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Dona do lar

História de: Vilma do Carmo Guidugli Leoni
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Em seu relato Vilma do Carmo Guidugli Leoni relembra momentos de sua vida, como quando conheceu seu marido, conta que desde jovem já almejava casar-se e se tornar dona de casa e como foi para ela realizar isso se tornando mãe e vivendo uma vida em família.

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História completa

P/1 – Bom dia.

 

R – Bom dia.

 

P/1 – Eu queria que a senhora dissesse para nós o seu nome completo e a data de nascimento?

 

R – Vilma do Carmo Guidugli Leoni, nasci no dia 19 de julho de 1928.

 

P/1 – O nome dos seus pais e dos seus avós?

 

R – Meu pai chamava-se João César Paulo Guidugli e a mãe Maria Assunta Fagá Guidugli, os avós maternos Savério Fagá e Rosa Fagá e os paternos Luiz Guidugli  e Luiza Guidugli.

 

P/1 – Qual a atividade profissional dos pais da senhora?

 

R – Meu pai era viajante e minha mãe era dona de casa.

 

P/1 – E dos avós?

 

R – Dos avós? O avô materno era comerciante ele teve padaria, teve outras coisas de comércio que eu não me lembro no momento, mas a padaria eu lembro e a minha avó era dona de casa. O meu avô paterno era também comerciante lá no interior de São Paulo ele tinha hotel, tinha casa de comércio e a minha avó também cuidava dos filhos, era dona de casa.

 

P/1 – A senhora sabe qual a origem do nome da sua família?

 

R – Do meu pai é origem italiana e da minha mãe também.

 

P/1 – Os dois são da Itália?

 

R – Os dois são da Itália, as duas famílias vieram da Itália.

 

P/1 – E aquele outro nome o Fagá?

 

R – Fagá do meu avô é que tem uma descendência francesa, mas o meu avô nasceu na Itália, mas tinha uma descendência francesa que é o sobrenome Fagá.

 

P/1 – A senhora tem irmãos?

 

R – Não, sou filha única.

 

P/1 – Vamos falar um pouco da sua infância.

 

R – Pois não.

 

P/1 - Conta para gente como que era o bairro em que a senhora morava? Como que era a rua?

 

R – Bom, eu nasci no bairro do Brás, contado pela minha mãe, eu morava perto do parque Dom Pedro II, aquele, né? Meu avô tinha padaria na Avenida e nós morávamos todos por perto, depois de uns quatro ou cinco anos eles mudaram todos para os Campos Elíseos, a minha avó e a minha tia irmã da minha mãe. Nós morávamos sempre perto uma da outra e depois de uns anos quando eu tinha doze anos eu fui para a Vila Mariana e hoje estou na Vila Mariana também, quer dizer, Vila Clementino é pegada [próxima] à Vila Mariana.

 

P/1 – Então andou por vários bairros?

 

R – É, foram vários bairros.

 

P/1 – E de onde a senhora lembra mais? Que bairro?

 

R – Eu lembro dos Campos Elíseos, porque eu fiquei lá até doze anos. Eu estudava num colégio da Alameda Cleveland chamado Stafford, colégio Stafford, até os onze anos eu estudei nesse colégio. Frequentava a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, ia às missas lá, depois eu mudei para o bairro da Vila Mariana, passei para o colégio São José das irmãs de São José, na Rua da Glória e terminei o ginásio lá. Depois fiquei em casa uns dois anos, aí conheci meu marido e num ano e meio nós namoramos e nos casamos, eu continuei morando na Rua Madre Cabrini com a minha mãe. Nós ficamos cinco anos morando lá. Lá nasceram meus dois primeiros filhos e depois eu mudei para a Rua Santa Cruz, na Vila Mariana, também no conjunto dos bancários que eles tinham feito lá. Nós ficamos cinco anos morando lá, depois nós transferimos para a Nove de Julho, fiquei vinte anos na Nove de Julho e agora estou na Vila Clementino.

 

P/1 – Vamos voltar de novo lá na sua infância?

 

R – Ah, na infância o que eu lembro?

 

P/1 – Como que era a sua casa?

 

