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História

Entre voltas e redes: uma volta entre rochas e computadores

História de: Marco Antônio Silva Stefanini
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/07/2020

Sinopse

Em seus 50 anos o Bradesco e a Fundação Bradesco vem entrelaçando a suas histórias com a de várias pessoas, entre elas a de Marcos Antônio. Nessa história, Marcos recorda sua infância e como seu percurso profissional acabou se encontrando com a história da Fundação e outros projetos que englobam o Bradesco.

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História completa

P/1 - Marco, a gente começa pedindo pra você se identificar com seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R - Tá, meu nome é Marco Antônio Silva Stefanini, eu nasci em primeiro de dezembro de 1960 em São Paulo na Pro Matre, Avenida Paulista.

 

P/1 - E qual é o nome dos seus pais? 

 

R - Os nomes, Milton Stefanini e Adélia Silva Stefanini.

 

P/1 - E onde nasceram os seus pais?

 

R - Meu pai é paulistano, descendente de italiano, a família do pai dele, quando imigrou, moravam em Salto e da minha avó, que é mãe dele, é em Sousas, próximo a Campinas, né? E a minha mãe é oriunda de Poços de Caldas, Minas Gerais.

 

P/1 - E seus avós, você teve contato com eles, ainda lembra?

 

R - Na verdade, assim, o meu avô paterno eu não o conheci porque ele faleceu com um derrame aos 47 anos de idade, então não o conheci. A minha avó paterna, deles, é a que mais tive, eu tive uma ligação muito forte com ela, eu chamo de segunda mãe, é uma italiana muito batalhadora, sempre ensinou a gente a ter muita garra, muita vontade, ela faleceu aos 87 anos, né, chegou a morar comigo durante muitos anos, no meu quarto, talvez durante 15 anos, então tenho uma ligação fortíssima com ela, mesmo antes de morar sempre tive. E, do lado da minha mãe, tive contato com os dois, eles faleceram quando eu estava quase adulto, acho que um eu era jovem, o outro, quase adulto, mas não a mesma ligação forte que eu tive com a minha avó, que morava em São Paulo, os meus avós por parte de minha mãe moravam em Poços de Caldas. 

 

P/1 - E a origem deles era mesmo de lá?

 

R - Isso, de lá.

 

P/1 - E a atividade dos seus pais?

 

R - Eu acho que devo muito aos meus pais, vamos dizer assim, por ter esse apetite empreendedor, né, de querer conquistar, de construir. Meu pai, ele era um contador, né, só formado no segundo grau e trabalhou em diversas empresas como contador, como administrador. Mais ou menos quando eu tinha uns 16 anos ele teve uma oportunidade, um dos clientes dele, ele era um assessor, como se fosse um assessor contábil, essa empresa era uma empresa pequena, de varal, desses de cordinha de apartamento, a empresa era uma viúva, aliás, acho que era viúva, solteira, não sei, ela foi casar, a empresa não estava bem das pernas, aí ele conseguiu comprar a empresa numa condição bem barata, porque era uma empresa pequena e em más condições financeiras. E aí ele teve a empresa até um tempo atrás. Ele fez faculdade quando tinha 14 anos, à noite, sempre foi um cara que trabalhou muito, um exemplo que eu dou é que até eu ter 25 anos de idade, ele é um cara que eu vi tirar duas semanas de férias. É um cara que lutou muito, tenho orgulho disso. Minha mãe é uma pessoa que tem muita energia, cheia de vida, uma pessoa que sempre brinca que a idade da pessoa está na cabeça, então é uma pessoa com muita energia, uma pessoa alegre, mas um pouquinho... minha mãe inclusive trabalhou muitos anos com meu pai na empresa, hoje eles não têm mais empresa, meu pai não trabalha mais, mas minha mãe até hoje trabalha numa empresa. É uma empresa pequena aqui em Barueri. 

 

P/1 - E irmãos, você tem irmãos? 

 

R - Tenho duas irmãs, eu sou o mais velho, tenho 45, e eu tenho uma irmã de 41 e outra de 37. A minha irmã mais nova mora na Alemanha, é casada com um alemão. Ela não mora no Brasil.

 

P/1 - E a sua infância, você lembra da sua infância, da casa que você morava?

 

R - Lembro, claro, a gente está velho mas não tão velho assim, né? 

 

P/1 - Conta um pouquinho para a gente como era a sua casa, como era...

 

R - Tá, com um ano de idade eu fui morar no Alto da Lapa, na Rua Filipinas, próximo ao cemitério da Lapa. Eram casas geminadas, bem pequenininhas e era uma época em que eram vários casais da mesma idade, portanto, tinha muita criança, muito amigo, né? Eu morei lá até os 11 anos de idade, tive muitos amigos, sempre tive muitos amigos e lá era um local que realmente tinha uma criançada enorme. Depois com 11 anos de idade eu vim morar mais perto do Alto de Pinheiros, onde morei até os 20 e poucos anos, depois fui morar no Alto de Pinheiros, mais próximo da Panamericana e dali eu saí quando eu casei e aí fui morar em Pinheiros na Avenida Rebouças, perto da Cristiano Viana. 

 

P/1 - E voltando à sua infância, como era o dia-a-dia na sua casa, as brincadeiras preferidas?

 

R - Eu fui uma pessoa que, como eu te disse, sempre tive muitos amigos, a gente vivia na rua, minha mãe era uma pessoa que proibia assistir televisão durante o dia; então, eu vivia na rua, né? Sempre gostei de jogar futebol, patinete, patinete, não, desculpa, carrinho de rolimã, bicicleta, patinete, patinete, não, enfiei na cabeça o patinete, como chama aquele troço de rodinha? Esqueci o nome, mas sempre bastante brincadeira, patins, isso. Muita brincadeira de rua, férias, eu passava em Poços de Caldas, meus pais não tiravam férias, eu já te disse, então eu tenho uma influência mineira forte, eu passava as férias, todos os parentes da minha mãe viviam em Poços de Caldas, que era uma família muito numerosa. Sempre reclamava que eu não tinha irmão homem, né, tinha duas irmãs, mas era isso, minha ligação com meus pais, apesar de meu pai trabalhar muito, eu tenho até hoje eu tenho uma ligação forte com ele, além da minha mãe. 

