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História

Entre cores e ondas

História de: Josias Mendes da Silva Neto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/11/2013

Sinopse

Josias, um dos seis filhos de uma merendeira com um bombeiro, teve de parar os estudos cedo, mas conta como a professora de educação artística marcou sua vida e influenciou, inclusive, sua carreira. Nesta entrevista, ele conta como o que aprendeu sobre cores na escola está presente até hoje no seu trabalho com estamparia de pranchas de surfe.

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História completa

P/1 – Bom dia, Josias. Eu queria agradecer a sua participação em nome da Camargo Corrêa e do Museu da Pessoa. Para começar, eu queria que você dissesse o seu nome, local e data de nascimento.

R – Meu nome é Josias Mendes da Silva Neto, o local onde eu moro é no Jardim América, na rua Viçosa, número 41, residência própria. E a minha idade?

P/1 – É, a data de nascimento e o local onde você nasceu.

R – Ah sim, o local onde eu nasci, não o endereço, né?

P/1 – É.

R – Está bom. Meu nome é Josias Mendes da Silva Neto, eu nasci em Fortaleza, Ceará, e a minha...

P/1 – Data de nascimento.

R – Data de nascimento é 6 de novembro de 1973.

P/1 – Qual o nome dos seus pais, Josias?

R – Meu pai já faleceu, é Raimundo Ferreira da Silva, minha mãe ainda é viva, ela é Maria Salomé Mendes da Silva.

P/1 – E seu pai, o que é que ele fazia?

R – Meu pai era dos bombeiros, depois fomos... Ele se aposentou. Exercia também a função de barbeiro lá no Corpo de Bombeiros, e quando se aposentou ficou fazendo em casa mesmo, trabalhando como autônomo.

P/1 – E sua mãe, ela trabalhava com o quê?

R – Ela sempre trabalhou como merendeira em escola.

P/1 – Ah, ela trabalhava numa escola?

R – Isso.

P/1 – Da rede...

R – Escola municipal, do município.

P/1 – E você chegou a conhecer seus avós, Josias?

R – Cheguei. Os avós maternos. Paternos, não cheguei a conhecer.

P/1 – E os maternos, como é que eles chamavam?

R – O nome do meu avô materno era Josias Mendes da Silva, minha avó, Lídia Paulino dos Santos.

P/1 – E eles faziam o quê?

R – Meu avô, na verdade, era como se fosse um porteiro de escola do município também, próximo à minha residência. A minha avó, ela era dona de casa.

P/1 – E você tem irmãos, Josias?

R – Tenho. São quatro irmãs, tudo mais velha do que eu, e um irmão mais novo.

P/1 – E me diz uma coisa, você tinha o hábito de ouvir histórias, quando você era criança, conta um pouquinho. Quem contava essas histórias para vocês, você tinha esse hábito na sua família ou não?

R – Tinha. Na verdade meus avós, né, que eu era muito chegado a eles, ficava mais com eles, e no caso eu era o único homem da minha família, antes de meu irmão nascer. Após 12 anos que ele nasceu, o resto era tudo mulher e todas mais velhas. Aí, meu avô sempre gostava de andar comigo, para onde ele ia, ele me levava, pra feira de final de semana, feira livre, né, que vende fruta, essas coisas, e ele sempre ia contando algumas histórias.

P/1 – E você lembra de alguma delas ou não?

R – Eu lembro, ele falava muito da época quando ele chegou ao bairro: que era de plantações, não tinha muita residência; era, assim, uma localidade ali onde hoje é a rodoviária, não lembro do nome da rodoviária, mas eram plantações de macaxeira, de milho, era distante uma residência da outra, né, tipo interior mesmo.

P/1 – E ele morava nesse bairro?

R – Sempre morou.

P/1 – E é onde você mora hoje também?

R – Também, hoje em dia...

P/1 – E como é que era a casa em que você morava quando era criança? Fala um pouquinho do bairro, conta para mim como é que é que era.

R – Eu não cheguei a alcançar a casa de taipa, que é a de barro com a estrutura de madeira, de sabiá, que pegava no mato para construir. Meu avô já tinha a casa de alvenaria. A nossa, ele construiu próximo, num terreno que ele conseguiu para poder começar dali a gente evoluir a residência da gente.

P/1 – Então o teu avô tinha uma casa de alvenaria, mas a de vocês era de taipa?

R – Foi, porque no caso ele queria que a gente, que todos morassem perto, os filhos dele, né? As minhas tias, a minha mãe com os filhos, queria que todos morassem próximo um do outro.

P/1 – Como é que era essa casa de taipa, conta um pouquinho pra gente, como é que ela era, ela tinha quantos quartos, o chão era feito de quê, conta pra gente?

R – Era, no caso era um vão só, o banheiro externo, fora, no quintal. Aí tinha a cerca em volta de todo o terreno.

