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História de: Ricardo Antonio Rodrigues de Nascimento
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/01/2021

Sinopse

O paraibano Ricardo Antonio Rodrigues de Nascimento trabalhou com revenda de automóveis e em 1998 foi trabalhar na indústria farmacêutica em João Pessoa. Fala da superação das dificuldades iniciais e das viagens como propagandista para levar as amostras dos remédios lançados pelo Laboratório Aché para os médicos em hospitais, consultórios e postos de saúde.

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História completa

P/1 – Ricardo, eu começaria perguntando o teu nome completo, data e local de nascimento.

R – Meu nome é Ricardo Antonio Rodrigues de Nascimento. 35 anos. Eu nasci em 9 de outubro de 1966, na cidade de Campina Grande, interior da Paraíba.

P/1 – Onde você mora até hoje?

R – Bem, hoje eu estou morando em João Pessoa que é a capital da Paraíba.

P/1 – Está certo. Você foi para João Pessoa quando?

R – Eu fui morar em João Pessoa no ano de 1998, mais precisamente em julho, quando eu fui convidado pela companhia, o Aché, que eu trabalho hoje para fazer parte do grupo. E estou lá há 3 anos e meio.

P/1 – Como é que foi essa entrada no Aché? Foi a tua primeira experiência na indústria farmacêutica?

R – Primeira experiência. Bem, eu trabalhava anteriormente na Cavesa. Uma revendedora Volkswagen na cidade de Campina Grande. Eu trabalhei lá durante quase 8 anos. Foram 7 anos e 7 meses, quando fui convidado para trabalhar, para fazer parte do Aché. Fiz o teste de seleção, e 3 anos e meio já fazem que eu estou aqui. Graças a Deus, eu faço parte do Aché. Hoje é uma empresa muito boa de se trabalhar.

P/1 – Por que, qual você acha que é a característica marcante do Aché?

R – Bem, o mais interessante da companhia são as mudanças corriqueiras. Faz parte do dia-a-dia do Aché. Mudanças que não param. Você começa a conquistar novos horizontes. Você começa a buscar e se adaptar a essas mudanças fazendo com que você melhore seus conhecimentos. Você tenha um horizonte maior de aprendizado. Isso é o que me atrai.

P/1 – O dia-a-dia mudou? Quer dizer, você tinha uma experiência na área de venda de carro, passou a ser propagandista. Queria saber um pouquinho como é que foram esses primeiros dias de trabalho. O que mudou na tua rotina?

R – Bem, a característica de vendedor muda de acordo com o produto. Eu pensei que não, né? Eu trabalhava com veículos, vendia carro e aquela venda do produto final é totalmente diferente, você vender um conceito, como é a propaganda médica. Essas mudanças de venda, quando eu comecei a trabalhar no Aché, os primeiros 6 meses foram muito difíceis. Primeiro porque eu não entendia nada de farmacologia. Eu tive que entender cada substância dos produtos. Eu tive que aprender o mecanismo de ação de substâncias que até então eu não tinha conhecimento. Eu só entendia de ar condicionado, vidro elétrico, travamento elétrico, freio ABS. Que era o produto que eu vendia nos carros. O produto final, que era veículo. Então, esses 6 meses que eu entrei na companhia foi um turbilhão de informações. Isso fez com que eu viesse a ficar um pouco triste, deprimido. Até tive hipertensão, para você ver. Hipertensão nesses primeiros 6 meses, porque eu queria assimilar tudo de uma vez só. E não é dessa forma. Você vai de degrau em degrau aprendendo os conhecimentos do dia-a-dia.

P/1 – E as primeiras propagandas, você se lembra de alguma história engraçada? De alguma coisa que aconteceu na tua estréia?