 

P/1 - Da época da sua infância tem alguma coisa marcante, algum fato que aconteceu, assim, que te marcou,  que você lembre?

 

 R - Assim, um fato, não, eu acho que, comentei , não tem um fato tão assim, na minha infância a minha avó não morava comigo, ela foi morar depois que eu era já jovem, né? Mas, sempre tive uma ligação forte com ela, essa avó daqui em São Paulo, parte do meu pai, acho que é isso?

 

P/1 - Como era o nome dela? Você falou e não falou o nome, né?

 

R - Itália. Ela foi uma pessoa que recebeu esse nome porque foi a primeira filha a nascer no Brasil, então recebeu o nome de Itália. 

 

P/1 - Como você iniciou os seus estudos, você lembra? 

 

R - Lembro, eu estudei, eu entrei no... meus pais sempre valorizaram muito o estudo, sempre, os dois, né? Eu entrei no que seria hoje o pré-primário, entrei numa escola particular, chama Santa Clara, que é no Alto de Pinheiros. Estudei lá até o final do primário, no ginásio eu estudei numa escola pública chamada Brasílio Machado na região de Pinheiros, depois eu voltei, a escola era muito fraca, quase apanhei da minha mãe porque eu que inventei de ir nessa escola, aí voltei pro Santa Clara e fiz até a oitava série. No colegial, em 3 anos eu estudei em quatro escolas diferentes. Eu entrei na Escola Técnica Federal, que era no Centro, estudei lá três meses, depois cismei de mudar. Aí, eu fui estudar no Industrial de Pinheiros, ali perto do Largo de Pinheiros; depois o segundo colegial eu fiz no Palmares, que é na Pedroso de Moraes, e o terceiro colegial eu fiz no Objetivo.

 

P/1 - Passeou bastante.

 

R - É.

 

P/1 - O que você lembra assim, mais lá do começo da tua escola? Como era naquela época a escola, você lembra?

 

R - Lembro, lembro.  A escola era assim, a partir dos 11 anos, né? Na verdade, com 11 anos eu estava na quinta série, na sexta série quando eu voltei para o Santa Clara, eu morava atrás do Santa Clara, então eu lembro que às vezes eu pulava o muro pra tomar café e voltava. Eu sempre fui até o quarto ano primário, até 10, 11 anos uma pessoa muito fechada, minha mãe sempre brinca, que daqueles que não gosta de ir em festa, que vai no baile de carnaval chorando e tal. A partir da quinta série, acho que tive uma mudança muito grande, psicológica, aí passei a ser uma criança muito mais expansiva, sempre fui bom aluno, porém, era sempre bagunceiro, sempre tinha problemas de disciplina e minha mãe e meu pai eram bem rígidos, levavam na dureza. Mas, acho que é isso... 

 

P/1 - E que matéria você gostava mais?

 

R - Eu sou até hoje, me considero uma pessoa eclética, pra você ter uma idéia do que eu te falei do meu primeiro emprego, que são as aulas particulares, eu dava aula de física, química, matemática, dava de história, geografia, português, do que aparecesse e precisasse. Particularmente, eu gosto mais das matérias da área de Exatas e de Humanas, Biológicas que nunca foi muito o meu gosto, não. Mas assim, história e geografia eu gosto bastante, particularmente, eu acho que conheço razoavelmente, não a fundo porque eu nunca trabalhei com isso, nunca também tive muito tempo, mas é uma coisa que eu gosto muito e área de exatas, física, química e matemática, mas mais acho que física e química. Então são as matérias que, em tão é bem amplo aí, né?

 

P/2 - E teve algum professor que te marcou nesse período? Algum em especial?

 

R - Não, não. Eu lembro que muito do que conheço de história não fui aprender na escola, eu lia muito “conhecer”, não sei se você lembra. Quando eu tinha uns 12 anos de idade, eu lia muito.

 

P/1 - E a sua adolescência como foi?

 

R - Ah, eu sempre fui um cara com muita energia, agitado, você percebeu, né? Eu sempre fui assim desligado, eu era mais talvez insatisfeito, acho que se eu pudesse voltar na vida, eu daria mais valor às coisas que eu fiz. Acho que tem um lado bom de você ser insatisfeito porque você sempre procura ter mais, procura ser mais, mas tem o lado ruim, que se você exagera, você nunca dar valor naquilo que tem. Eu sempre falo isso até para os meus filhos e para quem quer ouvir que a gente também tem que dar valor naquilo, acho que talvez, talvez não, era bem insatisfeito, acho que fui um filho difícil, bem rebelde, bem difícil, minha mãe era muito nova quando casou, então acho que de certa maneira, claro, talvez não tenha sido a mesma criação no início, não guardo rancor nenhum, não tenho problema nenhum com isso mas, de certa maneira, eu era um cara muito mais difícil, né, eu fui um filho mais difícil. Hoje a gente supera, hoje, pelo menos, eles falam que eu sou mais ligado aos meus pais, mas no início era duro [risos]. Não foi fácil, não.

 

P/1- E na parte de diversão, bailinho, cinema, nessa época de adolescência, do que você gostava?

