Busca avançada



Criar

História

Em busca do que faz o coração vibrar

História de: Pâmela Pessoa Araújo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/11/2020

Sinopse

Nascimento em São Paulo. Pais baianos. Migrantes nordestinos. Aula de ballet. Professora de ballet aos doze anos em escola infantil. Faculdade de Nutrição. Especialização de alimentação escolar. Alimentação saudável. Maternidade. Projeto Qualidade e Sabor. Cantina em escolas. Transição de área. Nova área de atuação. Design de Interiores. Nicho voltado para mães. Projeto “1000 Mulheres” do SEBRAE. 


Tags

História completa

Eu sou a Pâmela Pessoa Araújo, nasci em São Paulo e nasci dia 13 de março e 1983.

Então, eu comecei a fazer balé clássico bem cedo. Então com oito anos eu já ia para a academia, então eu sempre tive essa atividade de dançar muito cedo. A princípio pensava em ser profissional de balé, mas aí depois fui vendo que era uma área um pouco difícil e fui mudando, mas a dança estava sempre envolvida. Eu fiquei até os dezoito anos dançando, participei de grupo de dança, competição... Muito legal.

Eu entrei meio sem saber ainda o que era balé, foi uma oportunidade, aí minha mãe colocou e eu me apaixonei, então eu fiz o balé, fiz jazz, capoeira, então eu sempre fiz muita atividade e eu gostava. Ainda com doze anos eu já fui para uma escola de educação infantil dar aula de balé para os pequenininhos. Eu dei aula de balézinho para a escola infantil até 21, quando eu me formei. Eu paguei minha faculdade com o meu dinheiro que eu trabalhava como professora de dança, e sempre nas escolas. E aí depois eu fiz Nutrição e eu me especializei em alimentação escolar, então sempre trabalhei na área escolar.

Eu era uma bailarina gordinha e aí a minha professora me orientava, que eu tinha que emagrecer, se não eu não ia conseguir subir na sapatilha de ponta e aí eu fui fazendo o que eu achava certo e fiz tudo errado (risos), mas eu emagreci. E aí eu fui gostando dessa área, porque como eu tinha esse histórico de vida, que eu precisava emagrecer, que eu não podia comer qualquer coisa, eu vi que eu me encaixava mais para a área da Nutrição, da alimentação para o esporte, do que fazer Educação Física. E aí eu fui direto, com dezessete anos.

E aí quando eu me formei, em 2004, e comecei a trabalhar em uma escola, que me fez uma proposta de assumir a cantina, aí eu aceitei. Fiz um teste com essa escola e fiquei treze anos lá. E aí numa outra escola eu fiquei oito anos, que foi até agora, dezembro de 2019. E outra empresa eu saí antes, mas fui muito bem realizada, gostei muito de trabalhar, deu certo a cantina ser minha. Eu abri uma empresa chamada “Qualidade e Sabor” e aí depois com o projeto de ser mãe as coisas foram mudando (risos). O meu projeto de mãe eram três filhos (risos), e aí já não dava para conciliar, precisava me dedicar para a minha casa. 

Quando eu tive o segundo filho, meu marido foi mandado embora e aí ele já não queria mais estar na área, ele não estava contente, estava com algumas dificuldades de saúde, ele veio me ajudar na Qualidade e Sabor. Foi muito bom para a empresa, porque eu estava bem sobrecarregada, até que ele recebeu uma proposta, ele sempre gostou muito de trabalhar com madeiras, era um hobby, e ele tinha feito uma casinha para a minha filha. Com isso eu tive que assumir sozinha de novo a Qualidade e Sabor, aí eu entrei em crise, então eu já não estava feliz e fui decidindo sair. E aí nasceu a “Arca Marcenaria” que é a nossa empresa hoje. Eu fiquei mais um ano para poder entregar a escola de uma forma tranquila, de cumprir com a minha responsabilidade mesmo de não deixar nada na não, então eu fiquei por mais um ano e aí eu saí.

Aí foi surgindo a necessidade de ajudá-lo, então como eu comecei a pesquisar muitas coisas e a estudar o marketing digital. A gente começou a encontrar o nosso nicho e chegou um momento que ele precisava de ajuda para fazer o projeto. “Eu vou fazer o projeto de móveis e aí eu faço os projetos”. Aí eu fiz o curso e comecei a gostar. Aí eu emendei e fiz o Design de Interiores, eu identifiquei também que eu precisava disso para a minha casa, minha casa começou a ser um laboratório (risos), aí foi dando certo e eu fui descobrindo essa paixão pela casa, principalmente pelas mamães. Então é um nicho que eu me identifico muito com as mães, porque às vezes elas não conseguem olhar para um cantinho e decorar, elas não conseguem organizar, porque estão atarefadas com trabalho e com filhos. Então foi assim que foi surgindo e para assumir ser Designer de Interiores foi um processo muito longo. Então eu fazia os projetos, o meu esposo que entregava.

Lá no SEBRAE, como eu também fiz o curso do “1000 Mulheres” eu fui a escolhida da minha turma para fazer o curso de aceleração. Então nesse curso, que envolve muito empreendedorismo, é sobre isso, empreendedorismo feminino, eu fui me descobrindo de novo, porque eu entrei em várias crises (risos), e aí para assumir, o SEBRAE ajudou muito, foi abrindo a mente, o leque, as oportunidades, e aí eu assumi praticamente do fim do ano para cá, que eu assumi de verdade (risos).

