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História

Do teatro para a área comercial

História de: Dimy Resende do Nascimento
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/01/2022

Sinopse

Dimy conta sobre sua experiência com o teatro na juventude, sua carreira profissional, seu trabalho na Vedacit e sobre o projeto Ano Novo, Casa Nova.     

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História completa

(00:33) P/1 - Oi, Dimy, tudo bem com você?

R - Tudo bem, Grazi. Bom dia! Tudo certo.

(00:39) P/1 - Ah, que bom! A gente começa pelo básico: qual é o seu nome, local e data de nascimento?

R - Perfeito. Meu nome é Dimy Resende do Nascimento. Eu sou de São Paulo, capital, e minha data de nascimento é quatorze de junho de 1986.

(01:01) P/1 - E qual o nome dos seus pais?

R - O nome do meu pai é Jorge Brasiliano do Nascimento e o nome da minha mãe é Ana Cláudia Resende.

(01:13) P/1 - E qual é a ocupação deles?

R - Hoje o meu pai está aposentado, super jovem, mas aposentado. O meu pai tem 56 anos. Ele trabalhou 35 anos no Banco Itaú, na parte de compensação de cheques e depois dos cinquenta anos ele se formou em Educação Física, que era algo que ele sonhava, só que ele sempre foi postergando por conta dos filhos. Hoje ele está aposentado e em processo de recolocação dentro dessa área de educação física. E minha mãe, bom, trabalhou muito tempo na parte de vendas, na área comercial, na parte de decoração, de móveis. Hoje ela tem um bar, uma pizza bar, que ela está atuando e, em paralelo, ela ainda tem essa condição de atuar como vendedora, nessas lojas de móveis de decoração.

(02:10) P/1 - E na sua casa, quando você morava com os seus pais, tinha algum costume da sua família, por exemplo, festa ou de reunião com a família toda?

R - Eu peguei um período curto, mas fundamental, dos meus pais juntos, que foi desde o meu nascimento até os dez anos de idade. A partir daí eles acabaram se divorciando, se separaram e aí eu tenho famílias separadas. Mas eu tenho recordações muito positivas, muito boas, nesse período que eles estavam juntos e o nosso hábito era muito de família, de fato. Então, [em] final de semana eu estava na casa da minha avó, dos meus avós por parte de mãe; no outro, nos avós por parte de pai. Era tudo ainda dentro de um círculo familiar.

(03:07) P/1 - E eles costumavam te contar histórias, quando você era criança?

R - Meu pai sempre... Eles têm perfis totalmente distintos, né? Minha mãe é mais comunicativa, ela tem aquele perfil muito cativante, onipresente. Meu pai tem o perfil mais metódico, mais de rotina, de organização. Mas o que eu peguei de influência, especialmente da minha mãe, é de assistir filmes. Desde os seis, sete anos de idade a gente assistia muitos filmes - na época era VHS, aquelas fitas que você tinha que devolver e rebobinar e tudo o mais. A gente alugava fita semanalmente, na faixa de dois, três filmes. Ela também me incentivou muito na parte de assistir filmes legendados; eu acho que isso acabou contribuindo, de alguma maneira, para que eu aprendesse um pouquinho de inglês e a parte de leitura mesmo, por conta das legendas. Quando a gente fala da parte de história, eu vejo muito lincada essa parte, essa influência que ela me passou com relação a filmes e também um pouquinho com relação à parte musical.

(04:16) P/1 - E sobre a origem da sua família, seus pais também são de São Paulo ou eles vieram de algum outro lugar?

R - Meus pais são de São Paulo, só que os pais deles, os meus avós, vieram de lugares distintos do Brasil. Por exemplo, a gente tem no caso da minha mãe e da minha avó por parte de mãe, ela é de Minas. O meu avô por parte de mãe também é de Minas, só que na época eu não o conheci, minha avó se separou e depois casou de novo, então eu tive um avô de consideração durante toda a minha infância. Depois de um longo tempo - eu já tinha trinta e poucos anos - a minha mãe reencontrou o pai dela, que continuava morando em Minas. 

Por parte de pai é bem interessante, porque a minha avó é cearense e a avó da minha avó é índia de fato. Meu avô é afrodescendente e de Pernambuco, Recife. Eles vieram pra São Paulo atrás de trabalho e acabaram se conhecendo. Por parte de mãe também acho que a movimentação foi parecida, até resultar no meu pai Jorge e na minha mãe Ana Cláudia se conhecerem e nascer o Dimy. 

(05:35) P/1 - Você tem irmãos?

R - Tenho. É bem complexo explicar, mas eu tenho. Eu não tenho nenhum irmão que seja da Ana Cláudia e do Jorge; pra esse casal eu sou filho único, só que eu tenho irmãos por partes. O que acontece? Minha mãe, quando casou com o meu pai e me teve, ela já tinha o Bruno; ela teve o Bruno, que é meu irmão mais velho, com dezesseis anos e me teve com dezoito anos. Nesse período, o Bruno foi morar com a minha avó e aí os meus pais foram morar juntos. Depois que eles se divorciaram, o meu pai casou de novo - com a minha ex-madrasta, porque agora ele recém divorciou - e teve o Iuri e o Enzo, e minha mãe teve a Júlia. Então hoje eu tenho no total de quatro irmãos, dois por parte de pai e dois por parte de mãe.

(06:30) P/1 - Quando você era criança, você lembra das casas onde você morou, como elas eram?

R - Lembro, é uma recordação clara. É muito curioso, especialmente desse período que meus pais estavam casados. Eu morava em São Judas, na Sousa Barros; era um sobrado, então eu descia uma escada. A casa do lado era uma casa maior, eu lembro que tinha o Grego, que era um cachorro fila extremamente bravo -  eu morria de medo daquele cachorro. A casa era relativamente grande: você tinha a sala, depois descia um degrau, tinha o banheiro à direita, você entrava na cozinha, dois quartos e aí tinha um corredor, pra ter um quintal. 

Eu tenho muitas recordações daquela casa, desde situações de bichos de estimação que eu tive… Eu tive um coelho, que era o Jade, que inclusive o Grego, o cachorro vizinho, acabou matando o coitado do coelho. Ele acabou entrando na casa vizinha e o Grego não perdoou. Eu tive a Priscila... Aliás, era Brenda, que era um sheepdog, um cachorro também, que era igualzinha à Priscila da TV Colosso. Era um cachorro fantástico, eu lembro dessa época. 

Eu lembro também que eu tinha bastante medo de espírito. Assisti alguns documentários assim, sabe, meio de Faces da Morte e na minha concepção eu via mortos naquela casa. Era meio que estranho essa parte. Mas, bom, foram os dez anos que eu lembro. Se for pra descrever, cômodo a cômodo, até a parte de decoração, eu lembro que tinha um quadro do Charles Chaplin com o filho dele. Era bem legal aquele quadro. Eu lembro do sofá, enfim, tenho uma recordação bem viva dessa época. 

(08:19) P/1 - E quais eram suas brincadeiras favoritas? Você também costumava brincar dentro de casa ou na rua? 

R - É, aí é bem interessante, porque eu peguei um misto de épocas. Eu consegui ainda pegar a época de brincar na rua e ter vizinhos com a minha idade, então a gente brincava de esconde-esconde, de polícia e ladrão, pega-pega, todas essas brincadeiras clássicas da década de oitenta, eu acabei participando bastante. Aí teve um período que eu fui ficando um pouco mais velho e todos os meus amigos acabaram se mudando; foi quando eu comecei a ter a migração de ficar mais em casa e brincar mais em casa. Eu não gostava muito de carrinho, na minha infância eu gostava muito de bonecos e de criar histórias, eu adorava criar histórias com os bonecos e tudo o mais. Eu lembro que também era uma época que eu gostava de desenhar, aí eu migrei toda essa... O que eu gostava de desenhar, para o videogame. Meu pai me deu o primeiro videogame, Super Nintendo, em 1994, eu lembro, no meu aniversário; desde então, até hoje jogo videogame.