 

R- Sempre fui muito agitado. Eu gostava de bailinho, sempre gostei, gosto de carnaval, mesmo agora que a gente tem, só para você ter uma idéia, nesse carnaval, na sexta eu fui pular na Rosas de Ouro, né? E no sábado eu pulei na Beija-Flor no Rio. Gosto de carnaval, sempre gostei de sair, adoro sair, não fico em casa, difícil eu ficar num lugar fechado, gosto de clube, gosto de esportes, gosto de passear, sair para dançar, adoro viajar, sou fanático por viajar. Tá certo que agora eu viajo muito a trabalho, mas também emendo profissionalmente, né? Um exemplo: no último fim de semana, aliás, na semana passada, eu fui segunda à noite para os Estados Unidos, fui para Houston, para Austin quarta à noite fui pra Cidade do México, trabalhei quinta e sexta lá, sexta à noite fui parar numa cidade do interior a uns 400 quilômetros da Cidade do México, chamada Guanajuato, passei em Guanajuato sábado, domingo na outra cidade, domingo à tarde voltei para a Cidade do México, peguei um vôo até Houston, de Houston para o Brasil e aí fui direto trabalhar [risos]. 

 

P/2 - Alguma coisa te influenciou para você escolher essa carreira?

 

R - Sim. Do ponto de vista de ter uma empresa, eu acho que meu pai tem um lado que eu chamo de sabedoria, meu pai e minha mãe mas mais meu pai, eu acho que ele, ao mesmo tempo que ele estimulava a gente a fazer coisas novas, ele não dava colo quando as coisas davam errado. Se você fez besteira, ele não ia chamar você de burro, mas também não ia lá, ou se eu tomar um prejuízo, ou alguma coisa, como eu já fiz coisas que tomei muito prejuízo, ele nunca ia lá e pagava o prejuízo, mesmo que fosse pequeno. Então, eu acho que esse lado de empreendedor um pouco, meu pai é um cara, vamos dizer assim, mais flexível. Do ponto de vista, acho que aprendi com os meus pais a trabalhar muito, sempre trabalharam muito, eu acredito que para você ser alguma coisa na vida você tem que trabalhar muito, até hoje trabalho muito porque eu sou geólogo de profissão, não sou engenheiro, nem informático. Por que eu escolhi geologia? A história é um pouco, desde criança que eu queria ser engenheiro eletrônico porque eu achava que exatas era legal, teve uma época que eu pensei em fazer história, minha mãe sempre mais louca, achava que eu devia fazer, eu não quis porque e se não eu ia morrer de fome, então, por isso eu gosto, mas não fiz e aí eu tentei achar o meio termo, eu percebi no terceiro colegial, só no terceiro colegial, que apesar de querer ser engenheiro eletrônico, elétrico, eu nunca tinha montado nada, uma televisão, nada, não tinha o mínimo saco. Então eu procurei achar alguma coisa de exatas que não fosse só tão exatas e também pudesse viajar muito, foi daí que eu escolhi geologia mas mesmo assim eu prestei vestibular no Mackenzie, FAAP, Mauá, essas coisas, FEI, na área de engenharia, entrei nelas, mas como eu tinha entrado, eu pus minha primeira opção geologia na USP, aí quando eu entrei na USP, eu fiz opção por geologia, mas se eu não tivesse entrado, eu teria feito engenharia.

 

P/1 - Aí você fez o curso de geologia e chegou a trabalhar na área?

 

R - Eu fiz até o fim, cinco anos. Trabalhei um mês, não, um pouco mais, talvez dois meses, eu trabalhei logo de cara, me formei em dezembro, janeiro já consegui um emprego, na época era uma época muito difícil: 1982, 1983, né? Época de FMI, naquela época já tinha também crise pesada e aí no final do milagre econômico, talvez, ao contrário daquilo que a gente já está acostumado agora com crise, você, por exemplo, mas na época, não, na época vivia-se uma década anterior de crescimento brutal e quando eu entrei na faculdade, geologia era uma coisa legal porque era o auge do milagre econômico, era o final do milagre econômico, então tinha muito apoio para a pesquisa, quando eu saí estava na merda a situação, né, uma situação muito difícil e eu consegui emprego, mas eu fui trabalhar em Tocantins numa mina de estanho, onde a gente dormia na rede, falava de rádio, não tinha telefone. Eu fiquei lá uma semana depois voltei, trabalhei mais um pouquinho aqui, aí quando era para ir lá de novo o cara queria pagar só a passagem de ida, aí eu falei não, passagem só de ida eu não vou, pelo menos quero ter minha passagem de volta, aí eu achei que não valia a pena a empresa e desisti. Aí eu consegui ser professor do Objetivo durante uns três meses, né? Pra você ter uma idéia de eclético, eu dava aula de física e geografia, duas matérias tão diferentes no Objetivo, aí eu saí para entrar como trainee do Bradesco, funcionário do Bradesco, para fazer esse curso de informática que eu fiz de maio a novembro, durante seis meses em tempo integral. Nós éramos vinte e oito nessa turma, tinha uma matemática, um geólogo e vinte e seis engenheiros. 

 

P/1 - Então você entrou como funcionário do Bradesco e estudando. Quando você entrou, você já sabia que ia fazer esse curso? 

 

R - Com certeza. Entrei para isso. Eu fui selecionado, teve um teste, tinha muita gente querendo, claro, na época tinha muita gente de Exatas, de engenharia que estavam desempregada e os bancos precisavam de analistas de sistemas. As universidades não formavam pessoas do jeito que eles queriam, com skill. Então eles treinavam, isso não era só o Bradesco, o Itaú, o Unibanco, todos esses bancos faziam. Aí o Bradesco fez esse curso de seis meses em tempo integral.

 

P/1 - E foi aí que você conheceu a Fundação Bradesco.

 

R - Isso. Porque o tempo integral era na Fundação Bradesco, algumas matérias eram ministradas pela própria Fundação, outras pela IBM e outras pelo Bradesco.

 

P/1 - E como foi? Conte para a gente um pouquinho mais desse curso.