P/2 – Tinha plantação?

R – Não.

P/2 – Não?

R – Não, geralmente a plantação era onde meu avô queria lá as coisas dele lá.

P/1 – Ele tinha umas terras distantes daqui que ele tinha plantação?

R – No caso, ele trabalhava na terra, né, não era bem dele.

P/1 – E onde eram essas terras?

R – Era onde é a rodoviária hoje em dia.

P/1 – Ah, tá.

R – No bairro do Parreão.

P/1 – Ah, tá. E como é que era o nome desse bairro que você morava quando que era criança?

R – Sempre foi Jardim América.

P/1 – Ah, tá.

R – Tinha, é porque fica muito próximo do começo do Montese e do Benfica também.

P/1 – Ah, tá. E me diz uma coisa, conta um pouquinho da sua infância, com quem que você brincava, qual era a brincadeira preferida, fala um pouquinho pra gente isso.

R – Na verdade é assim, eu brincava sozinho, bem dizer, em casa. Minha mãe, ela sempre foi de segurar mais em casa, aconselhada pelo meu avô, pela minha avó. Eu inventava qualquer brinquedo para, né, ficar à vontade, não tinha como comprar brinquedos renovados, que havia quase sempre. A gente mesmo improvisava o brinquedo, eu e os meus amigos.

P/1 – E que brinquedo que você inventou, o que era que vocês improvisavam?

R – A gente usava aqueles carretéis de linha de soltar pipa, soltar raia, aí com uma liga de enrolar cédula de dinheiro passava por dentro do carretel e numa ponta um palito de dente e no outro lado um sabão, aí você tipo dava corda na liga, aí quando soltasse o palito empatava de girar total e voltar rápido a corda, e o sabão ajudava a deslizar.

P/1 – E você brincava com quem?

R – Bola, jogava bola. Tanto que eu comecei a surfar porque os meninos também empatavam muito eu jogar bola, não sei se é porque eu jogava mal, ou alguma coisa. Aí eu fui pro skate, cheguei até pegar patins da minha irmã, que ela tinha, e removia as roda, colei uma tábua para andar. Aí nisso a gente ficou de mal por alguns tempos.

P/1 – E aí você fazia o skate e andava onde, tinha uma pista?

R – Na quadra do colégio.

P/1 – Ah, na quadra do colégio?

R – Tinha um colégio que meu avô trabalhava na portaria, a gente pulava, nos finais de  semana, o muro para jogar bola.

P/1 – Ah, tá. E você estudava em que escola?

R – Eu estudei boa parte no Colégio Piamarta Montese, colégio católico, né, dos padres lá, da Igreja católica.

P/1 – E lá você também andava de skate, jogava futebol, como é que era?

R – Não, só fazia a atividade física da parte da matéria Educação Física, né? Na prática, eu pratiquei muito atletismo, porque tinha um professor, Marco Brasil – hoje em dia eu não sei se ele ainda é árbitro de futebol daqui do Ceará –, mas ele ensinou muita coisa pra gente em termos de competições de atletismo. Cheguei ainda a correr no colégio militar, que existe um nome lá, é Círculo Militar, o nome do campo, e em volta dele tem uma pista de atletismo.

P/2 – E você surfava também?

R – Não, nessa época ainda estava para conhecer o surfe. O surfe eu vim passar a conhecer depois de tinha uns 15, 14 anos de idade.

P/1 – Então essa fase que você está contando que você estudou nesse colégio e que você pulava o muro era uma outra escola, era uma escola municipal que você pulava o muro durante o final de semana?

R – Isso, não a escola que eu estudei, era a escola mais próxima à minha casa.

P/1 – E conta um pouquinho como é que essa escola, o que é que mais...

P/2 – Algum professor.

P/1 – Algum professor te marcou, conta um pouquinho pra gente.

R – Tem. Existe ainda a professora de educação artística, era a Sueli, ela ensinou muita coisa a gente. Tanto que foi aí que eu passei a gostar de cores e hoje em dia temos a profissão que eu gosto de cores, de arte, né? Aí eu faço a serigrafia também, gosto muito de dar opiniões na pintura, nas pranchas. Aí foi o que marcou bastante, ela sempre nos ajudou a trabalhar com isso.

P/1 – E ela ensinava o que para vocês? O que você aprendeu a fazer? Era... tinha algum tipo de trabalho manual que ela ensinava, pintura?

R – Tinha. A gente fazia desenhos e mistura de cores. Cores primárias, secundárias, como formar cores, todas essas misturas de cores.

P/2 – E você namorava no colégio?

R – Bastante [risos].

P/1 – Nessa escola, você estudou desde o primeiro ano até a quarta, quinta série, foi isso?

R – Foi.

