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Engenharia é de família

História de: Marcelo Figueira de Almeida Albuquerque
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/10/2014

Sinopse

Origem da família em diferentes lugares da Europa. Vida em diferentes países durante a infância. Escolha do curso de Engenharia por influência do pai. Entrada na White Martins como estagiário. Cotidiano de trabalho no laboratório de testes para material de soldagem. Processo de desenvolvimento do biogás. Avanço tecnológico na área de cilindros em vinte anos. Conquista do título de Mestre. Mudança do setor técnico para a área de marketing. Aplicações de gás no cotidiano.

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História completa

 

P/1 – Bom Marcelo pra gente começar, deixar registrado, eu queria que você me falasse seu nome completo, local e sua data de nascimento. 

 

R – Marcelo Figueira de Almeida Albuquerque, nasci em Niterói estado do Rio de Janeiro em 15 de Agosto de 1966.

 

P/1 – E o nome dos seus pais?

R – Rubens Lunger de Almeida Albuquerque e Maria Josete Figueira de Almeida Albuquerque.

 

P/1 – E dos seus avôs?

R – Por parte de pai e por parte de mãe? Tudo? 

 

P/1 – Isso, os quatro.

 

R – Otávio Vaz de Almeida Albuquerque, Aladim Lunger de Almeida Albuquerque, Lenina Figueira Machado e José... Não to lembrado agora o sobrenome dele porque eu não conheci, faleceu. Era José “alguma coisa” Machado.

 

P/1 – Marcelo me conta um pouquinho da sua família, a origem da sua família, o que seus avôs faziam, se eles vieram de outros lugares...

 

R – Bom, por parte de mãe eram todos brasileiros, mas de origem portuguesa né? Por parte de pai a minha avó era brasileira, porém a minha bisavó seria austríaca e alemã. Então por isso o sobrenome Lunger e tal, e minha avó era nascida em Curitiba né? Então eu tenho alguns familiares em Curitiba também né? Então eu diria que é uma mistura Europeia, a maioria do Brasil e por parte de mãe Portuguesa e por parte de pai tem aí um lado austríaco e alemão.

 

P/1 – E qual era a atividade profissional dos seus avôs, dos seus pais? 

 

R – Meu avô era economista, por parte de pai. Se aposentou pelo Banco do Brasil. Meu pai era engenheiro naval na Petrobras, trabalha até hoje 72 horas e não quer se aposentar. Foi o primeiro engenheiro naval civil da Petrobras, porque só tinha militar, né? Minha avó é professora, mas na maioria do tempo foi do lar. E meu avô por parte de mãe era administrador.

 

P/1 – E a bisa? Tem irmãos Marcelo?

R – Tem dois irmãos. O mais velho que é engenheiro e o mais novo que é economista. Valorizo muito. Somos muitos amigos. 

 

P/1 – Bom e agora eu queria que você me falasse um pouco sobre a sua infância, do bairro que você morava, das coisas que... Como que era sua casa, algumas memórias assim marcantes que você teria.

 

R – É, eu diria que eu tive uma infância que realmente muitos brasileiros gostariam de ter. O que eu lembro muito da infância é brincar, brincadeira, né? E isso eu procuro dar para os meus filhos também hoje porque acho que é importante a criança brincar. Eu lembro muito dos meus irmãos, a diferença de idade não é muito grande, é dois anos pra cada um então a gente brincava bem junto e também teve muita viagem, né? A gente morou no exterior, meu irmão mais novo é Dinamarquês. Então até uns oito anos, até uns nove anos de idade a gente viajou muito, moramos fora e foi uma experiência que apesar de não lembrar muita coisa, principalmente quando eu era criança, um bebê quando a gente foi pra Dinamarca, eu acho que fica. Porque eu sempre gostei de viajar, inclusive profissionalmente, então deve ter alguma ligação, né? Então eu lembro muito dos meus irmãos, das brincadeiras, meus pais sempre presentes, minha mãe mais enérgica, mas são lembranças sempre positivas.

P/1 – E como foi essa história de vocês morarem na Dinamarca?

 

R – Nesse tão falado aí, final da década de 60, o Brasil não tinha estaleiros com condições de construir navios de grande porte. Então se eu não me engano, na Dinamarca meu pai foi para a Petrobras pra liderar, gerenciar a construção de navio. Depois disso teve a Alemanha. Na Dinamarca meu irmão nasceu lá, o mais novo, eu tinha dois anos de idade. Então, conhecendo meus pais e fazendo uma comparação com os dias de hoje é completamente diferente. Foi em 69 exatamente, a gente morou quase um ano na Dinamarca, minha mãe foi grávida pra lá, teve filho lá, longe dos parentes, não tinha celular, telefone você tinha que pedir a ligação durante o dia pra ligar a noite, vocês não podem imaginar como seria isso não é? Então eu acho que eles foram guerreiros. Com dois filhos ir para Europa, pra Dinamarca sem comunicação, ter um terceiro filho lá sem saber como ia ser, outra língua completamente diferente. Meu pai diz que a experiência que ele teve fora acrescentou muito na vida dele. Como experiência de vida. Então teve Dinamarca em 69 depois teve em 74, que foi época da Copa na Alemanha né? Mas aí foi outro motivo, meu pai tinha que ir para lá pra recuperar um navio que tinha pegado fogo. E por último a viagem mais duradoura que teve foi no Japão que foi em 76, 75 por aí. Então foram culturas diferentes e com certeza pra eles foi muito mais proveitoso do que pra nós que éramos crianças, mas eu me lembro que aproveitamos bastante coisa. 

 

P/1 – O que quê você lembra de mais marcante?

 

R – Eu lembro da gente jogando beisebol no estacionamento do nosso prédio, eu lembro das lojas de Tóquio, dos shoppings, né? No Brasil não tinha isso ainda, então você vê uma loja de departamento de dez andares muitas vezes na vertical, no Japão é tudo apertado, mas você tinha um aberto só pra criança e eu me lembro perfeitamente que cada brinquedo tinha um aberto pra criança utilizar. E isso nós estamos falando de quase 35 anos atrás, já tinha aquele conceito de que tinha sempre um brinquedo aberto pra criança brincar, então era comum. Tinha mais um casal de brasileiros lá também trabalhando na Petrobras. Então minha mãe saía muito junto, né? As esposas saiam com seus filhos. Então era comum as esposas chegarem no shopping e deixar as crianças no andar tranquilo com total segurança e a gente ficava quantas horas fossem necessárias brincando sozinho e as mulheres passeando, compras. Mas foi uma experiência. Me lembro muito bem a gente fazer natação, judô no Japão. Uma rigidez muito grande, o meu irmão mais novo que era o mais levado ficava todo dia de castigo ajoelhado de frente pra bandeira do Japão, era o castigo ficar ajoelhado no chão frio de frente pra bandeira do Japão se fizesse alguma coisa errada e todo dia ele tava lá.

 

P/1 – Isso, deixa eu só voltar um pouquinho pra ela? Por que que o seu pai foi pro Japão, pra Petrobras?

 

R – Era construção de navios.

 

P/1 – Marcelo conta pra gente como vocês foram para o Japão, se foi um projeto da Petrobras.

 

R – Foi um projeto, eram três navios que estavam sendo construídos no Japão, meu pai foi gerenciar a construção desses navios. Acho que vale a pena comentar, eu valorizo muito o esforço dos meus pais porque tanto na Alemanha como no Japão, mesmo estando começando aí na escola, a gente era criança, na Alemanha eu tinha seis anos, no Japão oito ou nove anos. A gente não perdeu nenhum ano, minha mãe dava aula pra gente, ela conseguia, ela recebia a matéria do colégio aqui do Rio e como era professora dava aula pro meu irmão mais velho e pra mim, meu irmão mais novo era muito novinho ainda. Então tinha aquela ginástica, aquela preocupação de não perder o ano. Então a gente sempre voltava pro Brasil e se encaixava. Tanto que eu fui fazer... Primeiro ano que eu completei direto no Brasil sem ter opção foi a terceira série. Minha mãe até diz que eu tinha mais dificuldade de falar português porque misturava tudo. Era um esforço grande deles de educar e a preocupação de perder ano e atrasar na parte escolar.

P/1 – Marcelo me conta uma coisa, você falou essa coisa da sua família, do esforço dos seus pais. Você tem alguma memória das festas de família, alguma coisa marcante?

 

R – Ah sempre, sempre. Eu acho que é uma coisa que marcou muito e eu e meus irmãos hoje em dia como chefes de família, se a gente pode falar isso hoje. A gente busca preservar o amor da família como um todo. Então lá em casa, a família do meu pai era mais numerosa. Então as festas de final de ano foram muito marcantes, diversos natais com Papai Noel, fui Papai Noel umas duas vezes e o negócio crescia, a animação da família era tanta que antes do natal, vizinhos já pediam “pede pro Papai Noel pra passar lá no natal em casa.” Começou no prédio depois foi pra rua e o negócio foi crescendo e sempre muito animado. As recordações que eu tenho da minha família, não só do núcleo familiar do meu pai, mas os meus tios, meus avós, sempre muito boas. A gente tem a oportunidade, como todo mundo mora espalhado no Brasil e fora do Brasil, a gente teve a oportunidade há uns meses atrás de rever a família toda aqui na Barra, aqui em casa fazendo um evento aí pra estar todo mundo junto. Então isso é muito importante e a gente tem que tentar passar isso para os nossos filhos.

 

P/1 – Marcelo, sua mãe é professora, né? E eu queria que você falasse como que foi sua trajetória escolar, quais foram suas primeiras escolas, as escolas que você passou, como foi essa coisa de estudar no Japão depois voltar? 

