Busca avançada



Criar

História

É o trabalhador que não deixa a peteca cair

História de: Lilian
Autor: Lilian
Publicado em: 06/06/2021

Sinopse

Infância no interior. Trabalho rural infantil. Trabalho na indústria quando jovem. Repressão na Ditadura Militar ao servir e trabalhar na indústria e por atuar como sindicalista. Dirigiu partidos e sindicatos em prol de melhores condições de trabalho.

Tags

História completa

P/2 – Bom tarde! Eu gostaria que o senhor falasse primeiro para a gente o seu nome, local e data de nascimento.

R – O meu nome é Ismael Benedito de Souza. Eu nasci na Fazenda Santa Cláudia, em Santo Antônio da Posse, Estado de São Paulo.

P/2 – Quando?

R – 18 de abril de 1946.

P/2 – Qual o nome dos seus pais e dos seus avós?

R – Meu pai chamava José de Souza e minha chamava Aparecida Patruzzi do Souza. Meus avós paternos são Francisco e Maria Pereira de Souza e meus avós maternos são Dante Patruzzi e Júlia Mantuani Patruzzi.

P/1 – A origem da família é italiana?

R – Italiana por parte de mãe, né?

P/1 – Sabe quando veio?

R – Meu avô veio da Itália com 13 anos. Não lembro o ano.

P/1 – Mas consegue saber a origem na Itália?

R – Meu avô era toscano e minha avó é napolitana.

P/2 – E a atividade profissional dos seus pais? R – Meu pai era agricultor.

P/2 – E sua mãe?

R – Minha mãe era do lar, nunca trabalhou fora de casa.

P/2 – E os seus avós?

R– Meus avós também eram todos agricultores, tanto maternos quanto paternos.

P/2 – E o senhor tem irmãos?

R – Nós somos uma família de 13 irmãos.

P/1 – Treze? R – Treze irmãos. Sete mulheres, seis homens e três mortos. Eram 16.

P/1 – Imagina. R – Três homens morreram.

P/2 – O Senhor pode falar como era rua em que o senhor morava e o bairro?

R – Eu morei na Fazenda até a idade de mais ou menos, 12, 13 anos. Depois é que eu fui morar no ABC paulista, em Santo André. Na época, quando eu tinha essa idade – 12 anos – era uma cidade que ainda tinha uns 200 mil habitantes. Hoje já está beirando um milhão, Santo André. Era uma rua bastante sossegada, sem saída. Chamava-se Travessa Suzana. Ali eu vivi dos 13 anos até os 17 anos, nessa mesma rua. Depois eu fui fazer o serviço militar na escola de cadetes de Campinas. Fiquei um ano e pouco lá. Depois, retornei para Santo André novamente, mas já em outro bairro, o bairro Parque das Nações, na Rua Gentil.

P/2 – Mas de início, quando o Senhor morava na Fazenda, como era?

R – Era uma fazenda que a produção era baseada no café, algodão, milho, de subsistência, né? Mas o forte era o café, a produção de café.

P/2 – E mesmo criança, o Senhor trabalhava?

R – Trabalha. Comecei trabalhar muito cedo. Com sete anos.

P/2 – Mas brincava também.

R – Brincava. Na fazenda a gente brincava muito.

P/2 – E como eram as brincadeiras?

R – As brincadeiras da fazenda giravam em torno de caçar passarinho – que hoje não pode mais – andar a cavalo, com animais, cuidar de criação, né, eram as brincadeiras. E futebol, né, futebol também sempre tinha. A gente conseguia uma bola lá e a gente jogava futebol também.

P/1 – E a brincadeira era com os irmãos todos? Como era?

R – É, participavam os irmãos, a vizinhança, tudo. Era uma fmília muito grande. Tinha mais ou menos 50 famílias na fazenda.

P/1 – E o trabalho? O que você lembra?

R – Na época, a agricultura não era mecanizada, era quase tudo feito no braço mesmo e com animal, com burro, cavalo, que usavam tanto para tração como para montaria. E girava em torno disso daí: plantar, esperar crescer, cuidar e depois colher. Era essa rotina de trabalho.

P/1 – Os irmãos todos participavam, todo mundo ajudava?

R – Todos participavam.

P/1 – Você achava muito duro ou não?

R – Era um serviço duro. Era um serviço difícil, duro. Usava mesmo a força física, não haviam meios mais avançados como tem hoje em dia. Não era nada mecanizado.

P/2 – O senhor pode falar como era a casa que o senhor morava, o seu cotidiano e sua relação com os seus pais?

R – A casa em que eu morava ainda existe até hoje. Eu moro perto e de vez em quando, eu vou lá. Então, ela existe até hoje e era uma casa grande, tinha mais ou menos uns oito cômodos, fogão a lenha, não tinha energia elétrica, a iluminação lá era na base de lampião e querosene. O bom de ser criado assim, numa fazenda é que você tem uma liberdade que na cidade você não tem. Você andava muito, todo mundo conhecia quem era quem. Foi uma infância difícil porque a gente trabalha para sobreviver mas, ao mesmo tempo, era muito boa por causa dessa liberdade que a gente tinha. Estudávamos na escola rural da própria fazenda, porque tinha escola rural. Até a terceira série era a escola rural, depois, na quarta série, já ia para escola na cidade que ficava a seis quilômetros da fazenda.

P/1 – Quem mandava mais, o pai ou a mãe?

R – O pai. Meu pai era muito durão e continua ainda porque ele é vivo, né? Ele é que, vamos dizer, coordenava tudo. A minha mãe, a coisa de 60 anos quase – eu estou com 58 anos – você imagina como era a vida da mulher. Era muito submissa, né, ao homem, muito mais do que é hoje, muito mais.

P/2 – E o senhor teve uma educação mais religiosa ou mais política?

R – Quando criança, até uma certa idade, a gente tinha uma educação religiosa. Mas como eu tive uma fase da minha vida que eu vivi com a minha avó e o meu avô - de uns três anos até os sete anos - eu vivi com eles, depois é que eu voltei para a fazenda. Então, na verdade, eu nunca fui muito apegado a religião. E política sim, com meu pai. Meu pai, embora fosse um agricultor, ele tinha contato político, né, tanto com as cooperativas da época, com o Sindicato Rural dos Trabalhadores como com o partido político da época.

P/1 – Qual era o partido?

R – PTB.

P/1 – PTB?

R – É, PTB, já na época.

P/1 – E desse período que o senhor viveu com os seus avós, o que o senhor lembra?

R – Eu tenho muita saudade daquele tempo. Era muito bom, sabe, viver com a minha avó.

P/1 – O que o senhor gostava? Qual a lembrança boa que o senhor tem?

R – Veja bem, a minha mãe tinha uma quantia de filhos muito grande, então não era possível ela dar atenção para todos. Embora eu seja o quarto filho, mas na minha casa, a diferença de um filho para o outro é um ano, um ano e meio.

P/1 – Uma escadinha?

R – É, no máximo 22 meses, que o meu irmão mais velho do que eu é 22 meses mais velho do que eu. O resto, todos eles, a diferença é de um ano. E tem até uma coincidência que quando um fez um ano, o outro nasceu. Inclusive eu é que levei minha mãe para maternidade aquela vez que meu pai estava viajando.

P/1 – Com quantos anos?

R – Naquela época, eu acho que eu tinha dez ou 11 anos.

P/2 – Mas aí, dos seus avós, qual é a lembrança boa?

R – Quando eu fiquei morando com a minha avó, como só tinha eu de neto morando com ela, ela dava mais atenção, né? Os meus tios e minhas tias também davam mais atenção. Então, era um pouquinho, vamos dizer assim, protegido e tudo. Eu tenho essa lembrança. E era uma vida mais confortável também que a própria fazenda. Eu gostava muito da minha avó. Ela morreu com 86 anos. Já faz 14 anos que ela morreu, 14 não, 17 anos que ela morreu. Eu senti muito porque foi uma perda muito grande para mim, né? Foi justamente numa época que eu estava passando uma fase difícil na minha vida. Então, eu sinto muita saudade dela até hoje.

P/1 – Era meio aquela mãe que mimava, né?

R – É, me mimava demais. Ficou isso na minha memória. Eu lembro muito bem disso.

P/1 – E só para perguntar um pouco mais desse lado de vida na fazenda, tem lembrança de pão feito casa, de cheiro de bolo, de comida de fazenda?

R – Tinha. Minha mãe fazia bolo, fazia pão, tudo caseiro, feito no forno de lenha. Tudo isso aí, ela mesma que fazia. Inclusive, quase tudo que a gente consumia era de lá mesmo, galinha, porco, leite de vaca. Você estava falando de leite de vaca, meu pai sempre tinha, duas ou três vacas com leite. Então, a gente tinha uma alimentação boa. Era muito boa, além de ser um produto natural porque não existia esse adubo químico, essas coisas, a gente não usava. Nós só usávamos o adubo orgânico, então a comida era muito saudável.

P/2 – Voltando à questão da política, como eram as conversas com o pai do senhor sobre o PTB, sobre política?

R – O meu pai, ele quase não passava a experiência dele, ele não era de dialogar conosco. Ele levava a gente junto e a gente ia ouvindo as conversas.

P/2 – Ele levava nas reuniões de partido?

R – Nas reuniões, nas eleições nos comícios. Então, a gente acabou pegando alguma coisa desde criança.

P/2 – Pegando alguma ciosa? O quê?

R – De política, né, tendo algum idealismo. A gente já tinha um idealismo desde pequeno. Eu lembro muito bem que eu não me conformava com certas coisas que a gente via lá, na época de criança.

P/2 - Como o quê?

