdou [risos]. R- Ele fez tênis por 9 anos, jogou na Ponte Preta, jogou em São Bento, Sorocaba e tal. Gostava muito de futebol. Tenho um tio que foi profissional. E eu jogava bem, treinei também no São Bento, enfim, acabou não dando muito certo não. Aí eu virei engenheiro, que nem o meu filho. Eu falava: “Diego, você tem que pensar o que você vai fazer na vida, tal.” Ele falava: “Ah, pai, se não der certo futebol, eu vou fazer engenharia, qualquer coisa, né?” E hoje ele tá fazendo engenharia, quer dizer, é interessante. Mas na época eram basicamente brincadeiras, enfim, a gente tinha muito espaço, eram brincadeiras na rua e futebol. Era...se deixasse, jogava oito horas por dia. P/1- E o dia-a-dia da casa, assim, você lembra alguma coisa? R- Era uma vida difícil, mas até que tranquila. O meu pai... enfim, minha mãe não trabalhava, o meu pai que sustentava, sempre sustentou a casa. Mas era uma vida atribulada no sentido de que a gente morava em Sorocaba, ele trabalhava em São Paulo, na época, tal. Mas, enfim, era uma vida até que boa pros padrões. P/2- Escola de manhã? R- É, escola de manhã, escola pública, né? Então... E eu tinha um ótimo desempenho: até a oitava série eu fui sempre o primeiro da turma, até a oitava série. Depois eu não sei o que aconteceu, eu brinco..[risos]. Mas eu ganhava prêmio, eu era... P/2- Outros interesses, né? R- É. Então nessa escola que estudei... estudei até a quarta série numa escola primária, Senador Vergueiro, lá em Sorocaba. Fui desde a Educação Infantil até aquela época na quarta série e eu era o primeiro da turma, então não tinha nada. Lembro dos troféus, recebia bola de futebol. Depois foi na quinta série que eu entrei numa escola municipal, Aquiles de Almeida. Também tinha um bom desempenho. Depois eu fui fazer curso técnico em eletrônica no Colégio Técnico Industrial Paula Souza, esses colégios técnicos públicos. Era numa base de 12 a 15 candidatos por vaga e eu consegui entrar. Aí me formei e logo consegui estágio na Pirelli, que era tipo de 100 a 150 candidatos por vaga para estágio. P/2- Posso te interromper só um pouquinho. R- Hum hum. P/2- Você não tem irmãos, né? R- Não. P/2- Filho único. R- É, mas como eu comentei com você, eu tinha muitos primos, então não senti falta na época. P/2- Na infância eles participaram. R- É, eu era como...eles eram como filhos da minha mãe e eu era como filho da minha tia, que era irmã da minha mãe. P/1- Brincavam juntos. R- É. A gente cresceu juntos, um primo e uma prima. P/2- E como era Sorocaba nessa época? Era pequena, já era uma cidade média? R- Sorocaba nessa época, não sei, não tinha noção, mas acho que Sorocaba era mais forte, em termos de habitantes talvez, até maior número do que Campinas. Depois Campinas teve uma época que decolou. Hoje Campinas tem 1 milhão e Sorocaba tem 500 mil. Sorocaba, na época, era mais, pelo menos a imagem que eu tinha como sorocabano, não sei aí fazer uma análise. Tanto que quando eu fui trabalhar em Campinas e tal, tinha esse negócio de: “Pô, eu, um sorocabano, eu ter que ir trabalhar em Campinas! Por quê? É um mau-negócio.” A rixa desde a época do futebol, do São Bento com a Ponte Preta. Depois vou contar uma história interessante, posso até falar agora, que teve uma briga, uma vez. Eu e o meu pai, a gente gostava muito de futebol, a gente ia assistir jogo do São Bento, sorocabano. Eu morava duas ruas atrás do campo de futebol, então a gente vivia... eu vivia lá dentro. Teve um briga uma vez com uma torcida de Campinas. Foi uma briga feia. Meu pai militar, aquela coisa e tal, e eu lembro bem um rapaz que eu briguei. Você não acredita, depois eu encontrei ele como professor na Fundação Bradesco [risos]. O professor Geraldo tá até hoje, ele olhava pra mim: “Parece que te conheço.” “Eu também, parece que eu te conheço de algum lugar!” [risos]. P/2- É uma boa oportunidade! R- Ele, pontepretano roxo; eu, são-bentista, é um negócio! Muito legal, né? Somos amigos até hoje. P/1- Dessa... oi? Dessa época lá da tua infância, você tem, assim, alguma recordação marcante, alguma coisa que você lembre? R- A primeira vez que eu vi uma televisão na minha frente. Que eu ia na casa do vizinho, que a gente na época não tinha condição e a televisão também, naquela época, enfim, década de 1960, né? Ia assistir novela, acho que era Irmãos Coragem, nem sei que novela que era mais. P/1- Devia ser. R- E a gente... então pra mim, a televisão é algo... E outra que eu guardo muito bem é quando eu vi o Pelé jogando. Como eu era muito... eu gostava... eu gosto muito de futebol... quando ele foi jogar em Sorocaba, né? E o campo do São Bento era muito próximo. Então o Pelé... tipo, eu estava aqui encostado e o Pelé tava passando ali do lado. Agora eu vou puxar um pouquinho pra frente, só pra fazer essa ligação. O Pelé que me marcou, me remeteu agora: há dois anos atrás, eu fui pra Espanha visitar a Universidade de Barcelona, enfim, buscar alguns projetos. Depois, à noite, nós fomos num jantar. Aí tal, de repente o pessoal começa a levantar no restaurante, falei: “Pô, aconteceu alguma coisa aqui”, ficamos assustados. Quem estava entrando? Pelé [risos]. E naquela época, quem não conseguia um autógrafo, né? Eu peguei lá uma nota de 10 euros e ele assinou, com uma dedicação pro meu filho. Então hoje o Diego, ele tem lá num quadro. P/1- Que bacana. R- Na época que eu queria, né, adolescente eu não consegui. Depois de muitos, muitos anos... P/2- (Tem que?) ______ lá. Não conseguiu aqui. P/1- Você já contou pra gente que você começou a estudar, fez desde a pré-escola numa escola, né, até o quarto ano. R- Isso, Senador Vergueiro, até a quarta série. P/1- Você lembra como era essa escola? R- Lembro, nossa, até hoje vou lá, ________, né, que meu pai mora lá. P/1- Conta um pouquinho pra gente de como é que era estudar naquele tempo, como é que era a escola. R- Eu gostava muito, quer dizer, eu gostava, eu gosto muito de estudar, tanto que continuo estudando muito. Aliás, estudo mais com meus filhos, brinco com eles, né? Mas foi, eu gostava, nossa! Porque eu era um excelente aluno, eu era acima da média mesmo, tinha uma facilidade muito grande. E gostava de fazer... enfim, participar de tudo quanto era atividade da escola: jogos, poesias, eu ia lá. Eu era muito ativo na época e tinha uma certa liderança em relação ao grupo, era representante de classe, tinha uma participação bastante... E até hoje, de vez em quando, vejo o professor ainda. P/1- [risos] Então, tem algum professor, assim, que te marcou? R- Professor Sid de matemática, professora Francisca de língua portuguesa. P/2- Qual é a matéria que o senhor mais gostava? R- Olha, gostava de matemática, sempre tive muita facilidade, tanto que fui fazer engenharia. Tenho muita facilidade. E idiomas tive sempre dificuldade, interessante. Estou remetendo agora, eu estava conversando...jogar um pouquinho pra frente, né? De repente eu entrei na empresa, 1984. Em 1987 me falaram: “Olha, você tá indo”... melhor, em 1987: “Você tá indo pros Estados Unidos, você vai ficar seis meses. Você vai transferir tecnologia tal.” Era pro banco, eu trabalhava numa empresa de lá que era do banco. E a hora que eu fui falar pra esse diretor que eu trabalhava, enfim, me trouxe pra trabalhar com ele, montamos um grupo, eu não sabia inglês, meu pai nunca teve condições de pagar; o inglês que eu aprendi é da escola. E não sei se vocês acreditam, mas eu nunca fiz curso de inglês até hoje, foi pela experiência que eu fui adquirindo. Aí me colocaram na situação, a hora que eu fui falar, falou: “Você entendeu, você vai ficar seis meses, vai fazer isso, isso, isso.” Foi uma missão, fui embora. Já era casado, tinha minha filha, eu deixei. Isso até hoje a minha esposa, de vez em quando, cobra, porque os demais levaram a esposa e o filho. Eu não levei porque eu tinha dificuldade em questão de idioma, fiquei muito preocupado, nunca tinha saído do país. Quer dizer, até contei a história que fui fazer entrevista em Campinas e fui parar em Americana [risos]. Pra mim o mundo era Sorocaba. Aí eu falei...bom, imagina, o cara tinha saído da Pirelli, chegou atrasado numa entrevista, falei: “Perdi, né, perdi o emprego.” Mas ele me fez ir outro dia. Esse diretor me ajudou, seu Adolfo, até hoje ele tá aí, um alemão, era diretor industrial da Digilab. Saiu da Volkswagen, me ensinou muito profissionalmente. E tem, pra mim, uma visão, um momento muito marcante quando ele foi demitido, né? Estava voltando dessa viagem e deu um problema aqui com o diretor do banco, que foi lá e demitiu ele, por telefone, e ele não aceitou a demissão. O cara pegou helicóptero, foi lá e mandou ele embora. Eu estava chegando de viagem, eu fui lá cumprimentar ele, ele estava chorando. Pra ele: “Que que foi? Pô, seu Adolfo.”.Uma pessoa que nem ele, chorando, falei: “Morreu alguém?” “Não, fui demitido no ano que nós batemos recorde, faturamos 100 milhões de dólares com 100 funcionários. Um milhão de dólares por funcionário.” E ele foi demitido. Pra mim, tudo comigo aconteceu muito rápido: tive filho com 21,22 anos. Pra mim foi um negócio e a viagem também muito rápida. Aí chego lá, de repente, e a pessoa que me contratou, me mandou pra lá, já não tá mais aqui. Isso foi um momento que marcou profissionalmente no início da carreira, me deixou muito preocupado. Mas depois aí já era professor na Fundação naquela época, sempre tive duas atividades, um ritmo... P/2- Deixa a gente adivinhar: no tempo da escola, a pior matéria era inglês? R- Não. P/2- A com mais dificuldade, não? R- Não, eu tinha boas notas, mas eu não me interessava. Quer dizer, eu nunca tive dificuldade, sinceramente... Aí na engenharia, é claro, tive dificuldade em algumas disciplinas, mas as matérias básicas eu era... Podia dizer que eu tinha alguma dificuldade em ciências, em alguma, mais no Ensino Médio, química, biologia, por falta mais de interesse do que propriamente... Mas o inglês era algo que eu não achava que eu nunca ia, tipo... tá tão longe de mim, o que sou eu? _____________________________ lá em Sorocaba, né? P/1- Não se interessou, né? Então, voltando um pouquinho aí pra esse tempo da escola, o que que te influenciou pra fazer engenharia? Como... R- Eu fiz colégio técnico, né? Eu sou formado em técnico eletrônica, então a tendência era seguir pra engenharia mesmo. Agora, o que levou a fazer o curso técnico é que eu gostava de eletrônica. Então quando eu tinha 13 anos, eu fiz um curso a distância, né, era por correspondência. Era de rádio técnico-monitor, que nem tem esse da... P/1- Certo... R- Como que chama lá? Tem rádio técnico-monitor, tem outro aí que tem muito tempo no mercado. Então eu recebia os kits em casa, eu montava. Foi surgindo, não sei, de repente surgiu o interesse. Aí os amigos entraram também, o pessoal que jogava bola. Só que antes de eu ir pra engenharia, aconteceu um fato. Eu estava comentando com ela que meu pai insistia