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História

Entre as linhas da vida

História de: Maria José de Oliveira
Autor: Ana Paula
Publicado em: 06/06/2021

Sinopse

Apresentação. Ingresso na Petrobrás. O trabalho em Maceió. A transferência para Aracaju. O trabalho de digitadora. Período marcante na Petrobrás. A sindicalização. Participação no sindicato. A aposentadoria. Relação sindicato e Petrobrás. Projeto Memória.

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História completa

Projeto Memória Petrobras Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Maria José de Oliveira Entrevistado por Helodia Leburgue Aracaju, 15 de dezembro de 2004 Código: SEAL_CB 010 Transcrito por Marlon Alves Garcia Revisado por Eloisa Galvão P/1 - Dona Maria José, queria que a senhora falasse primeiro seu nome completo, local e data de nascimento. R - Meu nome é Maria José de Oliveira, nasci em Rio Largo, Alagoas, no dia 18 de julho de 1937. P/1 - Dona Maria José, conta para a gente como e quando foi seu ingresso na Petrobras. R - Olha, o meu ingresso... Posso contar tudo? P/1 - Pode. R - O meu ingresso na Petrobras ocorreu depois de um concurso que fiz para auxiliar de escritório, mas como tinha sido admitida recentemente no antigo Lapetec... P/1 - O que é isso, o que é Lapetec? R - Instituto de Aposentadorias e Transportes de Cargas. Era o instituto dos petroleiros, né, e do povo de carga, assim, que trabalhava no porto. Então eu tinha sido admitida. E os meus documentos, a carteira de identidade, foram para o Rio para fazer a minha inscrição, para pegar todos os dados. Eu tinha feito somente o concurso, as primeiras provas, mas não tinha levado a carteira de identidade. E o rapaz da portaria era esposo da minha professora de português do ginásio, então deixou eu entrar sem os documentos. Mas se eu passasse na segunda prova, só seria feito se eu tivesse os documentos em mãos. Então quando foi, eu passei na segunda etapa, e não pude continuar porque não tinha levado os documentos. Mas depois de uns dois anos, mandaram chamar todas as mulheres que perderam ou desistiram do primeiro concurso para auxiliar de escritório, e eu fui incluída no meio. Passei em sétimo lugar e fui trabalhar como operadora de máquinas convencionais. Hoje, atualmente, a profissão é a função de digitadora. P/1 - E isso foi onde? R - Isso foi em Maceió. P/1 - Aí a senhora permaneceu quanto tempo trabalhando em Maceió? R - Em Maceió eu trabalhei em 1967, entrei em outubro de 1967, e fiquei até janeiro de 1970. Em 1970 foi mudada da sede da Petrobras de Maceió para a de Aracaju. Então todo mundo veio transferido, a maioria do povo, né? Veio todo mundo transferido, meu setor veio totalmente e ficou todo mundo aqui. P/1 - Aí a senhora veio aqui para Aracaju com a mesma função? R - Com a mesma função. Veio todo mundo transferido. Veio, digamos assim, o setor todo. Só quem não quis vir foi somente duas pessoas, que não puderam vir. P/1 - Ah, é? E a senhora trabalhou aqui por quanto tempo? R - Eu trabalhei aqui de 1970 até 1985, aqui na sede. Agora, em 1985 fui transferida para o Decarmo porque eu era a mais antiga digitadora. Porque as três primeiras...um fato histórico: as três primeiras colocadas, uma foi demitida, a outra foi transferida para Salvador e a outra foi para o setor de contabilidade. Então eu fiquei aqui juntamente com uma só. As outras duas ficaram em Maceió, porque não vieram. Então foram cinco, das cinco só restou duas. Aí depois houve concurso, chegaram mais outras pessoas. P/1 - Conta um pouquinho para a gente como era esse trabalho de digitadora. R - Olha, hoje é tudo ótimo, tá, mas antigamente era, quando eu comecei, eu não sabia nem o que era que a gente ia fazer. Eu fiz o concurso e a gente foi, quando fui chamada passei três meses para aprender. Era daquelas máquinas antigas, convencionais que fazia - não sei se vocês lembram - a loteria, arrancava aquele pedacinho, sabe, trabalhei