R – A gente não se conformava que a gente tinha que trabalhar e pagar uma parte para o dono da terra. Então, o dono da terra só entrava com a terra e a gente trabalhava. Chegava no fim, você tinha que pagar uma parte para ele, né? E a gente via que as pessoas que tinham terras, viviam bem melhor do que nós. Aquilo já me causava um pouco de, não era bem uma revolta, mas era uma mágoa de ver as pessoas que trabalhavam como a gente ou, às vezes, até não trabalhavam quando pequenos – como a gente trabalhava – mas que tinham a vida bem mais confortável do que a nossa. Isso já criou em mim essa coisa, de que isso tem que mudar.

P/1 – Você consegue situar que época, quantos anos mais ou menos, você tinha quando se deu conta disso?

R – Eu comecei sentindo que alguma coisa estava errada e que tinha que mudar, desde quando eu tinha sete, oito anos, né?

P/1 – Quando você começou a trabalhar?

R – Quando eu comecei a trabalhar e frequentar a escola. Até então, não. Mas depois que comecei a frequentar escola, eu via porque na escola rural tinha os filhos de fazendeiros estudavam lá, filhos de pequenos sitiantes, né, que levavam uma vida diferente. A gente não tinha consciência daquilo, mas a gente sentia na pele e acabava até percebendo essas coisas. Agora, depois dos 14 anos é que já comecei a sentir que a gente tinha que fazer alguma coisa. Aí, comecei a trabalhar em fábrica, já em São Paulo – eu fui para lá com 14 anos e pouco – e comecei a me conscientizar que tinha que mudar. Na época, em 1961, 1962 –uma época bastante agitada em São Paulo, principalmente nas indústrias –, a gente já começou a ouvir os dirigentes da época falar e prestando atenção e seguindo aquela orientação que davam na época.

P/1 – Só para não adiantar um pouquinho, fala um pouco mais dessa sua escola rural. Que lembranças você tem dela? Como é que era a escola?

R – Era um regime bastante rígido. Naquela época, ainda era comum bater nas crianças. A professora puxava a orelha, batia com a régua, né, puxava o cabelo. A gente tinha ser muito obediente. Eu não sei porquê, eu era sempre uma das maiores vítimas. Acho que era porque eu não gostava muito de ser muito repreendido.

P/1 – Mas era vítima dos castigos?

R – É, a maioria das vezes, era eu que acabava pagando até pelo que eu não fazia. Mas, na maioria das vezes, eu é que fazia mesmo. Eu era um pouco terrível. Era uma escola mista.

P/1 – Seus irmãos estudavam também?

R – Estudavam meu irmão mais velho, minha irmã mais velha. Depois, tinha os outros dois mais novos. Era uma escola mista e que tinha uma professora só para dar aula da primeira até a terceira série.

P/1 – Mas eram séries separadas.

R – Não, tudo numa sala só e era feito tudo no quadro negro e a gente é que tinha que copiar. O livro, só existia um livro na época, né, era uma cartilhazinha, o restante a gente tinha que copiar tudo no manual. E não existia esferográfica. Era uma canetinha, não sei se vocês conhecem, aquela que molhava no tinteirozinho e saía escrevendo, e o lápis que a gente usa mesmo até hoje.

P/1 – A escola era perto de onde o senhor morava?

R – Era perto da minha casa, era pertinho. Mais ou menos, uns três quilômetros de casa.

P/2 – Eram muitas crianças?

R – É, geralmente, tinha um pessoal que ia de manhã e um pessoal que ia à tarde, na mesma escola. Então, deveria ter, na época, uns 30 ou 40 alunos de manhã e à tarde, a mesma quantia de alunos, porque, além dos alunos da própria fazenda que estudavam lá, tinha os de outras fazendas que moravam ali perto, dos sitiantes que vinham para lá também.

P/1 – Aí, o senhor ia na escola de manhã e trabalhava de tarde ou vice-versa?

R – Não. A gente estudava de manhã e trabalha a tarde. Era das sete da manhã até 11 horas, na escola, depois, ia para casa, almoçava e ia trabalhar depois do meio-dia.

P/1 – Trabalhava até que horas?

R – Cinco horas, seis horas. Dependia do dia, do que tinha que fazer, aí, trabalhava até mais tarde. Só descansava no domingo. Sábado, trabalhava também.

P/1 – Trabalhava também?

R – Trabalhava também no sábado.

P/1 – Mas, aí, não tinha escola, era só trabalho.

R – Aí, não tinha. Já ia de manhã bem cedo. Quando eram seis horas da manhã, a gente já estava indo. Acho que é por isso que eu não gosto de levantar cedo, porque eu nunca gostei de levantar cedo. Acho que é desde esse tempo aí [risos].

P/1 – Teve muita obrigação, não é?

R – É.

P/2 – E no domingo fazia o quê?

R – No domingo, a gente assistia futebol. Tinha um time de futebol lá, eu jogava futebol com outras crianças, pegava um cavalo e ia passear, e fazia arte, né, como toda criança fazia. Às vezes, saía de manhã e voltava só de tarde, nem ia para casa comer. Comia aquelas frutas que tinham na fazenda, manga, laranja, jambo, jambolão – não sei se vocês conhecem esse tipo de coisa que lá na fazenda tinha muito – jabuticaba.

P/1 – Delícia!

R – Então, era uma vida difícil mas, ao mesmo tempo, era muito boa porque a gente tinha essa liberdade, não tinha problema de atropelamento que se tem hoje, ser eletrocutado soltando pipa, não tinha nada disso. O único perigo que a gente corria era ser picado por algum animal peçonhento, cair de uma árvore ou se afogar no rio.

P/1 – Tinha banho de rio também?

R – Tinha. A gente morava na fazenda e passava um rio bem próximo. A gente vivia no rio pescando, nadando. Era uma vida assim, muito agitada para a época [risos]. Para a época, era agitada.

P/1 – Era sim.

P/2 – E em Santo André? O senhor passou mais a sua adolescência, a sua juventude em Santo André, certo? Como eram as suas amizades?

R – A gente morava num bairro que era estritamente de operário, né? Então, naquela rua, naquele bairro, todos ali eram operários ou pequenos comerciantes. A gente tinha muito contato com essas pessoas e ia ao cinema, nos parques de diversões –que existiam muitos lá– circo , que hoje em dia não tem mais, mas existiam muitos. A gente trabalhava e estudava a noite. Foi quando eu fiz o curso técnico. Então, eu trabalhava das sete da manhã até às cinco horas da tarde. Não ia nem para casa, ia já direto para a escola.

P/2 – Isso com que idade?

R – Dos 16 anos até os 26 anos. Eu nunca parei de estudar.

P/1 – E o curso técnico teve alguma especialidade?

R – Me formei em Mecânica Geral. Fiz um curso de Mecânica Geral, depois de Técnica em Controle de Qualidade e, depois, já na Petrobras, fiz o curso Técnico de Segurança.

P/1 – Esse curso técnico, o senhor se lembra o nome do colégio, da escola?

R – Era o Colégio Engetec Oito de Abril. Não sei se existe até hoje. Mas era uma escola muito boa de ensino profissional.

P/1 – O senhor conseguiu trabalhar estudando também?

R – É, consegui trabalhar e estudar ao mesmo tempo.

P/1 – Trabalhava onde?

R – Nessa época, eu trabalhei em diversas indústrias. Eu comecei a trabalhar com 14, quase 15 anos na Indústria Metalúrgica Lorenzetti, uma fábrica de chuveiros, bombas hidráulicas e, depois, nesse intervalo, eu fiz o serviço militar – um ano e pouco também. Quando eu voltei, eu trabalhei na General Eletric, trabalhei no Moinho São Jorge, trabalhei na Ford. Na Ford, eu trabalhei um bom tempo lá.

P/1 – Conta um pouquinho mais da sua juventude, como era, qual era a música que vocês gostavam?

R – Na época, estava surgindo a Jovem Guarda; no tempo de Celi Campelo, Sérgio Murilo, Toni Campelo, Carlos Gonzaga. Carlos Gonzaga? Aquele que fez aquela música “Diana”. Acho que esse o nome mesmo. Depois é que veio Erasmo Carlos, Roberto Carlos. Esse pessoal que eu falei é um pouco antes. Então, a gente curtia esse tipo de música, né, da Jovem Guarda, samba, algum samba. Aquele samba da época é mais aquele samba-canção, né, aí, a Bossa Nova que veio também mas era pouco difundida na época.

P/1 – Tinha baile? Tinha algum baile que o Senhor gostava?

R – Tinha. No bairro lá, tinha muitos clubezinhos pequenos que tinham baile todo fim de semana, no sábado ou no domingo. Eles falavam a “Domingueira dançante”, né? Então, a nossa diversão era essa e jogar futebol também. Quase todo jovem, na época, jogava em algum time de futebol da Várzea, onde tinha muito time na época. Hoje em dia, quase não tem mais. Mas era uma época muito boa também, muito boa. A gente aprendeu bastante. A única coisa que foi ruim nessa época foi a repressão, né, a ditadura que veio. Eu comecei a sentir a ditadura assim que ela surgiu, em 1964.

P/2 – Como você sentiu a ditadura?

R – Quando a ditadura foi implantada, em março de 1964, eu morava em São Paulo, mas meu pai morava em Campinas, onde é hoje a Unicamp [Universidade Estadual de Campinas] – meu pai arrendava algumas terras ali – e ele também era diretor do Sindicato Rural. Então, empastelaram o Sindicato, prenderam o advogado, que era o _______ de Azevedo, um senhor de descendência afro-brasileira e meu pai acabou mudando de lá e vindo para São Paulo. Aí, isso já pegou a gente, né, acabou pegando a minha família toda. Isso aconteceu em março de 1964 e quando foi em novembro de 1964, eu fui incorporado ao serviço militar. Ali é que a gente sentia mesmo. Como eu já me identificava, o meu pai e alguns parentes, como um homem já de esquerda, naquela época era o Partidão, né, o famoso Partidão.