(09:28) P/1 - Nessa época, você tinha algum sonho de ser alguma coisa, quando crescesse?

R - Ah, vários, né? A gente tem várias etapas. Como eu gostava muito de desenhar, eu gostava de alguma coisa relacionada a isso, [queria] ser um desenhista, alguma coisa relacionada a essa parte. Eu tinha sonho também de ser bombeiro, eu gostava, admirava muito. Não sei se teve uma época em que a gente chegou a visitar um Corpo de Bombeiros e entender como é que funcionava a dinâmica; era um tipo de trabalho que eu gostava bastante. Policial, acho que essas profissões mais clássicas, todas passaram na minha cabeça, naquela época. Eu lembro que eu era uma criança muito... Com perfil criativo, mas muito fechada, né, muito introvertida. 

(10:21) P/1 - Agora, indo pra escola. Você tem a primeira lembrança da escola?

P/1 - Tenho, inclusive nessa época eu lembro do prezinho, que a gente fazia até uma longa caminhada; eu acho que dava uma faixa de um quilômetro e eu sempre acompanhado com os meus pais. Nessa escola do prezinho a minha lembrança é um pouco menor. Quando eu entrei na primeira série, que foi da primeira à quarta, eu estudei no colégio Almirante Barroso e aí tinha um fator de curiosidade: ele ficava também na Sousa Barros, [onde] é a mesma casa que eu morava, então eu precisava só atravessar a rua pra chegar até o colégio; acho que eu era o aluno que morava mais próximo da escola, né? Nessa eu lembro, quando eu estudava à tarde, tinha que entrar às 13 horas, eu deixava pra sair de casa meio-dia e cinquenta e oito pra entrar no colégio. Em muitos casos os horários não batiam, um estava mais adiantado, outro atrasado e eu acabava, às vezes, me atrasando, pelo fato de morar tão próximo. 

Nesse período da escola eu lembro bastante, eu tenho uma vivência clara de alguns professores, das salas de aula. Eu lembro que teve meu irmão mais velho - ele chegou a estudar um período comigo - ele sempre teve essa questão de ser o irmão protetor e tudo mais, então ele era meio que.. Qualquer briguinha na escola ele estava lá junto, pra querer proteger, querer se envolver. 

Eu guardo bastante recordação, é que eu tive várias etapas, de várias escolas diferentes, né? Eu tive um período que eu acho que eu fui um pouco cigano, [de] morar em vários ambientes diferentes. Da primeira à quarta série eu estudei ali, aí meus pais se divorciaram. No que os meus pais se divorciaram, eu fui morar ainda no bairro da Saúde, num condomínio de prédios, no qual eu fiz muita amizade lá, me identifiquei muito com o pessoal. Era um momento muito legal. Aí eu fui pro Lasar Segall, que ficava na Santa Cruz. Naquela época era super tranquilo, eu já andava de metrô com dez, onze anos. Eu pegava [o metrô] na [estação] São Judas e ia até o metrô Santa Cruz. E era um colégio também bem legal, um colégio estadual também, o Lasar Segall. 

Tenho recordações positivas e não tão positivas dessa época. Morei um curto período nesse prédio que eu comentei que eu tinha uma boa amizade com o pessoal, que eu me identifiquei muito. Depois a minha mãe acabou casando com o meu ex-padrasto e aí ela engravidou da Julia e a proposta do meu ex-padrasto é: "Bom, vocês vão morar aqui junto comigo e aí vem o Dimy, o Bruno” - que era meu irmão mais velho - “e vem a Julia também”, que é a bebê que ia nascer. Aí eu fui pra Interlagos, morar no Condomínio Marajoara. O Flávio tinha uma condição financeira um pouco melhor, então o condomínio era muito chique: tinha piscina, quadra, tinha tudo. 

Eu me recordo de uma situação, essa marcou e não é tão positiva. Quando eu fui nesse condomínio, eu estava jogando bola sozinho, assim, na quadra. Tinha um rapaz passando e eu o chamei pra jogar: "Ei, vamos jogar comigo aqui?" A gente estava jogando gol a gol, eu até ganhei dele de 3 a 0 e aí chegaram uns outros rapazes. Eles ficaram conversando e aí começaram uma contagem regressiva e foram pra cima de mim. Eu não estava entendendo nada e falei: "O que aconteceu?” Aí o menino me deu um soco na minha boca, até sangrou um pouquinho. Eu falei: "Caramba, o que aconteceu? Eu não fiz nada." Ele: "Teve um dia no prédio que você mostrou o dedo do meio pra mim e não sei o que lá." Falei: "Cara, eu acabei de mudar. Eu não fiz nada.” Acho que na época eu comecei a chorar depois disso, os caras em cima, aí eles acabaram se afastando. 

Aquele momento eu senti que eu fiquei um pouco na defensiva, de ficar mais em casa, de não querer sair bastante. Tinha uma moça que ajudava em casa que eu era super apegado com ela, então era meio que do colégio pra casa. Eu tinha um ambiente social muito positivo com amigos no outro prédio e aí nesse eu acho que acabou ocorrendo esse pequeno trauma, do colégio. 

Junto com isso, eu tive oportunidade de ir pro 24 de Março, que é um colégio particular. Tive bastante dificuldade, porque o ensino do estado pro particular eu estranhei bastante, inicialmente. Nesse período, coincidentemente, o meu irmão tinha repetido de ano e eu caí na mesma série que ele, então tinha um fator curioso aí nessa fase, nesse período. Depois eu passei a sétima, oitava série nesse colégio; o primeiro colegial eu repeti de ano no 24 de Março, aí eu fui prum colégio em frente e aí eu passei. Depois desse colégio que eu fui em frente, aí eu fui pro segundo colegial e voltei pro colégio do estado; eu fui pro Brasílio Machado, voltei a ficar próximo do Lasar Segall, lá na Vila Mariana. 

Nesse período - eu o passei até um pouco rápido - foi o período que eu voltei a morar com o meu pai. Meu pai, na época, casou com a Margarete. Ele já tinha o Iuri, acho que estava pra nascer o Enzo, aí ele fez a proposta pra eu morar junto com ele. Na época eu tinha acho que quatorze anos, aí eu decidi ir morar junto com o meu pai. 

(15:46) P/1 - E você tinha alguma matéria favorita?

R - Olha, Grazi, na época eu tinha muita dificuldade de me concentrar nas aulas, de absorver o conteúdo. Depois eu percebi que eu fui evoluindo um pouco com isso, mas mesmo assim, hoje as pessoas têm um diagnóstico melhor das crianças. Eu acho que na minha época - na sua, eu acredito - não era tão clara essa situação. Eu tinha muita dificuldade, praticamente em todas as matérias, mas, sabe do professor chamar minha atenção, pra eu conseguir concentrar e fazer as coisas? Eu lembro que o professor de Português que me reprovou no primeiro colegial; na verdade, acho que um ano antes ele já era meu professor, o Tadeu. Eu meio que lembro que tinha umas folhas pra fazer um trabalho; terminei o trabalho, aí eu fiz assim, meio que um questionário: será que ele vai gostar da minha entrega, do meu trabalho? Se não gostar tipo uma cara de choro, se gostar feliz e tal, mas eu não sei por que eu fiz aquilo, sabe quando o negócio vai naturalmente? Ele achou um absurdo, aí ele chamou os meus pais e achou uma falta de respeito, porque eu não fui bem na prova, então ele falou: "Não, você está tirando sarro da minha cara, de colocar isso, assim." 

