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História

Dois meninos e uma filha de outro país

História de: Maria Cecília Roxo Pochettino "Ciça"
Autor:
Publicado em: 23/03/2016

Sinopse

Maria Cecília Roxo Pochettino, mais conhecida como Ciça, em sua meninice, achava todas as profissões interessantes, intrigantes. Desde pequena também, os cheiros e aromas dos lugares e das pessoas a atraiam ou a distanciavam. Detestava o cheiro da primeira escolinha e adorou o cheiro dos Estados Unidos, sentiu-se acolhida com o perfume de sua mãe hospedeira quando estava no intercambio em São Francisco. Teve, além dessa, outra experiência de morar fora, em outra cidade dos Estados Unidos. Foi voluntária do AFS logo quando findo seu intercambio e retomou as atividades em outro comitê depois que foi convidada para a festa dos 50 anos do AFS Brasil, desde então não parou mais. Dentre as atividades que mais a marcaram está a de ser a mãe hospedeira de uma menina, que a proporcionou uma relação mais próxima ao universo feminino para ela que estava e está sempre rodeada de homens, seus dois irmãos e seus dois filhos. É Chefe de cozinha e professora e encerra esse seu depoimento contando um pouco de seus sonhos.

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História completa

Meu avô achava muito importante duas coisas que minha mãe sempre me disse, apesar de ser pai do marido dela. Uma é que os filhos, pelo menos uma vez na vida, compartilhassem quarto pra aprender a dividir. E outra que era importante morar fora em algum momento. Então, eu acho que já tem a ver com o AFS.

Meu pai morou fora, meu avô proporcionou para família morar fora durante um tempo. Então, pro meu pai, quando eu surgi com essa ideia do AFS – não foi meu pai que surgiu, fui eu que surgi com a ideia –, ele comprou imediatamente, ele achou ótimo, a minha mãe que ficou mais assustada. Quando eu viajei, minha mãe sofreu e meu pai acho que não, acho que ele estava achando tudo fantástico!

Eu aprendi – acho que isso é até um desejo do AFS, um dos motivos do AFS –que o diferente é bacana. O diferente é muito legal, não precisa ser igual a mim e eu também não preciso ser igual ao outro. Não é uma questão de ser igual, o mundo é vasto. É como se abrisse uma janela, uma enorme janela. E o AFS lá não tinha só os americanos. Os americanos eram meu mundo do dia-a-dia, então eu aprendi muito sobre os californianos de São Francisco, a comunidade com quem eu convivi, eu convivi profundamente. Mas a gente tinha o comitê e nem ficava na cidade de São Francisco, ficava na Bay Area, eu que tinha de viajar, eles todos moravam pra lá, eu era a única em São Francisco. Eram uns 30 e poucos de mais de 20 países. Isso era extraordinário. Extraordinário a gente, mesmo tão diferentes, ter experiências muito parecidas. A gente se conversava, não tinha WhatsApp, não tinha internet, não tinha nada, a gente tinha de se ver mesmo pra trocar ou então escrever carta. Eu escrevia muita carta, pra eles não, estavam pertinho. A gente tinha experiências de alguma forma parecidas. Tinha todos os tipos de escola, tinham escolas gigantescas. Isso a gente fez também, a gente trocou escolas. A gente que teve essa ideia e a gente que fez, então na minha escola várias pessoas toparam receber AFSers por um final de semana, daí eu fui na outra escola. Eu tive várias experiências de como as coisas podem ser diferentes.

O AFS deu uma desaparecida, não, tipo, cadê o AFS? Sumiu o AFS, nem pensava mais nisso. Tive filho, minha vida profissional começou a entrar assim, a ter uma rotina maior e me convidaram, não sei como, arranjaram meu e-mail, me convidaram pra um evento aqui no Rio de Janeiro, do AFS, ia ser uma grande festa do AFS, daí me deu aquela paixão de novo: “Gente, o AFS!”. Daí eu procurei o AFS e comecei a, em 2007, frequentar as reuniões de comitê do Rio [de Janeiro] e a me envolver com o AFS a partir de então.

O comitê Rio de agora é o melhor comitê que eu já vi. Está muito lindo. Fico até emocionada. Primeiro, tem gente de vários países que não são AFSer, quer dizer, que não estão na experiência do AFS agora, o nosso presidente, ele é boliviano, a gente tem uma voluntária paraguaia, a gente tem uma voluntária alemã, de outros comitês que vem pra cá. Ele é muito aberto, é um comitê muito aberto, muito ativo, realmente faz diferença hoje com a facilidade de comunicação imediata. Eu acho que a gente tem, sem tanta dor, conseguido se comunicar e resolver algumas questões, tem conseguido produzir, produzir muito. Fico boba assim, com a capacidade desses jovens de conseguir família, de conseguir escola, de entrevistar famílias pra futuros AFSers. Eu acho até que é um movimento grande e que a gente vai poder enviar mais e que se gostam, sabe? Como eles se curtem, como a gente está aberto pra receber pessoas que eram de outro comitê chegarem com as suas experiências e poderem agregar. Então é um comitê que agrega, que abraça.

Eu acho que hoje em dia o AFS é um carimbo tão grande em mim, eu não consigo contar a minha história sem incluir o AFS, impossível, de várias maneiras: pelas experiências que eu passei, seja como estudante, seja como voluntária, seja como mãe hospedeira e mãe de AFSer, agora meu filho, mas pelo jeito de encarar o mundo, pela felicidade que eu tenho em encontros interculturais que eu vejo que é igual em todo AFSer.

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