R – A minha casa? Meu pai era viajante então ele ficava muito fora, né? Ficava eu e minha mãe, por isso que ela morava sempre perto dos pais e da irmã para não ficar sozinha. Tinha a minha prima, essa minha tia tinha uma filha também filha única e nós brincávamos muito as duas juntas, íamos à escola juntas. Elas levavam, traziam e eu não andava sozinha. Tinha uma serraria pegada a minha casa do lado da frente, a Serraria São Paulo, nem sei se ainda existe. Pegada a minha casa ao fundo tinha um depósito e no depósito morava uma família que tomava conta da serraria. Eu tinha muita amizade com uma das filhas e eu brincava muito dentro da serraria, andava lá naquelas madeiras, brincava de pega-pega. Era só pular o muro eu ia para a casa dela e ela ia para a minha. Minha vida lá foi assim, brincava com a minha prima que morava perto ia para o colégio e voltava de lá que eu me lembro é isso até uns dez onze anos. Eu fiz a primeira comunhão no Colégio Staffrod e foi feita na Igreja de Santa Efigênia a primeira comunhão e eu me lembro que depois eles lá no colégio ofereceram um café para todas as meninas, um café, um tipo de lanche muito gostoso, farto com doces e tudo, para a família também. Me lembro da primeira comunhão de lá acho que é só isso que eu me lembro e depois eu fui para a Vila Mariana, frequentei o Colégio São José. Eu gostava muito das freiras eu não me lembro qual o nome delas agora no momento, e fiz até o último ano do ginásio e me formei em 44 tinha 16 anos. Nesse período também a minha prima morava pegado e eu saía muito com a minha prima com a minha tia, viajava com elas nas férias, aonde ela ia me levava junto. Até que conheci o meu marido e me casei.

 

P/1 – A senhora disse que brincava? Brincava na Serraria? Brincava de que mais?

 

R – Ah, eu me lembro que a gente brincava muito de amarelinha. O que mais? Pega- pega e eu corria muito por aquelas madeiras lá na serraria com minha amiga brincando de esconde-esconde. E já quando eu morei na Vila Mariana já era mais andar de bicicleta, passear com as amiguinhas, porque já estava maiorzinha, né, doze anos e muita brincadeira assim já não tinha, era flertar com os meninos. É isso é que era nessa idade, naquele tempo era flertar aos doze anos ou treze era flertar com os vizinhos. Eu tinha uma vizinhança muito boa, tinha muitas colegas da redondeza que iam para o Colégio São José também.

 

P/1 – Como é que era o cotidiano da sua casa? Como era organizada a sua vida?

 

R – Era assim, como era só eu e minha mãe a gente... Eu só estudava, eu estudei piano, estudava piano em casa tinha as professoras que vinham em casa, fiz até o oitavo ano de piano e eu tinha aquele horário certo para estudar piano de manhã, para fazer as lições do colégio, almoçar. A gente entrava onze e meia no São José era até as quatro e meia e saía. Vinha para casa e a tarde descansava saía às vezes, fazia a noite um pouco de lição para não ficar muito para o dia seguinte. E depois nós íamos de bonde, porque naquele tempo era o bonde, então até a Rua da Glória a gente ia de bonde para o colégio e voltava. Minha mãe me levava, a minha prima também ou a minha tia também me levava. E ia buscar e ela fazia hora e ficava na casa da minha avó, porque ela morava no Paraíso até ela voltar para buscar à tarde também, mas a gente não andava sozinha naquele tempo só acompanhada da mãe.

 

P/1 – E final de semana quando seu pai estava em casa, como que era?

 

R – O meu pai ficava assim... Não é todo fim de semana que ele ficava em casa, porque às vezes ele viajava muito longe de trem naquele tempo, naquele tempo ia de trem, não tinha ônibus essas coisas, essas linhas de ônibus, então ele ficava uns vinte dias às vezes até mais. Então ficava eu e minha mãe, eu vivia muito na casa da minha tia, aquela que morava pegada. E ia muito à casa da minha avó, fim de semana eu ficava mais na casa da minha avó sábado e domingo, porque ela ficava muito lá na casa dela, a minha mãe, ela ajudava a minha avó e a tarde vinha para casa dormir, naquele tempo não havia televisão era só rádio, né?

 

P/1 – A senhora foi para escola com quantos anos? Quando começou a estudar? Como foi isso?

 

R – Acho que sete anos, porque eu não me lembro, eu me lembro que antes do Stafford eu frequentei um, seria hoje como um Jardim da Infância, naquele tempo era só Jardim da Infância que tinha lá perto de onde eu morava, era um Jardim da Infância. Eu sei que eu fiquei um ou dois anos lá, depois que eu passei para o primeiro ano do Stafford, era perto lá da Rua Barão de Limeira, naquelas redondezas lá. Agora eu não tenho muita lembrança desse Jardim da Infância, eu não tenho, só tenho do colégio Stafford.

 

P/1 – Que foi com oito anos?

 

R – Eu acho que com sete que eu fui para lá, sete anos que eu fui para o primeiro ano do colégio.

 

P/1 – A senhora lembra?

 

R – O colégio eu lembro que eles davam muita festa no fim de ano, eu sempre gostei muito de dançar e eu participava das festas. Me lembro que em uma festa de fim de ano me vestiram de borboleta, de cigana uma vez, essas fantasias eu participava das festas e eu sempre gostei muito de dançar. Eu cheguei a frequentar mesmo lá nos Campos Elíseos um curso de um sapateador que ficou muito famoso aqui em São Paulo, eu não tenho muita lembrança do nome dele eu cheguei a sapatear até na rádio, a Difusora se não me engano, com Papai Noel e cheguei também a participar de um... Minha tia irmã da minha mãe tinha um colégio no Brás, o Colégio era acho que era Vera Cruz na Rua Piratininga e eu chegava a participar de festas lá no final de ano eu também dançava lá nas festas. Eu ia muito lá nesse colégio e dançava nas festas. O marido dela é que era diretor do colégio e eu estava sempre lá nesse colégio.