P/1 – Mas o seu pai era do Partidão?

R – Chegou a ser. Nessa época ele estava no Partidão. E, quando eu fui fazer Serviço Militar, eu ainda fui fazer numa unidade que era de elite, a gente sentia aquelas instruções, aquele palavreado do pessoal dizendo que “comunista não era gente”. Isso aí me marcou muito.

P/1 – Como é foi você ser de esquerda e cair num ambiente desses?

R – Era difícil, né, era um terror, a gente não podia fazer nada.

P/1 – Não dava nem para argumentar?

R – Não, de jeito nenhum. Não podia nem abrir a boca. Na unidade, na Guarnição de Campinas, que até hoje ainda é uma guarnição muito grande, houve uma devassa nos quartéis lá em que foram presos – eu não lembro bem – quase 40 sargentos e cabos, foram presos, destituídos do cargo. Então, eu passei por isso.

P/1 – Isso, durante o tempo que você estava servindo?

R – O tempo que eu servi, de janeiro de 1965 até junho de 1966. Eu fiquei lá um ano e meio.

P/1 – Fazendo aquele serviço militar obrigatório?

R – Obrigatório. Eu servi na Escola Preparatória de Oficiais, então, tinham os alunos que eram filhos de militar ou é sobrinho ou é alguma coisa de militar, pessoas da elite.

P/1 – E como é que você chegou lá? R – Mas eu não era aluno, eu era soldado. P/1 – Ah, tá.

R – Então, tinham os alunos e tinham os soldados. Tinha o corpo de alunos e o corpo de soldados, né, que eram do serviço obrigatório. Na época, tinham 360 alunos e 240 soldados temporários.

P/1 – E tinha algum tipo de truculência com os soldados por parte desses oficiais?

R – Tinha. A truculência lá era terrível. Você era tratado como é um animal qualquer. Era muito difícil. Hoje em dia já é diferente, mas na época, era difícil. O castigo físico, eles nunca usavam, mas usavam outros meios que eram psicológicos ou então a restrição da liberdade. Qualquer coisa você não podia sair.

P/1 – Ficava preso o fim de semana?

R – Ficava preso o fim de semana, ficava de castigo, fazia limpeza ou qualquer trabalho. Era desse jeito.Ainda existe isso hoje, mas é bem menor a escala.

P/1 – Aí, você estava com uns 18 anos, né?

R – 18 anos.

P/1 – Você saiu de lá, mas nesse tempo, dava para ter uma vida nos fins de semana como um outro jovem qualquer, paquerar? Dava para sair?

R – Dava para sair, mas era muito pouco, mesmo porque eu estava longe da família, né, e até financeiramente não dava para a gente fazer muita coisa. Mas a gente saía, a gente ia para outra cidade. Na época eu morei ali nas proximidades e tinha parentes que moravam ali também, até na época tinha uma tia, irmã de meu pai, que morava em Campinas e eu ia sempre na casa dela. Toda semana eu ia lá; às vezes durante a semana, uma, duas vezes porque era perto de casa. Mas, aí, meu tio faleceu com 37 anos, deixou sete filhos e mais um na barriga da minha tia. Então, também foi uma coisa que me marcou muito, a morte desse meu tio. Uma, que ele para mim era um herói porque ele foi um bom jogador de futebol e a gente gostava muito dele.

P/1 – Jogador profissional?

R – É, chegou a ser profissional.

P/1 – É? De que time?

R – Do Guarani, de Campinas. Ele era goleiro. Então, também me marcou essa morte dele, mesmo porque, a tarde, eu estive no hospital com ele e ele me pediu para que eu dormisse lá, mas como eu estava de serviço, não pude dormir e ele morreu naquela noite. Chamava Romeu Picolotto.

P/ 1 – E, aí, o Senhor saiu...

R – Saí, dei baixa em junho de 1966 e voltei para Santo André, com a minha família. Aí que eu comecei a trabalhar nas indústrias de lá.

P/1 – Aí que o senhor foi trabalhar na Ford?

R – Fui trabalhar na Ford, na General Eletric, no Moinho São Jorge. E, aí, na escola ou na fábrica que começou – mesmo a repressão na época sendo forte – uma boa porcentagem dos funcionários e das escolas profissionais já sentindo. Estava bastante forte nessa época, mas começou mesmo em 1968, depois do AI-5 [Ato Institucional número cinco]. Até então, sentia-se a repressão, mas não era tanto. Depois essa época, em 1968, foi muito forte mesmo.

P/1 – Só para recuperar um pouco. O seu primeiro emprego formal mesmo, o senhor marca como o quê?

R – Foi na Lorenzetti.

P/1 – Na Lorenzetti, antes de servir.

R – Antes de servir.

P/1 – Depois, saiu e foi para a Ford?

R – Eu saí da Lorenzetti e fui trabalhar numa fábrica de móveis, em uma indústria de porcelana. Depois é que eu fui fazer o serviço militar. E voltei a trabalhar na indústria metalúrgica, novamente. Depois é que eu entrei na Ford, em 1967 ou 1968, né, que eu falei para você.

P/1 – E, aí, como é que o senhor sentia esse lado político? Nos locais de trabalho tinha uma movimentação mais política, vocês conversavam? Dava para conversar?

R – Dava para conversar alguma coisa. Dava sim. Uma coisa que marcou muito depois do AI-5, não, foi antes do AI-5, estourou uma greve muito grande lá na região de Osasco, numa fábrica de vagão e numa fábrica de cimento. E eu trabalhava na Ford do Ipiranga, mas como a Ford tinha uma fundição de motores lá em Osasco, justamente naquela época, eu estava trabalhando lá. Eu peguei aquela movimentação, aquela repressão. Foi terrível aquela vez lá em Osasco. Foi muito grande. Foram presos os dirigentes sindicais dos setores da fábrica, aqueles que tinham algum contato com direção sindical ou com algum partido também foram presos. Eu lembro na época dessa greve aí, foi uma greve pequena, durou poucos dias; foi grande no seu movimento, mas pequena na duração. O presidente do Sindicato era o José Ibrahim, que era um garoto, tinha 20 anos.

P/1 – Esse era de qual sindicato?

R – Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco.

P/1 – E o Senhor já estava filiado a algum Sindicato?

R – Não. Eu era filiado ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, como fui filiado ao dos Metalúrgicos de Santo André, quando eu trabalhava na General Electric.

P/1 – Durante esse período, o seu pai...você conversava com ele?

R – Não. O meu pai se desiludiu com a política naquela época e não mexeu mais com política.

P/1 – Não quis mais saber?

R – Não. Abandonou tudo, não quis mais saber, se retraiu, nunca mais...

P/1 – Seus irmãos também participavam de alguma forma?

R – Tem dois irmãos que começaram a participar bem depois de mim porque eles eram bem mais novos, um era quase 20 anos mais novo do que eu e o outro mais ou menos dez anos mais novo. Então, na época, eles não participavam ainda. Mas depois, sim, já no começo da década de 1980, eles já participavam também.

P/2 – E, nesse período em que o senhor trabalhava na fábrica, era na sua juventude.

R – Era na minha juventude.

P/2 – E não sobrava tempo para namorar?

R – Sobrava sim. A gente tinha as namoradas da época, né?

P/1 – Como é que era o namoro nessa época?

R – Era bastante...não me vem o termo agora, mas era aquele namorinho, né, de casa, ia para o cinema, às vezes tinha que levar alguém junto, não podia ir sozinho com a namorada e tinha horário de chegar. Quando passava do horário, o pai da moça chamava a atenção da gente. Mas tinha sim.

P/1 – E quando saía com a moça, ia aonde?

R – Geralmente, a gente ia para o cinema, parque de diversão, essas coisas assim, ou algum bailinho, a gente ia também.

P/2 – E como foi o seu primeiro namoro?

R – Eu fiquei morando, numa época, em São Paulo e meu pai ainda morava na fazenda, então, eu vinha sempre para a fazenda. Ficava lá o fim de semana e voltava. Eu deveria ter uns 15 anos, por aí.

P/1 – Era uma moça da fazenda ou de São Paulo?

R – Da fazenda. Filha de um alemão. Ela chamava Augusta Rott.

P/1 – E só via fim de semana.

R – É, quando ia para lá, né, ficava pra lá. Às vezes eu ficava desempregado, ia para a casa de meu pai e ficava uns meses lá, né, e lá tinha aquele namoro lá de fazenda.

P/1 – Passear de mão dada...

R – É, aquele jeitinho. Daquele jeito mesmo, não tinha esses avanços que tem hoje.

P/1 – E seu pai tinha alguma expectativa para vocês de carreira, que queria que fizessem?

R – Meu pai, eu tenho ele como um homem muito inteligente porque conseguiu criar 13 filhos e não deixar ninguém analfabeto, né, já foi um avanço muito grande. Mas ele não tinha uma expectativa que a gente saísse de uma posição que a gente estava para outra. Ele até pensava nisso, mas ele não fazia muito para que aquilo se concretizasse, entendeu? Então, se é que eu posso dizer que eu tenho um pouquinho de mágoa, uma parte que eu tenho é isso aí. Ele não orientava os filhos assim, para essas coisas. Ele falava que a gente tinha que mudar, que tinha que ser alguém na vida, mas não encaminhava, né? Então, nessa parte - modéstia à parte eu posso falar – eu até ajudei os meus irmãos mais novos. Todos eles têm uma boa formação, inclusive tem cinco universitários.

