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História

Doar-se um pouco

História de: Odila Campanhão Cunha
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Ascendência italiana. Infância em Monte Azul Paulista. Primeiro emprego. Aposentadoria. Vivência em Santo André e São Bernardo do Campo. Trabalho voluntário.

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História completa

 

P – Por favor, me diga seu nome completo.

 

R – Odila Campanhão Cunha.

 

P – Data de Nascimento?

 

R – 3 de fevereiro de 1934.

 

P – Que cidade foi isso?

 

R – Monte Azul Paulista.

 

P – E me diga sobre seus pais um pouco, quero saber sobre a origem da sua família.

 

R – A minha origem da família?

 

P – De onde eles vieram? Como foi esse...

 

R – Não, é tudo do estado de São Paulo mesmo.

 

P – É?

 

R – É.

 

P – Mas são descendentes de quê?

 

R – De italianos.

 

P – Os dois lados?

 

R – Os dois lados.

 

P – Vieram pra São Paulo e já foram trabalhar no campo?

 

R – Ah já, vieram desde pequenos, já foram para o campo, para cidade do interior, para Monte Azul Paulista mesmo.

 

P – Agricultores?

 

R – Não, eles trabalhavam na cidade e trabalhavam no campo também.

 

P – Entendi, mas a sua casa de pequena era na cidade ou era...

 

R – Sempre foi na cidade.

 

P – Sempre foi na cidade? Nunca morou na roça?

 

R – Não.

 

P – Tá. Sente falta de Monte Azul?

 

R – Eu não.

 

P – Não?

 

R – Não.

 

P – Mesmo da sua infância?

 

R – Não, a minha infância, eu sinto falta das brincadeiras e a liberdade que a gente tinha, mas era uma vida muito apertada, uma vida de fome, né, não foi muito boa.

 

P – E mudou quando você veio pra cá?

 

R – Ah, mudou bastante. Pelo menos aqui tinha uma frente de trabalho boa, né, eu sempre trabalhei, desde os catorze anos sempre trabalhei.

 

P – E qual foi o seu primeiro emprego?

 

R – Meu emprego foi na Rhodia, trabalhei treze anos na Rhodia.

 

P – Fazendo o quê?

 

R – A gente trabalhava na tecelagem.

 

P – Fazendo tecido mesmo?

 

R – Não, não, fios.

 

P – Fios?

 

R – É, fios.

 

P – Entendi, isso em Santo André?

 

R – Santo André, morei vinte anos em Santo André.

 

P – Dos catorze aos trinta e quatro?

 

R – É, aí depois eu vim para São Bernardo.  Faz quarenta e um anos que eu moro em São Bernardo.

 

P – Por que a senhora veio pra cá?

 

R – Porque a gente comprou uma casa aqui, teve oportunidade de comprar uma casa do BNH e teve oportunidade de vir trabalhar aqui.

 

P – E quem é a gente?

 

R – A gente? Eu, meu marido e meus filhos, meus três filhos. 

 

P – Já estavam vivos os três?

 

R – É, estão. Não, eu tenho um filho falecido.

 

P – Mas, nesse momento, já tinha nascido?

 

R – Já tinham todos nascidos.

 

P – Certo. E qual foi a sua primeira impressão? Você chegou aqui em São Bernardo e o que você achou da cidade?

 

 R – Eu gostei, eu gosto, adoro São Bernardo.

 

P – Por quê?

 

R – Não sei, eu me sinto bem dentro dela.

 

P – É?

 

R – É, adoro São Bernardo, você sabe que eu não gosto de São Caetano, para falar a verdade, Santo André eu gosto, mas eu adoro morar em São Bernardo, não moraria em outra cidade.

 

P – Me explica por que que isso é diferente.

 

R – Não sei, não sei por quê, eu me sinto bem dentro de São Bernardo.

 

P – Tem alguma coisa na cidade que te agrada, que te faz bem?

 

R – Ah, eu não sei, a minha vida foi trabalhar sempre aqui e eu gosto de São Bernardo.

 

P – Entendi.

 

R – Entendeu?

 

P – Em que bairro que a senhora mora?

 

R – Moro no Jardim Copacabana.

 

P – Como que ele é?

