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História

Encontro com Fátima Bernardes

História de: Valdemir Ângelo de Souza
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Valdemir nasceu em São Paulo, perdeu os pais na infância e foi morar com outra família de seu bairro, quando começou a ter crises de esquizofrenia. Nas primeiras crises, teve contatos imaginários com a jornalista Fátima Bernardes. Nesse mesmo período, chegou a escrever cartas para o jornalista Chico Pinheiro.

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História completa

P/1 – Então, Valdemir, vamos começar a entrevista com você nos dizendo o seu nome completo a data e o local de nascimento.

 

R – Meu nome é Valdemir Ângelo de Souza, eu nasci no dia 13 de julho de 1972, aqui em São Paulo, no Hospital do Ipiranga.

 

P/1 – E o bairro aonde você nasceu, aonde você passou a sua primeira infância, como era esse bairro?

 

R – Ali na Vila das Mercês, eu tinha... O que? Meus seis, sete anos de idade, os meus pais ainda eram vivos, eu curtia muito os meus pais, após, o tempo foi passando, a minha mãe foi ficando muito doente, e aí a vida da gente foi passando, foi ficando difícil... Já era um pouco difícil porque nós viemos de uma linhagem, assim, não muito produtiva em termos de renda, a tente passava um pouco de dificuldade, e aí quando eu completei nove anos de idade a minha mãe veio a falecer, eu fui criado um pouco pelos meus irmãos, e quando eu fiz dez anos de idade o meu pai veio a falecer; só que antes do meu pai falecer eu já tinha ido morar com uma outra família, aí eu voltei pro local aonde eu morava porque eu queria ficar com os meus irmãos, aí o meu pai viu que eu fiquei muito doente, por causa da morte da minha mãe e pediu que eu voltasse pra aquela família porque eu ia ter possibilidade de ter uma vida melhor, né, de sobreviver.

 

P/1 – E, nessa família, como era a sua relação com eles?

 

R – Assim, eu conhecia o filho dessa família, né, dessa mulher com quem eu fui morar...

 

P/1 – Como era o nome dela?

 

R – Darci. E eu e o filho dela na infância... Eles eram de classe média e a gente era de uma classe mais abaixo, e eu tinha muita amizade com esse filho dela, então quando os meus pais faleceram, o filho dela... Como a gente era pequeno e brincava junto, ele falou: “Por que você não vem morar lá em casa, né?” e ai ele falou com a mãe dele, a mãe dele viu a situação, tudo, e acabou me levando pra mora com eles.

 

P/1 – E essa casa também era na Vila das Mercês?

 

R – Exatamente, na Vila das Mercês.

 

P/1 – E quais são as suas primeiras lembranças da escola?

 

R – Ah, nas escola, assim, eu cheguei a ter um pouco de dificuldade, né, porque como o pensamento tava muito na minha mãe, eu era muito apegado com a minha mãe, eu não conseguia estudar direito, então anos eu passava, anos eu repetia, e não conseguia estudar direito, aí quando eu fui morar com essa família, aí que eu fui conseguindo prestar um pouco mais de atenção no que eu devia fazer e o que eu não devia.

 

P/1 – E qual é a sua primeira lembrança dos Correios? Alguma carta que alguém escreveu? Uma encomenda?

 

R – Aí é que tá, agora eu vou entrar... Se vocês me permitirem eu vou entrar numa historia que tem um pouco a ver co a minha infância.

 

P/1 – Pode contar.

 

