Busca avançada



Criar

História

“Enquanto há vida, a gente não pode parar”

História de: Luciana Tereza Barbosa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/11/2021

Sinopse

Nascimento em São Vicente. Irmãos. Período escolar. Casa de infância. Primeiro trabalho aos 14 anos. Diferentes trabalhos na Libra Terminais. Encantamento pelo Porto de Santos. Casamento. Maternidade. Cuidados com a mãe. Afastamento do trabalho. Cursos e especializações. Retorno do trabalho no Porto. Sonhos e ambições.

Tags

História completa

P/1 - Então, pra gente começar, eu queria que você se apresentasse, dizendo seu nome completo, data e local de nascimento.



R - Meu nome é Luciana. Calma aí, Luiza. É o nome completo...



P/1 - E a sua data e o local de nascimento.



R - Data de nascimento, né?



P/1 - Isso. Então, ó, vamos recomeçar tudo, tá? Antes, eu só queria falar uma coisa, esse começo dá um pouquinho de nervoso, mas as perguntas são amplas, é justamente pra você ir lembrando, deixando as memórias trabalharem, pra você contar os detalhes, as histórias que você quiser. Acho que o começo sempre dá um friozinho na barriga, mas é normal, fique tranquila. Depois acho que vai fluindo melhor. 



R - Tá.



P/1 – Tranquilo. Não melhor, mais tranquilo. Mas, então, vamos lá. Pra começar, gostaria que você dissesse seu nome completo, a data de nascimento e a cidade onde você nasceu.



R - Meu nome é Luciana Tereza Barbosa. Eu nasci em quatro de abril de 1980 e eu nasci em São Vicente.



P/1 - E quais são os nomes dos seus pais?



R - O nome da minha mãe é Tereza Maria da Conceição e o nome do meu pai é Brivaldo José Barbosa.



P/1 - E o que eles faziam?



R - Então, minha mãe…



P/1 - Com o que eles trabalhavam?



R - Minha mãe era costureira. E meu pai era operador de máquina e trabalhava na Cosipa, na IAP.



P/1 - E onde eles nasceram?



R - Então, eles nasceram em Pernambuco.



P/1 - E você sabe como eles se conheceram?



R - Ah, eles se conheceram numa discoteca (risos). Eles ficaram casados 25 anos e acabaram se separando também, mas ficaram amigos. Muito amigos, assim.



P/1 - E você sabe um pouquinho da história deles? Como era a vida deles lá em Pernambuco?



R - Assim, a minha mãe nasceu no interior, em Panelas de Miranda. Teve uma infância difícil. Porque nasceu em 1952, assim. Ele também… a história do meu pai não sei muito, da infância dele, tal. Mas ele também era do interior. E acabaram vindo pra Recife, pra cidade. Aí eles se conheceram lá, aí ficaram um tempo, aí vieram pra Baixada, os dois. Porque, na época, a vida aqui era mais fácil do que lá, lá era mais difícil. E é isso.



P/1 - E você sabe como foi essa vinda pra cá, pra São Paulo?



R - Então, primeiro vieram os irmãos do meu pai. Aí ele veio atrás, a minha mãe ficou lá. Porque aí são… eu sou, eu tenho mais três irmãos. E a gente era tudo pequenininho, eu era caçula. E depois a minha veio pra cá, pra São Vicente. No começo foi tudo difícil. Até eles se erguerem.



P/1 - E como você descreveria os seus pais, o jeito deles?



R - A minha mãe é guerreira. Foi uma mulher guerreira. Aprendeu a costurar sozinha e era a paixão dela. Ela não teve estudo, era analfabeta. E meu pai… minha mãe ajudou muito meu pai e o direcionou. E, naquela época, era mais fácil entrar nesse rumo aí, do porto. Dessas empresas maiores.



P/1 - E como eles eram com você? Vocês tinham atividades que vocês faziam juntos? Você lembra de algum momento com seus pais, da infância?



R - Então, a gente foi criado na periferia. Eles sempre tinham que trabalhar muito. Minha mãe, eu não lembro muito, porque a minha mãe não tinha muito tempo pra gente. Só, eu lembro assim da minha infância com meus irmãos e com ela não, porque sempre ela estava trabalhando e ele também. Era raro a gente fazer alguma coisa juntos.



P/1 - E a sua relação com seus irmãos? Você está em qual lugar da escadinha?



R - Eu tenho dois irmãos mais velhos. Eu sou a do meio. Eu tenho outra irmã caçula. E eram bons. Foi uma infância boa, eu e os meus irmãos. A gente tinha aquelas brigas, mas a gente é muito unido, nós quatro.



P/1 - E, Luciana, você conhece a história dos seus avós, chegou a conhecê-los?



R - Não, o pai da minha mãe e a mãe faleceram [quando] ela tinha quinze anos. Então não tive contato nenhum. Tive pouco contato com a minha avó, a mãe do meu pai. Só que, como ela morava em Recife, então a gente não lembra dela. Muito pouco, assim, tive contato algum.



P/1 - E os avôs, também não?



R - Também não, já eram falecidos.



P/1 - E quais eram os principais costumes da sua família? Vocês tinham isso na infância, de comidas específicas que vocês faziam? Você lembra de algum cheiro ou sabor que seja marcante? Ou as festas comemorativas. 



R - Ah, sim. Lembro da minha mãe cozinhando pra gente, o macarrão dela, as comidas pernambucanas. Meu pai fazia coxinha, muita massa. Aí eu lembro disso. A gente não era muito de festa.



P/1 - E você sabe a história do seu nascimento?



R - Então, sei. Minha mãe não queria ter mais filhos (risos). Aí já tinha dois meninos, aí eu vim. Meu pai era louco pra ter uma menina, muito. E aí ficou tentando, tentando, aí ela falou assim: “Ah, não vai vir, tal”. Aí ela não queria mesmo. E ela veio me aceitar já com uns cinco meses de gravidez. E aí ele falou: “Não, é uma menina, minha menina” e acabei vindo (risos). Foi bem assim.



P/1 - E como foi a escolha do seu nome? Você sabe?



R – Sim (risos). Foi minha mãe que escolheu. Meu pai queria outro nome, graças a Deus não deu o nome. E aí foi um ex-namorado que a minha mãe teve (risos) e acabou dando meu nome. Eu falei: “Pelo amor de Deus!” (risos) Acabou vindo a Luciana.



P/1 - E a irmã caçula, teve mais uma depois ainda.



R - É, então, ela é adotiva. Ela é filha da irmã da minha mãe e acabou eu e minha mãe a criando. Hoje minha mãe é falecida e aí eu que cuido dela, sou a segunda mãe.



P/1 - A diferença de idade de vocês é grande ou não?



R - É dez, dez anos.



P/1 - E, Luciana, você lembra da casa da sua infância, o bairro, como era?



R - Ah, eu lembro. Eu me lembro, na periferia. E eu era muito feliz lá. Era muito, muito simples, de madeira. Mas a gente podia brincar na rua. Tive toda uma infância, amizade que eu carrego até hoje. Sou muito… eu fui muito feliz ali. Era muito, tudo muito simples, mas gostoso.



P/1 - Como era a sua casa?



R - Então, minha casa era de palafita, mas era grande. Era tipo uma rua de terra. De madeira, tinha ponte de madeira, na época. É assim que eu lembro, mas eu fui feliz ali.



