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Entrenós e o comércio de vinhos

História de: Katia França
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/07/2021

Sinopse

Origens dos avôs. Mudança para São José do Rio Preto aos 8 anos. Lazer e diversão pela cidade. Lembranças do período escolar. Estudos de Enologia. Início do namoro com seu marido. Estágio na França. Detalhes sobre o comércio de vinhos. Nascimento das filhas. Dificuldades e pandemia. Publicidade e tipos de clientes.

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História completa

          Eu sou a Kátia de França Lopes. Nasci em 30 de dezembro de 1983, em Piracicaba, aqui no interior de São Paulo, mas morei pouco tempo lá. Sou filha de Eduardo Pereira de França Filho e Elizabete de Jesus França. Meus avós eram de Minas e de Pernambuco e vieram na mesma época para São Paulo. Eles se instalaram numa cidade da Grande São Paulo que se chama Itapevi. Eu também morei ali por um tempo, mas vim criança para São José do Rio Preto, pois meu pai veio a trabalho, em 1992. O meu pai era contador, perito judicial.

          Lá em Osasco foi onde a gente montou um restaurante por uns tempos, quando eu era criança. Era uma cozinha industrial, e eles atendiam em grandes volumes. Eu me lembro de andar pela cozinha quando criança, de sair da escola e ir direto acompanhar essa rotina.

          Mas aqui em Rio Preto, o primeiro lugar que eu lembro de brincar era aquela praça central, bem no centro. Os clubes eu não frequentei. A gente não frequentava tanto os clubes, era mais essa exploração da natureza, de ir para os lugares, os restaurantes distantes. Lembro também de ir ao bosque da cidade, ver os animais, onde é o nosso zoológico. Lá tinha um parquinho delicioso, com uma espécie de labirinto.

          Eu estudei em muitas escolas, mas não foi na escola que eu imaginei que teria uma história com o comércio. Não foi nem na primeira faculdade que eu descobri isso. Mas eu sempre gostei de trabalhar, de ter minha independência. E como eu havia feito curso de Francês e Espanhol, meu primeiro emprego foi ser secretária de um médico que estava fazendo uma tese, e aí tinha que traduzir um texto em francês. Depois, comecei a trabalhar com meu pai, que tinha um escritório de perícia judicial - ele queria que eu fosse advogada, mas minha primeira faculdade foi Economia.

          O meu pai era uma pessoa que viajava muito a trabalho, e sempre que possível ele levava a gente na mala. E em uma dessas viagens, já voltando, a gente ficou uns 20 dias viajando pra conhecer a Serra Gaúcha. E eu me apaixonei por aquelas pessoas que trabalhavam com vinho, pois descobri que o vinho não nascia na garrafa - e pensei: “Meu Deus do céu! Tem todo um universo”. Fiquei encantada e descobri que existia uma profissão de pessoas que faziam vinho. Então eu descobri que tinha o curso de Enologia e que eu não precisava ser dona de uma vinícola para trabalhar com vinho. A faculdade era em Bento Gonçalves, então eu larguei o trabalho em Rio Preto, fiz cursinho - porque era uma instituição pública, concorrida - e passei. Mudei minha vida e fui morar no Rio Grande do Sul, em Bento Gonçalves, pra fazer a faculdade de Viticultura e Enologia.

          O curso de Enologia é integral, então as aulas eram de tarde e de noite. E pra não ficar dependendo do meu pai, eu já fui procurar alguma coisa para fazer. E como lá tem muita vinícola, nos finais de semana tinha muita demanda de pessoas para trabalhar. Eu comecei na vinícola, primeiramente no que a gente chama de varejo - que é a loja de vinhos -, recepcionando essas pessoas, apresentando para elas o processo produtivo. Ali eu tive meu primeiro contato direto com o comércio, porque a gente, antes de tudo, vendia a empresa, vendia a cultura do vinho.

          A Entrenós Vinhos do Brasil começou ali, nessa minha vivência de apresentar e conversar com as pessoas, de agregar o meu conhecimento que ainda era restrito. Nesse meio tempo, lá em Bento Gonçalves, eu conheci o meu esposo, o Aleandro, que por coincidência também era de Rio Preto. Ele era meu veterano na faculdade. Aí a gente se casou, e logo eu fui selecionada para ir para França, pra fazer meu estágio de conclusão do curso lá em Bordeaux.

          Depois, veio o desejo nosso de voltar para Rio Preto. O Aleandro passou a trabalhar com comércio, com vinícolas, nessa parte da área comercial. Nós fazíamos uma parceria com uma vinícola de amigos nossos - vinícola pequena, familiar - para trazer esses vinhos e distribuir aqui na nossa região. Então, quando a gente voltou foi assim: “Vamos distribuir os vinhos da vinícola Arbugeri”. Em 2011, já estávamos firmando como distribuidores, com foco em vender para mercados menores - porque a vinícola Arbugeri tinha uma produção muito grande de vinho de mesa. Eu trouxe também, nessa época, a distribuição de uma linha de cosméticos lá de Bento Gonçalves que se chama Essência de Flor e Cosméticos, feitos à base de uva e vinho.

          E o negócio foi muito bem, pois estávamos atendendo os clientes de toda a região. Porém, a gente queria ter contato com o produtor final. E aí falamos: “Não, agora a gente vai aonde a gente decidiu. Vamos montar o nosso negócio, fazer uma loja da vinícola Arbugeri aqui em Rio Preto e trazer também esses vinhos bacanas que não chegam aqui, que nunca vão chegar”. Porque são empresas que não têm um trabalho de marketing. Vocês não fazem ideia, mas tem vinícola onde o cara planta a uva, o cara faz o vinho, o cara faz a área comercial e ainda faz entrega.

          Quando a gente decidiu que iria fazer a loja, veio o primeiro desafio, que é aquela coisa: “Vamos montar a nossa seleção? Com quem a gente vai trabalhar?” Então era fazer essa captação: quem está produzindo coisas legais e diferentes? Porque o mundo do vinho, no Brasil, mudou muito nos últimos anos. Explodiram outras regiões produtoras, outras vinícolas, projetos novos trabalhando com vinhos de altíssima qualidade. A gente foi atrás de criar uma identidade de marca, e eu fiz parceria com uma profissional da área de marketing que trabalha com branding. Assim, abrimos a loja da Entrenós.

          Eu sei que a gente é novo, mas queremos apresentar o nosso projeto para outras pessoas, para que elas descubram que a Entrenós existe, que a gente tem um monte de vinho bacana aqui. Queremos que as pessoas tenham essa experiência no nosso comércio. E também queremos que a experiência não seja sempre a mesma - cada vez que a pessoa vem aqui, tem um vinho diferente, de uma região diferente. Então, a nossa busca é ser uma loja interessante, e é assim que a gente se define: como elo de ligação entre quem produz e quem compra, ambos apaixonados por vinho. A Entrenós tem essa ousadia de querer ser esse elo de ligação.

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