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História

Entre chás e plantas ornamentais

História de: Rubens Takeshi Shimizu
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/02/2021

Sinopse

Nascimento e vinda dos avós do Japão para o Brasil. Infância em Registro. Estudos. Trabalho na fábrica de chá. Curso de Agronomia na Universidade de Viçosa. Formação dos irmãos e sobrinhos. Migração do negócio para plantas ornamentais. Sonho de ver a cidade se tornar um destino turístico.

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História completa

P/1 – Então, seu Rubens, eu queria agradecer primeiro a vinda do senhor e pedir pro senhor falar de novo pra gente o seu nome completo, local e data de nascimento.

R - Rubens Takeshi Shimizu, nascido em Registro no dia 5 de novembro de 1943.

P/1 – Certo. E a origem dos seus pais? Seus pais nasceram aqui em Registro também?

R – Não, não, meus pais vieram do Japão.

P/1 - Vieram do Japão.

R – Meu pai veio com 6 anos de idade, minha mãe com 3.

P/1 – Olha...

R – É.

P/1 – E como é que foi? Eles vieram pra cá... os seus avós então que vieram, né, trazendo eles.

R – É.

P/1 – E vieram direto pra Registro?

R – O meu avô, é... meu avô veio direto pra Registro e na época Registro aqui era tudo, ainda era tudo... [risos].

P/1 – Espera um pouquinho, para um pouco [risos].

R – Pode começar né?

P/1 – Vamos lá de novo.

R – Começa por onde?

P/1 – Pode?. Então vamos lá. Então o senhor estava contando, os seus avós que vieram...

R – Meus avós vieram, é, quando Registro ainda aqui tudo era... tinha tudo pra desbravar ainda. Não tinha BR, não tinha ponte, não tinha nada!

P/1 - E por que eles vieram para Registro?

R – Porque Registro foi um sistema de colonização, então meus avós já vieram com um... com a área já determinada para eles entrarem aqui. Eles já vieram com a área comprada, mas não sabiam onde que ficava a área deles, né, então o que... E meu avô, ele veio bem depois, em 1927, por aí, e a colonização de Registro ocorreu em 1913, então depois de mais de quase 15 anos que ele veio aqui pro Brasil. E aí onde ele entrou foi o bairro mais distante do município de Registro, é no meio do mato, não tinha estrada, tinha que ir a pé, não tinha condições de transportar, nem com carroça.

P/1 – E só me explica uma coisa direitinho: como é que foi então? Lá do Japão mesmo ele já veio com tudo arrumado.

R - Já pré-determinado.

P/1 – Mas como que foi? Com quem que ele negociou isso?

R – É que tinha uma companhia de colonização chamada K.K.K.K. [Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha] aqui que já estava preparando a colonização. Então, já tinha feito o mapeamento do local onde tinha conseguido o terreno com o governo brasileiro e nessa já tinha feito toda a divisão, cada terreno tinha 10 alqueires de área, e meu avô tinha comprado 10 alqueires já, lá no Japão.

P/1 – Certo.

R – Aí ele veio, entrou e ficou lá. Então como o terreno já era dele, né, e ele falou: “Daqui eu não vou sair, os meus ossos serão enterrados aqui em Registro”, como aconteceu! Por isso que eu fui nascido, criado e tô aqui até hoje, e daqui eu não saio.

P/1 - Só mais uma curiosidade lá dessa história dos seus avós, por que eles decidem sair do Japão e vir pra cá?

R – No Japão também, que o pessoal conta, era muito difícil lá, então a vida não era fácil, falta de alimento, tudo era difícil, então tentaram vir aqui, tentar uma forma diferente de vida em outros locais. E a propaganda que ia daqui pro Japão, dizendo que indo pro Brasil, lá tudo se consegue fácil, tem pé que dá dinheiro, né, tem árvore que dá dinheiro, que era o café na época, e assim eles vieram, com essas propagandas feitas lá no Japão, embarcaram no navio e vieram. Então acredito que seja isso, né.

P/1 E aí como é que foi? Eles chegaram, eram essas terras longes, mato, e aí como é que eles foram trabalhando isso pra irem?

R – É, naturalmente encontraram uma série de dificuldades, mas lá no Japão não era fácil, né, e vieram aqui e enfrentaram tudo. Na época malária era coisa demais e, como era mato verde ainda, então, devia ter onça também. A dificuldade foi muito grande na época.

P/1 – E aí eles montaram uma lavoura? Como é que foi? Trabalharam com agricultura?