Eu sempre tive essas pegadinhas assim, de tiradas. Eu lembro que, no primeiro colegial, já em outro colégio, no Matter, também a professora de Português, eu não tinha lido um livro que ela pediu pra prova. Na época não existia o termo spoiler, mas eu já falava: "Ah, isso aqui que você está me perguntando eu não posso te contar, se eu te contar vai estragar o final da história e não sei o que lá." Sabe essas respostinhas que fogem um pouco do contexto ali? Ela levou pro lado um pouco mais cômico. No dia que ela fez a correção eu faltei e ela contou as minhas respostas pra todo mundo na sala de aula. No outro dia, quando eu cheguei, o pessoal [estava] dando muita risada e eu meio que me tornei um pouco popular depois desse momento, sabe, dessas respostas. Até então, eu era um pouco mais acanhado, mais fechado e o pessoal achou o máximo as respostas lá. Ainda não tinha o termo spoiler, mas eu acabei colocando isso em pauta nessa resposta de prova. Então eu não tinha, naquela época, em especial, matérias que eu tivesse uma alta identificação. Eu era de regular pra ruim em praticamente todas. 

(18:16) P/1 - E no período do ensino médio, você começou já a sair com os seus amigos?

R - É, aí foi um período legal, porque o que acontece? Nesse período que eu fui morar com os meus pais, aí entra o segundo colegial e o Brasílio Machado. No Brasílio Machado - no segundo colegial, especialmente - eu conquistei amigos os quais eu tenho até hoje. Inclusive nas minhas férias agora - semana passada a gente até teve que prorrogar essa entrevista - eu fui viajar com eles; a gente foi pra Bonito, junto com meu pai, com esses dois amigos que eu conheci nesse colégio. Foi muito divertido, a gente manteve uma amizade muito bacana. 

Então, foram os momentos... Teve vários momentos especiais, pessoas especiais, mas eu coloco o segundo e terceiro colegial no Brasílio Machado os mais especiais e os mais marcantes, especialmente pela convivência que eu tinha com as pessoas. Eu lembro que um desses meus amigos, que inclusive foi pra Bonito… Eu era roqueiro máximo, me vestia de preto, cabeludo, boné. No primeiro dia de aula, ele falando que gostava de pagode. Eu falava: "Cara, não vou gostar desse cara, não fui muito com a cara dele." Ele estava com uma mecha na época e depois, logo em seguida, se tornou um dos meus melhores amigos. 

Tinha um que era meio que boxeador, hoje ele trabalha como bombeiro e aí eu lembro que esse meu amigo, eu sempre falava assim: "A gente precisa ampliar as nossas tribos. Não quero ficar fechado aqui nesse grupinho, a gente precisa conhecer pessoas novas." E ele falava: "Pô, mas nada a ver isso, eu tenho as pessoas que eu me identifico." Ele tinha esse conflito, até hoje ele comenta isso. E aí surgiu a oportunidade de ir no teatro. Eu falei assim: "O teatro acho que é uma grande oportunidade, porque aí a gente vai conhecer pessoas novas, a gente sai desse círculo aqui e tem uma grande oportunidade." Aí a gente se arriscou, foi num dia que estava acho que abrindo vagas pra novas pessoas pra uma peça. A peça, se eu não me engano, era Sonho de uma noite de verão de Shakespeare e a gente já tinha assistido uma no ano anterior, que era O Auto da Barca do Inferno, a gente gostou bastante e aí a gente foi. Eu lembro que o professor, na época, era o Antunes; a gente fez o teste lá e aí ele pede pra improvisar. A gente fez as graças, os gracejos, ele disse: "Vocês precisam ser bem treinados, mas até que têm uma aptidão pela atuação. Gostei de vocês". E nesse dia a gente sentiu que o pessoal do teatro era muito diferente de abertura, sabe, de conversar, de bater papo. A gente: "Meu, esse pessoal aqui é muito legal”, a gente adorou todo mundo e aí foi uma turma muito unida. 

A gente tinha encontros duas, três vezes por semana, nessas peças de teatro, à noite, pro ensaio da peça; depois foi aumentado, ficando mais intenso e foram as pessoas que fizeram muito a parte desse processo do terceiro colegial pra mim. Foi muito especial. No final a gente apresentou, no final do ano, o Sonho de uma noite de verão. Foi uma experiência incrível, que eu carrego pra minha vida. Acho que se fosse colocar os top 10, aquela sensação de palco, de nervosismo da entrada da peça, é algo que eu colocaria na minha lista; foi muito bom, foi sensacional. 

(21:32) P/1 - Após terminar a escola, qual foi seu próximo passo? 

R - Eu me empolguei com a parte de teatro, aí apareceu um ator e era, na verdade, autor de uma peça, que eu acho que chamava Eu preciso ser um cidadão. A peça era sensacional. A gente fez apresentação no colégio e ele me fez uma proposta pra trabalhar com ele. Mas, assim, era trabalhar - "Ah, Dimy, vamos primeiro nos colégios, você vai acompanhando e depois você vai substituir um rapaz e vai decorando essas falas.” Só que, inicialmente, [em] todo esse acompanhamento eu não recebia nada. Depois de um certo momento, ele falou que ele ia me pagar e eu adorei aquilo. 

Eu estava gostando, estava me motivando, só que esse terceiro colegial que eu estudei de manhã, que eu tinha toda essa entrosação com o pessoal e tal, eu acho que eu foquei mais no teatro, mais no truco do que nas disciplinas. E tinha um negócio que - acho que na época era o Alckmin o governador - as pessoas passavam de maneira progressiva, não existia mais... Ninguém ia reprovar ninguém e, acredite se quiser, eu consegui ser reprovado no colégio do Estado. Eu falei: "Caramba, eu reprovei no primeiro colegial e terceiro, muito ruim isso." E aí eu fui estudar à noite, só que daí… Dezoito anos, carteira de trabalho, você precisa arrumar um trabalho. Inicialmente eu fiquei nesse processo. Meu pai falou assim: "Você já está errado que reprovou de ano. Segundo, que eu assisti a sua peça e porra, não vi tanto potencial em você assim. E terceiro, que você está atuando num lugar que você não está ganhando nada. Arruma um trabalho de verdade, por favor, que aqui está sem chance." 

Nessa eu dei uma insistida, até que meu pai falou: "Não, não quero que você” – eu estava morando com ele – “continue aqui." Aí eu acabei desistindo. Acho que eu fiquei na faixa de uns três meses lá e aí eu falei: "Ah, agora eu preciso me recolocar.” Só que é muito curioso esse período; até eu acho que a gente olha, como sociedade, muito mal pra essa fase de transição do adolescente que terminou um colegial pra uma próxima etapa. Eu não tinha condições, nem meus pais, de migrar pra uma faculdade, nem tinha algo tão desenhado em planejamento de: "Ah, eu quero essa profissão, eu quero Y e tal". É um momento que eu acho que falta muito parte de instrução mesmo, sabe, de direcionamento? Eu não sei se isso é uma responsabilidade dos pais ou um dever público do próprio colégio, de já começar a dar esse direcionamento e talvez o que eu estava não deu, mas eu senti falta disso.

Eu ia muito nos Poupatempos da vida. Tinha alguns lugares que eu acordava, chegava cinco e meia da manhã e ficava: "Ah, eu quero arrumar um trabalho." "É, qual é a sua experiência?” "Ah, eu trabalho em qualquer coisa que tiver, eu estou à disposição", aí falou: "Beleza" e eu entrei... Nesse período, falou assim: "Tem na Luís Góis, que é na Praça da Árvore, uma proposta pra operador de telemarketing". Como na época eu fazia teatro e você ficava muito desenvolto, mais extrovertido, você se solta, literalmente, e aí a confiança também vai numa... Eu falei: "Não, eu consigo fazer. É legal, vamos pra cima, beleza". 