 

R – Eu comecei a estudar no jardim, né? Lá em Niterói. Minha mãe conta uma coisa engraçada, que eu sempre gostei muito de comer biscoitinho desde criança e ela diz que teve uma época que eu tinha uns cinco anos de idade e eu não queria levar mais lanche pra escola, então não levava mais. Aí ela diz que depois de uma semana a professora chamou ela lá e perguntou: “O que está havendo, por que o Marcelo não está mais trazendo lanche e fica pedindo pra cada um dos amiguinhos um pouquinho porque ele não trouxe de casa?” A minha mãe achou estranho, chegou em casa e perguntou: “Marcelo o que é que está havendo? Eu quero que você leve merenda, leve lanche e você diz que não?” Me deu uma bronca aí depois eu tive que admitir que era uma escolha que eu fazia, porque não levando eu comia um pouquinho de cada um. Diferente, né? Então ela conta essa história, engraçada realmente. Mas foi o jardim lá em Niterói, depois fui pro Instituto Abel, que é um colégio religioso. Católico, que eu estudei desde a primeira série até o pré-vestibular. São várias recordações, eu e meus irmãos. Guardo recordações muito boas também. Tenho amigos até hoje que a gente mantém contato lá do Abel, que a gente chamava de Abel, o colégio Lassalista. E eu diria que morei em diversos lugares já devido à vida profissional, mas Niterói fica no coração. Adoro aquilo ali e volta e meia toda vez que eu volto lá é sempre bom, meus pais moram lá, minha família por parte de pai, por parte de mãe moram tudo lá também.

 

P/1 – E essas memórias do colégio, têm alguma memória que você mais gostava?

 

R – Eu sempre gostei muito do esporte. Sempre, lá em casa eu tive um incentivo muito grande pro esporte. Meus pais sempre acompanharam muito a gente então eu fiz natação, gostava de futebol, tudo que era esporte eu gostava, mas fazia de forma competitiva natação dos cinco até os 17 anos e foi muito bom pra saúde. Da escola até o pré-vestibular minha mãe que era, a gente falava que era a general. Depois do pré-vestibular em diante meu pai tinha que tomar a frente. Faculdade e tudo mais. Até porque meu pai foi um aluno exemplar na faculdade então a cobrança era alta. Mas na escola, o Abel foi muito bom. Eu lembro de viagens que a gente fazia, viagens que a gente fez pra Campos do Jordão pelo colégio, umas duas ou três viagens maravilhosas com o grupo. Eu acho que existe ainda o paiol grande, futebol, tinha sempre campeonato de futebol, as amizades. Me lembro na década de 80, todo final de semana tinha show em Niterói na época que a MPB, que a música MPB brasileira tava estourando. Roupa nova, Cor do Som, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, todo final de semana tinha show em Niterói e a gente tava sempre indo com os amigos. Então eu acho que a minha infância e a minha juventude foi muito boa, as lembranças muito positivas amigos, primos, muito ligado a Niterói. Então, quero dar a mesma oportunidade pros meus filhos. O desafio é grande.

 

P/1 – E esses amigos que você saía quem eles eram, outros amigos, você lembra como era a moda da época?

 

R – Eu tinha vários círculos de amizade tipo, o pessoal da natação que eu saía bastante e chegou uma época que tinha competição todo final de semana e volta e meia competição entre os estados também, São Paulo, Paraná e a gente saía bastante. Tinha muitos amigos do colégio também, da escola. Que também era sempre praia, ou futebol, sair à noite pra cinema, a moda eu não consigo lembrar muito não até porque eu nunca fui muito ligado nisso. As meninas são mais ligadas nessa parte. Mas era muito bom, aí tinha o pessoal da escola e da natação e tinha um pessoal também, outro círculo de amigos nossos que era o pessoal lá de Teresópolis. Naquela época, hoje em dia não é mais assim, era comum ter três meses de férias, então as férias começavam início de dezembro até final de fevereiro. Então três meses que a gente passava em Teresópolis, meus pais tem casa em Teresópolis, tem casa ainda lá. E foram meses muito bons também. A gente subia pra lá, só descia pra ir ao dentista. Três meses lá era uma maravilha. Até hoje eu tenho muitos amigos de Teresópolis. Tem um pessoal amigo meu que morava no Rio, então durante o ano a gente se via pouco porque nós éramos adolescentes, crianças. Mas final do ano tava sempre junto. Era muito bom.

P/1 – Então Marcelo, nessa época você já começou a pensar o que você queria fazer da vida na sua carreira profissional, que vestibular que você ia prestar?

 

R – Eu lembro que de cara eu decidi que Medicina eu não faria. Não dava pra essa atividade não. Eu lembro que pensei em fazer Educação Física porque eu gostava muito de esporte. Daí depois acho que foi uma influência muito branda porque meu pai se preocupava muito em não me influenciar de nenhuma forma. Não ter que fazer isso ou aquilo, deixava que a escolha fosse nossa, mas sem dúvida influenciava o fato dele ser engenheiro. Eu me lembro, eu era criança ainda em uma dessas viagens pro exterior, prova de mar é a primeira viagem do navio. Então meu pai levava a gente pra fazer prova de mar e aí você tá no meio, né? Aí visitava o motor do navio, a praça de máquinas do navio, você visitava a parte técnica, então isso vai passando, vai entrando no sangue. Então eu acho que naturalmente depois eu defini por engenharia, pensei em fazer engenharia naval. Porque eu gostava, aí ele influenciou um pouquinho: “não, faz mecânica que é mais aberto o campo de trabalho e tudo mais.” Até porque quando eu me formei, foi em 89, tava muito difícil no Brasil. Década de 80 foi muito complicada, né? Completamente diferente de hoje. Então, meu irmão mais velho se formou em 87, se não me engano, e também 89 não tava fácil não. Então, acho que a engenharia sem dúvida teve influência branda aí do meu pai. 

 

P/1 – Marcelo nessas viagens com seu pai, esse seu contato por ele trabalhar na Petrobras, você já tinha parado pra pensar na questão da cadeia do gás?

R – A questão do gás? 

 

P/1 – Do gás, é. 

 

R – Não, sinceramente não. Eu não tinha essa visão, eu acho que na verdade a gente escolhe muito cedo a profissão e a vida mostra isso pra gente, né? Acho que eu acertei, mas podia ter errado como muita gente. Claro que você vai depois adequando. Eu costumo dizer até que eu fui engenheiro um dia, é uma brincadeira, obviamente que a engenharia é fundamental. Na atividade que eu exerço hoje apesar de ser a linha mais executiva é importante, eu não diria que é fundamental mas ajuda muito, né? No que eu faço hoje, mas eu não tinha essa visão na época.

 

P/1 – E durante a faculdade teve alguma matéria que você se apaixonou mais? Alguma área que você pensou “Não, eu quero me especializar nessa.” 

 

R – Essa pergunta é difícil hein? Se apaixonar por alguma matéria de engenharia. Eu diria que tem algumas que a gente odeia. Como cálculo. Todo engenheiro que você perguntar, vai falar a mesma coisa. Ah tem uma... Naturalmente. Eu como comecei a estagiar muito cedo, comecei a estagiar no quinto período de engenharia. Na White, eu tive a oportunidade de estagiar dois anos e meio na White. Então eu comecei a estagiar no momento que a gente entra no profissional do curso de engenharia. Você sai do ciclo básico que realmente é muito chato, cálculo, física, cálculo um, dois, três, quatro, cinco, seis e assim vai, muito difícil e você faz aquilo e não sabe o porquê. Aí quando você entra no profissional, aí você começa a ter um contato com a engenharia propriamente dita, você começa a se motivar mais. E é muito melhor, e foi junto de eu ter iniciado na White. Então ajudou muito e dentro da Engenharia Mecânica você tem opções. Você vai pra engenharia, vai pra parte da área térmica. Tem área mole e área dura. Área dura é a parte de materiais. Eu fui pra área que chama térmica, né, termodinâmica que eu gostava mais. Que tinha a ver com a White Martins. Acho que contribuiu sem dúvida.

 

P/1 – E essa história do estágio na White, você lembra como que você conseguiu esse estágio, da entrevista, do processo? 

 

R – Totalmente, tudo, tudo, tudo. Na verdade apareceu a oportunidade do estágio no quadro de engenharia mecânica da UFRJ. Meu irmão estudava na UFRJ no Rio, eu estudava na Universidade Fluminense em Niterói na UFF. Aí ele, não me lembro porque meu irmão já estava estagiando, ele comentou comigo e disse que não ia. Eu acho que ele chegou até a fazer uma entrevista, mas ele disse que não ia. Eu acho que a oportunidade era pra quem estava no sexto período, não me lembro bem em detalhes. Mas enfim, eu fui fazer a entrevista, fiz a primeira entrevista com o pessoal do RH e passei por essa fase. Depois eu fui chamado para fazer entrevista pelo supervisor da área que era o NLrival Nunes que está na White ainda, um grande amigo hoje. Só que nesse meio tempo eu tinha torcido o joelho, eu jogava futebol, tinha torcido o joelho, ainda não tinha operado e tinha entrevista, tava de muleta e não conseguia nem andar e falei: “Como que eu vou fazer a entrevista de estágio.” Eu tava já estagiando na verdade, tinha duas semanas que eu tava estagiando numa empresa em Niterói. Mas a White Martins se eu conseguisse passar na White, com certeza eu ia pra White. Aí eu fiz minha mãe me levar de carro, sair de Niterói e me levar lá na Avenida Brasil na Rua Washington Luiz e ela ficou esperando do lado de fora no carro. Eu tirei a muleta, entrei sem muleta. Mancando um pouco. Eu lembro que eu entrei e o Lorival... Eu fui apresentado ao Lorival ali na entrada, no RH da fábrica e a gente foi andando até o local de trabalho, lá no laboratório. Saudade. E o Lorival andando rápido e eu pensei: “Pô, como é que esse cara anda rápido assim?” Não dava pra andar, mancando um pouquinho, uma preocupação boba. Enfim, marinheiro de primeira viagem. Primeira entrevista mesmo numa empresa grande. Enfim, eu fui selecionado e na hora de fazer exame médico, eu tava fazendo exame médico, seguindo lá todo o ritual aí tudo certinho, o médico falou: “Agora agacha.” Não, aí eu falei: “agachar não dá.” Joelho todo inchado, não tinha jeito. Provavelmente que não tinha nada a ver de ser selecionado ou não. Umas paranóias de... Eu tinha 19 anos então, garoto. 

 

P/1 – E você lembra do seu primeiro dia de White Martins? O primeiro dia de trabalho? 

 

R – Me lembro, tentaram me dar trote o dia inteiro. 

 

P/1 – Tinha trote? Como que era? 