 

P/1 – Além de ser um colégio festeiro, o que mais a senhora lembra do colégio?

 

R – Do Stafford? Eu me lembro que lá os uniformes eram muito bonitos, tinha vários uniformes dois ou três, tinha piscina. O colégio eu me lembro que meu pai me matriculou no curso de piscina, mas eu não consegui aprender nadar e até hoje eu não sei, sempre tive medo da água, me matricularam no colégio e até hoje eu não sei nadar. Que mais que eu me lembro do colégio era muito bonito, era grande.

 

P/1 – Muitas alunas?

 

R – Muitas. Era bem frequentado o colégio, tinha pessoas assim de posses lá no colégio. Era Brandina Rato, a diretora do colégio Stafford naquele tempo. Se não me engano, eu já ouvi falar que parece que tem um no Morumbi com esse nome, não sei se seria o mesmo tem pouco tempo que eu ouvi falar, não sei se seria o mesmo. E do São José eu lembro que também tinha muitas amigas, lá já era um colégio de freiras só tinha aula de Educação Física, esse negócio de piscina essas coisas aí não tinha. Era um colégio já bem mais... Mas eu gostei muito do colégio, tinha capela a gente frequentava as missas lá do colégio eu gostei muito do colégio São José também. Saí de lá em 44.

 

P/1 – A senhora tem boas lembranças do ensino? Da relação com os professores?

 

R – Tenho. Eu não lembro muito dos professores, havia professoras freiras, tinha várias professoras e outras de fora, mas não lembro delas não, lembro só de uma irmã lá, porque eu gostava muito dessa irmã, mas não tenho lembrança do nome no momento. Porque eu não voltei mais lá depois que eu me formei. Eu tinha uma amiga lá, colega de classe, que morava na mesma rua, era daquela família Calazans, lembro o nome dela até hoje Marilena Calazans, depois não encontrei mais. Eu era amiga dela. As outras eu não me lembro e tinha uma amiga também que se tornou freira que por coincidência quando eu fui ter o meu segundo filho no hospital encontrei com a freira. Ela era freira lá no hospital, aquele do Cambuci, acho que é Cruz Azul. Ela estava trabalhando lá no hospital, inclusive depois que eu tive o neném ela veio me cumprimentar no quarto, mas eu não tenho lembrança do nome dela, encontrei com ela lá, ela foi minha colega do São José.

 

P/2 – E a senhora estudou até quantos anos?

 

R – Eu saí com 16 anos, porque eu perdi um ano quando troquei do Stafford para o São José, porque eu tive maleita. Eu tinha ido para Santos, acho que fui mordida pelo mosquito, eu perdi três meses de aula, então eu do quarto ano tive que passar para fazer a quinta série, fiz um ano a mais.  Quinta série, naquele tempo depois era o primário e o ginásio, não tinha primeiro grau, segundo grau.

 

P/1 – Eram quantos anos?

 

R – Quatro de primário e quatro de ginásio e havia a quinta série para quem queria fazer a quinta série que seria um tipo de um cursinho para prestar, porque a gente prestava exame quando saía do primário para o ginásio. Então havia essa quinta série para os mais fracos. Eu como tinha perdido os três meses e justamente a gente ia mudar no meio do ano de colégio em julho, eu ia começar em agosto, foi quando eu fiquei doente, então eu fui para a quinta série e eu fiz um ano a mais. Seriam oito anos e eu fiz nove.

 

P/1 – E depois a senhora não estudou mais?

 

R – Não estudei mais, só estudava piano em casa, depois larguei também enjoei eu não tinha muita vocação para pianista, minha mãe queria...

 

P/2 – A senhora toca até hoje?

 

R – Não, não toco mais, inclusive eu vendi o piano, a gente perde a... Não toco mais toquei bastante estudei até... Sempre com professora particular, nunca fui ao conservatório, estudava em casa, vinha professora em casa.

 

P/2 – A senhora nunca pensou em ser pianista?

 

R – Não, minha vocação é para dona de casa mesmo (risos).

 

P/2 – Queria ser dona de casa mesmo?

 

R – É, eu queria ser dona de casa, hoje talvez eu pense diferente, mas pianista não eu gosto muito de ouvir música de tocar é que agora eu não tenho mais agilidade nos dedos, mas não tinha vocação para... Eu me lembro que gostava muito de estudar violão, mas nunca aprendi, porque eles achavam que tinha que ser piano e violão não era muito, naquela época, para mulher era mais para homem e tinha vontade de aprender, mas nunca consegui aprender violão não.