Aí eu cheguei - era uma escola de informática, chamava Easycomp - pro Leandro, que era meu chefe. Fiz a entrevista com ele, ele falou assim: "Dimy, seguinte: você vai ficar aqui à tarde, eu vou te dar um script e você vai ligar pras pessoas. Se você conseguir fechar alguma matrícula aqui, você está dentro; se não fechar, cara, você não tem aptidão pro negócio." Eu falei: "Não, beleza". Aí no dia eu liguei e fui falando com as pessoas. Na época era engraçado, porque eu ainda não sabia dessa correção do gerúndio, então era aquele telemarketing especialista no: "Estarei fazendo, estarei ligando, estarei agendando" e eu achava que eu estava falando bonito, naquela época. E aí ele gostou e falou: "Gostei muito de você e já pode vir”, no dia seguinte. Ele já falou de uma possibilidade de um cargo chamado divulgador, que é o cargo que você vai nos colégios fazer uma divulgação dentro dessa escola, desse curso de informática. Eu falei: "Que legal, tô a disposição pra já começar amanhã. Que legal, show de bola". E aí eu consegui fechar no dia duas matrículas de pessoas que foram no dia seguinte fechar, aí ele elogiou bastante. 

Eu trabalhei esse período como operador de telemarketing e ele já fazendo uma migração pra eu trabalhar como divulgador. Essa escola, a Easycomp, era muito curiosa, porque literalmente é o cargo multifuncional. Como é que funcionava? Ele meio que prestava uma consultoria - ele não era dono do colégio, da escola - fazendo assim: "Vou trazer muitas matrículas pra escola e a primeira parcela da matrícula eu recebo, certo?" Então, o que é que ele fazia? Ele criava um papelzinho lá, imprimia, chamado PEP - Projeto Educar e Profissionalizar, aí a gente ia nas escolas, conversar com os diretores, e falava assim: "A gente está com um projeto aqui, um projeto social [de] educar e profissionalizar e a gente vai conceder uma quantidade X de curso de operador de telemarketing, marketing pessoal e curso de digitação.” O pessoal: "Pô, que legal." "Só que é o seguinte: eu quero pegar os cinco melhores alunos de cada sala, pra contemplar com esse curso gratuito aqui, porque eu tenho vagas limitadas." "Bacana, então vai de sala em sala". A gente chegava nas salas, ou a gente juntava esses cinco melhores alunos de cada sala, juntava todos numa sala e chegava - o divulgador, né: "Parabéns, vocês foram contemplados. Os professores escolheram vocês, vocês ganharam um curso. Vocês precisam estar no próximo sábado, na presença dos seus pais, pra fazer a matrícula. Eu vou distribuir os papéis aqui e vocês têm que apresentar obrigatoriamente esse papel". Só que o papel era muito tosco, era uma impressão, então, naturalmente, ele chegava pros outros amigos e divulgava e os outros amigos também queriam imprimir e conseguir vaga. E pra gente isso era positivo, a gente não queria essa limitação. Agente queria trazer muitas pessoas pras aulas, só que a gente entendeu que, se distribuísse tudo, perdia um pouco o prestígio e a seletividade e, dentro daquele formato do projeto, do que ganhou, era bem legal assim. Beleza. E aí, nessa, a gente chegou no sábado e quem estava lá? Eu, como atendente: "Ah, parabéns, quero parabenizar seu filho. Ele já foi contemplado no Projeto Educar e Profissionalizar. Você vai escolher entre o curso de marketing pessoal, operador de telemarketing ou digitação, a gente já tem as agendas aqui pra fazer a inscrição dele. Só que, além disso, o projeto, que são empresários, pagaram também 70% desses cursos aqui." E aí eu apresentava pra eles um valor fechado de curso de pacote office, web designer, os cursos que tinha na época de computação. Aí que era o ganho do jogo: falava que ele foi contemplado, de fato o curso gratuito ele ganhava, mas eu tinha que estimular pra conseguir esse curso pago e dava muito certo e conseguia. A gente tinha uma... bom, era um círculo que dava certo, na época. 

O que acontecia também? Esse curso de marketing pessoal e operador de telemarketing, eu fui treinado também para fazê-lo. Então, sei lá, chegava esse aluno, fazia a matrícula, tudo certo; eu colocava agenda pra ele chegar na semana seguinte, no sábado, e o curso era um conteúdo de quatro horas, assim... Não, era de oito horas, em quatro aulas, aí tinha duas horas por aula. Aí eu chegava - eu era meio que o divulgador, o atendente pra fechar - e o professor de telemarketing e marketing pessoal e ele me passou um conteúdo que eu dividia com o pessoal lá; geralmente era pessoal do colegial, então eu era um ano mais velho, no máximo, e eu era o professor, então dava algumas orientações em que ele me passava o que poderia ser considerada a questão do marketing pessoal. Eu lembro que eu tinha dinâmicas que eu fazia, então: "Ah, escreve num papel aqui o que você gostaria que a pessoa do lado fizesse." Aí escrevia, geralmente o pessoal brincava, né? Aí eu falava: "Agora o seguinte: a gente não pode desejar pros outros o que a gente não gostaria que fizesse pra nós mesmos, então o que você escreveu pro coleguinha do lado, você vai fazer". Aí eles se divertiam, né, porque a pessoa desejava pro lado, às vezes queria sacanear e tinha que fazer isso, era uma pegadinha, ou às vezes a outra, que queria promover a pessoa do lado, acabava se autopromovendo. 

Era um conteúdo legal, até. No final das contas eram oito horas que eu acho que dava pra absorver umas coisas legais. Eu gostava também dessa situação, dessa dinâmica e foi bem legal. 

O que aconteceu? Eu comecei a ter atrasos de salário, não recebia salário. Fiquei acho que seis meses sem receber o salário, esse meu chefe era um pouco enrolado com essa parte financeira. Teve a virada de ano e meu pai novamente falou assim: "Chega de trabalhar de graça, meu filho. Você está se matando de trabalhar, de nove meses ou um ano você recebeu, sei lá, seis meses. Seis meses trabalhando de graça. Muda de trabalho, isso aí é maior... Não é o certo." E ele está acostumado no Itaú, com uma conta estruturada, tudo bonitinho, aí eu falei: "Tá bom, pai, eu vou sair, vou começar em outra coisa." 

Eles até fizeram uma proposta, na virada do ano, pra eu entrar numa escola de inglês de três andares, que eu ia gostar, pra ser gerente da escola, mas aí eu falei assim: "Beleza, eu posso ir, mas vocês precisam me pagar o atrasado." Eles não concordaram, ficou por essas e eu acabei tirando o vínculo. 

As minhas próximas etapas de trabalho foram muito naqueles locais que trabalha, trabalha, trabalha; se você fizer um resultado, você ganha. Eu trabalhei numa empresa de colchões, acho que chamava Ortomax, que é colchão magnetizado com infravermelho longo. Eu tinha as maquetes dos colchões que eram mais ou menos dessa largura e eu tinha que ir nas casas das pessoas, pra apresentar, pra oferecer. Naquela época - isso a gente está falando de quinze, dezesseis, dezessete anos atrás - um colchão de casal era quatro mil reais e o de solteiro era dois e oitocentos. Qual era o pulo do gato deles? Eles falavam assim: "Olha, você tem que conseguir na raça vender pra três pessoas esses colchões e, a partir disso, você começa a receber também" - o que eles chamam hoje de leads, pessoas interessadas em comprar e aí você vai visitar a casa dessas pessoas, pra fazer isso. Muitas pessoas, eu lembro que, nessa época, vendiam pra própria família e eu não era favorável, não acreditava tanto no produto e achava muito caro. “Eu não quero endividar os meus pais pra trabalhar, entendeu? Eu tô fora disso, vou tentar vender pra alguém que precise ou usar os argumentos deles e tudo o mais”, só que... Bom, acabou não dando certo, não consegui. Acho que dos três eu vendi dois colchões, faltou um pra eu ser contemplado e aí acabou saindo do lugar. 