P/1 – São quantos abaixo de você?

R – São dez abaixo de mim. São dez vivos.

P/1 – São quase filhos, né?

R – É. Muitos dos meus irmãos me consideram como se eu fosse o segundo pai deles.

P/1 – E qual era a orientação que você dava para eles?

R – Na época, a gente tinha já a ideia que a gente só se desenvolvia melhor se fosse bastante dedicado ao estudo. Então, eu comecei a encaminhar os meus irmãos mais novos desde a tenra idade, orientar eles na escola, depois encaminhar eles para o ensino profissionalizante e também a fazer curso universitário. Eu tenho três irmãos advogados, tenho um engenheiro eletrônico e tenho outro engenheiro químico. Então, nessa parte, eu ajudei a encaminhar. Não fiz sozinho, é lógico, mas a gente ajudou bastante.

P/1 – E a orientação política, você chegou a passar alguma coisa para eles também?

R – Eu passava sim. Depois de uma certa idade, eu comecei a comentar o que poderia se fazer, o que não poderia fazer, o que estava certo, o que estava errado dentro da política governamental, na época, restrição de filmes na televisão, peça teatral que havia sido vetada pela censura. Eu conversava com eles a esse respeito. Nem todos eles usaram isso como ensinamento, mas pelo menos três ou quatro pegaram isso aí.

P/1 – E você tinha alguém que te orientasse politicamente?

R – Não.

P/1 – Algum colega seu?

R – É, tinha colega de escola, da escola técnica. Alguns colegas que faziam parte de associações de alunos, então a gente conversava com eles, debatia isso aí. Achava que se construía muito quartel e não se construía escola, então, a gente fazia greve na escola para melhorar o ensino. Aquela atuação meio capenga, mas fazia alguma coisa.

P/2 – E vocês não tinham medo de alguma repressão?

R – Tinha. Tinha sim. Tinha medo de repressão. A gente participava de algumas passeatas, principalmente na região do ABC, dos estudantes já de nível universitário. Muitas vezes, houve repressão, a polícia, a cavalaria em cima, mas a gente corria e fazia o possível para não apanhar. P/2 – Mas já apanhou?

R – Apanhei muitas vezes.

P/1 – Nessas passeatas?

R – Nessas passeatas. Às vezes, nem sabia muito qual seria o porquê daquela repressão, você não tinha muita ideia, porque as informações não chegavam como chegam hoje. Então, a gente ia um pouco no embalo.

P/1 – O que chegava de informação para vocês?

R – Então, as informações chegavam, às vezes, numa pequena reunião, eram o que os partidos clandestinos da época passavam para a gente, que estavam acontecendo certas coisas que a gente não tinha conhecimento.E, infelizmente, a gente acabou acreditando que estava acontecendo mesmo. Por isso, cresceu o movimento e junto cresceu a repressão. Isso tudo, eu acho que acabou ajudando a construir a democracia que nós temos hoje.

P/1 – Você se ligou a algum partido, na época?

R – Eu só me filiei a algum partido na época em que surgiram os dois partidos: o do “sim” e do “sim, senhor” – o MDB e a Arena –. Eu me filiei ao MDB.

P/1 – Mas aos outros, os clandestinos, não chegou a ter nenhuma ligação?

R – Não. Tinha alguma ligação assim, com o PC, o PC do B, mas não era filiado. Conhecia algum militante, que militava, a gente conversava, mas nunca fui, nunca participei de reunião junto com eles, com a cúpula do partido. Nunca participei, não.

P/1 – E que mais da sua juventude que o senhor se lembra, que foi marcante?

R – Olha, uma coisa que foi bastante marcante para mim, como eu já tinha antecipado, foi aquela greve de Osasco. Eu nunca tinha visto uma repressão tão forte em cima de um trabalhador. Nunca tinha visto. Já tinha até participado de greve, mas nunca tinha acontecido uma repressão daquela maneira. Quando eu vi aquilo, me assustou, né, porque cercaram a fábrica com os operários lá dentro e quem estivesse lá dentro, tinha que sair apanhando, não tinha para onde sair. Tinha que sair para enfrentar eles.

P/1 – E o pessoal saiu apanhando?

R – Saiu apanhando. Todo mundo que estava lá, apanhou. Todo mundo. Não teve um que escapou. Porque cercaram a fábrica com os cavalarianos, com os brucutus – aqueles carros de controle de tumulto que jogavam jato de água, bomba de gás lacrimogêneo. Aí, eu falei: “isso aqui não tem jeito! Se não mudar...”

P/1 – Essa foi a mais forte que o senhor presenciou? R – Foi a que eu mais senti, que eu presenciei foi essa daí. P/1 – Mais violenta. R – É, nessa época da minha juventude, sim.

P/1 – E daí, a entrada na Petrobras?

R – Eu entrei na Petrobras em 1969, já no fim de 1969.

P/1 – Como foi esse ingresso?

R – Eu prestei concurso. Na época, essa refinaria em que eu trabalhava, ela não pertencia a Petrobras. Ela era do grupo União, daqui do Rio de Janeiro, do Roberto Soares Sampaio Fontana , que faleceu agora, há pouco tempo, daqui de Petrópolis. Eu trabalhei nela, acho que até 1975, e aí a Petrobras incorporou essa refinaria.

P/1 – Então, você entrou ainda, pela União.

R – É. Era Refinaria e Exploração de Petróleo União, que tinha exploração na Bolívia, na época. Então, com aquela incorporação, nós já estávamos fazendo algum movimento lá, mesmo naquela época, desde 1973, 1974, fazendo algum movimento para que a Petrobras incorporasse essas refinarias, que foi o caso da Refinaria de Capuava e a Refinaria de Manaus que, se não me engano, foram incorporadas num ato só na época do General Geisel.

P/1 – As duas juntas?

R – As duas juntas.

P/1 – Mas conta como foi esse movimento para a Refinaria União ser incorporada.

R – O nosso Sindicato na época tinha sido empastelado também. Nós estávamos sem Sindicato.

P/1 – Qual Sindicato?

R – Sindicato dos Químicos.

P/1 – Só para a gente entender: você já falou que esteve filiado ao dos metalúrgicos, agora falou dos químicos... Como é que era, você mudava, se desligava e se filiava dependendo de onde estava trabalhando?

R – É porque cada Sindicato representa uma categoria ou um ramo de atividade. Então, se você trabalhava numa indústria automobilística, você pertencia ao Sindicato dos Metalúrgicos daquela região. Aí, você ia trabalhar numa indústria química, automaticamente você estava desfiliado daquele Sindicato

P/1 – Ah, você automaticamente se desliga?

R – É, você se desfiliava e se filiava no outro.

P/1 – Ah, tá. Isso que eu queria saber, como é esse desligamento.

R – Como o Sindicato dos Petroleiros lá de Capuava foi destituído por força do Ministério do Trabalho, na época. Então, nossas lideranças foram todas demitidas e nós ficamos sem Sindicato. Como, por lei, você tem que pertencer a algum sindicato, nós fomos filiados ao Sindicato dos Químicos de Santo André. Quando começaram a falar que a Petrobras precisava incorporar a refinaria – foi feita uma greve lá para incorporação – nós já estávamos nos mexendo e, logo em seguida, formamos lá em Capuava uma associação – na época, por lei, você não podia fundar já um sindicato; tinha que fundar uma associação de funcionários daquela atividade, para depois de seis meses, um ano se tornar sindicato. Passou mais de um ano e a gente não conseguiu formar o sindicato lá em Capuava. Foi na época que estava construindo o Pólo Petroquímico.

P/1 – Mas aí a refinaria já estava encampada ou não?

R – Não, encampou em 1974 ou 1975.

P/1 – Então vocês fizeram a associação antes?

R – Foi antes. Quando a Petrobras encampou, nós já tínhamos a associação formada e o sindicato, se não me engano, foi formado em 1977, mas aí, eu já tinha saído de lá.

P/1 – Quando a Refinaria foi encampada, os funcionários foram incorporados?

R – Foram incorporados ao quadro da Petrobras. Isso. Inclusive, teve um problema, na época, porque a gente ganhava mais do que os funcionários da Petrobras. O grupo União pagava melhor, então o nosso salário era mais alto. A Petrobras teve que enquadrar gente lá.

P/1 – Vocês tiveram uma queda, ou não? Como é que foi enquadrado?

R – Não, o salário não caiu. Eles precisaram enquadrar, dar uma letra a mais para cada um, para os outros funcionários. Mais ou menos isso.

P/1 – E na refinaria, o senhor estava trabalhando como o quê?

R –Guarda.

P/1 – Como guarda, na parte de segurança?

R – Na parte de segurança.

P/1 – E, com a incorporação da Petrobras, se manteve no mesmo cargo?

R – Fiquei no mesmo cargo. Aí, em 1976, eu acho que foi no dia dez ou onze de junho, eu fui transferido de Capuava para Campinas, para Paulínia, Replan. (troca de fita)

P/1 – Retomando, o senhor estava contando do seu ingresso na Petrobras com a incorporação dos funcionários da própria Refinaria União aos quadros da Petrobras. O seu trabalho era na parte de segurança.

R – Isso.

P/1 – E a Refinaria União virou...

R – Virou Petrobras Recap, que quer dizer refinaria de Capuava, lá em Mauá.

P/1 – Conta um pouco desse início da Petrobras. Como foi? R – O início foi muito bom, a gente gostava muito de trabalhar lá, na época. Nas folgas, tinha atividades físicas, que eu gostava muito, né, então foi muito bom. Nós tínhamos até um timinho de futebol entre o pessoal da segurança, fazia campeonato interno, né, então eu gostava muito de trabalhar lá em Capuava.