que eu tinha que seguir a carreira militar. De certa forma, ele dava duas opções pra mim: ou seria advogado, fazer direito, ou seria militar, né? Filho único, imagina, a atenção total. Bom, muito bem, direito falei... P/2- Na década de 1970, né? R- Isso, isso. Na verdade, quando eu fiz foi em 1979, né? E aí fiz, passei, Academia Barro Branco para oficiais da PM, meu pai era soldado, ele entrou como soldado, eu de repente já era... Pra ele, aquilo era... P/1- Iria entrar como oficial? R- É. Só que na época eu também fiz vestibular e passei na engenharia. Aí eu fiquei uma semana na Academia e puxei o carro. Daí ficamos alguns meses sem se comunicar [risos]. Depois ele entendeu e hoje até acha que eu não devia mesmo ter carreira militar, é complicada. P/1- E desse tempo assim de escola você lembra de formatura, de turma, você tinha uma turma? R- Lembro, lembro da formatura, quando formei no colégio técnico, eu conheço minha esposa desde os 17 anos, tá? A gente era vizinho, só de pular o muro, era bem, bem próximo [risos]. Então, eu lembro muito bem, coloquei aquele terno muito bonito... a primeira vez que usei na minha vida um terno, tinha 17 anos, acho que era. E aí a Rose estava lá, a minha esposa estava junto. Ela foi na minha formatura, eu fui na formatura dela. Nós estudamos a partir da quinta série no Aquiles de Almeida, juntos, só que naquela época era homem de um lado... P/1- E mulher do outro. R- Mulher do outro. A gente não podia se cruzar ali na escola, mas como a gente morava junto, a gente se encontrava, né? P/2- Você tinha turma, assim, na tua época de estudo, de adolescência? Como é que era? R- Tinha, tinha turma. Turminha muito, assim, não gostava, não gosto muito, né? Por incrível que pareça, as pessoas não acreditam, eu gosto muito de rock. Então a gente tinha um grupo lá que vivia com disco do Black Sabbath até o The Purple, Led Zepellin. É um grupinho... P/2- A sua adolescência foi em torno de muita música? Como foi a adolescência? R- Música...bastante, muita música e muito futebol, né? Muito futebol! Futebol faz parte, né? P/1- Futebol faz parte... R- Pro meu filho não deu certo o futebol, eu fiquei muito... Primeiro não acreditei que ele ia ser, porque eu achava, sempre achava que eu jogava melhor do que ele. Era aquela coisa, eu falava: “Se eu não consegui, você não vai conseguir também.” Mas a coisa começou a se tornar tão séria que... Aí depois ele teve um problema, teve que fazer a cirurgia de apendicite e foi dispensado da Ponte Preta. Foi o primeiro baque que ele teve. Aí fomos passar férias, em janeiro, em Sorocaba. Ele foi fazer o teste lá no São Bento, passou. Falei: “Vai começar tudo outra vez.” Aí viram ele jogar, o outro time de Sorocaba, que estava na primeira divisão, Atlético de Sorocaba. Foi lá: “Não, tal...”. Ele saiu da Fundação Bradesco, transferiu pra Sorocaba, ele morava na casa da irmã da minha esposa, né, e treinava lá. Depois ele foi morar dentro do centro de treinamento. Aí teve uma ruptura no músculo, três meses depois. Falei: “Não é pra ser jogador de futebol.” Aí ele desistiu. Pra mim foi uma decepção. O meu pai então, nossa senhora, o meu pai ficou... O meu pai, aposentado, ia lá ver o treino dele todo dia em Sorocaba, era um tal negócio que... Então pra mim foi uma decepção no sentido que, primeiro, eu não acreditava e depois, né, aí, eu falei: “Poxa vida!” P/1- Bom, então você logo começou a trabalhar? R- É, eu comecei a fazer estágio, na verdade, em 1979, né? P/1- Aquele estágio que você falou, que... R- Técnico, colégio técnico. Entrei na Pirelli quando eu... foi a primeira conquista profissional, porque lá... Primeiro eu não achava que ia passar na Polícia Militar. Acho que foram sete - não lembro o número- só em Sorocaba que passaram, acho que foram sete. E eu entrei, falei: “Puxa vida! Agora vou ter que ser militar. Não é possível [risos]!” Depois foi a questão da seleção da Pirelli, que o colégio técnico era muito...eram, tipo, três vagas, né, então... E era para uma cidade toda, porque era uma empresa, é uma empresa, enfim... E eu entrei. Fiquei dois anos, depois entrei na engenharia, voltei, fiz teste novamente e entrei no estágio de engenharia. Então a experiência profissional minha foi na Pirelli. P/2- ______________________________? R- É, eram duas empresas. P/2- A de cabos era uma. R- Energia, cabos telefônicos e cabos de energia. Então foi uma primeira conquista profissional. E aí pagam muito bem e tal, só que na época só tinha um bom lugar na área de produção, na ponta: você trabalha como supervisor de produção, você vira turno e tal. Falei: “Não é possível, fiz engenharia, não é pra isso.” Se bem que hoje em dia talvez pensasse diferente, mas... E era casado naquela época, tinha uma filha. Aí fiquei desempregado de repente, falei: “Ah, vou tentar outra...”. E foi aí que começou a minha atenção por educação. Como não tinha outra opção, fiquei seis meses, cinco meses, nessa situação, mandei currículo, pega o Estadão e vai lá, currículo pra todo lado. Foi onde eu mandei currículo pra Digilab [Laboratório Digital S.A], que eu nem sabia que a empresa era do Bradesco, eles não falaram que era do Bradesco, e mandei pro Colégio Brasil, da Vila Carrão, aqui em São Paulo. Me chamaram no colégio e eu viajava de Sorocaba pra São Paulo pra dar aula, curso de informática. P/2- Você era professor de quê? R- Professor de Assembly, é uma linguagem de programação aí, de baixo nível, mas é.. controladores lá. Aí, nossa, me dei muito bem, queriam que eu ficasse lá. A hora que eu ia pegar um maior número de aulas, surgiu a oportunidade dessa entrevista na Digilab. Aí eu tentei levar os dois, morando em Sorocaba, trabalhando em Campinas e queria dar aula em São Paulo, né? Não deu certo [risos]. Esse é meu problema, né, começo a colocar coisas. Mas mesmo assim, fiquei durante dez anos, praticamente, trabalhando durante o dia e dando aula à noite. Ou seja, entrava às 7h30 da manhã, saía às 11h30 da noite, inclusive aos sábados dando aula. Trabalhava durante o dia, ficava um negócio maluco, então... Até que chegou um dia, depois de três anos, cheguei na Fundação e falei: “Olha, quero sair, não aguento mais.” Primeiro que minha esposa morava em Sorocaba, eu morava em pensão em Campinas... Essa coisa que deixa a família protegida, como foi a viagem que eu fiz pros Estados Unidos: “Ah, deixa lá, tá na minha mãe, a sogra, criança e tal.” Só que uma hora, a família, falei: “Não, não dá”, você tem que... P/2- A Digilab era da Fundação? R- Do Bradesco, mas ela ficava no mesmo local, na Fazenda Sete Quedas, lá em Campinas, onde temos hoje o centro de tecnologia, né? Ela, a fábrica, ficava aqui; a escola aqui, então eu trabalhava aqui durante o dia e à noite eu ia na escola dar aula. E ia dormir numa pensão em Campinas, porque não dava pra voltar pra Sorocaba. Enfim... P/2- Em que ano o senhor começou então na Fundação? R- 1986, como professor. P/2- Como professor? Era professor à noite? R- Fiquei até 1994, quando eu vim pra cá, praticamente, com... Depois peguei como coordenador, diminuí o número de aulas, enfim. Mas como eu tava falando, eu cheguei um dia lá, com a Ana Luísa falando: “Eu estou indo embora. Não dá, que é a vida da gente, né? Não dá pra eu ficar na Fundação, porque...”. Enfim, eu tinha o salário da Digilab, como engenheiro, cuidava de toda uma área. Ela falou: “Não, não, mas faz o seguinte: a questão é de trazer a família? Na fazenda [Antiga Fazenda Sete Quedas do Banco Bradesco] aqui tem casas de funcionários. Então vem morar aqui dentro.” Eu peguei, morei na fazenda, trouxe a família comigo para morar. Aí já viu, morando lá dentro era trabalho à noite, trabalho..[risos].. P/1- Trabalhava aqui, morava ali... P/2- De dia, de madrugada, cedo... P/1- Tudo... R- Até que um dia o Bradesco falou: “Não, nós não queremos mais a Digilab, vamos vender.” Acabou a Digilab, ela foi vendida. Só que na época eu já cuidava de várias áreas. Tem uma área de satélite, que, enfim, tinha montado uma equipe, e tinha a oportunidade de trabalhar em São Paulo, em Alphaville, que hoje é uma empresa inclusive para serviços pro banco na área de satélite e tal. E falei: “Puxa vida! Vou, não vou, vou, não vou?!” E aí surgiu... à época Ana Luísa já estava aqui, falou: “Olha, tá, estão pensando em montar uma área de tecnologia lá na Fundação, você não está interessado?” Foi onde eu tomei a decisão, falei: “Não, eu vou!”. P/2- Continuou a Fundação? R- Ô! Agora é só Fundação. Então quando eu vim aqui, montei toda essa área de tecnologia, que não tinha, enfim, eles não tinham estrutura, não tinham projeto, não tinham... Nós partimos do zero. Essa foi uma chance, uma oportunidade muito grande que tive na vida, no sentido de partir do zero e montar hoje o que é a Fundação nessa área de tecnologia, né? Que é coisa _____,1994, a partir de 1994, estão __________________. 11 anos. 11 anos. P/1- Quando você começou na Fundação, você já conhecia a Fundação, já tinha escutado falar na Fundação? Não? R- Conheci quando eu entrei na Digilab, porque era do Bradesco mas... P/1- Assim, qual a primeira impressão que você teve da Fundação? R- Como eu fui pra Digilab, eu vi que era do Bradesco. Aí eu falei: “Poxa vida, aqui é um lugar interessante,” porque eu conhecia o Bradesco. Nunca tinha tido conta no Bradesco, mas a gente sabia o que era o Bradesco na época. Depois quando tinha dado aula, eu fui... como as coisas acontecem: como eu tinha dado aula no Colégio Brasil, na vila Carrão, aí tinha um coordenador, uma pessoa que cuidava do curso e falou: “Olha, eu tô saindo, você não está interessado? Parece que você foi professor...” Isso num ano na Digilab, as coisas aconteceram: “Você não tá interessado?” Eu falei: “Ah, estou sim. Só como...eu viajo de Sorocaba, como é que eu vou fazer e tal?” “Ué, você fica em pensão aí, tal.” Quando eu peguei as aulas... Só que começa, né? Pega uma à noite, depois vira duas, aí vira três, aí virou de segunda a sábado à noite, sábado durante o dia e de segunda a sexta à noite. Então foi um negócio meio complicado. E aí, chegou um momento que eu tinha que decidir, falar: “Ah, não dá, não dá pra tocar os dois, morando em pensão, família em Sorocaba...” Aí o negócio, começou viagem, começou... Quase que eu saí, porque eu fiquei seis meses. Falou: “Não, tudo bem, vou dar uma dispensa não remunerada, tal.” Ou seja, era pra eu continuar na Fundação. Impressionante as coisas quando tem que acontecer... Tive a oportunidade de sair como engenheiro, quase fui pra IBM [International Business Machines Corporation]. Cheguei a ponto de entrar e pedir demissão, quase demissão da Digilab, tinha uma proposta irrecusável pra ir pra IBM na época, mas aí, enfim... P/2- Aproveitando o gancho da IBM, esse período era uma época em que a informática... R- Reserva de mercado. Era a época da reserva de mercado, e se investia muito em termos de vou buscar