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História

Engajamento, compromisso e consciência

História de: Rubens Harry Born
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Ativista ambiental. Fundação da ONG Vitae Civilis. Participação na Conferência Rio 92. Protocolo de Kyoto. Desafio mundial de combate as mudanças climáticas. Importância do registro da história do movimento ambientalista brasileiro.

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História completa

P/1 – Podemos começar, Rubens? 



R – Podemos.



P/1 – Então, eu queria que você começasse falando seu nome completo, local e data de nascimento.



R – Rubens Harry Born, nascido em São Paulo, 20 de junho de 1955.



P/1 – Como que você passou a se interessar por essas questões ligadas às causas ambientais?



R – Eu acho que muito devido à educação recebida do ambiente familiar e do ambiente comunitário, onde eu fui aprendendo a preocupação não somente com preservar a natureza, mas também de promover justiça, promover participação pública e resgatar aquilo… Tentar consertar aquilo que está de errado no planeta. Então, a minha educação familiar, religiosa, comunitária, as escolas que eu tive oportunidade de frequentar, passaram um conteúdo humanístico, uma responsabilidade com o próximo muito grande, e eu acho que isso marcou a minha entrada no movimento ambientalista.



P/1 – E quando que se deu essa entrada?



R – Olha, eu diria que primeiro ainda como estudante universitário, sabe, em meados dos anos 1970, quando houve a grande campanha na capital de São Paulo contra a pretendida construção do aeroporto internacional na reserva florestal Morro Grande, ou próximo a Morro Grande, em Cotia, Caucaia do Alto. Eu acompanhei isso como estudante. Como estudante de Engenharia, também, acompanhava os debates sobre o plano de saneamento para a capital de São Paulo. Naqueles anos 1970 era… Vinha um debate desde os anos 1950 e o debate não avançava. E aí, em 1977, junto com outros colegas que estavam se formando em Engenharia Civil, nós criamos uma ONG [Organização Não Governamental] ambientalista. E vivenciando já no primeiro ano como engenheiro recém-formado, os impactos ambientais de obras das quais eu participava, e que me incomodavam, eu decididamente resolvi trilhar o caminho ambientalista. Alguns anos depois, eu achei que podia conciliar Engenharia com meio ambiente. Fui fazer uma especialização em Engenharia Ambiental, isso em 1983. E, tentando associar isso com proteção da sociedade, fui também fazer uma especialização na área e mestrado na área de Saúde Pública, para tentar conciliar o interesse humano, a sobrevivência e a seguridade da espécie humana com a seguridade das outras espécies vivas. E, mais tarde, eu tive a chance de, então, me dedicar tempo integral a isso. Eu larguei a Engenharia Civil. Ainda transitei um tempo no setor público como engenheiro, mas engenheiro sanitarista ambiental, e depois me dediquei basicamente a causa ambiental, através das ONGs. 



P/1 – Voltando um pouquinho na década de 1980. Como é que era o movimento ambientalista no Brasil, aqui em São Paulo… Como é que você viveu isso?



R – Bem, éramos poucas organizações. Éramos poucos ativistas, muitas vezes enfrentando resistências, em geral da sociedade, da mídia, do poder público, sendo ou taxados de ingênuos, românticos, serviçais dos interesses estrangeiros, de um ou de outro lado da Guerra Fria, sendo menosprezados pelo governo militar… Parte dessas questões estão presentes hoje de outra forma. Hoje vi que, tantos anos depois, se diz que os ambientalistas são contra o desenvolvimento, o progresso, o crescimento econômico. Muitas vezes são ridicularizados, tomados como ingênuos, dizendo que estão sonhando o impossível. E nós achamos que é possível ter um mundo melhor e vamos continuar trabalhando por isso.    



P/1 – E aí você… Você foi um dos criadores da ONG Vitae Civilis?