P/1 – Essas atividades eram futebol e qual outra?

R – Futebol, tinha o atletismo, então, eu gostava muito. Essa atividade muito salutar para a gente.

P/1 – E o que mudou quando a refinaria foi incorporada?

R – A gente continuou com aquelas atividades, mas, logo em seguida, eu fui transferido para a Replan, Refinaria do Planalto em Paulínia. Embora a Petrobras seja uma só no Brasil inteiro, de uma unidade para outra tem uma certa diferença, tem o cunho pessoal dos dirigentes. Então, ali mudou um pouquinho.

P/1 – Mudou como?

R – Por exemplo, não tinha mais atividade física. Tinha um pouco de esporte, mas não tinha atividade física mesmo. Na outra refinaria a gente tinha. Tinha academia, fazia musculação enfim, uma série de atividades, salto em altura...Na outra já não tinha isso. Tinha um futebol lá, um campeonato de tiro e mais nada. Mas, logo em seguida, a gente já partiu para a militância no Sindicato e não sobrava mais tempo também.

P/1 – Aí o senhor se filiou ao Sindicato dos Petroleiros?

R – É, dos Petroleiros de Campinas e Paulínia, que estava recém fundado. Ele foi fundado em 1976. Eu não me lembro a data, mas quando eu cheguei lá, ele já existia. Eu cheguei em junho de 1976 e ele já existia quando eu cheguei.

P/1 – E do trabalho, teve alguma mudança, quando foi para a Replan?

R – É, teve. Até para trabalhar, de uma refinaria para outra, tem uma certa diferença. Na Replan, para trabalhar até era melhor, tinha mais conforto no trabalho. Em Capuava, tinha menos conforto, por ser uma região também mais insalubre porque existia o Pólo Petroquímico, indústria de adubo nas proximidades e por ser um local também bastante frio – Capuava é muito frio; São Paulo inteiro é frio – o trabalho inteiro era mais sacrificado. Na Replan, já tinha mais conforto, era menos frio.

P/1 – Mais conforto? O senhor quer dar um exemplo?

R – O local de trabalho era mais confortável, era melhor organizado. Era uma refinaria nova, recém construída, equipamentos melhores, então isso trazia mais conforto para a gente.

P/1 – E o trabalho de segurança tinha muita ocorrência? Como era?

R – Não. Capuava tinha bastante ocorrência porque é uma unidade até hoje que fica no meio da cidade, tem bairros em volta. Então, eram muitos problemas de invasão de pessoas que moravam nas proximidades. Como era uma das Refinarias mais antigas aqui do Brasil, também davam muitos problemas de pequenos incêndios, vazamentos, então, o trabalho era mais difícil. Na Replan, uma refinaria nova, moderna para época – até hoje ainda é – quase não tinha problema sério de incêndio, vazamento. Era numa escala bem menor.

P/1 – O senhor consegue descrever o seu local de trabalho nessa que o senhor falou que as instalações eram melhores?

R – Na Replan?

P/1 – É.

R – A Replan é uma refinaria que fica distante da cidade, não tão distante, ela fica mais ou menos quatro quilômetros longe da cidade de Paulínia, em volta, eram fazendas, né? Então, era uma população muito pequena que residia nas proximidades, não tinha esse problema de invasão. E tinha o sistema de segurança interna patrimonial como o de segurança industrial. A gente fazia parte dos dois setores e era muito bem treinado. Você entrava no serviço, já sabia o que ia fazer, já era escalado, o que acontecesse na Unidade você antecipadamente já sabia qual atitude tomar em caso de emergência. Em caso normal não, era controle de entrada de material, saída de material, entrada de funcionários, saída de funcionários, fazer segurança de equipamentos, de captação de água, tratamento de resíduo, de esgoto, essas coisas. Tudo isso, a gente que dava a segurança, que vigiava aquilo. Era muito bem planejado então não era difícil de trabalhar, era até confortável.

P/1 – E quais eram os benefícios da Petrobras? Teve alguma mudança, em termos de benefícios, quando o senhor mudou da União para a Petrobras?

R – Não. Até para mim, eu posso dizer que não foi boa a mudança, porque na Refinaria de Capuava, na época que passou para a Petrobras, eu era o responsável, do meu turno, pela segurança interna. E quando a Petrobras assumiu a Refinaria, aquele cargo não existia no quadro da Petrobras. Então, não abaixo o salário, mas abaixou a minha função. Na época, eu também não ligava muito para isso. A gente era responsável mas fazia o trabalho que os outros faziam, era a mesma coisa. Então, isso também aconteceu, mas não causou grande problema para mim.

P/1 – Conta um pouco mais de lá, o que o senhor lembra desse período.

R – Lá em Capuava?

P/1 – É. E em Paulínia.

R – Em Capuava nós tínhamos um problema muito sério. Como é uma unidade que fica no meio da cidade, a gente tinha um problema na época de festa junina, né, problemas de balões. Para você ter uma idéia, no jogo da Copa do Mundo de 1970, que foi no México, durante a partida do Brasil que disputou com a Itália o último jogo, nós pegamos 84 balões dentro da Unidade. Então, era um perigo constante nessa época. Aqui, na Replan, já não tem esse problema.

P/1 – Vocês tinham um cotidiano de vistoria? Como era? Uma rotina?

R – Já tinha o pessoal que era responsável para ficar olhando para o céu, de onde vinha o balão. E, quando vinha, você já tinha que correr lá, com extintor na mão e, assim que o balão caísse, a gente tinha que apagar porque era muito perigoso. Na Replan, não tinha esse problema. Raramente caía algum balão. Era muito difícil acontecer.

P/2 – E, por ser perigoso, não existia um trabalho junto à comunidade para prevenir esses balões?

R – Existia, mas era um trabalho muito pequeno, era muito acanhado. E é difícil também porque, mesmo até hoje, ainda tem esse problema. Em Capuava existe esse problema até hoje. Não se consegue sanar. Ele vai continuar, não vai ter jeito não.

P/1 – Como era a sua jornada de trabalho?

R – Nós trabalhávamos, na época, nós fazíamos uma escala de turno meio complicada, sabe? A gente fazia seis dias de noite, seis dias de tarde e seis dias de manhã, com dois dias de folga. Mas nessa época de festa junina, de maio até julho, esses três meses, a gente era convocado para ficar lá mais tempo no serviço. Teve muitas vezes que eu tive que trabalhar 18 horas, para ficar de seis da manhã até meia noite no serviço. E até mais. Ás vezes, passava até de madrugada.

P/1 – O senhor falou que aí começou a militar mais em Paulínia. Tem alguma razão?

R – Foi até gozado. Quando eu fui transferido de Capuava para Paulínia, tiveram dois companheiros meus que vieram junto comigo – o Sebastião Pereira Grilo e o Waldemar da Silva. Esse Sebastião Pereira Grilo tinha uma consciência política muito boa. Eu o conheci por intermédio do irmão dele. Quando nós chegamos na Replan – chegamos nós três – logo em seguida, teve uma eleição para Sindicato. O Sebastião Pereira Grilo fez parte do Sindicato. Ele tirou aquele mandato e, quando ele saiu, eu entrei.

P/1 – E vocês fizeram campanha para ele também, você ajudou a campanha?

R – Fiz campanha, fazia campanha para a Cipa também. Tiveram duas chapas. A nossa foi vencedora. Então, ele tirou aquele mandato.

P/1 – Ele entrou como diretor do Sindicato de Campinas e Paulínia?

R – É.

P/1 – E na seguinte?

R – Na seguinte entrou eu. Ele saiu, eu entrei.

P/1 – Isso foi em que ano?

R – Foi em 1982.

P/1 – Fala um pouquinho dessa sua direção. Como foi assumir o sindicato?

R – Nós éramos uma diretoria colegiada, já na época. Era um avanço para o sindicato na época. Era uma diretoria colegiada, composta por 18 diretores. Tinha aqueles diretores liberados do trabalho e tinha aqueles diretores que continuavam trabalhando com a mesma coisa, que era o meu caso. Eu não me afastei do trabalho, continuei trabalhando. Aí, fiquei um ano e pouquinho e, logo em seguida, a gente foi cassado no dia quatro ou cinco de julho de 1983.

P/1 – O senhor pode falar um pouco como foi esse processo de cassação?

R – Foi numa época em nós fizemos uma campanha salarial, do acordo coletivo. A gente fazia umas campanhas lá bastante fortes para a época. Chegamos a pernoitar dentro da fábrica, dentro da Unidade e ficar 24 horas lá dentro. A maioria dos funcionários aderiu. Então, era, já na época, um avanço muito grande. Conseguimos alguns benefícios. Por exemplo, na época – eu lembro bem – já em 1979, a gente conseguiu 40 horas semanais para os funcionários que a gente chama de administrativo, que trabalham no horário administrativo. E conseguimos algumas melhorias para o pessoal de turno, problema de condução, problema de uniforme, tudo isso a gente conseguia. A assistência médica melhorou também.

P/1 – Mas a direção da refinaria, na época, era receptiva?

R – Não. Era muito hostil. Era muito hostil para com os dirigentes sindicais; às vezes proibia a entrada dos dirigentes. Quando tinha algum movimento, a primeira coisa que eles faziam era proibir os diretores do Sindicato a entrar, mesmo aqueles que estavam trabalhando normalmente eles proibiam ou então colocavam a pessoa num local e ele não podia sair para fazer o trabalho dele. Todas essas restrições que existiam já na época. Se eles levavam o jornalzinho, eles recolhiam. Eles não deixavam você entrar com os jornais, com os boletins. A gente entregava quando o pessoal estava entrando na portaria. Logo em seguida, o segurança recolhia.