 

P/2 – E por que a senhora foi aprender piano?

 

R – Ah, eu não me lembro, só sei que com sete anos eu e a minha prima começamos aprender piano, vinha uma professora em casa a Dona Vanda. Não lembro o sobrenome dela e vinha toda semana dar aula para gente e a minha mãe... Eu tinha que ficar uma hora lá estudando de manhã, aqueles exercícios, ela ficava brava comigo e eu não gostava muito não, também a minha prima também largou nenhuma das duas... Eu acho que isso precisa ter vocação, para ser pianista. Eu queria me formar para ensinar era preciso ter vocação, eu nunca dei para professora não.

 

P/2 – E a senhora já gostava de coisas de casa?

 

R – É. Depois eu comecei a aprender costura quando saí do ginásio ia à aula de costura aprendia um pouquinho, depois larguei. Aí depois conheci o Orlando e comecei... Nós namoramos pouco, um ano e meio e já casamos. Aí era só mesmo filhos e casa.

 

P/1 – E então aí na adolescência tinha muitos amigos? Tinha uma turma?

 

R – Não, eu não era de ter turma não, naquele tempo não tinha esse negócio de turma não, era mais a minha prima, a vizinha da frente, uma amiguinha, mas não assim uma amiga íntima. A minha amiga mais íntima foi essa dos Campos Elíseos que eu ia brincar lá na serraria, mas aí foi até os onze ou doze anos só, depois eu mudei e amiga íntima mesmo nunca tive, era mais a minha prima mesmo que hoje ela é falecida, casou depois também e depois que a gente casa fica mais do lado da família, aí já é mais...

 

P/1 – Não tinha os colegas da escola para sair?

 

R – Não, só tinha essa do Calazans, tinha outra família que era quase em frente a minha casa que era a Lafarina o sobrenome, as meninas estavam também lá no São José. Às vezes a gente se encontrava, conversava, mas não era de frequentar. Às vezes ia ao aniversário, mas não era de frequentar uma a casa da outra não, estava mais em casa sempre.

 

P/1 – Então a senhora falou que andava de bicicleta?

 

R – Eu adorava bicicleta, andava muito na bicicleta dessa amiga de frente, eu tinha vontade de ter uma bicicleta e minha mãe tinha medo de dar bicicleta, sabe aquele medo de deixar andar de bicicleta na rua. Então eu convenci o meu pai que eu queria uma bicicleta e ele ia dar uma bicicleta para mim no meu aniversário, no dia 19 de julho. Porque eu faço anos e em julho no começo das férias eu fui para Santos com a minha tia, com os meus pais também essa vez. Lá alugavam bicicleta na praia do Gonzaga, eu fui andar de bicicleta e quando eu fui entregar a bicicleta eu não percebi, não senti dor, não senti nada, mas viram que eu tinha cortado aqui a perna, aí precisei levar não sei quantos pontos na perna e tudo. Aí não ganhei mais a bicicleta (risos) então eu andava de bicicleta, gostava demais na praia quando eu ia e essa minha amiga tinha bicicleta e no fim não ganhei a bicicleta.

 

 

P/1 – E quando a senhora andava de bicicleta aqui em São Paulo ia para onde?

 

R – Não, aqui eu andava só na rua lá com a bicicleta dessa minha amiga na rua Madre Cabrini que eu morei na Vila Mariana e andava na praia, a gente não saía assim para longe.

 

P/2 – A rua era tranqüila?

 

R – Naquele tempo era tudo tranquilo, não é como hoje, quer dizer, a gente andava até na calçada, porque a calçada também era tranquila, não tinha muita gente passando na calçada. A rua é comprida sobe até a Domingos de Morais e a gente andava de bicicleta mais na calçada, mas assim mesmo eles tinham medo, os meus pais, era mais a minha mãe que tinha medo de acontecer alguma coisa. E depois foi acontecer isso que eu cortei a perna, deve ter sido o guidão da bicicleta, mas eu não senti nada, porque eu não tinha visto. Quando fui entregar a bicicleta é que eles viram que o sangue estava escorrendo. Eu levei acho que uns quatro ou cinco pontos na perna. Eu tenho a marca ainda, aí não ganhei mais a bicicleta.

 

P/2 – A senhora também não perdeu a vontade de andar de bicicleta, queria uma bicicleta?

 

R – Eu sempre que via uma bicicleta eu andava até a pouco tempo eu andava ainda agora já é difícil.

 

P/2 – Tinha algum esporte que a senhora gostava? Que praticava?

 

R – Não, nunca fui de praticar esporte nem nada. Eu frequentei com a minha prima e o pai dela é que levava o meu tio eu frequentei o Clube Tietê uns tempos, mas eu tinha medo da água não entrava na piscina, só entrava na piscina para ficar de pé na piscina. A gente ia lá às vezes passear um pouco depois de casada com o meu marido. Nós frequentamos o Palmeiras, mas eu também não entrava nas piscinas, só passeava por lá com meus filhos pequenos, nunca fui de água sempre tive medo.