Depois também não fui prum lugar tão legal, que é a parte de venda de consórcios.  Era no Banco Panamericano, era bastante cobrança. Você tinha a listinha lá de quem estava em primeiro, quem estava em último e você ia na raça nos lugares, nos comércios, pessoas físicas, vender consórcio. Você tinha uma tabelinha lá, mostrava pra pessoa. [Pra] quem tem uma aptidão comercial de fato, principalmente pra essa questão de abordagem, era interessante, eram os resultados através do que você conquistava, mas eu não consegui avançar tanto nesse quesito; eu cheguei a vender alguns, mas muito distante de ter um resultado favorável, né? 

Eis que aí eu consegui entrar numa empresa que eu me sinto, sabe: "Estou dentro de uma empresa. Agora sim, estou me identificando." Não tinha, naquela época, muito essa situação de cultura da empresa, mas existia já uma identificação. É a MAM, que é uma empresa de chupetas e mamadeiras. É uma multinacional bem enxuta, é uma empresa… Na época ainda a estrutura era menor, hoje ela cresceu bem, até. Eu lembro do meu gestor. Lembro que eu fui numa agência de empregos procurar emprego e vi a vaga lá, promotor de vendas. Tinha um salário de quinhentos reais, VR de oito. Falei: "Pô, interessante isso aqui, eu vou me candidatar." Só que eu não sabia o que fazia um promotor de vendas, pra mim promotor de vendas era aquele cara que oferecia cartão na C&A, não tinha a menor ideia. Aí eu fui na entrevista, conheci o meu gestor. Fui com um livro lá do Dan Brown - não lembro se era O Código Da Vinci ou o outro lá, mas eu lia de verdade. Ele achava que eu estava ‘pagando’ uma de intelectual. Eu cheguei, a entrevista foi boa. O que ele me falou depois, na entrevista, me contratando: "Você deixou claro que não manjava nada de promoção e merchandising, só que eu te achei comunicativo, com uma aparência legal e tal, tentou ‘pagar’ de intelectual, então você se preocupou com alguma situação ali e falei: ‘Não, vou testar esse cara aí pra entrar na empresa’". 

No primeiro dia de empresa, eu recebi aquele tíquete que, na época era uma folha de... Não era os cartõezinhos. Eu lembro que, na época, eles falaram que o VR era cinco e cinquenta e eu recebi o tíquete de oito e cinquenta; o pessoal errou o preço e eu ia receber um valor maior. Isso no primeiro dia, me dar umas folhas assim, de tíquetes, ele falou: "Como você vai rodar já algumas lojas e vai demorar um pouco pra receber o salário, toma cinquenta reais pra condução." Falei: "Meu, que empresa é essa? Eu nem trabalhei e já tô recebendo, essa empresa é muito top, é aqui que eu quero estar". E aí foi muito nisso, foi uma empresa que de fato me conquistou. 

Esse gestor, que é o Bruno Verdugal, é meu amigo até hoje, tenho contato com ele. Fiquei seis anos na MAM, fui sendo promovido. Entrei como promotor de vendas e merchandising, depois coordenador de merchandising, até me tornar vendedor de lojas especializadas, depois vendedor de canal Farma. É uma empresa em que eu conquistei ótimos amigos, que eu mantenho contato até hoje. Acho que ela conseguiu estruturar muito bem a visão do que é uma empresa, a questão de execução, a questão de entregar o que você está falando, então tudo isso eu consegui absorver na MAM.

(36:11) P/1 - Foi com o teatro e com esses trabalhos que você percebeu que queria trabalhar com pessoas, na gestão de pessoas?

R - É, eu acho que o teatro acabou trazendo alguns indicadores, algumas referências. Eu sempre tive uma mescla e aí eu não sei se é uma característica de signo - eu sou geminiano - de ser muito... Por exemplo: se eu for pegar um gestor, o próprio Bruno, ou meu gestor atual, o Claumann, na Vedacit, ele vai falar: "O Dimy é criativo e é analítico." Só que eu acho que são coisas tão distintas. Como uma pessoa pode ser... Geralmente uma é mais voltada para a parte de Exatas, outra é mais voltada para a parte de Humanas, né? 

Essa parte de: “Ah, foi ali que eu me identifiquei”... Acho que o teatro foi fundamental pra minha desenvoltura. Eu era uma criança tímida, de fato, uma criança mais introvertida. Eu tinha boas amizades com os meus amigos ali e o teatro me fez me soltar, sabe, sentir confiança. Tanto é que eu vejo que seria interessante ser uma disciplina, de fato, nas escolas, e que eles valorizassem mais isso, porque eu acho que me ajudou muito, até mais do que várias outras disciplinas que eu aprendi e tive que me dedicar muito mais tempo. Mas eu acredito que sim, como eu não tinha nada desenhado e nada planejado - eu não fiz um teste de aptidão, era muito o que apareceria no momento - foi aparecendo, foi acontecendo e as coisas foram evoluindo dentro desse contexto, mas é curioso. Até conversando com esse meu amigo, o Cleber, na época do Brasílio Machado, isso acho que era uma característica nossa e não era positiva: a gente tinha dezessete anos e não tinha muito planejamento, assim, muita visão. A gente fez uma virada de página muito imediata. Ele virou mensageiro, ele foi trabalhando e se virando, passou por várias empresas. Eu também, muito dentro desse contexto, a gente não tinha muito claro: "Eu tenho perfil pra isso, ou essa é uma oportunidade", nem como achar essas empresas. Tanto é que é uma preocupação que eu tenho com os meus irmãos, com meu cunhado: com dezoito anos, o que eu posso orientar, no que eu posso ajudá-los, com relação a dar um direcionamento: "Ó, faz esse curso, aí você se candidata nesse formato, faz isso." Eu acho que naquela época as coisas eram muito abertas, assim, muito perdidas.

(38:36) P/1 - E quando você começou a fazer faculdade? Foi depois desse emprego, na multinacional?

R - Sim. Aí a MAM, depois de um ano… Eu entrei como terceirizado; fui efetivado, ainda como promotor de vendas e merchandising. Eu também [pensei]: “Eu preciso fazer uma faculdade, eu preciso fazer uma faculdade”, já tinha isso muito claro, né? Na época, acho que eu ganhava 580 reais e a faculdade era tipo 490, então eu falei: "Eu vou conseguir sobreviver de VR, mas o meu salário vai quase todo pra faculdade.” 

Entrei na Faculdade Oswaldo Cruz. A disciplina que eu escolhi - foi muito fazendo os testes -, eu escolhi Publicidade e Propaganda e falei: "Ah, deve ser legal, questão de propaganda, questão de criatividade. Eu vou me identificar, eu vou gostar" e eu entrei. Na Oswaldo Cruz eu estudei um ano; como o valor da mensalidade era muito alto, ficou muito pesado pra conseguir administrar, aí depois eu acabei indo pra uma faculdade com valor inferior. Na época era UniRadial, depois a Estácio comprou, então é a Estácio. Na própria Estácio eu cheguei a estudar na unidade da Saúde, depois eu fui pra unidade da Marajoara e aí a minha formação foi essa parte de Comunicação Social, com bacharelado em Publicidade e Propaganda.