 

R - Era um curso, como eu disse, em tempo integral. A maior parte do curso era auto estudo. Então, eram livros que você lia, fazia testes e no final do dia você tirava dúvidas com o professor, não era um curso tradicional, e você tinha provas, todo o final de matérias você tinha provas. A parte prática, você fazia programas mesmo, outros não e no final tinha um “ranking” dos melhores classificados, todos continuaram funcionários do Bradesco, quer dizer, não tinha, vamos supor, quinze vai embora ou não, mas de acordo com a classificação você poderia escolher em que área você poderia trabalhar. Então na época tinham oitos vagas na área de suporte técnico e as restantes, vinte, na área de sistema. Na época, o suporte técnico era uma coisa mais valorizada que sistemas, hoje inverteu. Hoje a pessoa do sistema que conhece o negócio é mais importante para a empresa e eu acho que tem uma carreira mais promissora nas organizações porque é mais próximo do negócio, mas na época não era assim. Na época a área de suporte técnico era mais valorizada, vamos dizer assim. E eu acabei indo para a área de suporte. 

 

P/1 - Foi para a área de suporte? Você foi bem classificado.

 

R - É, acho que fui o segundo ou terceiro. 

 

P/1 - E antes disso, você falou que já trabalhava, você deu aula.

 

R - Então, mesmo enquanto eu estudava na universidade, que era durante o dia mas tinha aquelas janelas e tudo mais, eu dava aula particular de tudo, quer dizer, eu me sustentava mediante isso, dava aula até de judô para o maternal. Aliás, conheci minha esposa numa escolinha, ela dava aula para criança e eu dava aula de judô para maternal. E também pegava, às vezes, períodos, principalmente, no segundo semestre; infelizmente, a área pública do ensino é complicada porque todo mundo vai tirando dispensa, né? Então quando chegava, mais ou menos, em Agosto assim, já era o quarto ou quinto professor que tirava dispensa, aí você tinha oportunidade para dar aula, aí, eu pegava algumas matérias e dava, também fazia isso. Eu gostava de dar aula.

 

P/1 - E quando você entrou no Bradesco, que você foi fazer esse curso na Fundação, naquela ocasião você já conheceu a Fundação? Você teve uma idéia da Fundação Bradesco, do que ela fazia?

 

R - Não, eu não tinha antes, não conhecia, tinha pouco contato com o Bradesco, tanto com o banco como com a Fundação, não conhecia nada da Fundação, passei a conhecer durante o que estava lá. A gente era um pouco apartada, né? Tinha uma parte que a gente tinha mais acesso, outras não, mas a gente entrava nas salas de aula tudo igual. Quando eu falo mais apartado assim, que não seguia os cursos normais de segundo grau, que é o forte da Fundação Bradesco e o nosso era período integral, era das oito da manhã às cinco e meia, eu acho, com uma hora de almoço.

 

P/1 - Porque eu digo assim, aí você tomou contato e já deu pra ter uma idéia do que era a Fundação Bradesco?

 

R - Mais ou menos. Como a gente fazia parte, de certa maneira era um curso um pouco apartado, era da Fundação, mas não era o regime normal a gente não seguia todos, então a gente tinha idéia, mas não tinha exatidão e às vezes quando você é jovem, você não dá muita pelota pra isso, pra falar a verdade, você vai dar mais valor hoje que a gente é mais velho e a gente vê o quanto é importante esse trabalho, que é muito bonito, estava até elogiando quando a gente subiu no elevador. Eu admiro demais este trabalho.

 

 P/1 - Voltando, você entrou no Bradesco, fez o curso, ficou trabalhando, aí quanto tempo você ficou trabalhando no Bradesco?

 

R - Uns 3 anos mais ou menos, depois eu fui trabalhar um ano na Engesa, aquela que fabricava tanques de guerra, tudo...

 

P/1 - Mas aí já seguiu a área de informática, né?

 

R - No Bradesco era tudo informática, aí eu trabalhei no Bradesco, trabalhei na Engesa, depois tinha uma época que a IBM terceirizava o centro de treinamento dela na área de informática e eu saí da Engesa para dar alguns cursos como sub-contratado, como autônomo, não como empregado da IBM no centro educacional dela mas eu sempre fiz coisas paralelas, né, fora do horário eu dava alguns cursos, dava, por exemplo, cursos na FAAP, eu já dei curso na FAAP na pós-graduação durante alguns anos, durante a minha estada na Engesa, no Bradesco, não, era mais quando eu estava na Engesa, depois quando eu estava começando na empresa.

 

P/1 - Esses cursos na área de computação?

 

R - Na área de computação.

 

P/1 - Daí você foi se especializando, você fez depois mais algum curso, como é que foi?

 

R - Quando eu entrei no Bradesco, por coincidência, eu já tinha me matriculado em um curso de informática, quer dizer, por coincidência, no fundo eu queria vir para esta área, que era uma área que tinha oportunidade, né? Aí eu me matriculei e fiz praticamente até o final o curso de pós-graduação da FAAP, que eu viria daí há três anos ser professor. E tem uma frase... Eu não gostava de computação, que é uma coisa interessante mas eu tenho uma frase que é o seguinte: todo mundo fala que você tem que trabalhar na área que você gosta, né? Eu falo que a gente aprende a gostar daquilo que faz [risos]. 

 

P/2 - Teve alguma grande contribuição, o que significou esse curso que você fez na Fundação Bradesco para a sua formação profissional e também o tempo que você trabalhou no Bradesco?

 

R - Eu acho que o Bradesco, eu acho que tem duas empresas que eu admiro muito e que eu dou muito valor: é o Bradesco e a IBM, por serem as duas empresas que me possibilitaram entrar na área, né? O Bradesco que é o primeiro emprego, eu admiro muito quem te dá o primeiro emprego porque é a grande oportunidade da sua vida. E a IBM porque me deu a oportunidade de montar a empresa, né? Foi o primeiro cliente, vamos c assim, que eu consegui. Então são duas empresas que eu admiro por isso e pela própria característica das duas empresas. A IBM é uma empresa que tem uma atenção ao cliente muito pesada, muito forte e o Bradesco, o que eu tiro de maior lição é a visão de humildade, de toda a estrutura da instituição, acho isso muito legal e aí há uma série de conseqüências, por exemplo, a prioridade que ele dá aos próprios funcionários percorrerem, crescerem dentro da organização, a própria visão das pessoas terem uma estrutura mais humilde, tenho orgulho disso, acho que isso é uma questão bem interessante, a visão pragmática. Então é o que eu mais carrego, que eu lembro é isso, porque eu acho que é muito importante, porque se você não é humilde, você não consegue ouvir e se você não consegue ouvir, você não aprende.