P/1 – Foi. E me fala uma coisa, como é, tinha uniforme? Que horas que você estudava? Conta um pouquinho dessa sua fase da escola.

R – Assim, a parte que eu comecei a estudar... eu estudei, comecei com cinco anos de idade, aí chamava de alfabetização, que era o primeiro curso de escola. Depois passava pro primeiro ano, segundo, terceiro e quarto e, assim, sucessivamente. Quando eu tinha na faixa de nove anos de idade, já tinha que ajudar em casa, trabalhar. Aí tinha um farol, sinal, lá perto lá de onde a gente mora; ainda existe, né, o cruzamento da avenida Expedicionário com a Borges de Melo. A Borges de Melo é a que vai, liga à rodoviária. Eu pegava lá frutas, limão, maçã, verduras, algumas coisas para vender nos ônibus. Achava muito competitivo, sempre fui assim, percebia as coisas. Eu olhei que era muito competitivo, era muito menino da minha idade, meus amigos, vendendo no mesmo sinal. Aí a gente pegava uma carona, arriscava a vida sem saber quem era e ia até a rodoviária para vender nos ônibus que iam saindo do terminal rodoviário para outros estados, e oferecia as frutas, às vezes eles pegavam e não pagavam. O ônibus já saia, aí tinha que prestar conta lá com o rapaz lá. Aí passei a trabalhar, com 14 anos de idade, como empacotador no supermercado Montese. Empacotava, trabalhava como menor ainda, né, pela entidade que tinha, que era a Febemce  [Fundação Estadual Bem Estar do Menor no Ceará]. No caso a Febemce não era a que pegava os meninos e prendia; eram jovens que queriam trabalhar, que também tinham que auxiliar o trabalho ao estudo. Aí eu estudava pela tarde e trabalhava pela manhã como empacotador num supermercado. Tinha o intuito de quando ficasse maior se empregava formalmente no supermercado, mas não cheguei a alcançar, porque o supermercado entrou em concordata, fechou, né? Isso lá pelos anos 1990.

P/1 – E aí o que é que você foi fazer?

R – Daí pra frente, eu fui me engajando em qualquer coisa, como ajudante de capotaria. Capotaria é tapeçaria em outros estados, que é reforma de banco de carro, de veículo, né? No caso, cheguei até ter uma experiência, a gente foi reformar no aeroporto um avião, um avião pequeno, mas foi “orgulhante”. Ajeitamos, reformamos todo o estofado. Lá no iate clube também, que tem aqui em Fortaleza, foi reforma de uns iates também. Aí, nessa época, depois eu passei a trabalhar com a serigrafia.

P/1 – E como é que aconteceu isso? Por que é que você se interessou pela serigrafia? Como é que se deu isso?

R – Foi porque, como eu falei, peguei o gosto na infância, com a professora de cores, de arte. E eu sempre gostava de ver estampando a camisa. Aí eu queria, tinha curiosidade de aprender, de fazer, e fui aperfeiçoando, comecei a trabalhar.

P/1 – E você fez algum curso, não?

R – Não, foi trabalhando mesmo.

P/1 – E onde você começou a trabalhar?

R – Comecei a trabalhar com um conhecido do bairro, o nome dele é Cícero Roberto. Ele ensinava, não só era patrão como era professor, ensinava mesmo a trabalhar. Gostei muito do método, e tanto que eu aprendi bastante, várias coisas.

P/1 – E ele fazia serigrafia em quê?

R – Ele estampava, trabalhava muito com a política. Na época fazia, podia fazer camisa, botton, boné, chaveiro, tudo em serigrafia, no geral. Eu aprendi ajudando, auxiliando ele na política, quando tinha eleições, que era a época que a gente gerava mais renda pra gente. Eu passei a trabalhar depois que ele se mudou, foi pra um bairro distante, que não dava pra eu acompanhar ele. Aí comecei a trabalhar em outros, só que era em outro método, era mais moda, tipo para marcas, né, de fabricações de moda. Foi outra fase que eu peguei, em que eu tive que aprender como se fosse novo, porque era um método diferente. A camisa personalizada, promocional, quer dizer, a camisa personalizada é de moda, né, no caso da modinha, que chama. As camisas de modinha, elas são uma coisa mais... têm que ter mais qualidade porque vai pras lojas e é de uma marca de um empresário no caso. Já as promocionais, na época da política, eram à vontade, a gente errava, às vezes ia, mas geralmente tinha um revisor para revisar como saíam as peças.

P/1 – E me diga uma coisa, Josias, você falou que... Voltando um pouquinho lá atrás, você me disse o seguinte, que trabalhava, fazia esportes. Aliás, desculpa, futebol você tentou e não deu muito certo, e aí você começou a surfar com 15 anos. Como é que aconteceu isso? Conta pra gente.

