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"Elas adoram"

História de: Lucinaldo da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/07/2005

Sinopse

Imigrante nordestino. Busca por melhores condições de vida. Consultor Natura. Homem vaidoso. Realização profissional.

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História completa

P1 – Bom, vamos começar pelo seu nome completo, data e local de nascimento.

 

R – Meu nome é Lucinaldo da Silva, eu nasci em Guarabira, tenho 29 anos, minha data de nascimento é 25 de agosto 1975.

P1 – Guarabira fica onde?

 

R – Paraíba, Estado da Paraíba.

 

P1 – Tá. E nome do seu pai e da sua mãe?

 

R – O do meu pai é José Sebastião da Silva, e minha mãe é Cosma de Andrade Silva.

 

P1 – Nasceram na Paraíba também?

 

R – Também.

 

P1 – Os dois na mesma cidade?

 

R – Os dois.

 

P1 – Seu pai trabalha no quê? E sua mãe? 

 

R – Meu pai era pedreiro, minha mãe era costureira. Meu pai sempre foi pedreiro e minha mãe sempre foi costureira e dona de casa. Sempre costurou em casa, sempre.

 

P1 – E como foi essa vinda para São Paulo?

 

R – É, minha vinda pra São Paulo foi assim: meu irmão mora no Rio até hoje, meu irmão mais velho, e eu trabalhava na casa de um pessoal que foi Miss Paraíba, modelo, e eu trabalhava com a mãe dessa modelo. E eu sempre... Como é que se diz? Eu ficava na casa dela, ajudava ela, e ela sempre era... Tinha criação de bichos, então ela me chamou pra ir morar lá com ela, eu fui. Então, essa vinda pra São Paulo foi... A filha dela, que era modelo, eu vi ela na revista e ela falou: “Ai, eu queria…” Ela me chamava de Nino. “Ah mamãe, eu quero que o Nino venha morar comigo em Copacabana.” Porque só ia ela e o marido dela, e ela falou assim: “Vou mandar o dinheiro para o Nino vir comigo.” Daí eu fui, fiquei sete meses só. De lá, meu irmão morava aqui em São Paulo, em Guarulhos, e ele, como viu que lá estava ruim pra mim também, falou que arrumava serviço pra mim aqui. Mas aí eu fui pra Guarulhos. Hoje Guarulhos está até melhor, porque quando eu cheguei não tinha muita coisa asfaltada, hoje já tá tudo equipado, tem asfalto, água, esgoto, né? Aí, meu primeiro serviço quando eu cheguei em Guarulhos foi trabalhar na Meias Scalina, Trifil. Era de servente de limpeza o meu primeiro serviço, quando eu cheguei aqui. Foi até uma amiga nossa que arrumou.

 

P1 – Então, a sua infância foi na Paraíba?

 

R – Aham.

 

P1 – Então, conta um pouco da sua infância, fala um pouquinho da sua família materna, paterna, dos irmãos…



R – A minha infância foi assim: só vivia na rua, pelado, sem chinelo, né? Aqui não tem isso, mas... E eu fui, bem dizer, criado com minha madrinha e a mãe de uma madrinha minha, que morava encostada à casa dos meus pais. Só que ela trabalhava na feira, de feirante, então eu comecei a trabalhar, vender verduras com eles. Tinha o quê? Uns cinco, seis anos, por aí. Eu já era espertinho, já era do ramo de vender.

 

P1 – E lá onde você morava, você tem recordação da casa em que você morava?

 

R – Tenho.

 

P1 – Conta um pouco, assim, do quê que você se lembra, as brincadeiras, o quê que você fazia...

 

R – Tenho. A casa era de telha, nunca de laje, raramente tem casa de laje, tinha o quintal, sempre tinha um pé de manga em que a gente fazia casa de papelão, geladeira de papelão, fazia casa assim, e a gente sempre brincava ali, os irmãos, as minhas irmãs, tudo.

 

P1 – Quantos são?

 

R – A gente é em oito.

 

P1 – Nossa.

 

R – Oito irmãos: quatro mulheres e quatro homens.

 

P1 – E qual era a brincadeira? Fora a mangueira, o que mais vocês gostavam de fazer?

 

R – Era cozinhar, cozinhar na panela de barro.

 

P1 – Ah, é?

 

R – É. Pegava, como é que se diz? Madeira para cozinhar na panela de barro, ficava fazendo cozido, eram assim nossas brincadeiras. Coisa de criança.

 

P1 – E como que era o dia a dia da sua casa? Vocês acordavam, ajudavam em casa, como é que era?

 

R – É, a gente acordava, o mais velho trabalhava, que era o meu irmão, o Luciano. Ele não é bem o mais velho, ele é encostado no mais velho, e ele é que trabalhava. A gente, como era pequeno, só vivia na rua, na casa da minha madrinha. E eu sempre ia pra feira pra ganhar meu dinheiro. Não era pra ajudar, porque não era muito naquele tempo, mas dava pra comprar o que a gente... Sempre tem alguma coisa.

 

P1 – O que você queria.

 

R – É. Não o que queria, mas...

 

P1 – O que podia. (risos)

 

R - O que podia. E minha mãe tinha criação de porcos também, né? Porcos. E todo ano, quando os porcos cresciam, ela vendia, e a gente tinha a nossa parte pra nós comprarmos nossas roupas de final de ano, né? Natal, Ano Novo...

 

P1 – E você se recorda da casa? Onde é que você gostava... Fora a mangueira, onde é que você gostava de brincar, tinha turma, como é que era?

 

R – Tinha, na rua mesmo, a gente ficava até meia noite brincando de cordão, elástico, baleada, que aqui é queimada. Era aquela bagunça toda de gente, né? E, às vezes, quando faltava água também na cidade, a gente ia lá... Não era um açude, era uma casa, tipo... Tinha um... Aqui se fala poço artesiano, lá se fala outro nome, eu não me lembro bem o que é, e a gente ia pegar água lá pra tomar, né? Quando faltava água a gente ia pro açude tomar banho. Era açude, cachoeira... Hoje tá meio poluído. As cachoeiras... O pessoal já terminou com tudo, né? É difícil achar.

 

P1 – E você é casado?

 

R – Solteiro.

 

P1 – Solteiro? E você estudava, você estudou?

 

R – Eu sempre estudei, eu era esperto na escola, só que não tinha paciência de ficar na escola, eu sempre fugia e minha mãe sempre me batia pra ir pra escola. Mas eu não queria saber de escola, né? Então, eu fui, estudei acho que até a terceira ou quarta série, fui até a terceira série. E daí eu parei, vim terminar meus estudos aqui, depois acho que de quinze, vinte anos. Hoje eu tô com 29.

 

P1 – E por que você não conseguia ficar na escola? Você não gostava?

 

R – Não sei, não tinha paciência para escrever, o pessoal ficava zoando lá atrás e eu tinha vergonha, era muito vergonhoso. Hoje, não, hoje eu sou mais aberto com as pessoas, converso. Você vê que agora, até no serviço, eu tô transferido pra lá, uma firma hoje, outra amanhã. É até bom pra mim, né?

 

P1 – Claro.

 

R – Porque daí eu conheço pessoas. Então, a escola eu nunca terminei lá porque eu não gostava de estudar, não tinha paciência. 

 

P1 – E como era a escola, assim? Você tem recordação da sua escola, dos professores?

