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História

Empresarial “com um pé” no cultural.

História de: José Eduardo Gonçalves
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 25/02/2021

Sinopse

Jornalista na área da Comunicação Empresarial. Presidente e vice-presidente da Aberje [Associação Brasileira de Comunicação Empresarial]. Experiência profissional em veículos jornalísticos da grande mídia e na comunicação de empresas. Fundador e editor da Revista Ilustrada.

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História completa

Projeto Museu da Comunicação Empresarial Aberje

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de José Eduardo Gonçalves

Entrevistado por José Santos

Código: MIXA_CB017

Transcrito por Marcela Carolina Ribeiro

Revisado por Fernanda Micoski da Costa

P – Boa tarde, José Eduardo!

R – Boa tarde, José Santos!

P – Queria começar a entrevista pedindo pra você falar seu nome completo, data e local de nascimento.

R – Sou José Eduardo Gonçalves, mineiro de São João del Rei, é uma cidade histórica maravilhosa. Nasci em novembro de 1957.

P – E José Eduardo qual é a sua formação e como que você começou a trabalhar com comunicação?

R – Sou jornalista, formado em Jornalismo, com pós-graduação em Comunicação Empresarial e, sempre tive pra mim que eu trabalharia com jornalismo, sempre gostei de escrever. Sou de uma família grande de oito pessoas e a minha mãe falava que eu era o único desde pequeno com convicção daquilo que eu queria ser. Então, queria ser jornalista mesmo. Meu pai era militar e achava que eu tinha que trabalhar no Banco do Brasil ou então ser engenheiro, fazer Direito, aquele negócio todo, daí eu peitei “vou ser jornalista” porque eu sempre gostei de escrever e mantinha jornal na minha cidade, tinha jornais alternativos e acabei indo para Belo Horizonte, em 1976, pra estudar Jornalismo. Fiz o curso de Comunicação da PUC [Pontifícia Universidade Católica], tive uma experiência não muito longa no jornal diário, na imprensa diária porque eu já era um sujeito meio estranho, por quê? Eu fui fazer um estágio no Estado de Minas e me mandaram fazer uma cobertura de uma enchente do Ribeirão Arrudas que inundava a cidade naquela época e eu fiz uma matéria que não coube na editoria da “gerais” ela foi pra editoria de cultura.

P – Ah!

R – A matéria que eu fiz da enchente, que eu me lembro até hoje, começava com a Dona Maria boiando, que era uma senhora que tava sendo levada pela enchente. Daí, eu comecei a fazer uma história que, em vez de ir pro caderno de cidades gerais, foi pro caderno de cultura.

P – Ela tava boiando na enchente?

R – É uma senhora que, quando cheguei lá, tava boiando com dificuldade. Ela quase morreu carregada pela enchente.

P – Quase morreu?

R – E com aquelas histórias todas eu fiz uma matéria contando as histórias. Sempre gostei de história. Então, contando as histórias das pessoas carregadas ou invadidas por aquela enchente, a minha matéria ficou completamente inadequada pra editoria que eu tava trabalhando, era uma matéria muito humana, cheia de depoimentos. Eu tive vários problemas dessa ordem na minha carreira, vamos dizer, na imprensa diária, eu realmente tava um peixe meio fora d'água, não me adequei muito, com aquele negócio do lead, fazer aquela materinha certinha, eu queria contar história. Na época, eu tava muito influenciado pelo Truman Capote, aquela turma, Norman Mailer, aquela turma do novo jornalismo americano. Eu queria fazer histórias de um outro tipo e fiquei trabalhando um tempo. No jornal O Globo, trabalhei nos primeiros anos da minha vida, depois eu comecei a partir para trabalhar com empresas, não porque eu gostasse mas é porque me permitia trabalhar na empresa e de noite escrever meus textos.

P – Aham.