(40:05) P/1 - E quando é que você começou a trabalhar na Vedacit?

R - Aí, teve um... Já entro direto na Vedacit ou falo das etapas?

(40:15) P/1 - Ah, pode falar das etapas, o que você achar melhor.

R - Tá, eu vou tentar passar um pouquinho mais rápido as etapas e aí a gente foca nessa virada e na entrada da Vedacit. Bom, [fiquei na] MAM seis anos. Eu queria fazer uma movimentação, porque eu tinha muito esse negócio da... O meu gestor trabalhou na Johnson, que é uma multinacional de grande porte; o CEO trabalhou na Kellogg’s; se eu não me engano a gerente de Marketing também, a Bia, trabalhou na Johnson, então eles traziam muito essas lembranças e referências de multinacionais de grande porte. E eu tinha muito essa situação de: “Eu preciso participar, eu preciso ter essa experiência de trabalhar numa grande empresa.” Eu recebi uma proposta na Faber Castell e era até meio arriscado, eu não fazia muito essas contas. Eu estava há seis anos na empresa, aí eu fui como temporário na Faber Castell. Na época eles tinham uma divisão de cosméticos, delineador de olhos; eles produzem pra várias empresas conceituadas no mercado de cosméticos. E eu tinha que desenvolver essa área. Essa movimentação que eu fiz, eu achei até que foi um pouco impulsiva; eu estava bem cru e, pra proposta que eles queriam, também era muito desafiador, porque eu não podia usar o nome da Faber Castell. Eles criaram outro nome e eu tinha que desenvolver esses lápis, esses delineadores de olhos com a marca própria e eles eram já muito consolidados pra fabricação desses daqui. Não foi um período fácil. Acho que, se eu não me engano, eu fiquei de três a seis meses; eles encerraram o contrato, que era temporário, e no dia seguinte - aliás, no mesmo dia - eu liguei pra esse Bruno Verdugal, que era meu chefe na MAM. Ele falou: "Dimy, eu também pedi as contas aqui na MAM. Eu quero trabalhar como representante comercial, eu não quero ter teto de salário. O que eu vender eu vou ganhar, vem trabalhar comigo como preposto." 

Eu tenho um pouco até de uma situação privilegiada, porque eu nunca tive essa experiência de ficar um dia desempregado desde então, da entrada da MAM. No dia seguinte eu já estava trabalhando com esse meu chefe, como PJ, como preposto, aí eu retomei com essa parte de baby, mas deixando claro pra ele: "Eu quero trabalhar numa empresa de grande porte. Eu vou continuar aqui, na ativa, atrás dessa oportunidade." E ela chegou, chegou na L’Oreal. Pô, maior empresa de cosméticos do mundo, receber aquele e-mail: “Bem-vindo à maior empresa de cosméticos do mundo." Eu falei: "Agora sim, eu vou conseguir ter uma experiência legal". E foi uma experiência muito bacana. 

Na época eu atendia salões de beleza com uma marca de luxo, a marca Kerástase; gostei muito da experiência, foi bem legal, eu fiquei três anos. Atender salão de beleza é uma situação mais relacional, mais jogo de cintura. Como é uma marca de luxo, existia também uma questão de ego ali. Eu passei por várias áreas também, tive algumas promoções, nessa época. E aí eu falei: "Meu, eu gosto dessa...", aí eu já comecei a trazer umas dedicações pro meu perfil, falei: "Essa parte analítica é uma parte que eu gosto e eu não desenvolvo tanto, porque aqui é muito relacional, então eu preciso entrar numa empresa que me faça trabalhar e desenvolver mais essa parte analítica." 

Entrei na Coty, que também é uma empresa de cosméticos. A Coty trabalha com várias marcas, com Bozzano, Risqué, Cenoura & Bronze e eu entrei pra atender o Walmart, em nível nacional. O Walmart, na época, [era] o terceiro maior varejo do Brasil com, se não me engano, 410 lojas e tinha muitos SKOs, muitas marcas. Também foi uma experiência maravilhosa na Coty, eu aprendi bastante lá, principalmente essa parte de desenvolvimento analítico. E aí eu mantive contato com esse meu gestor da L'Oreal, tenho amizade até hoje e na Coty também a mesma coisa, que é o Luizinho, um carioca. Só que eu tinha um desenho de planejamento de carreira lá, eu já tinha tido experiências de gestão de pessoas diretas, só que eu estava um tempo sem ter e o meu... Naquela época era muito uma gestão indireta e eu falei: “Eu preciso retomar, eu quero crescer, quero ter uma oportunidade de desenvolvimento”. Na Coty desenharam, só que eu já estava há três anos na empresa e falaram: "Preciso de pelo menos mais dois anos pra que você tenha essa possibilidade de alçar esse cargo." eu falei: "Ah, isso é muito tempo, eu tô perdendo time aqui." Eis que apareceu a Vedacit, que era mais um novo segmento, então eu passei por vários segmentos, não sou tão apegado a essa parte de segmentos. 

Eu acho que a área comercial é muito business, muito pessoas; é muito, às vezes, números, negócios e você não precisa necessariamente ter apego a um produto. Produto você vai aprender, você vai desenvolver; mercado também, em questão de três meses você já consegue absorver bem o conhecimento de mercado, o conhecimento de produtos. Então, mais uma vez eu fiz uma movimentação saindo do segmento: chupetas, mamadeiras, cosméticos e aí entrando na construção civil. Na Vedacit, a proposta, em si, foi muito interessante. Primeiro que [em] todo o processo seletivo, o mais interessante é você ter uma identificação com a pessoa que vai ser a sua gestora, né? E todo o processo em si foi bem interessante, porque foi uma consultoria muito competente que fez, mas quando você conversa com a pessoa e sente uma firmeza, assim: "Eu vou conseguir me desenvolver muito com essa pessoa"... Eu gostei, e da proposta em si, porque é uma empresa que hoje está com 85 anos, uma empresa super tradicional, líder de mercado, mas ela estava passando por um processo de transição e até então tinha a gestão da família, aí falaram: "Não, vamos pro Conselho e vamos contratar um CEO, pra trazer todo esse direcionamento". Aí, o Marcos Bicudo entrou com o projeto GTM - Go to Market, desenhando uma proposta de médio prazo pra gente dobrar de faturamento em cinco anos. Existia um processo de estruturação e maturação, até chegar no processo de excelência. Dentro desse planejamento - eu faço parte desse planejamento, assim como o meu gestor direto - eu faço parte do projeto. 

A Vedacit, até então, tinha representantes comerciais que fizeram história e contribuíram muito para a empresa e é muito interessante; a gente tem pessoas de trinta, quarenta anos de experiência também, atuando na empresa e tinha um gestor que atendia todos os home centers. A proposta, em si, era: "Dimy, você vai atender direto home center, com a sua experiência de ______ account no Walmart, vai fazer a contratação de dois consultores de venda CLT e a gente vai pegar alguns clientes estratégicos dos representantes comerciais, pra passarem pra esse consultor de vendas CLT". Foi exatamente esse processo, esse fluxo que eu fiz. A gente contratou, na época, dois consultores que estão até hoje com a gente; depois foi aumentando a equipe, os resultados foram muito positivos. Até o final do ano a gente estava com uma quedinha e conseguimos entregar o ano zerado; no ano seguinte os resultados foram fantásticos. Existia uma rápida adaptação pro mercado com relação a ter um consultor CLT e as movimentações foram feitas com muito cuidado. 