E algo que têm entre a Nutrição e o Designer de Interiores é que eu promovo o bem-estar para as pessoas, então tanto na Nutrição, eu trabalhava muito com isso de alimentação saudável, de qualidade de vida, o quanto que a criança, se ela se alimentar bem, ela pode ficar menos agitava, ter menos dificuldades, enfim. E com o Designer de Interiores eu encontro a mesma coisa, eu promovo o bem-estar para as pessoas, eu entro nos sonhos das pessoas para entender a necessidade dela, o que ela precisa de móvel para a casa, o dormitório do filho, como planejar, como adequar todos os ambientes para que eles vivam melhor, então para mim o bem-estar é muito comum entre os dois.

Eu acho que para encontrar esse público, nicho voltado para mães, foi muito a minha história com as crianças. E eu sempre trabalhei de as crianças serem independentes, deles terem crescimento de comer com as mãos, comer sozinho. E na decoração eu gosto muito também... Chama Montessoriano o método para as crianças crescerem e se desenvolverem, e aí a decoração do quarto, os móveis planejados têm toda a funcionalidade para as crianças serem também independentes. 

Então eu acho que o maior aprendizado nesse trabalho de empreender e juntar as duas profissões é essa liberdade de começar de novo a qualquer momento. De começar do zero em qualquer situação. Eu acho que não é um tempo perdido, mas é um tempo que, na verdade, favorece para um novo tempo.

O “1000 Mulheres” foi um divisor de águas mesmo para abrir a nossa mente, então imagina, 25 mulheres com culturas diferentes, vulnerabilidades diferentes, foi bem intenso o nosso relacionamento. Mas sobrevivemos todas no final e descobrimos ali muitos valores, muitas mulheres com histórias únicas. E eu tendo medo de começar de novo com 37 anos e gente ali com 54 numa boa para começar de novo, a vulnerabilidade dela era outra. Abre bem a nossa mente de que é possível. A gente fez o “Empreenda” dentro dessa aceleração, e o meu grupo foi um dos finalistas. Esse projeto chamava “Era só o que faltava”, que era um MarketPlace. A gente não conseguiu manter o grupo até o final, a gente desfez o grupo depois que ganhou, eram cinco, mas eu mantive o grupo com três. E esse projeto está acontecendo, hoje ele é o “Leal pelo Social”, que a gente vai apoiar o empreendedorismo feminino através desse braço social, de uma empresa que chama “Leal de Andrade”, é uma corretora de seguros de uma das sócias e a gente vai apoiar mesmo, a gente quer fazer algo de trazer recursos onde não tem, então esse meu projeto no Instituto Edificando, chama “Elas - Mulheres Intencionais”, então como eu já estou envolvida com essas mulheres, a gente consegue identificar quais são as dificuldades. Então com essas mulheres, eu acredito que é trazer o conhecimento, que é possível, e empoderar, trazer um resgate da identidade delas, aquilo que elas têm possibilidade de fazer e que muitas vezes tem medo, vergonha, insegurança. Eu acho que eu consigo passar bem isso para essas mulheres que eu tenho caminhado junto, que é possível, vamos acreditar. “Qual é o seu talento? O que você gosta de fazer? Então vamos lá, dá certo”. E aí eu tenho diversas empreendedoras que abriram agora, na pandemia, bolo de pote, presentes, presentes personalizados, a outra abriu bolos caseiros. Então é muito gratificante ver as meninas também se realizarem. Ver as mulheres também saírem de um lugar que estava difícil e acreditarem nelas mesmas. 

E eu sempre trago uma palavra de motivação, a gente compartilha alguma parte da bíblia que fala muito sobre as mulheres nos negócios, as mulheres que empreendiam, e aí a gente compartilha e traz dicas de empreendedorismo também, porque algumas já tinham alguns negócios e outras com desejo de começar. E começamos a falar: “Então vamos começar”, uma dando dica daqui, outra de lá, tem mais três meninas que me ajudam a coordenar esse projeto e elas toparam o desafio e começaram. E deu certo, elas estão vendendo. 

O momento mais marcante nessa trajetória como mulher empreendedora foi essa mudança de profissão, já mais madura, com três filhos, “O que eu vou fazer?” Porque eu não queria ficar somente em casa, cuidando dos filhos e da casa, eu precisava fazer algo mais, eu acho que por propósito. Então eu acho que foi descobrir isso, mas também descobrir que eu preciso cuidar da minha casa, para trazer segurança, para trazer base, que uma casa organizada flui melhor, inclusive para as crianças, elas se tornam mais seguras de saber que elas têm responsabilidades, de saber que elas podem brincar, mas que elas têm responsabilidade de guardar depois e que eles podem fazer isso, de que é possível eu cuidar da minha casa e também trabalhar. Foi esse momento que eu consegui trazer um equilibro para a minha vida, porque eu falava isso: “Tô meio desequilibrada, porque eu só cuido de casa, dos filhos, não estou feliz”, então acho que encontrar esse equilíbrio, descobrir que era possível, e acho que o nome disso é maturidade e também gratidão por todos os momentos.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+