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Energia para o futuro

História de: Fernando Tourinho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/07/2005

Sinopse

O entrevistado falou sobre a sua carreira como engenheiro elétrico, tendo iniciado na Light, no Rio de Janeiro. Relatou que foi cedido para trabalhar em várias outras empresas. Contou que foi coordenador geral de planejamento energético no Estado do Rio de Janeiro onde desenvolveu todo o projeto de ônibus e táxis movidos a gás. Trabalhou também nas privatizações do setor elétrico e disse que foi assim que chegou à Eletropaulo, onde está envolvido na comemoração dos cem anos da empresa, preservando essa história tão importante e encarando todos os demais desafios do cargo, como por exemplo, o cuidado com o meio ambiente.

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História completa

P - Boa tarde, Fernando. Vamos começar a entrevista perguntando o seu nome completo, local e data de nascimento.

R - Meu nome é Fernando Tourinho, nasci em Aracaju, Sergipe, no dia 4 de novembro de 1949.

P - Fernando, sua família é da região de Sergipe?

R - Minha família começou com umas das capitanias hereditárias: Porto Seguro... Pedro de Campos Tourinho, de Porto Seguro. Um ramo foi para o Estado de Sergipe e outro ramo para o Estado do Paraná. Eu saí de Aracaju, Sergipe, com dois meses de idade, e fui para o Rio de Janeiro, onde fiquei até um ano e meio atrás.

P -Por que a sua família foi para o Rio de Janeiro?

R - A minha família foi para o Rio de Janeiro porque o meu pai é farmacêutico, formado pela Universidade Federal da Bahia e recebeu um convite para trabalhar no Rio de Janeiro, no antigo Estado da Guanabara e este convite foi financeiramente muito bom. Meu pai resolveu ser o primeiro Tourinho a ir para o Estado do Rio de Janeiro, antigo Estado da Guanabara.

P – Onde vocês foram morar lá no Rio?

R - Nós fomos morar em Copacabana, de até hoje meu pai e minha mãe, que graças a Deus ainda são vivos, moram. Até hoje na rua Bolívia, em Copacabana. Então, já moramos lá há quase meio século, no mesmo lugar.

P – Tourinho, como a gente tem uma entrevista um pouco curtinha ...

R – Claro, claro, fique à vontade...

P - Queria que você contasse a sua experiência no setor elétrico.

R – Perfeito. A minha experiência no setor elétrico é uma experiência. Primeiro, por que   eu escolhi a Engenharia Elétrica, né? Pela minha afetividade, pela minha identificação plena com a área de energia elétrica. Então, fiz Engenharia Elétrica e entrei no setor de energia, não por interesse comercial, mas por uma vontade, um desejo de trabalhar com aquilo que eu acreditava, que gostava de fazer. Fui para o setor de energia elétrica com vontade, com desejo. Sou formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1971. Comecei minha carreira sendo estagiário da Light, depois engenheiro da Light. Trabalhei como engenheiro da Light até fevereiro deste ano, quando fui transferido para a Eletropaulo. Da Light, fui cedido, trabalhei na Cerj [Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro], no Rio de Janeiro, e na Eletrobrás [Centrais Elétricas Brasileiras S.A]. Fui coordenador geral de planejamento energético no Estado do Rio de Janeiro onde desenvolvi todo o projeto de ônibus e táxis movidos a gás e onde desenvolvi, doze anos atrás, o potencial de cogeração de energia para o Estado do Rio de Janeiro... fizemos vários projetos de interesse comum. Retornei à Light e fui assistente do diretor de Distribuição de Energia. Depois, fui chefe do gabinete da presidência da Light durante cinco anos. Depois fui ser assistente do diretor de Distribuição... depois... entrei na área das privatizações, participei, pela Light, nas privatizações da Cerj, da Companhia de Gás do Estado do Rio de Janeiro, da Escelsa [Espírito Santo Centrais Elétricas], da Coelba [Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia], da Cemig [Companhia Energética de Minas Gerais], da Cpfl [Companhia Piratininga de Força e Luz], da Bandeirante, da Empresa Paulista de Transmissão e da Eletropaulo, que nós compramos. Eu vim pra cá para coordenar todo o trabalho na área de implantação, na época do... desenvolvimento, que, em inglês, nós chamamos de take over, logo após a compra. Fui a primeira pessoa da Light a chegar aqui, depois chegaram os outros diretores da empresa. A gente tá desenvolvendo um trabalho de aproximadamente um ano e meio contando a partir de 15 de abril de 1998, que foi a data da privatização... Então, a experiência é muito rica. Faço na vida, graças a Deus, faço o que gosto, tenho prazer no que faço, o que infelizmente... Gostaria que todas as pessoas fizessem aquilo que gostam, sou um felizardo e acho que... tenho que agradecer a Deus. Faço o que gosto, faço por amor, então me dedico porque acredito no que faço, estudei muito pra isso, acho que procurei... tenho procurado, faço cursos, fiz curso de pós-graduação na Inglaterra. Estive nos Estados Unidos, estive na França e faço o que gosto. Exerço o que gosto no país em que nasci e pelo qual tenho amor, e acredito muito que será um dos maiores países do mundo.