R – Ah, lembro. É, foi um pouco triste o meu início de carreira no Aché porque o meu sogro faleceu nessa época. No dia que eu entrei, que eu ingressei na companhia, seria o meu primeiro dia de trabalho na segunda-feira, e ele faleceu no domingo. Então eu tive que ir ao velório, acompanhar a família. A minha esposa ficou muito triste, que ela era muito apegada ao pai. E isso trouxe um transtorno muito grande. Na segunda-feira eu iria trabalhar. Não trabalhei nesse dia. O meu supervisor na época era o Gilton, ele cobriu o meu setor no meu primeiro dia de trabalho e no dia seguinte nós viajamos para o interior. O primeiro produto, o da grade de produtos que me atraiu mais, foi um produto chamado Accuvit. É um pólo vitamínico antioxidante e na formulação dele tem três substâncias que são: N-acetil cisteína, L-glutationa e Bioflavonóides cítricos. Na propaganda eu comecei: “Bom dia doutor, tudo bem? Como é que está? Ricardo, Aché. Aqui eu estou acompanhado do colega Gilton e eu queria lhe falar de Accuvit.” Então eu peguei a literatura e comecei a falar a propaganda que eu tinha decorado, né? E quando chegou nas substâncias interessantes, que eu tinha atração, eu comecei falar: “Doutor, e um destaque que eu queria revelar para o senhor é justamente a presença do N-acetil cisteína, L-glutationa e...” E não lembrei do Bioflavonóides cítricos. Como o Gilton estava aqui do lado eu fiz assim para ele: “E?” E Gilton disse: “Bioflavonóides cítricos. ” Então, foi uma gargalhada só. O médico riu, o Gilton riu e eu não me agüentei. Eu vermelho, suando, sem saber como me sair daquela situação. Sei que a gente explicou ao médico que eu era neófito, estava começando. Era a primeira propaganda. E daí por diante a gente fez essa amizade, o ciclo de amizade com o médico vai aumentando e ele vai criando a confiança.

P/1 – Hoje em dia você atua em qual área? Em que região do estado?

R – Bem, eu estou trabalhando atualmente em João Pessoa. Continuo trabalhando lá na capital da Paraíba. E também no norte do estado. Eu trabalho duas semanas na capital e duas semanas no interior.

P/1 – No interior, qual é a realidade? São cidades pequenas? É uma área rural? Como é?

R – São cidades pequenas. Cidades de 20, 30 mil habitantes, onde as características do setor são totalmente diferentes da capital. Para você ter idéia, o médico chega a receber você com o paciente dentro da sala, do consultório. São peculiaridades dos setores que se diferem. Para você entender, da capital onde eu trabalho em João Pessoa para uma cidade de 30 mil habitantes, é mais ou menos 100 quilômetros. E o comportamento do médico, a receptividade, o acolhimento é totalmente diferente da característica de consultório em capital. Eles abrem a porta, mandam você entrar, chegam até a convidar você para jantar no hospital, para ir visitá-lo. Ou almoçar.

P/1 – Vocês visitam principalmente hospitais, pequenos consultórios?

R – Hospitais, pequenos consultórios. Agora com o advento do PSF, aquele Programa de Saúde da Família, a gente visita em Postos de Saúde e clínicas especializadas também.

P/1 – Tem alguma cidade ou algum médico, tem algum episódio marcante que você pudesse contar para a gente?

R – Tem. Numa cidade vizinha a João Pessoa chamada Cabedelo, uma cidade portuária, tem uma médica lá no setor que chegou para mim e outro colega meu, e disse: “Me diga uma coisa, por que é que vocês propagandistas, vocês da indústria farmacêutica transmitem uma falsa realidade de prosperidade? ” Eu me abati com aquela pergunta. Eu disse: “Falsa realidade de prosperidade? Por que é que a senhora diz isso? ” Ela disse: “Porque vocês se vestem tão bem, vocês vestem a melhor marca, vocês vestem isso. Usa camisa de manga longa, anda num carro com ar condicionado. ” Eu digo: “Doutora, é o seguinte: a companhia que eu trabalho me dá condições de trabalho. Ela me paga um salário digno, me dá um veículo. Esse que está aí fora que a senhora viu eu chegando. Com ar condicionado. Paga combustível para que eu me desloque e venha lhe visitar. Me dá Ticket Alimentação de R$ 12,00 por refeição. Paga plano de saúde para toda a minha família. Qual seria o motivo de eu vir aqui tristinho com a roupa rasgada lhe visitar? A senhora que estudou 20 anos dentro de uma universidade é médica, é catedrática. Sabe que precisa ser bem tratada. Então eu chegar aqui de uma forma que a senhora não agradasse, a senhora iria comprar a imagem ou a ideia do meu produto? ” Ela falou: “Não, mas não é isso que eu quis falar. ” Então desandou. Quando eu comecei a falar isso, esses detalhes, ela disse: “Ah, eu não sabia que a indústria farmacêutica dava condições dessa forma para vocês. ” Então é bom a gente exclamar e mostrar. Não pegar o contracheque e mostrar ao médico. Que isso é antiético. Mas, de uma certa forma eu fui conduzindo, de uma forma amigável. E hoje eu sou amigo dela. Cheguei até a jantar na casa dela. Uma certa noite ela me chamou, eu fui. Eu, minha esposa e meus filhos. Chegamos lá e eu disse a ela: “Doutora, a senhora passa uma falsa imagem de humildade. ” Ela disse: “Por que, Ricardo? ” Eu digo: “Porque eu nunca pensei que a senhora tivesse uma casa estilo europeu”, que o marido dela é alemão, “ter uma recepção dessa que a senhora está tendo para a gente agora. ” Aí ela começou a rir. Ela disse: “Ricardo, foi por aí que a gente se conheceu melhor, não foi? ” “Sim”. Então foram coisas que a gente, sabendo lidar, sabendo conversar com o médico, a gente termina conquistando de uma vez por todas.