 

P/1 - Depois da IBM, você estava na IBM e daí você já formou a sua empresa?

 

R - Na verdade, eu não cheguei a ficar na IBM, né? A IBM era um cliente meu.

 

P/1 - Você prestava serviço para a IBM?

 

R - Desde o primeiro curso, na verdade, eu já dava alguns cursos para a IBM mesmo enquanto funcionário da Engesa, eu tirava férias e dava os cursos. Na hora que engatou e eu vi que a coisa estava crescendo e ia ter uma certa constância, aí é que eu saí da Engesa. Nunca deixei de ter nada para tentar outro, sempre fiz a coisa gradativa e, às vezes, paralela, né? A IBM foi meu primeiro cliente e desde o início eu procurei estruturar a minha empresa num outro caminho, como a IBM como o cliente, né? Eu acho isso muito importante, você não ficar dependendo de um único cliente. Até hoje a nossa característica é essa e eu acho que é uma característica que o Bradesco hoje, como empresa, admira muito na Stefanini, né? Porque o Bradesco, uma história de muitos fornecedores de (IT?) vivem do Bradesco e isso não é bom para nenhum dos dois lados porque essas empresas não trazem valor agregado, não agregam tanto e, por outro lado, cria uma dependência que também não é bom. Hoje o cenário já é diferente mas isso eu falo de anos atrás, onde muitos dos fornecedores viviam do Bradesco, hoje a história já é diferente. 

 

P/1 - Aí sua empresa cresceu, né? Você começou ali e depois ela mudou? Porque no começo você começou só dando os cursos para a IBM.

 

R - É uma empresa que começou como treinamentos, né? A gente brinca que a empresa era “eupresa”. A empresa tem dezoito anos. Nos primeiros dois, três anos, era praticamente eu, depois o segundo funcionário foi a minha esposa, também teve uma participação importante na vida profissional, me ajudou muito, me apoiou e tudo e a maioria dos cursos eu vendia e dava o curso. Então eu administrava a empresa, vendia e fazia acontecer. Nos primeiros anos ela era uma empresa muito pequena, ela começou a crescer mesmo a partir de 1992, onde já tinha uma base de clientes maior e eu aprendi a investir, você começa a aprender a gerenciar e realmente ser um administrador de empresa. Aí de 1992 a 2001 a gente cresceu muito, cresceu uma média de 50% ao ano, que é um crescimento bem grande, né? Aí a gente realmente deu um salto como empresa.

 

P/1 - E diversificou a sua área ou o forte da empresa ainda é...

 

R - Não. Na verdade, os primeiros anos foram treinamento e depois o treinamento praticamente saiu, porque mudou, antigamente quem contratava treinamento eram empresas, hoje são as pessoas que pagam o treinamento. Aí saiu fora do meu público, a gente saiu fora desse mercado, voltamos recentemente, tem a Stefanini Training, mas mais para apoiar as nossas atividades de (TI?), mas não é a principal atividade da empresa, nem de longe, é uma atividade pequena em relação ao total e ao longo do tempo, na verdade, nós focamos a área de serviço, então do ponto de vista de serviço, não é uma empresa que vende, não é uma empresa de revenda, não vendo produtos, hardware ou software, eu vendo serviços e serviços, em geral, a maioria a gente cria um relacionamento de longo prazo com os clientes e a gente trabalha durante muitos anos, né? Hoje praticamente quase todos os bancos nós trabalhamos, dos dez maiores bancos privados, nós trabalhamos com nove de maneira contínua, o Bradesco é um deles, é um dos maiores. Não só o Bradesco, mas a Bradesco Seguros e outros mais, a gente cria realmente um relacionamento de confiança. Então é uma empresa de serviços, com vários tipos de serviços, é bem abrangente, eu diria que podemos ser chamados de uma integradora de soluções na área de TI, onde envolve diversas áreas de informática. 

 

P/1 - Aí, por conta desse seu relacionamento com o Bradesco você voltou a ter alguma coisa com a Fundação? 

 

R - É engraçado porque eu saí do Bradesco em 1996 e eu consegui me tornar um fornecedor do Bradesco, aliás 1986, tem 18 anos. Eu só consegui me tornar fornecedor contínuo do Bradesco em 1999, foi um dos bancos que eu mais demorei para virar meu cliente. Quando eles reestruturaram toda a área de fornecedores, foi um projeto vencedor aqui, teve destaque no Bradesco na área de compras, eles selecionaram 150 empresas do mercado do Brasil e aí saíram com dez e a gente foi um dos homologados. Foi aí que a gente realmente trabalhou forte com o Bradesco, então o Bradesco foi um dos bancos mais difíceis, um dos bancos últimos a gente trabalhar. Da Fundação Bradesco, a gente tem sempre uma visão de trabalhar como um todo com a empresa, então a gente trabalha em várias áreas, trabalha com cartão no Bradesco, trabalhamos com Bradesco Seguros no Rio, nós temos escritório no Rio, trabalhamos no banco, trabalhamos no Visa, que o Bradesco tem participação. E a Fundação a gente também procurou, eu conheço a filha do Amador Aguiar, esqueci o nome dela...

 

P/1 - A neta, a (Lise?).

 

R - Isso, a gente conheceu. Eu a conheci, a gente trocou umas ideias uma época, a gente contrata algumas pessoas da Fundação e agora nós estamos com alguns projetos para desenvolver em Campinas.

 

P/1 - Você tem uma parceria com a Fundação no sentido de contratar...