 

P/2 – Esporte com bola também não?

 

R – Não, nunca fiz esporte nenhum não jogava bola muito não. Eu acho que naquele tempo eu não sei se mulher participava muito desses esportes não. Hoje é diferente, nem nas escolas não tinham, por exemplo, lá no Colégio São José só tinha aula de Educação Física só, não tinha como eles jogam hoje basquete. Isso não tinha naquele tempo só às vezes os colégios mais sofisticados tivessem, mas o que eu frequentei não.

 

P/2 – E a senhora não gostava das aulas de Educação Física?

 

R – Gostava das aulas de Educação Física, eu gostava, mas era exercício só assim, tinha professora de Educação Física.

 

P/1 – E dona Vilma, como é que era a moda? Como é que a senhora se vestia?

 

R – A moda? Calça comprida não que eu me lembre, foi muito tempo depois que surgiu a calça comprida que hoje... Eram umas saias rodadas, me lembro que no tempo de frio eu tinha uma saia godê de lã e que mais? Maiô não era como hoje. É lógico era um maiô bem mais fechadinho com saia na frente assim, tem umas fotos lá com uns maiôs bem mais fechados e que mais posso dizer? Short a gente usava, mas não era short muito curto, era mais compridinho. Calça comprida eu não lembro de ter usado só depois de casada que eu comecei a usar calça comprida, no frio era saias, tailler de lã que a gente usava e no verão era vestido só de verão, não muito aberto muito decotado não era também, era com manguinha, às vezes alguns sem manguinha, mas bem fechadinho, a moda era completamente diferente no meu tempo do de hoje, né?

 

P/1 – Para sair, para ir a festas assim, como é que era?

 

R – Era vestido rodado, o vestido era rodadinho. Quando era criança era franzidinho ou rodado com manga bufante, fechadinho de golinha era assim.

 

P/1 – A senhora é vaidosa?

 

R – Muito, muito não, era meio termo, nunca fui muito não, fui mais para o simples.

 

P/2 – E quando a senhora saía assim com os amigos, ia para onde se divertir? Além de andar de bicicleta ia para onde?

 

R – Amigos era muito difícil, não saía com amigos saía sempre com os pais, com minha prima, com minha tia, com minha mãe, meu pai quando ele estava...

 

P/1 – Nessa época de adolescente aonde a senhora ia?

 

R - A gente ia para a casa de parentes naquele tempo, parentes do meu pai, parentes da minha mãe. Fazia-se muita visita antigamente à noite principalmente vinham parentes na nossa casa, a gente ia visitar, a gente saía assim para fazer visita para as famílias e eu tinha uns tios que moravam aqui na... Perto do zoológico que aquele tempo lá tem uma... Como é que chama de ferro?

 

P/1 – Estrada de ferro?

 

R – Não, que fabrica o ferro, esqueci o nome.

 

P/1 – Fundição?

 

R – Não tem outro nome, lá na Água Funda perto do zoológico tem uma enorme lá que era a família... A gente esquece...

 

P/1 – É fundição.

 

R – Fundição? Vocês não conhecem? Nunca viram? Porque agora está muito diferente lá está muito povoado são só casas para lá do zoológico, naquele tempo era mato lá. Eu ia lá, meus tios moravam lá e os dois trabalhavam nessa fundição de ferro e a gente ia muito lá sábados e domingos passar com eles também. Era um passeio para gente, porque saía aqui do movimento que não era muito movimentado também e ia lá que era mais mato. Ia também, a minha tia, o marido dela, ele com os irmãos ele tinha uma predial de imóveis ele e os dois irmãos. Chamava-se Predial de (Luquê?) seria assim como uma chácara grande em São Caetano, porque naquele tempo São Caetano também não era o São Caetano de hoje, tinha muitos terrenos, as casas eram... Então tinha essa chácara em São Caetano e eu ia muito com eles lá passar o sábado e o domingo também como a minha tia. Mas a nossa vida era assim de adolescente, não era como hoje aqueles saem... Nunca frequentei barzinho, baile nada naquele tempo era só em casa mais e sair com os pais.

 

P/1 – E as paqueras, os flertes como era?

 

R – Ah, era só flerte mesmo, só olhar.

 

P/1 – E flertava quando saía com os pais? Quando que flertava?

 

R – Só olhava.

 

P/1 – Era só olhar?

 

R – Era só olhar. O meu marido contou como nós nos conhecemos?

 

P/1 – Contou, mas eu queria ouvir da senhora.

