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Eletrônica e Farmácia, tudo a ver!

História de: Entrevista de Rogério Guimarães Pereira
Autor: Tayara Barreto de Souza Celestino
Publicado em: 22/06/2021

Sinopse

Trabalho na adolescência em uma empresa de jogos eletrônicos. Más condições de trabalho. Interesse pela área de comunicação. Formação como Técnico em Eletrônica. Saída do emprego antigo e contratação, como office boy, na farmácia, onde trabalhou por 10 anos. Graduação em Farmácia. Trabalho na empresa Aché.

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História completa

Projeto Aché

 Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de Rogério Guimarães Pereira

Entrevistado por Eliana Reis

Campinas, 29 de abril de 2002

Código: ACHÉ_CB130

Transcrito por Denise Boschetti

 

Revisado por Isabella Favero Fazani

 

Rogério Guimarães Pereira nasceu em 1973, no município de Sorocaba (SP). Começou a trabalhar com carteira assinada aos 14 anos em uma empresa de jogos eletrônicos. Fez Ensino Técnico em Eletrônica. Trabalhou em uma farmácia de Sorocaba, por 10 anos, como office boy, auxiliar e, no balcão; Graduou-se em Farmácia, em Piracicaba. Começou a trabalhar na Aché, em 1999. 

 

 

P- Para começar, eu gostaria de saber o seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R- Eu sou Rogério Guimarães Pereira, nasci em Sorocaba em 1973. Eu tenho 20 e poucos anos.

 

P- E quando é que você entrou no Aché?

 

R- Entrei em 1999. Fiz, agora, três anos de empresa, no mês passado.

 

P- Foi seu primeiro trabalho?

 

R- Não. Comecei a trabalhar cedo para os padrões de hoje, com 14 anos, registrado. Trabalhei um ano certinho, numa empresa que não tem nada a ver, uma empresa de máquinas de fliperama,  jogos eletrônicos, em 1987 e 1988. Comecei a estudar à noite, fui procurar um emprego. Então, arrumei aquele primeiro empreguinho, você faz um castelinho na cabeça, né? Ter o primeiro empreguinho, para ter meu dinheiro, comprar minhas roupas. Antes, eu já trabalhava assim com a família, uns tinham mercearia, meu pai sempre foi marceneiro, hoje aposentado, eu ajudava a passar verniz na madeira, achava legal. E, então, eu fui procurar meu primeiro emprego para fora mesmo, parece que o dinheiro é mais valioso, você tem a sensação. Aí, encontrei uma amiga no ônibus e ela falou: “Estou trabalhando numa empresa, num escritório de uma empresa que coordena várias lojas de produtos eletrônicos e está precisando de um rapazinho que nem você, para contar as fichas” que eram essas fichas, todo mundo já jogou o fliperama, e pôs aquela famosa fichinha, né? Que depois são mensalmente recolhidas e precisam ser contadas. “E você vai fazer isso aí”. Eu falei: “Beleza, vamos lá”. Fui lá, fiz a entrevista e entrei. Foi meu primeiro emprego, eu nem esperava, fui lá e voltei empregado, e tinha que voltar naquele dia para trabalhar já, lembro que era o dia primeiro de março. Aí, voltei e falei: “Mãe, estou trabalhando”. E ela: “Ah, que legal!”. Era um escritório da empresa, só que de manutenção. Então, aquele pessoal que trabalhava lá só carregava máquina, um serviço bem braçal. Era complicado. Chegavam 8 mil fichas e eu tinha que contar, tinha uma maquininha que emperrava direto, enfim, tinha que contar na mão. E eu empacotava em saquinhos de 500 fichas, então muitas vezes eu estava na 449 e perdia a conta, tinha que começar tudo de novo. Ficava sozinho, enfurnado numa casa, todo mundo saía para dar manutenção, e eu ficava sozinho. Era um tédio, porque eu percebi que minha área era comunicação, mas infelizmente a gente sempre começa a dançar um pouco conforme a música, começa a direcionar. Não é ao contrário, como eu acho que devia ser: “Eu gosto disso, então eu vou fazer isso”. Mas não, apareceu isso para mim, então fui fazer um curso nessa área. Como eu dava assistência técnica em máquinas e jogos eletrônicos, eu fui fazer Colegial Técnico em Eletrônica. Nada a ver com o que eu faço hoje. Então, fui fazer o curso de Eletrônica. E de dia contava as fichas, trabalhava também no almoxarifado, dava as peças para o cara, e quando todos iam embora, eu ficava sozinho. Mas acho que todo mundo já passou por isso um dia. Aí, com dois meses de trabalho, eu não aguentava mais. É duro, eu ficava sozinho, eles trancavam a porta, tinha até grade na janela, era uma prisão perfeita. Só não via o Sol nascer quadrado porque a janela era redonda. Um dia, cheguei em casa e falei: “Pai, não aguento mais trabalhar lá, vou sair”. Expliquei para ele, o pessoal não sabia nem conversar com a gente, não tinha um momento de confraternização, jogo de bola, não tinha nada. Aí, meu pai: “Não, meu filho, isso suja a carteira. Tem que ficar pelo menos um ano para não sujar a carteira, senão vão pensar que você não quer trabalhar”. Começou dia primeiro de março de 1988, vamos dizer assim. Dia primeiro de março de 1989, eu pedi a conta [risos]. E nesse dia já não trabalhei mais. Fui lá para uma senhora e falei com ela: “Viu, quero saber dos meus direitos, se eu pedisse a conta hoje”. E ela: “Não, mas você não pode pedir a conta assim, tem que cumprir não sei o quê...” “Não, eu sei os meus direitos e eu vou pedir a conta hoje”. E nesse dia, já não trabalhei mais. E eu já tinha uma coisa mais ou menos certa, numa farmácia que estava precisando de um office boy. Uma amiga me falou, e era uma farmácia bem renomada em Sorocaba. Eu passava sempre em frente e passava a me pesar. Eu via tudo limpinho, lotado de gente, várias pessoas, outro clima, né? E eu pensei: “Eu vou trabalhar aqui, mesmo de office boy”. Então, no dia primeiro de março, eu pedi a conta. Saí e fui na farmácia, fiz entrevista com o farmacêutico, um grande amigo meu, doutor Vanilton. O cara gostou de mim, me contratou. Então, dia dois de março eu estava na farmácia, e não fiquei nenhum dia desempregado. Para o primeiro emprego, eu fiz entrevista e entrei, o segundo fui e entrei, e nunca até hoje fiquei desempregado, apesar de estar preparado para isso depois dessa filmagem [risos].