R - É, montaram uma casinha bem improvisada, como... é feita assim com palha de folha de palmeira pra cobrir, pra proteger contra a chuva, entraram bem rudimentar mesmo, e foram tentando a vida assim, né. Mas essa parte da história... eu não tinha assim muito contato com o meu avô, porque quando eu me dei por gente, as coisas já estavam formadas, né. E ele veio aqui, perdeu a mulher dele, foi no Japão, teve que procurar outra mulher, trazer, então teve uma segunda mulher, porque não podia ficar sozinho, sei que teve uma série de dificuldades.

P/1 - Certo, e aí então o senhor nasce aqui em Registro. Nasceu onde? Daí aqui já na cidade.

R – Pois é, então aí os meus pais cresceram aí, a minha mãe era vizinha, né, aí fizeram um casamento, casamento arrumado que chama-se “Miai”, casaram. Na época não tinha hospital, não tinha nada, apenas uma parteira que andava circulando de casa em casa onde tivesse serviço de parto. Eu nasci no sítio com a mão da parteira, que foi daqui de Registro, chamada senhora Sumi, ela que fazia o trabalho de parto. Nasci no sítio mesmo aqui em Registro.

P/1 – O senhor tem irmãos?

R – Nós somos, na verdade, oito irmãos, mas um faleceu antes de completar um ano de idade.

P/1 - E todos nasceram lá no sítio, com parteira?

R – Depois, eu até o meu irmão, deve ser mesmo, até o meu irmão, sim, no sítio, depois no hospital de Pariquera-Açu, então já levava pro hospital de Pariquera-Açu.

P/1 – “Tendi.”

R – Então já seria no hospital, né.

P/1 – E aí como é que foi a infância do senhor? O senhor cresceu nesse sítio?

R – É, aí no... O meu avô casou duas vezes, então ele tinha 11 filhos, na verdade. E ali todo mundo junto, 11 filhos sendo criados no sítio, e ele preocupado com a educação das crianças. Queria ensinar também o japonês, trazia, né, arrumava professor de língua japonesa, escola de língua portuguesa, e assim foi, junto a comunidade. Naquela época, lá no bairro onde nós morávamos, lá era um bairro e cada bairro era organizado de uma certa forma que tinha toda... tentavam arrumar essas infraestruturas com outros bairros, então tinha três, quatro bairros ali juntos que funcionavam na comunidade. Aí tendo esses três, quatro bairros aí formou uma escola maior chamada de Escola de Bairro Raposa, que já hoje fica em um outro município, município de Sete Barras, né. Nessa escola eu fiz o meu primeiro... é o primeiro grau que chama? Na época era grupo escolar, 1º, 2º, 3º e 4º ano, e também não tinha para onde eu ir, e eu tive que repetir mais uma vez o 4º ano pra não ficar parado em casa. Aí eu fiz uma admissão ao ginásio, aliás admissão à iniciação agrícola, mas não em Registro. E eu com 13 anos. Aí meu pai me internou em uma escola em Jacareí, no Vale do Paraíba, com 13 anos de idade. Comecei a fazer iniciação agrícola por 2 anos. Aí aconteceu que esse curso de iniciação agrícola naquela escola ele acabou, aí começaram a transferir para Jaboticabal, pra Pinhal e eu não queria ir pra lá, aí voltei pra Registro. Eu transferi para o Ginásio Estadual, na época era do Fábio Barreto, de Registro, mas tinha que fazer uns exames de adaptação pra entrar nessa escola no ginásio. Então 3ª e 4ª série ginasial eu fiz aqui em Registro.

P/1 – Então espera um pouquinho, deixa só eu voltar um pouquinho, o senhor falou dessa escola onde vocês estudavam, e como era essa escola? Eram filhos da colônia japonesa que frequentavam? Como é que era?

R – Não. Escola de língua portuguesa mesmo?

P/1 – Sim, sim.

R – Não, essa é uma escola já oficial.

P/1 – Sim, mas quem frequentava?

R – Quem frequentava era a comunidade, tinha filho de japonês e filho de não japonês também. Era, de modo geral, todo mundo junto.

P/1 – E tem alguma lembrança marcante dessa escola, desse início?

