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Educadora desde sempre

História de: Irene Rodrigues de Oliveira Teixeira Ribeiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/11/2013

Sinopse

Irene Rodrigues de Oliveira Teixeira Ribeiro nasceu em São Paulo, capital. Seu depoimento narra uma infância toda vivida no bairro em que mora até hoje, Vila Carrão. Filha de músico, sua casa era sempre cheia de muitas festas alegres. Adorava brincar de escolinha e sempre quis ser professora. Após concluir seus estudos básicos, fez magistério e depois formou-se em pedagogia. Na área da educação atua não apenas como professora, mas também em diretorias e supervisão de ensino. É diretora geral de uma escola pública do Estado de São Paulo e coordenadora pedagógica do Instituto Universal Brasileiro, onde vivencia os mais variados aprendizados de trabalhar com o ensino a distância e por correspondência.

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História completa

Eu sou a professora Irene Rodrigues de Oliveira Teixeira Rodrigues. Nascida na cidade de São Paulo, dia 16 de julho, do ano de 1950. Nasci em São Paulo e continuo em São Paulo, sempre morei aqui, meus 62 anos. Meu pai é Andes Rodrigues de Oliveira, graças a Deus vivo, 85 anos. Minha mãezinha, Maria da Silva Oliveira, também – graças a Deus – viva, 86 anos, embora neste momento ela esteja doente está pertinho de mim. A minha família, por parte de mãe, era uma família humilde, mamãe de pouca escolaridade, minha avó era analfabeta, mas era uma pessoa, eu acho que até para o tempo dela, e pelo estudo que tinha, minha avó era muito inteligente. Eu nasci cercada nessa família com muito carinho. Sempre morei no bairro onde estou hoje, que é Vila Carrão. Minha família por parte de mãe é tradicional também no bairro. Meu pai veio do interior pra cá, ele nasceu em Botucatu, veio com 17 anos, conheceu minha mãe, namoraram cedo, casaram razoavelmente cedo, com 22 anos, eu sou a filha única desse casamento.

 

Minha mãe sempre foi assim muito trabalhadeira, embora não tivesse escolaridade, mas sempre ajudou meu pai, ela lavava roupa para fora. Depois, quando chegou minha idade escolar ela precisou ajudar, ela trabalhou fora, em fábrica. Meu pai já tem um lado meio que artístico, ele gostava de cantar, de tocar violão. Ele era seresteiro, deu muito trabalho pra minha mãe. Minha mãe até diz que quando ela conheceu meu pai ela gostou primeiro da voz dele, depois ele como pessoa. Ele cantava. Ela o conheceu numa festa de São João, cantando uma música. Eles contavam sempre essa história pra gente. É um amor muito bonito. Eu também sempre gostei muito de cantar, e canto, essa parte eu herdei dele. Minha casa sempre foi muito alegre, sempre tinha festa, o povo cantando.

 

A minha infância foi muito boa. Fui querida, fui mimada, fui amada, tive uma infância muito boa, sempre fui muito moleca, sempre gostei de brincar, de pular, jogar bola, tem até umas brincadeiras que nem eram tão femininas que eu também gostava. Brinquei muito. Fui muito feliz. E na minha adolescência também. Eu ia muito à bailinhos. Naquela época tinha arraial. Era na época do festejo junino, alguns clubes faziam esses arraiais, a gente ia dançar. Sempre gostei de dançar, me destacava porque naquela época as pessoas que dançavam um pouquinho a mais se destacavam. Desde pequenina mesmo, porque pequena eu continuo até hoje. Eu sempre quis ser professora, sempre foi esse o meu sonho. Quando a gente brincava de escolinha eu gostava de brincar, eu sempre era a professora. Mesmo antes de me formar eu já dava aula em casa, particular, pra algumas crianças que tinham dificuldade. Eu sempre gostei. Eu acho que eu sou vocacionada mesmo para o magistério. Eu gosto muito mais da parte de humanas e de Letras. Eu até brinco, eu falo que eu vou fazer uma escola sem matemática. Os professores querem me matar. Porque a molecada toda tem uma dificuldade tão grande em matemática. Não que eu tivesse, porque eu sempre me dei bem. Mas eu prefiro mais, eu gosto muito de Letras, de português, especialmente. Eu gosto mais da área de humanas mesmo. Mas a minha formação, eu fiz magistério, depois fiz Pedagogia, e eu fiz opção pelas matérias de dar aula no magistério, que agora quase não tem. Mas sou professora de Didática, História da Educação, eu gosto muito.