 

R – É, ele veio morar justamente na pensão que tinha na minha rua, na rua que eu morava, havia um rapaz que morava lá que mudou antes para lá e começou a me paquerar, mas como eu não simpatizei com ele, eu não dava trela para ele. Ele vivia atrás de mim e eu não dava trela. E aí depois de uns dias esse veio morar junto, porque eles geralmente moravam dois ou três rapazes num quarto da pensão. Naturalmente eles trocaram confidências, o outro falou para esse que eu não dava bola para ele e esse falou para o outro que ele ia conseguir me conquistar, foi assim. Eu simpatizei com ele, aí ele fez uma aposta de uma caixa de cerveja e ele ganhou a caixa de cerveja, eu não sabia dessa aposta fiquei sabendo muitos anos depois. E depois nós continuamos com a amizade com ele, porque ele era amigo do meu marido, mas nem por isso eu tinha simpatizado com ele e simpatizei com o outro. Acabei casando com ele e ficamos muito tempo ainda porque a gente se encontrava, porque ele trabalhava no mesmo banco e depois eles se separaram e eu não o vi mais também, não sei se ele está vivo até hoje, não sei.

 

P/2 – E o seu marido foi seu primeiro namorado?

 

R – Foi. Fora as paquerinhas, os flertes que tinha assim, né? Tinha um rapaz lá na rua que eu gostava, mas ele não estava a fim, então depois eu esqueci. Então namorado mesmo ele foi o primeiro, que eu comecei a namorar firme, depois ele entrou dentro de casa, depois ficamos sabendo que as famílias eram conhecidas, porque eram as duas famílias de Ribeirão Bonito. O pai dele conheceu a minha mãe com sete ou oito anos, pequena, seis, sete anos ou menos ainda, porque eles moravam na mesma cidade. Ele lembra da minha mãe pequenininha, porque a minha mãe era a mais velha dos irmãos na família dela, então ele lembra dela. E assim devido ao conhecimento das famílias e daí o namoro foi... Como é que se diz? Perdurou muito tempo e aí com um ano e meio nos casamos e ficamos morando com a minha mãe na mesma Rua Madre Cabrini. Morei cinco anos lá e aí depois os conjuntos dos bancários construíram aqueles apartamentos da Rua Santa Cruz e nós fomos morar lá, conseguimos um apartamento lá. Ficamos mais cinco anos e depois nós fomos morar lá na Nove de Julho que nós fizemos uma permuta, porque o apartamento era dos bancários também que são os da Nove de Julho com a Groenlândia. Moramos 20 anos lá e aí fomos para Rua Altino Arantes e estamos até hoje, são 24 anos lá.

 

P/2 – A senhora casou com quantos anos?

 

R – Eu casei... Mais de 48 faltavam dois meses para completar 20 anos, eu casei em maio e vim a completar 20 em julho.

 

P/2 – A senhora lembra do dia do casamento?

 

R – Lógico, lembro. Casamento, você não esquece o dia do casamento.

 

P/2 – Como foi assim o dia da senhora? Como foi?

 

R – Eu me lembro que nós casamos dois dias antes... Aquele tempo havia o casamento civil antes do casamento da Igreja, era preciso casar antes no civil para depois casar na Igreja. Eu me lembro que nós casamos na quinta feira no civil no dia seis, porque eu casei dia oito de maio num sábado. Então no dia seis foi o casamento civil no Cartório da Vila Mariana se não me engano era o Largo Ana Rosa, teve um almoço para a família dele e para os meus padrinhos que era essa minha tia, o meu tio, a minha prima, os meus avós, só íntimos. E no sábado foi o casamento religioso, porque eu vim casar aqui na Igreja Coração de Jesus, porque eu freqüentava essa Igreja quando morava nos Campos Elíseos, então eu quis casar ali. A gente como não ia fazer festa, fizemos uma reunião assim com bolo, champanhe só para os padrinhos e os pais, foi uma coisa íntima e depois quando foi mais ou menos... Eu casei mais ou menos seis horas da tarde e quando foi mais ou menos umas onze horas nós fomos para a lua de mel em Santos e ficamos lá na praia do Gonzaga, porque nós frequentávamos o Hotel Bongiovanni lá, eu fui para lá, ficamos uma semana lá, depois voltamos e começou a vidinha de casado. Ele começou a trabalhar e a minha mãe... Eu morando com a minha mãe e depois de cinco anos é que nós separamos que eu fui para o apartamento. Ela não quis vir comigo, ela ficou cuidando dos pais dela que moravam na mesma rua, eles tinham mudado lá para a mesma rua e ficou cuidando dos pais dela até eles falecerem. Aí depois com o tempo mais tarde ela veio morar comigo aqui na Nove de Julho.

 

P/2 – E ficou até...

 

R – Até falecer. Antes do... Porque os meus dois filhos mais velhos casaram com a diferença de um mês e meio cada, uma casou dia trinta e um de julho e ele casou dia quatro de setembro e minha mãe faleceu no dia vinte e cinco de setembro. Então nos dois casamentos ela estava doente na cama, ela não chegou a ir para a Vila Clementino, faleceu antes de eu mudar, depois de dois anos que eu mudei para lá.