 

R - Não tenho um contrato formal, mas a gente tem um... Para eles é importante que a gente possa contratar pessoas que coloquem no mercado e para nós é importante ter profissionais, porque o nível da Fundação, eu admiro a Fundação não só pelo volume, tamanho de pessoas que ela educa, mas principalmente pela abrangência geográfica, pelo Brasil inteiro, você falou, ela está em Tocantins, está em tudo, como pela qualidade, né? A qualidade, por exemplo, que a gente testa na área de TI é muito boa. O nível de programadores que eles formam é muito bom, excelente. 

 

P/1 - E essa parceria que vocês estão querendo fazer em Campinas, na área de Campinas, como seria isso?

 

R - A Stefanini criou um aprendizado muito grande em ter parceria com universidades ou centros de educação, vamos chamar assim. Hoje nós temos uma fábrica de softwares, um centro de serviços dentro da PUC do Rio Grande do Sul, nós temos dentro da Faculdade NDA em Brasília, nós temos dentro do ITA em São José dos Campos, nós temos dentro da UNIFOR em Fortaleza e temos dentro da UNIFACS em Salvador. E é o que a gente está querendo fazer agora com a Fundação Bradesco, claro, a Fundação não é nível superior, é nível médio, mas a gente tem a oportunidade na região de Campinas de a gente fazer um centro de trabalho nas instalações da Fundação Bradesco na região de Campinas.

 

P/1 - Porque lá em Campinas eles têm um centro deles lá.

 

R - Isso, eles têm um centro maior e tudo o mais, a gente quer aproveitar aquelas instalações utilizando não só, mas a maior parte, os próprios alunos da Fundação Bradesco.

 

P/1 - Aí como seria isso?

 

R - Na verdade, nós estamos viabilizando, nós estamos discutindo esse conceito, até que tipo de cliente e tudo o mais. Tem uma questão que a gente quer que seja também um centro off-shore , off-shore é um termo que se usa para designar exportação de serviços, então eu desenvolvo projetos de tecnologia em um país de menor custo que é o caso do Brasil para países de maior custo que seriam o caso dos Estados Unidos e Europa, né? Então a idéia é chegar nesse ponto e a gente vem discutindo até porque a própria Fundação Bradesco já tem parceria com uma instituição de ensino de línguas, isso é importante porque isso é uma das grandes carências do profissional brasileiro ou do brasileiro em si, é a questão da língua, a gente fala muito pouco outra língua , infelizmente. 

 

P/1 - E você comentou conosco que você tem um instituto, é isso? Da Stefanini. Conta um pouquinho como é isso.

 

R - Isso. É um projeto muito legal, é aqui perto, se vocês quiserem conhecer, acho que vale a pena. Nós já treinamos mais de doze mil pessoas, também gratuito.

 

P/1 - De inclusão digital, né?

 

R - De Inclusão digital. Aí o objetivo é um pouco diferente da Fundação, o nosso não é uma formação, não é primeiro grau, segundo grau, pessoas, em geral, que já se formaram no segundo grau, de 20 a 30 anos, pessoas que são consideradas velhas para o mercado de trabalho, porque o mercado de trabalho, eles estão dois, três anos parados, apesar de ter, por exemplo, 23 anos de idade, é um cara velho porque não tem profissão, né? Então a ideia é dar treinamentos rápidos, não também que nem o CDI do Baggio que é dez horas, vinte horas, mas são treinamentos na faixa de 100 a 120 horas, que dá o início para eles fazerem o que a gente chama de (interlevel?), é a entrada no mercado de trabalho, é o primeiro emprego. Por isso que eu admiro tanto e falo, o primeiro emprego é muito importante, você vai tornar aquele cara um cidadão porque ele vai ser remunerado, vai pagar, vai receber um dinheirinho, vai poder comprar as coisas dele , vai poder cuidar da vida dele e crescer dentro de alguma empresa. Então, aqui nessa região do Jaguaré e de Osasco, parece que outro dia foi inaugurado há um ano, dois anos atrás um hipermercado do Extra do Pão de Açúcar, todos os caixas desse hipermercado vieram do Instituto. Então pelo menos umas 500 pessoas já arrumaram emprego direto através da intermediação do Instituto. Quando eu falo intermediação, nunca a gente cobra nada, né? Na verdade, uma empresa vai lá e fala assim: “Eu queria tantas pessoas, você pode me indicar?”, a gente indica e ele fez a seleção, não tem nenhum contato com a Stefanini, porque a Stefanini também é um prestadora de serviços, mas são coisas separadas. Fora que a gente estima que pelo menos umas mil pessoas devem ter arrumado emprego não através do acesso do Instituto, fez o treinamento e tudo o mais e depois conseguiu arrumar emprego. Que tipo de emprego? Eu já disse caixa de supermercado, mas pode ser auxiliar de escritório, uma recepcionista, um técnico de hardware, um atendente de help desk, um atendente de call center, é uma profissão básica de começar e esse é o objetivo, não é formar um analista, um, por exemplo, no caso da Fundação Bradesco, forma um programador porque ele já tem uma formação diferenciada, o nosso atende o público da favela, um pessoal realmente de baixíssimo nível econômico.

 

P/1 - E vocês encaminham ou não? Se a empresa quiser vai lá e pede mas vocês não têm um encaminhamento que parta de vocês para arrumar o emprego? 

