Busca avançada



Criar

História

Entre a serra e oleodutos

História de: Lilian
Autor: Lilian
Publicado em: 06/06/2021

Sinopse

Após fazer um concurso para a Refinaria Gabriel Passos, Geraldo Francisco Borges, mineiro de nascença, foi designado pela Petrobras para trabalhar em São Sebastião, no litoral paulista. Ao longo de 30 anos de dedicação, Seu Geraldo acumula a história de desenvolvimento ocasionado pela exploração petrolífera, a evolução das condições de trabalho, causos e gratidão.

Tags

História completa

P1 – Começar a entrevista, seu Geraldo, peço pra você dizer o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

R – Geraldo Francisco Borges, nascido em São Domingos do Prata, Minas Gerais, em 3 de dezembro de 1949.

P1 – Conta pra mim, seu Geraldo, como é que foi e quando foi que o senhor começou a trabalhar na Petrobras.

R – Eu comecei a trabalhar na Petrobras quando eu fiz concurso na Regap [Refinaria Gabriel Passos] lá em Betim, Belo Horizonte. Passei no concurso, mas não fui admitido lá em Belo Horizonte, fiquei no quadro de reserva e me ofereceram uma vaga pra cá. Eu não conhecia nada no litoral, mas vim a conhecer. Me deram um dia pra conhecer o local, eu conheci o local, gostei, deixei lá a Usiminas, que eu tinha passado na Usiminas, inclusive pra trabalhar na Usiminas, mas deixei. Abandonei e vim pra cá. Vim pra cá, conheci aqui no dia do meu aniversário: 3 de dezembro de 1973.

P1 – Foi um presentão de aniversário.

R – Presente de aniversário, recém-formado, tinha terminado...

P1 – E aí, quando o senhor veio pra cá, qual foi a sua primeira função? O seu primeiro trabalho?

R – Eu entrei aqui, como eu tinha me formado em instrumentação, entrei como instrumentista. Inicialmente como instrumentista; estagiário, porque naquela época você entrava e ficava um ano como estagiário. Aí fiquei como instrumentista um ano e meio, depois fui promovido a instrumentista de sistemas, que era um nível um pouco acima; fiquei nesse cargo até oitenta e poucos, quando eu fui promovido a mestre de instrumentação.

P1 – E o que que faz um instrumentista?

R – O instrumentista trabalha fazendo manutenção em equipamentos, proteção dos grandes equipamentos: bombas, motores, toda essa parte de controle e automação dos equipamentos de grande porte.

P1 – E hoje em dia, o senhor está trabalhando em qual área?

R – Hoje estou na parte de supervisão de manutenção, mas na área elétrica e instrumentação, então eu cuido da parte... eu apoio o coordenador na parte de supervisão da manutenção aqui do terminal.

P1 – Ainda trabalhando com esses grandes equipamentos, ou agora o senhor trabalha com outras partes?

R – Trabalho mais na parte de controle agora, parte de acompanhamento do pessoal da manutenção, não diretamente mais no campo, mas na parte de controle da manutenção em si, como um todo.

P1 – Mas a equipe que o senhor coordena e chefia, ela é responsável pela manutenção dos equipamentos...?

R – Manutenção desses equipamentos, manutenção elétrica e instrumentação e automação de todo o terminal de São Sebastião.

P1 – Do terminal inteiro?

R – Isso.

P1 – Qual que você acha que são as principais características aqui do terminal?

R – Como assim?

P1 – O que que faz ele um terminal diferente dos outros? É um grande terminal, isso a gente sabe.

R – É, nós sabemos que aqui é o maior terminal da América Latina, então a gente abastece quatro refinarias aqui do estado de São Paulo. Nós temos aqui quatro berços que recebem navios de grande porte e nós bombeamos petróleo pra quatro refinarias: a Replan [Refinaria de Paulínia], a Revap [Refinaria Henrique Lage], a Rpbc [Refinaria Presidente Bernades] e a Regap. A Regap não, a... me fugiu da memória agora a outra refinaria; são quatro refinarias do estado de São Paulo. E são bombas de grande porte, fazemos manutenção de bombas de grande porte, motores de alta potência. Motores realmente que consomem muita energia, que são motores de grande porte de 8125 cavalos. Então são motores grandes, de grande porte, bombas que bombeiam cinco mil metros cúbicos de petróleo por dia. Um de nossos sistemas, isso um de nossos sistemas. Então por isso é um terminal realmente... é o maior da Petrobras aqui e é o maior da América Latina.