 

R – Nossa, eu acabei tendo que afiar uma lima, ninguém afia lima, mandaram eu afiar lima. Aí eu comecei a ficar esperto. Aí, mandaram eu pegar um tênis industrial. Tinha ticket lanche, pegar o ticket lanche. O pessoal fazia de tudo no laboratório, era um ambiente muito descontraído. Profissional, era o laboratório ali de... Que testava os novos equipamentos e produtos, a parte de desenvolvimento. Novamente, era muito bom. Eu lembro que eu entrei na White, na época tinha onze mil funcionários, onze mil funcionários, né? Tinha outras áreas que hoje não têm, mas era um ambiente muito positivo ali, Eu acho que ali naquele parque industrial onde tinha a fábrica de equipamentos de soldagem e a fábrica de equipamentos criogênicos que hoje existe ainda, ali chega a ter mil funcionários, ou mais. E eu me lembro que eu saía, eu estudava de manhã na UFF, almoçava rapidinho ou não almoçava, pegava o carro, ia direto. Saía de Niterói pra ir direto pra Washington Luiz na Avenida Brasil. Então tudo correndo. Alguns dias era de ônibus, porque eu tinha carro alguns dias, nos outros dias eu não tinha carro. Revezava com o meu irmão e assim ia.

 

P/1 – Me conta um pouquinho como que era a estrutura da White na época, assim em termos, como que era o laboratório? A fábrica de soldagem, um pouquinho do maquinário.

 

R – Era uma estrutura, pra época, né? Muito forte, impressionável. O maquinário de primeira linha, primeira vez no Brasil e realmente impressionável pela organização e desde daquela época o cuidado com a segurança, isso aí impressionava muito. A White sempre. Vinte anos de White Martins sempre foi... Sempre passou essa preocupação muito grande com a segurança, saúde e meio ambiente. Então desde que você é estagiário você já começa a viver nessa cultura da empresa. Sem dúvida, já era uma empresa de ponta. Então estagiar na White era, era muito bom. Eu lembro que eu falava na faculdade. Me perguntavam: “Ah como é que você tá? Tá estagiando aonde?” “Ah tô estagiando na White Martins.” Aí “ah, legal.” E tal e já tinha uma repercussão positiva no ponto de vista de que... Um engenheiro estagiando na White Martins, empresa industrial e tal. Já tinha uma repercussão positiva.

 

P/1 – Marcelo, você ficava no laboratório de desenvolvimento. Quais eram as suas primeiras funções, como que eram divididas as funções no laboratório, tinha um supervisor, um coordenador. Como que funcionava?

 

R – No laboratório tinha um supervisor responsável por coordenar todas as atividades. Na verdade, prestava-se muito serviço pra área de engenharia, a engenharia desenvolvia protótipos de novos produtos, muitos ligados na área de soldagem. Então, máquinas de solda, maçarico, regulador de pressão, bicos de corte, e os novos... Os protótipos eram construídos e passavam pela nossa avaliação. Então, o nosso trabalho era prestar serviço pra área de engenharia, pra área de desenvolvimento, avaliando e qualificando os novos produtos. Então era muito bom porque era sempre coisa nova. Tudo que era produto novo em desenvolvimento passava pelo laboratório em que eu tava envolvido. Então você tinha que desenvolver, você recebia máquina de solda, maçarico, produtos completamente diferentes e você tinha que desenvolver um procedimento de teste, critérios de análise. Não era nem um pouco rotina. Você tinha um supervisor, a base superior tinha um engenheiro, engenheiro mecânico, você tinha técnico de mecânica, técnico de elétrica, tinha uma estrutura muito técnica e voltada realmente pra qualificação de novos produtos, desenvolver novos produtos. Muito positiva.

 

P/1 – Teve algum produto que você chegou a analisar, que você pegou e que te marcou bastante? 

 

R – Eu vivenciei muito, nessa parte da área de desenvolvimento da White, nesse laboratório, como eu falei fui pro laboratório de criogenia, que mexia com a parte de gases, com outros equipamentos. Tanto que depois eu vim até a fazer mestrado. Nos primeiros cinco anos... Tempo de estágio e durante cinco anos como engenheiro eu fiquei muito tempo lá na área técnica, mas foi positivo, me deu uma base, você solidifica o que você aprende tecnicamente e isso foi positivo. Tem momentos engraçados que eu lembro, no laboratório de soldagem, a White naquela época já começou a fazer alguma coisa de gás natural e era o biogás na época, o metanol, que chamava “gás do lixo” loucamente falando. E ia ter uma visita, e era muito embrionário ainda no Brasil. Ia ter uma visita da diretora da White, com, não sei, alguém de fora, acho que do governo. Eu era estagiário na época e não lembro. E precisava ter os cilindros, os cilindros eram rosa, só que a gente não tinha os cilindros e precisava fazer isso, era sexta e a visita era segunda. Então a gente passou o final de semana num sábado e parte do domingo pegou cilindro de acetileno e tivemos que lixar todos os cilindros na mão e eu tava lá no sábado. Eu já gostava desses desafios. Não só eu, mas o meu supervisor foi junto e todo mundo teve que lixar seis ou doze cilindros, não me lembro agora. Na mão, tirar o preto e ai, no sábado e ainda tinha que por o rosa, a gente pensou: “Onde a gente vai arrumar esse rosa?” Aí vai lá pega tinta branca, tinta vermelha, acetileno e já faz o cilindro de acetileno dentro do parque industrial também, a gente fez o rosa lá e eu sei que segunda de manhã estavam lá os cilindros rosas pintados. O pessoal da fábrica achou a graça. O cilindro rosa, né? Mas era, até hoje é a cor do gás natural. Brincadeira, coincidência ou não eu sou responsável pela fábrica de cilindros da White. Então eu pintei os primeiros cilindros rosas da White Martins como estagiário e assim vai. A gente tem que ter criatividade. Porque, como que você vai conseguir arrumar tinta no sábado? A gente pegava um pouquinho na fábrica de acetileno, na outra fábrica e ali dentro mesmo fazia a mistura. Tem diversas passagens assim.

 

P/1 – E tinha espaço pros estagiários conseguirem exercer essa coisa assim de criatividade, de criação? 

 

R – Tinha, tinha. Você escolhia projetos. O programa de estágio nosso sempre foi muito forte. Hoje é muito mais difícil, antes você tinha programas. Todo ano a gente apresentava trabalho, apresentava pro diretor da empresa, pra você dava um peso maior. E diversos trabalhos nas áreas de desenvolvimento e teste, era bem... Chegava a um acordo com a tua chefia imediata, mas dava espaço pra gente ser bastante criativo. A gente sempre valorizou muito o que a gente chama de “prata da casa.” Eu me lembro quando eu era estagiário e assisti um vídeo, tipo esse que a gente tá fazendo aqui só que era na época o Presidente Félix Bulhões falando os depoimentos e eu me lembro do vídeo e ele falando do programa de estágio. A importância de você formar mão de obra dentro da própria empresa, sempre teve essa preocupação. 

 

P/1 – Marcelo, você falou, vamos voltar um pouquinho. A fábrica de soldagem, como que era a relação do laboratório com a fábrica, vocês visitavam a fábrica?

 

R – O laboratório era dentro da fábrica, só que o laboratório tinha uma chave magnética e só entravam pessoas autorizadas ali dentro, então tinha um pouquinho de... O pessoal dali, só autorizado entra. Mas era muito boa a relação. Era dentro da fábrica. Pra você entrar no laboratório você tinha que botar o capacete e estar com todos os itens pra chegar dentro do laboratório. Mas a relação era positiva, eu não me recordo de momentos negativos. Óbvio que uma vez ou outra podia ter algum problema, mas natural, nada anormal não. Em geral o ambiente era muito bom, descontraído, com estagiário então... Obviamente que quando eu me formei, quando eu recebi o primeiro estagiário eu tive que aplicar os trotes também, né?

 

P/1 – E tem uma tradição assim, dos trotes? Alguns que continuam acontecendo ou vai mudando?

 

R – Hoje em dia eu acho que não tem mais. Pelo menos que eu me recorde. O mundo mudou. A preocupação hoje é outra, mas eram trotes sadios, sempre pra quebrar o gelo de quem tá chegando preocupado. Pra mim foi muito importante, eu ter recebido trote no primeiro dia foi muito importante porque quebrou o gelo, eu tava muito preocupado no primeiro dia, primeiro dia de trabalho em empresa grande. Eu lembro que no dia anterior eu conversei umas três horas com meu pai trocando experiência e eu todo preocupado em como ia ser. Então eu nem imaginava quando você recebe um trote ou brincadeira você pensa: “Espera aí, o ambiente não é tão sério assim.” É muito importante isso aí, como hoje em dia a gente tem que buscar outra forma também ter esse ambiente agradável no nosso dia a dia. Afinal de contas a gente passa mais tempo dentro do trabalho do que mais perto da família durante o dia com certeza.

 

P/1 – Marcelo, o desenvolvimento assim, tanto da fábrica de soldagem quanto do laboratório que na verdade, você acompanhou no seu processo de estágio pra hoje assim, como que você vê esse desenvolvimento? As coisas mais marcantes nesse processo que você acha que a White agregou, que mudou?

 

R – Na minha vida profissional a fábrica foi a base de tudo pra conhecer, conhecimento técnico, né? Quando a gente fala hoje, você vê vinte anos depois eu tô responsável por uma fábrica hoje, tenho a fábrica sob minha responsabilidade e é impressionante como aquilo que eu aprendi vinte anos atrás como estagiário e nos primeiros anos como engenheiro são importantes. A preocupação com qualidade, a preocupação com processos, é impressionante como que fica. Uma outra coincidência é que na primeira semana de estágio, na época, o meu supervisor me levou pra conhecer a fábrica de cilindros Cilbras que hoje eu sou responsável, e eu como estagiário fiz vários testes, isso aí eu gostava. Eram testes de cilindros, cilindros novos, desenvolvimento, você tinha que testar, você tinha que simular condições de incêndio e o cilindro não podia explodir. E eu como estagiário, sendo muito sincero, torcia pra explodir, porque quando explodia era um negócio diferente. Como engenheiro não queria que explodisse, mas quando explodia era um negócio fantástico, aquele cogumelo, aquele negócio todo. Eu participei desse teste que hoje a gente faz ainda, a gente faz uns testes semelhantes. Então é o seguinte, a fábrica de equipamento de soldagem, junto da fábrica de equipamentos criogênicos, o laboratório, eu comecei a me aprofundar no laboratório de criogenia. Já no centro tecnológico, depois criaram o centro tecnológico Rio que era dentro do parque industrial que eu comecei. Toda essa fase aí foi até 1994 e foi muito importante pra mim do ponto de vista técnico, foi aonde eu fiz o mestrado, me liberaram pra fazer o mestrado ali na UFRJ, que é perto, estamos falando ai de... Sei lá cinco quilômetros? Então eu saía, tinha aula às 14h, então eu saía 13h30, minha gerência me liberava, viam que eu tava fazendo... Estudando um assunto que tinha interesse, tinha a ver com a atividade da White. Eu ia lá assistia a aula voltava, fiz assim e foi um ano e meio de aula e pra defender a tese eu defendi no último dia possível. Lembro até hoje foi dia 28 de abril de 1995 às 14h da tarde e às 17h era o tempo limite. Foi um desafio muito grande em termos de você conciliar trabalho, eu era casado, família e o mestrado. Mas isso fez parte desse ciclo que eu chamo assim da carreira técnica. Depois eu fui pra área de marketing e comecei a trilhar outros rumos profissionais.