R – Eu tinha como preservar um espaço para escrever meus textos e fui muito cedo pra carreira da comunicação empresarial. Cumpri uma trajetória longa, trabalhei na Federação das Indústrias, fiz a revista deles, depois eu fui pra Andrade Gutierrez fazer a revista da construtora. Depois de uns anos, eu fui contratado pela assessoria da Andrade Gutierrez.

P – Você tinha quantos anos quando foi pra Andrade Gutierrez?

R – Tinha 20 e poucos anos.

P – Ah, é?

R – Tinha 20 e poucos anos, sou péssimo de data e idade.

P – [risos]

R – Sou péssimo de datas, mas eu fiz...

P – Tá, antes dos 30?

R – Antes dos 30. Mas sempre fazendo projetos paralelos, sempre mantendo ou colaborando com a imprensa alternativa quando tinha, colaborando com outros veículos, fazendo matéria especial para outras produções. Então, sempre foi uma característica da minha trajetória, quer dizer, eu fiz uma trajetória muito em cima da comunicação empresarial e por isso eu conheci a Aberje [Associação Brasileira de Comunicação Empresarial] muito cedo também, mas sempre mantendo um pé na área cultural que eu sempre gostei muito. E, depois disso, veio a desembocar em outros produtos, por exemplo, eu já tenho um livro publicado, tenho outro que vou publicar, ajudei a fundar e editar a Revista Palavra que foi uma revista idealizada pelo Ziraldo. Tudo isso concomitante à atividade da comunicação empresarial. Pro jornalismo diário, nunca mais voltei, não tive paciência, não tive realmente mais vontade. Outro fator foi que eu casei muito cedo então eu tive toda uma responsabilidade, eu não queria mais arriscar no jornalismo diário, fiquei na comunicação empresarial mesmo, que eu acho que tem o maior valor. Continuo nela até hoje como fonte de renda, mas sempre fazendo paralelo um trabalho com o que eu chamo de “jornalismo cultural” e o meu trabalho de escrita, de escritor que é um trabalho que eu também tô apostando muito. Mas, por causa do meu trabalho na área de comunicação já na Andrade Gutierrez, eu conheci a Aberje, no final dos anos 80, houve uma aproximação natural.

P – E, José Eduardo, como era a Aberje daquela época do fim dos anos 80?

R – Os tempos de... Os tempos difíceis [risos]. Bom, a Aberje começou mesmo com... eu não peguei o comecinho, eu peguei uma fase ainda gloriosa de embates, uma fase até de transição da “Comunicação dos Editores de Revistas e Jornais de Empresa”, que é o nome original, para “Comunicação Empresarial” porque todos nós que trabalhávamos em comunicação empresarial vínhamos das redações, quer dizer, não existia essa coisa de formar na escola e trabalhar com comunicação empresarial. As empresas buscavam os funcionários de redação para mediar a relação delas com a sociedade, então a Aberje surgiu dessa reunião de editores, de pessoas que trabalhavam em revista, então eu peguei a Aberje com Amauri Beleza, com uma turma toda, depois o Miguel Jorge, mas todos jornalistas.

P – Aham.

R – Todos jornalistas, profissionais de redação. Já naquela sede ali da Dona Antônia de Queiroz e, eu sou de Belo Horizonte, sempre que vinha aqui eu me confundia um pouco porque tinha uma rua, tem até hoje uma rua que chama Maria Antônia, acho que é pra baixo um pouco.

P – É Maria Antônia, aqui perto né?

R – E eu sempre me confundia na Consolação, mas é, eu falava um nome saia sempre o endereço errado [risos] e aquela escadinha, aquela portinha, depois viraram duas, muito precário, uma estrutura muito precária. Mas a Aberje realmente tem um papel fundamental no fortalecimento da Comunicação no Brasil, eu acho que esse grupo inicial soube se renovar, que é uma característica muito saudável. Tem entidades que não se renovam, que morrem, que não conseguem fazer transposição de gerações e a Aberje conseguiu renovar, conseguiu modernizar. Eu sou também um precursor da Aberje em Minas Gerais. Não existia Aberje em Minas Gerais, então eu sou um dos primeiros que tentaram organizar a Aberje em Minas Gerais, nós já estamos lá na terceira ou quarta geração, vamos dizer assim...