 

R – Tenho. Eu lembro de uma professora que tinha que deixar o caderno pra fazer lição, ela fazia a lição no caderno pra gente entregar no outro dia. Nesse dia eu não queria que ela deixasse meu caderno lá e fiquei puxando: “Não, é meu.” Ela: “Não, é meu.” Peguei o lápis sem querer e bati nas costas dela, lembro até hoje. E ela chorou, a mãe foi lá e a mãe queria bater em mim, aí ela não deixou. Mesmo que ela tenha levado o furo do lápis, ela não deixou minha mãe bater. Até hoje eu lembro dessa professora. 

 

P1 – E você gostava dela?

 

R – Gostava, gostava demais.

 

P1 – E na escola, você lembra se você brincava de alguma coisa em especial?

 

R – Na escola? Lembro, como eu te falei: tinha muito vôlei, a gente brincava de vôlei, baleada, que é queimada, a gente brincava muito disso. Fora a comida, que antigamente era boa, né? Me lembro até hoje, da escola.

 

P1 – Do que você lembra? Conta.

 

R – Eu lembro de macarrão com carne de soja.

 

P1 – Carne de soja?

 

R – Carne de soja. Era bom. Quer dizer, até hoje é bom, né?

 

P1 – Você comia, fazia as refeições na escola?

 

R – Na escola. Muito boa a carne de soja... Outro dia fui procurar no mercado, achei carne de soja.

 

P1 – Aprendeu já a fazer?

 

R – Macarrão, é. Macarrão com sardinha, canja de galinha, eles faziam muito. 

 

P1 – E na sua casa, você se lembra das refeições? A sua madrinha, o que você gostava que ela fizesse?

 

R – Da minha madrinha? Deixa eu ver. Eu lembro que... De comida que ela fazia? Muito feijão de corda com carne seca. É o que eu mais lembro que ela fazia. E deixa eu ver mais. Não tenho muita recordação de cinco anos, dez anos.

 

P1 – Mas na escola, você gosta das comidas também?

 

R – Das comidas... Macarrão com carne de soja ou macarrão com sardinha.

 

P1 – Certo. E nessa época da escola, ainda, você parou de estudar lá?

 

R – De estudar.

 

P1 – E sua mãe não ralhou, não brigou?

 

R – Ah, sempre brigava, porque o meu pai, ele sempre bebia, ele bebia muito e nunca tinha serviço. A gente sempre passava dificuldade, então eu nunca ficava em casa, sempre ia ganhar o meu dinheiro lá fora ou então ficava na casa da minha madrinha, que era quase encostada lá em casa, e nunca ficava em casa, raramente ficava em casa. 

 

P1 – E seus pais vieram pra São Paulo também depois? Pra Guarulhos?

 

R - Vieram com muito tempo, quando minha mãe ficou doente, né? E eu não sabia que ela estava doente. Aí deu na telha de eu ir lá na cidade de Guarabira, e falei: “Vou pegar minha mãe pra vir pra cá, pra Guarulhos.” Só que eu não sabia, eu fui pegar, ela veio, meu pai não gostou. Quando chegou aqui, ela foi fazer os exames e tudo, aí apareceram muitas coisas que a gente não sabia. Ela teve um distúrbio hemorrágico no útero e o médico, mesmo sem fazer exame, falou que era câncer no útero, tal. E a gente não acreditou, porque a gente vê acontecer só com os outros e com a gente fala que não vai acontecer, com a nossa família, com a gente. Aí foi diag...

 

P1 – Diagnosticado. (risos)

 

R – Isso. (risos) Aí ela fez o tratamento, tudo, por três anos. Morou lá em casa porque eu era filho solteiro, tinha duas irmãs solteiras que moravam comigo também, e ela fez o tratamento, depois de quatro anos ela fez duas cirurgias e chegou a falecer em casa.

 

P1 – Tá. E seu pai veio depois ou veio antes?

 

R – Meu pai, conforme a bebida, porque ele bebia muito, ficou abandonado lá no Norte, então o pessoal disse: “Ah, seu pai tá abandonado, tudo, você tem que ajudar.” Aí juntou a família toda pra pegar o pai. Só que ele não estava em condições de vir de ônibus pra aqui, pra Guarulhos. Aí juntou a família toda, compramos a passagem de avião pra ele vir, porque ele não podia, porque ele já estava com cirrose hepática, ele estava muito debili...

 

P1 – Debilitado.

 

R – Debilitado, isso. (risos) Aí ele foi, ficou uns dias na minha casa, ficou uns dias também na casa das minhas irmãs pra gente cuidar dele, só que não tinha mais tratamento porque já estava avançada a doença. Mas ele chegou um dia tão ruim lá em casa, minha irmã pôs ele lá em casa, ele estava delirando, aí a gente levou ele ao hospital. A primeira coisa que o hospital fez... Porque ele estava entrando em.... Deu parada. Aí tentaram reanimar, mas não deu jeito. Aí já foi, entubaram ele, ficou no oxigênio, no aparelho, na UTI, e com três dias ele chegou a falecer. 

 

P1 – E com quantos anos você veio para Guarulhos?

 

R – Com quantos anos?

 

P1 – É, você lembra?

 

R – Dezesseis anos e meio, por aí.

 

P1 – E sua adolescência, o que você lembra da sua adolescência?

 

R – Adolescência?

 

P1 – É.

 

R – Lá nos catorze, doze anos?

 

P1 – Aqui, catorze, dezesseis...

 

R – Doze, dezesseis... Tanta coisa que passou na nossa vida, que... É... Porque a gente que morava lá no Norte, a gente falava assim: “Ah, São Paulo...” Tudo era São Paulo, né? Ou Rio de Janeiro, então era mais o Rio. E o que eu lembro é pouca coisa, não é muita coisa, não. Porque sempre, dos cinco anos até doze, treze, catorze, eu sempre trabalhei com vendas, trabalhei também como vendedor ambulante, de porta em porta, só que lá no Norte. Todo dia era uma cidade diferente. Só que esse pessoal com quem eu trabalhei, eles eram compadres da minha mãe, porque minha irmã era... Como é que se diz? Era afilhada deles. Então, eles montaram um supermercado, vendia panela, rede, colcha, tudo que você imaginar. Era tipo uma loja, só que era uma loja ambulante. Então, fiquei um ano e dois meses com eles. Foi nessa adolescência, já com quinze anos. Eu fiquei um ano e dois meses com eles. Só que eles nunca queriam que eu saísse deles, né? Só que a gente teve uma discussão, tudo, e aí eu resolvi. Aí eu voltei pra essa casa onde eu morava, que era essa mãe da modelo, foi Miss, e ela sempre me aceitava de volta: “Não, fica aqui.” Ela gostava de mim, eu ia lá pra ajudar ela, então foi nessa época que ela falou: “Não, vai pro Rio. A José ela é nova, ela não tem filho, só você e o marido, o marido dela é muito ocupado...” Então eu fiquei só esse tempo lá e vim aqui pra Guarulhos, meu irmão me apoiou, mas de vez em quando eu tô no Rio também, né? Não toda vez, porque tô sem tempo, mas meu irmão também mora lá até hoje.

 

P1 – Vamos falar agora um pouquinho da sua vida profissional. Você falou que com cinco anos você começou já…

 

R – Já, a trabalhar.

 

P1 – Então, conta um pouco disso daí.

 

R – Do profissional? Eu sempre pensava assim, eu sonhava em trabalhar em um restaurante e falava: “Ah, mas isso não vai acontecer, não.” Aí, meu irmão, que era cozinheiro, o Luciano, falou assim: “Não, eu arrumo pra você.” Aí ele arrumou, eu trabalhei primeiro na Trifil, com serviços gerais, auxiliar de limpeza.