 

P/1 – Como que a senhora descreve o seu dia, a sua vida de casada? O seu dia a dia, como é que é? A vida com os filhos?

 

R – No tempo que eu casei?  Ah, a vida de casada minha filha naquele tempo era assim você levanta se tem filhos tem que cuidar dos filhos, ajudava minha mãe, minha mãe me ajudou muito, porque eu morei cinco anos com ela, então ela cuidava da menina mais velha. A gente tinha pouca experiência, porque eu tive... Ela nasceu em maio do outro ano, então eu ia fazer vinte e um anos e não tinha muita experiência com criança, né? Eu era muito nova, não sabia muita coisa, então ela me ajudou bastante a criar a primeira, a segunda quando ele nasceu já foi com quatro meses lá para Santa Cruz, mas ela ia quase todo dia lá em casa e ela me ajudava, ela cozinhava, enfim me ajudava, quando eu precisava sair levar um no médico, ela ficava com o outro e era essa vidinha de dona de casa, fazer o serviço como até hoje.

 

P/1 – E com ele, saíam juntos? Saía com a família?

 

R – Com o Orlando?

 

P/1 – É com a família?

 

R – Nós saíamos juntos todos... Sempre que nós saíamos era junto e com os filhos. Ia visitar minha mãe que morava ainda com os pais dela, ia muito à casa da minha tia que estava morando aqui no... Seria o bairro um pouco mais acima do que eu moro perto da Igreja Santa Rita de Cássia. É Planalto Paulista que eles chamam lá perto da igreja, pegado a Vila Clementino. Morava perto de casa e a gente ia visitar. A saída era para casa de parentes, a casa dos irmãos dele, porque ele tinha dois irmãos morando aqui em São Paulo casados, uma irmã e um irmão e a gente ia à casa deles de vez em quando, mas saía sempre juntos. É lógico que ele ia a jogo de futebol e eu não ia lógico, às vezes a gente ia a alguma festa do banco juntos. Muitas festas que o banco proporcionava e a gente ia junto com os filhos. Cinema, só que ia pouco ao cinema não ia muito, agora depois que eu mudei lá para Santa Cruz já era mais difícil sair à noite, porque tinha os filhos pequenos e minha mãe não estava lá e não tinha com quem deixar, né? Era mais difícil, aí começou a ralear o cinema, a gente ia muito pouco, aí ele comprou carro e a gente saía muito de carro para passear ia para cá para lá, viajava muito para o interior, porque ele era de Bariri e a gente ia todo ano lá para Bariri, na Páscoa. Ás vezes ia ao fim do ano, passava em Araraquara nos parentes da minha mãe em São Carlos tenho parentes, viajava todo ano para o interior. E o resto era aquela vidinha ele trabalhando, eu em casa, as crianças na escola.

 

P/1 – Como é que foi ser mãe para a senhora? Como que...

 

R – Ah, foi uma coisa, lógico que logo que eu casei queria ser mãe, foi a maior alegria da minha vida poder ser mãe, eu tive três: a menina mais velha e dois meninos, eu acho que toda mulher quer ser mãe, então foi muita alegria quando ela nasceu. Ela nasceu justamente no dia de Santa Rita de Cássia dia 22 de maio e ela leva o nome de Maria Rita, hoje ela está... Vai fazer 54 anos já, nós vamos fazer 55 de casados e ela 54, tem o outro com 50 e tem o outro com 40.

 

P/1 – E ser mãe mudou alguma coisa na sua vida além do dia a dia é claro, mas assim que a senhora acreditava no que iria ser?

 

R – Não entendi? Ser mãe mudou o quê?

 

P/1 – Mudou alguma coisa na senhora? Dentro da senhora? Não só no dia a dia, mas...

 

R – Ah, é lógico, né, a gente com bebê assim, ainda mais o primeiro a gente muda bastante e a gente, inclusive depois vai amadurecendo, vai aprendendo. A minha mãe me ensinava muita coisa e com o tempo a gente vai aprendendo, amadurecendo, porque eu era nova quando ela nasceu eu ia fazer ainda 21 anos e a gente depois vai amadurecendo bastante, aprendendo a lidar com as crianças. Ela foi uma criança, não foi muito chorona não e não deu muito trabalho não.

 

P/1 – Os três?

 

R – Sim os três. De pequeno eles não deram muito trabalho não e nem mesmo adulto.

 

P/1 – A senhora nunca teve vontade de ter uma atividade profissional? De ter uma atividade para fora de casa?

 

R – Hoje eu penso que poderia ter tido, mas naquele tempo não...

 

P/1 – E hoje então o que a senhora gostaria de fazer?

 

R – Ah, hoje não, hoje já não dá, quando eu mudei aqui para a Rua Altino Arantes eu tinha vontade de trabalhar como... Nesses hospitais como chama?

 

P/1 – Voluntária.