R – Um amigo de infância, Jordane, tinha familiares em Iguape, uma praia aqui no litoral oeste de Fortaleza. Aí a gente começou a ir de final de semana. Como a gente trabalhava nesse supermercado, a gente tinha um dinheirinho, pegava o ônibus e ia até lá, Iguape. E comecei a pegar amizade na localidade, comecei a praticar, pegar mais gosto, e desenvolvemos bem o surfe lá. Começamos a surfar melhor do que era, que a gente, às vezes, só surfava aqui nas praias de Fortaleza. Como tinha muito localismo, o pessoal que morava na praia, bem dizer, achava ruim que pegava visitantes de outro bairro para querer surfar, achava que iam tomar as ondas deles, né, sempre teve isso.

P/1 – E aí você ia para essa cidade para surfar lá?

R – É, a gente tinha que se deslocar para uma cidade mais aconchegante pra gente.

P/1 – E me diz uma coisa, você lembra qual foi a sua primeira prancha, como é que você comprou a sua primeira prancha?

R – Lembro. Eu cheguei a vir aqui na Barra do Ceará, no bairro que nós estamos. A gente veio na parte da noite, depois que terminamos... saímos da escola em que a gente estudava a tarde. A gente veio, voltamos de noitinha no ponto de ônibus. Até houve um acontecimento que um cara queria tomar a prancha: “Eu comprei agora, eu não vou dar, eu não vou dar”. E o cara simbolizando que era um assalto e eu: “Não, não vou dar”. Não sei da onde tirei essa coragem, acho que foi o incentivo maior do esporte. Aí não dei a prancha, ele tentou, esperei o ônibus, entrei no ônibus e fui "simbora" pra casa, porque é distante de onde eu morava para o bairro que nós estamos.

P/1 – E me diz uma coisa, onde você comprou as pranchas, aqui no bairro, tinha alguém que fazia?

R – Foi de um conhecido do meu amigo, né, não foi prancha pronta, já era usada. A prancha de segunda mão. Mas, assim, eu acredito que era de terceira, porque já era bem velhinha, né [risos], não era de segunda mão.

P/2 – Você já sabia surfar?

R – Já. Já estava bem evoluído. Já tinha surfado, estava trocando de equipamento.

P/1 – Você falou que começou a trabalhar com processo de serigrafia, de estamparia, tanto pra questão promocional como pra moda. E sempre você trabalhava como funcionário de alguém, é isso?

R – Isso. Aí, com o tempo, eu acho que há uns cinco anos, ergui a cabeça e disse: “Não, agora eu vou, eu já sei tudo, porque que eu não...”, só não entendia muito a gestão de tomar como o seu próprio patrão, né? Tipo dar orçamento, saber cobrar para não perder, tirar todo o material, todo o empreendedorismo, né? Mas comecei, resolvi arriscar e fui.  Graças a Deus, deu certo.

P/1 – E o que é que você começou a fazer? Começou a oferecer para quem? Quem eram seus clientes e o que é que você fazia?

R – Justamente, eu peguei, fui às capotaria em que trabalhei. Oferecia fardamentos para eles. Para amigos que jogavam bola, comecei a oferecer uniforme de time para eles jogarem bola; e do surfe também. Os amigos procuravam a arte da seda, que é o que eu faço aqui na cooperativa, que é a logomarca estampava na prancha.

P/1 – Ah, então os seus amigos queriam que pusesse uma logomarca na prancha, e você fazia isso para eles?

R – Isso, eu ia imprimir no ramo da serigrafia num papel de seda, que é o papel que se usa para fazer a pintura numa prancha.

P/1 – Então, você começou com essa coisa de trabalhar mesmo com os seus amigos, com as suas relações, e era basicamente camiseta que você estampava, que mais?

R – Camiseta, sacolas, adesivos. Aí a logomarca pra prancha. No caso pintura de prancha, já funciona diferente, né. Aquela logomarca que tem ali na prancha, da Coopsurf, no caso, fui eu que a estampei. A impressão num papel de arraia, papel de seda.

P/1  – E como é que faz isso? Conta um pouquinho do processo de estampar em prancha.

R – Funciona na forma de você ter o esboço do desenho, leva pro computador, faz a arte, o vetor, no caso no Corel Draw, e imprime a arte em um papel próprio, papel vegetal, e faz a revelação da tela, em uma reveladora de luz, com luz. Após a tela estar pronta, tem o esquema de fazer o gabarito, encaixe, todo esse processo das cores, fazer o encaixe, cor por cor, no caso cada cor seria uma tela. Aí é só pintar.

P/1 – Você pinça, vai encaixando as telas uma em cima da outra e vai pintando a tela. E isso na prancha, quando você faz isso você pode colar na prancha, como é que vocês... como é que ela fica na prancha?