A Vedacit é uma empresa que, comparada às demais… É muito curioso. Você pega essas pessoas que têm mais tempo, elas têm um amor, uma paixão pela empresa… Eu falo que é literalmente um coração amarelo, que eu não consegui ver nas outras empresas - talvez pela rotatividade, talvez pelo formato da empresa, eu não sei explicar, mas é algo muito diferente. E ela respeita muito o colaborador, então os representantes comerciais continuaram, porque eles fazem parte da história da Vedacit, só que eles atendem um outro tipo de perfil de cliente. Entrou a minha área, que é a área de contas diretas, junto com a minha par e a gente tem também uma outra área, que é a área focada na parte de construção, de construtoras, que é o B2B, que era uma área que não era tão focada assim, ou ela era muito misturada. Através dessa organização desse processo, desse fluxo, dessas contratações, eu acho que a gente tem um resultado bem positivo como empresa, como construção de propósito, construção de cultura. 

Existe um desafio da pessoa que vem, ela vem com a velocidade de uma multinacional e quer estar a 120 por hora, e você vai conviver com pessoas que estavam acostumadas, trabalhando há cinco ou dez anos, que têm uma velocidade diferente, então foi bem interessante. Eu lembro no meu primeiro dia que eu entrei na Vedacit. Na época tinha o diretor de RH, o Gustavo. Ele falava assim: "Tenha calma, a gente tem uma história aqui. Não chega querendo mudar tudo, inventar a roda. Primeiro tenta se ambientar, tenta conhecer as pessoas, pra depois fazer essas provocações, essas mudanças." Eu achei interessantíssimo isso nele e isso já me deixou um pouco recuado. Talvez eu entrasse num formato, numa movimentação um pouco mais agressiva. Mesmo assim existiu a parte de conflito, que é natural, mas eu avalio que as coisas vêm dando, devem e vêm dando super certo.

(49:26) P/1 - Dimy, como é que você ficou sabendo do Projeto Ano Novo, Casa Nova? 

R - Entraram em contato comigo. A Ju, de sustentabilidade, ela mencionou, falou assim: "Dimy, tudo bem o pessoal entrar em contato? Eles vão fazer uma entrevista." Até então eu não conhecia o projeto em si. Eu até fiz uma confusão, eu não sei se tem alguma relação ou não, porque na Vedacit a gente tem uns projetos de fazer toda a parte de construção e principalmente a questão de impermeabilização para os colaboradores e eu não sabia se isso estava correlacionado ou não. Eu fiquei um pouco na dúvida. 

(50:11) P/1 - A Telma, sua funcionária, foi contemplada pelo projeto. Qual foi a sua participação nesse processo? 

R - A Telma foi muito numa condição de orientação, de: "Olha, eu acho que é bem interessante. Vale a pena você se arriscar, por tudo o que você conquistou hoje, pelo que você gostaria de ter." A Telma é uma menina super guerreira, super batalhadora. Hoje ela mora com a mãe, que é uma pessoa de idade, e com a filha Júlia. A Júlia, se não me engano, fez vinte ou 21 anos e então teve essa parte de incentivo, justamente pra ela conseguir dar esse próximo passo.

(50:57) P/1 - E como você vê a importância das pessoas terem uma residência salubre pra viver?

R - Eu vejo que é fundamental. A casa é nossa parte de repouso, de descanso, da gente renovar as energias, da gente estar junto com a nossa família. E aí você ter, hoje, um cenário no Brasil ainda com milhões de habitações em condições insalubres, eu avalio que é uma situação até de necessidade pública, de uma intervenção de fato, né? A terceira maior ocorrência do SUS vem muito na questão de problemas respiratórios, por condição de ter uma casa insalubre. Eu acho que nós deveríamos, como sociedade, ser mais engajados com relação a isso e combater de fato esse problema, porque é fundamental. Eu avalio isso como básico,  necessário. Você tem que ter uma casa com uma condição salubre. 

Inclusive, eu tenho... Um dos projetos da Vedacit foi com a Eline, que é uma promotora de vendas. Eles reformaram a casa dela. Ela é uma pessoa muito especial, ela tem uma energia fantástica, fundamental. Eu tinha com ela uma relação muito  profissional, sabe, de: "Oi, tudo bem? Como é que você está?" e eu não imaginava a condição em que ela morava com os dois filhos. Depois que eu vi aquilo, eu fiquei bem impressionado, aí teve uma situação de a gente fazer um trabalho juntos e ela chamar pra conhecer a casa dela. Ela está toda orgulhosa agora, a casa ficou superbacana. Então, são condições muito especiais e que eu acho que a gente deveria ter. Todo mundo deveria ter a condição de uma casa de conforto, de um lar, com a sua família.

(52:42) P/1 - Você consegue visualizar, no futuro, a Vedacit fazendo mais projetos nesse sentido?

R - Com certeza, eu acho que se faz necessário. Tem até uma situação paralela que vem acontecendo: o meu gestor atual, o Fabio Claumann, que é o gerente executivo regional, é muito fã de futebol americano. Ele fez uma movimentação, como se fosse uma espécie de gincana, no começo do ano, que a gente ainda estava numa condição de alta da pandemia. Os promotores… A gente já tinha antecipado as férias, então eles iam ficar em casa; eu lembro que ele chegou numa sexta-feira pra mim e falou assim: "Dimy, a gente precisa criar alguma movimentação pra incentivar e pra motivar os promotores, porque eles vão ficar muito agoniados." Existe a questão da saúde mental também, que não foi tão vista assim, nesse período de pandemia. E aí passaram diversas coisas na minha cabeça, mas básico, sabe: "Ah, vamos fazer um curso, um acompanhamento, uma mentoria." E aí ele chegou, na semana seguinte, com esse projeto de liga de futebol americano; um negócio genial, fora da caixinha e com dinâmicas diárias. Os promotores na Vedacit são muito diferenciados, são muito engajados, eles têm uma paixão pela empresa e uma entrega fora da curva, então eles participaram muito, o propósito da Liga deu certo. Beleza, essa foi a primeira fase da Liga. Como ela ganhou bastante corpo e fez bastante sucesso, a companhia, no geral, o RH ficou sabendo, aí entrou pra segunda etapa da liga de futebol americano, que é essa fase e ele já desenhou coisas muito mais relacionadas às tarefas, relacionadas a resultado e ao propósito da Vedacit. Então, por exemplo: quando a gente iniciou, ele mandou tarefa um e tarefa oito e a tarefa oito tinha como propósito um trabalho muito parecido com o que foi feito na casa da Eline. Então, ele falou assim: “Vocês, como time” - no total são sete times – “vão escolher uma casa, vão escolher no mínimo um cômodo e vão reformar esse cômodo, vão deixar esse cômodo numa condição salubre.” E aí isso motivou todo mundo, dois meses pra fazer todo esse projeto e a gente… No meu time a gente já está reformando a casa, esse domingo a gente foi lá e já fez a primeira etapa. Eu acho que são movimentos como esse, de engajar as pessoas… Até a Eline comentou isso, foi bem interessante - a Eline está no meu time. Eu fui buscá-la no terminal, pra gente ir nessa casa e ela falou: "Pô, o pessoal reclamou porque a gente está num domingo, era pra ser um dia de folga, mas eles têm que ter a consciência que isso aí é uma situação social e não é essa questão de ‘vou dar um dia de folga’, como se fosse um trabalho." Eu falei: "Eline, eu acho que eles vão ter essa sensação, mas na prática." Dito e feito: o dia foi extremamente leve, extremamente divertido. A gente saiu quebrando um monte de parede lá. [Foi] cansativo também, mas demos muita risada. Foi uma forma de se integrar, são pessoas que eu tô trabalhando há três anos, que eu conheci muito mais em um dia de um projeto social, entendeu? 

