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Energia que move

História de: Alexandro Nascimento Genaro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/05/2016

Sinopse

Alexandro Nascimento Genaro, o Sandro, é um aficionado por filmes, que começou sua carreira profissional no Cinema Aricanduva. Em seu depoimento, ele fala sobre as brincadeiras de infância no bairro de Itaquera, zona leste de São Paulo, da profissão do pai como tipógrafo, sobre sua vida escolar e o trabalho como office-boy.  Descreve o trabalho como projecionista e explica como a tecnologia está extinguindo a profissão. Fala sobre os tipos de película com que já trabalhou e dos filmes que gosta. Finaliza falando sobre seu casamento e sobre os filhos. 

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História completa

Sou Alexandro Nascimento Genaro, nasci aqui em São Paulo, dia 20 de janeiro de 1974. Meus pais são Miguel Luís Carlos Genaro e Maria Aparecida do Nascimento Genaro. Meu pai era tipógrafo e tinha, como eu, uma profissão que acabou com a tecnologia. E a minha mãe era costureira, é costureira até hoje, mas agora só trabalhos pequenos. Tenho três irmãs mulheres, uma é professora, uma é policial civil e a outra trabalhava na Natura, eu acho que na parte de química.

 

Meu avô me contava que eles usavam lampião, era a querosene, sabe? Ele me ensinou fazer uma lamparina a óleo de cozinha! Você pegava um cadarço de sapato velho, enfiava numa chapinha de metal e fazia uma lamparina a óleo. Quando eu era moleque, eu ia brincar, fazer cabaninha no mato e fazia essas lanterninhas para iluminar, entendeu? Brincadeira de molecada, né? Ele falava que quando chegou a energia elétrica, eles tinham só uma lâmpada na casa, porque eles economizavam. Era uma festa e uma lâmpada! Aí, depois de muito tempo ele comprou um rádio. Só quando minha mãe já era adulta que ele foi comprar uma televisão.

 

Quando criança eu ia em cinema de rua, mas na adolescência eu passei a ir muito ao cinema.  Lembro de “Robocop”, que a censura era, se eu não me engano, 16 anos. Eu devia ter 14, 13 anos, mas eu consegui entrar. E quando eu virei office-boy, eu chegava a ir para o cinema, eu pegava e ligava: “Está uma fila gigantesca no banco, vou ter que ir embora daqui, tudo bem?”  “Tudo bem”, eu ia para o cinema, eu já tinha saído do banco já fazia tempo, já, que era para dar tempo de eu ir no cinema e depois ir para a escola. Eu fazia isso para ir no cinema. Sempre fui fanático por cinema, depois que eu comecei a trabalhar com cinema, parei de ir ao cinema… parei de ir, não, eu vou muito ao cinema para levar meus filhos, mas eu vou mais para ver os filmes com eles.

 

Com 19 anos, consegui um emprego no Cine Aricanduva. Foi naquela fase militar que não podia largar o emprego, nem nada, porque senão, não ia conseguir arrumar nada. Já logo no começo eu era trabalhava na portaria, rasgando ingresso. Com uns dois meses lá, eu passei para auxiliar de borderô, que é o ajudante do gerente. Eu contava a renda do dia, fazia os relatórios, preenchia os dados dos impostos que eram pagos, fazia toda a questão burocrática do cinema, preenchia aquele monte de formulários. E quando eu tinha uma folguinha, ficava na cabine, porque para mim, aquilo era fascinante, a projeção. E fiquei aprendendo, trabalhando na cabine, olhando tudo aquilo e aí, teve uma greve grande dos projecionistas aqui em São Paulo, onde mandaram embora todos os projecionistas. E eu sabia fazer projeção.

 

Eu comecei no Alvorada Cinemas, onde eu trabalhei seis anos. A Alvorada Cinemas faliu, fechou as portas, aí naqueles poucos meses, eu conhecia muita gente, porque eu rodava vários cinemas, então, eu criei vários amigos, e aí, quando eu saí do Alvorada, alguns amigos meus ficaram sabendo que eu estava desempregado e ficaram sabendo do Espaço Unibanco de cinemas, ali na Augusta, agora Espaço Itaú de Cinemas, que estava precisando de um projecionista. Lá eu fiquei oito anos, eu pedi para sair de lá, não queria mais ficar ali, porque chega um momento da nossa vida que a gente tem que tomar alguns rumos, e eu sabia que ali não tinha jeito, ali era um lugar muito limitado, entendeu? Eu sai de lá, acabei ficando como temporário no Sesc durante cinco anos. O Carlos Magalhaes que era o diretor aqui da Cinemateca era muito amigo do gerente do Sesc. O Magalhães falou para ele assim: “Estou precisando de um projecionista, mas estou com dificuldade, os caras não sabem muito”, aí ele falou: “Tem um rapaz aqui que trabalha bem, ele está fazendo temporário aqui, faz uma entrevista com ele”. Eu fiz uma entrevista e fui contratado.

 

A energia está presente em tudo! Acho que não tem mais como a gente ter uma rotina sem energia, hoje em dia, se acaba a energia elétrica, a gente fica louco. No meu trabalho mesmo, ele não existiria sem energia, não tem como, desde que a projeção iniciou… logico, no início das projeções, eram tipo lamparina, sabe, mas projeção cinematográfica não tem como sem a energia. Ela é parte integral do meu dia a dia. Minha maior preocupação é os meus filhos ficarem sem energia em casa, porque eles ficam doidos, cara!

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