P/1 – E o processo de cassação, como foi?

R – Então, aí não foi na época do dissídio coletivo, do acordo coletivo. Foi antes. Houve uma determinação – na época o presidente era o general Figueiredo – que as estatais teriam que cortar dez por cento dos funcionários. Então, nós soubemos daquilo e fizemos o nosso movimento e acabamos fazendo a greve. Fazia mais de 20 anos que não tinha uma greve numa estatal de petróleo – acho que nem em outras estatais tinha tido, não lembro não.

P/1 – Mas sob a ditadura?

R – Sob a ditadura. Aí, nós fizemos a greve de cinco dias, cinco ou seis dias. Foi quando houve a cassação da diretoria toda e mais 128 funcionários de lá da Replan e da Bahia. O pessoal da Bahia também entrou em greve um dia depois de nós.

P/1 – Lá de Mataripe?

R – De Mataripe. Foram demitidos, na época, acho de 200 e poucos funcionários lá de Mataripe também.

P/1 – E aí o senhor foi demitido também?

R – Aí, fui afastado para apuração de falta grave e até hoje não julgaram. Foi feito um acordo, depois de dois anos e pouco. Na época, quando a gente foi cassado, oficialmente tinha o presidente, o tesoureiro, tinha o secretário geral. Então, o presidente era uma pessoa que estava numa posição política bastante... vamos dizer assim, no apogeu político, tanto na parte sindical quanto na parte partidária.

P/1 – Quem era ele?

R – Era o Jacob Bittar, que depois foi prefeito de Campinas. Então, nós continuamos militando, mesmo fora. Não tinha mais mandato, mas a gente continuava, embora nós estivéssemos sem salário também. Porque cortaram o salário de todo mundo, dos que foram demitidos e dos que foram cassados. E nós continuamos militando. Logo em seguida, houve intervenção no sindicato.

P/1 – Com é que foi a intervenção?

R – Assim que havia o decreto de cassação, já ia um funcionário do Ministério do Trabalho e tomava conta do Sindicato. Ia com a Polícia Federal enfim, com um aparato de segurança para assumir o sindicato e assumia o sindicato. Eu lembro bem que eu estava em casa e recebi um aviso da Petrobras que não era para eu sair de casa. Aí, eu: “vou ficar em casa? Vou ficar fazendo o quê?” E fui para o Sindicato.

P/1 – Nisso, o senhor não sabia que já tinha sido desligado?

R – Já sabia.

P/1 – Já sabia?

R – Já sabia. Aí, fui para o sindicato. Quando chegou a intervenção com a Polícia Federal lá, nós estávamos, mais ou menos, em 700 pessoas dentro da sede do sindicato. Houve a intervenção, Polícia Federal, o inspetor do Ministério do Trabalho que assumiu o sindicato, teve companheiro que não queria deixar...E se nós não deixássemos, podia até sair morte. Então, a liderança pediu que a gente fosse embora em paz, porque a gente não queria violência. Estavam presentes na hora, o Genuíno, que já era deputado federal, o Marcelo Gato, que era deputado estadual e o Luís Eduardo Greenhalg, que era advogado nosso na época. Pediram que nós dirigentes saíssemos antes do pessoal, do que a maioria do pessoal. Nós estávamos com medo de sermos presos naquele dia. Então, fizemos uma reunião com o Genuíno e o Luís Eduardo, num restaurante um pouco distante do sindicato, e recebemos essa orientação para não dormir em casa, dormir na casa de algum parente, de algum conhecido porque a gente poderia ser preso. Eu fiquei, mais ou menos, uns três dias dormindo na casa de um amigo num dia e na casa de outro amigo no outro dia. Até que se acalmou e não foi ninguém preso. E a gente continuou: “agora, o que nós vamos fazer?” Aí, se reunia aquela diretoria cassada com alguns companheiros da base que não tinham sido demitidos, que militavam já mas não tinham sido demitidos, para a gente se reerguer. Fundamos uma associação beneficente para nos reunirmos, ajudar os companheiros que estavam em pior situação. Alguns conseguiram trabalhar logo em seguida em outras atividades e os que não conseguiram – tinha uma cooperativa de trabalho lá – pegavam serviço, um servicinho, um bico assim, mas conseguiram sobreviver.

P/1 – E o senhor ficou nessa cooperativa?

R – Eu fiquei nessa cooperativa uns três meses. Depois, eu saí. Comprei um restaurante em Pouso Alegre e fiquei ali quase um ano.

P/1 – Mas o senhor recebeu o que tinha para receber?

R – Não, não recebi nada.

P/1 – Comprou com as suas economias?

R – Comprei. Eu tinha casa, tinha terreno lá na cidade onde eu moro hoje e vendi. Fui embora. Fui para Pouso Alegre, eu e mais seis pessoas – quatro cassados e dois que não eram cassados, eram demitidos mas não eram cassados – fomos para lá. Mas, logo em seguida, veio a Diretas Já, não sei se vocês chegaram a ouvir das Diretas Já, né?

P/1 – Hum.

R – Aí, a gente acabou fazendo as Diretas Já. Eu abandonei o restaurante e me incorporei. Comecei a fazer comício das Diretas no sul de Minas e no Vale do Paraíba.

P/1 – Aí, o senhor se filiou ao partido?

R – Nessa época, eu já era presidente do Partido dos Trabalhadores em Cosmópolis, já tinha fundado o partido lá em Cosmópolis.

P/1 – Aonde o senhor tinha ido morar.

R – Onde eu morava. O partido lá foi fundado em 1981, foi antes da minha cassação.

P/1 – A sua cassação foi em que ano?

R – Foi em 1983.

P/1 – Em 1983.

R – É. E o partido lá foi fundado em 1981 e eu fui o primeiro presidente. Quando fui cassado, eu ainda tinha um mandato de presidente do partido e logo fui para Minas. Fiquei em Minas, fiz aquela campanha das Diretas Já e depois voltei para Campinas. Lá, nós também fundamos um centro de formação e estudos sindicais, no qual, uma boa parte, era o pessoal cassado que trabalhava.

P/1 – Desse pessoal cassado com o senhor.

R – É. Então, nós editamos livros, esses livrinhos populares, dávamos assessoria para os sindicatos das cidades em volta. Eu, inclusive, era da parte rural e fazia muito sindicato rural na época.

P/1 – Isso, resgatando um pouco o trabalho do seu pai, né?

R – Eu fiquei lá até que houve a eleição do Tancredo, a eleição indireta ainda. Mas, como o Jacob tinha um nome político, era vice-presidente nacional do PT – o presidente era o Lula – fizeram uma comissão e foram conversar com o Tancredo, com o Sarney e houve a promessa que ele fez que nós íamos retornar para a Petrobras.

P/1 – Ser reintegrados?

R - Não conseguimos a reintegração, mas conseguimos a readmissão. O Tancredo morreu, mas o Sarney conseguiu fazer com que nós voltássemos mesmo. Aí, aconteceu uma coisa que eu não sei se a Petrobras acertou ou errou nessa parte, porque ela espalhou o pessoal nosso. Para a Replan, poucos voltaram. Eu, por exemplo, fiquei trabalhando em São Paulo, fora da minha função. Aliás, eu quase nem ia trabalhar na época.

P/1 – O senhor foi locado onde?

R – Fui locado no Spau de São Paulo, mas quase nem trabalhei.

P/1 – Perdão. Como é o nome?

R – Spau. Era o escritório paulista, na época. Então, eu fiquei lá trabalhando, mas fora da minha função.

P/1 – E qual era sua função que o senhor foi designado?

R – Eu fui trabalhar no setor de recursos humanos. Estava fora da função, aí o superintendente achou melhor que eu ficasse em casa até que alguma unidade me acolhesse. Eu retornei para a Petrobras, acho que foi em outubro de 1985.

P/1 – Nesse escritório, em São Paulo?

R – Isso. Em São Paulo. Depois, em fevereiro de 1986, eu fui realocado para São Sebastião, no terminal de...

P/1 – Terminal da Transpetro?

R – É. Hoje é Transpetro, lá em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo.

P/1 – E lá, o senhor voltou à sua função?

R – Voltei na minha função.

P/1 – Na sua função inicial?

R – Inicial.

P/1 – Segurança, não é? R – Segurança. P/1 – Fala um pouquinho também de lá. Como foi retomar lá?

R – Logo em seguida que eu cheguei lá, teve uma eleição para o sindicato. Como a nossa anistia política já tinha saído, né, porque a gente foi cassado na parte de política sindical e não na parte de política partidária. Então, logo quando eu cheguei lá – se não me engano foi depois de seis ou oito meses – teve uma eleição e eu me candidatei, eu e mais um pessoal. Por isso é que eu digo: não sei se a Petrobras acertou. Para nós foi ruim, porque você se deslocar, tem uma vida na cidade e tem que ir para outra, então foi ruim. Agora, na parte política sindical, foi boa, porque ela pegou alguns mandou para São Sebastião, pegou mais alguns companheiros, mandou para Santos, mandou para São José dos Campos, mandou para Macaé – foi muita gente para Macaé na época – e outros para o Paraná. Então, o que aconteceu, foi que essas lideranças não pararam de atuar.

P/1 – Só espalhou.

R – E nós começamos a atuar nessas unidades onde tinha um sindicalismo que nós chamávamos de perigo, na época. O pessoal começou a concorrer ao sindicato. Logo que eu cheguei lá eu concorri ao sindicato.

P/1 – Lá no Terminal? [troca de fita]

R – Lá no Terminal. Aquela base pertence a Santos, Cubatão e São Sebastião, o sindicato que hoje é o Sindicato do Litoral Norte. Então, como eu estava dizendo, teve a eleição e na subseção de São Sebastião, eu perdi a eleição por 17 votos. Foi até está falecido, suicidou-se depois..