 

P/1 – E sobre o que foi essa pesquisa da sua dissertação de mestrado? 

 

R – Foi sobre a aplicação de ozônio que era um gás gerado a partir do oxigênio e afluentes industriais. Se você pedir pra perguntar hoje eu não consigo de tão complicado que era. Até quando eu tava reunindo o material pra trazer pra cá, aí você começa a mexer e encontrar um monte de coisas. Aí eu tava vendo a tese de mestrado e não acreditei que eu fui tão maluco pra fazer aquilo ali. Coisa de doido. Mas foi, mas acho que foi fundamental porque o que mais ficou do mestrado não é a parte técnica que eu desenvolvi, acho que foi importante, foi muito importante pra mim e pra empresa, mas é superação. O mestrado você não faz pra ninguém é diferente que a graduação. A graduação você tem que fazer, você tem que ter o canudo, você tem que ter o diploma. O mestrado ninguém te pediu pra fazer, ninguém te obrigou, você tá fazendo porque você quer. E eu me lembro de umas três vezes eu quase desisti. É muito difícil você conciliar a vida profissional numa empresa privada com o dia a dia bastante intenso. E depois de um dia a dia intenso e pesado, chegar em casa, abrir o livro e ter que fazer dissertação. E eu me lembro que pra fazer a tese de mestrado eu passei... Falei: “ah vai ser fácil, vou tirar em janeiro, férias, vou tirar férias em Janeiro. Vou cair dentro e vou acabar a tese.” Até o final de janeiro eu tinha tirado trinta dias de férias e vi que não tinha chegado nem na metade da tese, coisa de louco, né? Mas o que mais fica é o que? A superação é você ter que se concentrar nos momentos mais adversos, ter que abrir mão de muita coisa. Então é uma coisa que você conquista pra você, não é pra ninguém, é pra você. Então acho que fica o aprendizado e isso eu me lembro de ouvir de um amigo meu quando eu quase desisti, eu falei “Vou abandonar isso aí porque não dá.” Ele falou: “não, vai, tá acabando. Faz que você não vai se arrepender.” E até hoje não me arrependo. Apesar de que vai dizer: “É pra mim.” Tudo bem pode me dar aí um, sei lá, master in science, sei lá alguma coisa assim, mas uso muito pouco, me dá um título a mais em termos de formação, mas é uma conquista pra cada um que se propõe a fazer um mestrado, uma pós-graduação e tudo mais. Que é diferente de fazer uma pós-graduação. O mestrado você tem que ir na UFRJ que é mais puxado. 

 

P/2 – Marcelo, você escolheu seu tema? O seu objeto de estudo é relacionado a alguma função que você desenvolvia na White? 

 

R – Com certeza, acho que a pergunta é muito boa porque eu não sou muito teórico apesar de ter feito mestrado, mas eu gosto de confrontar as coisas na prática e toda a minha tese foi feita na White, foi feito, foi experimentado, não foi uma monografia, teoria. Foi um evento experimental que a White me apoiou pra usar, não lembro lá os equipamentos, cromatógrafo, pra fazer análise, mas a White me apoiou e eu só tenho a agradecer. Foi fundamental, se eu não tivesse na White eu não faria essa área. Eu tava na White e na área de tecnologia. Então, eu digo que juntou o útil ao agradável.

 

P/2 – E como que você deu o seu desenvolvimento de carreira na White? Você passou pela fábrica de criogenia, mas como que foi isso? Como funcionário?

 

R – Eu me formei em 89, né? Aí fui contratado em 5 de Julho de 89 como engenheiro, ai já tava no laboratório de criogenia, continuei que fazia parte da divisão de tecnologia. Só que comecei a trabalhar nesses processos novos ligados a novas aplicações de gás, o objetivo é sempre novas aplicações pra se comercializar mais gás. Coisa nova, assunto técnico acabou que o pessoal da área de tecnologia dava muito suporte ao pessoal de vendas, o pessoal de marketing. Você desenvolveu um produto novo, uma aplicação nova de um gás, vai colocar isso no mercado? Pro pessoal todo aprender tem que dar um suporte no início. Treinar o pessoal de venda, treinar o pessoal de marketing, fazer umas argumentações técnicas, aplicações de segurança. Então acabou que eu tive um contato maior com o pessoal de marketing e surgiu a oportunidade em 94 de trabalhar no grupo de marketing na área hospitalar, chamava-se gases medicinais. E aí pra defender a minha tese, eu já tava na área de marketing. Foi um desafio. Você ter que defender a tese de mestrado atuando na área de marketing e eu tinha mudado tipo, três meses antes. Então eu fui pra área de marketing na experiência ai eu comecei a mudar o rumo da minha carreira. Em marketing medicinal eu fiquei uns três anos, depois fui pra área de marketing bebidas, bebidas e alimentos, aplicação de CO² pra Coca-Cola, na área medicinal muitas aplicações de... Na área de processos em hospitais, depois de marketing bebidas que era a área mais industrial e isso foi mais porque eu viajava muito, eu era responsável pelas contas Coca-Cola Norte e Nordeste. Então toda semana eu tava em Salvador, Fortaleza, Recife. Aí quando ia pra Manaus, não era na mesma semana geralmente, mas viajava muito nessa época, mas foi uma experiência muito grande. Eu comecei a sair um pouco da área de marketing pra uma área de responsável por conta chave da Coca-Cola. A ter um contato mais forte com negociação com cliente. O problema é suportar as filiais dessas negociações. Aí fui pra área de negócios.

 

P/2 – Eu não sei se você consegue contar pra gente sobre algumas aplicações do uso de gás que você acompanhou, que surgiram nesses processos assim, da sua carreira.

 

R – Assim na área hospitalar, quando eu fui era aplicação de oxigênio no tratamento de efluente hospitalar. O Brasil... Se hoje a gente já carece de investimentos na área de saneamento básico, imagina ai nos anos 92, 93... Era pior. Imagina a parte hospitalar. Era um efluente altamente contaminado, patogênico. Que chamam. E nos novos hospitais já começava a haver um incentivo pros novos hospitais instalados em regiões que não tivesse coleta de esgoto de ter sua própria estação de tratamento de efluente pra você não contaminar ali a comunidade e os próprios receptores que eram rios e tudo mais. Então o hospital pra ter o financiamento do BNDES precisava entrar com uma solução também ambiental. Então eu trabalhei muito nessa área que era realmente de coisas incríveis. Você ver o que sai no esgoto hospitalar é incrível, com todo cuidado. Eu lembro que eu tomei, eu acho que vacinas contra a Hepatite, não me lembro qual, a primeira, a segunda, a terceira, a quarta, todas tomando um cuidado danado que volta e meia a gente estava envolvido com isso. Mas o mais legal é que você dava a solução, a gente entrava com a tecnologia que dava a solução. Então tivemos diversos clientes pelo Brasil com estação de tratamento de efluentes projetados pela White Martins. Depois pra área industrial foi mais aplicação de CO² em indústria de bebidas que foi uma experiência bastante positiva também. Teve diversas aplicações, mas foi mais essa área ambiental e de bebidas.

 

P/2 – E como que funciona esse processo da White com o cliente? O cliente vem com a necessidade? A White oferece? 

 

R – Existem os dois. Mas na época que foi feito gases medicinais, em meados da década de 90, a gente queria ampliar a nossa participação, nossas vendas no segmento, e a gente identificou a necessidade que o segmento hospitalar tinha necessidade como tratamento de efluente, o resíduo hospitalar, o lixo hospitalar que tinha que dar uma solução e ai a gente começou a confrontar as tecnologias que nós tínhamos na área industrial, o que é que poderia ser adaptado e utilizado na área hospitalar e surgiram diversas aplicações como o tratamento de efluente hospitalar, a incineração de resíduo hospitalar, o ar estéril que a gente fornecia uma mistura, misturava o oxigênio e nitrogênio líquido pra produzir o ar, só que era estéril, não tinha a contaminação que existia na época dos compressores usados no processo convencional. Na verdade a experiência na área hospitalar que eu tive foi muito proveitosa e eu só sei dizer o seguinte, nós identificamos a necessidade, vimos o que nós tínhamos dentro de casa, de empresa industrial, e adaptamos pra hospitalar. Foi um sucesso, teve uma época que a gente vendia mais oxigênio pra essas aplicações do que pro próprio consumo do hospital, no segmento hospitalar, incrível, né? Durante muito tempo foram muito boas essas aplicações. Hoje em dia mudou tudo. Algumas tem, o ar estéril tem bastante ainda. Mas não com o mesmo foco que tinha no passado. Ali nós estávamos levando novidade realmente, levando tecnologia pro cliente e aplicações.

 

P/1 – E nesse processo seu trabalho envolvia viagem?