R – Como eu vou dizer? Quando eu tinha os meus seis, sete anos, os meus pais eram vivos, a gente morava numa favela e, assim, o que eu me lembro, hoje, eu via alguns vultos passando, e aquilo me incomodava, e eu acho que a minha mãe foi ficando doente por causa disso, eu falava que tinha alguém que queria, sei lá, prejudicar a minha mãe, né, e a minha mãe foi ficando doente com isso, e aí o tempo foi passando, foi passando... E teve um envolvimento com religião, sobre um centro espírita, a minha mãe ia, e eu não gostava que a minha mãe ia nesses lugares,  como eu não largava dela eu sempre acompanhava, e eu via, eu era pequeno... Isso quando ela tava viva, né, e eu não gostava, eu achava aquilo aterrorizante, que aquilo podia prejudicar a minha mãe, né, e enfim, esses negócios de receber santo... Eu não tenho nada contra, cada um com a sua religião, né, mas a minha mãe foi... Como eu caminhava muito com ela, eu era muito apegado ela, as vezes ela me levava até no serviço porque eu nasci de sete meses, então naquela época eu era muito pequeno pra minha idade, fui crescer agora depois de grande, o pessoal falava: “Nossa, esse menino não vai conseguir se desenvolver, né, ele ficou doente com a morte da mãe, tudo”, mas eu vim crescer de um tempo pra cá; e nesse meio tempo da minha vida com a minha mãe, convivendo com a minha mãe, e ela indo nesses lugares, ela começou a ter uns tipos de pensamentos que ela sentia alguém tocar nela, mesmo sem ter ninguém, e ela falava isso pra mim, como eu andava com ela e era muito pequeno ela falava isso pra mim, aí eu não entendei, né, porque eu era muito pequeno, e aí a minha mãe começou a ser muito hospitalizada, ficava doente, ia pro hospital, voltava, e ai eu lembro que...

 

P/1 – E ela ficava no hospital aqui em São Paulo mesmo?

 

R – Aqui em São Paulo mesmo. Aí o tempo foi passando e a minha mãe usava um remédio pra esquizofrenia,só que naquela época eu nem sabia o que era isso, não tinha nem noção, aí o tempo foi passando, e como a gente morava num barraco, assim, então as vezes chovia dentro, né, a gente colocava pano, colocava plástico pra não entrar água, né, e agora eu vou entrar num detalhe muito, assim, meio assustador, porque estávamos eu e o meu irmão mais velho, assim, deitados no sofá, e ai eu olhei pro telhado, né, lá no barraco onde nós morávamos, e de repente, assim, num pedaço de pano eu via a forma do rosto do diabo, e aí eu falei pro meu irmão mais velho, eu falei: “Olha direito aquilo ali”, nisso eu já tinha sete anos de idade, e eu falei: “O que parece aquilo ali, aquela imagem?”, né, ai meu irmão olhou bem: “Não sei”, aí eu falei: “Eu to vendo uma imagem muito feia ali, muito feia”, aí ele falou: “O que é?”, eu falei: “Eu to vendo a imagem do diabo”, ai meu irmão olhou e falou: “É, parece mesmo”, eu falei: “Tira lá, tira aquilo dali”, né, aí meu irmão falou: “Não, tira você”, aí ele me ergueu, assim, eu peguei, fui lá e desmanchei aquilo, tudo bem, o tempo passou, eu falei pra você que a minha historia é complicada, não sei se eu posso falar, se eu posso contar...

 

P/1 – Mas pode contar.

 

R – Aí, tudo bem, com o tempo... A minha mãe ainda era viva quando eu vi essa imagem, aí vou voltar naquela fase que eu falei que quando eu era pequeno eu via vultos passarem dentro do barraco, aí uma vez eu fui crescer agora e isso veio tudo na minha mente agora, mas alguns meses atrás... E tinha uma vizinha nossa, não sei se vocês lembrar daquela brincadeira do copo de pôr o copo em cima da mesa, acender uma vela e fazer perguntas pro copo se movimentar? E ai essa nossa vizinha, a Jaqueline, junto com a minha irmã  Silmara, fizeram esse... Não sei se é magia, vodu, uma coisa assim, e eu estava lá, aí só tava eu, a minha irmã e essa Jaqueline, e ai quando eu vi que elas estavam fazendo isso eu falei: “Pode parar de fazer isso aqui dentro, eu não quero”, e eu só tinha sete anos de idade, mas como eu era pequeno a minha irmã falou: “Não, vai sentar lá e ficar quieto”, aí eu fiquei lá olhando; e essa Jaqueline começou a fazer perguntas, né, acendeu a vela, e começou a fazer perguntas sobre a minha mãe, porque a minha mãe falava que sentia alguém tocar nela, a minha mãe corria, assim, na rua, dizendo que queria se matar, ela tentou se jogar uma vez debaixo do ônibus, e que eu não deixei, como eu andava com ela eu que não deixei, e aí a Jaqueline fazendo essas perguntas, né, de repente o copo de movimentou, e essa Jaqueline ficou assustada, e ela de repente olhou pro lado e saiu correndo, ela arregalou um olho desse tamanho e saiu correndo, e eu comecei a chorar, fui lá, tentei quebrar o copo, tirei o copo da mesa, tentei quebrar o copo, isso eu com sete anos de idade, aí eu não consegui, aí nisso, daí pra frente, a nossa vida ficou muito prejudicada, depois disso, meu pai começou a beber muito, a beber demais, meus irmãos mais velhos sempre brigavam... Aí a nossa vida virou um inferno total. Aí, ta bom, passou...