P - Essa passagem pela França, foi pela Light?

R - A passagem pela França foi pela Light, quando nós participamos do projeto da privatização da Cerj, onde eu fui estudar com os colegas da Électricité de France (?) todo projeto de tecnologias novas de abordagens de compra e também de avaliação de empresa distribuidora de energia elétrica. Fiquei aproximadamente três meses na França.

P - E esse cargo que você tem aqui na Eletropaulo, atualmente?

R - Eu vim pra cá como um ... assistente, e depois, assessor do presidente da Light, já quando a Light era uma empresa privatizada. Trabalhava diretamente com o Monsieur Michel Gaillard que é o presidente da Light e como responsável pelo programa de avaliação de compra da companhia. Eu fui o responsável pelo... nós chamamos em inglês de ________, ou seja, o levantamento de todas as informações, approach e planos estratégicos,  que chegaram, evidentemente, a buscar um modelo econômico-financeiro, a analisar o valor... quanto nós podemos pagar por essa companhia. Vim para cá como assistente do atual presidente da empresa, o senhor Marco Pereira. Assistente da empresa que resolveu por bem, através de sua diretoria, em particular do presidente, me convidar para ser diretor de Relações Institucionais, onde sou responsável por toda a comunicação da empresa e todo relacionamento com o órgão regulador, que é a Agência Nacional de Energia Elétrica, com o órgão fiscalizador, que é a Agência Nacional de Energia Elétrica, com a Secretaria de Energia do Estado de São Paulo, a concessão pública de energia, e também com a Assembleia Legislativa, com toda a classe política, empresarial, com a Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], com o Clube dos Diretores Lojistas, com a Associação Comercial de São Paulo, enfim, com todas as entidades patronais e também com as entidades sindicais, pelo lado patronal.

P - E esse novo slogan da companhia “Uma Nova Energia, Uma Nova Atitude”?

