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História

É para lá que eu vou

História de: Claudia Maria de Oliveira Cardoso de Quintal
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/05/2020

Sinopse

Claudia descreve sua travessia na educação popular, que se inicia ainda na infância, quando acompanhava sua mãe trabalhando na cooperação de ações assistenciais na periferia da cidade de São Paulo. Descreve seus percursos e olhares para uma educação democrática, sua busca pela profissionalização e desenvolvimento docente, chegando ao seu protagonismo como pedagoga, educadora social e gestora em programas governamentais e filantrópicos. Nos conta sobre seu empenho e fomento na realização de projetos interventivos que buscam ações de destaque em cidadania, inclusão digital e democratização da informática em centros educacionais, sendo estes, destinados à jovens da periferia paulista.

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História completa

P/1- Você poderia nos dizer, então, seu nome, data e local de nascimento

 

R- Pois não. Nasci em São Paulo em 31 de  maio de 1962. 42 anos. Meu nome é Claudia Maria de Oliveira Cardoso de Quintal.

 

P/1- E o nome dos seus pais,  onde eles nasceram e a profissão deles?

 

R- Meu pai chamava-se, ele já é falecido, Benedito de Oliveira Cardoso Filho. Ele era engenheiro, nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo. Minha mãe, Neide de Almeida Cardoso. Nasceu em Santos. Tem 72 anos e é aposentada. 

 

P/2- Eles se conheceram em São Paulo? Você sabe?

 

R- Sim. Porque meu pai fazia obras aqui, né? E também,  ela vinha para a casa da tia dela aqui em São Paulo, de Santos. E acabaram se conhecendo aqui na Vila Madalena.

 

P/1- Certo. E você nasceu nesse mesmo bairro?

 

R- Na Vila Madalena.

 

P/2- Como que era o bairro naquela época? Você pode falar do ambiente da sua infância, a sua casa, a vizinhança...

 

R- Olha, foi muito pouco que eu vivenciei a Vila Madalena, assim, eu vivenciei.  Porque como a minha tia morava lá, os parentes do meu pai, eu ia em férias. Conheço muito por causa disso. Lá eu fiquei só até os 4 anos de idade, depois eu mudei para o bairro atual onde resido no momento. Mas, assim, era um bairro, muito tranqüilo, com ruas, muito tranqüilas, que dava para brincar. Assim, a vizinhança muito amiga, as pessoas muito solidárias umas às outras, né? Então era uma coisa assim, muita árvore, muito espaço, coisa que hoje em dia é difícil a gente ver.

 

P/1- Você lembra algum fato assim, que você falou que as pessoas eram solidárias, tem algum fato que marcou?

 

R- Ah, sim, quando meu irmão caiu de um telhado, que ele foi pegar um papagaio, que hoje em dia é pipa. Ele caiu dentro da cozinha da vizinha. Então veio todo mundo. Isso me marcou demais. Ele ficou preso lá dentro porque ela tinha ido trabalhar. Daí, a outra vizinha veio e ajudou, o outro veio, então foi aquela coisa de todo mundo está querendo solucionar o problema junto. E depois conversar com a minha mãe, aquela coisa toda para ele não apanhar. Então isso, para mim, marcou muito. O desespero e depois a tranquilidade de saber que estava tudo bem.

 

P/2 E depois o Jardim (Morro Pequeno?) como que era?

 

R- Quando nós chegamos lá?

 

P/2- Quando vocês chegaram lá.

 

R- Era, assim, um bairro que estava praticamente no início de urbanização e de uma série de coisas. Então, a rua ainda não havia asfalto e não tinha sarjeta. Uma série de coisas que eles foram implementando depois, com o tempo, né? Mas, assim, também um bairro de moradores antigos, a maioria  proprietários das casas. Então não é assim gente que transita, que vai pra lá, vem pra cá, não.

 

P/1- Recém chegados.

 

R- Não, não. A maioria já pessoas moradoras mesmo, de famílias anteriores que o imóvel foi passado de herança, todo esse tipo de coisa. E é assim, é um bairro que tem muita criança, tem muito cachorro. É uma comunidade, assim que,  a gente pode até dizer, bastante tranquila. Não tem uma violência, assim, que impede. Falar, olha, é um bairro perigoso e violento, não. Acho que pelo fato de serem moradores antigos e serem mais famílias.

 

P/1- Isso foi em que ano que você se mudou para lá? 

 

R- Com 5 anos.

 

P/1- Certo.

 

R- Com 5 anos eu me mudei para lá.

 

P/1- 1967, né?

 

R- 1967, no caso. E resido lá até hoje.

 

P/1- Você, a sua família, quantos irmãos você tinha?

 

R- Nós somos em quatro. Somos dois casais. São duas mulheres e dois homens, eu sou a caçula da casa. Meu irmão mais velho tem 52 anos, o do meio tem 50, minha irmã tem 47 e  eu tenho 42.

 

P/2- E como foi essa mudança para lá? Foi muito grande a diferença entre os bairros?

 

R- Não, eu não senti tanto porque lá, lá eu tive a mesma possibilidade que eu tinha anteriormente, de ter espaço, de ter árvore, tudo essas coisas para brincar. Porque eu tive, posso dizer que eu tive uma infância, entendeu? Eu fiz de tudo, eu joguei bola, eu joguei bolinha de gude, eu subi em árvore, entendeu? Tudo que é possível fazer, eu fiz. Até além, porque, né, para uma menina estar fazendo tudo isso era meio complicado, mas como tinha irmão junto a gente ia, né?

 

P/1- E o estudo, também, você iniciou lá mesmo, no mesmo bairro?

 

R- Ah, sim. Foi numa escola que antes a gente falava primário, né?

 

P/1- Você fez jardim e o pré?

 

R- Fiz. Fiz jardim, fiz pré, depois fui pro antigo primário, que agora é o curso fundamental. Depois eu fiz também o nível médio lá, também, o colegial, no Benito de Melo, que era na Vila Sônia, que é bem próximo, uma escola boa. E fiz a faculdade na FAAP [Fundação Armando Álvares Penteado].

 

P/2- Que curso você fez?

 

R- Pedagogia.

 

P/2- Pedagogia?

 

R- E também iniciei, que eu gosto muito de Geografia, fiz licenciatura curta, mas não foi possível concluir porque foi quando eu perdi meu pai. 

 

P/2- E dessa época de escola, voltando um pouco, você lembra de algum professor, algum fato marcante e dos colegas?

 

R- Muita gente, né, muita gente, assim, porque eu sempre fui muito participativa de grêmio de escola, de festas, essas coisas, então, tem sim, são vários, que passam pela vida da gente, que marcam  esses momentos importantes. Eu não esqueço de um professor meu,  de biologia e de zootecnia, no colegial, ele era assim, uma pessoa extremamente inteligente, extremamente capaz, isso é uma coisa que me marcou muito, as aulas dele, assim, eu devorava aquilo, sabe? Então para mim eu não precisava estudar, não precisava pegar no caderno, que só de assistir a aula dele era o suficiente. E era uma coisa que eu sempre gostei, então ele me marcou demais. 

 

P/2- E...

 

R- Desculpe, pode falar.

 

P/2- E o curso de pedagogia, como você escolheu essa carreira? Algum motivo especial?

 

R- Sim, porque eu fui fazer a pedagogia voltada a recursos humanos, era a área que eu trabalhava na época. Então a gente precisava ter aperfeiçoamento. Então você fazia pedagogia voltada para isso, para o lado do pessoal, de como aplicar e uma série de coisas. Daí, quando ingressei no curso nesse sentido, eu comecei a ver com as colegas o fascínio pela educação, que elas estavam trazendo e como eram as coisas. Eu sempre, melhor, minha mãe sempre mexeu muito com tudo isso, esse lado assistencial, essas coisas. Eu sempre acompanhava ela, isso  me fascinou. Daí juntou o útil ao agradável. Acabei pegando as experiências que eu tinha com ela, e as que as colegas traziam e tendo a oportunidade de estagiar e visitar, assim, eu parti para área de educação. 

 

P/2- Qual essa experiência da sua mãe?

 

R- Minha mãe sempre trabalhou com assistência, ela trabalhou muito tempo no Arrastão, uma série de entidades que existem. Com esse trabalho assistencial de,  como é que eu posso dizer, de orientação de famílias, de formação, de trabalhos manuais e  uma série de coisas. Era um trabalho voluntariado que ela fazia, no caso. E eu acompanhava, eu ia junto com ela. Então muitas vezes as mães levavam as crianças e eu já ficava com as crianças paras mães poderem estar participando, né? Então daí pra frente foi bem fácil. 

 

P/1- No mesmo bairro, no próprio bairro ou ela se dirigia para  outro?

 

R- Não, não, se dirigia para outros lugares, pro Campo Limpo, mais periféricos. Campo Limpo, Carapicuíba e zonas mais distantes.

 

P/1- E para você o que foi ter contato com uma realidade diferente do seu bairro?

 

R- Ah, foi muito bom. Porque eu tive condições de trocar muita coisa com eles. Eu passar o que eu sabia e eles também, passarem para mim. Eles têm muita coisa, muito rico, eles trazem muita bagagem. Porque as pessoas acham que cultura é o essencial, mas o que, se sabe, também, é a sabedoria que as pessoas têm. Isso é muito importante, os valores que estão incutidos em cada um e as potencialidades que eles apresentem. Então, você começa a sentar para trocar idéia com alguém, as coisas que saem te surpreendem. Porque as pessoas acham: ‘ ah, mora numa periferia não tem condições de se desenvolver, não sabe ter um diálogo, não tem um senso crítico aguçado”. E a coisa não é bem assim. É mais a falta de oportunidade. Você chegando até eles, você vê que você consegue muita coisa.