 

P/1 – E hoje você tem contato com esses seus irmãos?

 

R – Tenho, tenho, meus irmãos tem...

 

P/1 – Eles moram onde?

 

R – Tem três que moram em Guarulhos, que é a Silmara, a Adriana e o Marcos, e aqui moro eu, o Valdeci e o Vagner.

 

P/1 – E vocês já se corresponderam por cartas?

 

R – Por cartas não, mas eu vou chegar nesse termo da carta, e você vai achar interessante, tá, vai demorar um pouco (risos), que vai ser a minha primeira carta, aonde eu mandei. Aí o tempo foi passando, aí quando eu fiz nove anos minha mãe faleceu, quando eu fiz dez anos meu pai faleceu, aí eu fui morar com essa família, e quando eu fui morar com essa família que começou uma outra parte da minha vida, da minha historia, eu fui musico profissional, cheguei a gravar disco, fazer programa de televisão, e com 15 anos de idade eu já comecei a tocar, já saía na noite fazendo show, porque era um grupo de pagode, né, que eu tinha...

 

P/1– Nessa época você já morava com essa outra família?

 

R – Já.

 

P/1 – Quando você foi morar lá?

 

R – Eu fui morar lá, quer ver? Minha mãe morreu em 81, meu pai morreu em 82, porque depois de um ano meu pai faleceu, né, e ai eu fui morar com essa família e fiquei com eles até eu conhecer uma menina e... Praticamente, eu morei lá com essa família durante 20 e poucos anos, eu só saí de lá casado. Aí agora eu vou entrar numa historia que vai mudar um pouco; antes de me dar esquizofrenia, que os médicos falam, eu fiquei internado em vários hospitais, fiquei internado no Hospital das Clinicas, fiquei internado no Pico do Jaraguá, fiquei no... Agora eu não me recordo o nome do hospital, acho que é Irmão... Eu não me lembro, não vou lembrar agora, só que antes disso, antes de acontecer tudo isso comigo, como eu fui morar com essa família eu andava sempre bem arrumado,m andava com cabelo cortado, tinha um modo de vida melhor, né, e aí eu vou entrar nessa tal de esquizofrenia que falam que me deu transtorno bipolar.

 

P/1 – Como foi?

 

R – Foi assim, um dia, eu me arrumando na sala da casa dessa família aonde eu fui morar, eu tava me arrumando pra ir fazer um show, né, pra ir tocar, e aí eu me lembro que a Fátima Bernardes, eu não sei se vocês se lembram, ela trabalhava no...

 

P/1 – No Jornal Nacional...

 

R – Não, antes, ela trabalhava no... Que ela tinha o cabelo bem curtinho, ela trabalhava no SPTV, e ai, eu to me arrumando, de repente eu to vendo aquela mulher falando, a Fátima Bernardes, e olhando, assim, tipo assim, diz que me deu esquizofrenia e Poltergeist, né, de você achar que as pessoas podem falar com você através da televisão, aí eu tava me arrumando e de repente, eu prestando atenção da Fátima Bernardes, assistindo ela, tava passando a reportagem, e ai eu olhei bem fixo e senti que ela podia me ver através da televisão, de repente eu senti isso, eu tinha, o que? Acho que eu tava com os meus 17, 18 anos, mais ou menos, por aí, e ai eu comecei a falar com ela, eu falei, tipo assim, né: “Eu to aqui me arrumando, você tá me vendo?”, que doideira isso, é, uma loucura, ai de repente, como ela tava transmitindo a reportagem, ela não podia responder, é, não tem como, mas aí ela se movimentava com a sobrancelha, fazendo assim, né, ai foi passando e eu fui sentindo essa impressão que ela podia me ver através da televisão,  e eu falei: “Já que você ta me vendo então só me responde uma coisa, como eu estou?”, eu tava me arrumando, e ai num curto espaço de tempo ela falou assim: “Você tá bonito”, e aí parou, ai voltou ao normal, a programação normal, naquela época eu andava bem vestido, tinha cabelo, hoje eu to careca, né, por isso que eu to de boné, ai ta bom, depois quando ela falou isso eu falei: “Então vamos parar de conversar se não vão pensar que eu e você estamos loucos”, e aí essa minha mãe postiça que tava na cozinha, era um sobrado enorme, né, tinha um corredor, e ela me ouviu falando, né, ela chegou: “Piteco, você tá falando com quem?”, eu falei: “Ah, tava falando com a Fátima Bernardes”, “Ah, você ta louco, menino?”, “Ah, to”, né, tipo assim... E aí foi quando eu falei pra ela: “Vamos parar de falar se não vão pensar que a gente está louco”, e eu não dei importância pra isso no começo, eu falei:” Ah, acabou, acabou”, né, ai o tempo foi passando, foi passando, foi passando...

