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E não é que dá caldo?

História de: Ruth dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/09/2015

Sinopse

Nesta entrevista, Ruth nos conta sobre a raíz mineira de sua família e a sua infância no bairro do Butantã. Fala sobre as escolas que lá frequentou e a descoberta do handebol, coroada pela Copa Dan'Up. Sabemos também sobre sua entrada no Projeto Esporte Talento em 1995 e o aprofundamento de sua carreira no esporte, que a fez se dedicar 100% ao handebol. Depois, vemos sua saga para conciliar o esporte com trabalho e faculdade, juntamente com a volta ao PET, já como estagiária. Ruth também nos conta sobre sua entrada no SESC Catanduva e sua transferência para Campinas, como coordenadora de esportes Por fim, sabemos sobre a situação atual de sua família, seus sonhos para o futuro e como foi contar sua história.

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História completa

Meu nome é Ruth dos Santos, eu nasci em São Paulo, capital, São Paulo. Meu pai se chama Daniel dos Santos e minha mãe, Maria de Fátima dos Santos. Eu tive pouco contato com o meu pai, né, quando eu nasci, a gente morou juntos ainda por dois anos e depois, eu nunca mais tive contato com ele, mas ele também é de São Paulo. Eu tenho três irmãs. Na época em que eu nasci, eu já tinha uma irmã mais velha, a Ana Paula, tem dois anos de diferença e aí, foi quando eles se separaram, porque o meu pai era alcoólatra e aí, ficou insustentável durante um tempo para a minha mãe, aí ela acabou se separando dele. Eu estudei numa escola aqui no Butantã, mesmo, Alberto Torres, né, na infância, eu estudava na Nossa Senhora dos Pobres, que fica aqui no Instituto Butantan, que como a minha mãe trabalhava lá, era mais perto para ela deixar a gente. E aí, eu estudei no Alberto Torres, foi a primeira escola e aí, depois que a gente foi morar com a minha avó, eu passei a estudar no Guiomar, Guiomar Rocha Rinaldi, que fica lá no bairro, onde o pessoal mora até hoje. E na quinta série, era uma escola que incentivava bastante o esporte, né, então tinha a professora de Educação Física, a Luciana, que a gente fazia aula com ela, mas tinha as escolinhas de esporte, então tinha handebol, tinha o vôlei, tinha basquete, e aí, eu tentei jogar vôlei um tempo e não conseguia porque eram as meninas mais velhas que jogavam e não deixavam as menorzinhas jogar. Então, eu fui tentar treinar um dia e aí, elas não deixaram e eu desencanei. E aí, eu fui jogar handebol e aí desde então, joguei durante um bom, tempo, mas comecei na escola, primeiro, na Educação Física e depois, nessas turmas de iniciação que tinham na época. A partir da quinta série, então a partir dos 11 anos, eu comecei a jogar, mesmo. Disputava, na época, tinha Copa Dan’Up. Disputei a Copa Dan’Up, daí tinham os jogos estudantis, a gente ia jogar, na época, jogava no Pacaembu. Então, ia para vários joguinhos. Eu fiquei até mais ou menos, uns 13, 14 anos, que foi quando eu tomei conhecimento que o Instituto Ayrton Senna ia ter o Projeto Esporte e Talento e o handebol, eles estavam fazendo peneira, na época. Tinham as modalidades, então tinha o handebol, que era feminino e masculino, tinha o basquete que era só feminino, tinha o futebol que era o futebol de campo, né, que era feminino e masculino e tinha canoagem na época, que também tinham meninos e meninas. A gente tinha brigas em alguns momentos, mas por conta de jogo, mesmo, quando jogava ou meninos contra as meninas e a gente queria ganhar deles e só perdia e quando conseguia ganhar, virava uma festa. Então, nesses momentos, criava um pouco de rusgo, um provocava o outro. Então, nos finais de semana quando não tinha treino, geralmente, a gente ia ver jogos, ou no Pinheiros, ou no Hebraica e se encontrava, passávamos uma tarde inteira juntos, então, às vezes, tinha festa na casa de alguém, a gente ia, então era um grupo bem gostoso. Todo mundo acolhia, chegavam pessoas novas, a gente tentava, minimamente, acolher. A gente não queria se desvincular do PET, então, a gente saiu mas na época, acho que foi o Kadu, ou… não me lembro se foi o Kadu ou se foi a Katia que falou: ‘Olha, vocês podem voltar de vez em quando para treinar”, e a gente vinha de vez