P/1 – Quais são, assim, as principais recordações que você tem desse período? Mesmo de brincadeiras, ou de algum momento que tenha sido bem marcante.



R - Ah, eu lembro a minha família, todo mundo junto. Minha mãe costurando sempre, mas tinha - (risos) chegava da rua - aquela comidinha quentinha. Assistir TV com a gente, todo mundo junto. Às vezes a gente dormia todo mundo junto também. Lembro das minhas amizades, das meninas, dos meninos também, do bairro, que era muito legal. E aí eu lembro disso, vem assim, na minha mente.



P/1 - E quais eram as brincadeiras favoritas?



R - Ah, a gente brincava de pega-pega, de elástico, de boneca, de casinha, de vôlei, de queimada. Era bem legal (risos). Andava muito de bicicleta, na rua.



P/1 - E como foi a chegada dessa sua irmã? Como foi isso pra sua família, pra você?



R - Então, essa irmã da minha mãe, minha mãe também a criou quando elas perderam os pais. Aí acabou ficando grávida dentro da casa da minha mãe, mas era aquela irmã meio rebelde. E acabou com ela não querendo criar a criança, indo embora, e a minha mãe pegou pra criar ela e a gente a via como uma boneca. Eu principalmente, tinha dez anos, fazia de boneca. Acabou comigo criando aquele amor por ela.



P/1 - E qual é o bairro onde você cresceu?



R - Vila Margarida, São Vicente.



P/1 - E você ficou até quantos anos lá?



R - Eu fiquei até os 25 anos lá, na mesma casa, local. Foi melhorando o bairro. Hoje não é mais como era na minha época. Mudou muito, mas fiquei 25 anos lá.



P/1 - E ainda na infância, você pensava o que você queria ser quando crescesse? Você tinha esse sonho de profissão, ou não?



R - Não, não, porque eu estudava em escola pública. E eles, na época, não falavam muito sobre profissão, faculdade… e aí eu não tinha… não sabia o que eu queria ser. Costureira, não dava. Não dava (risos). Queria alguma coisa relacionada a papéis, leitura, alguma coisa assim.



P/1 - E como é sua lembrança da escola?



R - Ah, muito legal também, porque o pessoal do bairro estudava na mesma escola. Então era muito… pessoas conhecidas e a gente criou também vínculos até hoje, também, ali pelos bairros. Era muito legal.



P/1 - Tinha algum professor marcante, ou professora?



R - Tinha, tinha uma professora de Matemática, que eu lembro dela até hoje. Professora Sandra. Tinha a professora Karen, de Português, eu era apaixonada por elas. Eu lembro delas até hoje. Tem algumas que eu não lembro o nome, mas eu lembro da aparência da pessoa.



P/1 - Por que elas foram marcantes?



R - Ah, assim, porque eu gosto muito de Matemática. Então ela ensinava muito bem e ela acabava sendo amiga da gente, era muito legal. Parecia da periferia mesmo, era muito legal (risos).



P/1 - E como você ia pra escola?



R - A gente ia de uniforme. Na época tinha uniforme, tudo bonitinho. A nossa época era bem exigente, as escolas públicas.



P/1 - E vocês iam a pé, iam de…



R - É, é a pé, a pé, porque era perto.



P/1 - Era perto.



R - É, a duas quadras da nossa casa.



P/1 - E como seguiu a sua formação? Você continuou nessa escola até o final, ou você chegou a mudar?



R - Não, fiquei até o final. Fiz até o segundo grau lá.



P/1 - E como foi essa época, já maior, entrando na juventude? Como você se divertia?



R - Assim, eu sempre corri atrás das coisas que eu queria. Então eu queria trabalhar, eu queria arrumar dinheiro pra comprar minhas coisas, porque o que meus pais ganhavam não dava pra muito. Então eu comecei a trabalhar com quatorze anos, em casa, como doméstica. E aí comecei a trabalhar como doméstica e foi indo. Depois entrei pra empresa terceirizada, de limpeza. Até eu chegar no porto.



P/1 - Mas me conta, como foi esse primeiro trabalho, começar novinha ainda. Você tem recordações?



R - Assim, foi meio complicado, porque aí eu fui trabalhar em Santos, na casa de uma senhora e fiquei trabalhando pra eles. Eles eram muito legais, o pessoal. Eu fiquei bastante tempo lá.



P/1 - E como era o seu dia a dia? Você morava em São Vicente, estudava em São Vicente e trabalhava em Santos?



R – Isso. 



P/1 - Como que era a sua rotina?



R - Ah, eu trabalhava de dia, à noite ia pra escola.



P/1 - E você pôde vivenciar um pouco a cidade de Santos, você frequentava alguns lugares? Ou era só trabalho, mesmo?



R - Ah, frequentava ali na orla da praia, no Gonzaga. Tinha shows lá, que eu ia. Só, assim. 



P/1 - E, Luciana, você lembra o que você fez com seu primeiro salário?



R - Gente, eu comprei roupa, na época (risos). Foi. Assim, eu sou muito mão fechada (risos). Eu juntava dinheiro. 



P/1 - Como que foi pra você essa sensação de trabalhar, de começar a trabalhar, de receber pelo trabalho?



R - Ah, uma sensação de liberdade. Assim, ter meu próprio dinheiro, comprar o que eu quero… 



P/1 - E já crescendo, ficando um pouquinho maior, a juventude, como você se divertia?



R - Assim, a gente… eu saía com as minhas amigas. Aí, na época, tinha baile, a gente ia (risos) pelo bairro ali, também. E festinhas, pagodes, era assim a minha diversão (risos).



P/1 - E tinha paqueras?



R - Ah, sim, tinha (risos). A namoradeira, (risos).



P/1 - Teve algum relacionamento marcante que você queira contar, ou não?



R - Assim, eu conheci o meu ex-marido no porto e foi… eu fiquei quatorze anos com ele. É uma história com ele, marcante, porque ele era conhecido lá e trabalha no que eu gosto. Aí eu tive meu filho como ele. Então foi um relacionamento marcante pra mim. Uma história da gente, foi bacana.



P/1 - E nessa empresa terceirizada de limpeza, foi o seu segundo trabalho, né?



R - Isso.



P/1 - Quantos anos você tinha?



R - Eu tinha dezenove. Tinha dezenove, quando eu entrei. Pode falar o nome da empresa?



P/1 - Claro.



R - Então, entrei nessa empresa terceirizada pra trabalhar ali pra terminais. Aí fiquei lá por um período de tempo. Aí foi quando eu me apaixonei, aquela movimentação de máquinas, de container, navio. Aquele monstro ali. E aí fiquei pouco tempo lá, aí me mandaram pra Concais. Aí fiquei lá e aí eu busquei os conhecimentos, pra ver como dava pra eu voltar pra empresa, pra Libra [Terminais], tal. E aí acabei correndo atrás, estudando. Aí entrei noutra empresa terceirizada e voltei pra Libras de novo, trabalhar lá. Aí entrei na recepção. Aí eu fui estudando. Depois entrei na área patrimonial, fiquei lá um bom tempo. Foi quando também eu conheci meu ex-marido lá e aí acabei me casando. Aí fiquei lá uns cinco anos. Aí eu saí de lá e fui pra Brasil… Santos Brasil. Aí já fui pela empresa, mesmo.