 

P/1 – E ai você teve alguma crise mais forte depois disso?

 

R – Depois disso não, depois disso, o que aconteceu? Eu fui morar em Guarulhos com a minha irmã Silmara porque as coisas aqui pra mim já não estavam dando mais certo, ai foi quando a Fátima começou a trabalhar no Jornal Nacional, só que até então eu tinha me esquecido desse fato que tinha acontecido comigo, de eu ter falado com a Fátima quando ela trabalhava no SPTV, e ai eu tava assistindo o Jornal Nacional e nesse dia tava só a Fátima Bernardes na bancada, o Willian Bonner tava cobrindo uma historia da cidade, eu não lembro direito, eu tinha anotado tudo isso no Hospital das Clinicas quando eu fiquei internado, ai do nada eu comecei a sentir a Fátima sobre mim, tipo, tendo relação com ela, só que foi tão forte, que aí sim, aí eu comecei a ficar ruim, aí eu já não sabia mais aonde eu tava, não sabia mais o que falar, aí foi quando...

 

P/1 – E quem notou que você tava ruim?

 

R – A minha irmã notou. Aí passou um tempo, chamaram meu irmão, meu irmão até pensou que eu tava usando drogas, essas coisas, não gosto, não era o caso, meu irmão tentou até me bater porque eu comecei a falar com a televisão, né, ele tentou até me bater... Aí depois viram que não era nada disso, enfim. Pra chegar na historia da carta, aí foi a minha primeira carta, eu mandei uma carta pro Chico Pinheiros na Globo, e eu não sabia aonde era a Globo, na Roberto Marinho, né, eu mandei um depoimento, escrevi num caderno, tipo assim, tudo o que aconteceu, e mandei via correio, só que não me veio a resposta, e ai eu escrevei de novo e descobri aonde era a Globo, eu fui lá na portaria da Globo, falei: “Olha, isso aqui é pra entregar pro Chico Pinheiros”...

 

P/1 – A primeira carta que você escreveu, você escreveu pro endereço correto, então?

 

R – Pro endereço correto, eu peguei, fui procurar saber, né, aí foi a minha primeira carta.

 

P/1– E depois você mandou essa outra pro Chico Pinheiro...?

 

R – Aí eu fui lá na porta da Globo. Aí passou, mas Só que, assim, não foi só a Fátima Bernardes que eu senti, eu senti umas vizinhas minhas também, né...

 

P/1 – E aí você já tinha ido pro Hospital das Clinicas, tinha sido internado?

 

R – Eu já tinha sido internado. E ai eu falei que escutei vozes me chamarem de Anjo Gabriel, tudo, só que nesse meio tempo, disso tudo, eu não sei como eu consegui trabalhar com a minha cabeça desse jeito, porque antes de eu ser internado eu já tava com isso na cabeça, eu trabalhava na Temon, que era uma empresa de construção civil, aí o trajeto que eu fazia, eu pegava o Vila Mariana, o 08, ali próximo da minha casa na Vila das Mercês, e ia até a estação Santos-Imigrantes, e como eu tinha que sair cedo, eu levantava quatro e meia da manhã, nisso a minha cabeça totalmente bagunçada, eu não sei como eu conseguia ir trabalhar ainda porque eu não tinha condições psicológicas pra trabalhar...

 

P/1 – E depois disso você teve alguma outra internação?