R – Ah, eu lembro que tinha uma diretora muito rigorosa, que a gente chegava atrasado e sempre levava reguada na palma da mão assim, né, mas aquilo ali eu acho que serviu muito de lição pra nós porque eu não me arrependo nada de ter recebido aquela... No dia seguinte eu chegava cedo. Chegava atrasado, levava. Andava quatro quilômetros, da minha casa até a escola tinha quatro quilômetros, estrada de barro, descalço, com o dedão de fora. Então dia de chuva era uma tristeza, mas assim mesmo, a minha mãe preparava um lanchinho de bolinho de arroz com pedacinho de carne seca ou ovo frito, a gente levava na hora do almoço, na hora do lanche a gente ia pra de baixo de uma árvore grande que tinha debaixo da escola. Outro dia eu fui ver, está lá ainda a árvore, tá uma imensa de uma árvore, que é onde a gente fazia o lanche. Então eu comia o bolinho de arroz, chamava-se Bentō. E nessa época a escola estava bem estruturada, porque os professores não faltavam e acho que deve ter dado uma orientação boa, porque eu achava que sendo do sítio, nós seríamos assim... será que a escola é fraca? Aí depois que eu fiz o (Fabarretos?), será que o (Fabarretos?) é fraco? Mas comparando com o... Aí depois eu fui fazer o curso superior em Minas, na Universidade Federal de Viçosa, na época era do estado, fiz o vestibular, passei no meio daquela turma lá, falei: “Não, a escola não era ruim, não”. Então, fiz mais quatro anos de Agronomia lá, três anos de curso técnico, e depois fiz Agronomia lá em Viçosa. Mas então eu acho que essa escola lá de Raposa era bem estruturada, então eu, no meu currículo, faço questão de frisar muito bem, né, que estudei na escola... Grupo Escolar Professor Luís Guimarães de Almeida.

P/1 – E aí então o senhor estava falando que foi para Jacareí pra dar continuidade aos estudos. Como foi essa mudança?

R - Daqui do primário pra... continuar o quase que início do ginasial. Ah, foi triste viu, porque nós nunca tínhamos saído assim de casa, com 13 anos de idade!

P/1 – Foi só o senhor? Ou foi algum outro irmão?

R – Foi um grupo daqui de Registro, nós fomos em sete fazer o vestibular lá, e passamos em dois e em dois ficamos lá. Então, como era moleque, de noite sentia uma saudade violenta de casa, né, então toda noite a gente chorava, até uns três meses, saudade que dava, mas depois se acostuma a tudo, faz amizades, ai deu. Aí ficamos dois anos lá, mas ali também era um... naquela época o ensino acho que era bem mais rigoroso, quer dizer, todo mundo obedecia, fazia, ali eu aprendi a plantar arroz, cuidar de animais, pequenos animais, grandes animais, coelho, abelha, né, ali nos cursos. Além dos cursos a mais que a gente fazia, os ensinos curriculares, então aquilo ali tem uma lição muito boa pra embasamento da gente.

P/1 – E aí então o senhor volta pra Registro, conclui os estudos né?

R – Isso.

P/1 – E aí como que o senhor então decide fazer Agronomia?

R – Foi o seguinte: eu vim pra Registro, fiz o ginasial, mas naquela época o meu pai estava precisando de gente pra ir pra trabalhar na fábrica de chá, aí então eu ajudei ele na fábrica de chá, do meio-dia até dez horas da noite, e na parte da manhã fazia... eu vinha para o ginásio. E assim fiz esses dois anos, indo ajudando na fábrica e estudando no ginásio. Aí depois meu pai comprou um terreno em Pariquera-Açu, aí plantamos chá lá, aí fiquei parado 2 anos ajudando meu pai, montando o sítio lá em Pariquera-Açu. Um dia ele falou assim pra mim: “Olha, o gerente da cooperativa de Cotia”, porque nós produzíamos chá para a cooperativa de Cotia, ele falou: “Você vai pros Estados Unidos, estuda inglês, né, que você vai para os Estados Unidos fazer um estágio em uma fazenda lá nos Estados Unidos”, que a cooperativa mandava fazer estágio lá nos Estados Unidos. Eu falei: “Ô irmão, eu fiquei aqui para trabalhar, agora se eu posso sair um ano pra fazer estágio nos Estados Unidos, onde eu sei que a agricultura é super avançada, eu vou trazer aquela agricultura aqui pra minha região. Eu acho que vou perder tempo, já que eu posso sair, prefiro perder três anos fazendo um curso técnico agrícola”. Aí o meu pai falou: “Bom, faça o que você bem entender.” Aí eu peguei e falei: “Onde você quer ir?” e na revista Coopercotia eu vi uma propaganda de uma escola de Viçosa, Universidade de Viçosa, com currículo tudo certinho, curso técnico lá, e eu falei: “Pai, eu quero fazer isso aqui”. Então tá bom. Aí ele me mandou de avião, eu fui sozinho de avião para Belo Horizonte e de Belo Horizonte eu fui pra Viçosa. Gastar de São Paulo a Belo Horizonte nós fizemos menos de meia hora, vamos dizer 40 minutos, agora de Belo Horizonte até Viçosa deu umas 4 horas, porque chegou em um lugar chamado Ponte Nova, não tinha mais ônibus, aí de trem cheguei em Viçosa. Tinha um curso, dois meses de cursinho ali pra fazer o vestibular, aí eu falei: “Pai, não vou voltar, vou fazer o cursinho.” “Ah, faz o que você bem entender.” Fiz o cursinho no meio daquela turma toda que tinha recém saído do colégio, do colégio... do ginásio, né, tá tudo fresquinho na cabeça e eu, dois anos parado. Eu falei: “Estou perdido”. Tudo rapazinho, quer dizer, 2, 3 anos mais novos que eu, “tô perdido aqui no meio dessa criançada aqui; Aí quando fiz a prova, tudo, fui conferir o resultado, não batia com o deles, falei: “Ó, perdi, num vou mais, ó o meu deu isso, o seu deu isso?” E fui comparando um com o outro lado e todo mundo dando diferente e falei: “Ué, o que aconteceu?” Tinham 40 vagas, né, aí eu fui o 39, por 1 e eu... né [risos]. Entrei em 39º lugar, falei: “Estando dentro eu me viro”. Aí abriu mais cinco vagas, então quer dizer, ainda tinha seis pra frente ainda. Fiquei lá, aí fiz o curso técnico e falei pro meu pai: “Olha, tem um curso superior de Agronomia aqui, vou tentar fazer o vestibular” e ele falou: “Faça o que você bem entender, daqui eu dou um jeito”. Aí eu fiz o vestibular, passei pro superior, fiquei mais 4 anos lá. Então fiquei um total de anos lá em Viçosa, até terminar o superior. Assim foi a minha vida escolar.