P/1 - E Luciana, antes de você entrar no porto, você tinha esse desejo de trabalhar lá?



R - Não.



P/1 - Não, foi sem querer?



R - Sem querer e eu nem sabia que existia aquele lugar, tal. Um barato.



P/1 - E como você ficou sabendo desse trabalho?



R - Então… ah, quando eu cheguei lá. Quando eu cheguei lá, porque aí me levaram até lá, no porto, e aí eu fui conhecendo, vendo aquela movimentação. E achei lindo, aquela adrenalina que é, que tu não para. E me apaixonei.



P/1 - O que te fez se encantar pelo porto?



R - A movimentação. A entrada do navio, a saída do navio. As embarcações, a movimentação. Caminhão rodando ali, o pátio. E todo mundo com aquela adrenalina. Eu me vi, porque eu sou assim. E aí eu amei. É uma… foi um amor à primeira vista.



(22:27) P/1 - Você se lembra do primeiro dia de trabalho?



R - Ah, lembro. Eu lembro que aí me levaram lá, só que não dava pra ver quase nada. E aí eu fui até a cozinha, lá do escritório onde eu estava limpando. Aí tinha uma janelinha pequenininha, aí eu fiquei olhando por ali, aquela movimentação. E aí eu falei: “Ah, quero isso pra mim”. Eu (risos) gostei, foi paixão mesmo, à primeira vista (risos).



P/1 - Qual era a sua função? Como funcionava o seu trabalho?



R - Na limpeza? Então eu cuidava dos escritórios, eu limpava os escritórios e bem no lugar da operação, dos ______ e tal, lá. E todo mundo com aquela adrenalina, pra lá e pra cá, aquela… e eu não entendia quase nada. Não sabia nem o que eles estavam fazendo. Foi assim.



P/1 - E você via muitas mulheres trabalhando…



R - Não.



P/1 - ... com você no porto? Não?



R - Não, eram muito poucas as mulheres. Era mais na limpeza, na recepção. Era muito assim, era só homem.



P/1 - E isso chegou a te intimidar em algum momento, ou não?



R - Não, não (risos). Eu só queria buscar conhecimento pra ver onde… como eu ia chegar lá, como ia conseguir.



P/1 - Onde você queria chegar?



R - Ah, então, na operação, como movimentava aquele navio. E aí eu fui buscando conhecimento ali dentro como que fazia, como que… que faculdade estudar. E assim eu ia sondando.



P/1 - Se você puder contar pra gente como foi esse período, de ir perguntando, de ir descobrindo os caminhos possíveis, pra chegar. Como você descobria? Você perguntava, como foi?



R - Eu tinha um pouco de contato com as meninas da recepção. E aí quando eu ia limpar lá e aí eu perguntava pra elas mesmo, tipo assim: “Vou começar por debaixo”. Pelo, assim, escanteio. E aí: “Ah, onde você fez tal curso pra entrar aqui, tal?” Aí elas iam contando e eu ia anotando. E aí eu fui buscando.



P/1 - E quanto tempo você ficou nessa empresa terceirizada?



R - Eu fiquei um ano lá. Eu fiquei um ano, porque eu fui pra outra empresa. Eu fui pra Concais. Ali, na Libra, eu fiquei pouco tempo. Foi o tempo de eu descobrir como que fazia e tal. E aí me levaram lá pra outra. Falei: “Não acredito”. Aí me tiraram, me tiraram de lá. E aí eu fui correr atrás dos cursos, fui fazer e aí eu entreguei numa empresa que eu nem sabia que ia trabalhar na Libra e aí eu fiz. Aí eu mandei currículo pra lá, quando me chamaram, aí: “Ah, vou te levar pra empresa onde você vai”, que era uma terceirizada. Aí marcaram o ponto comigo, me levaram. Quando eu chego lá, era a Libra. Levou, é muito incrível, falei: “É de Deus, voltando pro mesmo lugar”.



P/1 - E como você se sentiu?



R - Nossa, quando eu coloquei o pé assim, eu falei: “Não, é de Deus isso”, está voltando e eu nem sabia. E aí eu trabalhei, aí eu entrei como recepcionista. Dava a entrada dos estivadores, ali no cais, ali mesmo. E depois fui estudando, aí eu fiz curso pra vigilante e entrei na área patrimonial, lá dentro.



P/1 - Quanto tempo você ficou como recepcionista?



R - Eu fiquei dois anos. E três como vigilante.



P/1 - Como foi esse período, pra você?



R - Ah, eu amava fazer tudo que eu fazia lá. Porque eu trabalhava à frente do navio. Aí entrava, aí eu dava entrada do pessoal que subia a bordo. Eu adorava e eu era a única mulher, o resto era tudo homem. E era muito legal. Ali eu tinha um contato com as operações, ali na área.



P/1 - E teve algum momento marcante, nessa época, pra você, um dia que você se lembre?



R - Ah, todo dia era adrenalina ali, todo dia era (risos). Eu lembro de movimentação, de container, entrada de navio. Eu lembro dos meus amigos que trabalhavam ali comigo. Era muito legal, amizade que eu levo pra vida inteira. Até hoje a gente tem contato. E os estivadores também, porque alguns eu conheço até hoje.



P/1 - E como era ser a única mulher?



R - Era muito legal. Tu era paparicada. Era muito (risos) respeitada, era muito legal.



P/1 - E como você decidiu começar esse curso de vigilância? Como era? Você não queria parar, é isso? 



R - Não, eu não queria parar. É isso. Eu queria crescer. Pra ir subindo, tal.



P/1 - E como foi esse curso?



R - Ah, foi legal, que é sobre a segurança. Era bom assim, também, que lá não precisava trabalhar armada, assim. Era muito legal.



P/1 - E por que essa área?



R - Olha, tudo me levou. Tudo me levou, não sei. É porque… é tipo quartel. A gente cuida ali, tudo ali do porto: a entrada, a saída e precisa de um vigilante. E era o meu perfil, na época.



P/1 - E você lembra como ficou sabendo desse trabalho?



R - De vigilante? Sim. Meu supervisor falou que ia contratar mulheres lá pra vigilante, aí eu fui lá, corri e fiz o curso (risos).



P/1 - E como foi receber a notícia de que você tinha passado?



R - Ah, foi sensacional. Aí mudei de posto também, fui pra outro lugar, foi bem legal. Eu fui melhorando.



P/1 - Nesse você ficou mais tempo, né?



R - Isso, esse eu fiquei três anos.



P/1 - E teve algum momento marcante? Como era, pra você, trabalhar nessa área?



R - Assim, o que eu fazia como recepcionista, eu só troquei de posto e continuei fazendo as mesmas coisas. Cuidando do pessoal que ia entrar, dos estivadores, na época. E o que entrava dentro do navio também, ali dentro também do porto, mercadorias que entravam.



P/1 - Tinha alguma das atividades que você mais gostava de realizar?



R - Não, assim, eu gostava de todas que eu fazia lá.



P/1 - E, nesse período, você teve algum momento desafiador?

 

R - Todo dia, viu, era desafiador. Porque, na época, trabalhar com os estivadores, eu sentia muito, assim: achavam que mandava naquele lugar e aí tinha muita confusão. Muita, muita mesmo. De bater boca. Era bem complicado. Era aquela adrenalina.



P/1 - Você se lembra de alguma situação que queira dividir com a gente?



