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História de: Caetano Carlos Consolo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/10/2013

Sinopse

A entrevista de Caetano Carlos Consolo foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 22 de agosto de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa, e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". Caetano Carlos Consolo nos fala sobre as diversas dificuldades que enfrentou para poder estudar. Tendo perdido os pais com 14 anos, passou por momentos difíceis, buscando se sustentar sem ter que abandonar os estudos. Muitos anos depois, tornou-se professor e com a ajuda de um livro autobiográfico, buscou incentivar seus alunos através de suas experiências.

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História completa

Meu pai era filho de agricultores, meu avós vieram da Itália fugindo da guerra, e aqui do interior de São Paulo. Aqui trabalhou como tropeiro no interior, depois aqui em São Paulo já, na zona sul, ele trabalhava na construção civil pedreiro, depois mestre de obras. E minha mãe era da prenda doméstica, veio da lavoura também, trabalhou no café, no algodão, no interior de São Paulo, e quando veio pra São Paulo aí passou a cuidar só de casa.

O meu pai era mais ou menos como cigano, então a gente mudava pra uma casa numa semana, a semana seguinte ele vinha repentinamente, às vezes à noite mesmo, e falava pra minha mãe: “Arruma as tralhas, bota no caminhão, que a gente vai mudar” e a gente ia pra um local desconhecido. A que mais marcou, assim, pelos detalhes foi uma casa que a gente morou que era feita de sapê e de pau a pique a gente fez a casa, cortamos as varas. Só que a gente era muito pobre, tinha que mudar muito rápido porque já tinha aluguel vencendo num outro local que a gente morava e nós mudamos pra essa casa com três paredes apenas, a quarta parede a gente não conseguiu fazer, então a minha mãe enchia de pano velho pra gente poder dormir, jogava os colchões no chão, o chão de terra batida a porta não tinha. A primeira chuva eu digo que ninguém esquece porque foi um banho geral na criançada e em minha mãe e tudo mais até que isso assentasse.

Só consegui estudar porque eu trabalhava e aí então eu conseguia pagar parte da minha, da mensalidade do supletivo e como o dono da instituição acabou se comovendo com a minha situação, com a minha história, eu acabei ganhando bolsa de estudos, e na universidade também, durante cinco anos de universidade eu tive 100% de bolsa de estudo. Fiz o técnico em Agropecuária, meu sonho era ser agrônomo, só que era período integral, eu já estava casado e já tinha um filho nesse período e como não tinha como fazer esse curso de Agronomia, então eu fiz o técnico em Agropecuária. Os estágios era feito nas fazendas, então a gente completava as horas de estágio viajando pras fazendas. E quando foi pra trabalhar, na realidade a primeira oportunidade surgiu na Juréia, eu não tive como ir porque o salário era tão baixo que eu não ia conseguir me manter, então eu desisti do técnico e aí depois, mais pra frente, eu entrei na universidade. A descoberta da minha esposa foi uma história interessante.

Eu, pobre, miserável, com 17 anos e foi num período muito influenciado pela música norte-americana, então a gente ouvia muito Abba, muito Bee Gees alguma coisa de Rolling Stones, Beatles, Creedence, e tinha muito bailinho nos bairros em casas, as pessoas faziam nas casas mesmo os bailes. E em um desses bailes eu conheci uma menina, eu tinha 17, ela 15 anos. Então naquele período a gente começou a se conhecer, depois de um tempo começamos a namorar e namoramos dez anos e dez meses, depois casamos e sou casado com ela até hoje.   Olha, eu sempre fui muito batalhador e sonhador, então eu sempre queria o melhor, eu queria ser o professor mais bem preparado, eu queria levar o melhor, dar de mim o melhor pros meus alunos, e sempre eu procurei me capacitar muito.

Então eu fiz mais de 50 cursos de capacitação, sempre procurando alguma coisa que trouxesse novidade pra sala de aula e que fizesse eu crescer enquanto pessoa e enquanto professor também. E diante dessas capacitações todas eu dei aula na rede pública, depois da rede pública eu passei pra rede particular, dando aula pra o ensino fundamental e ensino médio, passando por aí eu fui pro cursinho, dava aula no COC e no Objetivo, dei aula um tempo no COC e no Objetivo, depois me chamaram pra universidade. Nesse trajeto eu já estava fazendo pós-graduação então eu fiz pós-graduação em Ecoturismo, pós-graduação em Solo e Meio Ambiente, fiz extensão em Gestão Ambiental, mestrado em Educação Ambiental, aí fui pra universidade pra dar aula de Sociologia. Na realidade eu me aposentei o ano. Hoje eu tenho uma microempresa de consultoria socioambiental porque nada mais justo do que uma empresa que explora um determinado local é ela expandir e ajudar as pessoas que estão a sua volta.

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