P – Aham.

R – Eu que tô ainda com 44 para 45 anos, já tô nessa geração pioneira, me lembro de reuniões assim precaríssimas em Minas Gerais. Quando se falava em Aberje ninguém tinha a menor noção do que significava aquilo, o primeiro evento que eu fiz da Aberje lá eu consegui reunir 20 pessoas, quer dizer, depois aquilo foi pra 50... Hoje, a gente faz festa para 300 pessoas.

P – Pois é, o prêmio deste ano?

R – É como o prêmio deste ano, é mas eu acho que eu sou o único remanescente do primeiro grupo da Aberje, porque é muito desgastante você tentar fundar uma entidade, muito desgastante quando a entidade não é sediada naquele lugar. A Aberje sempre foi muito forte em São Paulo, mas em Minas Gerais é uma coisa pequena e eu sou um precursor dessa e tenho muito orgulho disso, dessa história de tentar viabilizar a entidade em Minas. E, também acho que eu fui o único de Minas Gerais, um dos primeiros fora de São Paulo e Rio a chegar na diretoria.

P – É verdade.

R – É, e ao posto então de vice-presidente e depois com a saída do Doutor Ruy Altenfelder, que era o meu presidente, cheguei à presidência. Acho que é um caso realmente único senão único dos poucos casos na Aberje que eu me lembro. Lembro do Márcio Polidoro, da Odebrecht, que também ocupou o cargo de diretoria, mas somos muito poucos fora de São Paulo e Rio a conseguir um (ponto?).

P – É verdade.

R – Eu considero então que eu sou, vamos dizer, um posto avançado da Aberje numa outra região, fazendo essa ligação que eu acho que tem pra mostrar que essa comunicação empresarial, que começou tão pequena e, que no final dos anos 80, tava só nas grandes empresas de São Paulo, nos anos 80 já tinha né? Mas quando a Aberje começou era um grupo de visionários, de pessoas que acreditavam num negócio que era restrito às grandes empresas, então eu acho que é uma luta muito bacana que eu me orgulho muito de ter participado.

P – Tá certo, José Eduardo, como as entrevistas aqui são curtinhas eu já vou ter que pular para...

R – [Risos]. É porque eu falo demais.

P – … parte da Dona Anna, mas a gente vai ter uma oportunidade de depois conversar mais no Museu da Comunicação Empresarial.

R – Tá bom.

P – Mas, eu queria que você mandasse um recado pra Dona Anna que tá fazendo seus 25 anos de Aberje.

R – Dona Anna? Dona Anna, maravilhosa! Dona Anna é a cara da Aberje! Existe uma simbiose Aberje–Dona Anna, eu não vejo a Aberje sem a Dona Anna, não consigo enxergá–la. Dona Anna é uma figura que traduz emoção, sentimento, eu sou uma pessoa muito ligada a sentimento, acho que todo homem é formado por razão e emoção e a Dona Anna, apesar das funções administrativas que ela cumpre, gerenciais dentro da Aberje, é emoção em estado bruto. A presença da Donna Anna humaniza a Aberje, entendeu? Ela é um sinal claro de que a gente pode modernizar, a gente pode ter conceitos novos e a gente pode fazer isso tudo preservando a base humana, o afeto, o respeito ao semelhante e ao outro, que são a base do relacionamento humano. A gente pode preservar isso na instituição, nos nossos relacionamentos profissionais, então a Dona Anna, de coração, um beijo.

P – José Eduardo, muito obrigada então pelo seu depoimento.

R – Tá bom.

– – – FIM DA ENTREVISTA – –


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