P1 – Nossa. Seu Geraldo, o senhor veio pra cá em 1973, então aí tem muito tempo que o senhor tá aí trabalhando no terminal.

R – Sim, bem no início do terminal eu cheguei aqui.

P1 – E morando aqui em São Sebastião, né?

R – Morando em Caraguatatuba.

P1 – Em Caraguá. E o que que o senhor acompanhou de mudança na região pela presença da Petrobras aqui?

R – É, a Petrobras trouxe realmente dinheiro, né. Porque, na verdade, o que traz é a movimentação, mais pessoas; porque, no início, aqui a gente tinha muita gente própria da Petrobras mesmo. No início, quando eu entrei aqui, eram só funcionários próprios, não existia terceirização, então era todo mundo próprio. Então a movimentação de dinheiro era bem grande porque o salário do pessoal naquela época era melhor do que hoje, né. Bem melhor; então, naquela época você tinha movimentação muito grande de pessoas aqui, de capital que a Petrobras trouxe pra cá com esse pessoal. Além de empregos para as outras áreas, porque, na verdade, quando você traz um grupo de pessoas com um salário razoável você acaba gerando mais emprego na região. Isso foi gerando mais empregos, depois vieram as obras de ampliação do terminal, mais dois bombeios foram instalados aqui, vieram... foram colocados bombeios. Quando eu cheguei só existia um bombeio e um segundo bombeio estava iniciando, um segundo parque de bombas. Depois foi montado um terceiro parque de bombas de grande porte, com isso vieram as obras, que realmente trouxe... um novo oleoduto daqui pra Guararema Foi feito um novo oleoduto que levou o petróleo daqui pra Guararema; isso também trouxe várias empresas, que vieram fazer esse trabalho aqui. Trouxe movimentação pra cidade, a cidade evoluiu com isso, cresceu; Caraguatatuba também cresceu junto porque Caraguatatuba o pessoal... muita gente daqui morando em Caraguatatuba, então foi um crescimento pra região como um todo.

P1 – E o que que o senhor acompanhou de mudança aqui dentro do terminal?

R – No terminal, eu acompanhei a mudança desde a ampliação das áreas, porque quando eu cheguei aqui tinha a gleba A e a gleba C; depois foi adquirido um terreno ali, ampliado pra gleba D, que são mais 10 tanques que foram colocados. Havia um bombeio só e o outro iniciando, que era o bombeio do Osbat [Oleoduto de São Sebastião], que bombeava pra Rpbc; estava sendo instalado o bombeio do Osplan [Oleoduto de Paulínia] que abastecia a Replan. Então... nesse período foi instalado o bombeio do Osbat, que é o maior bombeio que nós temos aqui hoje, que leva petróleo hoje e abastece a Replan e a Revap. E a Osplan depois ficou nessa área __________, então passou a bombear por esse sistema do Osbat. Teve uma grande ampliação e linhas novas, pra esse Osbat foi feito um novo oleoduto, então teve um novo de 42 polegadas, que é um grande oleoduto também que bombeia os cinco mil metros cúbicos pras duas refinarias do estado de São Paulo. Essa foi uma das evoluções, inclusive eu participei da montagem da instrumentação, acompanhei a montagem dos painéis desse novo sistema, do Osplan. Eu também acompanhei, do segundo bombeio eu acompanhei também quando os ingleses vieram aqui montar o sistema de bombeio. Eu acompanhei a parte de instrumentação, automação, e fiz muita manutenção nesses sistemas nesse período aí que eu trabalhava no campo, diretamente atuando nesses bombeios aí.

P1 – E como é que era? Você ia lá pra região mesmo que tava sendo montado?

R – Sim, acompanhava...

P1 – Conta um pouco como é que era.