P/1 – Só me explica um pouquinho: seu pai então tinha fazendas de chá e uma fábrica?

R – Isso plantava chá, tudo.

P/1 – E você, o senhor participava do processo todo? Conta um pouquinho, explica melhor como era essa coisa do chá aqui em Registro.

R - O chá, é o seguinte: o chá era… O meu avô, ele tinha fundado uma sociedade, Chá Tupi, e essa sociedade Chá Tupi era dirigida pelos associados, então tava difícil de gerenciar na época. Então, começou a funcionar em Registro a cooperativa de Cotia, aí o pessoal da Chá Tupi migrou todo para a cooperativa de Cotia, passou todo o patrimônio para a cooperativa de Cotia, e a Cotia começou a administrar. Nessa de quando era o meu avô produzindo chá era só... eram vários pequenos produtores de chá, produziam e fabricavam, então cada um fabricava de um jeito e depois para juntar e vender era difícil, porque não formava um chá de... né, não tinha qualidade no chá. Aí a cooperativa veio, concentrou em algumas fábricas, essas pequenas eles desativaram, e juntou pra uma... é, não é bem uma central ainda, então colocou numa outra... um outro conjunto de fábricas. Uma dessas fábricas foi na casa do meu avô, quer dizer, já era na geração do meu pai, então construiu a fábrica, tudo lá e trazia o chá desses associados à Cha Tupi ali, e... então eu trabalhei mais na fábrica do que na produção. A produção já era tudo colheita manual e gerava um monte de emprego que era... e tinha muita gente trabalhando na lavoura naquela época. A fábrica foi também, chegou um ponto em que essas quatro, cinco fábricas de 30 e pouco, reduzidas pra 4, 5 fábricas, também juntando a produção. A qualidade não... cada um fazia de um jeito, porque o processo de fabricação do chá, ele não é muito simples não. É colhido o chá, o broto tem que ser bom, né, porque a fábrica não faz milagre; esse chá é pré-murchado, moído e depois fermentado, e o ponto de fermentação ou oxidação, ele tem que estar certinho, senão não dá um bom chá. Então quem faz mais fermentação, menos fermentação, vai variando a qualidade do chá, aí a cooperativa decidiu construir uma fábrica central, Usina Central de Chá Tupi, onde já pegava desde o processamento do broto até o beneficiamento, aí já melhorou um pouquinho. Então quando chegou, funcionou uns 10 anos assim, aí depois a cooperativa veio a fechar, quer dizer, faliu. Nós ficamos abandonados, aí nós começamos a procurar outros meios de cultura, outras alternativas, né, algumas fábricas também sobreviveram, quer dizer, não da cooperativa, mas outras fábricas. E por pareamento do dólar, essas fábricas estão tendo dificuldade até hoje ainda de comerciar, porque 80% até 90% da produção do chá é exportado, né, apenas 10% ou 12% é de consumo interno, então quando se fala de exportação com esse dólar que está passando, então fica inviável nós trabalhando em real e vendendo em dólar, né, real valorizado e dólar barato. Aí desse fechamento o meu pai tinha comprado um terreno em Pariquera, de lá também produzia chá e trazia para a fábrica. Como o chá também nós paramos e começamos a trabalhar com hortaliças, frutas e hoje estou com plantas ornamentais, flores e plantas ornamentais.

P/1 – Só pra entender melhor assim, essa coisa do declínio do chá aqui na região, qual que... como que você colocaria o motivo, assim, tem alguma razão além da falência da cooperativa e dessas... e do dólar?