R - Ah, assim, quando eles ameaçavam a gente. Acabavam ameaçando: “Eu vou te pegar em tal lugar!” Era bem complicado. Eu não tinha medo. Na época eu não tinha filho, tal. Acabava enfrentando-os. Era um pouco perigoso, na minha época, naquela época. É como se eles mandassem ali no porto. Era bem complicado também.



P/1 - Mas como funcionava isso? Era por algum tipo de preconceito deles?



R - Não, era tipo assim: começava a operação, aí eles entravam. Quando acabava a operação, eles queriam ir embora e não podia. Tinha que esperar o ________ liberar e eles queriam. Se não deixasse eles saírem, aí começava aquela confusão, aquele quebra pau. E aí tu tinha que enfrentar. Era bem complicado essa parte.



P/1 - Você lembra de algum dia que você enfrentou?



R - Ah, sim (risos). Eu enfrentei ali, que ele falou que ia me pegar lá fora. Aí eu falei: “Tá bom, eu saio às dezoito horas e tu me pega lá fora” (risos). E acabou, teve um rapaz que estava alcoolizado, lá naquela época eles entravam assim, bêbados, às vezes drogados. E aí uma vez eu saí, ele estava me esperando mesmo, perto. Eu pegava um ônibus, tipo no posto, porque eu cortava os pontos dele. O trabalho deles, eu cortava. Então o trabalho eu tirava trezentos, na época, e era muito dinheiro. Só que ele não fez nada, ele só balançou a cabeça e eu passei. E depois ele veio até pedir desculpas, que ele estava errado, tal. E eu achei uma situação legal, bacana da parte dele. E acabei ficando amiga dele. Assim, ele viu, tipo: eu não tive medo dele, enfrentei. E ele viu que ele estava errado, mas quando eu o vi no ponto, perto do ponto, eu morri de medo. Eu falei: “Pronto, agora eu vou morrer. Agora ele vai me catar aqui, eu tô lascada”. Foi bem complicado.



P/1 - Tiveram outras situações?



R - Não, só na outra empresa, a Santos Brasil (risos). Foi. Eu fui fazer quase o mesmo trabalho, lá. E quando eu entrei lá, na outra empresa, a Santos Brasil, não era pra fazer esse trabalho, que eu deixei bem claro pro meu gerente da patrimonial, falei: “Olha, não vou lidar com os estivadores. Não vou dar entrada neles e tal”. Aí ele: “Não, não é pra isso. Você só vai ficar na portaria, pra dar entrada das mercadorias, tudo que entra, tudo que sai do porto”. E aí, tá bom. Aí esse trabalho na Santos Brasil, quem fazia eram os vigilantes. E aí, muito tempo eu estava lá e aí meu gerente falou: “Ó, Luciana, agora você também tem que dar entrada dos estivadores”. Falei: “Ai, isso não vai ser bacana, não vai ser legal, porque todos eles me conhecem, isso vai dar confusão” (risos). Porque quando talhava o navio, eles vinham com tudo. E aí teve um também que quando talhou o navio, eu não podia liberá-los, aí ele começou a xingar, tal. E aí eles ficaram de boa depois, só que aí quando pediram pra eu estar liberando, aí eu liberei, aí quando chegou na vez dele, ele começou a me xingar de tudo que é nome. Aí eu não aguentei, aí eu já abri a boca, a gente começou um quebra pau, eu fui andando pra pegar a barquinha, acabei indo atrás dele, saí do sério. Foi bem complicado.



P/1 - E o que aconteceu?



R - Ah, ele foi embora me xingando. Ele não voltou pra trás, porque eu fui atrás dele, eu fiquei muito nervosa na época, falei: “Ai, não dá certo eu com os estivadores” (risos).



P/1 - Mas você tinha como repassar isso pra supervisores, ou você ficava sozinha?



R - Sim, a gente passava para os supervisores, mas não tinha muito o que fazer. É como que eles mandavam ali no porto, eles tinham que vir fazer o trabalho. Então não tinha muito o que fazer.



P/1 - E como é, pra você, principalmente nessa época, ser mulher, estar nesse ambiente portuário? Como você se sentia?



R - Assim, eu gostava do que eu fazia. Então eu estava feliz onde eu estava. Mas era complicado nessa parte com eles, porque aí tu tinha que se impor, era complicado essa parte.



P/1 - E aí foi nesse período que você conheceu o seu ex-marido?



R - Sim, eu já tinha conhecido, quando… lá na Libra. Na Santos Brasil eu já era casada com ele.



P/1 - E como foi o começo da relação de vocês?



R - Ah, foi bem bacana, foi bem rápido também. Eu tinha 23 anos, ele 32 e a gente acabou namorando acho que seis meses e a gente já foi morar junto, depois a gente casou e depois de oito anos eu tive o Pietro, meu filho. Foi bem legal. Porque aí as nossas conversas eram a mesma coisa. Tipo o trabalho, era bem legal.



P/1 - E isso nunca foi uma questão pro relacionamento de vocês?



R - Não, nunca.



P/1 - E como foi contar pra sua família que você estava trabalhando no porto? Como que sua família recebeu essa notícia?



R - Então, a minha mãe não conhecia muito, não conhecia. Meu pai, tranquilo pra ele. Ele também gostava de fazer. E aí foi tranquilo, não tinha medo, não.



P/1 - E aí, Luciana, depois desse trabalho na área patrimonial, como que seguiu sua... como que foi seguindo sua vida, os caminhos?



R - Então, aí eu… como meu marido, meu ex-marido trabalhava nessa… no porto também. Teve uma época que ele teve que sair da empresa, foi pra outra empresa e a gente foi pra Belém do Pará, que ele teve, foi como gerente, pra lá. E aí acabei saindo do trabalho e fui acompanhá-lo lá em Belém do Pará. E aí eu fiquei lá pouco tempo também, uns seis meses, acabei voltando e aí eu fiquei como do lar mesmo. Mulher do lar. Aí tive o Pietro. A minha mãe adoeceu. Ela já era meia… ficou… ela, antes de eu ir pra lá, ela já estava enferma. E acabei ficando e cuidando dela. E aí fiquei do lar, com meu filho, só ele trabalhando, mas eu queria muito voltar. Só que ao mesmo tempo eu não podia voltar, porque não tinha quem cuidasse da minha mãe. Só que aí eu não parava de estudar, não parava. Fazia especialização na área. E minha mãe, cada vez mais, foi piorando. E eu que corria atrás de tudo, cuidava dela. E quando foi, há cinco anos, eu acabei me separando. E aí continuei cuidando da minha mãe, do meu filho. E aí eu entrei na Fatec, pra fazer Gestão Portuária. E aí fiquei lá um ano, tive que trancar, porque minha mãe piorou e eu ficava só dentro do hospital com ela. Pra cuidar tudo sozinha, do meu filho, dela. Essa minha irmã ajudava muito, era eu e ela e meu outro irmão. O outro sempre trabalhou, não dava pra ajudar muito. E aí eu tranquei a faculdade, que eu também amava estudar lá. Foi muito difícil deixar. Aí eu falei assim: “Ah, então eu vou estudar online, fazer uma faculdade online. Aí acabei fazendo Logística. Estudando e ao mesmo tempo, eu cuidava deles. Aí ano passado minha mãe veio a falecer e meu filho estava com oito anos. E aí eu falei assim: “Agora é hora de eu voltar, agora não tem mais nada que me prenda e eu vou voltar”. E além da faculdade fui fazendo outras especializações e aí, quando foi esse ano, eu consegui voltar, e assim, foi… as pessoas viam: “Lu, tu está muito feliz”. E eu: “tô, voltei a fazer o que eu gosto, de estar onde eu gosto, é minha segunda casa. E eu não vou parar de estudar”. Me formei, é bem legal.