 

P/2- Você poderia descrever, Cláudia, que tipo de atividade você desenvolvia com eles, assim?

 

R- Lá?

 

P/2- Lá. 

 

R- Lá a gente fazia, assim, muito a parte de recreação. Atividades lúdicas, no geral, com as crianças. E também desenvolvia um trabalho paralelo de reforço escolar. Porque conforme eu fui pra lá, eu vi que as crianças estavam defasadas e que eles tinham uma série de dificuldades. Então, por vontade própria, consultei as pessoas do voluntariado e eles falaram que tudo bem. Eu comecei a fazer um trabalho com eles de resgate de educação. Mas tudo dentro do lúdico, nada assim, praticamente de padronizar. Porque você não pode direcionar, porque a escola ensina de uma maneira e a criança depois aprender de outra. Então, através do lúdico, a gente trabalhava uma série de coisas. E através das atividades recreativas, porque você trabalha com esporte e também, trabalha um monte de coisas, né? Coordenação e lateralidade. Daí a gente desenvolveu toda essa parte, que depois, mais tarde a gente veio a saber que surtiu efeito.

 

P/2- Você tinha que idade quando você começou? 

 

R- Esse trabalho? Eu tinha 13 anos.

 

P/2- Você já trabalhava nessa época, além desse trabalho voluntário?

 

R- Não.

 

P/2- Só estudo?

 

R- Só estudo e...

 

P/1- Isso era feito quantas vezes por semana? Uma vez, duas?

 

R- Não, era duas vezes por semana que nós íamos. 

 

P/1- Geralmente nos finais de semana

 

R- Não, não. No meio da semana. Era a princípio, no Campo Limpo, era segunda e às quartas-feiras. Depois, em Carapicuíba passou a ser às terças e quintas. Então a gente tinha lá e tinha aqui. Tinha nos dois programas.

 

P/2- E quando você entrou na faculdade você manteve essa atividade.

 

R- Sim. Foi daí que eu comecei a ter que fazer de final de semana, porque não dava para  conciliar o tempo, né? Porque quando eu entrei na faculdade, eu já trabalhava. Então não dava para conciliar as duas coisas e então a gente fazia aos finais de semana.

 

P/1- Você sempre estudou em escolas públicas e fez a universidade...

 

R- Particular.

 

P/1- Faculdade particular.

 

R- Isso.

 

P/1- O que que...

 

R- O que que houve? É porque eu tive um problema assim, quando eu prestei a USP [Universidade de São Paulo], eu passei na primeira fase, quando foi o exame da segunda, o irmão do meu pai faleceu em Piracicaba. Então eu tive que ir com meu pai  para lá. Eu perdi o direito da prova, porque naquela época não aceitavam nenhuma justificativa, nada disso, né? Então daí, eu peguei e falei assim: “Não vou perder, ficar parada todo esse tempo”. Prestei a particular, entrei e daí...

 

P/1- ____________

 

R- É.

 

P/2- E nesse tempo você já trabalhava?

 

R- Já.

 

P/2- Onde você trabalhava?

 

R- Quando entrei na faculdade? No serviço público.

 

P/2- Ah, no serviço público.

 

R- Eu primeiro entrei no serviço público como escriturária. Trabalhei muito tempo na Secretaria da Cultura e trabalhei no Palácio do Governo. Depois mediante a isso, não dava para custear o estudo todo, então saí e fui para a  empresa privada, né? Antes, antes de entrar no serviço público, eu trabalhei também no segundo setor, que é empresarial, que foi em uma seguradora. Fiquei muito tempo no Banco Real. Mas, por opção, fui, porque foi a época em que me casei, então era mais estável estar no serviço público e tudo isso. 

 

P/1- Você, assim, desde cedo, parece ser sempre muito responsável, né? Sempre com muitas atividades.

 

R- Sim, sim, bastante.

 

P/1- Estuda e trabalha, né? E você também não tinha tempo para se divertir?

 

R- Ah, com certeza.

 

P/1- Quais eram as diversões que vocês...

 

R- Bom, entre as diversões, nessas idas e vindas, eu fui jogadora profissional de basquete. 

Então, era uma coisa que eu gostava muito de fazer. Joguei pela cidade de Taboão da Serra muito tempo. Participei da seleção paulista, até em 2001, joguei na seleção das veteranas, a gente se encontrou. Então eu gosto muito de esporte, gosto muito de dançar e de comer bem. [Risos]

 

P/1- E essa era a sua diversão, também? Foi a sua diversão na juventude, também?

 

R- Isso.

 

P/2- E continua até hoje jogando?

 

R- Não, no jogo, infelizmente tive que parar, porque muito tempo de impacto afetou a coluna, né? Então tive que parar com a carreira.

P/2- Voltando um pouquinho no seu trabalho, você falou que trabalhou com empresa, né, no Banco Real?

 

R- Trabalhei.

 

P/2- Qual a atividade que você fazia?

 

R- Eu era securitária, né? Trabalhava com seguros, na área de ressarcimento. Primeiro entrei como auxiliar administrativa, que é a base para todo mundo. Depois foi crescendo os setores e fui promovida para auxiliar técnico, depois eu fui para técnica, e daí eu fiquei encarregada de uma equipe de securitários, junto comigo, que a gente trabalhava com vistoria, uma série de coisas e recuperação de sinistros, tudo isso.

 

P/2- E foi aí que você teve a idéia de trabalhar com segundo setor?

 

R- Com recursos humanos?

 

P/2- Recursos humanos

 

R- Porque como comecei a gerenciar e precisou, então daí foi que eu parti para a faculdade para estar fazendo nesse sentido. Pedagogia voltada a recursos humanos, né? E depois fui para a educação, como eu já havia dito a você.

 

P/1- E qual foi o primeiro lugar que você trabalhou já como pedagoga?

 

R- Ah, eu trabalhei em vários lugares, né? O primeiro lugar... deixa eu me lembrar. Bom, primeiro lugar foi como coordenadora pedagógica dentro de uma creche. 

 

P/1- Da prefeitura?

 

R- Não, era da... era do Estado, na realidade, antiga Secretaria do Menor. Nessa área, eu trabalhei, primeiro entrei como educadora, depois passei a ser coordenadora pedagógica, depois fui diretora de creche, daí fui técnica de equipe, uma série de escalas que existiam, né? Depois disso, trabalhei paralelo com governo e prefeitura, porque daí trabalhei em escolas, dando aula, como diretora de escola, vice-diretora e coordenadora, tudo isso. Depois daí para a  frente com esses trabalhos todos dirigidos, eu passei a trabalhar na ASA [Associação Santo Agostinho].

 

P/1- Quer dizer, esses trabalhos todos de escolas são localizados numa região da cidade ou...

 

R- Não, não. Trabalhei na própria região onde eu resido. Trabalhei em regiões periféricas, trabalhei em Embu, Itapecerica da Serra. Deixa eu ver onde mais. Trabalhei no lado de cá, na Avenida Indianópolis. Bastantes locais diferentes.

 

P/2- Você pode descrever um pouco o dia a dia desse trabalho cotidiano como é que era?

 

R- Como era?

 

P/2- Como era.

 

R- Ah, era bem estafante porque eu entrava na creche pela manhã, trabalhava das 7 às 13 horas. Então lá eu tinha que coordenar as crianças, os funcionários, alimentação e área de saúde. Depois eu saia de lá, eu ia para as escolas. Antes, quando eu dava aula, eu tinha os horários das escolas, por exemplo, saia de uma à 13 horas e entrava para dar aula às 14 horas. Então, tinha dia que não dava tempo nem de comer. Você pegava um trânsito, até então eu não tinha carro naquela época. Você pegava um trânsito, você chegava, não dava tempo de tomar uma água e você já tinha que entrar para a sala. Daí eu ficava das 14 horas até às 23:00 e meia da noite. Dava aula praticamente o dia inteiro. Eu saia de casa quinze para às 6:00 da manhã e voltava 1:00 hora da manhã, todo dia. Era uma rotina estafante.

 

P/2- Por quanto tempo você fez isso daí?

 

R- Ah,  por vários anos. Deixa eu ver, por vários anos. Só veio, assim, se aprimorar depois quando eu fiquei um pouco só na escola. Mais ou menos eu levei essa rotina, mais ou menos um 6 anos, 7 anos, por aí. Conciliando as duas coisas ao mesmo tempo.

 

P/2- E outras atividades? Depois disso?

 

R- Depois disso, além de estar trabalhando com isso, a gente sempre dava um serviço de assessoria para as pessoas. Então, tive muitos trabalhos, assim, montei escolas para as pessoas, orientei como é que a coisa funciona, muitos projetos apoiando, dando sustentabilidade para as pessoas poderem estar montando  e usando aquela experiência que a gente tinha. Quando eu trabalhei na Secretaria do Menor, eu tive a oportunidade de passar por várias áreas. Eu conheci vários ramos de trabalho dentro desse serviço, como educadora de rua, como creche, como assistencial e até mesmo, no serviço de integração de trabalho, que era um antigo programa chamado PIT [ Programa de Iniciação ao Trabalho ], que não existe mais,  você pegava menores e ingressavam nas estatais. As estatais assumiam esses jovens e eles ficavam com menores praticantes. Então, dei assessoria, também, nesse ramo. Dentro da educação foram várias as ramificações que eu pude trabalhar, né? E depois, mediante a esse conhecimento todo que eu consegui estar entrando na entidade que eu estou até hoje, na qual a gente desenvolve o trabalho, também, dessa inclusão social, todo esse trabalho que inclusive é voltado para o CDI  [Comitê para Democratização da Informática] também, né?