 

R - Seria o ideal, né? A gente até batalha porque essa é a parte que ainda falta engrenar, a gente vem convencendo os nossos funcionários, principalmente os gerentes de negócio a divulgar mais o Instituto no sentido de que as empresas nossas clientes, eu tenho uma base de clientes enorme, que venha até o Instituto contratar. Alguns compram a idéia, outros não, né? Mas a gente já tem, o Banco Itaú contrata pessoas, a Xerox, a IBM, a Roche, o (Banco de Benza?), a Marinha , têm várias empresas que já contratam, o próprio Pão de Açúcar que eu dei o exemplo, teve uma vez que precisava de agentes de saúde no bairro, todos os agentes de saúde saíram do Instituto, é bem legal. É um orçamento relativamente modesto, é claro, obviamente não é muito dinheiro, mas em relação ao volume de pessoas que a gente treina... tem o laboratório de internet para a comunidade, não é só para os alunos, então, às vezes, o aluno leva o pai, a mãe, quer dizer, tem o encanador, o marceneiro, o pedreiro, por exemplo, o marceneiro já é mais elaborado, mas um pedreiro, ele tem lá como se fosse o escritório dele virtual, a internet, ele tem acesso, então isso ele tem franqueado no Instituto, tem uma sala de laboratório e para essa parte de realmente usar a internet, como se fosse um internet café, só que é gratuito.

 

P/1 - E você sabe que a fundação também faz essa inclusão digital, né?

 

R - Não, eu não tenho contato, sinceramente, eu até gostaria de conhecer.

 

P/1 - Tem aqui perto no Jardim Conceição.

 

R - Gostaria de conhecer porque a gente já ajudou a montar pela prefeitura de Osasco dois núcleos, não sei se é esse, talvez eu fale besteira, porque pode ser que aí eu não sabia que tinha o Bradesco no meio, né? Pode ser que sim, pode ser que não, aí eu tenho que perguntar. Inclusive a coordenadora do Instituto é uma pessoa que é esposa de um ex-funcionário do Bradesco também, que foi meu colega de trabalho aqui no Bradesco dessas turmas de trainees, hoje não está mais no Bradesco e tal. E seria interessante, se você pudesse me passar os dados, eu agradeço. 

 

P/1 - Você tem contato com aquele pessoal que você estudou?

 

R - Tenho. Por isso que eu falei: “Se você quiser algumas fotos...”.

 

P/1 - Ficou um grupo?

 

R - Ficou, até hoje são meus amigos uma boa parte, talvez metade. Por isso que eu falei, talvez se você quiser a foto da turma, talvez fosse algo legal, eu tenho lá, daí eu vejo com minha esposa, até hoje eu tenho, pelo menos com a metade, eu tenho contato regular de freqüentar aniversários com a família, é uma turma que a gente continua muito amigo. Uma parte continua no Bradesco e outra não, mas continuam muito amigos. 

 

P/1 - E você acha que foi importante aquele curso pra você e pra eles, para engrenar a carreira, pra tocar pra frente?

 

R - Fundamental, não é importante. Lembre-se que eu falei que o primeiro emprego é importante, imagine numa área que a gente não tinha formação, né? Então o Bradesco foi duplamente importante porque além de dar o primeiro emprego, ele deu a formação na área.  Todas essas vinte e oito pessoas que estão hoje na área de informática tem que agradecer ao Bradesco, se não fosse ele nós, não sei, teria de arrumar um outro parecido pra ter isso aí, né? Então para nós foi de fundamental importância.

 

P/1 - O seu estado civil?

 

R - Casado.

 

P/1 - O nome da sua esposa?

 

R - Maria das Gracas Vuolo Sajovic Stefanini. 

 

P/1 - E você conheceu sua esposa?

 

R - Numa escolinha de maternal na Capote Valente.

 

P/1 - E o casamento de vocês como foi? Namoraram, foi rápido, casaram logo?

 

R - Não, namoramos seis anos e nos casamos. 

 

P/1 - E filhos?

 

R - Tenho dois. 

 

P/1 – Como é o nome deles?

 

R - Guilherme e Rodrigo. Um vai fazer 15 anos, o outro vai fazer 11 anos.

 

P/1 - E o que você mais gosta de fazer nas suas horas de lazer? Você já falou um pouquinho, né? 

 

R - É, mas eu convivo muito com os meus filhos. Sou bem ligado a eles no tempo que eu tenho que é muito escasso, que eles reclamam sempre que eu estou viajando.

 

P/1 - Você já falou que foi importante. No tempo que você trabalhou e estudou aqui, você chegou a conviver o senhor Amador Aguiar?

 

R - Não. Pessoalmente? Não.

 

P/1 - Você tem alguma ideia quanto a ele pelo fato de ter fundado a Fundação?

 

R - Tenho. Isso eu tenho bem claro. A questão de ser espartano, de simplicidade e humildade, isso, com certeza, veio o exemplo, né? O Bradesco, apesar de ser simples, mais rústico, vamos chamar assim, talvez uma formação mais não tão elaborada segundo outras instituições, mas sempre foi uma empresa de ousadia, por exemplo, o (Amador Aguiar?) adotou a questão das salas de trabalho entre a diretoria tudo aberta quarenta anos atrás, quando hoje, dez dias atrás, as pessoas falam o máximo, ele já adotava isso, né? Adotava aquela história de ter poucas gavetas, não ter gavetas para não deixar papel na mesa, quer dizer, era uma pessoa bastante espartana, bastante determinada e ousado. O Bradesco foi pioneiro na área de informática, o Bradesco sempre foi líder nessa linha de tecnologia, sempre apostou muito em tecnologia, sempre procurou ser espartano, alguns modelos inovadores como esse da sala de reunião de diretoria, todos ficam na mesma sala, inclusive eu adoto isso, né? Falar a verdade, agora a gente mudou o modelo, né? Mas trabalhei 15 anos e acho isso muito importante.

 

P/1 - E o fato de ele ter fundado a Fundação Bradesco há cinquenta anos atrás? Quando ainda não se falava em terceiro setor.