 

P/1 - Luciana, eu vou voltar um pouquinho, tudo bem?

 

R - Uhum.



P/1 - Como foi, pra você… queria saber, se você puder resgatar e compartilhar o sentimento mesmo, de ter que se afastar, sair do porto? Esse período em Belém do Pará, como foi esse momento, pra você?



R - Ah, foi muito difícil, muito, muito. Parar de trabalhar, de fazer o que eu gosto, foi doloroso pra mim. Porque eu gosto também de ser dona do lar, cuidar. Mas nada melhor do que estar fazendo o que você gosta, de ganhar o teu dinheiro. E cada vez mais a minha mãe piorando e eu falei: “Pronto, acabou. Eu tenho que cuidar dela. Não tem como”. E aí, pra mim, foi muito difícil largar tudo. 



P/1 - Você compartilhava com alguém isso, ou ficou mais guardado?



R – Não. Ficou mais guardado, mas tinha as pessoas que eu conversava, assim: “Você é maluca” De, queria trabalhar… não gostaram. E aí eu guardava pra mim, porque às vezes as pessoas não entendem. E também não podia falar pra minha mãe não achar que era um peso sobre a minha vida. E aí eu guardava pra mim, mas eu continuava estudando. Minha mãe falava: “Ah, vive no meio dos papéis (risos) estudando. Só pensa em estudar, só pensa em estudar”. Era o que me inspirava pra viver.



(44:20) P/1 - E o que você estudava? Pra qual área você estava caminhando?



R - Ah, assim, tudo que envolve o porto. Estudar armazém, trabalhar no armazém. Importação e exportação. Aí eu consegui também um curso pelo sindicato, agente logística portuária, que engloba todos, tudo ali do porto. Aí também fiz, que envolve plano, segurança, tudo. E aí fiz tudo isso e ainda continuo fazendo. E aí falei: “Vou fazer Logística, não tem como”. Eu continuava na Fatec, na faculdade, lá eu fazia Gestão Portuária. Então era o que mais se encaixava, do que a logística. Online não tinha Gestão Portuária, não tem Gestão Portuária. E o único caminho era estudar Logística, foi aí que eu acabei entrando na Logística.



P/1 - Luciana, como foi se tornar mãe, ficar grávida?



R - Ah, foi muito gostoso, porque demorei oito anos pra engravidar. Eu demorei muito pra engravidar. Aí quando eu engravidei, foi tudo. Ele é minha paixão, meu filho.



P/1 - E o que a maternidade representa na sua vida?



R - Ah, a ter mais força. Eu sou outra mulher, mais cabeça. Assim, mais… mais responsável. Ele me inspira a correr atrás dos meus objetivos, mostrar quem é a mãe dele. É isso.



P/1 - Se você quiser compartilhar um pouquinho desse momento de entrar na Fatec, de fazer Gestão Portuária. O que te encantava nesses estudos? Como funciona um pouco? A gente está muito distante, a nossa realidade aqui em São Paulo é outra. Se você puder contar um pouquinho desse funcionamento, do que te encanta, o que te toca…



R - É, então. Eu não ia fazer. E meu filho… eu conheci a mãe do amiguinho do meu filho na escola e aí meu papo sempre foi assim, quando a gente vai falar de profissão, e aí eu contando a minha história. Aí tinha uma moça que veio de Minas Gerais, que a filhinha dela estudava com meu filho e ela queria estudar alguma coisa e ela soube que ia abrir vaga na Fatec. E ela falou assim: “Luciana, tu não quer fazer a prova? Pra gente entrar”. Falei: “Nossa, mas é tão difícil, uma faculdade pública”. E ela: “Não, mas vamos fazer. Não é a tua paixão? Você não quer?” Falei: “Não sei, acho que eu não vou fazer não”. Porque eu achava que eu não ia voltar mais, ia ser dona do lar. E ela falou assim: “Se você não fizer a inscrição, eu vou fazer e eu vou pagar, mas você vai”. Aí tá. Depois de um tempo: “Luciana, fiz tua inscrição”. Aí eu falei: “Ah, eu não acredito, eu não acredito, eu nem estudei, nem nada” “Ó, vai ser tal dia, tal”. Falei: “Ah, tá bom”. E nisso eu quase nem estudei. E era muito difícil entrar na Fatec, pra conseguir essa vaga. E aí chegou no dia, eu falei: “Ah, não vou passar, não”. Aí eu fiz toda a prova, bem difícil e aí, depois de um mês veio e estava meu nome, que eu tinha passado. Aí falei: “Não, é de Deus isso aí, é pra eu estudar mesmo, pra eu voltar pra área”. E aí eu entrei na faculdade, ela também conseguiu. Nós duas conseguimos. Ela acabou também não concluindo, porque ela foi embora pra Minas Gerais, voltou de novo. E era muito bacana, porque envolve a gestão portuária, envolve todas as funções do porto. E lá a gente tinha que estudar mesmo, fazer artigo dentro da área do porto. Era muito legal. Eram as matérias que eu me identificava. Era muito legal. Tanto que, pra eu sair, eu saí chorando da faculdade. Saí chorando, eu falei: “Mais uma vez eu vou ter que desistir”. Foi bem difícil. Só que eu falei: “Não, não vou parar, eu vou estudar online”. Porque a Fatec, a gente tem que se dedicar, fazer artigos, estudar de madrugada. E aí eu passava meu tempo mais dentro do hospital, com a minha mãe. Ela começou a piorar. E aí acabei saindo, mas, pra mim, foi bem um trauma, assim, (risos) pra mim.



P/1 - Teve algum desses trabalhos, desses artigos que mais te encantou?

 

R - Ah, foi um que a gente falava sobre o dry back, que é fazer operações lá que não precisam fazer alguns pagamentos contratuais, ali. Foi bem legal esse trabalho. Fui eu e minhas duas meninas.



P/1 - E você falou da função do porto. Como é, pra você, o que… qual é a importância do porto? Qual é a função dele pra cidade, pro país? Como você enxerga isso?



R - Ah, então, o porto engloba a nossa economia. Tudo que entra, tudo que sai do Brasil. Então traz uma economia pra gente e é uma das maiores empresas aqui no Porto de Santos. Entrada de carga, de containers aqui da Baixada. Então é um crescimento pra gente aqui da Baixada, o porto.



P/1 - E essa despedida da Fatec? Se você quiser contar um pouquinho mais, como foi esse momento?



R - Ah, foi complicado (risos). Eu saí, assim, foi bem complicado. Chorando. Só que eu falei assim: “Ah, não vou desistir dos meus sonhos. Eu vou continuar estudando” e continuei estudando, até me formar. Falei: “Nossa, consegui”. Mas ainda faço algumas especializações na Fatec, ainda. Porque aí eu criei amizade até com o meu coordenador do curso. Então ele me manda uns cursinhos que tem no mês de julho, mês de dezembro e eu acabo fazendo. É muito legal, eu tenho amizade com eles até hoje. Porque eles sabem da minha história, como foi difícil. Às vezes eu tinha que fazer prova e minha mãe estava no hospital, quase morrendo. Era bem complicado.