 

P/1- Por que você fez essa passagem para uma organização, assim, não _______.

 

R- Porque eu tive uma decepção muito grande quando eu estava no estado, que assim, eu sou uma pessoa que me dedico muito no que faço. E eu consegui reformular toda uma escola numa periferia, assim, escolas assim que, lá no Embu, era coisa pesada, bairro pesado, de adolescentes drogados e pessoas realmente numa condição muito difícil, tá? E assim, muitos excluídos, sem autoestima, muita coisa nesse sentido. Então eu fiz um trabalho muito grande com eles e consegui uma amizade e um vínculo ótimo com eles. Mas, infelizmente, eu não era efetiva no estado. Eu não tinha feito o concurso, não tinha me efetivado. Daí, simplesmente, veio uma mulher que faltava o que , uns 10 dias para se aposentar e me tirou a escola. Pegou a escola todinha estruturada e com tudo o que eu tinha feito lá dentro. E eu perdi tudo, e isso me abalou demais, entendeu? Porque foi muito tempo dedicado para ser, assim, dissolvido em 5 minutos. 

 

P/1- E o trabalho não continuou? 

 

R- Não.

 

P/1- Ela não deu continuidade ao seu trabalho?

 

R- Não. Tanto é, que da época que ela ficou, ela perdeu três carros,  eles detonaram os carros dela, eles acabavam... Queriam que eu voltasse, eu não podia. Me ligavam, me escreviam e iam atrás de mim, entendeu? Então é uma coisa muito complicada, quando você consegue um vínculo com uma comunidade e você quebrar isso de uma vez só, entendeu? Eles tomaram uma ducha de água fria. E, simplesmente, por causa  de política ou de :“Ah, porque vou me aposentar, preciso de uma escola que esteja estruturada e tal”. Então só chegou, sentou e pegou tudo que foi feito. Não, mas a minha sementinha ficou lá, né?

 

P/2- Você tem contato até hoje com essa comunidade de alguma forma?

 

R- Tenho, tenho, muitos deles ainda me ligam e me visitam. Tenho. Infelizmente não é mais possível estar lá, né, mas, muitos já morreram, em virtude do local e das coisas que aconteciam.

 

P/1- Isso que bairro que foi isso?

 

R- Isso foi em um lugar quase em Embu Guaçu. É, na realidade, uma cidade chamada de Jardim Santo Eduardo. É entre o município de Taboão da Serra e Embu. Fica no meio.

 

P/2- Dá para você desenvolver um pouco mais como foi esse projeto, como você chegou lá, qual era a situação?

 

R- Bom, quando eu cheguei nessa escola, era uma escola que ninguém queria pegar aula lá. Começou assim que: “Ah, vamos na delegacia de ensino para fazer a ficha para poder estar pegando aula”. Fomos, chegamos lá, todo mundo que chegava falava: “Ah, para esse lugar eu não vou” , repetiam,“Ah, pra esse lugar eu não vou”. Daí eu peguei, eu sou muito curiosa, eu perguntei para a coordenadora da secretaria, falei: “O que que está acontecendo, porque todo mundo ‘Pra esse lugar eu não vou’?”ela respondeu: “Ah, porque é muito violento, teve chacina, é isso e aquilo, é assim  e assado”. Eu já tinha experiência como educadora de rua anteriormente, essas coisas, eu falei: “Pois eu vou pra lá”. Daí a mulher olhou bem para mim, falou assim: “Você tem certeza do que você está falando pra mim?”, falei: “Tenho, eu vou”. Daí, ela pegou, falou assim: “Não, tudo bem, você quer, que aula você quer pegar? Porque tem todas as áreas”. Eu, como pedagoga, eu poderia pegar qualquer uma. Falei: “Não, eu vou mas, na área de Artes Plásticas, vou mas na parte de formação, mesmo”, que lá também tinha magistério, né? E vou encarar. Daí, peguei e fui. Tanto é, que lá, eu trabalhava, saía da creche, entrava às 13 hora, como eu falei para você, que era um pouco mais próximo, uma e meia. E eu estava sem carro aquela época, eu saía de lá 11:30  e 11:35 horas. Então, os vulgos bandidos, que o pessoal falava, nunca mexeram, pelo contrário, me levavam até o ponto de ônibus, me acompanhavam e falavam para o motorista: “Essa é nossa professora, a senhora deixa ela lá em tal lugar, assim, que ela desce, e se tiver qualquer problema no ônibus, é só vocês falarem comigo, que eu resolvo” [risos], sabe? Então, era umas coisas assim, superinteressante. Protegida. E uma outra coisa, eu sabia que eles tinham as atividades deles, mas era assim, quando eu chegava dentro da minha sala de aula, já no primeiro dia eu falei para eles: “Olha, eu não preciso chamar a direção para estar conversando com vocês, eu acho que a gente pode trocar idéia normalmente, se tiver qualquer problema vocês estejam à vontade para sair, só vou pedir uma coisa para vocês, dentro da minha sala de aula eu não quero vocês armados”. Daí, a hora que eles chegavam, que eles me viam, eles já chegavam na porta e falavam assim: “Ai, prof, espera um pouquinho”. Eu já sabia que eles iam tirar a arma, para por em algum lugar para entrar na minha sala de aula. Eu nunca tive problemas com eles. Em compensação colegas que chegaram lá e querendo “ah!”, detonaram o carro, roubaram o carro, fizeram e aconteceram. Então é uma questão de você respeitar as pessoas. Não deram oportunidade para aquela gente mostrar o que eles tinham, entendeu? Então quando eu cheguei lá e comecei a respeitar eles e tratar eles bem, eu também fui respeitada, entendeu?

 

P/1- E você chegou à direção dessa escola?

 

R- Cheguei, cheguei. Consegui conquistar eles a ponto de pegar a direção da escola. Porque ninguém queria ir para lá, entendeu? Depois a hora que chegou a concursada, que viu que estava tudo ajeitadinho. Mas foi um trabalho, assim, muito gratificante deles virem sentar, ter liberdade de contar da vida deles para você. “O que que eu faço, me orienta”. Sabe, essas meninas que se envolvem com drogas, assim, gestante com 12 e 13 anos, sabe? Muita, muita coisa, assim, falta de estrutura familiar, de realmente ter alguém para sentar para conversar. Isso faz muita falta para muita gente. E as pessoas geralmente não de são de se aproximar e sim de se afastar. Então é onde, muitas vezes, você perde o potencial que eles têm por causa disso. Porque você não se permite, nem permite a eles estarem trazendo nada para você. Então foi esse tipo de trabalho que eu fiz lá, também?

 

P/2- Quanto tempo você fez, desde que você chegou como professora até o momento que você saiu? Quanto tempo mais ou menos deu? 

 

R- Lá?

 

P/2- É lá.

 

R- 9 anos.

 

P/2- 9 anos.

 

R- 9 anos.

 

P/1- E você chegou a sentir mudanças nos alunos?

 

R- Ah sim, bastante.

 

P/1- Que tipo de mudanças?

 

R- Eu consegui, por exemplo, tirar meninas das drogas. Consegui que tivesse um trabalho coligado com o posto de saúde para fazer um planejamento familiar. Montei uma rede que não existia, né? Uma rede de serviços juntamente com a escola, a gente podia encaminhar e tinha um canal direto com eles. Daí a gente conseguiu muita coisa nesse sentido. Então é isso que se perdeu, né?

 

P/2- A partir da escola você montou essa rede e com familiares também? 

 

R- Isso. 

 

P/2- As outras...

 

R- A gente abria a escola para as festividades. Então a gente conseguia trazer a comunidade para dentro da escola. E não tinha problema. Eu fazia festas, por exemplo, bailes para eles e para arrecadar dinheiro para formatura. Não tinha uma briga e ninguém vinha armado. Não tinha nenhum problema nesse sentido. As pessoas não acreditavam e eles falavam: “Ah, que receita você tem e que mágica que é essa?”. Falei: “É o respeito, né?”. Acho que o respeito. Não que não tivesse problema, às vezes, eles vem querer te enfrentar e uma série de coisas. Mas aí você começa a mostrar para as pessoas que as coisas não são bem assim, que não funciona dessa maneira. Se a partir do momento que você tiver alguém junto com você que queira, realmente, crescer e ser alguém, sabe? Você puder apoiar, que nem eles iam me pedir orientação para curso e uma série de coisas. Eu encaminhava, sabe? No Fundo Social, num monte de lugar. Então muita gente foi tirada, vamos dizer assim, para poder ter um futuro melhor. Então, com essa rede a gente conseguiu atingir bastantes coisas dentro da região, que era uma região bem precária e bem periferia mesmo.

 

P/1- Você montou a rede com o Posto de Saúde, com alguma ONG, também?

 

R- Com o entorno, com o entorno. Não. Montei com o posto de saúde de lá, conseguimos com algumas gráficas que tinham perto. Então as crianças saiam de lá e iam fazer trabalhos nessas gráficas. Então, eu procurei contatar o que tinha dentro do bairro, entendeu?

 

P/1- Articular.

 

R- Isso, articular essa rede, porque o serviço que tinha mais, era o só posto de saúde que podia oferecer alguma coisa com eles. Então trouxe o posto de saúde para dentro da escola para estar trabalhando palestras, sobre DST [Doenças Sexualmente Transmissíveis] e uma série de coisas sobre informação. Para os alunos, para os pais, assim,  foi montado esse de planejamento familiar e uma série de coisas

 

P/2- E você trabalhou como diretora em outras escolas?

 

R- Trabalhei.