P/1 – Está certo. E como é uma rotina típica tua de trabalho hoje em dia? Uma semana típica de trabalho?

R – Típica?

P/1 – É.

R – Bem, o primeiro dia de trabalho a gente sempre sai com o carrinho lavado, organizado. Prepara a mala do carro. É um ritual bem interessante. Porque a gente, no final de semana se dedicou à família, à casa, saiu para passear. Na segunda-feira você está com o carro limpo. Com a mala no carro. Não sei se vocês tiveram oportunidade de conhecer como é a organização da mala. Eu creio que vocês vão pesquisar isso aí. Então, a mala do carro está pronta com todas as amostras. A pasta de propaganda já está com todos os produtos e as literaturas, e os visuais que a gente usa. E daí começa a semana de trabalho. Você já tem um projeto, é um roteiro pré-determinado que você prepara e entrega ao seu gerente distrital e regional. E daí você segue esse roteiro. De segunda à sexta-feira. Você trabalha de segunda de 7:30 da manhã até sexta-feira às 8 horas com uma produtividade muito boa.

P/1 – E encontra colegas pelo caminho?

R – Encontra, sim, porque são linhas distintas e no roteiro sempre essas linhas vão ter que visitar os mesmos médicos que a gente visita. Com pequenas exceções de especialidades. Por exemplo, eu visito neurologista, psiquiatra e alguns colegas não têm produtos de psiquiatria e neurologia. Então em alguns casos é dessa forma aí, nesse caso, que não têm como em consultórios a gente se encontrar. Não tem como se encontrar, só por especialidades.

P/1 – E mudou muita coisa no trabalho de propagandista nesses poucos anos de empresa? Já deu para mudar muita coisa?

R – Mudou muita coisa. Muita coisa, eu não acompanhei casos de dividir carro. Carro comunitário, como se dizia antes. Eu não cheguei a acompanhar isso. Quando eu entrei na companhia, há três anos e meio, com dois anos depois é que você recebia o carro definitivo que a empresa fornece. Hoje já é um ano. Então, se o propagandista for admitido hoje, daqui um ano ele recebe um veículo. Eu passei, não cheguei a dois anos porque quando eu entrei, estava com um ano e seis meses, a companhia mudou para um ano. Então já recebi com um ano e seis meses o primeiro veículo. Por sinal, tem até fotos desse dia histórico da minha vida. Recebi um veículo novo para trabalhar.

P/1 – Até então você usava qual veículo?

R – Eu usava um gol 1995.

P/1 – Era da companhia?

R - Não. Não era da companhia. Era meu, que veio de Campina Grande comigo quando eu saí da Cavesa, da empresa que eu trabalhava, e foi lá que eu consegui esse veículo.

P/1 – Para ir finalizando eu queria te perguntar sobre esse projeto de Memória? O que você acha do Aché ter decidido contar a sua história?

R – Eu acho interessantíssimo. Porque a história de uma companhia não se resume na edificação de prédios, nas relíquias do Aché, como a gente sabe que tem, como começou a história do Aché, quem foi o Philippe Aché, a companhia que o seu Adalmiro e os outros sócios compraram o primeiro laboratório. Mas a história de pessoas que vêm fazendo essa companhia. Pessoas, propagandistas, que todo dia calejam sua mão com a pasta. Conquistam o receituário que é o ponto fundamental do nosso trabalho: conquistar o receituário e manter esse receituário na confiança dos médicos. Essa aí é uma história muito interessante que vocês estão fazendo. Esse trabalho do Aché. É de fundamental importância. Porque cada um de nós teremos a oportunidade de fazer a história da companhia. Eu tenho três anos e meio. Tem pessoas que tem 15, 20, 30 anos de companhia. Então, juntando essas histórias vai dar um bom livro. Não é verdade?

P/1 – A gente espera.

R – Muito bom.

P/1 – Muito obrigada pela participação.

R – Eu que agradeço. 

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