R - É, as dificuldades são... tem mais, mais algumas coisas que aconteceram lá na década de 1970 pra 1980. Acho que na década de 1970, quando veio as leis trabalhistas, né, então todo... porque esse pessoal que trabalhava no chá não era registrado, trabalhava por produção, colhia o chá, pesava e virava dinheiro, mas como era todo dia, então pela lei vincula. Aí quando foi fazer o registro, aí já pegou muitas, muitos produtores despreparados, então muitos tiveram que... nessa época já alguns produtores fecharam, não conseguiam registrar e nem pagar, porque o chá tinha crise, né, tinha época boa, tinha época que, né, é... passava assim, dificuldade. Então, na média, eu acho que não foi muito assim uma cultura que veio sustentando, porque a fábrica também se preparava para que quando viesse a crise, eles, se estivessem cobertos, preparava mais a fábrica do que os produtores, os produtores trabalhavam com o dia a dia. Aí quando veio esses... as leis trabalhistas, quando obrigou registrar os empregados, aí pegou todo mundo de calças curtas. Quem tinha recursos registrou tudo direitinho, sobreviveu mais 10, 15 anos, aí eu acho que também veio foi uma dificuldade que o pessoal teve, porque toda mudança tem uma certa, né... dificuldade.

P/1 – Tá, aí voltando então pra sua história, o senhor foi, estudou em Viçosa, ficou lá sete anos, aí volta pra Registro e vai, continua no sítio. Mas aí então continua com uma outra produção, é isso?

R – Não, aí o meu pai falou: “Não, sítio não”, que meu pai também, na época, ele sofreu um desfalque muito grande. Ele tinha vendido chá para um... não era bem o gerente da cooperativa, né, um atravessador vendeu, era amigo dele, tudo conhecido, né, ali parece que exportou chá para a Argentina e não recebeu esse chá, e meu pai tinha endossado alguns títulos. Ele, até pagar toda essa dívida, eu tive que trabalhar mais uns quatro, cinco anos pra ele pagando essa dívida, né, até que eu falei pro meu pai: “Olha”... Ah, nisso ele já tinha sofrido dois derrames né, aí eu falei: “Pai, tá aqui, conseguimos quitar”, isso deveria ser no mês de abril, mais ou menos, quando foi em maio ele foi, parece que descansou. Mas quando eu voltei da faculdade, ele falou assim pra mim: “Não, não, aqui o sítio tá assim, não adianta querer tocar esse negócio, vai fazer o seu serviço”. Então trabalhei um ano, dois anos na educação como professor de escola agrícola e depois trabalhei mais uns quatro, cinco anos na secretaria do planejamento, né, pela Sudelpa [Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista]. Então fiquei mais quatro, cinco anos assessorando aquele Projeto Cedaval [Centro de Desenvolvimento Agrícola do Vale do Ribeira], que era um projeto japonês que estava ainda fazendo a... os contratos iniciais entre Brasil e Japão, uma ata de atendimento, então eu fiquei assessorando nessa parte. Aí depois que estruturou tudo, eu deixei, e meu pai falou assim que não estava aguentando mais: “Então, eu vou largar de trabalhar, alguém tem que voltar”. Eu deixei o emprego e vim pro sítio, trabalhei 2 anos, 3 anos no sítio, consegui quitar a dívida dele, aí ele foi, daí eu fiquei no sítio direto.

P/1 – Só me explica um pouquinho desse acordo Brasil-Japão, o que era exatamente, qual que era?

R – Era... chamava-se Cedaval, Centro Estadual de Desenvolvimento Agrícola do Vale do Ribeira, alguma coisa assim. Era um recurso japonês que vinha para desenvolver o Vale do Ribeira, são uns 45 mil hectares de várzea que tem no Vale do Ribeira, eles queriam fazer uma área toda cultivável, esse era o projeto japonês, mas quando eles mandaram o equipamento do Japão, mandaram tudo equipamento pesado, tudo grande e pesado. O pessoal diz : “Se for pra mandar equipamento pro Brasil, como o Brasil é muito grande, tem que mandar equipamento grande”. Aí vem aquele equipamento pesado, trator, (maiúsculo?) né, todo tamanho, mas foi onde eles se enganaram. Então até refazer o projeto... e naquela época o governador era muito instável, fazia, pra refazer o projeto e corrigir, passar pro ministério, então mandar pra um nome de um ministro, aí chegava no Japão e trazia corrigido, porque não tinha e-mail, não tinha nada naquela época, a informática tava ainda nascendo; aí quando chegava aqui, o ministro já era outro. Aí voltava pro Japão, ia consertar todo jeito, aí quando voltava para o Brasil, o secretário da agricultura já era outro, aí ficou perdendo tempo, mais de ano com essa ida e vinda. Aí, enfim, acabou atrapalhando o projeto também, né, uns dos itens que acabou atrapalhando.