 

P/2- Também. E como foi o trabalho nessas?

 

R- Existem essas escolas que já são estruturadas, né? Então que você chega, você não tem tanta dificuldade. Que já são mais escolas de corredores, que a gente chama, que não são periféricas e são escolas de limites, né? Então você já tem uma outra estrutura de trabalho, porque daí você já tem uma coordenação que te apoia e assim, você já tem outros recursos. Que não é tão... você não deixa de ter as dificuldades, porque em todo lugar tem gente que precisa da tua ajuda, mas a estrutura de trabalho já é outra e  já é definida, né?

 

P/2- Na outra, você implantou essa estrutura, né?

 

R- É.

 

P/1- Então, quer dizer, você entra nessa entidade, a ASA, né? Quer dizer, vindo de... quer dizer, que expectativas você trazia então? Por que você vem de uma experiência que foi frustrante, né, porque lhe cortaram.

 

R- Cortaram, é.

 

P/1- Quer dizer, então que expectativas você carregou, você achou que você podia dar curso?

 

R- Olha, eu achei assim que se a partir do momento que ali naquele espaço que eu estava eu não tinha mais condições, eu poderia estar fazendo um trabalho com crianças pequenas, que era a área que eu já trabalhava antes. Então, quando eu entrei na ASA, eu entrei dentro das creches. Então, eu fiz um trabalho todo de resgate dentro de creches, para crianças de 0 a 6 anos. Eu desenvolvi um projeto de horta, uma série de coisas que até então não eram feitos. De brinquedoteca, ludoteca, coisas que tinha muita gente que não tinha conhecimento de que isso existia e então a gente implantou.

 

P/2- Você pode explicar um pouco o que que é a ASA, como é que ela atua, quais são os grupos?

 

R- É uma instituição que é bem antiga em São Paulo, ela tem mais de 60 anos de vida. Ela foi fundada através da Associação da Ex-alunas Colégio Des Oiseaux das Cônegas de Santo Agostinho, , que hoje em dia é o Madre Alix. Então, são senhoras da sociedade de São Paulo que a mantém, juntamente com o convênio da Prefeitura e do Estado de São Paulo. Ela tem quatorze casas dentro de São Paulo, sendo que são cinco Espaços Gente Jovem, para crianças de 6 a 15 anos. São nove creches e um centro de integração, que é um trabalho técnico de panificação, o asilo, a creche e o EGJ [Espaço Gente Jovem] junto. Então dentro dessa estrutura a gente atinge mais ou menos a 2 mil e 500 crianças, a uns 600 a 800 jovens, e lá no asilo em torno de uns 60 velhinhos, mais ou menos. 

 

P/1- Mas isso nas quatorze casas, né?

 

R- Sim.

 

P/1- Nas nas quatorze casas.

 

R- É.

 

P/1- E que bairro assim que está localizado?

 

R- Olha, tem aqui na zona do Butantã e do Morumbi, nós temos, só aqui temos  seis equipamentos do lado de cá. Depois a gente tem na Zona Norte, ali na Direitos Humanos, que é o CSI [Centro Social de Integração], que é o Centro de Integração, no Lauzane Paulista. Depois a gente no Centro, na Bela Vista, nós temos na Mooca e no Jabaquara e na Saúde.

 

P/1- E o público para quem se dirige ______?

 

R- Olha, depende porque tem algumas que são, como eu falei para você, de corredor. Então é um público já mais, um pouco mais elitizado, entendeu? Como essa do Morumbi, nossa lá, atende  tanto a creche quanto o EGJ e as crianças da comunidade do Paraisópolis, tá? Lá eu atendo a comunidade do Sapé, lá no Jardim Esther, da Mandioquinha. São várias comunidades que estão englobadas no entorno. Já na Bela Vista, já é centralizado. Então é corredor, então são várias pessoas de vários lugares, que trabalham lá próximo, entende? Então depende da área onde se encontra. Daí, cada entorno tem uma característica diferente.

 

P/1- Ah, certo. Um público, né?

 

R- Isso.

 

P/1- Essa que você trabalha é...

 

R- Bem periférica, mesmo. Lá fica no quilômetro 15 da Raposo Tavares, fica bem no meio, de um complexo de favelas? Porque ali tem o pólo industrial em torno, lá na realidade do equipamento eu atendo a cinco favelas diferentes, do entorno. Porque a Raposo Tavares de um lado ela é considerada do circuito Rio Pequeno e do outro lado, Raposo Tavares. Então, a quantidade de serviços nesse ramo que tem não é suficiente para atender a todos.

 

P/2- Quais são essas favelas?

 

R- Quais são?

 

P/2- É. Quais são? Você pode descrever?

 

R- Posso. Por exemplo, a maioria das minhas crianças são da favela do Sapé. Uma favela ali da comunidade do Jardim Esther. E, assim, são moradores provindos, a maioria, do Norte e Nordeste do país. No qual vem um depois vem o restante da família. Assim, a gente procura estruturar, ali é um bairro que tem essa articulação de rede, que ainda não é muito funcional, mas ela já está funcionando, né? Por ter esses movimentos de moradores e tudo isso. Então, eles já estão bem mais estruturados. Tem lá embaixo o Jardim Jaqueline, que é uma outra favela e também é desse mesmo porte. Daí já tem outras duas, que é a da Fumaça e a da Mandioquinha, que já são favelas, assim, que já não estão tão estruturadas como essas outras, né? Mas a característica maior é, assim, essa privacidade de direitos, sabe? Essa inclusão que eles não se sentem pertencentes. Esse é o trabalho da gente, mostrar para eles que eles são, sim, fazem parte de tudo isso, que têm direitos, mas que também têm deveres.

 

P/2- E vocês têm algum tipo de atuação junto com essas organizações, esses movimentos da própria favela? Você disse que eles têm alguns movimentos, como é que isso? _______________

 

R- Olha, é por que é assim, quando eu peguei esse equipamento, era uma outra direção, então ela tinha outro tipo de trabalho, era uma coisa, assim, muito distanciada. Então eu estou conseguindo esse vínculo com eles agora. Estou trazendo os pais para dentro do equipamento, conhecendo quem é o líder comunitário, trazendo ele para estar desenvolvendo algumas atividades juntamente com a gente e abrimos o equipamento para isso, então.Tanto é que, ainda, a gente não fez um trabalho de inclusão com a comunidade toda do CDI, ainda,  por causa disso. Porque toda a nossa formação é dentro da comunidade, com os irmãos, com as famílias, que a gente dá preferência de atendimento, né? E quando eles completam 15 anos, eles têm que deixar o equipamento. Então, o que que a gente está fazendo? A gente vai fazer um projeto resgatando esses alunos nossos de 15 a 18, para estarem trabalhando com inclusão digital com eles, também. Porque no momento a gente só trabalha com as crianças que são matriculadas na entidade, que são 125 crianças nos dois períodos.

 

P/2- E em termos de serviços públicos próximos, hospitais, escolas públicas, como é a rede lá?

 

R- A gente até tem uma rede, vamos dizer assim, privilegiada, porque nós somos próximos à USP [Universidade de São Paulo], né? Mas também é muita dificuldade, porque muita gente a ser atendida. Então você faz um encaminhamento lá, a demora é muito grande para você ter um retorno, o que às vezes dificulta o seu trabalho, porque a comunidade é uma comunidade que apresenta muitos problemas e que precisa de um apoio psicológico. A quantidade de profissionais que tem não consegue atender a demanda por ser muito grande, né? A gente tem a USP, tem o Pronto-Socorro Bandeirantes, tem a Maternidade Sara, que são todos próximos dali. Isso em infra-estrutura de saúde, né? Agora infra-estrutura de escola é bem grande, porque cada local, praticamente, tem uma escola municipal ou estadual próximo. Agora eles fundaram o CEU [Centro Educacional Unificado], ali perto, que veio a contribuir com o trabalho, no sentido de poder atender mais pessoas, né? Então, assim, tem uma estrutura legal, bem montada, mas precisa ser articulada.

 

P/1- Você está há quanto tempo na ASA?

 

R- 7 anos.

 

P/1- 7anos? E a escola EIC [Escolas de Informática e Cidadania] tem quanto tempo?

 

R- EIC tem praticamente 2 anos, porque foi em agosto de 2001, né? Aí que a gente começou, porque tem todo um processo anterior.

 

P/1- E como foi essa aproximação, como vocês chegaram nisso, quem foi que teve a idéia?

 

R- Porque, assim, estava começando a ser divulgado o trabalho que o CDI realizava e para gente era muito importante as nossas crianças serem incluídas digitalmente, porque eles eram excluídos totalmente. E para gente foi uma coisa que veio unir o útil ao agradável, porque você conseguir uma ferramenta de trabalho, que é a informática, para  você trabalhar cidadania, era o que a gente precisava. E, assim, a fome de aprender que essas crianças apresentam é uma coisa, assim, extraordinária. Só você vendo para  sentir o que que é isso. Se eles pudessem, eles ficavam em frente à máquina o dia todo. Aí você tem que dosar e uma série de coisas. Você tem muitas dificuldades. Por exemplo, a gente que trabalha com as crianças menores,  de 6 até mais ou menos 9 anos, ou até mais, você corre o risco da criança não ser alfabetizada. Então, ela não tem ainda entendimento de leitura. Assim  você tem que estar trabalhando paralelo com isso, softwares infantis e lúdicos. Isso que leva ela a entender qual é o trabalho, qual é a função e como isso vai vir a ajudá-la, entendeu? E a partir daí, a gente começou a desenvolver uma série de coisas e a gente está desenvolvendo um projeto que está muito rico de identidade. Porque as nossas crianças, eles não tinham, assim, uma, vamos dizer, uma marca registrada. Por que? Porque a mãe deles chamava ou a... a Mariazinha; “Ai, como a sua mãe chama?”; “A minha mãe chama Mariazinha.”; “E o seu pai?”; “O meu pai é o Mané”; “Mas qual é o nome do seu pai, o seu pai chama Mané?”; “Ai, eu não sei o nome do meu pai, conheço meu pai como Mané.”; “E a sua mãe, como a sua mãe chama?”; “Ah, todo mundo chama ela de Cheirosa.”; “ E como é o nome da Dona Cheirosa.” ; “Ai, eu não sei.”. E a gente tinha muito problema, dentro do equipamento, de criança que só chamava um pelo outro por apelido, por isso e aquilo. Então, a gente tirou com eles a necessidade de desenvolver esse projeto de identidade. Quem são eles? Onde eles estão? Quem são os pais? Então a gente está criando essa articulação de trazer esse resgate, de quem são esses pais? De onde vêm ? O que que eles trazem? E unir isso com o trabalho com as crianças. Quem é você? Você é filho de tais e tais pessoas? Você mora em tal local?  Você é fulano de tal, você tem um nome e sobrenome e você tem direitos e deveres.

