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História

Educação a distância desde os primórdios

História de: Luiz Fernando Diniz Naso
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/11/2013

Sinopse

Em sua história Luiz Fernando Diniz Naso narra uma primeira infância vivida no Alto de Pinheiros. Aos nove anos mudou-se para o Brooklyn para morar na casa onde hoje funciona a sede do Instituto Universal Brasileiro. A educação a distância está enraizada em sua história, na década de 1940 seu avô italiano montou um curso de relojoeiro por correspondência, os Correios eram o maior parceiro de seu avô. Antes de adquirir o Instituto Universal Brasileiros, em 1982, já atuava com seu irmão na área de educação por correspondência. Durante todos esses anos de IUB a parceria com os Correios sempre esteve presente, possibilitando que diversas pessoas por todo o Brasil tenham acesso aos mais variados conhecimentos.

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História completa

Meu nome é Luiz Fernando Diniz Naso, nasci em 17 de março de 1954, em São Paulo, aqui na capital mesmo, minha família é de descendentes de italianos, mas nasceram aqui mesmo em São Paulo. Meu pai chama-se Luiz Carlos Naso e minha mãe Inês Diniz Nazzo. Nós somos em quatro irmãos. Eu sou o mais velho, depois tem o do meio que é José Carlos Diniz Naso, o Paulo Roberto Diniz Naso e a Maria Inês Diniz Naso.

 

A história da educação por correspondência na minha família começa com meu avô. Hoje em dia é a distância. O meu avô era uma pessoa caprichosa, dedicada e estudiosa, e ele fez um primeiro curso por correspondência de relojoeiro. Era ali na Cásper Líbero, ele montou esse curso de relojoeiro. E tinha aqueles italianos que gostavam do manuseio, porque todo italiano gosta de manusear as coisas. Ele começou a vender por correspondência na década de 1940, no final da década de 1940. Em 1954 eu nasci e meu avô continuou. Meu pai, em 1964 foi cassado pela Revolução, pelo AI1 [Ato Constitucional Número 1], e depois, com esse AI1 ele era morto-vivo, ele não tinha os direitos de trabalho, nem político, nem de nada, então ele foi trabalhar com meu avô, e ele fez os cursos de fotografia e começou a expandir essa educação, a educação por correspondência. E naquela época era tudo por correspondência, ou seja, nosso maior parceiro desde então eram os Correios, não existia outro meio. O Correio sempre pegou todos os cantos, do Oiapoque ao Chuí, então as pessoas no interior do estado, no interior de outros estados, iam até o correio buscar o conhecimento. E nesse conhecimento por si só elas conseguiam aprender, porque não tinha outra opção.

 

Até os meus 9 anos, morei no Alto de Pinheiros, depois dos 9 anos eu vim morar no Brooklyn, na rua Nova Iorque, 927. Morando no Brooklyn, eu estudei no Colégio Kennedy, depois no Meninópolis, que naquela época tinha colégio de menino e menina, depois eu entrei na FMU [Faculdades Metropolitanas Unidas] para fazer Direito. Nessa época eu comecei a trabalhar com a empresa que a gente tinha feito, eu e meus irmãos, que era a Escolas Associadas, era aqui mesmo no fundo dessa casa, da casa dos meus pais. A gente foi crescendo com a escola, fomos tomando as dependências da minha mãe, e assim novos fomos crescendo. Na época já existia o Instituto Universal Brasileiro e a gente era bem pequenininho perto deles. Portanto, nós começamos em 1975, até 1982 nós crescemos. Em 1982 nós compramos o Instituto Universal Brasileiro e nesse período também eu casei, tive dois filhos

 

Eu casei em 1978. Tivemos dois filhos: a Rafaela e o Fernandinho. Em 1996 eu fiquei com a guarda do Fê e da Rafaela. O Fernandinho tinha sete anos e a Rafaela tinha 17. Depois encontrei uma moça que tinha dois filhos, daí eu propus pra gente ficar junto, mas cada um morando no seu apartamento, eu sempre preservei a identidade e o espaço dos meus filhos. Eu já tinha vivido. Eu não podia impor certas coisas que eu sabia que ia mexer muito, já mexia, não queria mexer muito com eles. E estou junto com ela até hoje. Aí eu falo pra todo mundo: “Quer dar certo o casamento? Vive separado”. É isso, a história é essa.

 

Nós sempre atendemos no país inteiro. Os que compravam mais cursos eram Minas, Paraná, São Paulo, Santa Catarina. Vinha carta de todas as regiões do país, todas. Não é conversa, todas mesmo. Tinha um slogan: “Aonde tem Correios tem o IUB”. Ou seja, você pega a relação dos Correios, onde tinha um Correio a gente tinha aluno. A gente fazia panfleto e punha nos balcões no Brasil inteiro, faz uns 20 anos. A gente tinha essa parceria. É que com os militares o Correio não fazia esse tipo de coisa, depois de 1986, quando o Sarney entrou é que começou abrir um pouco. Daí saiu a ala dos militares, começaram as parcerias. Desde então a gente faz parceria com os Correios, até hoje a gente faz, são distribuídos panfletos do IUB em todos os Correios. Muita coisa mudou. Com o tempo as máquinas gráficas mudaram, a gente ia mudando o formato da apostila, colocando a cores, a gente ia estruturando. Os cursos, anualmente, a gente atualizava. Toda essa estrutura a gente foi mudando no curso, o conteúdo sofreu atualizações, mas não a maneira de despachar, a maneira que o IUB fazia. Não tinha muito que mexer. Só depois com advento da Internet, em 1990, 2000, que começam os cursos online, isso e aquilo, aquele monte de coisas, em 2005 que começou a disparar. Na verdade, não tem muitos anos. A Internet acho que foi em 2004, 2005 que começou a disparar. Tem um curso que nunca saiu do top. Desde a década de 1950 nunca parou de ser o top: Corte e Costura. Engraçado. Lógico, fomos atualizando todo o curso, mas nunca parou de ser um dos top. O técnico de rádio sim, ele disparou, veio a televisão, depois agora caiu, com essas televisões hoje em dia você não tem como consertar. Mas corte e costura, não. Calça é a mesma que na década de 50, não mudou nada, como costurar, só a única coisa que é um pouco mais fina, mais larga a boca, mas o costurar, como costurar mesmo, como fazer os moldes, é igual. Mecânica de automóvel ficou muitos anos, depois que entrou injeção eletrônica que deu uma mudadinha, mas também, o motor é o mesmo. Hoje que mudou um pouco, vai na máquina, vem lacrado, mas no interior, outros estados, ainda é o Fusquinha.

 

Depois de velho, que os filhos já cresceram todos, inventei de morar em Bragança Paulista e venho todos os dias pra cá [Instituto Universal Brasileiro – Sede São Paulo]. Então eu saio de Bragança, Pinhãozinho, às cinco horas da manhã, arrumei um estacionamento na Mooca, na Rua do Oratório. Eu venho da Fernão Dias, eu pego a Salim, entro na Rua do Oratório, comprei uma motinho 125, com caçambinha, antena de cerol, pra não pegar esse trânsito miserável encosto meu carro lá, pego minha motinho e venho trabalhar aqui. Aí, assim, a única coisa que eu fiz, que acho que tenho direito, em vez de sair às seis, sete horas, eu saio às cinco horas. Cinco horas eu vou pro estacionamento, daí eu mudo, pego o carro e vou pra Bragança. E fim de semana fico lá esperando todo mundo chegar.

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