R – Eu acompanhava de perto, tinha o Osplan... no início o Osplan tinha um engenheiro inglês aqui que estava montando o sistema e eu acompanhava a montagem pra depois fazer a manutenção. Na verdade, nessa época, o grupo de instrumentação era pequeno, então tinha eu e mais dois colegas só, que a gente acompanhava esse sistema; tanto aqui como no alto da serra, em Rio Pardo, onde... que pertencia ao terminal na época. Rio Pardo, cheguei a fazer muita manutenção em Rio Pardo, passava noites lá em Rio Pardo acompanhando esses sistemas, montagem e testes desses sistemas. Depois a manutenção ficou com a gente, a gente teve que manter, que foram embora o pessoal que montou; e a gente continuou aqui fazendo manutenção. Por isso que foi muito bom pra gente esse acompanhamento, porque depois a gente teve base pra poder continuar fazendo a manutenção dos sistemas. Eu fui um dos primeiros que trabalhei nessa área aí, pelo tempo que eu estou aqui, né [risos].

P1 – E como é que era essas noites lá em Rio Pardo, meio isolado?

R – Eram noites realmente trabalhosas, muitas vezes você era chamado de madrugada, você subia a serra com chuva. Já cheguei a descer a serra à pé de madrugada até o asfalto porque não... o carro às vezes agarrava na lama e você não conseguia descer, tivemos que abandonar o carro e descer a serra, viemos até o asfalto pra poder pedir socorro; porque realmente você não conseguia... Realmente, isso foram várias vezes, por anos e anos a gente trabalhou fazendo manutenção e subia de madrugada, qualquer hora, porque o sistema não pode parar. Então a gente tem que estar sempre alerta e era... normalmente eram dois, três só que tinham esse conhecimento e a gente era sempre acionado pra prestar esse socorro lá em Rio Pardo; tanto na parte de bombeio quanto na parte elétrica, os nossos colegas da elétrica subiam com a gente. A gente fazia essa parte de colocar o sistema novamente em funcionamento porque realmente o sistema não podia ficar parado; e isso era realmente uma coisa que ficava todo mundo apavorado quando parava um sistema desse. Porque se você abastece todas as refinarias, as maiores refinarias do país, não tinha como ficar parado muito tempo isso. A gente tinha que resolver logo isso aí.

P1 – Eu tava pensando: a gente acompanha que as políticas de meio ambiente, segurança e saúde vem crescendo cada vez mais.

R – Sim.

P1 – O que que mudou pra você, em termos de segurança do trabalho, desde que você entrou até agora?

R – É, a mudança foi substancial. Foi muito grande porque naquela época, logo que eu entrei, durante alguns anos depois que eu entrei, não se tinha essa preocupação com segurança. Eu lembro que a gente andava pelo parque e o óleo todo pelo chão, você tinha óleo pelo chão; você às vezes tomava banho de petróleo porque não tinha muita preocupação com isso. No nosso laboratório de instrumentação você não tinha problema com produtos químicos, você tinha mercúrio jogado pra todo lado, você tinha um monte de coisa que depois com o tempo isso foi sendo aparado pra poder ir melhorando o sistema de proteção do trabalhador. Realmente, naquela época não tinha muita preocupação com isso, as coisas eram menos... não tinham aqueles procedimentos mais... que mantinham essa segurança do trabalhador e das instalações, porque as instalações... Meio ambiente, não se preocupava muito com o meio ambiente naquela época. Você não tinha preocupação com o meio ambiente porque não existiam essas leis rígidas que se tem hoje.

P1 – Hoje em dia, no seu trabalho diretamente, o que que você pode fazer... quais são as obrigações que o senhor tem lá no seu trabalho em relação a proteção do meio ambiente?

R – Hoje nós temos vários procedimentos, temos várias palestras, temos os, vamos dizer assim, as normas da empresa que exigem realmente que você trabalhe sempre de olho no meio ambiente, porque realmente o meio ambiente hoje está realmente no auge da... todo mundo fala no meio ambiente. O meio ambiente é importante, hoje todo mundo chegou à conclusão de que é importante, porque o futuro do nosso país é o futuro do mundo; então, realmente, todo mundo se preocupa com isso. E todos os dias se fala em proteção do meio ambiente, de evitar qualquer dano e, se necessário, parar um trabalho pra poder planejar de novo por causa de evitar danos ao meio ambiente.

P1 – O senhor já teve que executar uma parada desse tipo porque tava dando algum problema?

R – Já, a gente... já, algumas vezes a gente já teve que parar e repensar pra não ter problema de contaminação do meio ambiente, que hoje em dia é muito sério e, inclusive, traz problemas com a justiça. Eu... há alguns anos atrás, nós tivemos um vazamento no píer que realmente trouxe problemas... eu, na época, era responsável pela instrumentação e realmente tive que responder algumas questões por causa disso. Sorte nossa que estava tudo em dia, que a gente trabalhava corretamente, com a manutenção em dia; então não tivemos grandes problemas porque foi realmente uma falha, não nossa, não foi uma falha... não foi falha de manutenção, vamos dizer.