 

R – Muita, muita, eu viajava muito. Nossa eu viajei o Brasil inteiro. Viajei muito e ainda mais na área de tecnologia dando suporte ao pessoal de venda, ao pessoal de marketing e depois no marketing minha atividade era dar suporte a venda. Então como eu já era de marketing tava levando produto novo pro mercado, eu tinha que treinar o pessoal de vendas, o pessoal de vendas tinha que se sentir preparado pra ofertar pros clientes. Então tinha todo um processo de treinar as pessoas, motivar as pessoas, aí eu acho que você começa a exercer a tua liderança dentro de uma estrutura matricial. Na White eu sempre fui matricial. Quer dizer, eu era responsável por uma aplicação de gases no segmento hospitalar, mas eu não vendia nada, quem vendia eram os vendedores, gerentes de negócio que hoje em dia que estavam espalhados pelas filiais da White Martins no Brasil. Você tinha que motivar essas pessoas, você tinha que treinar e capacitar essas pessoas pra vender esse produto. Produto novo, se você não der o treinamento adequado, se você não convencesse e se não comprassem seu produto novo teu projeto tava condenado. Então eu tinha um projeto muito forte de treinamento e estar junto. Então “Ah, surgiu a oportunidade em Belém.” Tinha que ir. Oportunidade na Região Norte era a primeira, você tinha que ir, tinha que estar junto lá pra dar todo suporte pra fechar esse negócio se não o negócio não ia pra frente. Era muito dinâmico. O pessoal de marketing dar suporte a vendas eu lembro muito. Mas eu gostava, talvez por ter viajado tanto quando criança, mas eu me lembro, conversando com meu irmão acho que na faculdade, eu não tava na White ainda e também não tava estagiando na empresa. A gente adorava viajar. Então a gente falava assim: “Pô, tomara que a gente consiga um emprego onde tenha que viajar pra caramba, né?” Por isso que eu falo, tem que tomar cuidado com o que a gente sonha porque acontece.

 

P/2 – E essa relação em termos de desenvolver o produto e da parte de fazer o marketing, essa interposição, esses treinamentos... O pessoal do setor de vendas era um pessoal técnico que conhecia a questão mais técnica, mais da engenharia mesmo, dos produtos? Como que era o perfil das pessoas que você treinava? Os treinamentos?

 

R – A White sempre teve como característica ter colaboradores com perfil técnico, porém na área hospitalar. A gente identificou a necessidade do segmento hospitalar, vimos o que tínhamos de tecnologia dentro de casa pra industrial e adaptamos pra hospitalar. Na área hospitalar o perfil não era muito técnico até porque não demandava, o perfil mais técnico era dos vendedores, que atuavam no segmento industrial. Mas eram bons profissionais, conheciam muitos segmentos, excelente relacionamentos nos hospitais. Então pra você capacitar esse pessoal, você tinha que adaptar, não adiantava entrar falando das integrais, dos cálculos de engenharia que não ia dar certo. Então você tinha que fazer a adaptação, tinha que capacitar esse pessoal e tinha que capacitar na medida certa. Não adianta você passar aquilo que eles não vão absorver por não ter conhecimento técnico e também não interessava. Então você tinha que fazer uma adaptação desse processo e estar bastante junto. Foi mais difícil que na área industrial onde você tinha um corpo funcional na área de vendas bem mais técnico do que na área hospitalar. Entendeu? Na verdade, eu tava entrando com soluções bastante técnicas no segmento hospitalar em que até então a gente vendia oxigênio, basicamente só oxigênio e outros gases especiais e também nitrogênio e outros gases no segmento hospitalar com aplicações técnicas. 

 

P/2 – Marcelo, você já chegou a morar em outros lugares pela White Martins?

 

R – Sim, morei em São Paulo e morei em Joinville. Depois voltei pro Rio, excelente experiência.

P/2 – Fala um pouquinho dessa experiência pra gente? 

 

R – Em São Paulo pra dizer a verdade, eu morei em São Paulo foi em 2003. Em 2001 eu deixei a White Martins, acho que não comentei aqui ainda. Eu tive uma oportunidade numa empresa no Sul, em Curitiba e eu tinha uma preocupação, eu fui estagiário da White, só trabalhava na White e pensava: ”Não é possível, será que eu vou passar a minha vida toda na White Martins?” É uma preocupação que eu tinha, um pouco de paranoia. E eu aceitei a experiência de sair. E viver um desafio fora, aí eu morei em Curitiba. Durante esse um ano e meio, foi um ano e oito meses mais ou menos que eu tive fora, tempo de aprendizagem foi fantástico até pra você ver a vida como ela é do outro lado né, fora do mundo White Martins, com experiências muito positivas, experiências negativas e acabei voltando, retornando pra empresa. Tive a feliz oportunidade de voltar, fico feliz porque quando eu tava fora o que eu mais senti falta foi do ambiente White Martins, por eu ter viajado muito o que eu conheci de gente dentro dessa empresa foi impressionante. E todo dia, ainda mais agora que a comunicação flui muito mais, então eu retornei pra White em São Paulo, foi em 2003, e em 2005 fui pra Joinville como gerente regional em Santa Catarina. Experiência muito positiva pra mim e minha família que minha filha nasceu lá, é joinvilense então guardo excelentes recordações de Joinville. Essa oportunidade que a White oferece pro colaborador de viver, de morar em outra cidade é fantástica né, experiência de vida, você aprende muito né, você morar longe da família. Eu digo que... Eu quando comento em casa, isso eu não valho nada né, meu pai fala eu não vou morar em família, você pega o facetime lá, você pega scrap, você fala olhando, você não vale nada, quero ver na minha época que morar fora nem telefone tinha, completamente diferente, mas você sempre aprende muito. Ainda mais no Brasil que você tem, costuma ter vários brasis né, você vai pro sul, vai norte, nordeste, vários países dentro de um só.

 

P/1 – E deixa eu te perguntar, as funções que você exerceu morando em São Paulo eram diferentes da que você exerceu?

 

R – Então, foram de liderança, em negócios diferentes. Em São Paulo era gerente geral da White Martins Soluções Ambientais que era uma empresa que eu até participei, no início quando a gente fez aquisição não tinha sócio, então eu fiquei de 2003 a 2005 como gerente geral dessa empresa, era um negócio fora do core business, ou seja, uma empresa que vendia projetos e soluções na área ambiental, tratamento de água e efluentes, industrial, municipal, hospitalar, o que fosse.

 

P/1 – Vamos precisar parar um pouquinho pra trocar a fita.

 

R – Tá

 

P/1 – Vamos lá.

 

R – Então São Paulo eu liderava as empresas, foi uma experiência muito interessante, tinha sócio, então você tinha que contemplar aspectos de uma empresa mundial como a White, uma empresa global e aspectos de um sócio minoritário numa empresa familiar. Foi uma experiência muito interessante, aprendi muito essa parte de liderança né, como liderar essas situações, foi muito bom, acho que foi fantástico. Mas depois em 2005 eu fui convidado pra ir pra Joinville como gerente regional de Santa Catarina, e Santa Catarina no core business, na área de gases responsável pelos negócios em Santa Catarina e foi a primeira vez que eu tava liderando uma área de negócio no core business, então foi muito bom também. Eu até brinco diariamente que é bem mais fácil do que fora do core business, porque no core business eu tenho toda uma estrutura direcionada pro negócio fim que é gases né. Então se tinha um problema você tinha toda uma estrutura preparada pra atender né. Quando você lidera uma área de negócios fora do core business que não é gases você não tem essa estrutura preparada, você tem que movimentar e criar uma nova estrutura pra você conseguir ter sucesso. Então em Santa Catarina foi muito bom, teve o nascimento da minha filha, um lugar maravilhoso, um estado muito bom, qualidade de vida, e final de 2008 fui convidado pra voltar pro Rio com o pessoal da Sulbras, sou responsável hoje... Que é um negócio fora do core business, fabricação de cilindros, cilindros de GNV completamente diferente, é o seguinte, nas Soluções Ambientais, Santa Catarina, na Cilbras é como se tivesse mudado três vezes o emprego, completamente diferente, eu gosto disso, novos desafios, aprende muito, completamente diferente, eu gosto disso, um negócio muito diferente.

 

P/1 – Conta um pouquinho desses três desafios diferentes.

 

R – Eu acho que em São Paulo o desafio de... Eu tava retornando pra empresa, responsável por outra empresa do grupo, fora do core business, tinha sócio como eu falei, e tinha que melhorar o resultado, o resultado não tava indo muito bem, graças a deus eu consegui e eu acho que um ponto muito positivo foi na parte de relacionamento, quando eu digo relacionamento é relacionamento do líder e seus subordinados, paralelo e pra cima né, e no caso em São Paulo com sócio né. Você tem que, tem que procurar pra conseguir o negócio satisfatório, você tem que atingir resultados financeiros, as metas financeiras. Mas não é só isso, você tem que fazer isso de forma que o teu grupo esteja motivado, que as pessoas estejam felizes, se você atingir a meta financeira e o teu grupo, a tua equipe ela tá bem tem vida curta, amanhã eu diria que num curto espaço de tempo, tem problema. Então o grande desafio ali era conseguir atingir as metas mobilizando a equipe que contemplava as culturas diferentes. Você tinha a cultura White Martins, a do sócio trabalhando ali e tinha os empregados dessa empresa que era sociedade, então você tinha diversas culturas ali e obviamente que algumas coisas que a White não abria mão e não abre mão, segurança e meio ambiente, são as políticas da empresa aqui, você não pode abrir mão disso aí, não que se vá fazer diferente, mas esse choque de culturas é natural, saber lidar com isso foi um grande desafio, e graças a deus deu certo e a gente conseguiu atingir bons resultados né, mas o que marcou, aprendi muito, aprendi muito com esse... Até porque tinha que negociar né, você tinha choque de culturas tinha que tá negociando o tempo todo como atender um lado e outro e você tem que ceder em alguns pontos, outros pontos você não pode ceder de jeito nenhum e assim vai. Em Santa Catarina, como eu falei, eu era gerente regional da área de gases, depois houve umas segregações, depois fiquei só com líquidos né que é uma subdivisão da área de negócios de gases e de gases industriais, e foi uma experiência muito positiva também. Tava negociando outra região do país, outra cultura, a influência europeia ali muito forte né, você pro interior do estado é completamente diferente, impressionante. No interior do estado você negociava muitas vezes o cliente não queria assinar contrato, na boca mesmo, como eles falam, no fio do bigode. Então eu diria que foi muito bom, uma humanidade muito organizada, os padrões do sul do país, você tem um padrão diferenciado em termo de educação, em termo de formação de pessoas, então eu diria que nessa parte de pessoal foi muito mais fácil porque eu tinha uma equipe muito boa, então ali foi muito proveitoso. Eu aprendi muito porque, como eu falei, era a primeira vez que eu tava liderando na área de negócios no core business da empresa e fora, fora da atividade, que eu sempre trabalhei muito na matriz, na tecnologia, no corporativo, primeira experiência de fábrica foi em São Paulo, e em Joinvile lá em Santa Catarina. E depois de três anos também cumprindo as metas e com o meu trabalho me chamaram pra assumir a Cilbras, talvez por já ter vivido experiência fora do core business, o negócio da Cilbras também é venda de cilindros, a gente até fabrica cilindros pra White Martins, vende cilindros, exporta cilindros e de novo tá sendo uma experiência muito gratificante porque é um negócio completamente diferente entre exportação, importação de matéria-prima, eu nunca tinha vivido na minha vida profissional algo semelhante. Um grande desafio, eu brinco internamente que quando me chamaram, falaram assim: “Olha, você tem um grande desafio.” O desafio era dez vezes maior que o grande desafio que eles falaram, mas eu só tenho a agradecer porque essa é a oportunidade que a gente cresce, que a gente aprende, não foi fácil, 2009 foi um ano muito difícil, cheguei a ter problema de saúde, não sei se 100% relacionado a isso ou não, e pra minha família foi muito difícil também, porque por incrível que pareça, pra muitas pessoas que pensam que eu voltei pro Rio porque eu queria, e não, eu tava muito bem em Santa Catarina, do ponto de vista pessoal e familiar tava muito bem, e de todas as mudanças que fiz na minha vida a mais difícil foi voltar pro Rio, por incrível que pareça pra minha família se adaptar aqui, minha esposa. Foi muito difícil. Morava em Joinville, não tinha problema de segurança, não tinha problema de trânsito, qualidade de vida lá é impressionante, não foi fácil, então 2009 foi muito difícil pra gente, mas graças a deus tá tudo 100% hoje.