em quando para treinar, para ajudar, às vezes a gente tumultuava e quando a gente tumultuava, eles chamavam a atenção: “Olha, tem que vir para ajudar, para somar”, e a gente vinha de vez em quando, mas quando começou a tomar… porque quando eu sai, eu tava jogando no Piaget e lá, o treino era muito puxado, então, primeiro que a distancia já era muito grande, né, saía daqui de São Paulo para ir para São Bernardo do Campo e ficava perto da Avenida Rudge Ramos, então era muito longe, pegava vários ônibus para ir e vários para voltar, era bem cansativo, não treinava todos os dias, né, mas os dias que não treinava, ao invés de vir treinar, as vezes, preferia ficar em casa dormindo, descansando um pouco. E aí, eu sai da Metodista, parei de jogar, profissionalmente, e foi quando a Janaina, na época, ela havia dito pra mim que o Mackenzie ia dar bolsa de estudo para quem fizesse parte da atlética e quem jogasse. Aí o procedimento era o mesmo, né, tinha que fazer peneira, comprovar que não tinha condições de pagar a faculdade, na época, de fato, eu não tinha condições, e aí, fui fazer a peneira, na verdade, foi um jogo, não foi nem uma peneira, foi um jogo e aí, eu entrei jogando, era o jogo dos calouros e aí, eu joguei e nesse dia, o diretor da atlética veio falar comigo: “Então, você tem interesse?”, eu falei: “Super tenho interesse em ser bolsista”, e aí, três meses depois, eu paguei a faculdade por três meses, minha tia pagou, na verdade, que eu não tinha condições. Minha tia pagou a faculdade por três meses e foi quando eu consegui a bolsa e aí, eu jogava pela faculdade e tinha a bolsa de estudos. Depois que eu terminei a faculdade, eu fiz uma entrevista para um projeto também que na época, acho que depois de um bom tempo, ele veio para cá para o CEPEUSP, que foi a Associação do Esporte Solidário, e eles treinavam aqui, os grupos etários já eram divididos por grupos etários, mas trabalhavam com atletismo, então eles treinavam aqui e se concentravam aqui, também. Eu trabalhei na Associação acho que por dois anos, dois anos e meio e teve um período que eu falei: ‘Vou prestar concurso, quero tentar outras coisas”, e aí eu lembro que eu prestei um concurso do estado para dar aula no estado, prestei um concurso da prefeitura, fiz um concurso também da Fundação Casa e teve um processo seletivo do SESC, que um colega meu, que dava treino comigo na Associação, inclusive, que ele comentou: “Você conhece o SESC?”, falei: “Não, não conheço” “Vai ter um processo seletivo, presta”, e aí eu prestei muito assim, desencanada, mesmo, porque nem conhecia, falei: “Não”, e aí fui passando várias etapas, várias etapas, várias etapas, foi quando me ligaram e falaram: “Olha, você passou já na última etapa e a gente tá oferecendo uma vaga para você em Catanduva” Lá eu fiquei dois anos e meio e no finalzinho de 2011, para o começo do 2012, me ligaram de Campinas…“Olha, ligaram para você de Campinas…”, nisso, eu já tinha recebido alguns convites tanto para voltar para São Paulo, né, como para ir para Campinas, mas era como monitora, mesmo. Ele falou: “Olha, te ligaram de Campinas de novo, só que dessa vez não é para ser monitora, é para você assumir a coordenação desportiva”, e eu fiquei feliz, mas ao mesmo tempo eu fiquei bem nervosa, porque Catanduva é uma unidade pequena, a cidade é uma cidade pequena de 130, acho que no máximo, mil habitantes. Olha, eu pretendo trabalhar com esporte sempre. Hoje, trabalhando no SESC, eu tenho a possibilidade de trabalhar com várias outras coisas, que não somente o esporte, né, pretendo continuar morando no interior e galgar outras posições dentro da própria instituição, né, eu acho que eu tô num momento bacana de aprendizado, de aprender um pouco disso tudo, né, então eu quero… na verdade, o céu é o limite, enquanto eu tiver possibilidade de crescimento, eu vou buscar, eu vou buscar esse crescimento. Então, eu vivo hoje sabendo que amanhã a possibilidade pode ser totalmente diferente, eu posso estar num cenário totalmente diferente. E aí, eu não sei muito onde chegar com tudo isso, mas eu sei também, que não tem um limite para tudo isso, né, então eu tô um passinho de cada vez, um passinho de cada vez.

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