tecnologia, transferência, né, um tanto de gente, enfim... Era, na verdade, o fim da reserva de mercado, e estava se abrindo pra o mundo todo, trazendo tecnologia. E eu tive uma... quer dizer, deu uma sorte. É claro que também eu acho que é resultado do meu trabalho, que eu entrei numa época muito boa. Então em um ano, transferência lá em Minneapolis, Alemanha, Japão... Monta equipe, de repente tinham 4 pessoas, viraram 35, de repente engenheiros, aí trouxe amigo de Sorocaba. Eu montei, foi... P/2- E no Brasil era pioneiro? R- Pioneiro. P/2- Era tudo trabalho pioneiro aqui no Brasil? R- Pioneiro, porque a gente fazia terminais bancários. Na época, lá, eu cuidava de terminais bancários, peças, né, de produtos, terminal bancário, impressora, processador de comunicação, injeção eletrônica da Bosch. Quando entrou no Brasil, entrou via Digilab, processador de comunicação, satélite, foi um negócio impressionante, foi acontecendo, acontecendo, acontecendo... P/1- Abrangia muita coisa... R- Eu montei uma equipe. Eu ia lá em Sorocaba lá, eu falava com meus amigos que tinham se formado comigo, falava: “Ó, vamos pra lá, pô, a coisa lá é... E tem um detalhe, vem, arruma passaporte, porque tem que viajar, porque tem que ir lá pra fora, né?” Então as coisas aconteceram muito rapidamente. P/2- Pra buscar inovações? R- Buscar, trazer tecnologia, produzir, né? Então a gente estava.. foi uma decisão na época, política do banco, de acabar com a empresa, vender na verdade; ela foi vendida, os vários negócios, mas era uma empresa muito lucrativa, né? Faturar 100 milhões de dólares com 100 pessoas naquela época era algo muito significativo. Eu aprendi muito, quer dizer, eu tive muitas oportunidades. E aí, trabalhando já na Fundação, conhecendo um pouco a Fundação, eu falei: “Ah, puxa vida, mas a Fundação não tem essa área de tecnologia, interessante, o Bradesco é tão forte nessa área”, e eu sempre com isso na cabeça. E aí eu conversava com a Ana Luísa [ Ana Luísa Restani], com a Ana Cleide [Ana Cleide de Souza de Castro], a gente, enfim, trabalhava lá junto. Eu falei: “Não é possível, a Fundação não tem isso? Nunca pensou em fazer isso?” Aí eu começava a dar alguns insights, até pelo conhecimento das viagens que eu tinha feito e tal. Aí foi quando a Ana Luísa assumiu aqui a área. Ela falou: “Puxa vida, mas eu conheço a pessoa certa pra isso e que tá lá em Campinas”. Aí me convidou. P/2- Ela já conhecia você porque era diretora da escola lá? P/1- Nessa época... R- Ela era diretora da escola. A gente quase não encontrava ela porque.. quem mais eu me encontrava era com o Alécio [Alécio Gianinni], porque eu só trabalhava à noite lá. Ela era diretora, ficava durante o dia, o Alécio cuidava da parte tarde/noite, então meu contato era mais o Alécio. “Mas tem um rapaz lá, vamos ver se ele tá interessado, porque parece que ele vai sair, saiu da Digilab, tá saindo.” Foi quando eu vim pra cá. P/1- Coincidiu de tá fechando lá e aí ela te chamou pra cá? R- Chamou, eu vim pra cá e aí pegamos esse desafio aqui de montar essa área... P/1- E aí, como foi isso? R- Foi difícil. P/2- Os principais desafios, assim, os desafios marcantes dessa, desse seu... R- Rejeição. P/2- Rejeição?! R- Rejeição, porque... P/2- A implantação do novo curso? R- É, da nova área, né. P/2- Da nova área? R- As pessoas que estavam aí... que eu vivia com uma cabeça, tive a oportunidade, enfim, de conhecer o mundo. Aqui é um pouco...a cultura é um pouco fechada, na época era, hoje está mais aberta. Então a rejeição foi muito grande, então tive que ter muito apoio pra... E apoio também de uma pessoa que nos ajuda muito, tem uma visão fantástica de futuro, que é a dona Denise, [Denise Aguiar Alvarez] ela é.. tenta acreditar muito nessa área de tecnologia, acredita muito, tanto que essas viagens que eu já comentei com você, a maioria ela foi junto. É como seu Amador Aguiar, seu Amador, são parentes, tem muitos amigos que estão na área de tecnologia do banco. Seu Amador, quando foi implantado o primeiro computador mainframe no Brasil, que era o 360, ele foi fazer o curso. Ele já era presidente do Bradesco. Ele terminou o curso e falou assim: “Esse negócio aqui é bom. Compra dois [risos].” E a Denise, até brinco com ela, ela trouxe essa questão do avô em relação à tecnologia, então ela tem uma visão muito interessante. Quando eu vim aqui fazer a entrevista, ela não me conhecia, falou: “Olha, eu só quero uma coisa de você” - até hoje eu brinco com ela, a gente conseguiu isso depois de algum tempo - “eu quero um com mouse.” Naquela época eu falei: “Mouse...”. “Mas eu quero dar três cliques aqui, né, apertar três teclas e ter a vida da Fundação aqui na frente.” “Nós vamos chegar lá, mas leva tempo.” Ela falou: “Muito bem. Você acha que dá pra fazer em quanto tempo?” “Em quatro anos a gente faz isso.” Em três anos estava pronto. P/2- Tava pronto? R- Conseguimos. Então até hoje, a gente... o MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] por exemplo, ela vai lá todo ano com a gente, visita, conhece. E fomos já, enfim, na Sysco [ Sysco Software Solutions], que é uma empresa na área de rede; ela vai junto. Ela e a Ana Luísa são pessoas que têm uma visão... A Denise deu um depoimento na Isto É Dinheiro, não sei se vocês viram, recentemente, ela já projetou a Fundação no futuro. Nós vamos crescer a educação a distância através do centro de inclusão digital, quer dizer, ela tem uma visão de futuro muito... E eu acho ela que isso ela trouxe do avô, a questão do... P/2- É, o avô me parece que deixou bem consolidada as várias questões na Fundação, né, desde valores... R- É questão de visão de futuro, é questão da formação do caráter, a Fundação tem muito disso, qualidade, não tenha dúvida... P/2- Do conhecimento. R- Além do conhecimento, da qualidade da formação que a gente percebe. Tenho muito contato com empresas da área de tecnologia que contratam os nossos alunos. É o seguinte: dificilmente nós temos problemas com profissionais que vêm da Fundação, em termos de caráter, em termos de postura, em termos de formação. Quer dizer, isso, por incrível que pareça, que devia ser o que todo mundo tem, hoje é um diferencial. P/1- É um diferencial, né? R- Porque conhecimento técnico, mal ou bem, você acaba, enfim, adquirindo de uma forma ou de outra. Mas a questão postura profissional, de respeito, relacionamento, isso, infelizmente, em geral as escolas estão deixando de oferecer pros seus alunos, enfim, tem a questão da família também muito forte. Mas a Fundação, ela se destaca por isso. P/2- Como é, dá licença um pouquinho, como é a distribuição desse conhecimento de tecnologia a partir então dos seus desafios, da implantação de um curso pioneiro como informática, por exemplo, nas demais escolas, como foi então? R- É, na verdade nós fizemos todo um plano. Primeiro a gente utiliza tecnologia em duas formas: automatizar e informatizar os processos administrativos. Nessa questão ela, Dona Denise, queria três cliques e queria ter a visão de todos os alunos da Fundação, e a questão do ensino/ aprendizagem, como utilizar a tecnologia dentro da sala de aula, como o professor pode se apropriar desse conhecimento para melhorar os processos, passar o conhecimento para o aluno, desenvolver as competências, etc. Então a gente começou a prospectar as várias possibilidades: primeiro tinha que montar uma infra-estrutura, tinha que interligar as escolas. Eu cheguei, tinha 150 computadores, cheguei em 1994, hoje tem uns 3.800 que estão conectados no Brasil todo. Hoje eu consigo saber o que um computador lá em Cacoal, em Rondônia, está acessando. Então eu faço todo o gerenciamento por aqui, tenho uma rede independente do banco, foi uma outra conquista em função aí da nossa diretoria, eu administro uma rede satélite, administro uma rede VPN [Rede privada], wireless, sem fio, enfim, tudo próprio. Na época a gente compartilhava do banco, era complicado, o banco tem uma prioridade que a Fundação não tem, era um negócio... Então primeiro foi montar a infra-estrutura, e depois levar a tecnologia pra dentro da sala de aula. Não tinha laboratório de informática, não tinha espaço com computadores dentro... Aí pegamos salas, começamos a adaptar, tal, aí criamos hoje 40, toda escola tem pelo menos um laboratório. Foi a primeira fase, ou seja, da infra-estrutura ao acesso. Depois, com o advento da Internet e tal, possibilitar que todas as escolas tivessem acesso à Internet; e na questão da aprendizagem identificar tecnologias que facilitassem o desenvolvimento cognitivo das crianças, então eu tenho hoje soluções desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Um software _______ multimídia, eu tenho Lego, eu tenho Mega We.do, a tartaruguinha robótica, enfim. Para aquela faixa etária eu tenho um tipo de tecnologia, para facilitar processo de ensino, aprendizagem, o desenvolvimento cognitivo, o pensamento crítico... P/2- E isso se desenvolveu... R- E assim por diante. Então nós fizemos todo o mapeamento, junto com a área pedagógica, que tipo de tecnologia a gente tinha que trazer. E aí com essas visitas, viagens internacionais, a gente acabou montando uma arquitetura que hoje é referência no Brasil e é, enfim, considerada uma solução. E temos essa ponte hoje com o MIT, é o laboratório de inovação, que a gente vai uma vez ao ano, identifica: “Ah, vamos trazer esse projeto”. “Traz.” Trago pra Fundação e nessa fase estamos levando para escola pública, quer dizer, a escola mais próxima da Fundação Bradesco também, de certa forma, recebe esse tipo de tecnologia. P/2- Atualizada. R- É. E aí começamos, consolidamos o projeto, percebemos o seguinte: puxa vida, né, nós somos um projeto de educação a distância, na época, ______ uma tecnologia aqui, nós visitamos a Cristina, a Denise, enfim, conhecemos em 1996, 1995, num congresso, chamava Educom, um congresso de tecnologia voltada à educação nos Estados Unidos. Até hoje a gente vai, ano passado eu estive. E, até brinco, foi a primeira vez que nós tivemos contato com e-mail, em 1995. O advento da Internet foi em 1994, né? Talvez a Denise conte essa história quando vocês forem conversar com ela. Aí falou: “Pô, mas que negócio legal, olha esse negócio de correio aqui, o pessoal tá chamando de e-mail.” “Mas como? Você quer que eu fique do lado de você, pra conversar com você?” Ela falou: “Mas vê esse negócio aqui!” De vez em quando ela conta essa história aí, foi a primeira vez, quando tivemos... Hoje ninguém consegue ficar mais [risos]. P/2- Sem. P/1- Pois é. R- Ela perguntou: “Mas isso vai dar certo?” “Olha, eu acredito que isso daí, num prazo de dois, três anos, todo mundo vai usar.” “Mas você é maluco, rapaz, você acha que vou... vão deixar de usar o telefone pra usar um negócio desses e tal?!” E aí, acabou, hoje. Então foi essa facilidade da gente de identificar oportunidades e trazer aqui dentro. E agora na questão da educação