R – É o seguinte, por exemplo, aqui eu tenho essa logomarca da gente, eu pinto o fundo branco, primeiro nessa camiseta não tem, pinto a tela que é o branco, fundo branco, tiro e removo a tinta aí espera secar. Vem o encaixe da outra para dar certinho no local. Vem o azul claro, aí removo a tela, coloco a tela do azul mais escuro e finalizo. E o laranja, né, que tem o laranja.

P/2 – E essa logo, como surgiu?

R – Oi?

P/2 – Essa logo da Coopsurf, como surgiu, qual que foi a ideia que saiu ela?

R – No caso, foi todo feito um processo com um rapaz do Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas]. O Sebrae nos ajudou na parceria de criar a logomarca. Na cooperativa, a gente tinha várias ideias, a gente passou todas as ideias para eles lá, o especialista em arte, né? Aí bolou essa marca, e a gente está usando.

P/1 – Deixa eu perguntar, como é que você se envolveu com o projeto da Coopsurf?

R – Como eu sempre trabalhei com o surfe, e sendo instrutor também – já agora atual, sou instrutor de surfe na escolinha lá da Leste-Oeste, perto do kartódromo, onde a obra vai reiniciar lá, Vila do Mar –, surgiu a demanda de eu começar a participar das reuniões que estava havendo, esse "avaliamento" entre as entidades do Pirambu, e eu fui convidado para participar.

P/1 – E quem eram essas entidades? Quem eram as pessoas que estavam envolvidas na ideia de criar uma cooperativa? Quem estava nesse começo?

R – Assim, bem no começo eu não peguei, mas eu soube que foi uma grande parte de várias associações: costureiras, fabricantes de outras coisas de reciclagem, tipo vassouras feitas de garrafa pet, tinha também o pessoal da... Mas de Pirambu eram acho que na faixa de 35. Eles avaliaram e viram que foi melhor para o surfe investir, né?

P/1 – E, porque aqui tinha muitas pessoas envolvidas com o surfe, como é que era?

R – Não, assim, é que eu não sei explicar essa parte, mas...

P/1 – Não tem problema.

R – Teve um projeto para fazer o Futuro Ideal, né, que vinha pela Camargo Corrêa, o Instituto Camargo Corrêa. Eles tinham que avaliar alguma entidade, algumas associações, para poder fazer o ramo do cooperativismo e fazer declaração de renda. Aí a gente deu sorte e foi escolhido. Juntaram-se vários fabricantes de prancha, no caso do Pirambu à Barra, e formaram o cooperativismo.

P/1 – Ah, então tinha várias pessoas daqui da região...

R – Que fabricavam prancha.

P/1 – Fabricavam prancha e aí a ideia surgiu para se construir a fábrica de prancha.

R – Isso, conciliar e fazer uma fábrica só.

P/1 – E me diz uma coisa, e a ideia... Você, por exemplo, não entrou muito no começo do projeto não. O projeto começou a ser estruturado, a obra já tinha sido feita, foi antes, como que...

R – Não, bem antes, no momento em que estavam iniciando a obra, já vinham avaliando várias associações que estivessem na ativa.

P/1 – Para poder pensar que tipo de cooperativa teria.

P/2 – E o que você achou dessas reuniões?

R – Achei muito produtivo. Eu até, na minha serigrafia, evolui alguma coisa, tipo gestão, porque tinham coisas que eu aprendi ali, levava pra casa e via que dava certo, pelo menos no método de ganhar dinheiro, né?

P/1 – Deixa eu entender um pouquinho essas reuniões. Como é que eram feitas? Tinham as associações e tinham alguns parceiros que vinham dar orientação para vocês, é isso?

R – Isso.

P/1 – E quem eram os parceiros, o Sebrae...

R – O Sebrae, [o Instituto] AOCP, Sescoop [Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo], a Camargo Corrêa, tinha o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. A gente... era assim… Vinha também... mas eu não acompanhei na época. Veio alguns no princípio e já depois antes de concluir.

P /1 – E me diz uma coisa, vocês discutiam o projeto desde como fabricar, como gerir o negócio? Tudo isso foi ensinado para vocês?

R – Foi. E ainda vamos ter mais, né, mais cursos, porque o acompanhamento não foi só no início, vai se prolongar no decorrer do empreendimento.

P/1 – E a ideia do empreendimento, além de construir pranchas, vocês têm que fazer alguma contrapartida pra comunidade? Vocês têm que fazer alguma ação com a comunidade?

R – Isso. É o que a gente já vem fazendo, né, que é trabalhar com a comunidade em termos das escolinhas de surfe, de ensinar os alunos a surfar, colocar na escola. A gente sempre veio vendo isso, a gente cobra. No caso é assim, as escolinhas já funcionavam, a gente cobrava dos alunos da escola só se manter estudando. Todo mês tinha que trazer uma declaração estudantil para mostrar para nós, era comprovante que estava estudando. E daí também eles começam a participar de competições, muitos se tornam profissionais, como a gente já tem.