 

P1 – Esse foi seu primeiro emprego?

 

R – Foi meu primeiro emprego. Aí, meu segundo serviço na Trifil… No meu primeiro serviço, uma moça, uma conhecida que era desenhista de meia, e até hoje é minha amiga, falou: “Não, Lucinaldo, sai desse serviço, pede a conta que eu arrumo um serviço na Trifil.” Eu falei: “Não, não vou deixar o certo pelo duvidoso, não.” “Não, não, eu garanto, você vai ficar nesse serviço.” Eu falei: “Não, não.” Aí eu pedi a conta, porque eu me chateei lá, e aí meu irmão falou assim: “Ah, tem um serviço lá, vai inaugurar uma firma.” Que nessa firma eu fiquei dez anos, saí tem pouco tempo. É da mesma empresa do grupo GR. Fiquei dez anos. Lá é uma fábrica de moeda, né? Eu fiquei dez anos lá, foi onde meu irmão arrumou meu primeiro serviço. É porque tudo no começo é difícil, né? Você é novato, o pessoal só quer montar em cima dos mais novos. Foi meu primeiro serviço, de ajudante de cozinha, mas como eu já tinha uma noção lá no Rio de Janeiro, que eu aprendi com a modelo, com o tempo me deram uma responsabilidade que, como ajudante, não era pra... Eu disse: “Eu quero uma promoção.” “Ah, promoção, é?” Aí minha chefe falou: “Ah, vou ver.” Aí ela me deu essa promoção de meio-oficial, que é tipo um segundo cozinheiro, não primeiro, né? Ela me deu essa promoção e hoje eu estou nessa firma... Tem o quê? Uns dez anos.

 

P1 – É a mesma firma da GR?

 

R – Mesma firma, é.

 

P1 – Só que é outro nome, né?

 

R – É GR Ata. É porque elas são um grupo, um monte, um grupo grande, aí cada uma tem um nome diferente, só que é o mesmo... Como se diz? Os mesmos empresários, os mesmos donos.

 

P1 – E é uma empresa que fornece alimento para outras empresas?

 

R – Alimentação para empresa, bar, restaurante, rodoviária, tudo são deles.

 

P1 – Tá. E entre essas empresas tem a Natura?

 

R – A Natura também, eles fornecem pra Natura, também.

 

P1 – Em Cajamar?

 

R – Cajamar, Principalmente. Apareceu até uma vaga pra mim lá de auxiliar de confeiteiro, mas eu não quis porque era longe. Porque eu mexia também com sobremesa, né? Era responsável POR sobremesa lá no serviço que tinha há DEZ anos. sempre mexi com sobremesa, mas com comida também. apareceu essa vaga em Cajamar, só que eu não quis. Era medo de mudar de serviço. 

 

P1 - Então você ficou dez anos em uma. E você já está há quanto tempo nessa?

 

R – É a mesma, GR.

 

P1 – Ah, é a mesma.

 

R – É a mesma, é. Porque antigamente era Bon Gourmet, era outro nome, só que a GR veio e comprou essa Bon Gourmet há cinco anos atrás. Aí a GR entrou e pegou a gente de volta, entendeu?

 

P1 – Ah, entendi.

 

R – Aí a gente ficou, pra não mandar embora.

 

P1 – E o que você gosta de cozinhar?

 

R – O que eu gosto? Eu acho que tudo. Tudo. E de aprender também. 

 

P1 – O que você gosta mais?

 

R – O que eu gosto mais de fazer é molho branco.

 

P1 – É?

 

R – Eu adoro fazer molho branco porque ele serve pra um monte de coisa, pra fazer cremes, strogonoff, o famoso. O pessoal só faz em casa strogonoff com creme de leite, o pessoal fala assim: “Não, mas não sei fazer assim, desse jeito que você fala.” “Não, tem um jeito, sim, de fazer. É assim que faz.” “Ah, não sabia.” Muita gente não tem conhecimento. Eu, que não sabia, até hoje fico besta quando é molho branco. Tão fácil fazer...

 

P1 – E o que você mais gosta de comer que você faz?

 

R – De comer, que eu faço?

 

P1 – É.

 

R – Deixa eu ver... Arroz, bife e feijão. É o que eu gosto mais de comer. Fazer e comer.

 

P1 – E agora você é primeiro cozinheiro, ou você é...

 

R – Hoje eu sou cozinheiro júnior.

 

P1 – Cozinheiro júnior.

 

R – Já mudou um pouquinho, né? Até lá chegou.

 

P1 - Está melhorando. (risos)

 

R – Está, tô evoluindo.

 

P1 – Então me conta agora como e quando você conheceu a Natura, e como é que você foi trabalhar na Natura como consultor. 

 

R – Como eu conheci a Natura? Foi assim: no meu bairro sempre tinha uma irmã de uma cunhada minha que vendia Natura, e ela chegou um dia na minha casa e falou: “Ah, comprei esse desodorante aqui.” O desodorante era até... Deixa eu ver... A Natura até tirou de linha. Eu falei: “Não, é muito caro.” Na época eu acho que era trinta reais, ou eram trinta URVs [Unidade Real de Valor], por aí. Aí ela falou: “Não, eu faço em duas vezes.” Eu falei: “Ah, tá bom. Mas é caro demais.” Eu achava muito cara a Natura, mas não sabia que era tão bom. Aí, minha irmã estava vendendo acho que pra essa menina também, a Lucineide. Ela mora até no Rio de Janeiro hoje, é a mais nova. E ela começou a vender pra essa menina. Aí, como deu um probleminha lá, uma briguinha, e ela teve que sair, depois voltou pro Norte com minha mãe de novo, ela falou: “Ah, não vou vender isso mais, não.” Ela deu a revista na minha mão. Aí eu levei lá no serviço, o pessoal olhou. Só de olhar, falou: “Ah, Lucinaldo, vende.” Aí eu vendi pra essa menina que minha irmã vendia. Falou: “Ó, faz os pedidos.” O pessoal pedindo, pedindo, pedindo, pedindo, eu falei: “Caramba, eu nem cheguei a oferecer, o pessoal já tá...” Aí comecei a vender nessa época, há sete anos atrás. Eu vendia muito bem, a menina sempre falava: “Você é um dos melhores vendedores que eu tenho.” Aí, quando foi um dia, ela falou... Ela nem falou de vender direto, aí passou uma senhora que mora lá perto também, que é consultora da Natura, Dona Cleonice, e falou: “Lucinaldo!” Eu falei: “Oi.” “Você não quer vender Natura direto?” Eu falei: “Eu não, tem muita responsabilidade, suja o nome, um monte de coisa.” “Não, menino, que é isso! Vai lá, eu te dou o número de telefone.” Foi o nome da promotora, que é minha promotora, Júlia, e aí eu fui lá, fiz a ficha com vergonha e falei: “Homem pode vender?” Aí ela falou assim: “Claro que pode! Homem pode vender, sim. Quem falou pra você que não?” Eu com vergonha, as meninas olhando pra mim e dando risada. Aí eu fiz a ficha e eu comecei. No começo foi difícil pra pagar as notas, pra pegar cliente novo. Hoje, eu entro num dos dez melhores do meu setor.



P1 – ___________

 

R - E a Natura faz festa todo ano, o pessoal vai à festa, os dez melhores do ano, né? Então, esse ano, depois de sete anos, foi a primeira vez. Então foi muito bom.