a distância, em 1995, né, 1994, 1995, precisamos identificar algumas tecnologias e desde então a gente sempre ouvia: “Puxa vida, tem tanta gente que quer estudar na Fundação e a gente não consegue atender todo mundo.” Hoje nós temos 190 mil pessoas que gostariam de estudar na Fundação, registradas, carentes. P/2- Esses dados são estatísticos? R- Não, são pessoas, procuram e a gente registra, porque tem que atender: “Olha, não tem vaga, mas a senhora deixa aqui as informações, o nome.” Tenho 190, tem mais, mas vamos arredondar, 190 mil pessoas. P/2- Registradas. R- Registradas. E na época já se falava: “Nossa, tem filas de pessoas que querem entrar, nós temos que buscar algum tipo de tecnologia que possa...” P/1- Que atenda, né? R- Foi educação a distância. Então nessa época, 1994, 1995, a gente começou a prospectar e hoje nós temos o conceito da escola virtual, que é um conceito da 41ª escola da Fundação, a escola que não existe fisicamente, mas que eu possa atender até 150 mil alunos. E aí, montamos a arquitetura, mas a arquitetura, assim, montava com doações, né, porque recurso na área de tecnologia sempre foi muito reduzido. Então eu convidava uma empresa... P/1- ____ o que se tem que fazer, né? R- Como eu, a gente anda, nós vamos com uma frequência grande aos Estados Unidos, tal, eu falei: “Pô, mas você não tá interessado em ir pro Brasil? Lá sua tecnologia ainda não é usada. Agora tem, eu tenho um projeto social fantástico, se você...” [risos]. P/2- Se você for um parceiro então [risos]! R- Exato. P/2- Vai ser bom pra nós dois. R- Então hoje a minha arquitetura, a gente fala que é a ferramenta LMS, o Learn Management System, Sistema de Gerenciamento de Aprendizagem, que faz o gerenciamento do aluno, dos 150 mil alunos, foi doado por uma empresa, ____ que agora é ___________, que custaria 5 milhões de dólares, eles doaram pra nós porque nós trouxemos no Brasil e fizemos uma divulgação, vinculamos, à empresa deles, tanto que hoje eles são, o Bradesco é cliente dessa empresa. Ferramenta de conferência, não sei se alguém já comentou nas entrevistas que eles conversam quase todo dia com todas as escolas. P/1- Já. R- Foi a mesma coisa, você entra... na época, (você não quer ir?) pro Brasil. Porque o pessoal reclamava muito: “Esse negócio de viagem e tal.” Eu falei: “Mas deixa, eu tenho uma tecnologia que eu vi lá muito interessante, conferência, ______.” “Mas que que é isso?” “Não, deixa eu, deixa eu negociar com a empresa primeiro.” Mesma oferta, então ela tinha que pagar 500 mil dólares, eu paguei 50 mil dólares, por exemplo, aí trouxe a tecnologia. Hoje, todas as escolas estão interligadas. Então a diretoria, a Cristina precisa falar com todos os professores, ela vai lá no nosso sistema de conferência e conversa com o Brasil todo. Então foi nessa perspectiva, a gente olhava as tecnologias em função de uma necessidade, uma prioridade, mas sem recursos, isso que é interessante. Então o pessoal brinca comigo, eu sou o rei das parcerias, né, porque [risos]! A gente articulava, enfim. É claro que as empresas quando olham o Bradesco, olham e falam: “Puxa!”. P/2- Hoje isso, esse movimento já deve ser muito maior. R- Muito maior, tanto que o centro de tecnologia... P/2- Hoje a _______ tem acesso, né? R- Tem, hoje tem recurso, mas não tem...enfim, o que o Bradesco... o Bradesco investe um bilhão em tecnologia. Eu, em 10 anos, investi 25 milhões de reais, 10 anos, pra vocês terem uma ideia, tal. Então a gente conseguiu muito, né, com pouco. P/2- Com pouco recurso. R- O Centro de Tecnologia, em Campinas lá, ele é totalmente montado com doações. Se vocês forem lá, das empresas Sysco, Microsoft, Intel, os móveis e os computadores doados pelo Bradesco pra Fundação. P/1- Lá então em Campinas é o centro tecnológico? R- Pesquisa e desenvolvimento. O que que nós fizemos lá? Agora voltando um pouquinho. Como há esse contato com o MIT, falei: “Puxa vida, espera aí, nós precisamos ter aqui um centro que testa essas tecnologias”, porque o MIT é algo, mais ou menos o seguinte: Olha, eles tão desenvolvendo tecnologias pra 10, 15 anos nos Estados Unidos, então imagina no Brasil, né? O gap é maior. Falei: “Então nós precisamos de um centro aqui pra testar essas tecnologias antes de levar pra escola, porque tem coisas aqui...a gente precisa experimentar, estão tão lá na frente, né?” E aí surgiu: “Mas como eles vão montar?”. Falei: “Não, deixa eu conversar com algumas empresas aí que eu sei que têm relacionamento com o banco.” Aí entrou a Microsoft; a Microsoft foi lá e investiu 750 mil dólares. E o Sysco, 500 mil dólares. Intel agora, no ano que vem, vai inaugurar mais 400 mil dólares. Ou seja, aí começou, e hoje estamos aí, montando... Nós chamamos de BIT, tem o MIT, né, aqui ficou BIT, Bradesco Instituto de Tecnologia, né? O pessoal do MIT vai falar: “Pô, vocês copiaram até no nome!”, trocamos o m pelo b, né? P/1- Eu já vi esse BIT aí nas pesquisas que nós fizemos. R- É. Então surgiu. Eu tô falando, começou ano passado esse movimento lá. P/2- É recente. R- É recente. Fez um ano agora, em maio. Mas a gente já tá com Microsoft, Intel, Sysco, uma empresa na área de segurança, ISS, tem mais três pra montar. A coisa tá crescendo. E é interessante que o próprio banco está observando esse movimento, fala: “Poxa, mas isso aqui não é só pra Fundação, isso aqui é pra organização.” Então lá na frente a gente não sabe exatamente no que que vai se transformar esse espaço, talvez algo muito mais amplo, atender às necessidades do banco, enfim. Mas o que eu falo, as coisas acabam, né, questão da oportunidade e questão dos contatos, relacionamento, né? P/2- (Mas e?), é um portal de educação a distância. R- Escola virtual. P/2- Escola virtual. Como que é lá hoje? R- Bom, o que é então a escola virtual, o que que nós temos lá dentro? Então a Cristina hoje oferece, por exemplo, temos lá um curso para orientadores pedagógicos, um curso de 360 horas, um curso de especialização. Então tenho tutoria a distância, tutor que seria o professor desse curso, que tá em qualquer lugar do mundo e ele pode ser o tutor dessa turma. Então entram lá, todos os orientadores do Brasil que fazem esse curso. Eles acessam, com animações, tem um processo de mediação pedagógica, que foi interessante também. Bom, vou abrir um parêntese. Como na época, no Brasil, não tinha essa discussão “mas o que é um curso a distância, como que eu coloco esse material na Internet”, a Internet estava surgindo, tal. Nós criamos um grupo de discussão. Esse grupo de discussão, acho que na época chamava Grupo DAD, enfim, cuidamos de algumas empresas. E como eu comecei a trazer empresas no Brasil pra trazer a tecnologia pra cá, eu precisava de uma empresa nacional que representasse. A Fundação é sem fins lucrativos, a Fundação não pode. E eu conheci um, na época conhecemos, é um amigo nosso, Francisco, da Micropower, que foi quem ofereceu na época aquela tecnologia para o deficiente visual, que é uma tecnologia nacional. E na verdade foi o banco que teve o contato com ele, depois a gente ficou conhecendo. Falei: “Francisco, você não quer entrar nessa área de e-learning, aí, de educação a distância? O negócio vai dar certo, hein”. “Pô, mas isso é complicado”. Falei: “Não. Olha, tem a (Dulcit?), tem a (Centra?), fui na Inglaterra buscar uma ferramenta de avaliação online chamada Perception. Isso aí é interessante”. Conclusão, é eu, ele, ele pegou a representação, mais algum pessoalzinho, começamos a discutir, eram cinco pessoas, como fazer mediação, como pego isso aqui e coloco na Internet, como pego material impresso, escrito e jogo na Internet. Tem todo um aspecto pedagógico, interação, animação, colaboração. E aí a gente começou a pesquisar, pesquisar, pesquisar, depois de um ano nós tínhamos 150 pessoas participando do grupo. P/1- Nossa! R- Falei: “Francisco, eu acho que seria legal você montar um congresso”. Hoje é o Ciaed Brasil, que é o maior congresso de educação a distância da América Latina. E ele, eu, de vez em quando a gente se encontra: “Rapaz, mas você, eu não acreditava nesse negócio”. “Você falou que não ia dar certo, né?”. Ele transformou um congresso internacional, entendeu, que chama e-learning, que nós somos, todo ano a gente tem ganhado. A Fundação já ganhou quatro vezes como melhor projeto no Brasil. E o pessoal brinca: “Não dá pra concorrer com a Fundação, porque os caras começaram em 1995, né? __________”. P/2- É muito rápido. R- É, e a gente começou muito antes, quer dizer, a gente... O banco adotou depois a própria arquitetura que nós fizemos, né, enfim, mas a gente começou antes, tivemos essa oportunidade. Conheci, eu conheci quando estava surgindo lá nos Estados Unidos, é isso que eu falo, esse acesso foi muito importante pra nós. A escola virtual hoje é a possibilidade de crescimento, que é o que a dona Denise comenta: “Olha, no futuro nós vamos crescer”, pode ser que a gente construa mais escolas, não sei qual é a estratégia da Instituição, mas 40 escolas já custam 157 milhões. E aí, não dá para dobrar. Se eu fosse, hoje já tenho 107 mil alunos, pra atender 190 mil, teria que construir uma outra Fundação. Tem que usar tecnologia, tem que usar escola virtual. P/1- O telecurso, é, que é em parceria com a Fundação Roberto Marinho, tem a ver com a escola virtual ou são coisas... R- Não, a escola virtual é totalmente através da Internet. No caso da educação de jovens e adultos, o antigo telecurso, né, ele é uma, ele é semipresencial. Na verdade se usa fita cassete, DVD e material impresso que é a distância no sentido, é a distância semipresencial, que os alunos vão pra um local e têm o apoio de uma monitora. Essa não, é totalmente a distância, quer dizer, via Internet. P/2- E o portal é virtual? R- É virtual, é um portal que ele entra lá e faz os cursos. P/1- E aí... P/2- E as avaliações? P/1- Era isso que eu ia perguntar. P/2- As avaliações... R- Avaliação, ele vai, não tem uma avaliação, ele vai na escola ou num local conveniado com a Fundação, que aí eu vou falar dos CIDs, dos Centros de Inclusão Digital, porque nós chegamos lá. Mas antes eu queria falar o seguinte, dos conteúdos dessa escola virtual. Então nós contratamos, à época, instituições especializadas para poder trabalhar, né, enfim, desenvolver conteúdos, então tem matemática, física, tem vários cursos, ciências. Só que eu falei: “Puxa vida, informática, né?”. Pra mim desenvolver tudo isso em informática é complicado no sentido que eu desenvolvo o curso, se levar muito tempo já mudou, né? Já lançaram um novo pacote, uma nova tecnologia. P/1- É, tudo é muito rápido, né? R- Eu não tenho os investimentos que nós temos e tal... Fui parar na Índia, tava comentando com você. Falei: “mas aonde que tem?”. Os contatos que nós tínhamos lá nos Estados Unidos falou: “Não, o maior provedor hoje de cursos a distância, Internet, tá lá na Índia, chama (Neat?)”