R -  “Uma Nova Energia” é porque a empresa, ao ser privatizada... Foi esse o motivo que levou, particularmente o governo do Estado de São Paulo, o governador Mário Covas, a fazer a privatização das empresas distribuidoras de energia e de geração... pelo fato do governo do Estado não dispor de recursos que pudessem dar uma nova energia ou fazer os investimentos necessários para melhoria da qualidade do serviço. A empresa foi vendida em condições que evidentemente eram condições boas, mas que requeriam um investimento muito pesado nos próximos anos. Nós começamos a executar esses investimentos a partir do ano passado, nós investimos quatrocentos e oitenta milhões de reais, e esta nova energia significa uma modernização, uma necessária atualização tecnológica de todo o sistema de distribuição da companhia para melhorar a qualidade de energia para os clientes da nossa área de concessão. E essa nova atitude é uma postura empresarial muito mais dinâmica, porque a empresa deixou de ser estatal, para ser uma empresa privada. É uma atitude nova, na qual nós trazemos a experiência, o know how dos sócios estrangeiros, que são a AES [Applied Energy Systems](?), a maior produtora independente de energia dos Estados Unidos, a  EDF [Électricité  de France] (?), que é a maior empresa de energia do mundo e a Houston Industry Energy, a terceira empresa de energia dos Estados Unidos, e a CSN [Companhia Siderúrgica Nacional] (?) que é um dos sócios locais, um dos controladores locais. Esses quatro sócios, com essas quatro experiências juntas, com essas culturas diferentes... essa nova atitude será um resumo, e está sendo, do que há de melhor na experiência dessas pessoas que representam esses acionistas controladores. Para ter uma atitude diferenciada  no atendimento do cliente e evidentemente na forma de desenvolver a empresa, quer seja na área tecnológica, na área de processo, na área de relações com as pessoas, nas relações com os empregados, na participação efetiva  do empregado, não como uma pessoa que faz parte de uma máquina, mas uma pessoa ativa que tem direitos, deveres e também responsabilidades, né? É uma mudança no perfil do funcionário é uma... digamos assim, é uma maior responsabilidade, mas com uma maior bagagem para que ele possa assumir essa responsabilidade. Um maior treinamento, uma maior preparação e uma maior confiança que é depositada nos empregados. Uma empresa prestadora de serviços públicos não pode prescindir da figura humana. Essa empresa, e nenhuma empresa de energia elétrica, da área de distribuição de energia elétrica e também de qualquer serviço de prestação de serviço público, pode prescindir do homem, da pessoa. Não existe sistema de automação no mundo que substitua o homem, a fala do homem, o diálogo do homem. É fundamental que a gente preserve esse ser essencial que é o homem... a pessoa... e essa empresa, toda empresa de distribuidora de energia elétrica, é uma empresa que carece, precisa dessa nova atitude, desse novo funcionário, nessa virada do século. Nós aproveitamos, então, para prepará-lo, capacitá-lo para esse grande e novo desafio.  Estamos trazendo para esse funcionário toda essa tecnologia, mas ele precisa saber trabalhar com essa tecnologia. Ele precisa ser preparado para atuar. É como se pudesse colocar uma pessoa no avião mais moderno do mundo e colocasse uma pessoa que não sabe pilotar. O avião faz tudo sozinho. Mas sem o homem, sem a pessoa, ele nada faz. Então, essa é a nova atitude. É a mudança no procedimento, na forma de agir, privilegiando, e principalmente, dando àquele que representa a pessoa, conhecimento e total liberdade, para dentro desse conhecimento, com total responsabilidade, poder fazer a sua atividade-fim da melhor forma possível. E ele pensa na empresa não somente “ah eu trabalho numa área da empresa, por exemplo, na área da contabilidade”. Ele não vê a empresa somente como área específica. Ele vê a empresa como um conjunto e é dada a ele a oportunidade de conhecer a empresa, e ver a empresa como um ser dinâmico, que se move a cada minuto, e que cada uma dessas peças desse movimento precisam ser  devidamente coordenadas e sincronizadas para que não haja desequilíbrio desse ser que é a Eletropaulo. Por incrível que pareça, uma empresa de energia elétrica é uma coisa que, no papel, não tem vida. Mas ela tem vida pela energia que ela distribui. Ela tem vida pelas pessoas que fazem essa energia ser distribuída. Então, essa nova atitude está ligada, focada no homem. Na pessoa.    

P- E os 100 anos da companhia que...

R – 100 anos. 100 anos. É uma empresa que completa... a nossa área de concessão, 100 anos que chegou no Estado de São Paulo. É uma responsabilidade muito grande, porque esta empresa foi, é, e continua sendo, responsável por todo o desenvolvimento industrial e da energia no Estado de São Paulo. O Estado de São Paulo representa um terço do PIB brasileiro, então, essa empresa, nesses 100 anos, tem uma responsabilidade muito grande que a ela é atribuída... A ela, todos os louvores e honras. Os canadenses e os ingleses, quando chegaram aqui há 100 anos, trouxeram para o Estado de São Paulo esse insumo/energia que deu uma qualidade de vida para o homem e que possibilitou  a industrialização de São Paulo, do Brasil. Então, nós não poderíamos deixar que esses 100 anos não fossem registrados, marcados como história dessa companhia, que faz parte integrante do desenvolvimento, não só industrial, mas do Estado, das pessoas. Quantas mudanças aconteceram no Estado de São Paulo, né? Eram trens movidos a carvão ou a lenha, hoje são todos trens elétricos, movidos a eletricidade. A iluminação pública era feita com betuminosos, com azeite etc. e tal, hoje é energia elétrica plena, né? A iluminação, os bondes puxados a burro? Hoje já não tem mais nem bonde, hoje são os trólebus, movidos a eletricidade. Foi uma transformação muito grande, os aparelhos eletrodomésticos, a televisão preto e branco, a televisão a cores, o rádio, o liquidificador, a geladeira, o micro-ondas, o freezer, o ar-condicionado... o controle do meio ambiente, da capacidade de vida, né? A Eletropaulo faz parte, a Eletropaulo é uma empresa que é paulistana, é paulista, ela pertence, é integrante, faz parte integrante da população do Estado de São Paulo. Então, não poderíamos nunca deixar de comemorar os 100 anos, em respeito àqueles que chegaram aqui e, 100 anos atrás, trouxeram essa coisa maravilhosa que é a energia elétrica, que possibilitou esse desenvolvimento maravilhoso, e que nós não podemos esquecer porque isso faz parte da história. Então, duas coisas que quando nós chegamos aqui, e que a diretoria determinou, era que nós deveríamos, e nós estamos fazendo, comemorar esse fato tão importante para o desenvolvimento de São Paulo. E também é uma forma de dizer obrigado a vocês que chegaram aqui há 100 anos. Hoje nós recebemos essa empresa maravilhosa com uma grande responsabilidade. É a maior empresa de energia elétrica da América Latina, uma das maiores do mundo, nós precisamos ter carinho. Recebemos a empresa com 100 anos de vida, mas ela é jovem, e tem um futuro maravilhoso que vai depender das pessoas que aqui trabalham. Porque a população, a quem temos o maior orgulho de atender, precisa da nossa companhia para melhorar a sua qualidade de vida. Então, nessa virada do século, com toda essa automação que temos no país, nós queremos, na nossa área de concessão da nossa Eletropaulo, que todo esse desenvolvimento tecnológico chegue primeiro na nossa área de concessão. Nós estamos atentos pra que a gente possa ter energia pra fazer movimentar toda essa tecnologia em benefício da população, em nome do progresso e do desenvolvimento sustentado, com todo o respeito ao meio ambiente. Nós temos um trabalho dos 100 anos, a gente está trabalhando também muito a questão do meio ambiente. É um desenvolvimento com respeito à preservação do meio ambiente e à preservação da vida. Para que esta nova juventude, que daqui a alguns anos tomará conta, os futuros executivos da Eletropaulo e os funcionários, recebam a empresa que pode continuar desenvolvendo... que possam respirar um ar melhor, porque a Eletropaulo, aquilo que coube à Eletropaulo, as  pessoas que aqui estiveram e estarão no futuro, tem como meta um total respeito ao meio ambiente, com equilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente.