 

P/1 – Eu queria que contasse um pouquinho pra gente as suas funções, o seu cotidiano, as suas funções, se possível relatar.

 

R – Agora no momento?

 

P/1 – Isso.

 

R – Eu sou gerente geral da Cilbras, eu sou responsável pelo negócio de cilindros da Cilbras. O quê que a Cilbras faz? Ela fabrica cilindros e carretas da linha natural, os cilindros atendem o mercado natural, são esses cilindros que são instalados nos veículos de táxi, gás natural veicular, e, fabrica cilindros de gás do ar. Pra você comercializar o gás comprimido oxigênio, nitrogênio, argônio. A Cilbras é um negócio que surgiu em 1981, na época a fábrica surgiu pra atender uma demanda da White Martins, não saiu cilindro pra vender gás, falar em importação, não tinha no Brasil e, enfim, construiu a Cilbras, 30 anos, preocupação com segurança incrível, eu acho que essas pessoas que tão na Cilbras, mais a Lívia e o premiar, a minha experiência que eu tenho dessa segurança. Esse ano a gente completou 17 anos na Cilbras sem um acidente incapacitante, nenhum acidente com afastamento de trabalho, 17 anos é uma marca, com certeza, poucas empresas no Brasil tem essa marca. Isso com um controle muito rígido nessa parte de segurança. Então eu sou responsável pela área de negócios que vende os cilindros no mercado nacional e exportação e tem a área industrial que tem a fábrica pra corrigir. Nós temos aí duzentos colaboradores entre vendas e produção e área industrial, e a gente importa matéria-prima, isso aí foi um paradigma, até então a gente comprava no mercado nacional, em 2010 começamos a importar matéria-prima da Ásia, outro aprendizado, tive a oportunidade de viajar pra lá, conhecer uma outra realidade. O meu dia a dia, toda semana eu tô em Barra Mansa, que a fábrica é em Barra Mansa, fica a 150 quilômetros aqui do Rio, aqui da Barra da Tijuca, então geralmente despacho um ou dois dias aqui e três vezes lá em Barra Mansa, com o grupo lá, toda semana eu tô lá e viajando aí pra São Paulo, pra dar suporte pro pessoal de vendas, pro exterior, seja pra suporte na área aí de negociar compra de matéria-prima ou pra exportação de cilindros né. Então meu dia a dia é... A minha rotina é essa, e todo dia tem problema pra resolver.

 

P/1 – Você também falou a questão da segurança, dos 17 anos, esse controle é bem rígido, tem uma equipe, como é que funciona?

 

R – É, a White trabalha... A White é muito matricial, isso ajuda muito, então eu na Cilbras tenho duzentos colaboradores, entre eles tem lá o técnico de segurança, tem dois técnicos de segurança, e diria que pra tocar a operação com relação à segurança. Tudo de inteligência de segurança em meio ambiente, política e exigências de treinamentos vem da matriz, do corporativo, então esses técnicos de segurança que estão em operação lá, eles têm que executar a política delineada pelo corporativo, agora, eles não fazem sozinhos, eles executam com os colaboradores espalhados. Nós temos treinamento pra fazer todo ano, de segurança e meio ambiente, tem todo um processo da empresa que as unidades da White têm que seguir, é verdade que a Cilbras tem que seguir também e tem outras exigências por ser uma atividade diferente dentro da própria White Martins, dentro da própria Praxair, é o único lugar da Praxair que fabrica cilindros, você tem um processo onde você trabalha o tempo todo com aço, temperaturas passando de mil graus com formação de materiais, processos, muitas etapas manuais, tem que usar equipamento adequado, são diversos cuidados que tem que tomar no dia a dia, são fundamentais. Então tem o DDS, todos os dias têm que falar com os colaboradores de segurança, cinco minutos tem que falar, semanalmente fazendo reuniões de segurança, temos um gerente industrial, o Ricardo José como era estagiário e supervisor de qualidade de soldagem, o Ricardo é um profissional com 30 anos de White Martins. É muito bom você ter um gerente industrial com a cultura White em relação a segurança e meio ambiente, por que eu diria o seguinte: não tem nada melhor do que a gente poder oferecer pros colaboradores o direito de ir e vir do trabalho com segurança então é melhor, não acontece acidente, eu nunca presenciei, eu nunca tive nenhum acidente incapacitante, mais sério, com fatalidade, eu nunca vivi no dia a dia, mas é muito desgastante. Mas você como profissional e você como ser humano, pode acontecer um acidente fatal, trabalho muito desgastante, isso aí é... Eu nunca pretendo passar, eu me preocupo todo dia com isso, eu costumo falar com os colaboradores o seguinte, não tem resultado financeiro que faça aí o contraponto com qualquer acidente. Então eu acho que essa cultura White Martins, em relação saúde e meio ambiente Praxair eu acho que é o legado que deixa pro país, poucas empresas, pelo que eu conheço, poucas empresas fazem aplicação e mais barato, hoje em dia se comparar com vinte anos atrás tá muito barato, vai evoluindo né, mas como a White não são muitas não.

 

P/1 – Marcelo, você falou em lidar com muitos problemas, eu queria que você contasse algum problema muito difícil, quais foram as soluções encontradas? Como foi esse processo?.

 

R – Nossa, você quer me matar. Não, eu diria que... É porque são muitos, eu tenho que encontrar agora o mais pitoresco, eu posso falar com certeza, talvez eu não esteja falando melhor, pra citar, mas tem alguns engraçados agora, o fornecedor estrangeiro e a gente teve problemas com materiais recebidos e depois de muita discussão... Aí você nesse caso vai aprendendo como coisas simples, que a gente pensa tranquilo, mas no dia a dia você vê que não é tranquilo não. Então, por exemplo, esse veio da Ásia, o fuso horário é um negócio incrível pra você negociar, porque dependendo do momento do dia você passa o e-mail e se comunica e muito do email, tudo bem que a gente fala, dez horas da noite aqui, dez horas da noite lá, você faz isso, mas não faz todo dia. Dependendo se você passa e-mail numa sexta-feira e o outro tá viajando assim, você passa uma semana sem se falar, não é. Então estão recebendo depois de muito custo eles aceitaram vir aqui, aí você vê o choque de cultura né, o choque de cultura... Os asiáticos ficaram uma semana aqui na Cilbras, um falava inglês, esse que falava inglês no dia não tava aí, não tinha como se comunicar, os funcionários deram um jeito, mas aconteceram coisas inusitadas... No restaurante, chegou lá comeu com a mão. Não tem nada de errado, é a cultura dele e a gente respeita, da mesma forma que eu fui lá e fiquei chocado também. Eu fui na China, eu tava negociando a compra desses materiais, comer não foi fácil não, e eu, como gosto de viajar é difícil eu falar que não gostei, eu sempre vejo o lado positivo. Eu adorei visitar a China e fazer o negócio lá, agora pra comer foi difícil, e olha que eu gosto de comer hein, não foi fácil não. Até porque como a gente tava fazendo negócio, por cortesia deles, sempre levava a gente pra jantar comida típica chinesa, é que nem quando eles vêm aqui e a gente leva logo pra um churrasco, pra um porcão da vida, lá tinha um restaurante bem típico chinês mesmo, não era fácil não. Comer pé de galinha com unha, a galinha, corta isso, corta aí, pombo, aí você recusa uma vez, recusa a segunda. Tô falando isso, acho até que pulei pra outra pergunta, mas tudo isso fica pra gente, eu não vou esquecer isso, e fica resultado positivo, eu tô falando e tô brincando assim. Outra hora com um colega da White a gente tava numa mesa redonda, só eu e ele assim e os chineses né, aí você vai girando a mesa assim e vai pegando né, um pouquinho dali, um pouquinho daquilo ali, aí passava assim uns peixes crus, negócios horríveis, aí tinha um pastelzinho chinês bom de legumes, “pô esse aí”, e morrendo de fome, vou ficar nesse. Aí pegava um e girava a mesa e pegava outro, e ficava assim, depois de meia hora só tinha um, quando ia virar assim e virar a mesa pra pegar o último ele pegou rapidinho, só comia aquilo, a gente botava uma coisa ou outra, eles comem muita verdura e tal. Agora, é diferente a cultura, chegou final de semana fomos pra pizzaria, comemos pizza à beça. É, problema teve diversos problemas, isso aí é.... esse foi um, a gente teve que resolver... eles vieram aqui e resolveram, outro problema de cultura né, eles impressionados com... Eles batiam foto da comida que os funcionários da Cilbras comiam, eles foram lá e almoçaram no nosso refeitório, eles ficaram assustados que os gerentes almoçam juntos dos funcionários, depois batiam fotos, discretamente batiam fotos, eles não comem lá assim né. É importante a gente ver isso, e até os colaboradores viam, acho que devido a língua eles não conseguiam falar muito, mas ficava sabendo, pra valorizar, que se a gente abre um pouco assim o espectro a nível mundial a gente vê que a gente não tá tão mal aqui, tem lugar muito pior e a gente tem que valorizar o que a gente tem. Então só recebemos elogios, o refeitório da empresa como que é limpo, a qualidade da comida, dos alimentos. Outro fato pitoresco também é um dos operários, lá eles costumam ir urinar, não foi no banheiro, foi ali na árvore dentro da empresa. Não sabia o que fazer, normal pra eles, depois com jeitinho a gente vai contornando. Eu diria o seguinte, essas coisas que a gente passa na nossa vida, tem que agradecer muito a White por ter proporcionado essa oportunidade se não fosse... Também se tivesse dentro da empresa, independente disso, eu diria o seguinte; na White eu mudei de emprego... Desculpa, eu mudei de trabalho várias vezes no mesmo emprego, essas três experiências foram completamente diferentes, essa da Cilbras é completamente diferente, e eu acho que isso motiva a gente, e eu que gosto de coisa nova, gosto de... Se eu tivesse... Jamais conseguiria ficar falando a mesma coisa a mais de cinco anos, três anos, o máximo que eu fico é três anos eu acho, sempre vou mudar.