. Eu falei: “Eu vou lá, vou conversar com esses caras”. Daí foi onde eu fui visitar a Índia, aí negociamos, expliquei a Fundação, a mesma coisa, não tem dinheiro, olha, cai bem essa história, viu [risos]? P/2- Descobriu que dá certo, né? R- É, até hoje deu certo! Falei: “Olha, você não quer ir pro Brasil?”. Falou: “Ah, mas pro Brasil e tal...”. Falei: “Ah, tem um projeto social, dá pra se vincular, babababababa...”. Hoje eu tenho 380 cursos, só, de informática, que nos colocamos no nosso portal através da (Neat?), e a (Neat?) tem mais de mil, né, desenvolvedores, quer dizer, eles têm uma fábrica de software tremenda que só faz isso. Microsoft lança aqui, vamos supor, lançou o Visual Studio 2005, uma ferramenta, lançou esse ano, os caras já lançam o curso junto, então eles são provedores de curso pra própria Microsoft. E eu recebo, _________, ia pagar um milhão, pago 50 mil dólares, a gente conseguiu também, só que deu visibilidade pra (Neat?), a (Neat?) ficou conhecida no Brasil através da Fundação Bradesco. P/2- E os centros... R- Centros de inclusão digital. Legal, montamos a escola virtual, tá indo muito bem, só o curso da Cisco, por exemplo, tem um, são cento e, quantos são o número, cento e, 150 mil pessoas querendo fazer o curso da Cisco. Cisco é uma especialização em redes, CCNA [Cisco Networking Academy], CCNP [Cisco Certified Network Professional], são várias... Um curso desse no mercado custa de 8 mil reais, mais ou menos, curso de 280 horas. Aí tem uma quantidade muito grande. Agora, como que eu vou atender esse pessoal carente, porque eu tenho que manter um critério, vai ter que ser carente e tal. P/1- Sempre vem nesse caminho, nesse critério? R- Carente em computador? P/1- Não. R- Posso atender na Fundação? Não, porque eu tenho que atender meus alunos, né, então, enfim, tem um limite máximo, a escola da Fundação funciona de manhã, tarde e noite. Aí eu falei: “Puxa vida, mas o que que o Bradesco faz com os seus computadores, hein, né, quando ele troca? Aí a gente podia, quem sabe, né, montar um laboratório, conversar com a comunidade mais próxima, vocês não tão interessados em montar um espaço lá?”. CID, entendeu? E ao final do ano a gente vai completar 40 CIDs montados, ou seja... P/1- Um em cada escola? R- Um no entorno de cada escola. Mas tem um detalhe, “como que eu vou fazer, puxa! Mas aí eu coloco o computador, ______ disse que vai doar uma parte, mas e o resto?”. Falei: “Ah, deixa eu falar com a Microsoft”. Eles doaram 250 mil dólares. Aí nós fomos, nós compramos os computadores, tal, tal, tal, tal, tal. Um detalhe, mas como que eu vou conectar esses caras, aí a Fundação vai ter que pagar a conectividade, um virtua, um speedy, como que fica? P/2- Com alguma coisa. R- Nosso orçamento é pra manter os 107 mil alunos. É gozado, a gente falava de CID, o pessoal: “Esse cara é louco, mas isso não vai dar certo, ih, vai dar trabalho! Como você vai colocar Internet lá?”. Mas, peraí, a Sysco tem uma tecnologia interessante, tá surgindo um wifi, que é wireless, né, a gente poderia tentar fazer um teste. “Mas wifi é 100 metros”. “Não, vamos tentar 5 km pra ver o que se dá”. E deu. Resolveu o problema. “Sysco, você não quer nos apoiar em cinco escolas aí?”. Doou cinco, o resto a Microsoft ajudou, enfim, interliguei todas as escolas. Quer dizer, o centro de inclusão digital, ele tá ligado à nossa escola, e através da nossa escola ele acessa à Internet, não paga nada. Hoje são 30 e hoje tá inaugurando o 37º, faltam mais 3 completar os 40, em duas semanas a gente fecha 40 escolas. P/1- Então, eu queria que você explicasse assim, aí como funciona, é, vocês montaram, os computadores tão lá... R- Então, eles acessam os cursos a distância, como eu estava falando, na verdade... P/1- Sim, mas tem alguém lá que fica... R- Tem o nosso instrutor de informática. E aí surgiu uma ideia interessante, que foi essa pergunta: “Quem vai ficar lá?”, né? Isso aí tem coisa de engenheiro, surge a necessidade, a gente tem que arrumar, por isso que eu brinco com o seu João Cariello. Falar: “Esse daí é um professor Pardal,”, né, porque... Na verdade eu arrumo problema pra mim mesmo, porque eu arrumei a solução e já surgiu outro problema, quem que vai cuidar disso. P/2- Tem que inventar alguma coisa... R- Mas peraí, poxa, a gente fala que o nosso aluno tem que ser protagonista, que o nosso aluno tem que ser voluntário, tá aí uma boa oportunidade, pessoal! Uma boa oportunidade, vamos _____, tal. Conclusão, então nosso aluno do Ensino Médio, como ele mora na própria comunidade, ele vai lá e ele é monitor, ele ajuda a formar outros e aí... P/1- Que bom. P/2- E aí você solucionou essa questão do... R- Quer dizer, ele tem a possibilidade, ele recebe um certificado como voluntário lá, que hoje é um diferencial até nas empresas, “ó, eu participo de um projeto social”, e uma forma dele retribuir. Sabe quanto custa um aluno? Quanto um aluno gastaria, dependendo de vocês, pra estudar 13 anos numa escola? Escola do nível da Fundação? P/2- Não imagino. R- Em torno de 50 mil reais. P/2- Nossa, 50 mil... P/1- É, porque... R- Mais ou menos. P/1- Além, além da, de tudo, vocês ainda fornecem uniforme, livros... R- Tudo. Se fizer a conta média, o curso técnico é mais caro, mas a média da média é 50 mil reais, né? E nós falamos, não falamos desse jeito, que o aluno, não é essa nossa intenção, mas vale dar uma contribuição, não pra Fundação, dá uma contribuição pra comunidade onde você vive, cara. P/1- Tá ajudando a comunidade, claro. R- Pra comunidade, pra aquele coleguinha, é, porque tem um coleguinha. O Jaime Conceição deve ter contado essa história. Montamos uma escola pra dois mil alunos, tinha 18 mil candidatos, a última escola, inauguramos o ano passado. Aí tem, é o seguinte, situação socioeconômica e proximidade, então o cara que mora mais próximo é um dos critérios pra ele entrar, mas muitas vezes tem um lá que é tão pobre, e quer um pouquinho, e esse pessoal, como que a gente vincula? Através dos CIDs eu consigo ter um atendimento da Fundação, faço inclusão digital, dou curso a distância, possibilito que o meu aluno seja voluntário, que ele valorize aquilo que ele recebe da Fundação, e ajude o colega que não conseguiu, enfim, ficou um projeto muito interessante, nesse aspecto ficou. P/2- E aí a manutenção de toda, que criou-se aí um organograma, né, de parcerias e trabalhos e viagens e... Isso tudo é o gerenciamento da tecnologia da Fundação hoje? R- É, eu diria que nossa área, por isso que eu falo que não é só tecnologia, eu acho que tem um processo de inovação muito forte, né, que nós trouxemos pra Fundação. Então hoje fazemos a questão dos CIDs, a questão... Que a gente traz a solução, mas é, enfim, a questão do voluntariado, o protagonismo surgiu de uma oportunidade da gente ter um centro de inclusão digital, porque eu precisava de um laboratório para, entender, o curso a distância. Só que esse cara, também, é interessante, que hoje que... Agora eu vou voltar à questão do case de Harvard, que eu comentei com você, que tivemos a visita em 1999, é isso? 1998 o professor Bruce Scott, ele queria, mas estava mais relacionado com o banco, na verdade surgiu através do banco. “Puxa vida, vocês têm um projeto, vocês não querem transformar num case e apresentar em Harvard? Eu em função do contato que eu tinha no exterior, falou: “Nivaldo, você vai, você e a Ana Luísa vão conversar com Bruce Scott e tal.” Aí ele fez um case da Fundação para Harvard, o único, até então, né, de uma instituição social. Hoje os cursos em Harvard, quer dizer, sempre os cursos de Harvard trabalham com cases, né? Então o professor leva o case e discute, tal. E ele colocou duas grandes, no fechamento do case, eu acho muito interessante isso, que a nossa ideia que vinha nos 50 anos, trazia o professor Bruce Scott e falar: “Olha, o que você colocou, olha só a Fundação como está”. Não porque ele colocou, mas em consequência até do movimento que nós criamos. Foi no sentido, primeiro, “como que o aluno retribui aquilo que ele recebe da Fundação? E qual é a transformação que realmente vocês provocam na comunidade, dentro da comunidade?”. P/1- Os dois pontos foram esses? R- É a mobilidade social, em termos de transformação da comunidade, e a questão daquilo que o aluno retribui em termos do que ele recebeu, qual é a retribuição que ele dá ou pra instituição ou pra comunidade. De certa forma, isso, em parte, nós respondemos com esse movimento do CID, da escola virtual e de outros projetos. Então a nossa ideia o ano que vem é convidar o Bruce e falar: “Bruce, volta aqui pro Brasil e vê se o case ficou já ultrapassado, olha só o que nós fizemos aqui dentro”. Quer dizer, hoje, na verdade, são 80 pontos de atendimento e uma escola virtual para atender 150 mil alunos. E estamos montando um departamento agora, que é a próxima fase, quer dizer, surgiu uma outra questão: legal, arquitetura pronta, dá para atender 150 mil, mas como que eu atendo 150 mil em termos de processo, quem vai cuidar disso? Não é a tecnologia. Aí estou eu, dentro da minha responsabilidade, montando um departamento pra cuidar da educação a distância, que vai ser a próxima fase. A partir do ano que vem esse departamento tá sendo montando, vai ter um diretor pedagogo, vai ter especialista, vai ter uma estrutura, como é o departamento de Educação Básica da Cristina, [Maria Cristina Telles] como é o de Educação Profissional hoje do Antônio Carlos [Antônio Carlos das Neves], como o administrativo-financeiro do Jefferson [Jefferson Ricardo Ramos] e o de tecnologia que é o meu. P/1- E eu gostaria que você contasse um pouquinho da parte do deficiente visual, né, que vocês fizeram. R- Deficiente visual foi uma oportunidade boa, nós tínhamos um... Eu cito sempre meu ex-diretor, aliás é, foi uma referência profissional, segui muito ele, foi muito marcante, e ele era diretor da Digilab nessa época, o Odécio Grégio, ele foi responsável por trazer a Internet no Brasil, ele era diretor do banco de tecnologia, já aposentou-se, já saiu. Mas ele trabalhava na Digilab também na época, então eu fui entrevistado pelo Adolfo, que eu falei, esse diretor industrial, depois saiu. Só que o Odécio era chefe dele, e ele segurou durante três meses o meu processo de contratação, que ele falava pro Adolfo que não achava, que ia pagar tudo aquilo pra um recém-formado. Falou: “Não, não é possível, pode ser bom, ter as qualidades, mas não”. Na época era muito dinheiro, pô, recém-formado, realmente, até eu achei, falei: “Porra, mas, pelo amor de Deus, né?”