P/1 – O que motivou a empresa a estar patrocinando a setorização _____(?)

R - Faz parte dos 100 anos. Nós olhamos pra os 100 anos com a gratidão de dizer “aqui estamos”. Alguns já estão em outro planeta, em outro plano, mas os descendentes dos que já foram estão aqui presentes. Gratidão... nós achamos que a vida, o mundo... nós precisamos conhecer a história. Um país que não tem história, não sabemos o futuro desse país. Eu preciso saber o que fui ontem. O que aconteceu ontem.  A Eletropaulo é hoje o que aconteceu ontem. E o amanhã depende do hoje. Costumo dizer que o hoje depende do ontem. E o amanhã depende do hoje. Então, de que vale uma empresa na qual as pessoas responsáveis tiveram uma história maravilhosa, fizeram o Museu da Eletricidade, deixaram os seus registros, se neste momento, com toda esta tecnologia, não estivéssemos atualizando essas informações? A Eletropaulo tem entre as suas preocupações, seus objetivos, registrar todos os momentos da sua história. Continuar registrando todos esses momentos. E a gente espera estar sempre atualizado. Hoje sou eu, amanhã será outra pessoa, e eu tenho a certeza absoluta que terá como meta principal a preservação da história. Um país ou uma empresa que não preserva a sua história não tem futuro. Não há futuro sem saber o que foi o ontem. Impossível. Fica uma empresa perdida no espaço. E uma empresa de energia elétrica, apesar de toda a tecnologia, depende de cada segundo. Na eletricidade, cada segundo é um movimento rico, um movimento novo, né? É energia. Mas é preciso registrar.

P – Para concluir, existe alguma outra coisa que você deseje falar?

R – A coisa que eu gostaria de dizer é que... em primeiro lugar, queria dizer que estamos muito agradecidos de estarmos na Eletropaulo. Estamos muito orgulhosos de termos tido o privilégio de termos comprado a companhia Eletropaulo. Eu quero falar em nome dos controladores. Das empresas que são donas da Eletropaulo. Da AES, da EDF, da Houston e da CSN. Essas quatro empresas têm um orgulho muito grande de ser donas da maior empresa distribuidora de energia elétrica do Brasil. Essas empresas têm orgulho disso, têm em suas mãos e de seus executivos uma grande responsabilidade, atender a uma área do Estado de São Paulo que é a mais importante do Brasil e da América Latina. Estamos orgulhosos, e queremos deixar isso registrado para a eternidade. E dizer que a Eletropaulo hoje, com 100 anos, é uma velhinha, de história. Mas é uma grande empresa, com um grande futuro.

P - Agradecida.

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