. P/1 – Quem venceu?

R – É. Ele estava lá há 16 anos. Aí, perdi a eleição por 17 votos, ainda que o dentista do terminal concorreu contra mim. E ele era uma cara que estava lá há muitos anos, então você vê como foi difícil para eu vencer. Não consegui vencer, mas mesmo assim eu perdi por 17 votos. Nessa chapa, concorreram eu, em São Sebastião, e mais dois ou três companheiros – acho que foi a Roseli, a Lúcia e Ricardo – e em Santos concorreu o Ercílio – tudo oriundo de Campinas – e mais outros colegas.

P/1 – Isso era o Sindicato dos Petroleiros mesmo?

R – Dos Petroleiros mesmo.

P/1 – Esse era o Sindicato dos Petroleiros de...

R – Santos, Cubatão e São Sebastião. Aí, perdemos a eleição, mas continuamos na militância, a mesma coisa. Todo movimento que tinha lá, a gente é que dirigia tudo, porque o outro não gostava muito de movimento. Aí, na próxima eleição, concorri novamente e ganhei a eleição. Na época, foi uma vitória tão grande, nós ganhamos com 84% dos votos.

P/1 – Era para a diretoria.

R – Para a diretoria. Ganhamos em Santos, ganhamos em Cubatão e ganhamos em São Sebastião, que faz parte de uma base só.

P/1 – É um sindicato só?

R – Um sindicato só. Não adianta eu ganhar em São Sebastião e, na soma dos votos, perder.

P/1 – Tem que ganhar nos três?

R – Nos três setores, nas três bases.

P/1 – Nessa retomada da sua direção sindical, que tinha sido interrompida com o processo de cassação, quais foram as principais questões que vocês trataram naquela época?

R – Naquela época, o nosso plano de trabalho era mobilizar a base, conscientizar da importância de participar das assembleias, das reuniões, abrimos o sindicato para a base entrosar com a gente. E a gente conseguiu, vamos dizer, convencer o pessoal que o nosso plano de trabalho era bom. Uma unidade como aquela, que foi montado aquele terminal que chamava Almirante Barroso – Tebar – estava lá desde 1968 e nunca tinha feito um movimento nem de um minuto de silêncio. Depois, a gente conseguiu mobilizar a base. A gente foi participando paulatinamente de todos os movimentos que tinham nas outras unidades até que chegamos a parar a unidade muitas vezes no primeiro mandato, não é?

P/1 – Ismael, me explica uma coisa: como é essa comunicação entre o sindicato de vocês e o Sindicato de São Paulo? Vocês têm uma pauta, vocês definem uma pauta?

R – Hoje, embora cada unidade tenha a sua autonomia para trabalhar, tem um plano para procurar, sempre que uma unidade faz, a outra unidade fazer também. O movimento é a nível nacional. Hoje é unificado. Hoje é um Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo que abrange até Goiás, além do Sindicato do Litoral Norte e de São José dos Campos, que não faz parte do Sindicato do Estado de São Paulo. A primeira coisa que foi unificada foi o departamento de imprensa. Foi unificado em todo o Estado de São Paulo.

P/1 – Você participou desse processo, da discussão?

R – Participei.

P/1 – Conta um pouquinho como foi o processo de unificação.

R – Tinham direções do Sindicato que não combinavam com os nossos pensamentos, mas paulatinamente a gente foi derrubando, ganhando o sindicato desse pessoal. Foi o caso de Santos e de São Sebastião. Os caras estavam lá há 16, 18 anos e nós conseguimos tirar eles de lá e botar uma direção nova.

P/1 – Era o quê, um sindicato mais lento?

R – Era um sindicato mais assistencialista. Não era um sindicato de luta, então nós mudamos a filosofia de trabalho. E, para você mudar, você tem que fazer seminário, palestra e tudo isso, ter um departamento de imprensa bastante atuante, com jornais, com boletins. Era o meio de comunicação nosso. Porque a gente não tem – até hoje não tem, imagina naquela época – acesso à televisão, a rádio e a essa imprensa oficial aí – que é privada, mas a gente sabe, que ela não é tão aberta para o público que luta pela democracia e pela melhoria de direitos e condições de trabalho do trabalhador. Então, a gente tem que fazer a nossa própria imprensa, né?

P/1 – Então, nesse processo unificação, vocês trataram dessa questão da imprensa...

R – É, primeiro foi unificada a imprensa. E, até hoje, está unificada, mesmo nos outros dois sindicatos de São Paulo que não estão juntos num só, mas na parte de imprensa está. Então, o plano de trabalho para a imprensa era um só para todo o estado. Depois, nós unificamos o departamento de saúde do trabalhador. Nós conseguimos unificar, falar uma língua só em todos os sindicatos. Enfim, foram se unificando os departamentos, trabalhando em conjunto até que unificou o Sindicato de São Paulo, de Capuava, de Campinas. Ficou fora só São José dos Campos e o Litoral Norte. E, hoje, é unificado, então é uma diretoria colegiada, que já era pensamento nosso até antes da nossa cassação. Naquela diretoria que foi cassada, já tinha esse pensamento.

P/1 – Dessa unificação.

R – É, dessa unificação. E ela só surgiu, só deu certo porque nós começamos a tirar da direção do sindicato, aqueles que não pautavam muito mobilizar a categoria. Tanto é que, na greve de 1983, o único sindicato que parou, que fez o movimento, foi o sindicato de Campinas e de Paulínia. O de Cubatão não entrou, o de São José dos Campos não entrou. Outro sindicato, outra base que entrou foi o pessoal de Mataripe, que tinha uma direção identificada com o nosso pensamento da época.

P/1 – A gente deu um salto, né? A gente veio até o processo de unificação do sindicato, a gente estava lá naquela sua parte da direção. Aí, o senhor ficou ainda trabalhando lá no Terminal por mais quanto tempo?

R – Eu fiquei trabalhando no terminal...Eu tirei esse mandato, esse primeiro mandato que foi de 1991 a 1994, e na outra eleição, nós perdemos novamente. Na minha base eu não perdi, não. Na minha base eu ganhei, acho que foi com 79% de votos, eu não lembro muito bem. Eu sei que, na base minha lá, foi uma vitória grande. Mas perdemos nas outras duas. Foi uma diferença também pequena. A nossa base tinha mais ou menos uns quatro mil e oitocentos trabalhadores e nós perdemos, acho que foi por 200 e poucos votos. Foi uma vitória bastante apertada, mas perdemos. Aconteceu que, na base em que eu estava, não teve candidato na chapa. Então, precisava trazer alguém de fora para ir para lá. E, por ironia do destino, foi um companheiro que havia sido cassado junto comigo em Campinas. Foi para lá e como ele não tinha liderança no Terminal, todos os movimentos que tinham lá, quem acabava dirigindo, era o pessoal que fazia parte do meu grupo, que era parte da diretoria anterior. Então, fizemos um movimento lá em 1995, 1996 – eu, fora do sindicato, ainda fiz – 1995, 1996.

P/1 – A greve de 1995 foi muito famosa, né?

R – Foram 22 dias que nós ficamos parados. 22 dias lá! Eu não fazia parte da direção, mas quem dirigia o movimento era o nosso pessoal.

P/1 – O pessoal da antiga diretoria.

R – Da antiga diretoria.

P/1 – E o senhor acha que essa foi a mais forte mesmo?

R – Olha, no nosso caso lá, foi um avanço muito grande.

P/1 – Em que sentido?

R – De mobilização, né, foi uma mobilização muito grande mesmo. Parou mesmo, sem nenhum tipo de violência, não teve violência nem do lado da Petrobras nem do nosso lado, não teve intervenção nenhuma de polícia, não teve nada. Conseguimos ficar parados 22 dias, né, até que houve uma orientação da FUP [Federação Única dos Petroleiros] já na época. Nesse ínterim, depois é que foi formada a FUP, né, que não existia. Depois, em 1995, já existia. Então, houve a orientação para retornar ao trabalho, acabamos retornando, mas não houve nenhuma repressão de nenhuma das partes.

P/1 – E, de lá para cá, o senhor continuou atuando.

R – É. Aí, eu já estava sem mandato, né, aposentei em 1993.

P/1 – Ah, o senhor aposentou...

R – Mas continuei no sindicato até o fim do meu mandato. Aí, terminou o meu mandato, eu me afastei. Sai fora do estado. Fiquei um ano e pouco fora e voltei. Foi quando eu peguei a greve de 1995 e 1996.

P/1 – Ajudando o sindicato.

R – É. Aí, houve uma nova eleição e nós ganhamos o sindicato novamente. Quase que o mesmo grupo do sindicato anterior.

P/1 – Essa foi em que ano?

R – Foi de 1997 a 2000. O primeiro foi de 1991 a 1994 e a outra foi de 1997 a 2000.

P/1 – Já era o sindicato unificado?

R – Não estava unificado ainda, mas a imprensa e o departamento de saúde já estavam. A unificação só se deu agora, questão de dois anos. Mas já havia nos sindicatos dos petroleiros, a nível do Estado de São Paulo, abrangendo todos os sindicatos, já havia um entrosamento muito grande entre as diretorias. Quando nós perdemos as eleições, houve uma quebra. A direção que entrou no nosso lugar era uma direção oriunda daquela antiga pelegagem, então quebrou um pouco. Mas, logo em seguida, nós ganhamos e a direção de todos os sindicatos havia um pensamento bastante comum entre eles. Aí é que houve o trabalho para a fundação do Sindicato Único do Estado de São Paulo.