naquelas máquinas. Com umas mesas duras, horrível. Eu sei que comecei a trabalhar em dezembro e aconteceu um lance, porque as duas foram se casar em dezembro e e eu ainda não sabia nem o serviço. Aí tive de começar a trabalhar, quer dizer, antes dos três meses já comecei a trabalhar, errei um bocado, fiz um bocado de besteira. Comecei fazendo um serviço logo de ficha, da ISUP [?], de material, e na hora eu me atrapalhava, eu emborcava às fichas, não emborcava. Isso deu um problema para as meninas conferir. Pronto, aí foi o primeiro desmantelo que aconteceu na minha vida. [risos] P/1 - E a senhora tem alguma lembrança marcante desse seu período na Petrobrás? R - Olha, quase tudo foi marcante para mim na Petrobras. Alguns trágicos e outros alegres, mas um bocado de coisa. Mas os trágicos eu deixo para trás, não leva ninguém para a frente, né? P/1 - Então conta um alegre. R - Alegre teve tantos, né? Quer dizer, a gente sempre confraternizava, isso era sempre muito importante. A turma, quando eu cheguei aqui, a minha turma era o Dirplan, eu pertencia à Dirplan, Divisão Regional de Planejamento. Então a turma toda veio de Maceió e eu fazia parte desse grupo. E todo fim de ano a gente confraternizava, juntava tudinho aquela turma, fazia amigo secreto. E essa turma ainda hoje a gente continua fazendo assim, se encontrando. P/1 - Então agora no fim do ano tem festa? R - Não, já teve. P/1 - Já teve? R - Porque houve a transferência de uma colega da gente, Valeria, a esposa do Paulo Calheiros, que já foi chefe aqui do setor de pessoal. Eles voltaram para Maceió, então a gente antecipou a confraternização natalina e fez uma festa só de despedida e de confraternização. Foi no dia três, na casa da Inês. Inês foi colega também, foi digitadora. Inês Garcez, a irmã do Garcez. P/1 - A senhora é sindicalizada? R - Sou desde quando entrei na empresa. Entrei em outubro, em novembro saiu a minha primeira contribuição. P/1 - Por que a senhora se sindicalizou assim tão rápido? R - Porque o amigo que fez a minha inscrição, né, quer dizer, a minha admissão, ele perguntou se eu tinha interesse em participar dos sindicatos que tinha. Porque a minha tia era operária e era assistida pelo sindicato lá da indústria. P/1 - E nesse tempo a senhora ocupou algum cargo no sindicato? R - Não. No sindicato só comecei a participar depois que fui aposentada. P/1 - É? E aí, como que a senhora participou? R - Ah, eu participei de muitas coisas do sindicato. Agora um fato marcante foi que, quando eu fui transferida para o Decarmo, houve uma mudança de horário, então todo mundo ficou chateado porque adiantou mais meia hora. Adiantou meia hora, em vez de sete horas, sete e meia. Então todo mundo ficou revoltado. Como eu já era sindicalista: “É problema do sindicato resolver!”. Então eu fui para o sindicato para ver o que o sindicato podia fazer para a gente, né? Aí o sindicato entrou em campo, fez um abaixo-assinado. O superintendente do Decarmo gostava muito de mim, mas ficou chateado porque não esperava isso. Mas eu disse que não era só eu que estava pensando isso, era o grupo todo, todo mundo que trabalhava lá. Era muita dificuldade para a gente sair do Decarmo para ir para médico, fazer compra, porque a gente esperava fazer isso e ficava muito tarde, não encontrava mais. Mas como era tempo de Natal, eu disse: “Não!” “Mas por isso não, porque em janeiro volta o horário normal.” Eu disse: “Mas volta o horário do comércio, mas a gente continua nesse.” Eu sei que houve várias opiniões, o superintendente procurou ouvir cada setor, cada um deu a sua opinião. E eu, assim, me senti vitoriosa, porque voltou ao horário normal. P/1 - Quem era esse superintendente? R - Doutor Renato Nogueira, lá no Decarmo. P/1 - E a senhora comentou que atuou mais no sindicato depois de aposentada. R - De aposentada. P/1 - Quando que a senhora se aposentou? R - Em 1 de outubro de 1991. P/1 - Como que isso mudou a vida da senhora, a sua