 

R – É voluntária, porque quando minha mãe faleceu, eu fiquei só eu o meu marido e esse meu filho menor, ele estudava, ele saía o dia todo e como lá perto tem a APAE, tem o Hospital São Paulo eu moro perto, o Amparo Maternal eu pensei em trabalhar como voluntária. Eu fui à APAE, quando eu fui lá tinha encerrado as inscrições e ela falou: “A senhora volta o ano que vem” já estava encerrada a época que eu fui. Fui também ao Amparo Maternal eu não me lembro por que... Ah porque depois começaram a nascer os meus netos e aí eu comecei a tomar conta dos netos (risos). Então eu desisti, porque aquele tempo eu estava sozinha em casa, então eu pensei em dedicar umas horas para o voluntariado, mas acabou não dando certo depois.

 

P/2 – Fez outro voluntariado.

 

R – É inclusive a Natália essa que está aí, ela ficou quatro anos comigo quando nasceu. Eles levavam de manhã e buscavam a noite. Já tinha os outros dois mais velhos que a minha filha trazia, então foi isso que me afastou do voluntariado senão eu tinha ido. Tinha vontade mesmo, inclusive eu cheguei a ir à APAE era para não ser mesmo, porque eles tinham encerrado a inscrição era só voltar no outro ano, já tinha encerrado.

 

P/1 – A senhora pensava em fazer o que na APAE? Tinha vontade de fazer o quê?

 

R – Não sei, apesar de que...

 

P/1 – Por que APAE?

 

R – A APAE tem aquelas crianças deficientes, eu moro dois quarteirões para baixo e a gente se impressiona muito com eles, apesar de que o que tem mais na APAE é o... Aqueles... Eles não são tão assim como é que chama? Aquelas crianças que nascem de mães com mais de quarenta anos é Síndrome de Down é o que tem mais lá, têm outros assim, mas são crianças mais maleáveis que você lida, eu não sei o que eu ia fazer, porque eles fazem uma triagem de ver o que a pessoa pode... Entendeu? Não é assim que você vai entrando, eu pensei que fosse fácil me inscrever e já ir, mas não, tem certo limite e eles dão um curso para depois ver onde ia trabalhar lá dentro, então acabou não dando certo, porque era para voltar outro ano e no outro ano não deu mais certo. Eu falei que tinha procurado o Amparo Maternal, tinha procurado uma moça que era voluntária lá e também não deu certo. Aí agora não, agora eu fico em casa e fico cuidando dele, porque ele está em casa também, ele trabalhou até uns três anos atrás, depois ficou doente e está em casa, então a gente... Mas eu sempre gostei muito de criança e fiquei cuidando aí dos netos.

 

P/1 – Tem mais alguma coisa que a senhora gostaria de mudar na vida?

 

R – Não, minha vida foi como eu tinha planejado de dona de casa, mãe de família, foi isso que eu tinha na minha cabeça no tempo que eu era jovem, solteira era isso mesmo e foi o que aconteceu, não tinha feito outros planos não, de estudar de fazer alguma... Talvez hoje em dia fosse diferente se eu fosse jovem hoje, mas no meu tempo não planejei mesmo nada, foi acontecendo.

 

P/1 – Então nós estamos chegando ao fim da entrevista, e a senhora tem alguma mensagem? Tem alguma lição que a senhora gostaria de transmitir para as gerações futuras, para as pessoas? O que a senhora gostaria de dizer?

 

R – São gerações tão diferentes, né? Que eu não sei se convém a gente dar alguma mensagem.

 

P/2 – Sim, convém.

 

R – Bom, é perseverança, é preciso muita paciência, principalmente hoje quem casa não é fácil o casamento, tem que ter os filhos, tem muitos problemas, hoje ainda mais que hoje a mulher tem que trabalhar fora, né? Hoje em dia não dá só para o homem sustentar a casa, então não é fácil, tem que ter muita força de vontade. Tem muita coisa que a gente passa muito problema, mas é lógico todo casal tem os seus problemas e a gente passa por muitas dificuldades, tem horas que você está melhor, tem horas que você está pior, mas é paciência e o que eu vou falar? E muito amor, tem que ter amor muito pelos filhos, porque os filhos merecem, eu sempre fui muito ligada à família, sabe? Talvez seja o meu signo que dizem que é o de câncer é muito ligado a família e eu sempre fui muito ligada à família. Para mim foi satisfatório, achei que a minha vida foi boa sim, então era o que eu queria.

 

P/1 – A senhora quer falar mais alguma coisa?

 

R – Não.

 

P/1 – Como foi para a senhora fazer essa entrevista?

 

R – Gostei, gostei bastante, foi interessante. A gente contar um pouco da vida da gente, apesar de que eu não tenho muita coisa para contar, porque a minha vida foi simples.

 

P/2 – Tem muita coisa para contar, contou bastante coisa.

 

R – Foi assim uma vida normal, simples, mas eu gostei bastante de ser entrevistada.

 

P/1 – Então muito obrigada pela sua disposição.     

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