P/1 – Ah é, e quem é o profissional?

R – A gente tem Itim Silva, que começou na escola, Diego Mendes começou na escolinha de outro, na escolinha do Homero, e outro que começou na escola da Leste também, que eu era instrutor, Edivan Silva. [Todos são surfistas profissionais, sendo que Edivan Silva já foi campeão estadual]

P/1 – Então tem alguns que já se tornaram profissionais?

R – Já.

P/1 – E me diz uma coisa, tem uma contrapartida de vocês também ensinarem esses meninos a fabricarem pranchas ou não? Ou é só dar aula de surfe para eles?

R – Até rola, se a gente conseguir um apoio maior, de fazer um curso de seis meses de como fabricar prancha, para ele próprio trabalhar na prancha dele, né?

P/1 – Ah, então vocês vão fazer isso aqui também?

R – Aqui também vamos ver essa possibilidade.

P/1 – Ah, tá. E como é que se dá o processo de fazer prancha? Fala um pouquinho pra gente, Josias, como é que é lá, como é que... Eu vi que vocês tem uma máquina que foi adquirida pela Camargo Corrêa, é isso?

R – Foi.

P/1 – Conta um pouquinho pra gente como é que é o processo.

P/2 – Passo a passo.

R – A máquina, ela funcionava assim, ela adianta bem o trabalho do shape. O shape é o que dá forma à prancha. Vem um bloco de poliuretano, vai a máquina, ela vai usinar, deixar ele nas medida que ele programa lá no computador e já vai sair bem adiantado. No caso, sem a máquina, tem que ser manual com a plaina e demora algum tempo, quase uma hora, dependendo do...

P/1 – Do tamanho da prancha.

R – Da mão de obra do shape. A máquina vai fazer em 15 a 20 minutos, o shape vai dar só os acabamentos finais, aí vem a parte da seda ou pintura. Pintura no caso essas prancha que tem aqui, tem a pintura manual e tem a logomarca que eu pintei também na seda. Vem a laminação, após a pintura, que é o revestimento dela, que é o tecido de fibra de vidro com o preparo da resina, catalisada, e banhando todo o tecido para encorpar e ela ficar toda protegida, o bloco de poliuretano.

P/1 – E aí depois disso o que é que vem?

R – Vem, ela vai curar um pouco, assim, de um dia pro outro, geralmente é bom de um dia pro outro. Vem outro processo do preparo da resina quente, que usa um parafinado, que é para, na hora de dar a lixa seca, ela não entupir a lixa. Aí tira todo o excesso que fica da fibra de vidro, depois que tirar esse excesso, vem outro banho de resina, que enche de novo, o parafinado, aí pra lixa d’água, que é o processo quase que final, porque dando a lixa d’água ela já fica pronta. Mas se quiser, às vezes, o cliente quer ela polida, aí vem o polimento com a seda.

P/1 – A lixa d’água é uma espécie de lixa, é isso?

R – Isso é uma lixa que você trabalha igual um automóvel, acabamento de pintura de automóvel, funilaria. Você usa água todo o tempo e lixando. A lixa seca já é a lixa mais áspera que tira mesmo o excesso, a lixa a ferro, mesmo a lixa de ferro.

P/2 – E em quanto tempo uma prancha fica pronta, quanto tempo de produção?

R – Assim, porque precisa dessa cura da resina, né, ela leva uns dois dias. Aí também tem a pintura, se for muito detalhada leva algumas horas para fazer essa pintura por completo.

P/2 – E quem pede as pranchas, quem vem aqui pedir prancha? Quem são os clientes?

R – É o pessoal, assim, os atletas profissionais, tem o pessoal que surfa, amigos, e a gente espera também vir lojistas, para revenderem o nosso produto.

P/1 – E me diz uma coisa, os meninos, por exemplo, essa contrapartida que vocês estão dando pra comunidade, que é ensinar os meninos a surfarem e tudo, o material todo é dado pra esses meninos, quer dizer, a prancha é dada pra eles, como é que é o processo?

R – O processo que a gente já trabalhava – que agora a gente vai iniciar de outra forma, não sei bem porque ainda vai ser avaliado –, mas a gente tinha o apoio do governo do estado, às vezes, estamos coletando de alguma entidade, a gente fabricava as pranchas, elas ficavam na escola, os alunos vinham, só praticavam e devolviam à escola. No caso, alguns conseguiam a sua própria prancha, tipo, vinha uma força maior de um órgão e ajudava ele, e ele conseguia patrocínio de uma loja que colocava o olho nele e dizia: “Vou investir nele”. Aí ele conseguia a própria prancha, mas as pranchas de escola geralmente fica na escola, o aluno vem, pega, vai ter a aula prática no mar e também a aula teórica na sala de aula, e fica na escola, a prancha.