P/1 – O senhor acha que esse trabalho todo com a imprensa ajudou a ter uma comunicação maior com a sociedade?

R – Ajudou. Foi muito importante. Foi de uma importância muito grande, porque acontecia – vamos dizer uma coisa que nos preocupa muito – um acidente numa unidade, a outra unidade não ficando sabendo, porque o boletim dessa unidade não ia para a outra. Às vezes, a gente queria mobilizar para alguma coisa e ia uma base e a outra não. Então, unificamos e sai um jornalzinho semanal do sindicato de todo o Estado de São Paulo com as notícias de todas as unidades. O pessoal de uma base acaba tomando conhecimento do que está acontecendo na outra, se aconteceu um acidente, se aconteceu algum tipo de perseguição em cima de algum companheiro. Então, foi de uma importância muito grande.

P/1 – E como é a comunicação com os outros sindicatos dos petroleiros do resto do Brasil?

R –Antes de existir a FUP, existia um departamento, porque juridicamente, não se aceitava ter uma central sindical. Nesse ínterim, na época que foi a fundação da CUT [Central Única dos Trabalhadores], eu estava cassado mas ainda estava presente na fundação da CUT, lá em São Bernardo, no dia 21 de agosto de 1984, se não me engano, 1983 ou 1984. Foi 1983, sim. Depois, o nosso departamento não tinha autonomia para funcionar. Depois houve a abertura e começamos a fazer, todo ano, um congresso do sindicato. P/1 – Fazia um Congresso do Sindicato do Estado de São Paulo? R - Não, dos Petroleiros do Brasil inteiro. Tinha alguns sindicatos de alguns estados que não participavam porque eram os famosos pelegos mesmo, vamos dizer claramente, eram os famosos pelegos. Eu não vou citar os nomes dos pelegos porque eu acho que não tem importância, mas têm muitos que estão aí, que a gente conhece, estão em outras funções. Mas é outra coisa.

P/1 – Quer dizer, a convivência, às vezes, é meio...

R – Era difícil a convivência, né?

P/1 – Com os outros sindicalistas, nem sempre tinha uma sintonia.

R – É. E, vamos dizer assim, não rezavam pela mesma cartilha que a nossa. Então, havia essa dificuldade. Depois, quando começou, paulatinamente, a mudar de direção, entrar direção nova mais identificada, com um sindicato mais forte, mais de luta, né, começaram a haver os congressos, os congressos nacionais. Foi feito um no Estado de São Paulo, foi feito um aqui no Rio de Janeiro, na Bahia enfim, todo ano tinha um nacional. E, antes do nacional, a gente reunia o estadual. Então, já vinham todos aqueles delegados sabendo o que fazer e trocando ideias e experiências nos congressos. E, durante o ano também, a gente tinha contato com outros sindicatos. Começou a gente a trocar comunicados uns com os outros. O Sindicato da Bahia mandava o jornal deles para nós, nós distribuímos na base; nós mandamos para eles, mandamos para o Paraná, para o Rio Grande do Sul e começamos a entrosar. Até que chegou nesse ponto da unificação no Estado de São Paulo e tem a unificação na Bahia também. Na Bahia tinha dois sindicatos, o sindicato do pessoal que trabalhava na parte de exploração e do pessoal que trabalhava na parte de refinação.

P/1 – E o papel da FUP, como é?

R – O papel da FUP foi muito importante, deu uma força muito grande, inclusive em todo o Brasil. Eu não sei, mas eu acredito que ela teve uma função primordial até na sociedade do Brasil. Não quero ser muito...nesse caso, eu acho que ela teve um papel muito importante até na sociedade brasileira.

P/1 – Mas ela faz esse papel agregador? Qual é o papel essencial da FUP?

R – Ela dá o direcionamento para todos os sindicatos que são filiados a ela, que são todos os Sindicatos dos Petroleiros do Brasil inteiro, não tem nenhum que não seja filiado a FUP. Então, ela dá orientação, dá curso, faz seminários sobre economia, sobre doenças no trabalho. Isso foi importante para nós, deu uma força muito grande, inclusive para a gente negociar com os dirigentes da Petrobras, né.

P/1 – E, atualmente, quais são as suas atividades?

R – Atualmente, eu trabalho na Prefeitura de Cosmópolis. Eu sou Secretário de Segurança Pública e Trânsito. Estou lá, já vai fazer quatro anos. Provavelmente, eu vou continuar mais um pouco porque nós ganhamos a eleição lá também pela quarta vez.

P/1 – Ah, é?

R – É.

P/1 – Pelo PT?

R – É, pelo PT.

P/1 – Me diga o que o senhor gosta de fazer nas horas de lazer.

R – Então, agora é um trabalho muito difícil, me toma muito tempo. E, mesmo por que, é um setor de segurança pública, que é uma coisa nova ainda nos municípios. Poucas pessoas conhecem o trabalho de segurança a nível municipal. Quando falam em Segurança Pública, já estão pensando a nível de Estado. Mas nos municípios, boa parte deles ao redor de Campinas – que é a região metropolitana de Campinas que tem 19 cidades – e as outras regiões periféricas que têm lá, a segurança pública dos municípios está sendo feita pela Guarda Municipal. Então me toma muito tempo. Ultimamente eu não tenho tido muito tempo para lazer, não. Mesmo porque, como eu estava dizendo para vocês, eu acabei, sozinho, criando um neto.

P/1 – Mas o senhor está casado hoje?

R – É, hoje eu estou a um ano. Um ano e três meses que eu estou casado novamente. Mas, nesse ínterim, eu estava sozinho e acabei criando um neto quase que sozinho. E trabalhando. Então, não me sobrou tempo.

P/1 – Quantos filhos o senhor tem?

R – Tenho quatro.

P/1 – Fala o nome dos filhos.

R – É Queila ngela de Souza, Queila ngela de Souza, Pedro Vinícius Pereira da Silva e agora, esse mais novinho de seis meses que é Inácio da Silva e Souza.

P/1 – E o seu neto veio para o Senhor por...

R – O meu neto veio por problemas da mãe e do pai, que nenhum dos dois tiveram condições de ficar com a criança. A avó paterna também não quis ficar com a criança. Aliás, queria doar a criança.

P/1 – E o senhor assumiu?

R – É. E a avó materna, que é o caso da minha ex-esposa, também não quis ficar com o menino. Eu peguei e acabei ficando com ele.

P/1 – E esse neto tem quantos anos?

R – Ele vai fazer cinco anos em abril. Então, por isso já não estou tendo muito tempo para lazer.

P/1 – O seu lazer também é com o seu neto, né, para ficar com ele.

R – É, geralmente eu tenho que sair com ele sábado, domingo, feriado. Agora não, eu tenho companheira, né, tenho esse menino pequeno e a gente sai, vai jantar fora, tem o clube, vai para o clube. É o lazer que a gente tem. A minha secretaria me toma muito tempo porque ela é uma secretaria, como eu já disse, os municípios estão assumindo a parte de segurança agora, então houve uma reestruturação muito grande lá e eu tive reestruturar tudo isso aí. Eu tenho 100 homens sob a minha responsabilidade. Então, você acaba se envolvendo com problemas até fora do serviço pela função que a gente exerce.

P/1 – Seu Ismael, o senhor tem algum sonho que o senhor gostaria de ver realizado?

R – Eu tenho um sonho que eu gostaria que se concretizasse: de viver mais alguns anos – pelo neto e esse meu filho agora – de ver eles crescidos, né? Esse é o meu sonho agora.

P/1 – O neto é filho também, né?

R – É a mesma coisa que filho, porque o pai e a mãe... A mãe vem uma vez em seis meses, um ano. O pai, tem uns três anos que não vem.

P/1 – Ele lhe chama como?

R – Pedro Paulo.

P/1 – Não. O seu neto, como ele te chama?

R – O meu neto me chama de avô. O nome dele é Pedro Paulo Franco Souza Dias.

P/1 – Bacana. Seu Ismael, o senhor gostaria de deixar registrada alguma outra história?

R – Eu gostaria de deixar uma mensagem para os companheiros petroleiros, porque eu acredito que eles vão ver tudo isso aí, vai ser difundido aí, né. Eu gostaria de deixar uma mensagem para os companheiros, os velhos companheiros de luta, os que estão hoje em atividade e os próximos que vierem: para não deixar a Petrobras virar uma empresa qualquer. Que continuem trabalhando para a Petrobras crescer e se tornar maior do que ela é hoje. Embora ela seja muito combatida por alguns interesses escusos, mas os funcionários que lá trabalham é que têm – vamos falar popularmente – segurar a peteca e não deixar cair.

P/1 – Eu queria saber o que o Senhor achou dessa iniciativa, que partiu do Sindicato e da Petrobras, de fazer esse Projeto Memória e se o Senhor gostou de ter participado.

R – Eu acho que foi muito bom, tanto pela iniciativa da direção da Petrobras, como da direção da FUP e do Sindicato. É uma coisa que falta muito, nós não temos isso aí. É muito pouco. O trabalhador trabalha e, entra um e sai outro, ninguém sabe o que aconteceu, quem fez e quem deixou de fazer. Então, isso é importante para nós. Eu achei muito bom ter participado. Sempre que me convidarem para alguma coisa, estou sempre à disposição – o pessoal do Sindicato sabe disso – e espero que isso aí seja bastante produtivo. Eu acho que vai ser sim.

P/1 – Vai ser sim. A gente gostaria de agradecer a sua participação e a sua entrevista que foi muito bacana.

R –Muito obrigado.

P/1 – Obrigado o senhor.

R – Eu é que agradeço.

 

--- FIM DA ENTREVISTA ---

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+