 

P1 – E você começou a usar Natura, também?

 

R – Comecei a usar Natura e uso até hoje, né? Os perfumes. O pessoal, eu passo e o pessoal diz: “Nossa, que perfume gostoso é esse?” Aí eu falo o nome, o pessoal: “Ai, me mostra qual é pra eu ver quanto é.” Aí, quando vê que gosta do perfume, elas chegam até a pedir o próprio que eu tô usando. 

 

P1 – E você se lembra da sua primeira venda, da primeira caixa?

 

R – Primeira venda?

 

P1 – É, a primeira caixa, quando chegou, em seu nome mesmo.

 

R – Quando chegou? Foi uma alegria, era muito produto de lançamento da Natura, tinha até um perfume chamado Vivo, acho que é Vivo, o perfume... Nossa, aqueles perfumes lá, eu vendia pra caramba. A primeira venda foi difícil. A dona da casa onde eu moro, ela usava outro produto, que era Avon, agora é Renew, e ela olhou pra mim assim e falou - ela me chama de Nino, não Lucinaldo: “Você vende Natura?” Eu falei: “Vendo.” “Tem um produto lá que é tão bom, que é o Chronos.” Eu falei: “Tem, sim, e é bom mesmo.” Ela falou: “Ah, eu vou mudar.” Minha primeira venda foi ela. Eu até comentei com ela que ia fazer essa gravação, e eu falei assim: “Ah, se pudesse trazer uma pessoa eu ia trazer você, Rosa.” Ela ficou toda feliz, ela falou assim: “É mesmo.”

 

P1 – Primeira cliente. 

 

R – Primeira cliente. E cliente boa, viu? Fiel. 

 

P1 – E como é que é essa sua... Não. E a Natura veio depois... A empresa em que você trabalha começou a fornecer alimentação para a Natura depois que você já era consultor?

 

R – É, depois que eu já era consultor. Se a empresa em que eu trabalho já fornecia comida, eu não sabia, ou então era a Ata mesmo, que não tinha grupo ainda. E aí eu fiquei, descobri, a empresa tem relações onde tem as fábricas, onde tem setor de restaurante, e a gente fica sabendo também. Aí, como um dia tinha a revista do sindicato, tinha lá o time de futebol, porque eles montam tipo um grêmio pra jogar futebol, Natura contra outra empresa. Eu falei: “Ah, a GR trabalha com a Natura? Não sabia.” Fiquei conhecendo assim. Aí, quando chegava no meu setor de serviço, eu falava: “Ah é, tem lá, é mesmo.” Isso sempre é bom, né?

 

P1 – E qual o produto que mais te marcou da Natura até hoje?

 

R – Da Natura?

 

P1 – É.

 

R – Foi um perfume chamado Shiraz e Ares de Shiraz, que até ontem mesmo tinha uma pessoa me perguntando se ainda tinha esse perfume. Esse perfume marca no frio, porque de manhã você podia colocar ele e sair naquele vento frio, e ele chama atenção das pessoas. Tem muita gente que não pode ver perfume forte porque tem alergia, e outras não. Para outras já são, assim, no frio... Tem perfume de frio e de calor também, né? Aí você tem que distinguir na pele. Se o perfume que você colocou de manhã na pele estiver à tarde ainda, é sinal de que você se deu bem com o perfume. Se for um perfume que você pôs de manhã e já saiu rápido, é sinal de que o tempo também não ajudou pra você ter esse perfume na pele.

 

P1 – E qual é o que você mais gosta hoje?

 

R – Que eu mais gosto? Hoje eu tô usando o Gen feminino, não é nem masculino, é feminino. Assim que eu mais gosto.

 

P1 – E qual é o que você mais vende?

 

R – Que eu mais vendo?

 

P1 – Qual produto?

 

R – Ah, eu vendo tanto! Chronos eu vendo bem, Cará eu vendo bem, desodorante eu vendo bem, principalmente Kaiak feminino, Sintonia... Deixa eu ver mais... Sabonetes eu vendo bem, também.

 

P1 – E refil? Você vende bastante?

 

R – Refil é o que mais vende, é o que mais vende.

 

P1 – E as pessoas escolhem comprar o refil por quê? Pelo preço? Como é que é?

 

R – É porque o refil chega a ser mais barato um pouco e ela não tem que jogar aquela embalagem fora, né? Abriu a embalagem, jogou o outro que estava vazio fora, pega o refil e já coloca dentro, não precisa comprar outro. Aí compra só o refil e vai usando.

 

P1 – E você explica isso pro seu cliente?

 

R – Explico, explico, sim.

 

P1 – Pra ela guardar...

 

R – Pra guardar. Tem uns que não guardam, que falam: “Ah, eu esqueci. Ah, não, eu quero assim mesmo, não importa.” Muita gente joga fora.

 

P1 – E qual é o perfil dos seus clientes? São mais homens, mais mulheres, mais velhos, mais jovens?

 

R – Ah, eu me dou muito com gente depois dos quarenta, né? Me dou muito bem pra conversar. Mas eu tenho de todo tipo: é nova, é senhora, adolescente. Adolescente é que mais me procura pra comprar Natura.

 

P1 – É? O que eles consomem mais?

 

R – Perfume masculino. As meninas consomem Kriska Jeans, que é feminino, ou então querem um perfume de homem também. Porque mulher gosta de perfume de homem também.

 

P1 – Gosta.

 

R - E homem gosta de perfume de mulher. E eles consomem muito Kaiak, que é um Kaiak Aventura, que é um esportivo, muitos roll-ons, que eles suam muito. Ontem mesmo eu estava, tinha chegado tarde do serviço, aí uma estava lá na rua e falou: “Ô, cadê meu roll-on?” Eu falei assim: “Ah, eu não tenho agora, não. Dá um tempo aí.”

 

P1 – Você consegue fazer estoque?

 

R – Consigo.

 

P1 – Faz?

 

R – Não muito, mas um estoquezinho bom pra se manter, pra não ficar correndo pra lá e pra cá, liga pra Natura, às vezes não tem, também. Porque eles vendem tanto que às vezes está em falta o produto, né?

 

P1 – E seus clientes são fiéis, eles voltam?

 

R – Sempre, são. Voltam. Não tem um que não fale assim. “Não, não vou comprar. Só compro do Lucinaldo.” Ou Nino que falam. (risos)

 

P1 – E como é que é esse seu processo de venda? Como é que você faz para conseguir novos clientes e para manter os que você já tem?

 

R – Pra manter eu sempre dou um desconto: “Ó, te dou 10%, tá caro, mas...” Aí tem as promoções que a Natura põe, também. E às vezes eu dou uma promoção pra não perder o cliente, porque tem gente por aí que vende produto, mas vende separado só pra não dar a promoção pro cliente. A promoção, quando vem, é do cliente. Agora, se passou do dia, eu não tenho como mais dar a promoção pro cliente, porque passou da promoção, né? E é isso que eles gostam de mim. Sempre tem um cafezinho: “Que cafezinho é esse?” Eu falo: “Ah, não te conto.” “Não, fala a verdade: que cafezinho é esse?” “Não, é café Melitta.” “Mentira.” Eu falo: “É Melitta, sim, aquele a vácuo, né?” “Ah, que café gostoso.” Tem gente que vai lá em casa comprar Natura só por causa ou do bolo ou por causa do café.