P1 – Foi um problema de outra ordem.

R – É.

P1 – Seu Geraldo, nos últimos anos a gente vem acompanhando um crescimento e uma modernização muito grande aqui no Tebar [Terminal Aquaviário de São Sebastião Almirante Barroso], né?

R – Sim.

P1 – O que que você pode falar disso? No seu trabalho, o que que isso afetou?

R – No meu trabalho, essa parte eu acompanhei bem porque sou da parte de instrumentação e automação, e essa parte mudou muito no terminal. Antes nós tínhamos grandes painéis, acompanhei muito... fiz muita manutenção neles, grandes painéis. Lá na casa de controle, aquela casa de controle lá em cima, hoje... lá existiam grandes painéis ______, que funcionavam e comandavam todo o sistema. Hoje é tudo feito através de PLCs, Controlador Lógico-Programáveis, que fazem esse sistema, que fazem esse controle dos equipamentos; e operados por máquinas, por computadores, que fica realmente um grupo menor de operadores necessários pra isso. As medições de tanque, por exemplo, antigamente o operador ia no tanque e media com a trena, fazia direto com a trena, ninguém confiava na medição. Hoje nós temos um sistema de medição confiável e o operador... não há necessidade de o operador ir no campo sempre pra tomar a medição dos tanques. Então isso foi uma grande evolução, o operador, hoje, ele acompanha todos os tanques da casa de controle, do sistema de controle. Então esse sistema de automação veio pra melhorar muito a vida do terminal e a segurança do terminal, porque você tem alarme em todos os pontos do terminal, todos os equipamentos, isso melhora muita a segurança do terminal.

P1 – Mas por outro lado também pode ter diminuído os postos de trabalho pras pessoas da manutenção?

R – Pra manutenção talvez não, a operação tem um pouco temor disso aí, porque normalmente a automação vem pra diminuir postos de trabalho na... mas aqui até que não diminuiu muito.

P1 – Na manutenção não.

R – Na manutenção também não, porque você muda de foco, ao invés de você trabalhar no campo direto, você tem o pessoal que trabalha a parte de automação propriamente dita, que é uma parte mais sofisticada, precisa de um estudo maior; então você muda de foco, você pega pessoas de outras áreas, aquelas pessoas que estão vindo têm que se adaptar àquelas novas áreas. Então você tem que estudar mais, tem de procurar avançar naquelas áreas que estão chegando. Então não foi... não diminuiu o número de pessoas aqui não.

P1 – Seu Geraldo, você até já contou um pouquinho algumas, mas destes vinte e tantos anos que o senhor está trabalhando aqui...

R – 30. P1 - ...mais de 30 [risos], agora que eu olhei a data aqui. Tem alguma história interessante que você possa contar pra gente, que tenha acontecido enquanto você estava trabalhando aqui?

R – Deixa eu ver. História... que tipo de história você gostaria?

P1 – Aí vem da sua memória, o que o senhor se lembrar. Pode ser engraçada, pode ser triste, alguma coisa que tenha lhe marcado.

R – Tem uma vez que a gente estava em Rio Pardo, antigamente era uma Rural Willis [risos] aquela época tinha uma Rural ainda. E nós vínhamos de lá, de madrugada, todo mundo cochilando, o motorista vinha dirigindo, aí tinha um gambá na estrada, um gambá. Um bichinho na estrada, naquela época não tinha muita preocupação com o meio ambiente, passaram em cima do gambá, mataram e botaram atrás da Rural; viemos embora. Quando foi num determinado momento da estrada, o colega que estava atrás dormiu, ele deu um grito e saiu esperneando lá. Por quê? O gambá não tinha morrido, começou a passar pelo pescoço dele [risos].

P1 – [risos]

R – Isso de madrugada! Isso é uma coisa interessante que eu gosto de... a gente conta e dar risada porque o rapaz, o ajudante que estava comigo naquele dia, quase morreu de susto, porque [risos] o bicho não tinha morrido! Gambá, ele é assim mesmo, ele finge de morto, ele parece que morreu, mas não morreu. Quando ele levou aquele susto aí paramos o carro, jogamos o bicho pra fora e viemos embora [risos].