P/1 - Teve algum desses cursos, de todos os que você já fez, que te marcou mais?



R - Só a importação e a exportação, que eu gostei de fazer. Acho que todos que eu gosto de lá, tudo o que envolve, que tu vai aprendendo. Porque o porto é tão grande e cada um tem a sua função. E eu sempre fui curiosa. Eu quero saber o que cada um está fazendo, e eu quero aprender, porque… aí acaba aquilo virando uma caixinha pra você, porque, ah, eu sou muito curiosa.



P/1 - E qual é a diferença pro curso de Logística?



R - Então, o curso de Logística, eles ensinam sobre, assim: trabalhar no armazém, o que entra, o que sai da nossa economia. Como planejar, como executar. E não tem… tem algumas matérias dentro do porto, porque logística tu pode trabalhar no mercado, trabalhar no Banco. Tudo. Nossa vida é uma logística. E aí o que eu mais gostava de fazer era sobre a área do porto. Quando falava de importação, exportação, armazém, cuidar de um armazém, como cuidar do armazém. Era diferente da Gestão Portuária, que tinha mais cursos falando sobre o porto. Aí, por isso que eu gostava mais da Gestão Portuária.



P/1 - E você se formou?



R - Me formei.



P/1 - Como foi a experiência de formação? Teve que fazer algum trabalho final?



R - A gente não fez trabalho, não. Só concluí as provas. Me formei pela Uninter. E foi bem legal. Falei: “Ufa, consegui” (risos). Bem complicado.



P/1 - E, nesse período, enquanto você se formava, você também cuidava da sua mãe?



R - Cuidava da minha mãe. E foi assim que ela… porque eu terminei ano passado. Então era cada vez pior. E do meu filho, porque eu estava separada. Bem complicado.



(55:27) P/1 - E, Luciana, como foi perder a sua mãe? Como foi esse momento, pra você?



R - Assim, a gente sabia que ela ia partir. Mas a gente achava que ela vai partir, mas pra gente não, porque como ela era uma mulher muito forte, muito, e amava a vida, não queria morrer de jeito nenhum. E, pra mim, foi complicado, porque ela ficou uma época no hospital. Foram duas semanas. E ela se agarrava muito em mim. Se eu estivesse por perto, ela não tinha medo. E aí, pra mim, foi complicado porque, na noite anterior, ela gritava o meu nome, pra eu ir lá e ela acabou falecendo na madrugada, sem força de gritar mais, de tanta dor. Foi bem complicado.



(56:29) P/1 - Momentos contraditórios da vida, né? Tipo, se formando, um passo importante, mas, ao mesmo tempo…



R - E eu tinha que me fazer forte, por toda a família. Sou quase a caçula dos irmãos, mas eu sou tipo a mãezona, a mãe da família. Tanto que, até hoje eles falam que eu sou a minha mãe. Morreu ela, ficou eu. A gente é muito igual, pela força que a gente tem de viver. Então eu nunca poderia cair, sabe?



P/1 - E aí depois de um tempo, você… não sei, se candidatou pra alguma vaga, pra voltar pro porto, como foi essa volta?



R - Sim, eu me candidatei para uma vaga que eu fiquei sabendo, pra operadora de gate e vistoriadora. E aí me chamaram em dezembro, passei em uma entrevista e aí selecionaram algumas pessoas. Contrataram quatro pessoas e eu fiquei de stand by, caso pintasse mais uma vaga, eu entrava. Aí quando foi abril desse ano me chamaram pra entrar. E eu fiquei muito feliz de voltar.



P/1 - E me conta: quando você fez, prestou esse… é de prestar o concurso? Não sei como é… 



R - Não, não, é só entrevista. Meu ex-marido trabalha lá, nessa mesma empresa. Então ele falou que ia pintar uma vaga, pra eu me cadastrar. E acabaram me chamando.



P/1 - Mas demorou um tempinho, né? Como foi esse momento, pra você?



R - Demora porque tu faz entrevista com o supervisor do setor e aí tu faz alguns exames periódicos, tal. Aí se passar em tudo, tu... eu ia ser contratada.



P/1 - E como foi receber a notícia, em abril desse ano?



R - Ah, um frio na barriga, porque está voltando, e meu filho já tem nove anos. Eu falei: “Pronto, ele está pronto, mais independente. E tipo assim: eu vou voltar na época certa”.



P/1 - E Luciana, você percebeu transformações no porto? Pensando naquele primeiro momento em que você entrou, mais nova, em outra época, o que você pôde perceber de transformação?



R - Nossa, mudou muito. Mudou a segurança. Eles estão maiores. A operação está melhor. Até os estivadores não mandam mais tanto (risos). Acabaram sendo contratados pela empresa. Não tem mais aquela… porque o porto era meio aberto, porque não tinha uma norma de segurança, que é ISPS-Code. E agora tem. Então não entra qualquer pessoa lá dentro. Tanto que a gente não pode entrar com celular, a gente não pode entrar com nada de tecnologia. A gente só entra com a roupa do corpo ali, alguma coisa pra gente comer. Então a segurança melhorou pra gente. E ficou muito maior, mais fechado o local. Antes não, era muito aberto, todo mundo entrava, era meio bagunçado.



P/1 - E operadora de gate, como funciona, de verdade?



R - Gente! (risos) Então, eu trabalho, eu faço a vistoria do container. Eu sou tipo um olho da BTP, nos containers. Então ele passa por um pré gate, faz um cadastro. Aí eles vêm, passam por mim, eu trabalho assim: no tempo, na chuva, no sol, pó. Tipo um trabalho meio masculino mesmo. E aí eu vistorio todo o container, se está em perfeita condição, se está rasgado, se está amassado, se está aberto. Porque, se estiver assim, não entra, é cancelado o container. E aí tem uns lacres também, dos armadores, dos donos da carga. E aí eu tenho que colocar no sistema. Se estiver batendo tudo certinho, ele entra e vai para o gate. Lá no gate eles fazem a entrada. Veem qual é a quadra que eles vão colocar o container, se vai retirar, se vai levar. E eu também faço esse trabalho, porque, às vezes, quando precisa lá, eu tenho que ir pra lá também, fazer o trabalho. E assim é o meu trabalho ali.



P/1 - E é por turno?



R - É por turno, trabalho seis por dois. Seis de manhã, seis de tarde, seis de madrugada, à noite.



P/1 - E como é isso pra você?



R - Assim, à noite é mais complicado pra poder dormir de dia, porque eu quase não durmo, porque tem meu filho, tem escola, tem a comida (risos). E aí é mais complicado o turno pra mim. Aí, os outros horários não, os outros horários são bons, que são de manhã ou à tarde. Essa madrugada mesmo, eu trabalhei na chuva, foi muita chuva. Aí a gente fica com o teclado. Um teclado, não, um tablet e rádio, lanterna, um monte de coisa. Capa de chuva e aquela chuva e aí é maior sufoco, assim, bem... (risos).



P/1 - Você se lembra de algum dia bem desafiador, pra você?




R - Ali quase todo dia é assim, porque lota de caminhoneiros, de caminhão. E aí fica ali, lotado de caminhão, de container. E a gente fica correndo pra lá e pra cá, é bem complicado.