R – Foi. Isso foi já no final dos anos 1980, mas no começo… Como eu lhe disse, 1977 para 1978 eu participei da criação do grupo ecológico Sobreviveis, que era um grupo basicamente de voluntários, nunca assumiu uma personalidade jurídica, porque naquela época havia uma ideia, um consenso entre os ativistas que assumir uma personalidade jurídica era, digamos, um sacrilégio para o movimento ambientalista. Nós tínhamos que ser informais, de certa maneira anárquicos, e criar capilaridade na sociedade. O que é importante criar capilaridade? Esse grupo desenvolveu várias atividades: começou campanha das baleias, se juntou também com outras organizações que atuavam nisso aí… Esse grupo fez trabalho junto com as comunidades eclesiais de base, na região de Sapopemba, ajudando a população local a discutir o problema tanto da refinaria de Capuava (eu estive lá várias vezes) a questão da poluição do ar, e também a questão do aterro de lixo, a questão de acesso a serviços de água potável e esgotamento sanitário, que a população que vivia próximo ao então aterro sanitário energético de Sapopemba não tinha acesso. Então, a gente fez trabalhos que hoje são chamados de justiça ambiental, porque associam causas ambientais à questão de direitos humanos. Esse grupo, ele funcionou até mais ou menos 1981, e ele deu origem, depois, ao Ceacon, Centro de Estudos e Atividades de Conservação da Natureza, que eu, junto com Ricardo Guerrili, com David Stevens, com outras pessoas, formamos esse grupo, que também tinha muitos voluntários, tinham vários projetos. E, basicamente, na época, funcionava com um funcionário só. Esse grupo se institucionalizou, teve uma sede inicialmente na rua Augusta, depois na avenida Paulista, ou vice-versa, chegou até mais de 2 mil sócios… O crescimento desse grupo se deu por, a partir de 1984, realizar eventos mensais, debates abertos ao público, e em determinado momento, em 1984, 1985, no MASP [Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand]. Eram as terças-feiras ecológicas, acho que era a primeira ou segunda terça-feira de cada mês. E até o advento da SOS Mata Atlântica, até o primeiro ano da SOS Mata Atlântica, o Ceacon era uma ONG que tinha muito sócio. Junto… Na época também existia a Oikos, que era o Fábio Feldmann, que foi um dos criadores, mas o Ceacon foi muito ativo em questões como campanha contra caça às baleias, questão de usinas nucleares, a questão de agrotóxicos… Então, algumas campanhas a gente usava um misto do modelo Greenpeace com o Serra Club, que eram duas entidades dos Estados Unidos que valorizavam muito a participação de voluntários. E o Vitae Civilis surgiu mais tarde, em 1989, já no final do processo constituinte, e a ideia era, inspirado no relatório “Nosso Futuro Comum”, que foi lançado em 1987, poder discutir questões ambientais e sociais a partir de uma nova perspectiva do desenvolvimento; e podermos reunir na entidade pessoas que não vinham só de uma militância ambiental, vinham ou de uma militância nas entidades científicas, de questões sociais; e poder ser uma entidade plural, includente. Que pudesse pensar as várias questões que hoje em dia, embora, o Vitae Civilis é muito conhecido pelo seu trabalho na área ambiental, nós fazemos… Estamos envolvidos inclusive em campanhas, por exemplo, contra a exploração sexual de adolescentes, apoiando uma iniciativa lá no município de Juquitiba, até campanhas do agasalho, ou seja, mostrando que uma sociedade sustentável é uma sociedade que promove justiça, equidade e equilíbrio ambiental. 



P/1 – Queria que você falasse da sua participação na criação do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais de Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1991. Você participou, né? 



R – Foi. A criação se deu exatamente no dia 18 de junho de 1990, uma segunda-feira, na Faculdade de Saúde Pública. Na época, eu era aluno de mestrado ali e, meses antes, nós deflagramos um processo para a criação do Fórum Brasileiro. A reunião se deu nesse dia, eu consegui a sala lá na Faculdade de Saúde Pública. Convidamos cerca de 60, 70 organizações. Compareceram cerca de 39, acho que exatamente 39 organizações. E esse grupo começou um pouco a se formar ainda em 1989, quando o Fábio Feldman, apoiado pela Fundação SOS Mata Atlântica, fez o primeiro processo de gerar um documento, a plataforma ambientalista para os candidatos a presidente. E na época já se falava… Bem, era a primeira vez que haveria eleições diretas para Presidente da República, como houve em 1989, que era importante o movimento ambientalista estar mais articulado. Nós tínhamos terminado a Constituinte, e era estar mais articulado não só para discutir políticas nacionais, mas também ter um acompanhamento de questões internacionais, tendo em vista o relatório “O Nosso Futuro Comum”. Em dezembro de 1989, houve um encontro de entidades ambientalistas em Brasília, onde eu questionei os preparativos para a conferência que a ONU [Organização das Nações Unidas] pretendia realizar em 1992, e foi uns dias antes da própria ONU acatar a oferta do Brasil de sediar a conferência, que acabou sendo realizada no Rio de Janeiro, em 1992. Bem, em função disso, foi marcado em dezembro de 1989, ainda um encontro de entidades ambientalistas para 1990, onde um dos temas seria a política ambiental brasileira e outro seria o processo da conferência da ONU. Só que nós não pudemos esperar esse grande encontro que ia ser realizado no final de 1990, porque logo no início do governo Collor, em março, 15 de março de 1990, poucos dias antes, nós soubemos pela mídia e pelo Fábio Feldmann de que haveria mudanças, por medida provisória, no Conama, Conselho Nacional de Meio Ambiente. Então, aproveitamos, acho que uma semana antes da mudança de governo, dia 08 de março de 1990, houve uma reunião do Conama, onde havia troca de representantes de ONGs. Estavam lá os cinco representantes de ONGs em fim de mandato: os cinco novos e os sete membros, eu um deles, da comissão organizadora do Encontro Nacional de Ambientalistas, de Entidades Ambientalistas Autônomas, o ENEAA, previsto para o final de 1990. Fomos inclusive apoiados pelo Fábio. E nesse encontro, que foi discutir também essa questão do Conama, aproveitando a presença, em Brasília, de organizações de seringueiros, de entidades que apoiavam os seringueiros. Na época, o Centro Ecumênico de Documentação e Informação, do qual uma das entidades sucessoras é o Instituto Socioambiental, estavam também lideranças indígenas, desde Ailton Krenak, da via Ianomâmi, com organizações que apoiavam a causa indígena. E promovemos uma reunião entre os indígenas, indigenistas, seringueiros e ambientalistas, para discutir dois assuntos: a política ambiental do governo Collor e a questão da Conferência do Rio de Janeiro. E dessa reunião, então, se resolveu meio que, com o lema de Dom Pedro I, aconselhado por seu pai, segundo a história nos ensina, seu Dom João VI: “Olha, antes que alguém tome a sua cadeira, vocês assumam o que é seu”. E uma das questões que tinha é que uma organização na Suíça estava convidando pessoas de maior valor, Ailton Krenak, Maria Tereza Jorge Pádua, o próprio Fábio Feldman, para ir para uma reunião preparatória, eu não me lembro se era em Lyon, se era no Canadá, em Vancouver, de preparação para a Rio 92. E aí houve uma discussão: “Olha, se nós não nos organizarmos, é alguém em Genebra, ou em Londres ou em Paris que vai escolher quem fala em nome das ONGs brasileiras. Então, é o momento de nos organizarmos”. Então, ficou estabelecido um grupo de trabalho pequeno, que éramos o João Paulo Capobianco, na época pelo SOS Mata Atlântica, o Beto Ricardo, então Cedi [Centro Ecumênico de Documentação e Informação], hoje Instituto Socioambiental, tinha, acho que, se não me engano, o Tommy Gross também, o Antônio Carlos Oliveira, Antônio Alves Carlos Oliveira, o Tonhão, que faleceu em 2002, que também trabalhava com o Fábio Feldman, era da Oikos Ambiental por muito tempo, e eu. E aí nós nos reunimos entre março e junho e decidimos então chamar uma reunião, uma assembléia para a criação do Fórum, então, que aconteceu em 18 de junho de 1990. 