 

R – O meu bairro agora faz quarenta e um anos que eu moro lá. Eu morei trinta e um anos na minha casa e morei dez anos no apartamento do meu filho agora.

 

P – Entendi, mas como é o bairro mesmo, assim, como ele é?

 

R – É bom.

 

P – Tem mais prédio, mais casa, mais árvore?

 

R – Não, tem árvores na rua, assim, mas tem bastante prédio e tem bastante casa.

 

P – E o que falta lá?

 

R – O que falta lá? Olha, pra te falar a verdade, pra mim não falta nada.

 

P – Não?

 

R – Não.

 

P – A senhora tem uma vida bem tranquila, então, parece.

 

R – Não, agora, né? (risos) De treze anos pra cá, agora, mas minha vida sempre foi trabalhar, trabalhar, trabalhar (risos). Só conhecia o trabalho.

 

P – A senhora aposentou há treze anos?

 

R – Me aposentei há treze anos, eu sou aposentada. Apesar que é com salário mínimo, mas está bom vai.

 

P – Dá pra segurar?

 

R – É, não tem outra opção, né? (risos)

 

P – Entendi. E o que a senhora faz na cidade no seu dia a dia?

 

R – Ai meu Deus do céu, faz quarenta e um anos que eu moro aqui e eu faço natação e ginástica há trinta e dois anos em São Bernardo, me proporciona isso, né? E sempre trabalhei em São Bernardo. O que eu faço? Trabalho para duas comunidades onde eu sempre cozinhei para os moradores de rua e o asilo. A gente procura se doar um pouco, né? O que a gente pode fazer a gente faz.

 

P – Ainda hoje a senhora faz isso?

 

R – Faço, com o maior prazer.

 

P – Como é esse trabalho?

 

R – Olha, na minha comunidade, a gente ajuda sempre na cozinha, mas a gente ajuda nas festas, nos almoços, nos jantares, fazendo a comida para os moradores de rua, para o asilo. Para minha outra comunidade lá em Santo André também eu faço a comida para o asilo. Então a gente...

 

P – Mas é um trabalho com a igreja, assim?

 

R – É, um trabalho voluntário, você não ganha nada não.

 

P – Mas é uma Instituição religiosa?

 

R – É, são todos católicos.

 

P – Todos católicos?

 

R – É, são.

 

P – Entendi senhora, que interessante isso, faz trinta e um anos que você falou que você faz esse tipo de coisa?

 

R – Não, trinta e dois anos que eu faço a minha natação, mas já faz mais de, já faz uns dez anos que eu faço esse serviço de voluntário.

 

P – Você conhece alguma ação de meio ambiente ou alguma coisa assim que tenha a ver com a área ambiental?

 

R – Não, eu não conheço.

 

P – Teve algum contato já, talvez no seu bairro?

 

R – Não.

 

P – Não?

 

R – Não conheço pra te falar a verdade. Eu gosto muito de ir lá pra Rio Grande da Serra, já fui fazer trilha lá, como é que chama aquela cidadezinha lá no pé da serra?

 

P – Paranapiacaba.

 

R – Paranapiacaba, aquela cidade cheia de nuvem (risos).

 

P – Bacana, né?

 

 R – Você não enxerga nada, né? Mas é muito bonito a natureza, né?

 

P – Mas lá é Santo André, não é? Acho que lá é Santo André.

 

R – Eu acho que pertence a Santo André, eu não sei não. 

 

P – Bom, Dona Odila, vamos terminando já, mas eu quero te perguntar uma coisa. Que a gente estava pensando mesmo em São Bernardo, né, a gente está tentando fazer esse trabalho com as pessoas que moram aqui ou que estão aqui há bastante tempo, então eu queria que a senhora me contasse uma história, alguma coisa que aconteceu aqui em São Bernardo e que te marcou, que foi importante pra sua vida nesses quarenta anos que você mora aqui, quarenta e um, né?

 

R – Que foi importante não. 

 

P – Qual foi a coisa mais importante que aconteceu enquanto você morava aqui?

 

R – Só tenho, prefiro não falar, tá?

 

P – É?

 

R – Já para.

 

P – Desculpa, então, é isso.


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