 

P/1- Mas isso no trabalho da EIC?

 

R- É. 

 

P/1- No trabalho da EIC. Com qual idade?

 

R- De 6 a 15 anos e abrange a todos.

 

P/2- Eu acho que um pouquinho antes de entrar, eu vou pedir para você esmiuçar um pouco essa atividade ou trabalho. Mas, como você entrou em contato com o CDI? Como você ouviu falar do CDI e montou o projeto?

 

R- Ah, tá. Daí, eles fizeram essa divulgação e daí foi feito um projeto, né?

 

P/1- Mas você viu na rádio e na televisão? Como foi que você tomou conhecimento?

 

R- Não, foi passado pela internet, né? Pela internet. Daí, teve conhecimento pela entidade. A entidade me apresentou se eu queria e se eu tinha interesse. Falei: “Tenho, sim.” Daí, a gente montou o projeto e eu escrevi o projeto, tá? Eu e mais duas pessoas, pela experiência que eu já tinha anteriormente. E daí, a gente mandou para apreciação do CDI. Recebemos a visita das pessoas para virem ver, verem o local, que eles visitam para ver se é adequado e  se está de acordo com as normas que são necessárias, né? E daí para frente foi muito gratificante, porque a gente realmente viu que a coisa ia acontecer, ia dar certo, entendeu?

 

P/2- Qual que é o espaço, lá da ASA, que vocês ________?

 

R- É um espaço bastante privilegiado, porque esse Jardim Esther, eu vou contar para vocês como é que era. Era uma fazenda enorme que essa Dona Esther Iolanda tinha vários funcionários. Então, ela começou a agregar os funcionários dentro do bairro, fazendo pequenas cassa e essas coisas. Então foi isso que foi formando o bairro. E a ASA absorveu esse prédio, porque esse prédio, antigamente, era o centro comunitário do Jardim Esther.A partir daí, a gente absorveu. Porque esse trabalho, ele tem várias etapas porque cada hora a prefeitura chamava de um nome. Uma hora era OSEN [?], outra hora é Centro de Juventude, outra hora era núcleo, era Espaço Gente Jovem, hoje em dia é Núcleo Sócio-Educativo. Então, a partir daí, eles vieram, fizeram a visita, viram nosso espaço. E a D. Esther, também, como cedeu para a  ASA, a ASA absorveu. Então, o interesse da gente é propiciar o que mais a gente puder para essa comunidade poder crescer, né?

 

P/2- Então era uma entidade anterior à ASA? 

 

--FIM DA FITA---

 

P/2 - Então, você estava falando da ASA, do espaço da ASA, né, Claudia, então era uma entidade particular que depois foi incorporada à ASA, como foi isso daí?

 

R- Isso, porque ela já existia. Como eu já falei para você, como era um bairro muito grande, uma fazenda que deu origem a esse bairro. Daí, existia um centro comunitário, que era o local onde ela centralizava as coisas, né? E depois, mais tarde, como ela já era uma senhora muito idosa, ela pegou, sabia do trabalho que a ASA desenvolvia, e a ASA incorporou o prédio. Ela doou, fez a doação, passou e continuou na proposta com a filantropia, dentro da assistência social.

 

P/2- E na montagem do projeto com o CDI, né, como foi essa montagem do projeto de identidade, de trabalhar para a situação de identidade. Você já explicou a situação de identidade dos alunos, como foi o dia-a-dia do trabalho com os alunos no CDI, na EIC?

 

R- Bom, antes de ter o trabalho com os alunos dentro da EIC, a gente teve todo um trabalho com o CDI, que foi um trabalho de formação e capacitação das pessoas que trabalham comigo dentro de EIC, que são os educadores, tá? Que passaram por uma série de formação. Assim como eu, coordenadora, também, e continuam passando, tá? Se aprimorando cada vez mais, desenvolvendo um trabalho melhor, preparando eles para essa de não ser uma aula de informática. E, sim, uma ferramenta para inclusão social, que as pessoas confundem muito isso, isso não é muito claro para as pessoas. “Ah, as crianças vão ter informática.”; “Ah, mas vai ter aula de informática?”; “Não, eles vão ter aula de inclusão digital.”. Então a informática vai ser uma ferramenta. Então as pessoas têm muita dificuldade para entender isso, tá? Então, para isso teve toda uma preparação, o CDI capacitou, continua capacitando.

 

P/1- Como é, foi essa capacitação? Qual é a base para essa capacitação?

 

R- Ah, todo o conhecimento já adquirido que as pessoas trazem com elas e suas potencialidades com certeza, tá? É uma coisa muito importante porque eles valorizam muito isso, foi o que mais, assim, me chamou atenção nesse projeto, tá, de estar trabalhando com eles, por causa disso. Que não é só fazer por fazer. Existe todo um compromisso atrás disso, tá? Então, eles foram preparados para isso, foi feita essa capacitação, foi explicado tudo isso para eles. Várias etapas de encontros. Até mesmo quando a gente chegou já tinha algumas EICs que já estavam abertas. Então, a gente pôde absorver o que foi de ruim das outras, para gente não passar também. E a mesma coisa a gente faz agora com as que estão iniciando. A gente troca experiências e passa para elas, porque tudo que é novo angústia, né? Você quer um resultado, não pode ser uma coisa imediata, então o  que não foi bom para você, você já fala para os outros para eles não passarem por isso, poder caminhar melhor, né? E assim, facilitou demais o trabalho, porque acabou praticamente eu conseguindo capacitar três monitores. Então eu atendo a doze turmas, dentro do período, então os três...

 

P/1- De quantos? Doze turmas de quantas pessoas?

 

R- De 12, porque eu consegui 2 computadores a mais, que na realidade o que é cedido são 10. Consegui mais duas máquinas, então consigo atender doze turmas de doze. 

 

P/1- Doze turmas de doze.

 

R- Isso.

 

P/2- E de quais idades assim?

 

R- Porque a entidade, ela é dividida em três grupos. Esses grupos, eles abrangem crianças de 6 a 8 anos, o outro é de 9 a 11anos e o outro de 12 a 15 anos. Então a gente procura respeitar essas faixas de idade e ter um grupo homogêneo para estar trabalhando a mesma coisa. Então, você não corre, de repente, o risco de dentro de um grupo ter um de 6 e um de 15, um que sabe muito e outro que não sabe nada, para a criança se sentir inferiorizada. Então, você tem toda uma preocupação nesse sentido.

 

P/1- A EIC funciona o dia todo?

 

R- O dia todo.

 

P/1- Com 12 turmas de 12 pessoas.

 

R- O dia todo, a semana toda.

 

P/1- Inclusive sábado, também?

 

R- Não.

 

P/1- Até sexta-feira.

 

R- Até sexta-feira.

 

P/1- Horário das 8 até que horas?

 

R- Das 7:00 até às 16: 30 horas. Então, agora esse novo projeto que eu estou, que eu mencionei para você, desses ex-alunos que nos deixaram, a gente está pretendendo implantar depois das 16:30 horas,  para estar podendo atendê-los. Porque muitos ainda estudam, entendeu? Não conseguem trabalho pela falta de recursos que não têm. Então, também é um trabalho que vai ser desenvolvido com eles.

 

P/1- Na informática, também?

 

R- Dentro dessa inclusão. É

 

P/2- E quem são esses educadores? Como vocês selecionaram, de onde vocês pegaram?

 

R- Eles são parte da ASA porque já são funcionários, assim como eu. E eles já faziam o trabalho direto com essas crianças, dentro dessa, toda essa preocupação dessa inclusão. Que ela até então não era digital, era uma inclusão social. Que agora ela passou a ser social e digital, né? Então, já tinham todo um trabalho que permeava toda essa disponibilidade de estar avaliando o que essa criança traz e que potencial que ela tem. A partir daí, a gente uniu o útil ao agradável, como já tinha essa bagagem, a gente só acrescentou, com o CDI, essa experiência da digitalização.

 

P/2- Que projetos vocês tinham na ASA antes do CDI ou no momento que vocês entram em contato com o CDI? Que que vocês estavam desenvolvendo?

 

R- Que já desenvolvia? O projeto pedagógico, no qual acompanhava as crianças, assim, com atividades variadas. Inglês, Esporte, Artes, Culinária, assim, bem diversificado. Tem o apoio no sentido à revisão escolar, né? Que é o esforço que muitos deles vêm para gente, assim, da escola. A gente tem crianças lá com 14 e 15 anos, que escrevem o nome e só. Por causa desse negócio dessa alfabetização que...