P1 – [risos] E, seu Geraldo, diz pra mim uma coisa: você é sindicalizado?

R – Sou, desde o início.

P1 – E você já exerceu alguma função no sindicato?

R – Não.

P1 – Mas como é a sua relação com o sindicato? [TOQUE DE CELULAR]

P1 – Ih, opa! Para aí, Marcos.

R – Posso falar? [PAUSA]

P1 – Então, Seu Geraldo, eu estava perguntando se você já... como é a sua relação? Você nunca participou de nenhum cargo, mas você milita, tem alguma relação mais próxima?

R – Já participei assim, como associado, já participei das greves que eles tiveram aqui. Já participei de algumas greves, sempre como associado e nunca como... a parte de diretoria, não. Nunca estive na parte de diretoria, não.

P1 – Tem alguma lembrança de greve, assim, alguma atividade?

R – É, tem algumas greves que a gente teve... acho que a última, aquela última greve, que foi realmente uma greve longa, realmente passou bastante sufoco porque realmente foram muitos dias parados e a gente ficava realmente no sindicato, reunindo o sindicato; e aquela confusão, não se resolvia. Ficamos um bom tempo com aquele medo, porque todo mundo... você sabe que a greve traz aquele receio de você perder o emprego, todo mundo tem esse medo. Então a gente ficou um bom tempo de greve, não sei se foi em 1995, não me lembro a data.

P1 – 1995 foi uma greve bem grande.

R – Acho que foi aquela greve grande, acho que foi em 1995.

P1 – Mais de trinta dias.

R – Foi. Então, aquela greve... eu participei de uma grande parte das greves que tiveram aqui, não diretamente, participava mais no sindicato, acompanhando o pessoal do sindicato, mas não diretamente como diretor ou qualquer coisa.

P1 – E como é que o senhor vê essa relação do sindicato com a Petrobras? O que que mudou?

R – Acho que mudou mais a parte de diálogo. Hoje em dia se tem um diálogo maior. Depois, com as mudanças na política, o pessoal realmente deu uma freada no sindicato, o governo deu uma segurada no sindicato e houve uma mudança de política; e o sindicato foi obrigado a se adaptar e passar pra parte de diálogo ao em vez do confronto direto, porque realmente o confronto direto hoje em dia é meio complicado. Então o que mudou foi nessa fase aí, que você passou pro diálogo e não pro confronto direto.

P1 – Seu Geraldo, o que é, pro senhor, ser petroleiro?

R – A Petrobras, pra mim, ela me deu tudo que eu tenho, praticamente. Lógico que eu participei, dei bastante da minha vida pra ela, isso é lógico. É uma troca, na verdade é uma troca, empresa e o trabalhador é uma troca; então eu tenho bastante coisa, graças a Deus. Vim lá de uma situação difícil quando eu comecei na Petrobras e fui crescendo, graças a Deus, tanto na vida privada quanto no meu trabalho. Então eu acho que a Petrobras pra mim... eu gosto muito da Petrobras, hoje eu to na Transpetro cedido, também gosto do trabalho que faço, tanto é que eu to aqui, 35 anos de trabalho e estou ainda trabalhando, eu não to preocupado aí com a aposentadoria ainda não.

P1 – Seu Geraldo, a gente está encaminhando pro fim. Eu tenho mais uma pergunta pra fazer pro senhor, mas antes disse eu queria perguntar se tem alguma coisa que eu não perguntei que você quer deixar registrado aqui na sua entrevista.

R – Não, acho que não. Acho que está ok.

P1 – Então, pra encerrar, eu queria que o senhor dissesse o que você achou de ter nos dado essa entrevista pro Memória Petrobras, de ter participado.

R – Eu achei que é bom, daqui a pouco eu me aposento e pelo menos a minha imagem vai ficar por um tempo aí na Petrobras, mostrando que eu estive por aqui e contribuindo com essa empresa, essa grande empresa. Acho que isso é importante, deixar um pouco, porque o meu trabalho eu já deixei bastante, já contribuí muito com o meu trabalho e com meu suor aqui na empresa; agora fica a minha imagem.

P1 – Ah, bacana. Obrigada, Seu Geraldo.

 

---FIM DA ENTREVISTA---

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+