 

Meu negócio é letra, número eu deixo mais de ladinho. Depois de muitos anos dando aula e em direções de escolas eu fui indicada por uma dirigente para trabalhar no Instituto Universal Brasileiro, com ensino a distância. Eles estavam abrindo novas subsedes e eu fui ser assistente de direção de uma dessas subsedes. Na época eu tinha passado no concurso pra diretora, já estava trabalhando no Instituto. Não resisti e fiquei nas duas funções até hoje. Sou diretora efetiva na rede estadual, faço manhã e noite, e sou diretora geral, agora, porque eu fiquei 4 meses como assistente de direção no Instituto. Como eu sempre gostei de inovar e trabalhar, eu sempre fiquei muito próxima dos mantenedores, mandava projetos fui convidada, por um dos mantenedores, para ser coordenadora geral, coordenadora pedagógica do Instituto Universal Brasileiro, foi um desafio, mas eu aceitei, encarei e acho que me dei bem. Depois de alguns anos eu vim a ser diretora geral, onde estou há mais de 8 anos. Essa foi minha trajetória no Instituto Universal Brasileiro e no Estado, e continuo com as duas funções. No meio do dia eu venho para o Instituto e à noite eu retorno e completo a minha jornada na escola do Estado.

 

As nossas matrículas são captadas de várias formas, uma delas é pessoal, quando o aluno vem nas unidades e faz a sua matrícula, a outra é pelo telemarketing, que também é nosso, liga pelo telefone e faz, a outra é pela internet, através nosso site e faz, e a gente continua, graças a Deus, ainda pelos Correios. O aluno também pede a matrícula, manda pelo cuponzinho. O Instituto também teve desde o começo umas revistas. Os alunos que moram distantes tudo deles vem pelos Correios, desde a entrega do material, desde o retorno das notas, quando ele manda as avaliações, o retorno também vai via Correios. Para isso a gente tem esse departamento, que é específico, em Boituva, que cuida desse departamento. Então a gente recebe e manda, direto. Eu passei a acreditar mesmo no ensino a distância depois vir trabalhar aqui no Instituto Universal Brasileiro, porque eu participo do dia a dia desses alunos, eu vejo o crescimento, o desenvolvimento deles, e o que isso faz de bem pra vida deles. Por exemplo, há um dia atrás o aluno veio buscar o diploma, pois ele trouxe um parente porque ele queria tirar uma fotografia deu entregando o diploma pra ele. Foi tão bonito.

 

Teve um tempo em que a gente conseguia fazer entrega solene de diplomas e eu tenho lá comigo vários álbuns. Nós íamos, entregávamos o diploma, a gente ouvia os depoimentos, eles falavam, eles escreviam. Ser mãe pra mim foi a melhor coisa do mundo. Eu acho que eu não seria realizada se eu não fosse mãe. E Deus me permitiu ser mãe três vezes, eu sou triplamente feliz. Tenho três filhas. Elas têm nomes de deusas gregas. A mais velha é Aneris. Ela, hoje, é fisioterapeuta e educadora. Depois dela eu tive a Ariadne, ela formou-se como advogada, também está trabalhando e atuando na área. E a minha caçulinha, a Aletéia. Ela seguiu mesmo os meus passos. Essa é professora efetiva, também da rede estadual, de educação física. Essas são minhas grandes realizações. Tenho poucas horas de lazer, mas eu gosto muito de ler. Eu leio bastante. Sempre que possível, saio um pouquinho. Eu gosto de teatro, não dá pra ir tanto, por causa do meu tempo, mas eu gosto de teatro, gosto de shows, quando tem algum cantor que eu goste muito eu vou. O meu sonho é realmente continuar tendo a família que eu tenho, quero que minhas filhas sejam tão felizes quanto eu sou. Só tenho uma casada. Mãe tem essa coisa. Eu quero que Deus me permita ver minhas outras duas também casadas. Quero ser avó, estou esperando. E quero que a educação mude, porque eu acredito muito na educação, eu acho que a gente só transforma alguma coisa através da educação.

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