. Brinquei, falei: “Se eu começar ganhando isso, onde eu vou chegar, né?”, porque nunca tinha visto tanto dinheiro na minha vida, enfim, a família... E aí, o Odécio foi uma pessoa que inovou muito o banco, né, e foi a pessoa que identificou esse projeto dos deficientes visuais no Bradesco, né? Ele trouxe a Internet, o primeiro.com.br do Brasil foi o Bradesco. P/2- O primeiro? R- É. E aí, Odécio era assim, que nem, guardada as proporções, eu fui cuidar da Digilab, que era muito pequeno, e ele cuidava do Bradesco todo, dessa área de inovação, então ele viajava o mundo todo, tal, tal. Identificou a Internet lá fora, nos Estados Unidos, e falou: “Pô, vamos montar isso aqui”, e lançou, tal, tal, tal. O Douglas, que hoje tá no lugar dele, é diretor departamental, trabalhava com ele, Douglas era contínuo dele, então hoje é diretor, ficou no lugar dele. Tem uma história legal também pra contar. E, e aí uma vez Odécio falou: “Puxa vida, eu tenho umas parentes aí, alguém da família que é cego, e ele me reclama muito que ele tem dificuldade, esse negócio de pedir para outros ver a conta, é complicado, é pessoal, tal. Será que não teria uma tecnologia que a gente pudesse, através da Internet, já que a Internet agora dá pra acessar em qualquer lugar, né?”. “Ah, tem uma tecnologia sim, a síntese de voz, e tem uma empresa, que é a empresa do Francisco [Francisco Antonio Soelti]”, comentei, a Micropower, que depois ele entrou em e-learning também, “ ele tem um filho que foi quem desenvolveu.” O filho do Francisco e mais um outro rapaz chamado Denis estudavam no colégio Bandeirante, com 17 anos os dois desenvolveram um software de síntese de voz, que se transformou num produto. E aí Odécio falou: “Pô, legal, taí, vamos integrar...”. Lançaram o Internet Bank pra deficientes visuais, o primeiro no mundo. Foi quando o Bradesco foi competir no Smithsonian Awards, um prêmio lá nos Estados Unidos, com uma inovação tecnológica, indicado pelo Bill Gates, da Microsoft. E aí, a hora que lançaram em 1998, falei: “Puxa vida”. Odécio conversando: “será que não dá para usar na Fundação?”. Eu falei: “Claro que dá, seu Odécio. O problema é o seguinte, como que o cego vai utilizar isso daí, ele precisa de treinamento. A gente tem que treinar”. Aí chegou o Nivaldo lá falar com a diretoria da Fundação [risos]. P/2- Com mais uma suposta loucura. R- Só faltava essa agora! Eu vou ter que atender cego aqui dentro [risos]!” Isso de vez em quando eu lembro e dou risada: “Mas não é possível!”. Falei: “Não, mas está surgindo a oportunidade, o banco está usando, será que...”. “Pelo amor de Deus, mas como que nós vamos trabalhar com cego?!”. “Deixa comigo”. Como já tinha experiências, enfim, de outros projetos e parcerias, tal, vamos montar um grupo para discutir como se usa tecnologia pra cego. Daí _______, padre Chico, convidamos todo mundo, montamos um grupo e eu, Nivaldo, lá coordenando esse grupo. Pessoal da USP [Universidade de São Paulo], vamos discutir deficiente visual, como que é, como que eu recebo um deficiente visual; é importante aprender o braile? Bababa... Aí começou a ensinar braile até para as crianças na escola da Fundação, como que os alunos tinham que ajudar a receber o cego, o deficiente visual, pra levar pro laboratório de informática, aí foi um processo superinteressante. Foi quando nós montamos, e até hoje nós temos, hoje tenho dois cegos que trabalham comigo, dois desenvolvedores, um deles, comentei já com você, o Ivo Ramalho, vale a pena ser ouvido, na minha opinião, ele tem uma história de vida, esse cara, ele é, eu me emociono quando eu falo dele. Está na terceira faculdade, nasceu cego, ele desenvolve como, ele é o melhor desenvolvedor, eu até falo isso, mas tenho que tomar cuidado, porque... Ele é o melhor desenvolvedor que eu tenho na minha equipe, ele é cego, vocês não acreditam, é impressionante. P/2- Nem __________ ___. R- E aí começamos e aí vai o Nivaldo e o Ivo, como mostrei aquela foto, saímos pelo Brasil mostrando um projeto da Fundação. Fui fazer a palestra de abertura, falei: “Ah, agora o meu amigo Ivo vai apresentar”, ele fazia a apresentação, você olhar pra ele, você não sabe que ele é cego. Aí a pessoa perguntava: “Mas como que um cego utiliza isso aí?” “Ivo, explica pra ele”. “Mas como?Ele é cego.” Aí o pessoal já, tinha gente que chorava, tinha gente que se emocionava, foi um projeto muito bonito. E hoje tenho ele, o José e tá vindo uma terceira pessoa, vou ter três cegos trabalhando comigo lá dentro, desenvolvendo software. P/2- É, o software é... R- O software de síntese de voz, que, como que ele navega? Ele tem que ouvir. Então ele lê a tela, ele é um leitor de telas. Claro que o site tem que estar preparado, para o trabalho. Quando é no Word ele pega o texto e ele lê. É, e ele vai ouvindo, tanto que se você for lá, você vê que ele trabalha com fone de ouvido, mas tá assim, ó, no teclado, desse jeito. Foram esses dois que desenvolveram esse software nacional de síntese de voz. Hoje tem outras soluções no mercado americano, tem o Jaws, tem, bom, várias soluções, mas foi uma tecnologia nacional na época que surgiu. E a história também da Micropower, que tem uma ligação com a Fundação, talvez uma pessoa que possa ser ouvida, o Francisco, uma visão de fora, ele participou muito, nos últimos 10 anos, da vida da própria Fundação. P/2- Francisco? R- É, Soetil. Ele é o presidente da Micropower, ele era um executivo da Alcoa, quando o filho dele chegou com essa tecnologia e falou: “Eu vou cuidar de vocês, nós vamos montar uma empresa”, e aí deu no que deu. P/1- Os jovens têm muita, né, pra essa área, assim? R- É impressionante. P/2- Quantos alunos a Fundação atualmente tem, portadores de deficiência visual? R- Nós atendemos... bem, são cursos de informática, né. Uma coisa é a educação formal, quer dizer, em sala de aula, nós temos poucos, não chega a 10 alunos que assistem aula, enfim, são alunos regulares. Agora que nós já atendemos, foram 6.800 alunos. Nós temos cursos em todas, todas não, das 40 escolas, eu acho que são 30 escolas, se não me engano, que têm curso pra deficiente visual. P/2- E há uma intenção no futuro de tá desenvolvendo... R- É, agora vou levar para os CIDs [Centro de Inclusão Digital], né, vou atender, enfim... P/2- Pra ampliar esse ________? R- É o conceito da rede, o que nós estamos fazendo, proposta nossa da Fundação, é claro que aí depende do rumo que a diretoria vai querer dar, é expansão agora através de redes de parcerias, né? CID é uma coisa, aí chamo a escola pública, chamo a universidade, vou montando uma rede. Quer dizer, o CID, que é o Centro de Inclusão Digital, ele vai, ele vai se transformar numa rede de inclusão social. Hoje já tem uma parceria forte aqui em Osasco com a USP, a Politécnica, já tem uma universidade, tem um centro de inclusão digital e tem um provedor de tecnologia lá que é o MIT. USP, MIT e os nossos alunos tão indo em Canuanã [Fazenda Canuanã é uma escola rural em regime de internato mantida pela Fundação. Acolhe crianças e jovens entre 7 e 18 anos e cumpre vários papéis: é casa, família, abrigo, laboratório e sala de aula, localiza-se em Formoso do Araguaia, TO], em janeiro. aliás, não sei se eles irão em janeiro ou não, mas vocês podem presenciar um momento fantástico. Então vai ter os americanos, os alunos do MIT, que pra entrar em Harvard e no MIT são pessoas acima... Aí tem o pessoal da USP, da Politécnica, e os nossos alunos de Canuanã, desenvolvendo projetos, aplicando tecnologia. Que tipo de tecnologia? Melhorar a qualidade de água, se não tem energia elétrica, que tipo de ____ nós podemos oferecer. Olha só a rede que nós estamos montando! Quer dizer, fora da escola, a Fundação, nosso aluno, protagonista, voluntário, ele não tem conhecimento de tecnologia, mas tem, nós temos as universidades, temos a USP, temos o MIT. E a gente vai começar a replicar a ________, se a diretoria, isso é um projeto muito decente, concordar, pois mesmo em Brasília já tem a Católica em Brasília, que está se associando à gente, então num futuro, daqui a algum tempo, a gente vai ter sempre uma universidade, um centro de inclusão digital, uma escola pública. A Fundação vai começar a levar o conhecimento através dessa rede, sem necessidade de construir novas escolas, pelo menos é o que a gente tá projetando... P/1- Tá projetando pro futuro. R- Levar conhecimento através da escola virtual, treinamentos... P/2- Em janeiro, primeira, segunda quinzena? R- A partir do dia 9. P/2- A partir do dia 9. É, pra, é, queria que você falasse um pouco dessa população de portadores de deficiência visual no país, ela é grande... R- 12 milhões. P/2- Então no futuro, há um projeto para atendê-los? R- Tem que ampliar... P/2- Qual é o número? R- 12. P/2- 12 milhões. R- Cegos são acho que seis, mas tem vários tipos de deficientes, são 12, se eu não me engano, o Ivo tem mais informações do que eu, mesmo porque, quando se tornou uma operação curso regular, passou para área do Antônio Carlos, quer dizer, eu fui responsável pela inovação, trazer o projeto, aplicar, viabilizar, convencer, lalala..[risos].. A hora que entrou em operação, aí vai para área de operação, nós temos duas, que a Educação Básica é a Cristina, e Antônio Carlos que é... Ficou mais como uma educação profissional básica, certo, certo, esse de deficiente visual não é o mesmo curso regularmente oferecido. Mas o Ivo, ele tem o número certo, mas deve ser em torno de seis milhões, mesmo que a gente tem no Brasil, totalmente cegos. P/2- 12 milhões de deficientes. R- É. P/2- E somos o que, segundo? R- Segundo, perdemos só pra Índia, se não me engano, tem mais cegos que o Brasil. Mas aí tem, depois o Ivo pode... P/1- É, no começo, aí, a Judite perguntou “quais desafios”, né, aí de cara você falou a rejeição. E... R- Imagina um cara que nem eu, maluco desse jeito, falando..[risos].. Mudou muito, as coisas mudam, a Fundação mudou muito, o banco mudou muito. O banco já tinha assim, o banco sempre foi vanguarda na área de tecnologia. Eu quando vim pra cá, falei só uma coisa: “nós temos que ser, no mínimo, igual ao Bradesco”. Sabe por quê? Porque não é a Fundação, é a Fundação Bradesco. Então em tecnologia, nós temos que ser igual, no mínimo, ao Bradesco. “Não, mas como isso?”. “Vamos, vamos atrás, vamos buscar tecnologia, vamos buscar conhecimento”. E aí eu sou muito _________, quero fazer as coisas acontecerem, tanto que eu acho que em 12 anos, 13 anos, a gente conseguiu muita coisa. Isso acaba criando... Talvez eu errei inicialmente, estava passando por cima de muita gente, enfim, é... Hoje penso completamente diferente, na época era jovem, tinha, enfim, tinha outras questões que eram relevantes naquela época. E a gente acaba, aí cria um clima, passou um avião do lado... Aconteceu, o CID foi mais ou menos assim, lalala: “Que dia? Mas que é isso?”. “Tá pronto”. “Mas onde?”. “Já tá funcionado”. “Mas como, tal!”