 

P/1 – E Marcelo, você deu o exemplo do refeitório que todo mundo come junto, como que é a relação de trabalho dentro da White Martins hoje, assim, entre os diferentes setores, como que você...

 

R – Depende muito da liderança, vamos dizer, eu me preocupo muito com isso. Um tempo agora eu tive a felicidade de saber que fizeram uma pesquisa de clima e o da Cilbras foi uma das melhores unidades, acho que da White e da Praxair, não importa, estamos entre as melhores, mas passamos por um momento muito difícil, tivemos que reduzir muito quadro pessoal devido à crise mundial que teve no final de 2008 e ajustamos a empresa que hoje tá bem, a Cilbras hoje tá com bom resultado. Ninguém falava sozinho, eu não acredito em super homem, eu não acredito que tem um líder. Ninguém faz nada sozinho. O líder conduz as pessoas, ele extrai o máximo de cada um, e você só consegue fazer isso, você consegue uma pressão, menos pressão, isso aí depende de como tá o cenário. Mas em linhas gerais você tem que conduzir num bom ambiente senão você vai ter problema na frente. Então o relacionamento hoje depende muito de cada liderança e a área da unidade que eu sou responsável, que é Cilbras, é muito boa, tem que ser bom gerente, dos gerentes com seus subordinados, os subordinados. Então tem que tá sempre apoiando atividades fora da empresa, por exemplo, a Cilbras tem um campo de futebol, o campo tá sempre com a graminha aparada, isso aí, não tá escrito isso, mas o funcionário gosta de... Quinta e sexta, dias de jogar futebol depois, tem que tá legal, não custa nada isso pra empresa, não custa nada pra gente... Eu tô falando, custa nada não a gente dar a devida atenção para isso, é adequado, tem que tá promovendo. Final do ano a gente faz as festas de final de ano, o churrasco e tudo mais, a gente valoriza os momentos, sempre comemorando as datas importantes, como é que nós não vamos comemorar 17 anos sem acidente? Como é que não vamos comemorar seis mil dias sem acidente?.Então a gente busca envolver todos, a gente tem um... Agora vem um site e foi divulgado na revista da empresa, a entrevista de um profissional 31 anos na Cilbras, desde o início na Cilbras, nunca se machucou, nunca teve acidente, nunca e há 31 anos trabalha na empresa. Você tem que valorizar esses profissionais pra você ter ambiente positivo, você tem metas, todos têm metas de produtividade, produção financeira, agora você tem que ter um bom ambiente senão não vai andar pra frente, senão você não consegue extrair o máximo, se dá certo no momento depois não dá mais certo se o negócio não for conduzido adequadamente. Principalmente o respeito né, você tem que respeitar o ser humano, costumo dizer: “tá insatisfeito, não tem jeito? Troca.” Agora você não precisa desrespeitar ninguém, só troca, troca desliga tal, procura outro no mercado se for o caso entendeu, agora o respeito tem que existir sempre né. Porque às vezes o profissional não tá indo bem, porque tá na atividade, tá fazendo uma atividade que não é bom fazer e depois descobrir que não é bom fazer outras coisas, nada justifica você desrespeitar a pessoa e etc. Isso aí é tanto de cima pra baixo, de baixo pra cima, pros lados, tem que preservar isso aí.

 

P/1 – Eu queria que você falasse um pouquinho da parte de marketing, dos clientes, da questão dos valores da empresa, busca de mercados.

 

R – A empresa sempre foi vista, eu aprendi muito isso em Joinville, como eficiência operacional, eu posso dizer que a White Martins em logística é muito boa, eu acho que a gente tem uma... Um verdadeiro comprometimento em não deixar o cliente desabastecido, que o nosso negócio é o quê? É entregar oxigênio pra uma siderúrgica, produzir aço, oxigênio pra um hospital, hidrogênio pra uma indústria que faz tratamento térmico, ou seja, se você não entrega, se falta produto, você tá produzindo a produção desse cliente, você tá prejudicando a produção desse cliente, esse cliente pode ser um hospital, não pode faltar oxigênio no hospital então como que você faz? Com mais de mil clientes de líquidos, e o tanto de líquidos instalados nos Brasil, como que você faz pra entregar o oxigênio líquido no hospital lá no Acre e o oxigênio sai de São Paulo? O caminhão, quando sai o tanque tá cheio lá, então eu diria o seguinte, que a logística da empresa é fantástica e isso é o grande diferencial nosso, a logística, o serviço que a gente presta ao cliente, a gente costuma dizer a garantia, a garantia de entrega, a confiabilidade, esse é o grande diferencial. O mercado nos enxerga como uma empresa muito eficiente em termo de garantia e confiabilidade. Já vi operações fantásticas da empresa quando ta em greve, greve de caminhoneiros, algum problema no sul com os agricultores que chegaram a fechar algumas estradas, o esforço que a gente fez pra ir por estradas paralelas pra conseguir entregar oxigênio em hospital. Vivenciei em 2008 quando teve aquela tragédia lá no sul em Itajaí, as chuvas, o esforço que a gente fez pra entregar oxigênio nos hospitais nas cidades que estava isoladas. Então eu acho que a operação da White é muito “ajeitada”, são 100 anos né, e a estrutura da White é um diferencial. É uma empresa que busca estar sempre levando inovação, hoje em relação de serviços a gente tem o NEO né, que é o “normas de excelência operacional”, é um programa que mede a eficiência dos serviços prestados, a gente mede a qualidade de eficiência do abastecimento do cliente. Hoje cada motorista tem lá um Palm que faz a pesquisa online junto ao cliente, se foi bem atendido ou não, caso tenha alguma nota negativa aparece online aqui na central, aqui no Rio, e serve pro motorista que tá abastecendo o cliente pra uma visita comercial, o programa de “cliente mais” que você tem uma pontuação específica pra isso, ou seja, pros clientes que estão dentro do ranking que são considerados clientes mais. Têm diversos programas que visam a fidelidade do cliente White Martins. É uma estrutura diferenciada se você pensar a quantidade de cliente que nós temos e unidades e caminhões, eu não tô lembrando de cabeça, de assistência técnica que a gente faz, com certeza agora tem alguém fazendo assistência técnica em hospital. Então você tem que ter a política muito bem definida, você tem que ter uma disciplina operacional muito forte pra você conseguir operar tudo com segurança no Brasil.

 

P/1 – Agora a gente vai entrar na parte final da entrevista. O senhor é casado, tem filhos?

 

R – Tava faltando essa parte, eu tava sentindo falta. Eu sou casado pela segunda vez, a primeira acho que as viagens atrapalharam um pouco, eu viajava demais. Não é fácil não, hoje em dia você conciliar a atividade profissional com a pessoal não é fácil você... E demanda uma maturidade. Muitas vezes você não tem essa maturidade quando você é jovem né, um pouco óbvio, mas eu sou casado, tenho três filhos, são dois enteados e uma filha que eu considero como filhos, me acompanharam aí pra São Paulo, Joinville, retornando ao Rio, eu diria que o pilar pra você, não vou dizer que é fundamental, que você não consegue. Mas é muito mais fácil você ter sucesso, você conseguir suas metas, profissionais e pessoais, você ter sua família ao teu lado te apoiando, a minha esposa tá sempre me apoiando, nunca disse “ah não.” Sempre me apoiou, nos mudamos... Pra você ter uma ideia é... No início de São Paulo eu ficava indo e voltando, quando ela ficou grávida não, do terceiro, a Marcelinha é... Ela foi para São Paulo, vou me mudar para São Paulo, chega desse negócio de ficar indo e voltando, a gente mudou pra São Paulo com calma e tudo mais, dois meses em São Paulo, recebi a notícia que ia pra Joinville, ela mudou com oito meses para Joinville, foi o terceiro obstetra dela, teve um no Rio, São Paulo, deixa ver... Chegou a Joinville e... trinta dias depois teve neném, então essa disposição, esse apoio faz a diferença, vou voltar para o Rio, aí muda de escola, é uma confusão danada, mas você não faz sozinho não, você tem que ter alguém do seu lado, ter a esposa, no teu caso ter um marido é... Apoiando você, você vai junto e consegue superar tudo, então você tem que agradecer a alguém, eu vou agradecer a Gláucia pelo apoio que ela me deu, e dá ainda.

 

P/1 – E como que é a história do seu casamento?