P/2 – Na ECO 92, já propriamente dita, como você participou? Teve todas essas prévias… Como foi a sua impressão da época do evento?



R – Bom, o meu papel nos dias da conferência foi ser o coordenador da delegação do Fórum Brasileiro de ONGs, da própria conferência oficial. Na conferência oficial, eu não me lembro, tinham milhares de participantes, cada ONG tinha direito a dois representantes. O Fórum Brasileiro, por ser o anfitrião das ONGs de todo mundo, teve direito a ter 25 pessoas. Então, um dos meus papéis era coordenar essa delegação de 25, mas também fazer articulação com as outras ONGs ambientalistas e redes do mundo todo. Por exemplo, com o ANPED, a Aliança dos povos do norte para meio ambiente e desenvolvimento, que era a rede que reunia ONGs da Europa e da América do Norte. Ah, tinha o Third World Network, a rede do Terceiro Mundo, e entidades como o Greenpeace, a WWF [World Wide Fund for Nature], entidades da África... Então, o meu papel foi esse, de ajudar, por exemplo, a articular em nome das ONGs ambientalistas a Wangari Maathai, que recebeu o Prêmio Nobel em 2004, mas na época já era uma líder destacada, que pudesse falar em nome das ONGs, ajudar a elaborar o discurso. E ao mesmo tempo eu era um membro ad hoc da coordenação. O fato de eu ser representante, eu não tinha um assento formal, mas participava de todas as reuniões de coordenação. Havia o Fórum Global 92, no Parque do Flamengo, então o meu trabalho também era fazer a ponte entre o que estava acontecendo no Riocentro e o que estava acontecendo no Fórum Global, atender a mídia, assim por diante. E no processo preparatório, que eu me lembre, fora o pessoal do governo e diplomatas, que eu me lembre acho que eu fui o único integrante de ONG brasileira que participou das quatro reuniões preparatórias, os prepcoms da Rio 92. E também nos prepcoms acabei coordenando os poucos brasileiros. Nós começamos no Prepcom 1, em Nairóbi, em agosto de 1990, sendo dois do Brasil, Tommy Gross do Cedi e eu. Já no Prepcom 2, em Genebra, em março de 1991, fomos dois ou três, Lais Solquin, o Francisco Iglesias, eu. Tinha o pessoal, na época, do Pró-Rio que também estava lá, mas essa colisão quase que praticamente se desfez no mesmo ano. E já no Prepcom 3 fomos em sete, e já no Prepcom IV, em poucos meses, já em 1992, já éramos cerca de vinte representantes nas negociações internacionais. E eu acabei… Acabei, em 1992, me engajando nas negociações da… O prepcom, as reuniões preparatórias, estavam discutindo tudo relativo a conferência do Rio, negociando a Agenda 21, o que veio a ser a Declaração do Rio de Janeiro sobre meio ambiente e desenvolvimento, o que veio a ser a declaração sobre conservação e uso sustentável de todos os tipos de floresta. Porém a negociação das duas convenções, de diversidade biológica e mudança climática, eram feitas em fóruns separados desses prepcom. E eu me engajei nas negociações da convenção do clima ainda no final de 1992, substituindo uma pessoa que era conselheira e fundadora do Vitae Civilis, a professora Magda Lombardo, que tinha ido a algumas das reuniões, mas por questão da época (ela estava grávida) não pôde mais ir às reuniões, e eu assumi, digamos, esse papel, e me envolvi tanto que até hoje estou envolvido com a questão da mudança do clima.