. Hoje a gente tem que procurar dialogar mais, eu acho que eu fiz já o meu papel aqui de quebrar algumas barreiras nesse sentido, enfim, e hoje a Fundação tá muito antenada, mudou muito, completamente. Outro projeto que nós trouxemos... (fim da fita) P/1- Então, voltando Nivaldo, você ia começar a falar num planejamento estratégico. R- Isso. O que que seria? Então, em função dessas dificuldades, muitas vezes a gente: “Olha, pô, mas você implantou um projeto, não acompanhei”. “Eu não sei, o outro fez”. Falei: "Pessoal, precisamos de uma metodologia aqui, é, de tentar fazer um alinhamento.” E eu tenho lido, fiz MBA, fiz alguns cursos fora, e tem uma metodologia chamada Balanced que é muito interessante. “Não, mas isso é voltado a negócios”. Falei: “Mas, calma. Deixa eu dar uma pesquisada, vou falar com o pessoal aí da USP, da FIA [Fundação Instituto de Administração], os contatos que a gente tem, e vamos, vamos tentar dar uma pensada”. E aí foi em final de 2003, né, tivemos uma reunião lá, o pessoal: “Não, mas isso não vai dar certo, lalala...”. Conclusão: implantamos em todas as escolas, hoje trabalhamos com indicadores, temos o ranking, trabalhamos com a metodologia, quer dizer, eu tenho objetivo, tenho Balanced Scorecard , o BSE. São quatro perspectivas: do cliente que eu quero entregar, dos processos que eu tenho que executar para entrega, da aprendizagem e da inovação da tecnologia pra que os processos sejam executados e os valores entregues, e o suporte financeiro e gestão de orçamento etc. E a gente começou a trabalhar, hoje são 18 mapas estratégicos, cada departamento tem o seu, tem os indicadores, e hoje eu enxergo a Fundação, aquele grande ranking, que era desejo da Denise, que eu comentei, né? A gente tem, o que era o desejo dela, também o outro era “eu quero entrar numa escola e saber, enxergar a escola com todos os indicadores. Comparar com nacional, internacional”, e isso a gente tá consolidando ano que vem. Vou ter um cockpit, ou seja, o banco tem na área de negócio, na área financeira, por questões até de exigências legais, mas eu vou ter um cockpit, que eu vou enxergar, deixa eu ver os indicadores aqui da escola de Cacual, ah, mas aqui não tá legal, isso não tá aqui... E o plano de ação, como é que está? Tá sendo executado, tá sendo acompanhado? “Ah, mas pra isso daqui eu tenho que investir em treinamento”. “Mas, para treinamento, antigamente, a gente fazia um treinamento, reúne 10 e dou treinamento para todo mundo.” “Mas será que ela precisa do mesmo que você? Que tal se a gente montar um projeto, tem uma tecnologia, uma metodologia chamada gestão por competências”, foi quando o Jefferson implantou agora, nós mapeamos todos os diretores e assistentes de direção. Agora tenho indicador, necessidades e tenho as competências dos meus colaboradores. Então para essa escola, talvez para transformar eu tenha que colocar esse profissional, tal”. “Ah, não tem, ___________ foi atingido, ele não tem esse conhecimento? Vamos investir em treinamento, só que direcionado”. Então você precisa desse... Então foi também um projeto que inclusive agora tá tendo reunião, saí lá de manhã até comentei que eu estava com os (nomes dos?) consultores e o pessoal lá da USP tá com esse projeto, implantando numas 40 escolas. Isso foi uma vitória muito grande, mérito da Ana Luísa, também, de ter enxergado essa forma e ter levado praticamente sozinha. E agora estamos pensando num mapa estratégico emergente, o futuro da Fundação, aí entra operação legal, mapas, indicadores de performance, tudo bonitinho, mapeados, e agora um mapa emergente, daqui 20 anos, 30 anos. Hoje tava brincando: “Pessoal, daqui a 15 anos a maioria desse pessoal não vai tá aqui”, nós lá, os gerentes departamentais, diretoria, a grande maioria vai tá passando já, né? E aí, quais os próximos? É a nossa missão, primeiro, projetar o futuro e preparar as pessoas pra estar no nosso lugar, né, então eu, é um projeto legal também, um projeto que a gente... P/2- E isso entra na linha da própria Fundação, né, nesses 50 anos, ela fez isso num processo anterior à tecnologia e à informática atual, né? E agora utiliza-se então a tecnologia informática pra manter, consolidar e aperfeiçoar isso. R- E aperfeiçoar. Chegou num momento agora que a tecnologia, ela tá contribuindo pra melhorar, enfim, que nem o processo de ensino e aprendizagem, que agora tudo, é, antigamente existia o seguinte, olha, você tem um projeto, você, Antônio Carlos, Cristina: “não, o meu é melhor”, “o meu é melhor”. “Espera aí. Nós temos recursos limitados, para eu trazer tecnologia, pra gente investir na sua área, vamos ver qual é mais prioritário em relação ao planejamento estratégico. Vamos ver o mapa lá, o que que mostra? Cristina o seu dá pra esperar um pouquinho. Pessoal, todo mundo aqui, aquilo que eu falei é a minha meta, agora todo mundo vai trabalhar para que o seu processo seja executado, porque isso é mais significativo nesse momento”. Quer dizer, o relacionamento lá melhorou, o relacionamento (sentido?), porque é natural cada um querer valorizar a sua área, isso é mais do que natural, mas hoje as pessoas olham lá e falam: “Legal, mas é, realmente eu tenho que esperar, porque agora a prioridade é da Cristina, porque ela tem que atingir aquela meta, tá lá no mapa, todos nós montamos juntos, montamos um grupo gestor, nós definimos mapas, nós montamos toda a estrutura embaixo, enfim...”. Isso aí também é um projeto muito, muito legal. P/2- Certo, uma história de transformação de vida que tenha lhe marcado, assim, profundamente. R- Minha história? P/2- A sua história. R- É. P/2- Ela é uma história de transformação, (nasceu?) na Fundação, né? R- Eu acho que é. Digo que cheguei longe demais, mas eu nunca imaginei que eu ia ter as oportunidades que eu tenho. Só... P/2- Num curto espaço de tempo. R- É, eu acho que mãe analfabeta e um pai que fez a oitava série, eu acho que tenho muito ainda pra conquistar, mas é o, o legado que deixo pros meus filhos, sabe, eu consegui isso. “Mas, pai!”, não importa, vocês vão ter que conseguir mais. A minha parte eu estou consolidando, acho que deixei uma parte bem realizada. Eu acho que eu valorizo muito a questão da educação, pra mim é, tanto que eu continuo estudando, terminei o MBA, estou já entrando num outro, enfim, eu continuo. __________ ____________ _5 anos, estudo mais que os meus filhos, falo. (Tudo deles?), vou conectar, tenho uma rede sem fio em casa, pego o notebook, sento lá e tal, tal. “Pai, que você tá fazendo?”. “To fazendo curso”. Isso, de certa forma, minha filha mais velha está incorporando já, estou achando isso muito legal. Tá pensando em mestrado, ela está terminando fono, tá querendo já, enfim, atuar em educação. Minha filha menor já acha que quer ser professora, Diogo que ser engenheiro, eu acho que isso, esse legado de valorizar a questão da educação eu consegui. Meu pai, minha mãe valorizavam muito a educação, mas não tiveram oportunidade. Eu tive, mas eu tenho que... E os meus filhos mais ainda, que... Minha filha está trabalhando porque ela tá querendo, mas eu teria condições de, eu pago faculdade pros dois, a PUC [Pontifícia Universidade Católica], uma universidade paga, enfim, coisa que o meu pai, a gente deixou de comer alguns dias pra ele poder pagar a faculdade pra mim, né? P/2- Então é uma história de transformação. R- É, eu acho que eu consegui, enfim. Isso eu acho legal, também, as minhas tias, os meus primos, eu praticamente sou o único que, da família que consegui chegar onde cheguei, isso pra mim é muito importante, né? Então, eles valorizam muito aonde cheguei, sou muito querido nesse aspecto, né? P/2- Você é casado, qual o nome da sua esposa? R- Rosiléa Berlim Marcusso. P/2- Onde você a conheceu, você (tinha contado?)? R- É, desde os 17 anos. Jogava bola com o irmão. E aí, é, conheci a Rose, 17 anos, aí a gente foi casar ela tinha 21. Carol já estava nascendo, aí _______. P/1- Como foi? R- Eu estava estudando engenharia, ela fazendo pedagogia. Aí fomos morar com o meu pai, não é mais legal, porque, apesar de ser filho único, né, é complicado. Meu pai é militar, né, então as coisinhas tudo assim... P/1- Tudo certinho. P/2- E quantos filhos? R- Mas tinha a mãezona lá, minha mãe que aguentava o tranco. Três filhos. P/1- O nome deles. R- Tem a mais velha que é a Caroline Berlim Marcusso, Diego Berlim Marcusso, do meio, e Bianca Berlim Marcusso, os três muito bonitos, puxaram a mãe [risos]. P/2- São alunos. R- Os três. P/2- Os três são alunos da Fundação? R- Carol já saiu, né, tanto que já está se formando em fonoaudiologia o ano que vem, Diego saiu em 2003, tá no primeiro ano de engenharia, e a Bianca está lá esse ano, passou para sexta série, os três estudaram em Campinas. P/1- E como você vê isso, assim, os teus filhos alunos? R- A maior prova da qualidade do que a gente oferece na Fundação. Eu acho que se a gente acredita que, tivemos até casos de professores nossos que não colocavam os filhos lá porque não acreditavam. Eu falei: “Eu acredito onde eu trabalho, então os meus filhos vão estudar aqui”. E eu tinha condições de pagar escola particular, mas eu acredito no que eu faço, tanto que eles estão muito bem, graças a Deus. A questão da formação pessoal que nós damos na Fundação é muito forte, conhecimento hoje cada vez mais a gente vai adquirir por várias, vários meios, mas a questão do respeito, do relacionamento. Minha filha foi fazer um teste na CPFL, ela queria ganhar o dinheiro dela e entrou no Call Center. A hora que falou que era da Fundação, ela falou: “Pai, já passei na frente de um monte de gente”, porque é a imagem que a gente passa. P/1- Muito valorizado, né? R- Muito legal. Além de dar o conhecimento, a competência, a questão da formação pessoal, isso é... P/2- Ética. R- Ética, a questão da cidadania, a questão do respeito, do relacionamento, né, isso é muito bom. P/1- Qual você acha que é a importância da Fundação Bradesco na história da educação brasileira? R- Olha, eu acho que um, eu diria que nos últimos anos ela está tendo um papel muito importante, por mostrar o que ela faz. É, a Fundação teve uma época, até comentei, né, que o senhor Amador Aguiar, o fundador, achava que a gente deveria mostrar os resultados, mas eu acho que a gente tem que mostrar olha, pessoal, nós fazemos com uma qualidade que é impossível os outros fazerem. Então nos últimos 10, 15 anos, ela tá se abrindo, e está levando referências pra outras escolas, esse contato com escolas públicas. Eu dou um treinamento na minha fundação, na minha escola, e convido o professor da escola pública a participar; eu trago o pessoal do MIT aqui pra dar uma palestra na Fundação e convido a escola pública; vou lá no Centro de Inclusão Digital, enfim, a gente tá espelhando esse conhecimento, eu acho que o nosso papel é muito importante. E na área de tecnologia, que é a área que eu atuo, realmente hoje nós somos uma referência, então é, somos, quando a gente fala Fundação Bradesco, participa do, a gente vai participar do prêmio do e-learning Brasil, o pessoal fala: “Ah, mas não tem graça, como que a gente?”