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História

Entrou peão, virou patrão

História de: Luiz Claudio Vieira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/12/2012

Sinopse

A infância e como, nas brincadeiras, o comércio já estava presente em sua vida. Mudança para São Paulo com a família e a adaptação à cidade de São Paulo, que não lhe agradava de início. O curso de Eletrônica no Mackenzie e o início da atividade profissional como gerente em uma loja de instrumentos de medição na Santa Ifigênia. A descoberta da vocação para o comércio e a abertura do próprio negócio. O comércio de aparelhos de som e TV e de equipamentos de telecomunicação. A importância da Associação dos Comerciantes da Região da Santa Ifigênia diante das transformações do entorno.

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História completa

“Desde que me conheço por gente, eu queria montar uma associação na Santa Ifigênia, mas o pessoal da rua era muito desunido. A bem da verdade, era porque não existia um problema para se criar uma associação. Mas os políticos trataram de criar esse problema: um ex-secretário de Cultura disse que ia desapropriar alguns imóveis e que ia pagar o valor venal e mais um pouco e não sei o quê. Disse que os imóveis estavam abandonados e não tinham função social. Colocamos 20 pessoas em frente à Câmara Municipal. Eles: ‘Espera aí, não é assim.’ Chamaram a gente para conversar e cancelaram as notificações. Então assumiu o novo prefeito e aí veio com uma ideia pior: queria desapropriar a região inteira. Criou a Lei 14.917-09 e pouco, e essa lei dizia o seguinte: que a prefeitura colocava toda aquela área como área de interesse social, que passaria para a iniciativa privada a desapropriação e a administração dos imóveis. Aí não teve jeito, né? Foi pau, pau, pau. Isso começou em 2006, no final de 2010, na véspera de Natal, eles assinaram a lei e, no 1º de janeiro, quando a gente voltou de férias, já estava tudo acertado, já estavam começando a destrinchar a Santa Ifigênia. Aí nós acordamos. Nós, não, o pessoal da Santa Ifigênia de verdade, da Rua Santa Ifigênia, acordou. Então a CDL se juntou com a gente, que a gente era da ACSI, Associação dos Comerciantes da Região da Santa Ifigênia e começamos a conversar. Eles estavam marcando pro dia 14 de janeiro acho, já pra tocar o projeto. Aí fizeram uma audiência pública. Tem que ter, ok, vamos lá. Aí fizeram a tal audiência na Fatec: cabiam 300 pessoas, nós colocamos mais de mil lá e tiveram que cancelar, porque o Corpo de Bombeiros disse que não podia garantir a segurança. Agora, quando vem com essa conversa, a gente entra com ação por ecologia, um monte de coisa. A gente aprendeu a trabalhar com eles, ninguém mandou ensinar. Agora a gente está craque nesse negócio. E eles estão cada vez mais desesperados, porque não conseguem tocar o projeto. Por quê? Você compraria uma casa vazia, sem cachorro, sem gato e sem criança, certo? Uma casa baratinha? Tudo bem. Mas e se a casa tiver uma criança, com a mãe doente, o pai com câncer? Aí você pode entrar na Justiça que fica lá uns 15, 20 anos. Então eles descobriram que não tinha como tirar a gente de lá. Eu estou na Santa Ifigênia há 22 anos, tem gente que está há cem anos; todo mundo que chegou lá entrou peão e virou patrão, a verdade é essa. Todo mundo que entrou lá está ganhando seu dinheiro honestamente, está vivendo com a sua família dignamente. Vai largar tudo isso para quê? Porque alguém resolveu tirar a gente de lá? Desculpa, mas não vai ser assim. Os políticos têm data de validade. A gente dá um mandato para esses caras, um mandato de quatro anos. Se a gente for bonzinho, a gente aguenta os quatro anos; se não a gente tira.”

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