Dando toda essa volta e respondendo a sua pergunta: eu vejo que a Vedacit tem esse propósito bem definido e isso está cada vez mais na cabeça dos colaboradores. Até peço, em qualquer tipo de apresentação, seja uma apresentação comercial [ou] pros consultores, pra deixarem claro o propósito da Vedacit e eu acho que a ideia é fomentar cada vez mais isso, com certeza.

(56:21) P/1 - E essa questão, você acha que tem uma diferença entre uma multinacional e uma empresa familiar como a Vedacit, em lidar com projetos sociais?

R - É uma boa pergunta. O nível de engajamento e o tipo de projeto que a Vedacit está fazendo, eu, pelo menos, acho… As empresas eram muito grandes, então talvez muitas coisas não chegavam até mim, mas aí eu vejo que é um equívoco, porque todo colaborador tem que estar bem integrado com a cultura da empresa e com as movimentações que ela está fazendo, seja social ou sustentável. A Vedacit deixa isso muito claro, ela informa em todas as reuniões que a gente tem, ela faz questão da gente repassar para os colaboradores. Então, o que eu vejo: o perfil do colaborador na Vedacit é diferenciado nessa questão da paixão e do engajamento, principalmente as pessoas que estão há mais tempo. 

Eu não sei te falar se é o fato do familiar e da multinacional, pode ser que sim, mas eu acho que muitas coisas… Eu acredito que uma empresa como a L'Oreal, como a Coty tinham projetos sociais fantásticos, mas chegava pouca coisa de informação pra gente. Eu acho que eles tinham uma área definida e na Vedacit eles fazem o contrário: eles fazem em formato de contagiar justamente os colaboradores, de terem um propósito em comum com a cultura da empresa.

(57:50) P/1 - Caminhando pra parte final agora, quais são as coisas mais importantes pra você, hoje?

R - Ah, eu vejo que é a questão da família. Eu sou um cara muito apegado à família, hoje eu sou casado. Eu sou muito próximo também dos meus irmãos, dos meus pais. A família, eu acho que ela está bem estruturada e é um dos pilares que a gente pode avaliar como fundamental. 

Eu vejo muito... Parece que é um pouco de independência financeira, mas uma condição financeira para que você faça o dinheiro trabalhar por você e não você trabalhar por dinheiro. Eu valorizo muito isso, porque isso te dá uma liberdade e a liberdade, pra mim, é fundamental e ela está, hoje, um pouco atrelada nessa condição financeira. 

Família não está muito relacionado, né? Fui pego de surpresa, não tenho… Veio na cabeça, mas família, saúde e a questão da independência financeira.

(58:55) P/1 - E voltando um pouquinho, aproveitando que você falou que você é casado, como é que você conheceu essa pessoa?

R - A Camila, foi bem legal. Eu namorava antes, estava num namoro de três anos. Tinha uma moça - na época, eu morava na casa do meu pai - que ajudava a gente lá e esse meu namoro tinha altos e baixos; eu sempre terminava e voltava, terminava e voltava, terminava e voltava e aí teve uma vez que eu falei: "Nalva, é definitivo”. Eu terminei e ela falou: "Não, então eu tenho uma pessoa muito especial pra te apresentar", aí eu falei: "Ah, beleza, né? Tô solteiro, tô à disposição." Quinze dias depois eu já estava falando com a Camila e a gente começou inicialmente pela internet; Depois de quinze dias pelo telefone eu a encontrei pessoalmente e, no encontro, a gente já praticamente passou a namorar. 

Ela é uma pessoa muito especial. É uma pessoa com caráter, uma pessoa muito humana, muito dócil. É muito difícil conhecer alguém que não goste da Camila, que vá conhecê-la, pelo menos eu particularmente nunca conheci. É até engraçado, porque tem um consultor de vendas na Vedacit, ele a conheceu um dia e ele falou: "Ela é muito mais legal que você". E geralmente é nesse formato: ela cativa as pessoas de uma maneira muito orgânica e natural, então é uma pessoa muito especial que eu tenho na minha vida. 

A gente já tem bastante tempo juntos. Eu a conheci quando eu tinha 22 anos, hoje eu tô com 35… Essa parte que eu não posso errar muito, mas é uma faixa de quatorze anos. A gente tem quatorze anos juntos e de casados a gente vai fazer, em novembro, nove anos. É uma pessoa muito especial na minha vida, que foi fundamental; não me vejo hoje sem ela, a gente tem ideias de ter filhos. Hoje eu sou apenas pai de pet, a gente tem o Bo, que é um cachorrinho. O Bo já está com nove anos, aí pra cachorrinho ele já é um... Está começando a ser um idoso, ele já passou a meia idade, na idade do cachorro. 

Ela tem um perfil que nasceu pra ser mãe, sabe? Ela nasceu pra cuidar das pessoas, pra fazer o bem pras pessoas, então isso é um propósito de vida dela. É uma coisa que eu fui me acostumando, essa questão de ser pai, porque eu acho que é uma grande responsabilidade, mas eu acho que cada vez mais a gente está se preparando pra que isso aconteça e a partir do momento que se tem um filho é virada uma página e os propósitos mudam totalmente, né?

(01:01:26) P/1 - Aproveitando que você está falando isso, atualmente, quais são os seus sonhos pro futuro?

R - Bom, eu vejo que está muito já dentro do nosso planejamento. Eu tô com 35 anos, a gente foi postergando, postergando e teve uma questão de saúde dela, mas hoje a gente avalia que tem essa condição de ter um filho hoje. Eu avalio que ele entra como uma base de sonho. Bom, aí é desejar muita saúde, tanto pra mim, quanto pra minha família, pras pessoas que estão próximas a mim, aos meus amigos; a saúde é o primeiro passo pra você conseguir as demais coisas, senão você não... Você acaba travando e sendo um empecilho. E que as pessoas tenham liberdade pra fazer o que elas gostam de fazer, que elas se sintam livres pra fazer. Eu gosto muito de viajar, eu acho que eu ainda conheço poucos lugares no mundo, então eu tenho muita vontade de fazer viagens, né? Por exemplo: eu não conheci a Europa ainda, eu não fui aos Estados Unidos; principalmente no exterior, eu acho que o Brasil eu até que já viajei bastante. São coisas que eu vejo como planejamento, no meu caso pessoal. 

Quando a gente fala na questão de empresa, paralelamente com a Vedacit, eu tenho uma empresa de tecnologia, que é a Omni Sistemas. Eu acho que eu acabei pulando essa etapa aí. Foi na pós-graduação que eu conheci o pessoal e a gente acabou abrindo uma empresa, através de uma ideia. O professor falou que era um projeto promissor e a gente levou a sério e criou essa empresa. Hoje é uma empresa autossustentável. Na faixa dos meus quarenta anos, minha ideia é conduzir, junto com os meus sócios também, a Omni e um pouco dessa etapa de empregador para empreendedor. Eu vejo que é um caminho que eu projeto bastante pra fazer.

(01:03:15) P/1 - Por último, como foi, pra você, contar a sua história?

R - Palpitei bastante e eu até falei… E olha que faltou muita coisa, por mim eu ficava mais duas horas aqui. No começo eu fiquei até preocupado, eu falei com a Camila:  "Duas horas". Eu geralmente me considero uma pessoa prática nas falas, não sei se eu vou ter muito conteúdo pra falar, né? Mas aí as perguntas são muito bem-feitas, são abertas e aí vai te deixando à vontade. Você vai falando, vai te trazendo recordações, algumas coisas que você vai lembrando e vai colocando aqui, na fala. Adorei a experiência, achei muito bacana, nem senti esse tempo passar. E que bom,  acho que foi bem legal.

(01:03:57) P/1 - Então, Dimy, em meu nome e do Museu da Pessoa, a gente agradece a participação, foi ótimo.

R - Obrigado! Valeu, Grazi.

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