P/1 – E essa aula, a teórica, como é que é, o que é que vocês explicam na aula teórica?

R – Na teórica, a gente faz a leitura da onda, o que é preciso fazer na hora certa, quando a onda forma, a onda vai, para você aprender a ler a onda, ela vai de cá, como a onda vai surgir naquele momento.

P/1 – E aí, e quer dizer, você mostra a condição do mar, na verdade é isso, ensina as crianças a olhar o mar e falar: “Olha, está tendo ondas boas para surfar com essa manobra, com essa outra”, é isso?

R – Isso, na hora em que a onda vem, a gente vê a leitura fora da água e também prepara o catado de surfe que foi criado aqui por um cearense, o Fera, João Carlos Fera, lá do Sertãozinho, e a gente usa ele, ele é muito fundamental para poder surfar, que ele...

P/1 – Que é que é esse...

R – Catado surfe é um surfe imaginário, fora da água, na areia.

P/1 – E ele criou todas as manobras fora d’água?

R – Foi, simboliza, faz a, toda a...

P/2 – Cada manobra tem um nome, não é?

R – Tem, desde a batida, a batida você direciona no lip lá, e antes dele quebrar, bater e voltar no caso, né, puxar voltando. Cut back é voltar pra posição inicial, você vê que a onda, ela deu uma engordada, ela não vai ter mais velocidade, aí você puxa voltando e vem mais próximo à espuma, que é aonde ela vai ter mais velocidade é próximo sempre à espuma. E o tubo que é quando ela fecha que você fica localizado dentro dela, e bem escondidinho lá, e às vezes consegue sair de novo.

P/1 – Você falou que todo o processo se deu junto ao processo de construção da orla, né? Eu queria que você falasse um pouquinho pra gente. Para você, quais foram os benefícios, na verdade, que o projeto proporcionou à comunidade? E aí quando eu falo do projeto, é o projeto como um todo, desde a construção do restauro da orla e todo o processo do projeto como um todo, o que é que você acha que ele trouxe de benefício para a comunidade?

R – Ele melhorou muito o acesso ao mar, acesso às praias. Há dois anos você não via num final de tarde o pessoal caminhando. Ficou muito bom, muito produtivo.

P/1 – Como é que era antes, Josias? Fala pra gente, descreve um pouco como que era.

R – Antes tinha muitas casas em área de risco. Às vezes, o mar vinha com época de suel, que é o que a gente chamava, né, os surfistas chamam de suel, que é a ressaca do mar. Vinha, invadia, aí as casas que tinham na beira da praia eram desmanchadas, o povo montava de novo por falta de habitação. Aí, com o projeto, foi bom, porque construiu casas habitacionais e removeu todo esse pessoal pras casas habitacionais em bairros próximos para fazer a construção do calçadão, que ficou muito bom.

P/1 – E tinha muito risco, como é que era?

R – Sempre teve um riscozinho bem forte, assim, porque não tinha acesso a policiamento. Era difícil o acesso do policiamento, né, devido às ruas, vielas, era difícil.

P/1 – E me diz uma coisa, você fala que teve uma melhoria da qualidade de vida das pessoas, porque as pessoas agora podem passear, podem ir à praia. Que outro tipo de melhoria? Apareceram outras escolas, postos de saúde? Foram feitos outros benefícios pra comunidade com esse projeto ou não?

R – Não sei te explicar.

P/1 – Tá, não tem problema. Fale-me uma coisa, a cooperativa foi construída por quem? Aqui, o prédio da cooperativa.

R – Foi, porque tinha vários fabricantes de prancha, tudo na maioria autônomo, aí nesse processo da cooperativa a gente pode fazer o registro, né, o cadastro de pessoa jurídica, na Receita Federal, ter o próprio CNPJ. E agora a gente pode emitir nota, tanto pegar licitações de encomendas pras empresas grande e crédito também que a gente pode ter.

P/1 – Mas e a estrutura do prédio, quem construiu, quem fez o prédio?

P/2 – Esse prédio.

R – Foi a Camargo Corrêa.

P/1 – Camargo Corrêa.

R – Foi, a Camargo Corrêa, junto com o BNDES, que deu 50% desse investimento acompanhado pelo Instituto Camargo Corrêa.

P/1 – E vocês têm um financiamento desse prédio, o prédio vai ter que ser pago pela cooperativa ou foi doado para vocês?

R – Na verdade foi o terreno, né, no caso, foi doado pela prefeitura. Mas o prédio a gente recebeu ele, mas a gente vai ter que trabalhar com a comunidade, como a gente já vem fazendo há alguns anos, dar continuidade ao nosso trabalho.

