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História de: Pedro de Castro da Cunha e Menezes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/03/2016

Sinopse

Pedro de Castro da Cunha e Menezes inicia a sua história de vida narrando as origens de sua família que de um jeito ou de outro sempre esteve em contato com outras culturas. Sua família foi parte do projeto de expansão de Portugal, das grandes navegações, antes do descobrimento do Brasil. Entre seus antepassados está Tristão da Cunha e a história de sua família pode ser estudada até os anos 1400, 1380, através de documentos da administração portuguesa. Pedro conta como cresceu em um prédio habitado apenas por familiares, rodeado de primos, tios e outros parentes. Adorava brincadeiras de rua, mas sua brincadeira preferida era soldadinho de chumbo e as férias na casa de sua família na região do Parque Estadual da Bocaina também marcaram sua infância e juventude. Foi o primeiro intercambista a viajar para a Austrália pelo AFS e ao retornar iniciou sua longa e vasta trajetória como voluntário, ocupou cargos como Presidente de Comitê, Diretor e finalmente Presidente Nacional, acompanhou momentos de tensão, superações, reestruturações e conquista na história do AFS. Casado, tem três filhos, é Diplomata, Presidente do Conselho do jornal O Eco e responsável pelo projeto de implementação da uma trilha de mais de 250 quilômetros, a transcarioca.

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História completa

Eu sou Pedro de Castro da Cunha e Menezes. Eu nasci no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1964. Meu pai chamava-se Rui de Lurdes da Cunha e Menezes e minha mãe chamava Silvia Maria de Castro Guimarães da Cunha e Menezes.

A minha família [paterna] tem uma história longa, antes do descobrimento do Brasil já estava envolvida com as navegações. Eu menciono isso porque acho que está no DNA, essa coisa de viajar e de estar em contato com outras culturas. [Família materna] meu avô que não falava português, mas era brasileiro, porque era filho de brasileiro, falou: “Vamos, vamos embora daqui porque essa situação aqui não tá bonita” [Segunda Guerra Mundial, Guerra Civil Espanhola, momento de tensão na Europa]. Vieram para o Brasil e aqui no Brasil minha mãe nasceu, brasileira, onde ela viria a conhecer meu pai que veio para o Brasil por um caminho razoavelmente semelhante, meu avô na beira de estourar a Segunda Guerra Mundial, os filhos [...], em idade militar, quando foram se alistar foram proibidos, por serem filhos de estrangeira, a mãe deles era suíça, suíço-brasileira. Meu avô mandou os filhos pro Brasil já que a mãe tinha dupla nacionalidade, suíça e brasileira, onde eles entraram nas Forças Armadas Brasileiras.

Meu pai era oficial da Marinha Mercante, viajava muito, tinha uma paixão muito grande pelo mar. Era um sujeito, com uma moral muito rígida. Já minha mãe pautou muito a vida dela pela vida do meu pai. Minha mãe era absolutamente apaixonada pelo meu pai. Eu cresci num edifício em que meus vizinhos eram todos meus primos. As portas eram todas abertas, você não tocava a campainha, você chegava, abria a porta: “Oi, tia!”, abria a geladeira, pegava alguma coisa. Os meus amigos de infância são todos meus primos. Eu gostava muito de brincar de soldadinho de chumbo. Tinha uma coleção enorme de soldadinho, tinha uns 600 soldadinhos de chumbo. Gostava muito de brincar na rua, gostava muito de jogar futebol e dessas brincadeiras de queimado, pique-esconde, essas coisas todas.

Sempre gostava e gostei muito de Geografia [...] gostar de Geografia cria uma curiosidade natural pelo espaço. Conhecer o espaço. Conhecer outras culturas, conhecer outros meios de viver, eu sempre gostei muito de viajar e claro, tendo um pai oficial da marinha e avós estrangeiros você está sempre ouvindo o diferente. Eu sempre tive uma curiosidade pela viagem. E o intercâmbio, desde cedo, era algo que eu queria fazer. Eu queria ir para Austrália, mas o AFS não mandava ninguém para Austrália, o AFS só mandava para Europa ou para os Estados Unidos. E, então, eu ia pros Estados Unidos. Até que faltando três meses para viajar, a então Diretora Executiva me chamou e disse: “Olha, a partir do ano que vem, nós vamos mandar para Austrália. Você topa esperar mais seis meses e viajar?”, “Ah, eu topo”. E eu fui o primeiro estudante brasileiro a fazer intercâmbio na Austrália.

Acho que o que mais ficou dessa viagem se for pra resumir é que eu sou capaz. Você encarar uma dificuldade, que você de fora diria: “Meu Deus, eu não vou dar conta”. E você vê que dá conta e consegue ser feliz, te ajuda a resolver qualquer outra coisa na vida, como também te ajuda a aceitar aquilo que você não consegue resolver, porque você estando numa situação dessas, muitas coisas você não consegue resolver, e não tem a quem recorrer. Ou você aprende a resolver ou a se conciliar de uma forma melhor com aquilo que você não é capaz resolver. Acho que você sai de uma experiência dessas uma pessoa melhor do ponto de vista do objetivo final da vida, que na minha concepção é ser feliz. Você aprende mais a ser feliz. Você começa a aprender quais são os seus limites e a aceitá-los.

O meu retorno não foi muito difícil. Achei que devia muito ao AFS, o AFS tinha sido muito importante na minha vida, voltei falando inglês perfeito. Voltei com mais liberdade, com mais habilidade e então achei: “Agora, é minha vez”. E fui voluntário, não sei quantos anos fui voluntário no AFS, 15, talvez 18 anos, não sei. Fui voluntário no Comitê, fui Presidente do Comitê Rio, depois comecei a militar na política nacional do AFS, fui Diretor no AFS e finalmente fui Presidente Nacional do AFS.

A medida que eu posso dar é quanto a minha experiência impactou na minha vida, quanto isso impactou naqueles com quem eu me relaciono e quanto que a experiência proporcionada a outras pessoas que eu conheço impactou essas pessoas e no que elas fizeram posteriormente. A minha avaliação é que é muito positiva. São pessoas mais tolerantes, são pessoas menos preconceituosas, são pessoas com uma visão de mundo mais aberta, mais predispostas a negociar soluções e também, são pessoas que conseguem ver além, porque são pessoas que tiveram outras experiências. São pessoas que, no geral, são capazes de ver que não há um único caminho pra chegar a uma solução positiva, que há várias formas de você construir soluções positivas, felizes e bem sucedidas, que não há só um caminho. Eu acho que o AFS é uma instituição que proporciona uma experiência enriquecedora a esse ponto.

Passei pro Instituto Rio Branco, fui morar em Brasília, depois fui morar no exterior e aos poucos fui me afastando, não de coração, mas das ações. Sou jornalista, sou presidente de um jornal na internet, O Eco e sou diplomata, de carreira. Então, o meu trabalho é no Itamaraty. Tenho um sonho particular, de ajudar a deixar um pouco [o] legado de uma estruturação para a trilha transcarioca [250 quilômetros]. Eu sou casado, tenho três filhos: um de 18 anos, que tá estudando economia. Dois que nasceram em Portugal, um com dezessete anos agora, e um com onze, que gostando ou não, fazem trilha comigo. Dou a eles o benefício de poderem se revezar, mas, mais do que isso, não (risos).

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