P/1 – Tá, aí o senhor volta pro sítio e fica, e aí com qual produção?.

R – Não, continua a produção do chá!

P/1 – Continua com o chá.

R – Eu fiquei produzindo chá, aí depois do chá, quando já houve a decadência do chá, entrei com maracujá, mexerica, hortaliças e plantas ornamentais.

P/1 – É, e tá com plantas ornamentais.

R – Mas enquanto eu tava trabalhando no sítio, eu tinha uma missão, porque os meus... quando eu tava como funcionário, eu tinha uma missão de que os meus irmãos tinham que formar porque estava sobre a minha responsabilidade já, né. Meu pai tava fraco, aí o meu irmão custeamos, todos os irmãos foram custeados com o salário meu nas escolas e depois foi custeado o dos sobrinhos, alguns sobrinhos também, né, com o resultado já da propriedade, então eu tinha que gerar alguma coisa na propriedade pra sustentar o pessoal na escola. Então assim que formou o último a dois anos atrás, eu já estava pensando já em vender o terreno, já pendurar as chuteiras que já tava aposentado, né, já tava aposentando, então ia pendurar as chuteiras, quando foi a minha surpresa quando os meus dois filhos, eu falei que ia vender: “O que vocês acham?” Eles falaram: “Não, pai, não vai vender nada, não.” “Mas eu tenho a dívida a pagar, né, eu tenho 11 funcionários de mais de 15 anos de casa, como é que eu vou acertar a conta? Tem que vender pra acertar a conta.” “Não,então acerta os funcionários tudo direitinho, o dinheiro está aqui”. Eles custearam tudo, e falaram: “O que você quer fazer lá?”Eu falei: “Não, eu não quero fazer mais nada agora”. Eu perguntei pra eles: “O que vocês querem fazer? Vamos ver né?”Aí ele fez uma percorrida aí e viram que plantas ornamentais ainda tem futuro, eles falaram: “Vamos plantar Antúrio, pai.” Eu falei: “Antúrio? Eu tenho um projeto de Antúrio aqui”. Ali eles olharam o projeto tudo e falaram: “É esse mesmo, deve ser bom”. Aí percorremos toda a região de produtor de Antúrio, eles foram perguntando e achou que tem futuro, e eu tinha montado um projeto de Antúrio chamado “Projeto Antúrio Modulado”, produzir módulos. Esse projeto que nós estamos implantando, um projeto que foi montado 15 anos atrás, quando eu tava, ninguém quis montar porque era meio ousado esse projeto. Módulo porque, em área de 2500m2 eu colocaria uma só variedade, uma só cor, né, mas não só um módulo, são 4 módulos com a mesma cor, no 5º módulo aí vão várias cores, branca né, no 6º módulo aí ia misturar, mas dependendo do mercado ia colocar mais módulos vermelhos, só vermelho. Eles estão custeando esse projeto, já formou, montamos quatro módulos, já perfaz em hectares já tem mais de 45 mil plantas, alguns já começando a colher. Então foi uma surpresa muito grande eles abraçarem isso aí, né, e refizeram e reconstituíram o sítio tudo, que tava meio abandonado, então eles estão refazendo, mas eles não são agrônomos e nem é da terra, um é engenheiro mecânico e o outro é médico, né, mas estão custeando. E a parte administrativa de como fazer e como não fazer, que o pai tem que fazer, que o pai fazia errado, quem tá fazendo isso de tudo é o caçula, que tá vendo, que é um engenheiro mecânico, né. Então foi uma surpresa muito grande e eu tô tocando o serviço pra eles, né. Essa é a vida da gente.

P/1 – E me fala uma coisa, seu Rubens, quais... como é o seu dia a dia aqui na cidade hoje? O senhor vem com frequência pra cá? Como…

R - É, no sítio eu vou na parte da manhã, a parte da tarde é tudo pelo social. Aí tem: sindicato rural, tem Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro e, de vez em quando, a gente ajuda também a prefeitura. Essa é a rotina da vida da gente.