P/2 – E como você avalia os resultados da Rio 92?



R – Eu acho que foram significativos. E eu acho que foram marcantes. Embora 15 ou 16 anos depois, eu vejo muitas vezes questionamentos: “Ah, essa conferência não serviu, ou serviu muito pouco. Não serviu para nada”. De fato, a maioria das promessas, dos compromissos assumidos pelo governo, estão longe de estarem em vigência, de estarem implementados, desde a Agenda 21, por exemplo, uma série de preceitos e recomendações. Mas eu acho que a Rio 92 teve vários aspectos pelas quais ela inovou e abriu portas. Primeiro, a participação de entidades da sociedade civil em conferências internacionais. Na primeira reunião preparatória da Rio 92, o próprio chefe da delegação brasileira, o então embaixador Marcos Azambuja, falou lá em Nairóbi dizendo que a própria convocação da conferência Rio 92 era fruto da pressão dos movimentos ambientalistas nos anos 1980 sobre os governos. Então, o fato em si de ter uma convocação da ONU era um… Sem contar a gravidade dos problemas ambientais. Depois houve a sensibilidade também do secretário geral da conferência, o Maurice Strong, de quebrar uma regra da ONU, que dizia que somente entidades da sociedade civil que fossem reconhecidas como entidades consultivas do conselho econômico e social da ONU poderiam participar de conferências daquele tipo. Se isso tivesse sido aplicado, somente uma ONG da América Latina teria participado da conferência. E foram mais de 20 mil participantes e de ONGs. Então, veja que isso foi absolutamente significativo. As conferências da ONU que se seguiram a Rio 92, a conferência de direitos humanos e desenvolvimento, em Viena, se não me engano, em 1993; em 1994, conferência de população e desenvolvimento, no Cairo; em 1995, a cúpula de desenvolvimento social, em Copenhague; a conferência sobre gênero e a questão das Mulheres, em Beijing, 1995; a conferência sobre o habitat humano, em Istambul; a conferência sobre fome e segurança alimentar, organizada também pela FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura], em 1996; todas elas foram inovando e aprimorando os mecanismos de participação. Então, eu acho que isso foi uma contribuição da Rio 92 em abrir espaços para o que a gente chama de governança, de controle social e público. Fora as questões conceituais: a disseminação do conceito de sustentabilidade, a incorporação do princípio da precaução, não só em regimes jurídicos vinculantes, como a convenção de clima e biodiversidade, mas o conceito, o princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas na convenção de clima. Então, tem uma série de conceitos que inovaram, seja no campo político, seja no campo jurídico, que ajudaram a, digamos, fortalecer a atenção da sociedade para as questões ambientais e de sustentabilidade. Óbvio que a gente pode falar: houve muito romantismo e ingenuidade em relação aos possíveis alcances da Rio 92? Houve. Mas, às vezes, é importante que os sonhos encorajem mobilizações e esforços para poder ampliar a pressão necessária para as transformações que precisamos.



P/2 – Rubens, principalmente em âmbito nacional e falando da convenção, quadro das mudanças climáticas, qual a importância dessa convenção, os desdobramentos dela?



R – Bem, a convenção, eu acho que… É difícil comparar, mas talvez ela até… Eu diria que a convenção de mudança climática tenha até mais importância que a da diversidade biológica. É uma injustiça falar isso, são questões igualmente importantes, mas ela… A mudança climática necessariamente mexe com todos os países, enquanto a diversidade biológica muitas vezes é tomada como um cuidado só dos países megabiodiversos ou dos países da região tropical. A convenção da mudança climática, seja pelas suas causas: emissões de gases do efeito estufa, pela queima de combustíveis fósseis, especialmente nos países industrializados; desmatamento, especialmente nos países em desenvolvimento; geração de metano e de outros gases pelos processos industriais e agropecuários, ela diz respeito a todo mundo. E, especialmente, pelos efeitos, porque os efeitos não são também igualmente distribuídos. O que cria situações de iniquidade: alguns causam mais e vão ser menos afetados, outros causam menos e são mais afetados por secas, enchentes, perda da produção agrícola e, portanto, questões de segurança alimentar… Então, é uma convenção que eu acho extremamente importante para salvar a vida do planeta, de todas as espécies vivas, das dinâmicas ecológicas… Então, eu acho que a convenção que mais diz respeito ao que está em risco no planeta, que é vida. Obviamente que a convenção de diversidade biológica tem assuntos extremamente importantes, mas a convenção de mudança climática eu acho que é significativa. O Brasil teve, tem e deve ter, no futuro, papel exemplar e deveria ser cada vez mais rigoroso no cumprimento da convenção. 



