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História

Entre a Psicologia e a produção rural

História de: Paulo Roberto Bernal Simões
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/11/2014

Sinopse

Paulo nasceu e cresceu em Herculândia, cidade do interior de São Paulo que tem cerca de oito mil habitantes. Na juventude saiu para fazer Faculdade de Psicologia em Itatiba e depois de formado foi morar em Tupã. Já casado, Paulo teve três filhos. Por muito tempo trabalhou como psicólogo e produtor rural, mas uma hora teve que escolher uma carreira.

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História completa

Meu nome é Paulo Roberto Bernal Simões, nasci no dia cinco de abril de 1955 em Herculândia, São Paulo. Minha mãe se chama Estrela Bernal Simões, meu pai se chama Francisco Rodrigues Simões. O meu pai era produtor rural e a minha mãe era do lar. O meu pai era um homem extremamente rígido, extremamente honesto, gostava das coisas muito bem feitas, exigia bastante dos filhos. A minha mãe já era uma pessoa mais maleável, onde você tinha condições de ter mais contato físico, mais diálogo. Meu pai já era o oposto, era uma pessoa difícil em termos de diálogo, mas não deixava de ser uma pessoa extremamente capaz, extremamente honesta.

Bétia - Passei a infância numa cidade muito pequena. Hoje Herculândia tem aproximadamente oito mil habitantes. Eu me recordo da minha infância com muita alegria. Eu fui uma criança extremamente solta, fazia tudo que me dava na cabeça. Nesse ponto, meus pais não me privavam de nada. Tínhamos um jogo que chamava “bétia”. Nesse jogo ficavam duas pessoas, uma de cada lado, é como se fosse um jogo de tênis, mas com duas madeiras cada um e jogava-se uma bola, e você tinha que rebater essa bola, e você corria. Quando você rebatia essa bola longe, você corria pra lá, o outro amigo seu corria pra cá, então o maior tempo que você conseguia rebater essa bola, você ganhava por tempo.

Almoço de domingo - Meu pai sempre foi político. Na verdade, meu pai foi, nessa cidade que a gente nasceu, em Herculândia, ele foi prefeito cinco vezes, então ele tava sempre em São Paulo, então a gente normalmente comia com a minha mãe. Lógico, sempre que possível, ele tava com a gente. Eu me recordo que aos domingos a gente se reunia realmente, a família se reunia. E o legal era que no domingo tinha guaraná, detalhe que eu me recordo com muito carinho. Sempre fui santista. A minha família toda é são-paulina. Eu fui o único que desgarrei da família em termos de torcida de futebol. Eu estava passando em frente uma residência e o Santos tava jogando, eu não lembro com qual time era, e ele ganhou de 11 a zero. Então nesse dia eu comecei a torcer pelo Santos. Esse foi o momento que eu comecei a torcer pelo Santos.

Lembranças da escola - Eu me recordo que eu sempre participei da fanfarra da escola. Naquela época, a gente tinha que fazer fila pra entrar na escola, você tinha que cantar eu acho que o Hino Nacional e o Hino da Bandeira. Era uma regra que eles impunham, eu me lembro muito bem disso. A escola chamava-se Grupo Escolar de Herculândia. Tive um professor que chamava Irineu Concas. Ele me marcou muito porque ele foi um cara que me ensinou muito gramática, esse tipo de coisa. Eu não sei por que, mas hoje eu vejo muito universitário com muita dificuldade em Português, e eu já não tenho essa dificuldade e até tem horas que eu até corrijo os filhos e alguma pessoa que tá do meu lado. Então esse professor me marcou muito pelo fato de ele ter me ensinado o Português, a gramática, assim, de uma forma muito incisiva. E eu aprendi muito com ele.

Blue Caps - Na minha adolescência, eu toquei. Na época não se chamava banda, chamava-se conjunto. Eu toquei bateria no conjunto. Você ia pra casa dos amigos e das colegas e à noite você fazia uma coisa que a gente chamava naquela época de brincadeira. Era uma espécie de um bailezinho com os discos tocando, tal, e ali você entra realmente na adolescência, que é hora que você dança com as meninas e tal. Então isso aí é o que mais me marcou na adolescência. E também os bailes de salão que a gente ia, isso aí era marcante. Final semana tinha o baile com as bandas da época, tudo. Na minha época, a gente bebia Cuba Libre ou um Martine. Eu não me recordo muito bem da adolescência de se beber cerveja. O salão era arrumado com várias mesas, as pessoas se sentavam às mesas e ali você ficava tomando coragem pra ir e convidar uma menina pra dançar. Era uma luta. E naquela época tinha outro aspecto que hoje não tem, que realmente a dança era a dois. Você não dançava sozinho, era muito difícil. Isso bem na pré-adolescência. Tocava muito de Creedence. Naquela época, cantor brasileiro era o Roberto Carlos, o Erasmo, e aí vem todo aquele pessoal da Jovem Guarda. Basicamente, era Beatles, Creedence, que eu lembre. E cantores brasileiros eram Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Eduardo Araújo. Conjuntos brasileiros eram Os Incríveis, que mais? Renato e Seus Blue Caps.