 

P/1- Progressiva.

 

R- ... não foi bem feita. É. Então, já havia uma base anterior e daí veio a acrescentar.

 

P/2- Todas essas crianças freqüentam a escola?

 

R- Todas.

 

P/2- A escola formal, né? 

 

R- Todas.

 

P/2- Estão.

 

R- Estão, estão na escola.

 

P/2- É um critério para poder entrar também no _____?

 

R- Não só, porque também quando a gente tem pessoas, como eu falei para você, que estão numa região muito [pausa]. Então, às vezes você pega, e daí no incentivo vai, vê que todo mundo está [pausa]. Daí consegue encaminhar. A gente tem um vínculo legal com a escola, então a gente às vezes consegue umas vagas e umas coisas assim. 

 

P/1- Tá. [pausa] A formação dos educadores, assim, você teria alguma sugestão a fazer, da forma que foi feita?

 

R- A capacitação do CDI?

 

P/1- A capacitação. É.

 

R- Olha, a gente teve a oportunidade de estar colocando nas reuniões que às vezes o tempo não é suficiente, porque é muita coisa para ser discutida. Às vezes, a periodicidade podia até ser maior, mas em virtude de assim, como é que eu posso explicar para vocês? Quando existem as reuniões dos encontros, seja o que for, você tem que desestabilizar todinha a casa, dentro de uma rotina, para eles poderem estar saindo e para ir para lá. E isso é uma coisa que eu prezo muito, porque desde que a gente entrou para o CDI, a gente nunca teve nenhuma falta em nenhuma capacitação, em nenhuma gestão, em nada. Então, eu acho assim, já que  a gente teve essa porta aberta, para gente estar tendo essa amplitude de conhecimento e essa oportunidade para eles, principalmente para eles. Porque eu tenho um nível e já tive outras experiências, eles estão tendo agora. Porque a maioria dos educadores são até nível médio, alguns deles estão começando a ir para um nível superior, né? Então, através dessa troca de experiências, essas coisas, então isso está incentivando eles, a estudar, se aprimorar, procurar e ler, entende?

 

P/1- E eles já sabiam alguma coisa sobre computadores, tinham experiência anterior ou não?

 

R- Um deles, sim. As outras duas nenhuma. Então foi uma coisa assim que foi um desafio para elas, também lidar com a máquina, né?E entender o que essa máquina pode fazer. Para tudo isso a gente sempre tem, então,  um trabalho de equipe, no qual nós estamos sempre juntos. Quando eles têm dificuldades, eu estou sempre amparando, se preciso for, a gente procura quem possa ajudar

 

P/2- Esse projeto de identidade que vocês fizeram, né? De discussão sobre, a inclusão social pela discussão da identidade.

 

R- Isso.

 

P/2- Como foi isso daí. Você pode descrever, assim, os resultados, como que era o passo a passo. Você tem ideia de quais eram as atividades, as discussões que tinham com os alunos, como que era? 

 

P/1- ____ algum produto?

 

R- Isso. A partir das necessidades que a gente viu, o que principalmente chamou a atenção, foi quando eu cheguei lá, a gente tem uma ficha de matrícula, no qual você tem que pegar os dados da família  é muita coisa, né? E você tem uma ficha de identidade dessa criança. Então, quando você começava a perguntar as coisas, você percebia que muitas delas não sabiam responder, não tinham conhecimento, tanto mãe e quanto filho. Então isso, é uma coisa que me marcou muito quando eu cheguei. Daí, conforme você vai vivenciando o trabalho, conhecendo as pessoas, você vai percebendo que não tinha o hábito de chamar ninguém por nome. Se tratavam, assim, muito por apelido. Às vezes, se chamavam, assim, com muitos palavrões, muitas coisas. Então, a partir daí, a gente sentiu a necessidade de estar desenvolvendo esse trabalho com eles, conversando com eles, perguntando o que que eles achavam, o que que a gente discute muito com eles qualquer coisa que a gente vai fazer. Não é a gente que coloca e implanta, não. Existe toda uma discussão de trabalho, de necessidades, qual que é o alvo e o que que vai ser feito, junto com as crianças, entendeu? Então daí surgiu a necessidade de um trabalho com a entidade que veio nos ajudar com diminuição dos palavrões, dos apelidos e  eles se reconhecerem quem são eles mesmos. Então começou, primeiro, como uma etapa de saber quem ele  era. Que ele existia, como ele se sentia, com  desenho e com registro. Não foi direto, entendeu? Daí eles começaram, através da informática, estar usando, criando os textos, se reconhecendo e  desenhando. Teve fase que a gente levou balança para eles se pesarem e  medimos para saber o tamanho. Então são várias etapas que eles estão passando, é um projeto e  não é um projeto estanque. Ele tem essa duração de 1 ano agora, depois ele vai entrar numa outra fase, e assim por diante.

 

P/1- E isso para crianças de 6 a 15 anos?

 

R- Para todos.

 

P/1- Para todos. Mesmo _____

 

R- Mas,  de acordo com o grau de dificuldade de cada um. Respeitando a faixa etária de cada um deles. Daí, alguns você pode aprofundar mais e  outros você vai mais devagar. Inclusive até pela dificuldade dos não alfabetizados, né?

 

P/1- E nesse projeto, eles tiveram que sair da escola, pesquisar, ir na comunidade, ________?

 

R- Sim. Eles tiveram que trazer todo um resgate da família, por meio de um questionário que foi elaborado pela gente juntamente com eles, no qual trouxe todos os dados. A gente tabulou com eles esses dados, entendeu? Tabulou, não, porque pontuou. Pontuou com eles tudo isso, levantou as necessidades deles. Isso praticamente , é o que deu origem a estar acarretando o projeto até onde a gente pretende chegar, quem sabe, né, até lá, eles já estão... Agora é fascinante, porque as crianças já estão tendo um contato super rico. Eles entram dentro da sala, eles já ligam as máquinas sozinhos, já sabem como é que funciona e esperam ver qual é atividade. Porque toda atividade que a gente faz com eles, antes de qualquer coisa, a gente faz uma roda de conversa. Nessa roda de conversa , a gente expõe o que vai ser trabalhado, como vai ser e como que as coisas vão acontecer, entendeu? Então, tem um trabalho de preparação anterior.

 

P/1- Mas isso é uma prática da própria entidade, né, que foi incorporada à EIC...

 

R- É uma prática minha,  [riso] enquanto administradora do local.

 

P/1- Certo, certo. Quer dizer, fazer essa roda, sua pedagogia.

 

R- É. Que a gente vê que surte efeito, entendeu? Então, nessa roda, quando se iniciou, é nessa roda que a gente incutiu nas crianças o valor do que é ter essa máquina, de saber conservar, o quanto é duro se quebrar, que um vai ficar sem, que têm que dar direito ao outro quando não dá, por causa que o espaço, às vezes, não dá para atender todo mundo ao mesmo tempo, tal. Então, foi aí que a gente foi explicando tudo para eles, para daí chegar e eles poderem estar mexendo e conservar, entendeu?

 

P/2- Você vê as expectativas diferentes, em relação ao curso de computação, em relação à idade de cada um? Então os menorzinhos têm uma expectativa, eles gostam mais de joguinhos e  os outros já estão pensando em outra coisa. Você consegue perceber essa diferença?

 

R- Sim. Por causa que quando a gente instalou os softwares infantis, para poder trabalhar com a dificuldade de alfabetização, os maiores ficaram super curiosos. Porque eles queriam saber o que que era aquilo. Porque como eles já sabiam ler e escrever e  eles não passaram por essa fase. Então, o que que a gente fez? A gente deixou todos eles terem acesso a esses jogos, também. Então, eles tiveram a oportunidade de fazer, de praticar, entendeu? E você percebe, assim, que todos eles têm uma sede de querer mexer, de querer aprender. A gente tem que policiar, porque eles querem trazer disquete com vírus, eles querem implantar as coisas, as dicas que o computador tem não dá e  a capacidade é pequena. Então, eles querem implantar uma série de coisas, sabe? Então, é bem interessante, você consegue, realmente, distinguir isso. E eles chegam, no dia que é informática, eles falam: “Nossa, hoje é dia de informática.” Que eles falam informática, para eles é informática.

 

P/2- E os pais chegam com alguma história de mudança de comportamento, de atuação, em relação...

 

R- Ah, claro. A gente fez um projeto para festa junina. A gente fez um resgate todinho com os pais sobre o que eles trazem, né? Então, a gente fez uma festa junina típica de danças folclóricas do nordeste, cantigas de roda, culinária e  todas essas coisas com resgate dos pais. Daí, as crianças montaram dentro da informática todo o projeto da festa junina, um livro de receita, as músicas que iam ser cantadas, os pais foram assistir, participaram de tudo. Então, todo trabalho que a gente desenvolve, a gente procura envolver para poder ter um contato maior, né, criar esse vínculo.

 

P/2- E você já formaram quantas turmas?

 

R- Não, eu não formo turmas.

 

P/2- Ah, tá. Não é assim.

 

R- Porque como eles ficam comigo de 6 até 15 anos, é um processo contínuo. Então, eu não tenho formatura. A minha estabilização de EIC é diferente das outras, que estabelece prazo, que estabelece... entendeu?

 

P/1- Não tem um tempo?

 

R- Não, é a longo prazo até os 15 anos.

 

P/2- Desde os 6 até os 15 anos, enquanto está lá.

 

R- Até o 15 [anos]. Enquanto está lá, ele vai ser trabalhado.

 

P/1- Enquanto está lá, continua tendo curso.

 

R- Isso.