P/1 – E quais são os lugares daqui de Registro que o senhor gosta de frequentar, pra passear talvez, pra…

R – Pra passear não digo, mas o meu ponto mais de frequência é o Sindicato Rural, a Associação Cultural Nipo-Brasileira que eles chamam de Bunkyo, e a (URBBC?), né, Registro Basebol Clube, mais na parte de administração, não de usar pra lazer tudo, porque eu acho assim, porque nós estamos ajudando a associação cultural no sentido de crescer mais a parte de trazer jovens pra parte de ensinar um pouco da cultura japonesa, pra perpetuar a cultura japonesa aqui no Brasil, pra não perder as raízes. Então não precisa ser japonês, não, pode ser filho de não-japonês, mas que queira aprender a.. origami, língua japonesa, o taikô, que é o bumbo japonês, né, quer aprender essas coisas, nós estamos trazendo e tem bastante adepto, viu? Tá sendo muito bem aceito. E no sindicato rural, nós fizemos um convênio com o Senar, que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, e nós estamos levando vários cursos de capacitações para o meio rural, para ver se a gente dá uma... levantar a autoestima, né, levantar um pouquinho de moral do pessoal que tá super abandonado na área rural. Então com isso já fazem 7 anos que nós estamos trabalhando nesse setor aí, mais de três mil certificados já distribuídos, 200, 300 cursos já, entre capacitação profissional e promoção social, eventos, que nós temos dado para o povo rural. Então essa é a dedicação da parte social que eu to fazendo.

P/1 – Isso é uma...

R - Com muito carinho, né.

P/1 – Desculpa, o senhor falou dessa coisa de manter a tradição…

R – Preservação da cultura.

P/1 – Preservar a cultura japonesa. A sua família preserva? Vocês falam japonês? Como que é?

R - Por enquanto tá indo, mas eu tô preocupado que devagarzinho tá saindo também, então os meus netos também... meus netos não, tenho um neto só, né? Que nós estamos tentando ensinar um pouquinho da canção japonesa, da comida japonesa, tem que pegar no hashi, né, pelo menos cumprimentar os mais velhos. Então isso nós estamos tentando incutir nas crianças, que os meus filhos, como eu, não fiquei assim muito com eles, porque trabalhava quase que período integral fora de casa, não deu pra dar essa atenção, mas os meus netos, os meus e... a criançada de modo geral, a comunidade, eu quero fazer esse trabalho sim.

P/1 – Certo.

R – Então, inclusive agora mesmo eu estava tendo uma reunião dos “pessoal”, tocadores de bumbo, lá no bunkyo, aí lembrei dessa entrevista e vim correndo aqui. Mas eu acho que tem que tratar bem a criançada e deixar dentro de uma organização, pra não ficar batendo perna na rua, né, esse é um trabalho que a gente já vê fazer... dedicar um pouquinho mais nesse setor aí, né?

P/1 – E tem alguma história marcante aqui da cidade de Registro que o senhor se lembre pra contar pra gente, que o senhor tenha vivido?

R - Olha, na cidade eu tenho lembranças de que os nossos antepassados, os meus avós, na cultura do chá, eles faziam aquela festa, né, e eu falei: “Mas pra que tanta festa assim?” Mas aquilo ali, ele projetava o nome da cidade, da região, por causa daquilo, e eu não sabia porque fazia tanto. E a gente vinha voluntariamente, todo mundo voluntário, num é, né... vinha ali 100, 200 pessoas saindo do sítio pra fazer a ornamentação da rua, fazia o portal tudo direitinho, e fazia a decoração da festa do chá, vamos dizer, né.

P/1 – Não tem mais a festa?

R – Tem ainda até hoje, que ele virou Expovale.

P/1 – Ah, é a Expovale.

R - É, Expovale, festa do chá, depois exposição agrícola, não sei o que. No fim a prefeitura encampou e virou Expovale, que tá mantendo até hoje. E isso também nós ajudamos, vamos lá, todo mundo do setor rural, nós das plantas ornamentais, então nós damos uma ajuda. Então nós temos que preservar essas coisas boas que nos acontecem no município, e agora com esse trabalho que nós estamos fazendo na Associação Cultura Nipo-Brasileira e a criação do nosso Museu, né, que foi tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual, pelo Condephaat [Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico] e no ano passado nós conseguimos tombar pelo Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], pelo Federal... Junto com o tombamento pelo federal, nós conseguimos tombar mais 12, 11 patrimônios daqui da comunidade. Eu acho que esse que vai ser um fator bem marcante da minha passagem, da passagem da minha vida aqui por Registro, porque são 12 e mais 2 lá de Iguape, e agora o Iphan tá dando uma mão muito boa pra gente preservar esses patrimônios, então nós vamos fazer uma... restauração, deixar tudo certinho, pra fazer como se fosse um ponto de atração turística. E eu acredito que Registro futuramente, em termos de agricultura... e nós temos que explorar, quer dizer, fazer, a agricultura, a pequena agricultura, desenvolver mais, reforçando a vinda do turismo aqui pra região, turismo, turismo artístico, turismo ecológico, turismo de evento, turismo de educacional, turismo esportivo, trazer o povo pra essa região aqui e nós estamos preparando pra isso, né, esse é o meu sonho, de transformar Registro. Já é hoje um centro comercial, tá metido como capital do Vale também, é tido como a capital do chá, é tido também como marco da colonização japonesa, tem esse título. Então eu acho que temos que aproveitar todos esses títulos e trazer a população de São Paulo, Paraná, Sorocaba, das grandes cidades, conhecer Registro e curtir esse calor que nós passamos aqui, né: “Venha em Registro, curta esse calor e emagreça 5kg em um dia”, por exemplo, né [risos]. Você não vai lá pra Bariloche, pra Campos do Jordão, não vai lá pro frio? Vamos curtir o calor, né? Fazer caminhada tudo aqui: tem matas, respirando o ar puro, água também; a nossa água do rio Ribeira, ela é... os nossos esgotos são tratados antes de voltar para o rio, então a água do rio não é poluída, então tem peixe, tem robalo, tem manjuba, se quiser pescar, pesca até dourado. Aqui em Registro já... eu acho que tem tudo pra crescer na parte turística aqui.