Namoro - Minha primeira namorada foi uma garota da época de ginásio, mas foi um namoro, assim, bem àquela época. Era difícil, você pegava na mão e tal, dificilmente saía um beijo. Ela se chamava Marilda. A gente se conheceu na escola mesmo, no ginásio. E como era muito próximo, uma cidade muito pequena, ela morava praticamente a um quarteirão da minha casa. Na verdade, o único namoro sério que eu tive foi com a minha atual esposa. Ela foi fazer faculdade também e acabou entrando na mesma faculdade. Eu morava numa república e a minha esposa entrou no mesmo curso que eu, na Psicologia também, e por acaso ela foi morar numa república na frente da minha. E como eu tinha muito acesso a essa república, porque eu tinha um colega que morava na minha república e que namorava uma menina que morava em frente, na república em frente. Como a Neide veio morar em frente, a gente se conheceu ali, e dali começou o nosso namoro, a gente ficou noivo. Que a gente morava lá em Itatiba, às vezes ela almoçava na minha república, às vezes eu almoçava na república dela. Aí nós passamos a conviver o nosso tempo praticamente o tempo todo juntos. Essa fase foi muito legal e foi aí que realmente o nosso namoro se solidificou. Aí a gente achou que realmente a coisa era séria e houve o noivado. Na época do casamento a gente teve certeza que realmente a gente queria ficar junto. E houve uma cerimônia religiosa na Igreja Católica de Herculândia, e logo após teve uma recepção na fazenda do meu pai, a fazenda Santo Antônio. Aí foi um churrasco acho que com aproximadamente 300, 400 pessoas. Foi uma festa bem legal. Nós temos três filhos: o primeiro é o Paulo, o segundo é o Marcelo, a terceira é a Renata. O Paulo nasceu em 80, o Marcelo em 83 e a Renata em 85.

Entre a Psicologia e a produção rural - Eu não tinha nenhuma aptidão, mas por uma situação que o meu pai gostava, eu fui fazer cursinho pra Medicina. Fiz vários vestibulares e num desses vestibulares eu tinha uma opção de Psicologia. E foi aí que eu optei por fazer Psicologia. Fiz vários vestibulares, todos pra Medicina. Por fim, eu prestei um vestibular pra Medicina na Universidade de São Francisco, campus de Bragança Paulista, e aí eu optei por fazer Psicologia no campus de Itatiba, foi onde eu me formei. A universidade consegue trazer pessoas de várias cidades, de vários estados, de várias culturas, então eu acho que aí esse entrosamento, esse relacionamento que você faz com essas pessoas é que te propicia a te abrir mais a cabeça para o mundo em geral, entendeu? Ali foi quando meu pai, não no começo, mas no final da minha universidade, ele já me deu um carro, e ali eu comecei a realmente ver a vida de outra forma. Eu me identifiquei com o curso. Pra mim, a faculdade foi realmente muito boa, eu realmente me identifiquei, gostei de estar ali, fiz muitas amizades. Profissionalmente eu me realizei, tanto que eu exerci a profissão aproximadamente dez anos. Nesse meio tempo que eu tava atuando como psicólogo, eu fui trabalhar numa propriedade rural da família, e ali eu tomei gosto pela atividade. Mas logo o meu pai deixou a atividade, deixou de trabalhar na empresa, que era ligada também à atividade leiteira, e eu assumi a empresa em 1987, a Hércules. Fiquei ali conciliando com a minha área profissional ainda, uma parte do tempo, depois eu fui só pra atividade leiteira, foi aí que eu abandonei a minha área profissional de psicologia. Foi mais por questões financeiras, não por uma questão profissional. Eu tava com três filhos novos, eu tinha que de alguma forma sustentar a família, então eu fui pra atividade de produtor rural. Isso foi em 84. Eu fiquei na atividade leiteira, como produtor rural, até em 94. Só que nesse meio tempo, eu já tive outra transição pra atividade industrial. Em 87, eu fiquei conciliando a produção rural com a atividade na indústria, que também era ligada à atividade leiteira. Houve uma venda dessa propriedade que eu tinha como atividade de produtor rural. Nós vendemos, aí eu assumi só a empresa realmente. E na empresa, eu trabalhei lá por 21 anos. Esse foi um dos maiores desafios da minha vida, que eu consegui transformar uma empresa muito pequena numa empresa muito grande. O meu maior sonho hoje é ver isso que a gente começou a construir aqui, esse processo todo, é ver esse processo todo concluído, é ver a atividade rendendo frutos, não só financeiros, mas como uma atividade que dê prazer, prazerosa.

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