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História

Duas décadas de aprendizado intercultural

História de: Liliane Gnocchi da Costa Reis
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/03/2016

Sinopse

Liliane Gnocchi da Costa Reis nasceu no Rio de Janeiro em 14 de março de 1956. Inicia sua narrativa com história de sua família, seu pai, mineiro, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar medicina e foi morar na região do Andaraí onde sua mãe morava. Cresceu na Tijuca, na região da Muda, com suas três irmãs sempre recebiam as amiguinhas em casa para brincar. Relata como sempre teve fascínio por viagens e conhecer o mundo e desde cedo quis fazer intercâmbio, morou seis meses nos EUA. Liliane ingressou no curso de Ciências Sociais e antes mesmo de se formar começou a trabalhar no AFS como Assistente de Programas. Permaneceu na instituição por 20 anos ocupando os mais diversos cargos e acompanhando etapas de fundamentais do crescimento da organização. Liliane encerrou sua carreia no AFS como Superintendente. É casada e tem três filhos, duas meninas e um menino.

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História completa

Meu nome é Liliane Gnocchi da Costa Reis. Nasci no Rio [Rio de Janeiro] em 14 de março de 1956. Meu pai [é] Jader Gomes Manso Monteiro da Costa Reis e [minha mãe] Iara Gnocchi da Costa Reis. Meu pai, que morava em Minas, veio estudar medicina aqui no Rio, se formou, conheceu minha mãe, que é carioca.  Ele veio morar numa pensão no bairro onde minha mãe morava que era ali pelo Andaraí.

Quando eu nasci meus pais foram morar no apartamento onde a gente morou a vida inteira. Primeiro moravam na casa da minha avó por parte de mãe aqui no Rio. A gente foi morar na Tijuca, numa rua bem pequenininha, num prédio que tinha, assim como eles, outros casais com as mesmas características, todos com filhos pequenos. [Tinha] aquela turma de crianças que subia e descia as escadas e fazia todas as brincadeiras, todos os jogos, todos os finais de semana, todas as festas, tinha festa de São João, fazia muita coisa, todo mundo junto, ensaiava quadrilha. Era uma coisa bem desse prédio. Era um dos poucos prédios da rua que era uma rua majoritariamente de casas. [Éramos] quatro meninas [Liliane e as irmãs], a gente dividia o quarto, a gente brincava de boneca, muito. Além de nós havia as várias outras meninas agregadas, uma que era mais minha amiga, outra que era mais amiga da mais velha, cada uma tinha uma mais amiga que ia lá pra casa, que era o lugar onde todo mundo ia brincar. Praticamente todo dia tinha gente pra lanchar.

Eu achava uma coisa meio encantada viajar, ir pra outros lugares, aquela coisa bem idealizada. Uma amiga, eu devia ter uns 14, 15 anos, que já era um pouquinho mais velha, estava indo [para os EUA em um] programa de seis meses. Um dia eu falei pro meu pai: “Eu quero fazer esse negócio”. Ele olhou e disse: “Mas nem por um decreto”. Eu passei a falar disso todo dia: “Quando eu for pros Estados Unidos”, porque a única coisa que eu conhecia era essa, Estados Unidos, “quando eu for pros Estados Unidos...”. Todo dia, no almoço, no jantar, no almoço e no jantar. Quando eu fiz 16 anos ele disse: “Está bem, você vai”.

Eu acho que o que muda é um pouco você conseguir enxergar a sua realidade de um outro ponto de vista, para o bem e para o mal. Nem é tão ruim quanto você pensava e nem é a maravilha que em algum momento você achou que era também. É o momento que você amadurece. “Eu estou aqui sozinha eu tenho que resolver sozinha”.

Quando eu voltei do intercâmbio eu já tinha bem noção de quais eram as minhas preocupações. Também deu tempo de entender um pouco melhor o que me interessava. Em 1974 entrei pra universidade [faculdade de Ciências Sociais]. Uma amiga da universidade que já tinha sido participante do AFS falou: “Você não queria trabalhar? Tem esse negócio lá que é só de tarde, é de uma e meia às seis e meia, dá pra você fazer a faculdade e é isso. Só precisa bater a máquina e saber inglês.” Pronto. Eu vim, fiz a entrevista, entrei e comecei. Eu já queria trabalhar e então era essa a ideia.  Mas não tinha a ideia de como era. Pra mim ia ser um trabalho tipo enquanto eu estava na universidade.

Eu comecei como assistente, fui coordenadora, fui diretora de programas, fui superintendente, eu fiz a carreira toda. O AFS me deu muito [a]  possibilidade [...] [da] convivência com muitas pessoas diferentes. Isso foi muito interessante. Ao mesmo tempo, eu estive no AFS num momento da vida que entrei com 19 anos e saí com 39. É um período em que acontece muita coisa. Um período que eu ainda estava na faculdade. Depois saí, depois casei, quer dizer, antes disso até participei de uma porção de coisas, de movimentos sociais, casei, tive filhos, separei, comecei uma outra relação com outra pessoa e outras coisas que eu fui fazendo na vida, em outras áreas. Ocupou um período da minha vida que foi muito da minha transição. De 19 anos você tem uma certa característica, com 39 você já é uma outra pessoa. Esse foi um período muito interessante de ter vivido isto aqui e muito disso que eu vivi foi em função desse trabalho, de trabalhar com voluntários, de trabalhar com essas questões que as pessoas trazem, os dilemas todos, que é muito legal. Você trabalhar numa coisa como o AFS é você ver o mundo inteiro passar na sua frente. Tudo que você puder imaginar acontece. Quando você passa por todas essas coisas, te dá uma medida do que é a vida. Isso é muito legal. E acho que é muito difícil em alguma outra organização você ter essa oportunidade dessa convivência com pessoas que são pessoas muito interessantes, os profissionais todos com quem eu convivi de todos os países, do AFS Internacional, os que passaram por aqui, pessoas muito interessantes e os próprios voluntários que também são pessoas muito incríveis. É um micromundo que você aprende e que é muito deslumbrante, muito legal.

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