P/1 – Na verdade, assim, eles deram o prédio para vocês.

R – Isso.

P/1 – E vocês, na contrapartida, vão ter que trabalhar com a comunidade.

R – Pronto, exatamente.

P/1 – Me fala uma coisa, na sua visão, qual que é a importância, quais são os pontos positivos do projeto ter sido criado e executado por várias pessoas, coletivamente, inclusive com a participação da comunidade? Quais são os pontos importantes, que você acha positivos, disso?

R – É todo dia fazer mais amizades, que melhorou muito. A gente conheceu pessoas novas, e o ponto positivo em torno da fábrica é que a gente vai poder ganhar um dinheiro bom, né? E a comunidade também soube acolher bem a cooperativa. No início teve um problema, mas foi resolvido.

P/2 – E hoje a comunidade procura vocês para ter aula?

R – É, a meninada ao redor da cooperativa sempre vem aqui, constantemente, atrás de fazer inscrição para estar na escola.

P/2 – Têm meninas?

R – É raro, mas tem.

P/1 – E me diz uma coisa, hoje, como é que você vê a importância dessa parceria com a Camargo Corrêa?

R – Eu vejo muito importante, porque eles não só fizeram isso por nós, que melhorou muito pra gente, como eles vão manter acompanhando todo o processo.

P/1 – De implantação do projeto.

R – De implantação do projeto.

P/1 – E me fala uma coisa, teve alguma experiência marcante, durante esse processo, alguma história interessante para nos contar do processo de implantação do projeto e da melhoria da comunidade? Tem alguma coisa interessante, alguma história interessante que você ficou sabendo ou vivenciou?

R – Teve que os cooperados, né, nós, cooperados, não tínhamos muita afinidade, passamos a atender melhor, trabalhar o cooperativismo. Ninguém conhecia de saber trabalhar como dono mesmo, agora, né, não como um funcionário.

P/1 – Quais são as suas expectativas pro futuro, Josias?

R – Quero ganhar bastante dinheiro, viajar, pegar ondas fora, né, sonho de surfar em ondas que a gente vê só em revistas e filmes, isso aí.

P/1 – Você é casado, Josias?

R – Sou.

P/1 – E como é que você conheceu a sua mulher?

R – Conheci na escola.

P/1 – Quando você estava estudando?

R – Isso, quando estava estudando.

P/1 – Faz tempo [risos].

R – Faz.

P/1 – E ela estudava na escola também?

R – É.

P/1 – Aí vocês começaram a namorar...

R – Isso, começamos a namorar, após uns quatro anos que veio o primeiro filho, que é uma menina, né, a Mariana já tem dez anos, e o Josias, após oito anos, que tem dois anos, já vai fazer três.

P/1 – E a sua mulher faz o quê?

R – Ela sempre trabalhou como balconista em empresa de alimentação, como uma empresa grande contrata a empresa dela, ela vai lá e, na parte do refeitório dos funcionários, ela é atendente de balcão térmico. Mas hoje em dia ela está desempregada, está só como doméstica, dona de casa.

P/1 – E teus filhos estudam hoje?

R – Estudam.

P/1 – Eles praticam o surfe também ou não?

R – Não, ainda não, mas eles querem que vá até a praia e a gente dá uma aulazinha grátis [risos].

P/1 – Quais são as coisas mais importantes para você hoje, Josias?

R – Mais importante é eu começar a trabalhar e botar a cooperativa para subir mesmo no mercado, né, e começar a vender prancha.

P/1 – Hoje basicamente aqui você faz o quê? Hoje na cooperativa.

R – Hoje a gente ainda está num processo de estrutura, assim, estamos organizando muitas coisas. É a primeira vez que a gente vai trabalhar nesse ramo de cooperativismo, né, e tem muita coisa para aprender ainda. Mas hoje a gente ainda está precisando de uma licença, alguma coisa pra gente começar a funcionar, mas já vai dar início a fabricar mesmo bravamente.

P/2 – E você vem todo dia?

R – Venho, todo dia. No caso esses dias eu estou dormindo até por aqui porque tem que... está começando a chegar materiais, essas coisas tudo e tem que está tipo como um vigia também [risos].

P/1 – E qual é o seu sonho, Josias?

R – Meu sonho é viver bem financeiramente, e com saúde, muita saúde.

P/1 – Bom, para finalizar, eu queria saber como é que foi contar a sua história pra gente?

R – Foi bom, porque eu sempre contei pros meus amigos, né, e pessoa, quanto mais pessoas novas eu gosto de contar a minha história.

P/1 – Então está bom, muito obrigado, Josias, em nome do Museu da Pessoa e da Camargo Corrêa, obrigada por você ter participado.

R – Por nada.

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