 

P- E da farmácia, você acabou entrando no Aché?

 

R- Sim. Entrei na farmácia, não tive férias e fiquei dez anos certinhos na farmácia. E fazendo Eletrônica à noite. Aí, já estava no segundo ou terceiro ano, eram quatro anos. Na farmácia, fiquei um mês de office boy. Eu ficava muito no balcão, já aprendi a ler receita e eu tinha um irmão que era propagandista de um outro laboratório, detalhe importante, então eu conhecia mais ou menos. Só que eu era um cara muito novo ainda, eu não tinha nem 18 anos, sem chance. Então eu entrei como office boy, passei para auxiliar e entrei no balcão da farmácia. E aí eu fui gostando da coisa mesmo, fascinei pela questão de medicamentos, sempre estudando, olhando, e daí, encurtando a conversa, terminei o curso técnico e falei: “Vou fazer Faculdade de Farmácia. Tem tudo a ver, Eletrônica com Farmácia, né? [risos]. Vai que queima a caixa registradora da farmácia, eu já sei arrumar, né?” [risos]. Aí fiz cursinho, na turma de maio,  e no meio do ano era o vestibular. Em Sorocaba não tinha Faculdade de Farmácia, só em Piracicaba, a 100 quilômetros. E passei no vestibular, graças à redação, como eu falei, da parte de comunicação eu sempre gostei. Na época, foi a segunda melhor redação do vestibular. Todas as matérias do vestibular somavam 50 pontos e a redação eram os outros 50. Eu tirei 47 na redação, em Química tirei um, Inglês tirei um, nas outras matérias ainda quebrei o galho. Era na época da Copa, a prova foi no dia do jogo entre Brasil e Camarões, e eu fazendo vestibular, uma tortura. Mas no ônibus ouvia no walkman, indo para Piracicaba. Aí, passei e consegui trabalhar na farmácia mesmo e fazer faculdade à noite. Eram 100 quilômetros de ida e 100 de volta. Eu saía de manhã, às sete e meia, ia para a farmácia, e como já fazia quatro anos que eu estava lá, acabei me tornando o funcionário mais antigo.

 

---FIM DA ENTREVISTA---

 

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