 

P1 – Ah, você também... Você oferece. (risos)

 

R – Ofereço. (risos)

 

P1 – Você faz um bolo... (risos)

 

R – É. (risos)

 

P1 – E as pessoas vêm até a sua casa.

 

R – Vêm.

 

P1 - Te telefonam, como é que é?

 

R – A maioria vai até minha casa e fala: “Eu não te acho, onde é que você tá?” Quando eu tô trabalhando demais. E outras telefonam, não te acham em casa, perguntam o que tá acontecendo, também. E sempre é assim. E tem umas meninas que vendem pra mim, também.

 

P1 – Ah, é?

 

R – Que me ajudam, né? Aí eu dou uma parte pra elas também. Elas também fazem parte da minha vida, da Natura, porque eles acham bom ganhar o delas também, eu também acho bom ganhar o meu.

 

P1 – Claro.

 

R – E tem muitas delas que falam assim: “Ah, se não fosse isso aí eu estaria numa feira dia de sábado, eu não estava comprando isso pro meu filho...” E os maridos delas não se importam, a maioria me conhece. Têm respeito por mim e eu tenho respeito por eles.

 

P1 – Claro. E como é que foi essa... Qual é seu segredo de vendas, fora o bolo e o cafezinho?

 

R – O bolo e o cafezinho? (risos)

 

P1 – (risos)

 

R – Eu acho que são as promoções que eu não deixo pra trás do cliente, sempre entrego pro cliente, e entrego rápido. O pessoal fica até besta. “Nossa, já chegou? Mas não era pra pegar tal dia?” “Não, mas não tem problema.” Eu acho que é isso o segredo _______. E sempre ter estoque em casa também, porque o cliente não quer esperar, né? O cliente quer ser atendido ali, né? Igual o filho da dona da casa onde eu moro, ele sempre compra o Essencial, um perfume caro, mas ele fala: “Ah, Lucinaldo dá pra você fazer em três vezes?” “Ah, se for em quinze dias eu te faço.” “Ah, tá bom.” Mas ele fala assim: “Ô, Lucinaldo, sabe o que o cliente quer mesmo? É assim: é bolo, é café, é estoque na frente, aqui na sua casa. Quando a gente chega, ele quer o produto ali pra ver, você põe aquele monte de produto assim, em cima da mesa, o pessoal escolhe, vê o que quer e leva pra casa. O cliente não quer esperar.” Eu falei: “É? Você tá esperto, hein?” Ele falou: “Não, é verdade.” Porque, inclusive a namorada dele e ele também compram de mim, né? E eles sempre... Mora longe um pouquinho a namorada e sempre vem pagar certinho. Quando não vem pagar, ela manda pelo namorado. 

 

P1 – E você tem um cantinho, assim, na sua casa, em que você deixa os produtos?

 

R – Tenho. Esses dias... Três meses atrás, eu deixava sempre empilhadas as caixas, né? A minha irmã é cabeleireira e ela desmanchou, se desfez do salão de beleza, que era na minha rua, e não estava dando certo. Hoje ela trabalha num salão num bairro maior que dá mais movimento, e ela tinha essa prateleira cheia de sapato, prateleira de vidro. Aí eu olhei assim, porque ela que corta meu cabelo, e falei: “Ô, Cleide, e essa prateleira aí?” Ela falou assim. “Ah, tá aí.  Estava vendendo aí.” Eu falei: “Ah, vende pra mim, vamos trocar por um perfume.” Aí ela ficou meio assim. Agora eu monto e tem tudo seu cantinho, cada área da prateleira tem o seu perfume, sabonete.

 

P1 – E é você mesmo que organiza? Faz uma estantezinha, uma coisa...

 

R – É, eu mesmo que organizo. Aí eu mandei a dona da casa, que é costureira, fazer uma cortina, comprei uma renda e ela fez. Ficou bonitinho. Aí, quando o pessoal vem: “O que você quer?” Já vou lá, pego, coloco em cima da mesa quando quer escolher, aí a pessoa vê o que quer, mostro a revista também, se ela não quiser ali ou se ela não tiver com pressa, às vezes eu arrumo com as outras colegas. Porque no bairro tem bastante consultora também, então eu faço troca quando eu não tenho. “Ah, você tem isso?” “Tenho.” Aí, quando eu fizer outro pedido: “Ah, vou mandar outro pedido, você quer alguma coisa?” “Ah, quero sim.” Entendeu? Então a gente trabalha assim também.

 

P1 – Você tem um bom relacionamento com as outras consultoras?

 

R – Tenho, tenho. Do meu bairro, sim. Quando eu vou à Natura também, o pessoal fala: “Lucinaldo! Tá no ranking, né? Quinhentos pontos.” Aí o pessoal olha assim: “Ah, você que é o Lucinaldo, famoso?” Eu falo: “É. Famoso por quê?” “Não, porque o pessoal fala tanto de você...” Eu falei: “Não, isso é besteira.” Aí... Mas sempre elas começam a chegar pertinho pra conversar. É, eu sempre tenho o dom de uma pessoa chegar perto e conversar, até mesmo da vida pessoal. Vai lá em casa comprar perfume ou contar alguma coisa sempre, ou quer desabafar, também, sempre tem isso comigo.

 

P1 – Os clientes viram amigos?

 

R – Viram amigos.

 

P1 – Viram?

 

R – Viram. Sempre. Hoje eu tenho uma cliente minha, que é a Sandra, ela mora um pouco distante de mim, não muito distante, na outra rua, e sempre nas sextas-feiras ela vai lá. Ela fala: “Ah, eu não posso vir aqui porque eu sempre tenho que deixar uma dívida. Ah, meu shampoo acabou, e agora?” “Leva, depois você paga.” ( risos ) “Não tenho dinheiro agora, só daqui um mês.” “Leva, depois você paga.” Mas eu sei que ela vai vir me pagar. Tem um monte de consultor lá na rua e ela não compra de ninguém das outras.

 

P1 – Só com você?

 

R – Só comigo. Não tem esse negócio.

 

P1 – E você entrou na Natura em que ano mesmo?

 

R – É, deixa eu ver... Acho que foi em 1998, 1994… Em 1994 acho que eu entrei na Natura. Há sete anos atrás?

 

P1 – Não, 1998.

 

R – Em 1998, né?

 

P1 – É.

 

R – Acho que é isso mesmo, em 1998 foi que eu entrei na Natura.

 

P1 – Tá, e quando você foi, você falou que ficou tímido, pensou: “Será que homem pode vender?” Como é que as consultoras, a promotora, como é que elas te receberam?

 

R – Ficaram meio assim, né? Ah, não, as outras me receberam bem, principalmente a Júlia, que é minha promotora. Ela me recebeu de braços abertos. As meninas também. Porque no começo é ruim, é difícil, né? Porque você vai fazer seu primeiro pedido, vai procurar cliente ainda, você não tem ninguém pra vender, pra ajudar também. Hoje, inclusive, até minha irmã vende pra mim, me ajuda. Ela ganha o dela e eu ganho o meu um pouco também, né?

 

P1 – E a entrega dos produtos? Quando você tem que entregar pro cliente, como é que você faz? Você leva, vai de ônibus, como é que é?