 

P/2- E a maioria permanece? Faz todo o processo?

 

R- Permanece. Todo. 

 

P/2- Não tem muita desistência?

 

R- Normalmente quem entra [pausa] não. Só agora, assim, nos adolescentes que estão já quase para completar 15, pela necessidade da família, às vezes sai por causa do trabalho. Mas não porque gostaria, é porque necessita. 

 

P/2- Mesmo saindo eles continuam freqüentando, vão na EIC, como é abertura do espaço?

 

R- Vão, porque a gente tem, a gente tem dentro do espaço, uma associação dos ex-alunos. Então, eles sempre têm o encontro anual deles. Eles sempre têm acesso de virem nas festas nos ajudar, de estar vindo. Inclusive tem alguns alunos que estão querendo fazer essa inclusão, também. Então por isso essa possibilidade de a gente estar fazendo esse horário diversificado para poder estar atendendo a eles, né? Então, existe um trabalho que sempre os traz, retorna à casa. 

 

P/1- Então, segundo o que você está dizendo, a proposta da EIC ela foi incorporada dentro...

R- Da rotina.

 

P/1- ... dos objetivos, também, dos propósitos, dos objetivos da ________.

 

R- Foi. Foi. Veio de encontro, né? Com o que a gente já pretendia e veio a acrescentar. 

 

P/1- Certo. E, assim, como se mantém a EIC, né? Porque tem, como é essa parceria com o CDI? Quer dizer, o que é atributo de vocês, o que se espera do CDI, essa relação que...

 

R- Olha, acho que é uma relação de mútua, de troca, tanto da gente, quanto deles. Porque não, também, tudo que eu posso esperar deles, eu também tenho que correr atrás das coisas. Então, o que que a gente fez? Foi buscar parceria para poder fazer toda a instalação da parte elétrica, porque precisa, você precisa preparar a sala para receber esses dez computadores que vêm para você. Então, você tem que ter cabeação e todo esse tipo de coisa.  Eu consegui um doador que fizesse isso. Consegui...

 

P/1- No próprio local, na própria comunidade?

 

R- Não. Dentro da ASA.

 

P/1- Ah, sim.

 

R- Um voluntário que veio, fez esse trabalho para gente, tá? Os pais da comunidade, eles vieram ajudar a pintar a sala. Porque era uma sala, onde foi construído, quando vocês tiverem a oportunidade de conhecer o espaço, era a casa da caseira, da zeladora no caso. Que depois ela saiu, então tinha pia e tinha uma série de coisas. Então precisou ser removido, precisava ser preparada, tapar buraco e  essas coisas todas, assim. Então, daí funcionários e pais se juntaram e nós fizemos um mutirão, né? E depois a gente teve essa doação, no caso, de toda a parte de cabeamento e das coisas que eram necessárias, né? O aparelho para divisão das redes, ele também nos doou. E agora, esse mesmo parceiro vai, fez já a instalação da internet das crianças e agora só falta ampliar ela em rede. 

 

P/2- Então, a partir desse mês, vocês já vão ter acesso, vão estar interligados à internet.

 

R- Já, já tem, já está o speedy, conseguimos um speedy 450 lá. Já colocamos. E agora só está faltando, assim, alguns detalhes que são cabos, essas coisas, para poder aprimorar para passar para todos os computadores. Daí, a as crianças já vão começar a ter acesso à Internet também. 

 

P/1- E os gastos, assim, com manutenção, com troca de equipamento...

 

R- Tudo por conta da entidade...

 

P/1- Da entidade.

 

R- ...no caso. É. Porque...

 

P/1- Tem alguma cobrança de mensalidade?

 

R- Não, não tem custo nenhum. Porque como faz parte da rotina da casa, então o custo com luz, com água, com esse tipo de coisa é  tudo a mantenedora que mantém. Daí, a gente também tem parceria, assim, com as pessoas que sabem do trabalho que a gente faz. Então, nos cedem, às vezes, peças que a gente consegue trocar nas máquinas, os cartuchos das impressoras, que é um custo muito alto, sulfite, esse tipo de coisa assim. Mas, não é um custo gerado para poder estar cobrando alguma mensalidade, nada disso.

 

P/1- Sim.

 

P/2- Os educadores, ela são pagos pela própria entidade. Eles são funcionários.

 

R- Pela entidade. É. São funcionários da entidade. 

 

P/2- Você trabalham com trabalho voluntário, com voluntariado, lá dentro.

 

R- Sim. Sim.

 

P/2- Além desse da família. 

 

R- Sim.

 

P/2- Tem também?

 

R- Tem.

 

P/2- Qual é mais ou menos a proporção? 

 

R- Olha, até poderia, até, ser maior, Danilo. Às vezes a gente fica até meio assim restrita, porque as pessoas falam: “Ah, eu vou trabalhar...” Porque ainda existe muito preconceito, sabe? Eu vou trabalhar com favelados, eu vou trabalhar com isso aquilo. Raposo Tavares? “Ih, deve ser muito interior, eu não vou.” Existe, ainda, muito disso, entendeu? Então assim, eu tenho poucos voluntários, mas os que eu tenho são com qualidade, que é o pessoal do projeto do Inglês que é voluntariado. Tem uma outra senhora que é toda a parte de biblioteconomia, então ela montou uma biblioteca e dá assessoria. Eu tenho parceria com a Escola Saint Paul. Então, eles vêm, eles fazem projetos durante o ano com a gente. Então, são poucas pessoas, mas são fidedignas, né?

 

P/1- O que que, assim, o que que representa o computador pra uma jovem, para uma criança, um jovem, assim, carente e que muitas vezes não tem assim...

 

R- Ah, o conhecimento do mundo, né? Porque para eles você está abrindo o horizonte, você está ampliando o horizonte deles. Que até então era limitado ao o quê? À vir da escola, ir à escola, ir para casa ou a partir daí que a gente também começou a ampliar quando ele entrou para o espaço, para o equipamento da gente, então... E quando ele teve acesso a isso, ainda mais agora que vai ter acesso à internet, além do mais, ele vai ter uma nova visão de mundo. Que até então, ele era uma pessoa, que ele achava que ele não estava incluso dentro disso, que ele não fazia parte, que ele não tinha esse senso de pertencimento que agora ele já tem, né? E isso veio trazer para eles, assim, uma visão de conhecimento muito ampla, né? Não se limita mais a estar só no livro da escola. Eles estão indo em museus e eles estão indo em um monte de lugar. Onde eles vão e vêm a ferramenta, comentam com as pessoas: “Ah, a gente faz isso lá, a gente faz isso, tal e coisa assim.” Então, é super interessante você ver esse retorno, deles estarem dizendo, deles estarem fazendo e falando o que acontece, entendeu?

 

P/1- Não, você disse assim eles vão no museu e vêem o computador lá também. 

 

R- Sim.

 

P/1- Não é o museu através da internet, não, né, que você está dizendo?

 

R- Não, porque eles ainda não tiveram acesso à internet. Eles vão ter agora, entendeu? Que, por exemplo, porque tudo o que a gente faz a gente tem um resgate quando retorna, para qualquer passeio. Então, daí eles vão para o computador, eles fazem o texto deles de onde eles foram, como é que foi, entendeu? Então existe todo um trabalho coligado. Não só dentro do projeto, com outras coisas paralelas que também acontecem nas atividades. E para eles, até então, quando eles chegavam nos lugares, eles viam o computador, mas eles não sabiam o que que era. Então, agora, eles vã e eles sabem. Eles sabem dizer, as pessoas ficam interessadas, têm prazer em falar: Eu mexo com isso, eu sei fazer isso, eu entro no Power Point, eu entro, tal e eu faço.” Entendeu? É uma nova visão, você percebe que, volto a dizer para você, que a sede deles é muito grande. Que às vezes a gente até se sente impotente mediante o que eles apresentam, sabe?

 

P/1- A vontade, né, de aprender coisas.

 

R- E a gente tem, praticamente, para cada turma 1 hora e meia dia, 3 horas semanais. Não é suficiente.

 

P/1- São 3 horas semanais para cada pessoa?

 

R- Bastante.

 

P/2- Você poderia citar outros casos de atividades da própria ASA que vocês incorporam na atividade da EIC?

 

R- É. foi essa.

 

P/2- ______ do museu...

 

R- Isso, a festa junina...

 

P/2- A festa junina.

 

R- ... que foi incorporada. Na parte esportiva, toda a montagem do campeonato, do regulamento, de regras, de ficha de inscrição e tudo foi elaborado por eles. A gente procura ter uma inter-relação de áreas, né? Interdisciplinaridade.

 

P/2- Vocês já pensam, têm já em vista algum projeto com a internet, para trabalhar com internet ou isso está sendo elaborado ainda?

 

R- Está, está sendo pensado ainda. Como é uma coisa mais recente é uma coisa a gente tem que ver como vai aplicar, principalmente para esses que ainda não sabem ler e escrever direito, que estão se aprimorando, né? É uma coisa assim, que tem que ser pensada e  como que vai se aplicar.

 

P/2- E em relação à gestão, assim, onde vocês vão, vocês precisam buscar outros financiamentos e como funciona isso daí? 

 

R- Captação de recursos você está falando?

 

P/2- Captação de recursos, é.

 

R- A captação de recursos, praticamente para EIC quem faz sou eu. Que daí eu vou atrás das pessoas, eu vejo qual é a disponibilidade que ela tem. Às vezes tem pessoas que nos... De maneira nenhuma pode entrar nada em espécie, em dinheiro. Então, as pessoas colaboram com serviços. Quais são? Por exemplo, que nem nesse caso, esse que doou a internet e  doou o cabeamento. Tem outros, que por exemplo, vêm com disquetes, outro vem com papéis e outro vem cartucho. Então, são esses recursos que a gente vai atrás? Outros nos trouxeram softwares infantis. Então, você vai estar aplicando esses recursos e nada em espécie.