P/1 - E aí é uma função, um cargo super operacional, né?



R - Isso, super da operação. E está em contato com o pessoal da operação. Às vezes está lotado, tem que parar ali pra entrar um pouco, porque está saindo. É bem agitado, é o que eu gosto, é aquela agitação, tu não para. É a noite toda tu em movimento.



P/1 - Era isso que eu queria te perguntar: você chegou, você está caminhando… você está mais realizada por estar nesse cargo? Era isso que você via na janelinha, quando você estava trabalhando…



R - Ainda não, ainda não. Ainda quero buscar mais conhecimento, eu não parei, não é ali, não (risos). Agora é só um começo da minha entrada no porto. Às vezes eu falo que eu queria ser mais, um pouquinho mais novinha, porque quero ter tempo de estar crescendo.



P/1 - E como é, pra você, o que significa exercer uma função que, antigamente, historicamente, costumava ser realizada por homens?



R - Ah, eu me sinto orgulhosa, porque hoje os homens respeitam a gente. Respeitam mais, acho que tem até medo da mulher estar ali, invadindo o porto. E aí eu me sinto super realizada, igual eles. Não me sinto superior a eles. O que eles fazem, eu faço e faço até melhor.



P/1 - E como você vê a ascensão das mulheres do porto e da empresa, no seu trabalho?



R - Como assim?



P/1 - Como você enxerga a ascensão das mulheres? Você percebe que cada vez mais tem mais mulheres trabalhando, tem mais espaço pra as mulheres ocuparem o porto, ou não?



R - Sim, sim. Eles querem colocar mais mulheres ainda. Está até pouca, assim. Eles estão preparando as mulheres, porque falam que a gente é mais visual. A gente fica mais atenta, a gente tem mais cuidado, bem assim. O homem é mais agitado.



P/1 - E você trabalha com outras mulheres?



R - Não, eu sou a única na minha equipe (risos). Cada equipe tem uma mulher, são poucas mulheres lá ainda, no porto. Tem bastante caminhoneiras, que é da Antt. Na operação tem algumas, mas é mais no administrativo que tem mulheres. Agora ali, no nosso setor da operação, não tem muitas, não.



P/1 - E o que você acha que pode ser feito para que mais mulheres comecem a entrar em cargos operacionais?



R - Ah, elas quererem. Querer, gostar de entrar no porto. Enfrentar, não ter medo. É braçal mesmo, é… tem que gostar de adrenalina, porque é punk. É barulho, é caminhão pra tudo que é canto, containers subindo e descendo. Tem que gostar. Tem que gostar.



P/1 - E, Luciana, você já passou por algum tipo de preconceito, discriminação, por ser mulher?



R - Não. Assim, às vezes, o olhar deles. Acham que tu não vai conseguir. “Ah, essa aí vai desistir, vai desistir fácil. Não vai aguentar muito, não”. Porque eles até falam. Esse trabalho que eu faço, porque a gente dá entrada de, às vezes, 150 caminhões por hora, oitenta por hora e é muita… Tem homem que não aguentou, pediu as contas, saiu. Então não era apaixonado pelo porto, porque só fica quem é apaixonado, do que gosta de fazer ali, que está ali na operação.



P/1 - E você se lembra de uma história marcante de trabalho? Algum sufoco, alguma história engraçada? Ou de alguém?



R – (risos) Não, não. Assim: lembro só da agitação. Aquela discussão de caminhoneiro querendo entrar e não poder, aquelas brigas, lembro disso (risos).



P/1 - E, Luciana, se o container vem aberto, vem danificado, qual é o procedimento?



R - A gente tem que cancelar. A gente tem que cancelar esse container, aí ele volta pra transportadora dele, pra dar um jeito no container, pra reparar o container, pra fechar o container. Às vezes, ele vem com lacre, com attach, não vem na porta certa, a gente também tem que cancelar, eles têm que voltar. E aí é complicado, porque tem que tirar foto, tem que falar: “Ó, está cancelado, você tem que voltar”. E aí tem uns que não entendem, já querem discutir, quebrar o pau ali. É bem chatinho. Ou, então, quando vem rasgado. Vem direto. Porque são muitos caminhões, muitos containers.



P/1 - E há algum tipo de material específico, líquido, não sei, ou não? São vários? 



R - Tem. São várias cargas. Dentro do container, você não sabe o que está vindo, a gente não tem acesso. A gente sabe quando é produto explosivo. Os perigosos a gente sabe, porque vem com símbolos no container, eles… mas os outros, não. Porque pode vir um monte de mercadoria dentro de um container só. Então a gente não sabe, porque não vem com… como se fala? Com a notificação do produto.



P/1 - E o que você mais gosta, no seu trabalho?



R - Ah, é a agitação. É a agitação de estar pegando meu rádio, de estar pegando meu tablet, (risos) indo pra área. E aí começa aquela movimentação, o pessoal falando no rádio e aí aquilo já me dá um tesão pra trabalhar. É bem legal, coisa de louco mesmo (risos).



P/1 - E pensando nessa sua trajetória profissional, quais foram os maiores aprendizados?



R - Conhecer como movimenta o porto. De onde vem a mercadoria, pra onde vai a mercadoria. E ter acesso aos navios. Assim, não era ali do meu mundo, na época. Então, pra mim, é um conhecimento que eu achava que nunca ia conhecer, bem legal.



P/1 - E hoje, como é pra você, conhecer? Faz parte do seu mundo?



R - Ah, faz. Do meu mundo, da minha história, vou carregar pra sempre. Assim, não fui eu que escolhi. Foi o destino que escolheu por mim. Não era nem o desejo da minha mãe. Mas… minha mãe queria que eu fosse costureira, fazer o que ela fazia, que ela ia embora, ninguém ia pegar essa profissão, porque eu era a única mulher. Falei: “É mãe, infelizmente eu não vou poder te dar esse desejo (risos), eu não sei ficar parada na máquina, costurando”.



P/1 - E, Luciana, como você enxerga essa questão de dupla jornada de trabalho, da mulher? Como é conciliar o trabalho e as outras demandas da vida, com filho, como é isso pra você?



R - Ah, eu acho que as mulheres que têm essa jornada são muito guerreiras, porque… principalmente eu, que sou eu e ele. Eu tenho que cuidar de tudo, tem que ter organização. E eu acho a gente guerreira, a gente nunca pode estar cansada. A gente tem que estar sempre disposta. É bem complicado. Mas também é o que me traz força pra viver, pra querer mais. Graças a Deus, acho que eu não sabia viver sem isso, mais (risos).



P/1 - E como é o seu dia a dia?



R - Ah, então, o meu dia a dia é uma correria. Quando eu tô na madrugada, eu chego, durmo um pouco, uma horinha, já levanto. A minha irmã, essa minha irmã cuida do meu filho. Ela fica comigo lá em casa e só na folga ela vai embora. Então ela me ajuda nos afazeres da casa, aí eu já vou fazer almoço. E aí prepará-lo pra escola e é trabalho de escola, é prova de escola. E ele tem nove anos, ele quer tipo: mãe, mãe, mãe 24 horas. E aí quando ele vai pra escola eu consigo descansar. E aí eu também faço inglês, à noite eu tenho aula de inglês também, eu tenho que preparar as lições do inglês. Também tem os cursinhos da BTP, que ela fornece pra gente. Tem uma faculdade online, vários cursinhos que ela dá pra gente pra gente estudar. E a minha vida é essa: é estudar, pra casa, trabalhar… e aí eu aproveito meu tempo quando ele está com o pai dele, que ele vai pra casa do pai dele de quinze em quinze. Aí eu consigo respirar um pouco pra fazer algumas coisas, me divertir.