 

R – É assim, quando sou eu que vendi, eu mesmo vou à casa do cliente e entrego, coloco na sacolinha quando chega na caixa, e eu mesmo vou lá entregar. Eu passo nota, tem cliente que não quer nota, aí eu tenho meus cadernos, eu anoto tudo. Aí falo: “Ó, fulano, tá devendo tanto.” “Ah, não precisa de nota, não.” “Mas você não quer?” “Não.” Tem uns que querem, né? Mas tem outros que, pela confiança, não querem. E eu também nem ligo. Às vezes eu esqueço até de anotar, aí tem gente que fala: “Ó, estou te devendo.” E eu nem lembro. E... Como é que se diz? Para entregar os produtos, tem lugar em que eu tenho que pegar ônibus, tem lugar que não, porque é perto. Vêm as meninas que me ajudam a vender, também, vêm pegar. Eu ponho numa sacola só e se elas quiserem as sacolas da Natura, eu ponho separado e na casa delas elas separam. Eu só separo o meu. O que elas têm de levar, quando chegam na casa delas, elas separam os delas e têm que entregar para os clientes delas.

 

P1 – E a Natura, como é que é sua relação com a empresa, o que você acha da Natura? Me fala um pouco disso.

 

R – O que eu acho?

 

P1 – É. (risos)

 

R – Eu acho que a Natura é uma empresa, como se fosse, por exemplo, uma modelo ou uma pessoa famosa, né? Porque a Natura é famosa, né? Não é à toa que ela está em quatro países, acho. É bom você se relacionar, o pessoal fala: “Nossa, você é da Natura?” “É, sim.” “Nossa, que bom.” Hoje mesmo, o pessoal: “Ah, vou querer um autógrafo.” Minha nutricionista estava falando: “Ah, o Lucinaldo vai ficar famoso hoje.” Eu falei: “Não.” Aí ela estava conversando sobre o restaurante e sobre a Natura, também: “É, Natura é muito bom.” Inclusive hoje ela pediu dois Chronos pra mim, de manhã cedo, e eu trouxe. Ela pediu ontem, aí eu trouxe hoje de manhã. Ela falou: “Vou usar, tá? Porque eu comi chocolate, meu rosto tá cheio de espinha. Agora só falo com você de pele.” Mas a Natura é importante pra mim, porque se não fosse a Natura, só o serviço em que eu trabalho não... Assim, é um serviço registrado, tem convênio médico, vale-transporte, essas coisas. A Natura é um.... Como é que se diz? É um serviço a mais, só que não tem o registro, né? Mas é um serviço a mais. E é gostoso, você conhece pessoas, conversa com muita gente, tira dúvida, troca conversa com as pessoas, e além de fazer tudo isso, é gostoso vender e ganhar também.

 

P1 – E você participa dos encontros?

 

R – Participo. Não tem um mês que eu falto.

 

P1 – E você gosta?

 

R – Eu gosto. Gosto demais, demais, demais. Sempre tem três horários: duas da tarde, dez da manhã, e sete da noite. Quando eu não vou em nenhum desses dois horários, eu sempre vou à noite. Aí chego em casa mais tarde um pouquinho, né? Porque eu tenho que ir também, tem que marcar horário lá, tem que passar um X lá que eu fui, né? Os cursos, também, eles promovem, também tem que ir.

 

P1 – E você fez cursos lá?

 

R – Fiz, todos.

 

P1 – Só um instantinho que ele vai trocar a fita.

 

R – Tá indo bem?

 

P1 –  Tá ótimo. (risos)

 

R – Tá bom?

 

P1 – Então vamos lá Lucinaldo, a gente estava falando sobre os cursos da Natura. Quais são os cursos que você já fez?

 

R – Pele, maquiagem, técnicas de vendas... Sempre quando tem evento na Natura, de lançamento, eles dão um ônibus pra gente ir também, participar dos eventos... Todo tipo de curso que a Natura põe, a gente sempre tem que estar lá também, porque a gente tem que ter uma técnica de venda, mostrar o produto pro cliente. Assim: se eu, por exemplo, vou vender um batom que tem fator quinze, eu tenho que falar pra você que ele tem fator e porque ele é bom também, né? E se ele não tiver aquilo tudo, se ele não mostrar pro cliente, é sinal de que eu não fiz o curso lá atrás, né? Então eu tenho que demonstrar isso pra pessoa, por isso muita gente fala: “Não, eu compro só com você porque você explica direitinho, você sabe, você fez. Eu não quero comprar de vendedor que vende pra outro, eu quero comprar com gente que fez o curso mesmo.” E eu sempre faço isso com as pessoas, para os clientes que vêm. Principalmente a linha Chronos.

 

P1 – Você explica os benefícios...

 

R – Explico os benefícios, em quantas semanas que vai ver o resultado. Inclusive, se der alergia também, é só ligar no atendimento ao consumidor, a Natura atende com o maior prazer. Até se der algum problema de manchar a pele, a Natura vai, paga o médico pra eles e ainda troca o produto, analisa o produto pra ver o que aconteceu. Porque tá testado o produto, mas vai de pele pra pele, né? Muita gente não se dá com certas químicas. E aí o pessoal também gosta muito disso, porque eu passo pra eles isso também, né? E a Natura recebe eles muito bem. Quando pensa que não, o correio tá lá: “Vem buscar seu produto. Me dá o seu que a gente já fez a troca pra ver o quê que tá acontecendo.” E é isso que eles adoram, né? Por causa do... Assim, muita gente não explica isso, eu já explico. O que a minha promotora me passa nos cursos, eu passo pra eles.

 

P1 – E aí você ensina, por exemplo, para que tipo de pele é, como é que faz uma maquiagem, você explica?

 

R – Ensino, explico pra eles tudo e eles falam: “Ah, quero fazer uma limpeza de pele com você.” Eu falo: “Ah, mas não tenho tempo.” “Não, tem sim, sempre, pra mim você tem que poder, porque eu compro a linha Chronos, como é que...?” Não só a linha Chronos, mas perfume, batom, essas coisas. E sempre eu procuro, quando eu tenho tempo, fazer, e elas adoram.

 

P1 – Ah, você faz limpeza de pele?

 

R – Faço. Aí elas falam assim: “A sua mão é uma mão de anjo, viu?” Porque massagem também eu dou, aí elas: “Nossa, já fez curso de massagem?” Eu falei: “Não.” (risos) Mas não é, elas falam que é o ambiente. A casa é humilde, mas estando limpinha, agradável, conversando, né? É o ambiente que deixa a gente assim, não é? Tem casa que, lugar que você vai, que dá até sono, você dorme porque não se sente bem, ou então quer ir embora logo. Lá, não. Outro dia tinha uma menina lá, que vende Natura pra mim, e ela falou: “Ah...” Aí a menina, a filha dela, a Kátia, falou assim: “Vamos, mãe, embora.” “Não, aqui é tão bom, não vou embora, não.” (risos) “Tão bom falar da Natura.”

 

P1 – Você lembra de alguma história legal ou engraçada, interessante, que se destacou, numa venda, uma história sua com um cliente seu ou alguma coisa assim?

 

R – Com cliente?

 

P1 – É, alguma venda, alguma coisa que você fez que foi difícil ou que foi engraçada, ou que foi...

 

R – Que foi difícil ou engraçada? É, apareceu um monte. Deixa eu ver... Agora, lembrar de uma... Tem bastante, mas no momento eu não tô lembrado, assim, de algo que foi engraçado, ou que... Sempre ficou ali, na memória da gente, e que foi bom, ou engraçado, ou triste, mas que foi bom. No momento eu não estou lembrado.

 

P1 – E me fala uma coisa: você já chegou a ser, a estar entre os dez melhores do seu setor?

 

R – Aham.