 

R – A White tem a ver pelo seguinte, eu saí da White, eu te falei, fiquei um ano e oito meses fora da White, foi um momento conturbado que me separei, e eu tava morando em Curitiba, então morando fora do Rio, sempre em período de festas você vem pra cá, então eu conheci a Gláucia no réveillon em búzios é... A gente começou a namorar, aí surgiu a oportunidade de voltar para White Martins em São Paulo e eu pensei, São Paulo é mais perto do Rio do que Curitiba né, vou ficar mais perto da Gláucia, aí voltei para São Paulo e a gente se via todo final de semana e tudo mais, aí começou, aí casei de novo, a melhor coisa que eu fiz.

 

P/1 – E seus filhos Marcelo?

 

R – É, casei de novo, ganhei dois filhos; o Renan que é meu enteado tem 19, já tá fazendo engenharia de produção, um pouquinho de influência e a Rhana tem 15, tá pensando no que vai fazer ainda, e a Marcelinha tem cinco, que é a Joinvilense, nasceu lá em Joinville então é... Adoro minha família e hoje, pra você conseguir as coisas, de novo, você tem que ter um apoio familiar que fica tudo mais fácil, não é simples, o dia a dia de hoje é puxado. Se eu tenho que agradecer alguma coisa, eu agradeço a minha esposa, meus filhos e meus pais que também sempre apoiaram, meu pai. Desde o início da carreira, sempre teve do meu lado, desde o problema técnico eu... Estagiário, eu tive um problema, eu estava em uma dificuldade em bomba hidráulica, um negócio, nada demais, comentei com o meu pai, eu morava em casa ainda, não era casado, ele chegou com um livro sobre bombas hidráulicas, eu comentava um negócio e o coroa estava junto explicando, ele engenheiro também, sentado explicando, tava sempre junto apoiando então acho que... Sem contar os valores que sempre passou com relação à ética, integridade, honestidade, trabalho, eu tenho que agradecer hoje, eu digo que meu herói não é o Ayrton Senna, como todo mundo fala no Brasil, é meu pai, ele realmente... Eu brinco com ele, se for igual a você com meus filhos eu estou satisfeito, a ideia é ser melhor. Vai ser difícil ser melhor, então é... Todo esse ambiente que eu disse no início dessa entrevista, ambiente familiar, seja no núcleo da família, seja a família como todo contigo, é muito importante, hoje em dia a gente não pode perder, a gente não pode perder porque não tem nada que substitua isso, nenhum trabalho, nada substitui o teu ambiente familiar saudável.

 

P/1 – Marcelo o que você gosta de fazer nas suas horas vagas?

 

R – Sempre gostei muito de tênis, de esporte gosto de jogar tênis, a idade vai chegando, já operei o joelho duas vezes, gostava de jogar futebol, já não jogo mais, eu gosto muito de esporte, praticar esporte, eu gosto da natureza, por exemplo, quando eu estava em Curitiba eu gostava muito do parque Bariri, passei um momento conturbado naquela época, me separei e tudo mais, e uma atividade que gostava de fazer e me sentia bem era interagir com a natureza, por exemplo, passar uma semana trancado dentro de casa eu não gosto, ainda mais se tiver sol, não que eu seja apaixonado por praia, mas eu gosto de descer, gosto de ir ao clube, gosto de praticar um esporte, gosto de sair com a minha família, gosto de ficar em casa também, mas muito equilíbrio, hobbie principal é o esporte, preferencialmente tênis, até gostaria de jogar mais com meu filho, e viajar, viajar também é fundamental, sempre que dá a gente viaja.

 

P/1 – Marcelo, pensando nessa história toda, a sua trajetória, quais foram os maiores aprendizados assim, trabalhando com o gás, trabalhando com a White Martins.

 

R – Olha acho que... De forma genérica acho que o... Fica o aprendizado que vale a pena você se dedicar, vale a pena você levar as coisas a sério, porém não tanto. Não deixe que isso te faça mal, acho que isso a gente aprende com a maturidade e um pouco mais de experiência, hoje em dia olho para trás e penso: “Poxa me preocupei com coisas, algumas parcelas que não precisava ter me preocupado tanto.” Entendeu? Isso é experiência, acho que... Essa parte do equilíbrio, tem que ter muito equilíbrio na vida, acho que isso foi o que mais aprendi na minha vida com a White Martins e o pessoal, eu não tinha esse equilíbrio no passado, eu era um pouco workaholic, que sem dúvida é, não foi muito positivo para um lado e outro lado não foi positivo, então esse equilíbrio é fundamental pra você seguir adiante, não adianta você se dedicar mais em uma atividade, por exemplo, você deixar de lado, isso não adianta ninguém é eterno, então tem que ter equilíbrio em tudo na vida, se você tem equilíbrio, consegue ser mais positivo em tudo, a White Martins passa aí é o que mais aprendi, realmente eu falo com muito orgulho é... Parte de segurança, isso ai é muito importante, muito importante, eu cresci ouvindo problema de notícia, meu pai é engenheiro e tal, entrando dentro no navio com toda segurança, sobe escada, desce, preocupação com segurança, na White eu vejo que isso é muito sério e vale a pena. Vale a pena, a empresa tá fazendo 100 anos. Eu gostaria de saber quantas empresas no Brasil tem 100 anos, fica uma curiosidade? Vou procurar saber, 100 anos de forma sólida, impressionante como a empresa sobe em termos de resultados, operações e tudo mais, isso ai é um... Você olha para o lado e compara, hoje você vê empresas novas, com tecnologias, Google, você vê empresas surgindo, crescendo e sumindo também, têm várias, você vê a White é muito regular, meu aprendizado mesmo com a White é bem ligado à empresa essa parte de segurança ao meio ambiente, essa... Isso é fantástico, além de ser uma empresa que... Vou dizer uma coisa que poucos falam isso, por que muitos não conhecem a realidade do país, 21 anos de White e eu nunca vi essa empresa atrasar um dia de pagamento, talvez, dizem que houve um problema na época do plano Collor, eu não me lembro, e se teve foi insignificante que eu não me lembro, eu nunca vi, não erra, eu nunca vi, eu já vi várias histórias de várias empresas conhecidas, tem certos aspectos, quando eu saí da empresa, eles me ligaram no outro ano pra receber aquilo que eu tinha direito, me ligaram é... Eu não tenho o que falar, mas é óbvio, não, a realidade do Brasil, óbvio que tá muito melhor hoje em dia, mas a empresa é muito séria nesse aspecto de segurança e tal, tratamento do funcionário, isso aí.

 

P/1 – Os momentos marcantes de White Martins, assim, um momento mais emocionante?

 

R – É, na verdade agora você me pegou, eu acho que... Acho que os momentos mais marcantes que eu lembro sempre, sem citar o outro agora, mas sempre foram junto aos grupos de pessoas que eu liderei, então eu me lembro de uma homenagem de quando eu saí daquela empresa de meio ambiente lá de São Paulo, dos próprios funcionários, um negócio simples mais marcante... Do grupo em Joinville também é... Muito positivo também, que eu lembro, que os momentos que eu mais me emocionei foram nas despedidas por onde eu passei, gosto de dizer, eu gosto e valorizo essa parte de relacionamento, se é pra liderar alguma equipe é... Em um ambiente adverso, promover um ambiente adverso não sou eu, pra liderar, dar resultados e promover um ambiente positivo, de integração, eu gosto, se é pra um ambiente adverso eu... Pode parecer um pouco absurdo que eu tô falando, mas existe... Os momentos mais marcantes foram junto aos grupos que liderei, principalmente nos últimos dez anos ai, onde você tem uma... Onde eu tava exercendo cargo de liderança, tinha um interação mais forte com as pessoas, desafios... Alguns maiores outros menos, então você está mais próximo de um cobrador ou de outro, pra superar a dificuldade.

 

P/1 – Marcelo pra gente encerrar, o que você acha da gente estar contando a história do gás, da White Martins, através de um projeto de memória.

R – Fantástico, eu recebi e-mail, tô viajando hoje à tarde, estou saindo de férias, eu vi que... Eu retorno depois e tô fora do prazo, tanto que eu pedi pra participar desse evento hoje, acho a idéia fantástica e tem que fazer, acho que a gente não pode é... Quando a gente olha um pouco para trás, acho que a gente comemora um pouco menos alguns eventos, algumas conquistas, não tô falando da White Martins não, tô falando do ser humano, a gente não pode deixar de comemorar, a gente não pode deixar de valorizar, tem que comemorar os cem anos muito... Muito, tem que escrever essa história, são 100 anos gente, é muito tempo, tem que comemorar, na minha opinião tem que passar o ano que vem comemorando, com os colaboradores atuais, lembrando... Reforçando a história, a história da White Martins no país com certeza é de sucesso e fundamental, eu não vou saber toda, mas com certeza eu vou resgatar... Passagens marcantes para o crescimento, inclusive para dentro do país, e tem que comemorar muito, na mesma forma que dentro de casa com meus familiares tem que comemorar, a vida passa, hoje em dia é tudo corrido, quando você vê, você tá em um grande meio, em tudo quanto é lugar, eu vejo com meus filhos hoje, não fala mais no telefone, fala via SMS, que os amigos falam, então é... Não é ruim não, a gente não pode esquecer de comemorar, de está junto, presencialmente, é... Nos momentos de alegria, e 100 anos tem que comemorar muito, a White tem que fazer isso ai e vale à pena.

 

P/1 – Pra gente encerrar agora o que você acha de tudo que falou da entrevista, de contar sua história.

 

R – Muito legal, muito legal é... Agradeço a oportunidade de novo, como eu disse, tem que participar disso, não importa se tá sendo... Se vai ser boa ou não, acho que é importante, pra mim é importante participar, são 20 anos de White, faz parte da minha vida, da minha vida pessoal, eu só tenho a agradecer hoje o que sou profissionalmente, pessoalmente com a minha família, a White foi e está sendo fundamental, não sou a que... Sem demagogias não vou dizer que, saí da empresa, voltei, e foi uma grande experiência, mas é uma empresa fantástica, em termos que preenche diversas demandas que eu pelo menos tive e tenho na minha vida, parabéns pela iniciativa, parabéns para a White, parabéns pra vocês que estão fazendo esse trabalho, porque, de novo, temos que comemorar muito esses 100 anos.

 

P/1 – Marcelo em nome do museu da pessoa, em nome da White Martins, eu agradeço sua presença aqui, muito obrigado por ter vindo aqui, muito obrigada.

 

R – Obrigado.

 

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