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Economia e consciência ambiental

História de: Jonathan de Ávila da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/05/2016

Sinopse

Jonathan é um jovem que aos 27 anos contou sua história ao Museu da Pessoa. Nascido e criado na comunidade de Heliópolis, em São Paulo, ele narra em sua história de vida, lembranças de sua infância nesse bairro e como a violência não atrapalhava suas brincadeiras. Fala da gravidez precoce da ex-namorada e da filha que nasceu desse relacionamento. Descreve sua rotina como motoboy na cidade de São Paulo e o projeto em que atua na comunidade de Heliópolis, trocando materiais recicláveis por crédito nas contas de luz dos moradores.

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História completa

Minha mãe fala que conheceu meu pai no Heliópolis, em bailes, na época que eles eram mais jovens. Ela teve um filho muito cedo, que é o meu irmão mais velho. E logo depois de dois anos ou três ela me teve. Eu cresci em Heliópolis. O meu pai sempre foi líder comunitário, então ele nunca quis sair de lá. A minha mãe fazia feiras de evento, feira de roupa, então nessa época o sustento nosso vinha desse esforço dos dois.

 

Eu estudei numa escola muito boa, que era uma das melhores da região lá no Ipiranga. O nome dessa escola é Visconde de Itaúna, existe até hoje lá no bairro. O meu primeiro emprego foi numa loja lá na Rua Silva Bueno perto da escola, de estoquista. Eu morei até certo tempo com o meu pai no Heliópolis, depois eu fui morar com a minha mãe lá no Parque Bristol. Lá eu conheci a mãe da minha filha, lá no conjunto habitacional que a gente morava. Eu era novo, tinha 16 para 17 anos. Foi coisa rápida, pouco tempo de relação. Minha mãe falava, me alertava: “Toma cuidado, se cuida”. E eu nem aí com nada na época, ela acabou engravidando. Minha filha vai fazer dez anos já. A gente tentou um tempo ficar junto, não deu certo. O nome da minha filha é Isis Pietra.

 

Depois de ser estoquista eu fui trabalhar de motoboy. Comprei uma moto na época. O risco de vida, de quebrar a perna, de perder a vida nem passava pela minha cabeça, fiquei tentado pelo salário. Fiquei nessa rotina durante cinco anos trabalhando de motoboy. Foi a minha segunda profissão. Em 2012 eu resolvi parar com isso. Fui procurar outras coisas até quando foi que surgiu a oportunidade na AES Eletropaulo. O projeto começou em maio de 2013, meu pai pegou meu currículo e falou: “Olha, os caras estão precisando”. Foram uns rapazes lá na associação, muito gente boa, fizeram uma entrevista lá comigo, tal e acabei sendo contratado. O nome do projeto é “Recicle Mais, Pague Menos” e é um projeto de sustentabilidade. Essa questão do lixo é muito grande, então montaram o posto dentro do Heliópolis em parceria com a associação comunitária.

 

O projeto funciona assim, você leva uma conta de luz, cadastra. Junto com essa conta de luz você leva seus materiais recicláveis, que tem em casa. Eu opero uma máquina POS, que nem uma máquina de cartão, ela própria calcula o peso e o valor do material. A pessoa já vai e já sai com abatimento na hora. É uma troca, entendeu? O cara leva o reciclável, a gente pesa e paga na conta de luz, não paga em dinheiro, dá o desconto na conta de luz. Um projeto muito bom, muito interessante. E está lá pra todo mundo que é cadastrado, todo mundo que paga a conta está lá.

 

Eu não tinha uma consciência ambiental legal, não dava muita importância até entrar no projeto. Hoje eu já separo tudo, eu peguei essa consciência, tento fazer minha família também ter essa consciência ambiental de levar as coisas, de separar, porque hoje tudo se reaproveita. Então é tudo energia! E eu tive uma palestra com o pessoal da segurança do trabalho da Eletropaulo, foi no Circo Escola lá na Vila Guacuri. O que eu entendi sobre energia lá, e o que você pode fazer para economizar na sua casa, o que puxa energia, o que não puxa muita energia, eu tento passar pros meus clientes no dia a dia. Tem muito cliente que chega lá e fala pra mim: “Jonathan, pô, a minha conta quanto que está. Cento e setenta reais, a minha conta vinha tanto”. Aí eu falo: “E o chuveiro?” “Ah, meu filho está meia hora no chuveiro” “E o secador de cabelo?” “Ah, minha filha faz chapinha, seca o cabelo”. Se você extrapolar toda hora, toda hora, toda hora vai vir cara sua conta.

 

Eu já vou fazer três anos lá que eu atendo a população, a população toda me conhece, eu convivo no dia a dia. É um projeto que a população está aderindo muito bem, entendeu? Em contrapartida mudou a minha vida pra melhor. O que a energia me proporcionou? Me proporcionou uma oportunidade de emprego, me proporcionou melhorar a minha comunidade, me proporcionou a atuar nessa questão da sustentabilidade e de conscientização da população. Então melhorou demais, o avanço foi muito grande, foi muito legal.

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