 

P/1- Uma outra questão que eu queria perguntar, você falou, assim, sobre contato com as outras EICs, né? Há uma política de integrar as EICs, assim de ter e estabelecer?

 

R- Ah sim, tem porque agora temos os encontros regionais, né? No qual todas as EICs têm possibilidade de se encontrar por região, e tem os representantes que foram tirados por região, também. Então, a gente consegue ter contato com todo mundo. Então, tem como você trocar várias experiências e com vário, porque não segue só um ramo, como vocês sabem, tem infância, tem idosos, tem ex-presidiários, tem várias coisas. A Febem [Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor] no caso. Então, são vários ramos diferentes trabalhando com a mesma inclusão. Então, você tem muitas possibilidades de troca de idéias e de experiências 

 

P/1- Já surgiu algum projeto entre EICs, por exemplo?

 

R- Olha, até o momento, ainda não. Mas, pelo que a gente está vendo, principalmente na reunião de coordenadores, está caminhando para isso. A gente percebe que é uma intenção futura, tá?

 

P/2- E vocês trabalham também com idosos, na ASA... não na sua.

 

R- Não na minha. Mas... Não essa experiência que possa te comprovar, por não estar na minha unidade.

 

P/1- Você queria acrescentar alguma coisa, algo que nós não perguntamos que você gostaria de falar.

 

R- Olha. 

 

P/3- Tua experiência, sei lá, você tem muitas e muitas histórias para contar para gente.

 

R- Bastante.

 

P/3- E dessa parceria com o CDI, nesse projeto com o CDI, teria alguma muito específica, assim, de um sucesso de alguém que esteve lá, ou algum fato muito engraçado, ou algum fato muito curioso ou um fato que te tocou muito. 

 

R- Tenho.

 

P/3- Que sirva de exemplo, que pudesse contar para gente.

 

R- Tenho, sim. Inclusive a própria coordenadora do CDI, que foi visitar, ficou muito admirada. Eu tenho um menino de 14 anos que chama-se Rodrigo Manuel. E ele, assim sofre um preconceito muito grande, porque ele é gordinho. Então, todo lugar que ele ia, ele tinha muita dificuldade, porque: “O gordo, o gordo, o gordo não cabe na cadeira, e o gordo.” Aquela tiração de sarro e então a gente teve que fazer todo um trabalho com ele. E quando a gente estava fazendo o resgate da cidadania com eles, dessa inclusão, eles criaram uma história de como seria a vida deles e como que eles estariam dentro dessa estrutura. E ele criou a Bolinholândia é  que o apelido dele é Bolinha. E essa história da Bolinholândia, a hora que vocês tiverem o prazer de nos visitar, é maravilhosa! Ele colocou tudo o que ele sentia ali. Ele teve oportunidade de se expressar, de colocar o quanto ele sofria de ser chamado de Bolinha e  o quanto isso o magoava. Mas mesmo assim, ele conseguiu dentro dessa Bolinholândia e fazer o reconhecimento de como foi importante ele ter o poder de  estar criando isso. O que seria de bom de transformação dentro dessa cidade dele,  o quê precisava mudar e o quê precisava parar. Que existe toda uma..., por trás dessas histórias, uma vida de violência doméstica, de alcoolismo e de... de muitas coisas, né? Então, para ele, foi assim, vamos dizer assim, uma válvula de escape e foi de uma maneira que surpreendeu, assim, a todos. Qualquer pessoa que chega e vê. Inclusive a criatividade que ele teve de ilustrar isso. Então, ele não teve vergonha de se expor. Através da Bolinholândia ele mostrou quem é o Rodrigo Manuel. Então, isso marcou muito para mim. 

 

P/1- E ele fez no computador?

 

R- No computador. E ele é um menino, que agora a gente tem intercâmbio com outros Espaços Gente Jovem próximos, ele ficou responsável pela sala de informática para estar apresentando paras outras pessoas que vêm visitar, ele que coordenada, determina, então, sabe, foi uma coisa assim... E é uma coisa que a mãe dele veio nos falar, é uma coisa que até me emociona estar falando dele porque é uma coisa, assim, que a gente conseguiu trazer ele para gente, entendeu? Ter esse respeito, ele se valorizar. Agora ele fala: “Eu sou o Rodrigo Manuel, tenho minha Bolinholândia, mas eu consigo entrar em qualquer lugar.” Muito bom. 

 

P/2- Ele está com quantos anos? 

 

P/3- Qual a idade dele?

 

R- 14.

 

P/2- 14?

 

R- 14. Ele fez 14, agora. Infelizmente, ano que vem ele já sai, já não está mais com a gente, mas vai continuar tendo essa experiência. Então, são coisas assim que você começa a ver, que através disso, talvez numa conversa a gente conseguisse, até, tirar alguma coisa. Mas, não da maneira como ele se expressou, como foi colocado. Você... só vocês lendo a história para vocês entenderem.

 

P/1- E o livrinho ficou na entidade para leitura de todo mundo?

 

R- De todo mundo. 

 

P/1- Fica circulando.

 

R- É, foi montado. Tanto, na oportunidade era a Rosa que era a coordenadora do CDI que nos visitou e ela ficou encantada. Porque todo mundo lá falava da Bolinholâdia. Isso é uma coisa que foi muito forte

 

P/2- Acho que a gente pode encaminhar, né? Qual é a importância que você vê nesta iniciativa do CDI de estar registrando a experiência de vocês, né, você acha...

 

R- Eu acho muito importante, porque nem sempre todo trabalho que você faz é reconhecido no sentido de que ele está surtindo efeito. Não pela valorização de você enquanto pessoa e enquanto criadora de projeto, mas sim o efeito que ele está tendo para as pessoas que o freqüenta e eu estou vendo isso naquelas crianças. Então, eu acho que isso é muito importante. Eles querem saber como é que se passa, acompanhar, estar junto com a gente nessa proposta de trabalho e andar lado a lado. Não é simplesmente: “Eu te formei,tá aqui a vara  e vá pescar.” Eles estão sempre junto com a gente e  nos aprimorando, entendeu? Estar ensinando, realmente o como encaminhar para essa pescaria, não é só dar o peixe e pronto, entendeu? Não é um resultado imediato de forma alguma, é uma coisa a passo de formiga e é a longo prazo, mesmo. Você mexer com seres humanos é uma coisa difícil, cada tem o seu potencial e cada um tem a sua maneira de ver as coisas. E o que é muito bom no CDI é que eles têm uma filosofia de trabalho, assim, que respeita isso. Isso valoriza muito o trabalho que a gente realiza junto com essas pessoas. Então, o incentivo que eles nos dão nos leva à gente querer fazer um trabalho cada dia melhor e aprimorar isso para poder estar atingindo essas crianças de maneira mais ampla. 

 

P/2- Você teria algum projeto em vista e alguma perspectiva de futuro? 

 

R- Olha, são vários, né?

 

P/2- Além de expandir o projeto. ________

 

R- Além de expandir... Isso. Além de expandir para associação dos ex-alunos, que já é um trabalho futuro da gente e já é uma proposta. A gente está pensando, porque a gente tem um trabalho com música e  então a gente está pensando em trabalhar com a partitura informatizada.

 

P/2- Quais trabalhos de música vocês desenvolvem?

 

R- De música? A gente tem o coral, tem um grupo de crianças que trabalham com flauta doce e violão. Então, a partir daí a gente está pensando em estar trabalhando a partitura digitalizada com eles. Então, o meu monitor já está fazendo uma faculdade de música. Por isso que eu falei para vocês que eles cresceram muito e se desenvolveram, né? E agora a gente vai estar fazendo essa parte com as crianças também. É um projeto futuro.

 

P/1- Eu esqueci de perguntar uma coisa, vocês conseguem envolver todos os jovens na EIC ou fica algum fora? 

 

R- Não, eu consigo, dentro dessas 12 turmas que eu te falei, eu consigo atender a todos.

 

P/1- A todos.

 

R- É, foi a maneira dentro do horário que a gente conseguiu conciliar para que todos fossem atendidos e não ficassem  de fora. Porque a princípio eu não tinha condições, porque a gente não estava sabendo como é que ia trabalhar com essas crianças não alfabetizadas. Daí, a partir dessa proposta de trabalho que a gente começou a pensar, a gente começou  a trabalhar com softwares infantis. E foi até uma capacitação que a gente passou no CDI para as outras pessoas, que eles tinham a mesma dificuldade que a gente estava tendo. Daí, a gente incluiu a todos 

 

P/2- Teria alguma colocação você queria fazer no final?

 

R- Olha, eu acho assim, que para mim, foi um ganho muito grande ter conhecido o CDI e poder estar participando desse processo que eles estão fazendo, porque veio de encontro ao meu trabalho e à perspectiva de vida e também ao trabalho que eu já realizo. E com isso eu estou crescendo, a minha equipe de trabalho também e as crianças no qual a gente atende também. Então, a gente tem uma perspectiva além daquele espaço. Além daquela comunidade, que realmente a gente está plantando uma sementinha para o futuro dessas pessoas, tá?

 

P/2- Queremos agradecer em nome do Instituto Museu da Pessoa e do CDI, agradecemos o seu depoimento.

 

R- Eu que me sinto lisonjeada de vocês terem me escolhido, de eu ter a oportunidade de vir apresentar esse trabalho que a gente realiza e essa valorização. Muito obrigada.

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