P/2 – E qual a consequência, nesse sentido, da ausência americana?



R – É… A ausência dos Estados Unidos, provocada por decisões do governo estadunidense e por pressão de empresas estadunidenses, é lamentável, seja do ponto de vista ético, é um desrespeito a humanidade, é um desrespeito a vida; é lamentável do ponto de vista econômico, cria condições perversas para os atingidos, Bangladesh, outros. Porque os Estados Unidos é responsável por 25% das emissões e quem paga a conta de sanar os problemas são outros países que têm menores condições econômicas. É, portanto, imoral do ponto de vista político, social e assim por diante. Agora, reflete uma situação de poder ou do jogo de forças do próprio Estados Unidos. Nós sabemos que tem muita gente, muitas organizações, inclusive governamentais, alguns governos estaduais dos Estados Unidos estão buscando criar programas que, na prática, possa fazer adesão ao que propõe o Protocolo de Kyoto, mas esperamos que no final da administração Bush Jr., os Estados Unidos possam reentrar na comunidade internacional no que diz respeito a convenção de clima. Agora, é muito lamentável e eu acho que é um exemplo que não deve ser seguido. 



P/2 – E quanto a conferência das partes, principalmente nas mudanças climáticas, como você vê que tem avançado as discussões?



R – Às vezes, não avançam na medida em que nós ambientalistas e que os cientistas acham que é necessário. Veja, o próprio Protocolo de Kyoto, celebrado ou finalizado em 1997, definiu que, em média, a redução das emissões, se todos os países cumprissem, inclusive os Estados Unidos, seria por volta de 5% das emissões que existiam em 1990. Alguns desses países aumentaram muito as suas emissões. E 5% é muito pequeno. Os próprios cientistas já dizem que a redução de dióxido de carbono, de gás carbônico, tinha que ser na ordem de 25, 30, 40, 50%, para os próximos 15, 20 anos, para evitar que o aquecimento do planeta ultrapasse a média de 2o celsius no final desse século XXI. Agora, o regime diplomático, o regime multilateral, é muito lento. Agora, eu defendo o regime multilateral, porque eu acho que em acordos bilaterais, por mais que algumas vezes você possa depender de quem são os atores envolvidos em acordos regionais bilaterais, eles muitas vezes são muito mais perversos e injustos. Quando você, de repente, pode reunir, sei lá, Estados Unidos, que bloqueia e cria obstáculos ao Protocolo de Kyoto, eventualmente cria com países um acordo bilateral, com um país muito mais frágil, que é assim, esmola: “Oh, eu vou lhe dar alguns milhares de dólares, você vai fazer isso e não me critique”. Então, eu acho que os acordos multilaterais são preferíveis para a governança global e sustentabilidade do que acordos bilaterais. As COPs [Conferência das Partes] têm sido lentas, mas essa última COP, em Montreal, em dezembro de 2005, acho que sinalizou que o Protocolo vai continuar. Os países estão dispostos a discutir uma segunda fase do Protocolo de Kyoto. Criou a possibilidade de mecanismo de desenvolvimento limpo, ter programas de… Programas públicos ou de políticas públicas beneficiadas pelo MDL [Mecanismo de Desenvolvimento Limpo]. Então, acho que há avanços muito lentos e é preciso continuar persistindo nesse negócio.



P/2 – Eu queria que você contasse um pouco do seu envolvimento com o Protocolo de Kyoto.



