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Entre trilhos e livros: Santa Cecília

História de: Geni Ferreira Matos
Autor: Sophia Donadelli
Publicado em: 13/06/2021

Sinopse

Sobre o bairro de Santa Cecília. Sobre o início do metrô na cidade de São Paulo. Sobre o hábito de ler livros.

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História completa

Projeto Memórias no Metrô

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de Geni Ferreira Matos

Entrevistada por Augusto Russo

São Paulo, 16 de maio de 2008

Código: METRO_CB020

Transcrito por Bárbara Carvalho de Andrade

 Revisado por Leonardo Dias de Paula

 

P – Primeiro, eu gostaria que a senhora dissesse o seu nome completo, o local e a data de nascimento.


R – Meu nome é Geni Ferreira Matos, eu nasci no dia 2 de julho de 1930.


P – A senhora é aposentada hoje? Qual foi a atividade da senhora?


R – Eu trabalhei na Polícia por 35 anos, no Palácio da Polícia, na Brigadeiro Tobias.


P – E qual é o nome dos seus pais?


R – Elisio Ferreira e Ernestina Miranda.


P – A senhora lembra a atividade deles?


R – Ambos fazendeiros. 


P – Durante a infância da senhora, em que bairro a senhora morava?


R – Eu vim pra cá pra Santa Cecília pequena, estou até hoje morando aqui no Largo de Santa Cecília.


P – A senhora pode descrever um pouco o bairro quando a senhora veio pra cá?


R – Ah, quando eu vim pra cá, esse bairro era um dos bairros nobres. Santa Cecília tinha as babás que ficavam com os carrinhos, bebezinhos, passeando na praça, era um lugar muito gostoso de se morar. Depois veio o progresso; com o progresso veio o metrô. O metrô foi o… do começo, agora todo mundo tá adorando, mas no começo foi um caos, porque demoliram todos os prédios da rua. Graças a Deus o meu ficou na esquina [risos]. Eu fui poupada graças a Deus, mas foi muito difícil. Muita gente se suicidou, porque receberam muito pouco e ficaram desesperados, e eu sofri muito também com o barulho do metrô aqui dia e noite. O “chipam”, “chipam” noite e dia, nossa senhora. Mas, graças a Deus, hoje tá todo mundo feliz, né, porque o metrô na porta não é pra qualquer um [risos].


P – E, durante a infância da senhora, a senhora tem alguma lembrança marcante que pode contar pra gente?


R – É, eu tenho uma lembrança muito marcante, é uma coisa que ficou gravada na minha vida que é meio difícil de falar, foi quando minha mãe morreu… Eu tinha 6 anos…, nunca mais me esqueci de quando eles iam levando o caixão dela…, e eu fiquei fazendo tchau. Essa foi a coisa que mais marcou a minha vida, foi a partida da minha mãe [choro]. Desculpa, mas...


P – Faz parte.


R – ... nunca esqueço isso.


P – A senhora, durante todo esse tempo que morou aqui, viu as mudanças que ocorreram no bairro, né? Então a senhora podia falar assim o que a senhora viu de diferente além do metrô, de que o bairro se transformou durante todos esses anos.


R – Não, o bairro transformou. Antigamente a gente tinha a Clip aqui, muito iluminada, muito bonita – a Clip também faliu, então transformou muito. Primeiro estava um caos, agora já tá levantando Santa Cecília de novo, já tá ficando um bairro gostoso de se morar, porque agora puseram mais policiamento – tinha muito marginal, muita coisa assim, mas agora já tem policiamento, a gente já pode sair mais despreocupado. Inclusive, conseguimos que ficasse fixo aqui, né? Então a gente se sente mais protegido.


P – E em uma palavra, assim, o que a senhora mais gosta no bairro? 


R – O que eu mais gosto no bairro? Metrô [risos], o metrô é maravilhoso. Saio de casa, pego o metrô, vou assistir um filminho, sabe? A gente sai do metrô, vai ao Tatuapé assistir um filme, toma um cafezinho e vem pra casa. O metrô é nosso, o metrô é uma maravilha na vida nossa, o metrô foi a melhor coisa que fizeram, apesar do começo ter sofrido bastante.


P – A senhora gosta de ler?


R – Eu? A coisa que eu mais amo. Eu não leio, eu devoro todos livros da biblioteca. Acredita que eu vou lá e não tem nem mais livro pra eu ler? Eu pego muito ali no Sesc Pompéia; eu chego lá, já enchi milhões de cartões, porque eu não leio, a minha filha fala que eu devoro [risos]. Eu adoro ler, é a coisa que eu mais gosto. Eu não sou muito de ficar vendo televisão, eu costumo mais ler.


P – E atualmente a senhora tá lendo alguma coisa?


R – Tô, eu tô lendo um de Danielle Steel e tô lendo também A menina que roubava livros. Estou achando muito interessante, eu leio demais.


P – E dos livros que a senhora leu teve um que marcou?


R – Olha… Danielle Steel é… tem me marcado muito, eu adoro, livro dela me prende do começo até o fim. Ela é muito boa, não tem um livro dela que eu não leia [risos].


P – Bom, só pra encerrar, o que a senhora achou de dar esse depoimento?


R – Eu achei maravilhoso, é, tudo bem, valeu [risos].


P – Muito obrigado.

 

 --- FIM DA ENTREVISTA ---

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