P/1 - E o que você gosta de fazer, nas horas de lazer?



R - Ah, eu gosto de estar com as minhas amigas, num barzinho, conversar um pouco, cinema. Meu filho ama cinema. Então a gente está direto no cinema. Passear com ele. Ir na igreja, eu amo estar na igreja, meu sábado é na igreja ou numa sexta-feira, minha vida espiritual, lá na igreja, ou me divertindo com meu filho.



P/1 - E como a pandemia chegou na sua vida? Como que… se ela afetou, pensando nos aspectos pessoais e profissionais.



R - Minha mãe tinha acabado de falecer, ela morreu em março. Depois de duas semanas veio a pandemia. Começou a expandir e, no comecinho, eu não… você acha que vai melhorar, você não cai na real. Mas aí quando você vai perdendo alguns amigos, eu perdi alguns conhecidos. Eu não peguei Covid, eu ficava mais dentro de casa, com meu filho. Então, foi bom, na época, eu não estar trabalhando. Mas não foi muito ruim pra mim. O ruim é que eu perdi algumas pessoas, alguns amigos. Foram dois amigos, só. Mas foi bom que a gente teve mais contato ali dentro de casa, foi mais escola. Aí fui reformar o meu apartamento, estudar. E acho que pra mim não afetou muito. Porque minha mãe já tinha falecido. Então se ela estivesse viva, pra mim, ia estar complicado, porque eu não saía de dentro do hospital. E aí, não… pra mim, foi assim, não foi tão ruim na pandemia.



P/1 - E tem alguma atividade que você gosta muito de fazer com o seu filho?



R - Ah, a gente não faz muitas atividades, não (risos). Porque ele é muito preguiçoso pra atividade. Eu faço ginástica em casa, pelo programa. E aí, eu faço. Ele gostava muito de natação, mas agora não quer voltar pra natação (risos). E agora que está voltando, assim, né? E eu moro perto da praia, então a gente vai caminhar um pouco na praia, volta.



P/1 - Você não mora em Santos?



R - Não, eu moro em São Vicente.



P/1 - Como é esse trajeto?



R - Do trabalho pra casa?



P/1 - É.



R - Ah, então, eu vou de carro. A BTP, pra mim, minutos eu tô na BTP, porque ali eu moro perto de Santos. De carro em dez minutos tu está em Santos. E aí tu acaba fazendo tudo em Santos também. É rápido ali, de São Vicente pra Santos.



P/1 – E, Luciana, onde você mora?



R - Eu moro em São Vicente.



P/1 - E você era... acho que você chegou a comentar um pouco, mas eu queria, se você puder contar um pouquinho, como você percebe as influências, esses impactos do porto na cidade, não só de Santos, mas nessas cidades próximas, dessas regiões? Como você vê essa relação?



R - Assim, é…



P/1 - O impacto mesmo, do porto.



R - Ah, é… impacto? Como assim? É…



P/1 – Tipo, você acha que... não sei, é uma pergunta mesmo. O que o porto influencia, desde a vida das pessoas que trabalham nele, até pensando de uma maneira geral, pro funcionamento das cidades, funcionamento do país...



R - Ah, impacta tudo, porque, igual eu te falei, a nossa economia depende do porto. É tudo que entra, tudo que sai. Agora mesmo, os caminhões estavam parados, porque eles fizeram greve, então se ficasse muito tempo, ia impactar tudo: os mercados, a chegada dos alimentos, o combustível. Até mesmo as importações, pra ir pra fora. Impactou, tipo, dez dias que ele fica, o porto fica parado, a gente quebra, a Baixada quebra. Para tudo: mercado, hospital, combustível. Então a gente depende do porto.



P/1 - E o que o porto de Santos representa, na sua história?



R - Ah, tudo. Tudo, a minha história ali. Eu fiz… eu faço parte ali do porto. Comecei lá há vinte anos, sem conhecimento algum pra onde eu iria. Então, pra mim, eu sou muito feliz de estar ali dentro, tanto que eu não queria trabalhar em agência nenhuma de importação e exportação. Eu falei: “Eu quero voltar pra dentro do porto, que lá eu me encontro”. E foi onde eu encontrei uma pessoa também, que eu fiz uma história, tive o meu filho, o amor da minha vida. Então o porto, pra mim, vai ser tudo. E eu dependo do porto também (risos).



P/1 - E quais são as coisas mais importantes pra você, hoje?



R - Ah, é o meu filho, a minha família, alguns amigos que ficaram do meu lado na hora que eu mais precisei. É isso aí.



P/1 - E quais são os seus maiores sonhos?



R - Meu maior sonho (risos) é poder chegar onde eu quero, me sentir realizada. É ver meu filho crescer, sendo independente, sendo um homem de bem. É ficar velhinha e vê-lo casando, ter meus netinhos (risos). É isso o que eu sonho pra minha vida, realizada, tudo que eu planejei. Estou planejando.



P/1 - E onde você quer chegar?



R – Nossa, eu quero chegar nas operações lá dentro. Alguma área dali. Estar movimentando aqueles containers. O navio, tipo uma _______, uma ______, é onde eu quero chegar.



P/1 - A gente está encaminhando pro fim e eu queria saber se você gostaria de acrescentar algo mais, contar de alguma passagem, alguma história que tenha te marcado em algum momento da sua vida e que eu não tenha te perguntado. Ou deixar uma mensagem.



R - Não (risos).



P/1 - Foi tudo? (risos). Você gostaria de deixar alguma mensagem pras mulheres? Não sei.



R - Ah, eu falo assim pras mulheres que elas nunca parem de sonhar e de acreditar que elas vão chegar, porque com força, com vontade, a gente chega onde a gente quer, na hora que a gente quer, é só querer, é só seguir esse olhar pro universo, que você vai chegar lá.



P/1 - Por fim, Luciana, eu queria saber como foi pra você ter sido convidada pra contar um pouco da sua história e como foi essa tarde, ter dividido um pouquinho, ter lembrado desde a infância, das brincadeiras, do seu bairro, de onde você veio e ver tudo o que conquistou e todos os sonhos, ainda, que você quer conquistar, como foi?



R - Ah, foi assim, quando me ligaram eu estava até meia soneca. E depois eu fui falando. “Ah, você vai falar da sua infância, tal”. E aí você para pra pensar na tua vida, porque nossa vida é tão agitada e a gente nem, às vezes, para e pensa e aí já dá aquela sensação, vontade de chorar, de lembrar de onde a gente veio, o que a gente passou pra chegar. Foi bem emocionante estar aqui, lembrando de onde eu vim, onde eu cheguei, onde eu quero chegar. Acho que enquanto há vida, a gente não pode parar. É querer mais, é seguir, é sonhar porque, se você não sonhar, você morre. Então a gente tem que sonhar todos os dias.



P/1 - Obrigada, obrigada, que delícia! Obrigada por estar aqui com a gente, por topar dividir um pouco da tua história. Quando tudo estiver pronto, prometo que a gente te envia.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+