 

P1 – Quais os maiores desafios que você teve na Natura, quais os que você alcançou, os sonhos que você tinha e que você conseguiu já realizar?

 

R – Assim, o desafio é correr atrás, tem que correr atrás pra conseguir o que quer, né? E às vezes você pensa que não, o negócio chega pra você, você pensa que não vai dar certo, mas vai dar certo. Às vezes é uma coisa que você nem espera, mas está lá. Assim, por exemplo, se eu fosse viver só do meu salário da empresa, não ia dar pra fazer o que eu faço, o que eu tenho, ou até mesmo pagar uma prestação de setecentos reais; não ia dar, só da empresa. Então, a Natura me ajuda no aluguel, na conta de telefone, nas compras de casa... Comprar, não, como eu sou solteiro... Mas sempre compro algumas coisinhas, né? Sempre a gente faz alguma dívida em loja de móveis, alguma coisa. E sempre foi ela que me deu, junto com meu serviço também. E pra ajudar minha família também, eu sempre ajudei. Se não fosse a Natura, eu não estava aqui até hoje.

 

P1 – Tá. E você tem algum sonho ainda não realizado na Natura? Algum prêmio que você queira, o que você gostaria de atingir? (risos)

 

R – (risos) Estar lá, entre os primeiros lugares, com um troféu na mão, né? Esse é um dos sonhos, também, que todo mundo tem na Natura. Como a minha promotora falou: “Ó, o Lucinaldo estava em tal lugar, gente, vamos correr atrás, né?” Aí o pessoal olha assim: “Nossa, Lucinaldo, foi mesmo, né? O _______ foi tão bom assim?” “Nossa, foi bom demais.” Aí ela falou assim: “É porque estava no décimo lugar, se ele ficasse no primeiro, hein?” Falou: “É, Lucinaldo, é.” Assim, mas sonho pra realizar ainda tem sim, tem muito sonho. Tanto pela Natura quanto fora mesmo, né?

 

P1 – Seu, pessoal.

 

R – É, pessoal.

 

P1 – Então conta um pouco. Que sonhos? (risos)

 

R – Ah, uma casa, por exemplo, é um sonho. Um carro é um sonho também. Não tenho ainda, mas eu vou chegar lá. E sempre construindo até construir minha casa, própria casa, ter o carro, família, enfim. Com sonho a gente nunca acaba, né?

 

P1 – É.

 

R - Sempre tem um, lá na frente.

 

P1 – E me diz uma coisa: quais são as mudanças mais marcantes que você sentiu em você depois de começar a trabalhar na Natura?

 

R – As mudanças? Tipo assim...

 

P1 – Você ficou mais vaidoso, começou a se cuidar?

 

R – Fiquei mais vaidoso, eu saio mais, eu converso mais. Tanto é que eu não tenho tempo pra conversar com todo mundo. Tem cliente meu que me procura e me espera até hoje, porque faz tipo assim, dois meses, três meses que eu não vou lá, entendeu? Mas ela deixa de comprar com outro e vai comprar comigo.

 

P1 – E você falou que era tímido quando era pequeno, quando era criança. A Natura ajudou a...?

 

R – Ajudou, ajudou. Era o medo, quando eu tinha medo chegava a dar aquele calor de conversar com alguém. Hoje não. Eu me dou bem até no meu serviço. Assim, empresa em que trabalha muita gente sempre tem uma briguinha ali, uma confusão ali, e eu procuro muito me comunicar com o pessoal, aí eu falo pro pessoal: “Tá faltando comunicação, expressão e ser humilde com todo mundo, nunca querer pisar nos outros pra poder chegar lá em cima.” Isso não pode, né? Tem até gente que gosta ou que não gosta, sempre tem um que gosta, outro que não gosta que eu fale a verdade. Não gosto de mentira e eu procuro sempre ser honesto, não fazer... Tem que fazer por onde merecer também. E eu não vejo, assim, querer passar por cima dos outros pra eu ganhar, não. Se eu, por exemplo, se eu tenho uma chefe boa, ela é boa. Agora, se eu pegar outra chefe de cara feia pra mim, que não liga pra mim, não tô nem aí mais. Antigamente eu tinha um medo por causa disso, hoje não. Hoje não tenho medo disso mais, não. Não me preocupa mais. E já entrei em depressão também, mas eu melhorei e isso também ajudou.

 

P1 – Você melhorou por causa da Natura, também?

 

R – Também.

 

P1 - Das reuniões...

 

R – Também, tudo ajudou. Tudo ajudou, né? Porque, às vezes, na hora em que você tá mais lá embaixo, chega uma pessoa: “Não, não é assim, você tem que... A gente não pode ficar assim.” Sempre te põe lá pra cima, né? Mesma coisa eu: se você vem à minha casa desabafar uma coisa, você tá depressiva, isso e aquilo, conversa comigo, eu também ajudo, ponho a pessoa lá pra cima. Então, a mesma coisa aquela pessoa vai fazer comigo, né? É amigo, trocando ideias.

 

P1 – E você é vaidoso?

 

R – Sou.

 

P1 – Até hoje é assim?

 

R – Até hoje.

 

P1 – Gosta de se cuidar.

 

R – Gosto. Inclusive eu fiz até uma plástica no peito, que meu peito era grande. O plano de saúde não queria cobrir, aí eu fui atrás, até que consegui. Aí o médico diminuiu, ficou bonitinho e tudo, né? Ele até queria fazer da barriga, eu falei: “Não, doutor, não tô podendo agora, não.” “Não, mas você paga em tantas vezes.” “Não, não quero, não.” Aí é porque eu não quis mesmo. Mas eu sou bem vaidoso. Produtos no rosto eu uso, né? É porque minhas espinhas, as marcas foram lá dos doze, treze anos, até os vinte, por aí. Porque até os vinte, até os vinte e um, a gente cresce, né?

 

P1 – É, depois...

 

R – Depois pára, é. Eu cresci tanto...

 

P1 – E na sua vida, não só no pessoal, mas no emocional, na sua vida financeira também, mudou bastante coisa com a Natura?

 

R – Mudou. Como eu te falei, às vezes eu tô apertado lá no cartão de crédito, às vezes a Natura, eu tô com o dinheiro da Natura ali, eu pego e pago minhas contas. Porque o da empresa ficou lá no banco pra pagar o cartão de crédito, o cheque que ficou, e sempre a Natura tá. Eu falo: “Ah, da Natura. Tá.” Eu sei que, assim, eu não faço conta do quanto eu ganho da Natura, mas eu ganho aquilo que eu vendo, né? Mas sempre tem uma brechinha ali pra entrar e falar: “Paguei.” Também, se não fosse a Natura, não tinha pago aquela outra lá de trás, não é assim? Então ela fez parte disso aí tudo.

 

P1 – Quantos cliente, mais ou menos, em média, você acha que você tem hoje?

 

R – Uns quinhentos.

 

P1 – Nossa!

 

R – De trezentos a quinhentos.

 

P1 – Em que lugar do ranking você tá agora?

 

R – Agora... Deixa eu ver... Mês passado eu estava no... Assim, do ranking do mês, não do ano, né? 

 

P1 – Claro.

 

R - Estava em... Acho que não sei se foi em quinto ou em oitavo, uma coisa assim.

 

P1 – Então no próximo evento você vai estar de novo? (risos)

 

R – (risos) Se Deus quiser, eu vou estar lá.