P/1 – Certo, acho que o senhor já respondeu um pouquinho, mas fala mais, qual é o seu sonho?

R – O meu sonho seria isso daí, transformar num centro gastronômico, trazendo turista pra cá, agora pra transformar em centro gastronômico... eu tô assim preparando a associação de senhoras japonesas, as senhoras da agricultura, senhoras agrícolas, um local, fazendo uma cozinha piloto, onde vai ser dado aulas de culinária. Junto com outras entidades, nós queremos fazer aulas de culinária para os cozinheiros dos restaurantes, das lanchonetes de Registro ou da região, né, porque eu acho que tendo uma comida boa... e também fazer curso de hotelaria, garçom também, um bom atendimento. Eu tendo esses pontos bem feitos, o turista vem, porque tendo tempero bom, tendo lugar bom para se hospedar, eu acho que ninguém deixa de vir, e tendo alguma coisa pra visitar, que esses patrimônios históricos que nós estamos tombando, e nós temos a festa do sushi aqui, nós temos o Bon Odori, pra, né... nós temos o Tooro Nagashi que é a festa dos finados. No dia de finados fazemos um evento há 56 anos, esse ano vai ser o 57º ano do Tooro Nagashi, quer dizer, sem interrupção. Então isso já tá se tornando, assim, bem conhecido no estado, na colônia, no estado de São Paulo, até no Japão, eles estão mandando mensagem pra lá. Então, a hora que isso começar a funcionar, eu acho que dá pra sustentar Registro só com turismo, porque você conhece Santa Felicidade em Curitiba? Santa Felicidade é um polo gastronômico lá, o povo daqui, é o povo de não sei, de tudo quanto... freta um ônibus pra comer o que lá? Frango frio! E é gostoso e é bom, na Santa Felicidade, né, num restaurante de lá. Eu acho que Registro tem tudo pra ser isso daí, dá pra fazer um tempero bom, indo pra Registro come-se bem, tem que fazer um bom chá, porque é a terra do chá e não tem aqui... ensinar a fazer um bom chá e rede de hotel. Eu acho também que tem que preparar muito bem, criar um povo que seja receptivo, garçom de hotelaria, de tudo isso, a parte que faz a recepção, tem que fazer um turismo receptivo aqui. Bem, eu acho que esse... se a gente conseguir montar essa estrutura, o meu sonho está realizado, porque o meu sonho mesmo era formar todos os meus irmãos e os meus sobrinhos, né, já consegui uma parte, agora eu quero partir para a comunidade.

P/1 – Legal!

R – Quero ajudar mais a comunidade e nós estamos empenhados ajudando sempre, né, esse trabalho aqui da... como é que chama? Rede…

P/1 – Museu em Rede.

R - Ah, Museu em Rede, né, esse trabalho do Museu em Rede, eu acho que veio em boa hora, porque em 2013 nós vamos comemorar o nosso centenário da colonização japonesa em Registro e eu acho que vai contribuir muito para que a gente consiga montar uma comemoração a altura, com a ajuda de vocês.

P/1 – Tomara [risos].

R – Com essa rede, Museu em Rede, né, que tem tudo a ver com o nosso trabalho, dessa comemoração.

P/1 – Legal, e pra finalizar, senhor Rubens, o que que o senhor achou de vir aqui, contar um pouquinho da sua história, um pouquinho da história de Registro?

R – É, eu acho que é uma oportunidade muito boa, eu agradeço, essa iniciativa, e eu acho que isso que ta faltando na nossa comunidade ou nas comunidades, é alguém que registre esses... que consiga fazer esses tipos de entrevista com personagens, que tem muita gente com muitas histórias na cabeça e que já estão deixando a gente, e nós estamos perdendo. Eu gostaria que tivesse um jeito de continuar entrevistando mais gente, mais pessoas, e tirando da cabeça da pessoa e colocando num trabalho como o de vocês eu acho que seria muito bom. Muito obrigado pela oportunidade.

P/1 – A gente que agradece, seu Rubens. 

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