aposentadoria? R - Ah, mudou bastante. Porque eu sou uma pessoa...assim, embora eu esteja aparentando, assim, nervosa, mas eu sou uma pessoa muito extrovertida, gosto muito de conversar, gosto muito de brincar, de passear, de tudo que é bom eu gosto. Então eu comecei, fiquei, assim, como um peixe fora d’água em casa. Os meus filhos iam estudar, eu já era divorciada, aí fiquei voando dentro de casa, sozinha. Usei e abusei muito de telefone, gastei muito porque eu me comunicava. Ouvia rádio, fazia parte da Rádio Nacional. Aí muita coisa boa aconteceu, conheço muita gente no Brasil inteiro. Ainda hoje recebo muitos cartões de boas festas, cartão de aniversário, sempre estão lembrando de mim. Isso também é um fato marcante na minha vida. P/1 - E em relação ao sindicato, porque a senhora, assim, que depois de aposentada começou a atuar mais? R - Foi porque eu comecei participar dos eventos de lá, assembleias, plenárias e congressos. Então fiquei participando, sempre atualizando, assim, as coisas. E estava lá, eu fui da Secretaria de Assuntos Estratégicos, depois, porque atuava mais na área, assim, para deficientes, negros. Depois eu saí, fiquei na de aposentados, que eu fiquei mais nessa área. P/1 - Que é onde a senhora está atualmente? R - É. Eu já fui secretária também, coordenadora lá na outra direção, né? P/1 - Na anterior? R - Sim, na anterior, que desde 1992 que eu estou. Fui do conselho fiscal, fui do conselho, depois participei da direção. P/1 - Atuou bastante. R - É. P/1 - Dona Maria José, como que a senhora vê a relação do sindicato com a Petrobrás? R - Bom, o sindicato é aquele órgão que sempre faz as reivindicações para melhorar a vida dos funcionários e empregados, né? Então isso às vezes choca um pouco a empresa, porque, quer dizer, nem tudo são flores. Agora, a empresa se sente às vezes chateada com a atuação do sindicato. P/1 - Mas por quê a senhora diria que ela se sente chateada? R - É porque a gente sempre procura pedir de tudo, do máximo, para ver se chega ao mínimo, né? Então é isso que o sindicato procura fazer, o que estiver ao alcance, eles solicitam, reivindicam. Agora também só entrega aquilo que a Petrobrás também pode fazer, né, não é só o gosto do sindicato dentro da empresa. Isso depois é um conjunto, quer dizer, eles entram em acordo, chegam num mínimo possível. [risos] Ou no máximo. P/1 - Dona Maria José, a gente está encaminhando para terminar nossa entrevista. Eu queria saber da senhora, o que a senhora achou de ter participado do Projeto Memória e ter contribuído? R - Achei ótimo. Agora, não sei se a minha contribuição é assim tão grande, né, porque eu estou muito nervosa. Eu pensei que era uma outra coisa diferente. Quando…[risos]. P/1 - E a senhora quer deixar alguma mensagem, falar mais alguma coisa? R - Não, falar, se fosse para falar eu falava o dia todinho, que tem muito assunto para falar. Mas eu acho que já disse o suficiente, né? Agora, eu quero falar somente...dar um alô para todos os meus companheiros, os aposentados principalmente, que é o que eu mais vivo com eles. Muita gente aqui da ativa ainda, que são meus colegas. Você viu hoje muita gente aqui falando comigo, já trabalhei aqui. Eu fico emocionada. Então isso foi um marco que aconteceu na minha vida, de coisa boa. Então eu achei que nesse período que eu passei também na empresa eu contribuí com o bom andamento da empresa, ajudei o Brasil a crescer através da Petrobrás. Eu me sinto como se fosse uma pequena formiguinha carregando aquela folhinha para ajudar a manutenção da Petrobrás. Eu agradeço também a todos os companheiros, todos os petroleiros aposentados, da ativa, votos de muita felicidade, que sejam unidos, como sempre eu fui na minha turma. E que Deus abençoe a todos. E desejo um feliz e próspero ano novo para todo mundo. P/1 - Dona Maria José, muito obrigada. R - Desculpe se eu cheguei [risos], ----FIM DA ENTREVISTA----
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