R – Bem, como eu disse, eu venho participando pelo Vitae Civilis e a organização também tem sido membro da rede mundial de ONGs de mudança climática, a Climate Action Network desde 1990. E eu ingressei nas negociações comecinho de 1992, e desde lá, então, a nossa organização tem acompanhado isso. Tive o privilégio de estar em várias reuniões de negociação, mesmo depois da Rio 92, antes da primeira COP, que aconteceu em 1995, em Berlim. Continuaram acontecendo reuniões do comitê de devastação e em 1992, um mês antes da… Ou dois meses antes da conferência do Rio, houve uma assembléia do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para Meio Ambiente e Desenvolvimento, o FBOMS, em Belo Horizonte, em abril de 1992, onde para finalizar os preparativos para a Rio 92 se formaram vários grupos de trabalho, e alguns desses grupos de trabalho se tornaram redes de ONGs. Foi ali que, mais ou menos, que começou a nascer a rede de ONGs Mata Atlântica, se formou algum grupo de trabalho de energia, na época que o meu trabalho diminuto, ainda sobre mudança de clima. Se formou inicialmente com o nome Rede Clima Brasil, funcionando dentro do FBOMS. Isso mudou no ano 2000: o grupo, chamava Rede Clima Brasil, resolveu, numa reforma do FBOMS, voltar ao nome Grupo de Trabalho de Mudanças Climáticas. Continua inserido dentro do FBOMS e eu pude, então, tanto de um lado estar coordenando, ser um dos coordenadores desse grupo, estimulando as discussões e, sobretudo, um maior engajamento. Porque, cá entre nós, e com quem nos vê, ainda é incipiente, na minha visão, a participação e o interesse de ONGs do Brasil na questão da mudança do clima. Tem sido que recente, especialmente de Kyoto, depois de 1997 e especialmente no foco do mecanismo de desenvolvimento limpo. Mas a discussão de políticas públicas associada a prevenção de causas de mudança de clima, a mitigação dessas causas, aos mecanismos de adaptação, têm sido incipientes. Eu, então, participei da COP I, em Berlim, quando se adotou o tal do mandato de Berlim, para negociar um protocolo e participei de algumas reuniões entre 1995 e 1997. Que eu me lembre, eu fui o único brasileiro, de ONG brasileira representando o FBOMS e o então grupo de trabalho de clima, o Rede Clima Brasil como na época se chamava, lá em Kyoto, em 1997. A delegação brasileira, a parte do governo era o Ministro Israel Vargas, o embaixador Dayrell de Lima, alguns técnicos do Itamaraty e do Ministério do Meio Ambiente, o Fábio Feldman, que era o então secretário de meio ambiente de São Paulo. Eu acho que no total estavam sete ou oito pessoas. Havia também um empresário, Oscar Motomura, e eu acho que, se não me engano, a única pessoa de ONG… E eu acompanhei as negociações lá em Kyoto. Fizemos também, um pouquinho antes da conferência acontecer, a gente fez um trabalho de sensibilizar a mídia brasileira para a cobertura de Kyoto, que ia destacar isso. Porque na época já um ou dois meses antes de acontecer a conferência em Kyoto, eu procurei as chefias, as editorias de vários veículos de comunicação, especialmente São Paulo, TVs, jornais e rádios, e algumas delas eu fui recebido: “Ah, você é ambientalista? A ECO 92 já passou há cinco anos atrás. Por que você veio falar isso? Isso não é importante”. E a gente montou um site, na época, com informações básicas: o que era a mudança de clima, o que ia acontecer em Kyoto. E lá de Kyoto eu mandava notícias diariamente ou cada dois dias por e-mail. E o fato é que quando a mídia brasileira, desde o Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, a TV Globo, em São Paulo, ou a TV Globo, o jornal O Globo começaram a receber os despachos, as matérias, das agências internacionais, a France Press e outras, eles perceberam que algo importante estava acontecendo. E alguns jornalistas brasileiros acabaram sendo… Ou correspondentes da Folha de São Paulo, ou acho que também do Estado de São Paulo, que era de Washington, rumou a Kyoto… Eu tenho ainda um depoimento por escrito do William Buarque, hoje da TV Globo, dizendo que, ele na época correspondente em Londres, só foi a Kyoto em função das mensagens que eu mandava para a então chefe da editoria internacional do jornal O Globo, a Simone Duarte, que estava no mailing… Então, nós tivemos o trabalho de convencer a mídia brasileira a cobrir Kyoto. Porque sem a cobertura o Brasil não ia saber direito o que estava acontecendo e não sabendo, não ia se engajar em políticas necessárias para cumprir a convenção. 



P/2 – Está bom. Queria que você dissesse, na sua visão, qual a relação entre política e meio ambiente.    

             

 

R – Bem, é completa, porque política, no bom sentido da palavra, diz respeito ao conjunto de regras, diretrizes, princípios, que deviam orientar as ações dos indivíduos e de toda sociedade para temas específicos, ou para vários temas: política de educação, política social, política agrícola… E todas as atividades humanas de alguma maneira ou outra afetam o meio ambiente. Tanto assim que nós precisamos ter uma política ambiental. As questões ambientais não podem estar refletidas somente na política ambiental. Têm que estar refletidas na política agrícola, na política industrial e assim por diante. Na cultura, valorizando os conhecimentos tradicionais de populações indígenas, caboclas, ribeirinhas, caiçaras… Então, eu acho que é importante nesse sentido. É importante num outro sentido também: está em voga, está em moda agora, falar muito de responsabilidade social. E, muitas vezes se toma isso como uma responsabilidade social das corporações, das empresas, quando na verdade todos, indivíduos e organizações sejam elas empresas privadas, órgãos públicos e até ONGs têm uma responsabilidade social, ou diria, socioambiental, que se revela na reciclagem do lixo, a não desperdiçar água. Ou seja, nós temos que ter cidadãos e organizações preocupados com zelar bem pelos recursos naturais, que nós tomamos do ambiente para nossa sobrevivência e não causar maior degradação e perversidade ambiental e social. Então, do ponto de vista da cidadania, da democracia, política e meio ambiente tem tudo a ver, porque diz respeito a responsabilidade que cada um, indivíduos e organizações, tem a ver com o meio ambiente e isso é uma questão política. 