 

R – Eu fiquei varias vezes internado, só que antes disso que eu ouvi vozes me chamarem de anjo Gabriel, eu estava indo trabalhar, eu peguei o Vila Mariana 08, desci ali na Vergueiro pra ir pra estação Santos-Imigrantes, e isso atrás de mim eu to ouvindo um homem chingar Jesus Cristo de tudo quanto é nome, eu falei: “Meu...”, eu achava que eu podia falar com as pessoas através de pensamento, eu comecei a falar assim: “Meu, para de chingar Jesus Cristo se não eu vou te mandar pro inferno”, e ai eu senti que quem tava chingando Jesus Cristo era o filho do Diabo, que era um demônio, e eu escutava esse cara chingar, de repente ele passou: “Jesus Cristo...”, chingando mesmo, ai eu comecei a rezar o Pai nosso, Ave Maria, e falei: “Se você não parar eu vou te mandar pro inferno”, ai foi quando eu entrei dentro do metrô, e esse homem que tava chingando Jesus tava com uma pasta, assim, um senhor de baixa estatura, chingando assim,  e ai eu rezei o Pai nosso, a Ave Maria e bati o pé três vezes no chão, de repente eu não vi mais esse homem, ai eu falei: “Meu, será que eu fiz isso mesmo?”, eu falei: “Bom, eu vou fazer esse mesmo trajeto, vou ver se esse homem aparecer de novo”, e ai não apareceu mais, aí, tudo bem, ai passou, e foi quando eu fui votar pra eleição quando o Lula foi candidato a presidente, só que aí como eu morava aqui na Vila das Mercês o colégio mais próximo pra eu votar era o Silvia Martins Pires que era o mais próximo da minha casa, só que eu votava no Liceu que tem ali na Vergueiro, não sei se vocês conhecem, aí tudo bem, passou um homem barbado, todo sujo, aí eu senti aquela mesma sensação, vi nele também o filho do Diabo, ai falei: “Nem vou olhar pra trás, eu vou rezar o Pai Nosso e vou bater o pé no chão de novo”, ai rezei, bati o pé três vezes no chão, o pé direito, e aquilo que eu sentia foi saindo, e ai passou, e ai eu voltei pra Guarulhos... Não minto, como eu ia na igreja Nossa Senhora das Mercês, desde pequeno eu gosto de ir naquela igreja, e aí lá dentro eu senti essa mesma sensação, ai eu falei: “Nossa, aqui também”, é como se os demônios quisessem invadir a Terra, e ai eu falei: “Vou rezar aqui dentro também e vou fazer”, ai fiz a mesma coisa, e ai depois disso eu fui pra Guarulhos, né, voltei pra casa da minha irmã, e nisso tinha uma igrejinha lá, e eu falei: “Vou entrar dentro dessa igreja”, e nessa igreja cuidava-se também de alcoólicos anônimos, né, tinha lá a parte deles, né, e nessa igrejinha eu também senti que um demônio queria invadir a Terra, aí eu rezei de novo e bati o pé três vezes, como se fosse pra eu expulsar.

 

P/1 – E hoje tá mais tranquilo ou você ainda sente?

 

R – Não, eu não sinto mais nada hoje, eu não sinto porque isso ficou na minha mente, ficou gravado na minha mente porque foi muito forte. E ai eu tomava remédio pra esquizofrenia, tomava calmante, só que já tava sentindo que os remédios estavam me fazendo mal, estavam me deixando dopado, eu mesmo resolvi parar, e ai meu irmão mais velho me disse: “Você não tá mais indo fazer tratamento?” “Não, porque eu não preciso, eu to bem”, tanto que hoje eu trabalho, trabalho de segurança, né, to trabalhando só de final de semana, mas já to procurando serviço pra trabalhar a semana toda.

 

P/1 – Legal, e pra gente terminar, Waldemir, queria que você falasse os seus sonhos agora pra gente.

 

R – Aí é que tá, você entrou numa parte que eu queria, aí eu cheguei a sonhar com Jesus Cristo, Nossa Senhora parecida, Virgem Maria e Santa Maria mãe de Deus, a Virgem Maria, eu sonhei que ela tava despida, mas eu não via a nudez dela, ai o que aconteceu? No meu sonho a Nossa Senhora Aparecida veio, me emprestou o manto sagrado dela, eu peguei o manto sagrado dela e vesti a Virgem Maria, depois disso eu acordei.

 

P/1 – Pô, legal a tua historia, Valdemir.

 

FINAL DA ENTREVISTA

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