. Nós competimos o ano passado com a FGV [Fundação Getúlio Vargas], com o Ibmec [Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais], com a PUC, que nem a gente nem dá pra competir com isso, quase educação básica, ninguém tem um projeto como nós temos, competimos com universidades. Então hoje conseguimos consolidar uma imagem de vanguarda, de inovação, mas de bons resultados, né? P/2- E dentro dessa área de educação, você acredita na inclusão digital no país? Esse trabalho da Fundação é um agente multiplicador? R- Eu acredito na inclusão, um processo de inclusão social através da tecnologia. P/2- Você acredita nisso? R- Acredito. Ou seja, depois dei o exemplo do pessoal que está indo em Canuanã, lá, nós estamos levando tecnologia pra melhorar a questão, o cara tira água do poço e bebe uma água que se você olhar, dá vontade de chorar, pô. Não podemos fazer alguma coisa? Tem tecnologia para melhorar essa questão. Então, na verdade, o computador, ele é o início de você oferecer o acesso à tecnologia, mas ele não é o fim, ele é o meio. Então a inclusão digital é o primeiro passo. O que nós queremos nos CIDs daqui a algum tempo, na verdade, é um movimento de discussão de problemas sociais. Vamos formar líderes sociais lá dentro, nós estamos terminando um curso a distância, para formar um líder social. Nós queremos movimentar essa comunidade. “Pessoal, vamos pensar!”. Tecnologia é um meio, aquilo que eu falo, tem um problema, aí chegamos nós com a tecnologia, olha, tem isso, isso e isso. Podemos resolver isso, isso e aquilo. Nós temos que mobilizar a comunidade e os nossos alunos vão ser quem? Os protagonistas, porque eles têm conhecimento, a Fundação dá uma, um ensino de ótima qualidade, então eles vão participar desse movimento, e através de líderes sociais. Nós temos um exemplo aqui, Jardim Conceição, onde nós montamos o CID, montamos um projeto chamado Computer Clubhouse com a Intel, a Intel investiu 150 mil dólares aí, e entramos em contato, inclusive indicação, foi o próprio Antônio Carlos, na época, que ele que visitou as regiões pra tentar achar aquela área, não sei se ele contou isso. P/2- Contou. R- Ele que acabou identificando aquela área. Falou: “Pô, tem uma líder social lá, chama Gilma, muito legal”, com a Igreja Católica ali da região e tal. Olha, o projeto que nós montamos lá, montou Computer Clubhouse, já montamos um CID, já levei o projeto do (Itaf?), que no Fórum Econômico Mundial, veio o vice-presidente mundial da Intel aqui, falou: “Eu quero conhecer a Gilma”. O pessoal: “Quem é a Gilma, quem é a Gilma, Gilma? Mas quem é a Gilma?”. Ele, _______, claro, o pessoal traduzindo e tal, mas, conversou com ela, falou: “Quero ouvir de você o que você pensa de inclusão social. O que que a tecnologia, o que a tecnologia já tá proporcionando?”. Ela falou: “Olha”. Ela contou a história, a Fundação entrou lá, já aconteceu isso, já aconteceu aquilo, mobilizou, a prefeitura já asfaltou, melhorou isso, tal, porque estamos criando esse movimento. Ela saiu com... dessa reunião, com mais dois laboratórios, que o cara da, o vice-presidente... P/2- Conseguiu mais dois laboratórios. R- Mais dois laboratórios. Quer dizer, esse líder social é muito importante, se a gente conseguir transformar, em cada CID no Brasil, um líder social que melhore a qualidade de vida da sua comunidade, que se conecte. Assim montar uma grande rede onde a aldeia do Javaé se comunique com a aldeia dos Terenas, em Bodoquena, que a sua estação de bairros lá em Manaus converse com a Gilma aqui da associação Nossa Senhora das Graças, enfim, a gente vai criar uma rede de conhecimento, mas que tem resultados práticos dentro da comunidade. Porque, até então, alguns anos atrás, a gente formava o aluno, ele tinha um conhecimento diferenciado, ele ia embora, porque, é aí, aonde eu vou trabalhar? O que nós queremos é o seguinte, tudo bem, ele pode até trabalhar, buscar emprego, mas olha, deixa um pouco, ajuda essa comunidade, transfere um pouco do seu conhecimento pra essa comunidade, já que a Fundação não vai resolver o problema de todo mundo, eu não tenho capacidade de atendimento, mas você, como aluno, que recebeu tudo isso, pode contribuir com a sua comunidade. P/2- É um agente multiplicador. R- Então esse CID pra nós, na verdade, começou como um simples laboratório pra resolver um problema. É isso que eu falo, trouxemos pensando em algo, mas é algo que dá pra gente expandir muito mais, montar uma rede de mobilização social. Aí vem a Microsoft, falou: “Pô, a gente pode montar isso”. Aí entrou a Intel, aprendeu. Daí entrou o (IAN?), que é no MIT, que é uma rede de ativismo juvenil, e as coisas vão, aí começa a montar a grande rede. Então a futura Fundação vai ser um rub, multiplica conhecimento, conecta escola pública, CID, universidade, enfim, isso vai assegurando o papel transformador da Fundação Bradesco, não só de escola formal, educação formal, mas aquele que vai na comunidade, aquele que faz as coisas, né, acontecerem dentro da comunidade. Mas é isso que a gente tá, a gente tá lançando pra discussão aí. P/2- É, qual a importância, pro senhor, desse projeto da Fundação Bradesco de contar a história da Fundação através das pessoas? R- Eu acho fantástico, aliás, 50 anos é muito importante, mas isso acho que a gente sempre conversou da necessidade da Fundação registrar tudo isso que ela fez aí, eu acho que é, calhou dos 50 anos. Vocês resgatarem toda essa história é mostrar que o nosso país é possível, né, da gente melhorar a condição de vida das pessoas, e transformar o país através da educação, como já fizeram a Coréia, a Índia, você viu a foto que eu mostrei pra você da Índia, né? Não dá pra acreditar, eu visitei lá, escola pública, na índia, é pior, a melhor de lá é pior que a nossa escola, né? Vamos dizer, a pior escola pública nossa é melhor que a melhor escola da Índia, pública, quer dizer, e os caras hoje são líderes na área de tecnologia. Tudo bem, lá tem um bilhão de pessoas, enfim, provavelmente, né, você tem mais pessoas com um QI diferenciado, mas é através da educação, quer dizer. Agora, eu tive uma experiência fantástica, eu trouxe, as transferências de tecnologia, vieram uns indianos pra cá. Aí tinha uma moça, ela falou: “Eu tenho que ir embora amanhã”. Eu falei: “Aconteceu alguma coisa?”. “Não, amanhã minha filha vai fazer uma avaliação e eu tenho que estar junto com ela”. Eu falei: “Mas como assim?”. “Não, lá é assim, a gente acompanha _____”. Ou seja, pra eles a prioridade número um é educação, não importa se você tá sentado no chão, não importa se você tá com a lousa, tem giz, mas a educação, a família participa efetivamente, isso é um grande diferencial. E a questão da cultura milenar, também, China, o que é que a China tá fazendo hoje? Os melhores cérebros, por exemplo, que estão nos Estados Unidos, estão repatriando-se, ou seja, os chineses estão voltando pra lá. Eles pegaram dez grandes especialistas americanos, em universidades americanas, MIT, Harvard, Stanford, pagando a peso de ouro, pra esse cara ir por 15 anos na China. A China daqui a 20 anos, um bilhão e meio de pessoas, e o Brasil? Se pegasse exemplos que nem o da Fundação, cresce o movimento de articulação, de mobilização, levar conhecimento, especialização. Quando eu dou um curso da Cisco que custa oito mil reais, esse profissional vai ser diferenciado, né? Nosso aluno hoje, ele termina o curso técnico com certificação Microsoft, Sysco, ele é diferenciado no mercado. P/2- Você acha que esse Projeto Memória 50 anos, da Fundação, ele pode trazer a realidade da tecnologia como ferramenta de _______? R- Com certeza. Como o _________ _________ falam, facilitador, né, a transformação social. Acho que a tecnologia serve pra isso, não serve pra outra coisa, né, se a gente não conseguir melhorar a qualidade de vida das pessoas, melhorar o acesso ao conhecimento, a tecnologia, por si só, não vale absolutamente nada. Eu acho que isso é um diferencial que nós temos na área de tecnologia da Fundação, porque nós entendemos que a tecnologia é um meio, não é fim, ela tá aí pra ________. Precisa sim, precisa melhorar a sua meta que tá dentro do planejamento estratégico, eu tenho uma tecnologia legal. Nós fomos buscar no Chile agora, (Son Perez?), usando _______________, eu fui, Cristina foi lá, levei ela pra: “Cris, vamos comigo, você vai”. Hoje ela é a maior defensora, acreditou no projeto, tem que colocar dentro de uma sala de aula, porque com certeza a gente, lá, o projeto. A Universidade Católica do Chile implantou em oito escolas públicas chilenas e tiveram uma melhoria no desempenho no exame nacional de quase 80%, em matemática e ciências. Vai dar certo aqui com certeza. Mas eu, enfim, em função de uma necessidade nós fomos buscar uma tecnologia. É pra isso que serve a tecnologia; não adianta eu ficar lá: “Olha, (sei?) no Word”, tudo bem, mas, e daí? Que a gente fala lá, Word, você vai escrever história aqui da sua comunidade, você vai produzir um livro pra falar, você vai usar o PowerPoint pra fazer aqui uma apresentação, né? Pô, o pessoal do Jardim Conceição, lá no Computer Club House, eles fizeram uma apresentação usando PowerPoint, um recurso de multimídia, resgatando, porque lá é uma área invadida, toda a história da comunidade. É uma coisa sensacional! Que foi o padre (contatado?), com fotos registrando, fizeram... Resgataram a vida toda. Aí começaram a explorar as fontes: “Ah, mas então era assim, puxa vida, se a gente não tivesse feito isso, isso”. “Ah, você lembra, a criminalidade...”. Conversar, é isso que nós queremos, esse pensamento crítico, e usar tecnologia pra buscar oportunidades de melhoria da qualidade de vida dessas pessoas. Agora não dá pra acontecer só dentro da escola esse movimento. É isso que nós estamos falando, a educação não-formal, que é o que o americano chama, é o que nós temos que valorizar, daqui pra frente, cada vez mais na Fundação, já que a nossa capacidade de intervir dentro da escola já tá num limite. Vamos desenvolver projeto na comunidade e fazer as coisas acontecerem dentro da comunidade. P/2- O que você achou de ter participado dessa entrevista? R- Achei ótimo. É, o pessoal comentou lá, tem coisas que a gente fala que estavam no passado. Estava até comentando, eu sou uma pessoa que olho muito na frente, eu não, essas perguntas de família, tal, tem coisas que a gente não comenta, não fala, enfim, sou, não digo uma pessoa fechada, mas eu acho que tem coisas que tão muito no íntimo, que só cabem a mim, né? Mas é, numa conversa como essa, que a gente começa a refletir e a colocar dentro de um contexto, isso é que é interessante, que é o contexto atual da minha vida. Aí você resgata e fala: “Puxa, mas me aconteceu isso porque eu fiz isso, né? Ah, eu estou aqui, mas porque olhei lá, ou porque...”. Legal, muito legal. P/2- Então, em nome da Fundação Bradesco e do Museu da Pessoa, a gente agradece. R- Eu que agradeço. -------------------------FIM DA ENTREVISTA------------------------
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