 

P1 – E qual dos conceitos que a Natura tem, de credibilidade, as crenças, essa coisa de trabalhar com a beleza, com o bem-estar... Como é que você vê isso na hora em que você leva pro cliente e como é que você vê isso pra você?

 

R – Eu vejo que a Natura, além de ela fazer coisas boas, ela faz coisas naturais, que não agridem a natureza. E muita gente fala isso pra mim: “A Natura é tão boa, né? Fez shampoo do quê? De pitanga.” “É, é bom porque faz só coisas naturais.” Se bem que tem muitas empresas que fazem coisa natural, só que eles usam muita química, e a Natura não. Tanto é que, quando você não se dá bem com um produto da Natura, você liga pra eles e eles falam... Eles pegam e mudam até a fórmula do produto. E é pra satisfazer o cliente, pra não ficar insatisfeito. É isso aí.

 

P1 – E, pra você, qual é o seu conceito de beleza? O que é uma pessoa bonita?

 

R – Uma pessoa bonita de verdade?

 

P1 – É, uma coisa bonita. Qual é o conceito de beleza que você tem?

 

R – Ah, pessoa bonita de verdade é assim: mesmo que a pessoa seja feia por fora, que seja humilde por dentro e trate as pessoas bem. E sempre, por mais que seja feia, vai lá, vai no cabeleireiro, faz uma escova no cabelo, põe um batom, passa um creme, se cuida no visual, muda a roupa, né? Por mais que a pessoa... Porque não existe ninguém feio. Porque se ela se cuidar e se achar bonita, ela fica bonita. Não existe ninguém feio. Ou gordo, ou magro... Não existe.

 

P1 – E a Natura alterou, mudou a sua visão de mundo, o jeito que você vê as pessoas, vê o mundo? Ela ajudou um pouco você a dirigir isso? Como é isso pra você?

 

R – É, se ajudou a viver, visualizar as pessoas no mundo que você tá falando?

 

P1 – Aham.

 

R – É, ajudou muito, principalmente... Eles falam muito da natureza, que é o que eles mais promovem, e eles não fazem tanta poluição que nem muitas por aí. E eles sempre andam na regra, pra não... E pra ter o nome dela também, né? Porque já pensou se ela não... Ela faz uma coisa ruim e mostra para aquelas pessoas? Porque se eu usar um produto ruim da Natura, eu passo para aquela pessoa, aquela pessoa passa pra outra, aí vai enchendo, tipo uma confusão, uma fofoca. Então, a fofoca da Natura é uma fofoca boa, né? Que as pessoas passam umas pras outras. E tem muita gente também, ainda hoje, que não tem condições de comprar Natura e tem vontade de comprar nem que seja um batonzinho mais baratinho, mas aquela que não pode, ela compra.

 

P1 – E por quê que você acha que ela compra?

 

R – Porque ela vê, assim, Natura, aquele nome bonito, famoso, de tanto que as pessoas usam. “Ai, eu uso Natura.” “Ai, eu uso a outra marca.” “Ah, mas a outra marca é cara.” “Ah, essa aqui também, mas essa é boa.” Eu acho que é porque vê outras pessoas usando e ela tem vontade de usar, e porque é bom.

 

P1 – E qual foi o grande aprendizado que você tirou desses seus sete anos como consultor?

 

R – Aprendizado?

 

P1 – É, o que você acha que...

 

R – Vixe, aprendi tanta coisa...

 

P1 – Mas o grande aprendizado, o que você acha que foi?

 

R – A lidar com as pessoas, ver muita gente, assim... Como se diz? Conhecer mais as pessoas no sentido do relacionamento. Porque se eu estiver numa reunião com quinhentas consultoras ou consultores, se eu não conversar com eles, eu não vou saber quem são. Então, isso muda a gente em relação a isso. E é conhecendo as pessoas que a gente vai saber quem são, como são, quem elas são realmente, na verdade. É isso aí.

 

P1 – E se você fosse dar uma dica para uma nova consultora ou um novo consultor, o que você falaria?

 

R – Uma dica?

 

P1 – É. 

 

R – Assim, eu procuro: “Não quer vender Natura?” “Ah, mas não dá, Lucinaldo, tá assim, meu marido tá assim.” Eu falo: “Não, mas por mais que você entre com esse valor, vai dar certo.” No começo é difícil também. Eu falaria pra ela que fosse vender Natura, que não é ruim. Tanto ela vai ganhar o lucro dela quanto ela vai conhecer pessoas, vai conversar, vai aprender mais sobre a beleza, principalmente. E assim, andar. Se ela não trabalha e não tem um serviço, procure a Natura, que não vai ser um serviço registrado, carteira assinada, mas ela tá... Aquilo é satisfatório, sabe? É satisfatório você poder ir a uma reunião, ir pra casa, saber que seus clientes pagaram tudo direitinho e você pagar a nota em dia, também. Porque se você não pagar a nota em dia, também... Acho que todo lugar é assim. Inclusive, o nome da gente, o nome da gente é o principal. Esse é o conselho que eu dou pra elas: vai lá, procura a Natura e tentem, pelo menos, vender.

 

P1 – Tá certo. A gente já tá indo agora pro final da entrevista, então eu queria que você fizesse um autorretrato. Falar do Lucinaldo pelo Lucinaldo. Ou do Nino pelo Nino, como você preferir. 

 

R – Como assim?

 

P1 – Falar o que você acha de você, como você é, quais as suas qualidades, falar um pouco sobre você. Como se você fosse me apresentar o Lucinaldo. (risos)

 

R – Ah, o Lucinaldo é assim: tímido um pouco, carente, humilde sempre. Como é que se diz? Ele é vaidoso, ele não conta mentira, ele sempre conta a verdade, ele procura sempre andar em dia com as coisas dele. Às vezes tem gente que fala que isso atrapalha, mas às vezes não é, é difícil ser uma pessoa assim. O Nino, ou Lucinaldo, é tudo isso que se possa imaginar. Ele não vê maldade em ninguém, acha que as pessoas são aquilo mesmo, e procuro ver a coisa boa, não a coisa ruim. Acho que é isso aí. Acho que eu aprendi com a minha mãe.

 

P1 – Ela foi que te ensinou isso?

 

R – Ela me ensinou, desde o... Porque a mãe sempre fala: “Não, meu filho, entre.” O pai, não, o pai sempre: “Não, não vai entrar, não.” Não é assim? Na casa, quando o filho tá maior e vai pra rua, né? E a mãe sempre é a mãe, né? Mãe é mãe. Eu acho que eu aprendi isso que eu falei.

 

P1 – E me diz uma coisa: o que você achou de participar dessa entrevista, de vir aqui?

 

R – Eu achei legal, eu fiquei até assim, eu falei: “Nossa, me chamar pra fazer uma entrevista acerca da Natura no Museu da Pessoa.” Até as pessoas ficaram admiradas: “Ô, Lucinaldo, tá ficando famoso, hein?” Eu falei: “Não.” Eu achei muito bom, especial, eu me senti uma pessoa especial. Como as outras que vão vir ou já vieram. E a minha promotora, se ela não tivesse me indicado pra você, acho que ou da parte dela, não queria, ou não sei. Tem alguma ligação da gente, entre a gente.

 

P1 – Então tá bom. A gente gostou também e, em nome da Natura e do Museu da Pessoa, eu agradeço a sua presença.

 

R – Eu que agradeço. 

 

P1 – Tá bom? Muito obrigada, foi muito bom.

 

R – Obrigado.

 

P2 – Obrigada.


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