     

 

P/2 – E você acha que a sociedade brasileira tem incorporado esse… No consumo dela, noções de preservação e conservação?



R – Eu acho que se a gente olhar para os últimos vinte anos, sim, o que me anima dizer que teria havido processos de abertura e crescimento. Quer dizer, se nós olharmos vinte anos atrás, ou quinze anos atrás, se alguém falasse de reciclagem de lixo parecia que era uma coisa esotérica. Hoje em dia, se não todas as empresas, muitas instituições fazem isso. Hoje os livros escolares, tem os livros do Ensino Fundamental, já têm noções. As crianças já sabem muitas vezes mais que os próprios pais. Então, eu acho que tem havido avanço no campo educacional e de conscientização. A questão é que a degradação ambiental e social caminha numa… Ou corre numa velocidade muito maior e o processo de conscientização e educação caminham somente numa velocidade muito menor. E por mais que nós aumentamos o número de pessoas e organizações mobilizadas, conscientizadas, ainda não conseguimos reverter a curva da destruição.



P/2 – Rubens, como você vê a relação entre os países no futuro, principalmente os seus cidadãos, no que tange o desenvolvimento sustentável?



R – Bem, o próprio conceito de desenvolvimento sustentável, aqui a gente estava falando da Rio 92, continua enfrentando resistências, especialmente daqueles que se beneficiam, digamos, da situação como está, do status quo. Ou seja, aqueles que não querem mudar o estilo, as tecnologias, os valores e princípios que norteiam o crescimento econômico, que é perverso porque é excludente, causa degradação ambiental, perda de etnias, de culturas. Estes resistem a questão da sustentabilidade ou muitas vezes reinterpretam o conceito de desenvolvimento sustentável para transformar o conceito em algo que os favoreça e mantenha a situação atual. Então, há inúmeros conceitos de sustentabilidade, alguns absolutamente questionáveis. Recentemente, eu estava num debate envolvendo, por exemplo a questão de normatização sobre responsabilidade social e ambiental, e havia uma sugestão de um conceito de desenvolvimento sustentável, que vinha, se não me engano, da ABNT, a Associação Brasileira de Normas Técnicas. Um conceito absolutamente questionável, porque praticamente cabe tudo o que está sendo feito agora e que é absolutamente insustentável. Então, é importante não confundir e pensar que sustentabilidade social e ambiental implica em sustentabilidade cultural. Implica em reconhecer a diversidade e ecossistemas de seres vivos, de populações humanas, de etnias, de religiões, e culturas e tentar encontrar formas econômicas, tecnológicas, que respeitem a possibilidade e o direito de cada um de permanecer vivo neste planeta. Então, se algum processo muitas vezes para satisfazer o que a gente chama “as nossas necessidades”, e as nossas necessidades são subjetivas também, às vezes, há que ponderar ganhos e perdas. Mas mesmo assim nós temos que minimizar as perdas para toda a sociedade. Então, eu tenho impressão que o que precisa ser feito, em todos os países, é uma melhor discussão do que é que significa sustentabilidade. Quais são as opções de política, quais são as opções de arranjos ou de usos de tecnologia, de arranjos sociais que permitam a humanidade viver nesse planeta, mas que permitam todos os seres vivos viverem nesse planeta, e com isso, até por um olhar antropocêntrico, garante que nós continuemos vivos. Mas o antropocentrismo não pode ser exacerbado ao ponto de a gente, digamos, na expressão popular, dar um tiro no pé. A gente degradar, devastar tanto o ambiente que um dia a gente vai ficar sem nada e vai sucumbir como espécie. Então, tem a questão ética e tem a questão, digamos, utilitária. Ambas são importantes para a gente reorientar os estilos de desenvolvimento e qualificar melhor o que tem sido colocado aí como desenvolvimento sustentável.

 

 

P/2 – E como que você vê a questão ambiental, prevê a questão ambiental daqui quinze, vinte anos?