 

R - É mais um exemplo, eu não citei, né? Mais um exemplo de inovação, ele era uma pessoa que enxergava muito longe, dei modelos de conduta, no fundo se você analisar, dei exemplos de modelo de conduta, exemplos de ousadia na administração, que é o caso das salas, e exemplos de visão de país, né? Porque realmente não se falava em terceiro setor, hoje virou tudo uma moda , né, e hoje, eu estava comentando com ela, se não é a maior, é uma das 3 maiores instituições de ensino do país, é um volume brutal de pessoas de qualidade e o próprio modelo, se você analisar, acionário do Bradesco é muito interessante porque uma boa parte da Fundação era sócia do Bradesco, vive dos dividendos do Bradesco, vive do lucro do Bradesco, mas ao mesmo tempo é uma empresa administrada profissionalmente. Se você analisar, nós temos outros dois casos, que foram empresas onde a fundação era ou é dona e que foram dois casos, infelizmente, de fracasso, que as empresas acabaram, uma delas a Antarctica, que é muito conhecida porque ela virou lenda, virou um nome, virou uma empresa que perdeu, né? E a outra é a Varig, que é moribunda, é uma questão de tempo para ela morrer, infelizmente, né? Então o Bradesco teve um modelo muito interessante que ele conseguiu manter boa parte do rendimento, mas ele não administra o banco. Então ele conseguiu separar, isso é brilhante, ele conseguiu separar uma atividade, é financiada pelo Bradesco, eles são donos, mas eles não administram o Bradesco. Porque uma coisa é administrar uma atividade de cunho social e outra administrar uma empresa, né? No caso de Antarctica e Varig, não, elas se misturam, não só tinha uma fundação, mas ela administrava a empresa. Então de novo há um brilhantismo, realmente é de tirar o chapéu. Eu não estou falando porque estou entrevistando aqui pela Fundação, eu admiro mesmo.

 

P/1 - Qual você acha que é a importância da Fundação na história da educação brasileira?

 

R - Olha, eu não tenho estatística pra te mostrar, não consigo te passar isso. Eu acho que esse modelo que eu acabei de comentar, onde se consegue manter uma Fundação do ponto de vista financeiro mas sem administrar, acho que isso é um legado enorme. Eu mesmo, falar a verdade, tenho, não é bem um testemunho, porque a gente faz algumas coisas, uma parte do meu investimento, eu fiz um modelo onde é direcionado para o Instituto. Então, voltando ao assunto, de legado, eu acho que esse modelo é legal, a questão de volume, treinar aí, se não me engano, mais de 100 mil alunos é significativo, claro, em mais de 100 milhões não vai fazer diferença, mas é significativo e eu acho que o principal talvez seja ele ter focado no ensino médio, que eu acho que é o principal, a principal necessidade do país, mesmo que a gente fale que têm poucos universitários, mas proporcionalmente nós temos  menos ainda profissionais qualificados práticos de ensino médio onde você dá uma profissão mais prática para essa pessoa, principalmente que ela tem um nível, não no caso da Fundação, mas a nível Brasil de uma formação escolar, às vezes, mais fraca, então você consegue dar uma oportunidade de trabalho para ele entrar num nível bom de trabalho, né, uma boa remuneração e não formar tantos doutores assim, que é a mania do Brasil, né? Então acho que esse é um grande legado, você focar no ensino médio, acho que eu saiba é o que ele foca, né? (Se não tiver falando besteira?).

 

P/1 - E esse projeto Memória 50 anos da Fundação Bradesco que está acontecendo, você está participando.

 

R - Não. Eu não sabia disso, tive ciência através de vocês.

 

P/1 - Ele é um projeto que está sendo escrita a história da Fundação através das pessoas que passaram por ela ou que estão nela. O que você acha desse projeto?

 

R - Eu acho duas coisas interessantes agora analisando, né? Um deles é que a história é feita de pessoas, então é uma forma interessante de contar a história, contando através das pessoas que participaram da história da Fundação. Um outro que eu acho importante é a gente ter memória, aliás, eu gosto de história, acho muito importante e o Brasil não é um país que dá valor à história, que dá valor à memória. Terceiro, eu tinha falado dois, mas eu acho que a gente precisa da divulgação de bons exemplos, aliás, todo o mundo precisa, o Brasil talvez mais que os outros mas eu acho que a gente tinha até como fato de estimular. Eu diria que esses são os três fatores que eu acho interessante: contar através das pessoas, acho que a gente faz, ainda mais aqui a educação; segundo a questão de ter história, de valorizar isso, acho que não é qualquer hora que a gente tem uma instituição de 50 anos; e terceiro, da gente divulgar os bons exemplos, nós precisamos de divulgar os bons exemplos, que os maus exemplos estão aí todo dia, né? 

 

P/1 - O que você achou de participar dessa entrevista para o projeto?                  

 

 R - Achei interessante, fui pego de surpresa porque eu não sabia do projeto. Tenho orgulho, me sinto honrado de participar disso, acho que é legal, se puder contribuir com alguma coisa e dentro do esquema de dar exemplos e de tudo o mais, meu exemplo talvez não seja tão significativo, mas eu acho que é interessante.

 

P/1 - Tem alguma outra coisa que a gente não perguntou que você gostaria de falar? 

 

R - Não sei, você conhece um pouco da Stefanini ou não?

 

P/1 - Não.

 

R - Assim, pra você ter uma ordem de grandeza, o que a gente faz , é uma empresa de serviços, empresa de gente, por isso que eu valorizo muito isso. Nós fomos uma das primeiras empresas pioneiras na questão de avançar no internacional, nós temos subsidiárias em doze países, na Europa, América do Norte, América Latina e Brasil. Nós temos quase 4000 pessoas trabalhando na empresa e é uma empresa baseada na questão de continuidade de valores de simplicidade, né? Eu acho que algumas coisas, não são todas, mas com certeza uma boa parte a gente carrega de experiência na vida e aqui eu considero uma experiência positiva, muito positiva. E agradeço muito.

 

P/1 - Então está bom. Em nome da Fundação Bradesco e do Museu da Pessoa, nós agradecemos a sua entrevista.

 

R - Está bom, obrigado. Que façam um bom trabalho.

 

P/1 - Obrigada.

 

R - Está bom?    

 

(fim da fita)

 

                       ---- FIM DA ENTREVISTA ----





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