R – Lendo vários relatórios… É… Digamos, promovidos, seja pela Organização das Nações Unidas, como a avaliação ecossistêmica do milênio, lançada em 2005, que fez, reuniu mais de mil cientistas do mundo todo para avaliar a situação ambiental no planeta, o funcionamento dos ecossistemas, ou o chamado Global Environmental Outlook, o panorama do meio ambiente mundial (houve um relatório desse Geo Brasil, o Panorama do Meio Ambiente no Brasil, em 2002); as tendências mostram que a degradação, a devastação, continua acelerada e crescente. Então, nós vamos ter que enfrentar seriamente a questão de limites, de metas, por exemplo, a questão de mudanças climáticas no Brasil, embora está escrito na convenção que o Brasil (e no Protocolo), que os países em desenvolvimento não vão ter metas quantitativas de redução de emissões de gases do efeito estufa; embora os países em desenvolvimento, como o Brasil, podem continuar até a crescer as suas emissões, o crescimento tem que se dar num nível menos acelerado do que ocorreria se não houvesse essa convenção e o Protocolo. Isso na prática, em outras palavras, significa reduzir drasticamente o desmatamento. Por exemplo, em 2005 o governo declarou que o desmatamento médio anual na Amazônia tinha caído de 27 mil km² para cerca de 19 mil. É uma redução significativa? É. Só que o valor que ainda está é absurdo. Absurdo. É imoral, né. Há muitos esforços que têm que ser feitos e têm que ser articulados, de governos municipais, estaduais, governo federal, empresas da sociedade civil, mas muito tem que ser feito e para gente acelerar o que tem que ser feito, tem que ter metas claras. Então, por exemplo, por que não ter metas domésticas que de alguma maneira estão associadas ao esforço internacional, mas não estão no texto da lei do Protocolo de Kyoto? Então, metas voluntárias ou metas domésticas de redução do desmatamento, de proteção da biodiversidade, de redução do crescimento das emissões de gases do efeito estufa, de proteção dos aquíferos e dos mananciais. Nós estamos, na questão de águas, é esse exemplo: qualquer vila, qualquer vilarejo do Brasil tem suas águas contaminadas e poluídas por falta de saneamento básico. Isso é um absurdo. Um país que tem tanta água desrespeitar sua gente e suas águas e não implantar infraestrutura de saneamento. 



P/2 – Fazendo uma avaliação da sua carreira, qual seria a lição ou as lições que você tiraria? 



R – Bem, primeiro que trabalhar e ser ativista na questão ambiental não é uma questão fácil. Não é uma questão fácil, porque muitas vezes se enfrentam resistências, se enfrentam adversários poderosos, se recebem ameaças… Mas eu diria que a única maneira de enfrentar tudo isso, de um lado é persistência, perseverança, e, sobretudo, criação de alianças que implicam dialogar mais com a sociedade. Não só entre os ambientalistas, que já estão, digamos, sensibilizados em relação ao tema, mas conversar com aqueles que ainda não conhecem o suficiente, que ainda não estão engajados o suficiente. Então, buscar o diálogo com todos aqueles que ou são vítimas hoje das más condições ambientais, mas mesmo sendo vítimas, com certeza, no seu interior, no seu âmago não querem ser cúmplices, mas não sabem como sair da situação em que estão. Então, eu acho que um aprendizado é não esmorecer: um dia você tem dinheiro, outro dia não tem, um dia você está sozinho, um dia você está numa equipe de dez… E continuar em frente. Isso é estar vivo.



P/2 – Então, para terminar, Rubens, o que você achou de ter participado desse projeto de memória?



R – Eu acho importante, porque o movimento ambientalista até alguns anos atrás, no Brasil, não registrava a sua própria história. Talvez pelo voluntarismo nosso, pela dedicação nossa as questões, a gente… E talvez pela juventude, quando a gente começou, quinze, vinte anos atrás, digamos, a finalidade da ação era e continua sendo mais importante, muitas vezes, que os meios para realizá-la. Mas o registro da história é uma maneira de compartilhar aprendizados, histórias de sucesso e fracasso e garantir que outras gerações possam dar continuidade a esse trabalho. Então, acho que é muito importante. O famoso filósofo e pensador Eric Hobsbawm disse que trabalhar para o futuro implica em você conhecer o passado e o presente. Se você não conhecer o passado e o presente, você não constrói um futuro melhor. Então, eu acho que tem esse pensamento e tem o pensamento da nossa responsabilidade, digamos, histórica, enquanto indivíduos. A gente sabe que transformações sociais, culturais elas levam décadas para acontecer. E as transformações institucionais também levam de certa maneira décadas e… Ou transformações de maior vulto. Então, muitas vezes as transformações não se dão no tempo de um indivíduo, por mais que ele viva 70, 80, 90 anos. Mas se a gente perceber o nosso elo histórico com pessoas que nos antecederam, deixaram um legado de desafios e de contribuições, e poder aprimorar esse legado e deixar para outros, eu acho que isso é importante. E o registro da história do movimento ambientalista é importante para incentivar outros jovens e outros jovens com mais experiência, que possam se engajar em qualquer época da sua vida, em qualquer idade. O importante é o engajamento, o compromisso e a consciência. 



P/2 – É isso. Obrigado, Rubens



P/1 – Obrigada, Rubens. Bacana sua visão final sobre o projeto de memória. Dá para usar muitas frases.



--- FIM DA ENTREVISTA ---

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