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História

Do pioneirismo da Casa Sampaio ao Sincomércio

História de: Wallace Sampaio
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/06/2021

Sinopse

Wallace Garroux Sampaio nasceu em 30 de novembro de 1949 na cidade de Bauru-SP. Desde a década de 1920 a família de seus pais já estava na cidade. O avô por parte do pai era administrador de fazendas. Conta que seu pai trabalhou na loja Casa Lusitana, um armazém muito grande estilo do Mappin em SP, chegando a ser gerente e arrendando a empresa depois. Em 1936 seu pai inicia inserção ao comércio com loja própria abrindo a loja no mesmo prédio comprado como Casa Sampaio. Aos 14 anos de idade foi estudar no colégio Arquidiocesano em São Paulo por 2 anos. Wallace conta como era a rua Batista de Carvalho, o Bauru Tênis Clube e sobre a juventude da época, além do “batistar”. Bauru era o entroncamento ferroviário da época das linhas que cruzavam o Estado de São Paulo até o Mato Grosso, logo muita gente fazia a baldeação por aqui e aproveitava para realizar as compra, vindos pela linha Paulista para a Noroeste. Wallace sempre trabalhou na loja, tendo um pequeno hiato de 2 anos quando tentou procurar uma alternativa até se casar. Wallace descreve um pouco de como foi seu supermercado até a venda de ferramentas e ferragens, desde a época que era comum ser chamado de secos & e molhados. Em 1963 surge o supermercado Sampaio, coisa inédita ainda para o interior. Relembra o quão impressionante era na época a venda da calculadora eletrônica, antes inexistente. É idealizador do projeto Mesa Brasil, projeto de caráter alimentar que busca a distribuição de alimentos que estão fora do padrão de comercialização, mas que ainda estão em perfeito estado para o consumo. Relata o problema e dificuldades do comércio com a pandemia. 

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História completa

MC_HV091_Wallace Sampaio – Sincomércio

 

 

          Meu nome é Wallace Garroux Sampaio, nascido em 30 de novembro de 1949, em Bauru. Meu pai era José Ferraz Sampaio, e minha mãe, Marina Garroux Sampaio. É uma família que está no comércio de Bauru há muito tempo, desde 1936. Tanto a família do meu pai, quanto a família da minha mãe chegaram aqui por volta de 1920. O meu avô por parte de pai era administrador de fazendas. Ele estava na região de Piracicaba, e meu pai nasceu lá, mas acabou vindo para Bauru. Meu pai trabalhou em comércio aqui, trabalhou numa loja antiga de Bauru, a Casa Lusitana, que não existe mais.

          A Casa Lusitana era um armazém muito grande, estilo do Mappin em São Paulo, que tinha de tudo. Ele foi gerente da loja, depois arrendou a empresa comercial que deu origem à Casa Sampaio. Isso foi em 1936, e em 1940 ele abriu a loja no prédio próprio - comprou o prédio e o transformou na Casa Sampaio. Era em frente à antiga estação ferroviária de Bauru, da ferrovia Noroeste.

          Por isso, eu passei praticamente toda a minha vida junto do comércio do meu pai, eu me formei lá dentro do comércio dele. Eu saí apenas numa época, um período de dois anos, quando eu estudei em São Paulo ainda garoto, com 14 anos de idade – era no Arquidiocesano, em São Paulo, como aluno interno.

          Naquela época, o que a gente frequentava em Bauru eram duas coisas só: havia a Rua Batista de Carvalho, que hoje é o calçadão de Bauru e que forjou até um verbo: “batistar”. Você ia “batistar”, que era passear na Rua Batista; e o clube, que era o Bauru Tênis Clube. Mas tinha também a chácara do meu pai, que a gente frequentava muito. Mas o comércio, mesmo, é que era muito movimentado, porque Bauru era um entroncamento ferroviário. Você tinha aqui a Paulista, a Noroeste e a Sorocabana. A Paulista fazia, normalmente, até São Paulo; a Noroeste adentrava o Mato Grosso, chegava até a Bolívia e o Paraguai; e a Sorocabana, que ia para Botucatu, Sorocaba e São Paulo também. Então, em Bauru você tinha toda a carga que vinha de São Paulo destinada ao Mato Grosso - fazia o transbordo aqui em Bauru, dos trens da Paulista para o trem da Noroeste, e ia lá para o Mato Grosso. Então, Bauru era uma cidade interligada com todo o estado pela ferrovia, e tinha muita gente de fora aqui. E era uma maravilha. Com 14 anos de idade, eu ia sozinho para São Paulo, para o internato, na ferrovia. Eram seis horas de viagem, com vagões extremamente confortáveis, limpos, organizados. Tanto que uma criança, praticamente, de 14 anos, viajava sozinha para São Paulo.

          Eu sempre fui bom aluno, mas nunca pensei em outra coisa que não fosse o comércio. Isso era uma coisa muito natural, porque a empresa do meu pai era empresa grande para a época. E criado ali dentro, o meu universo estava dentro da empresa. E eu sempre trabalhei lá, desde criança. A Casa Sampaio, antigamente, era secos & molhados. Tinha aquela cara de armazém, tudo misturado: bacalhau, barricas de azeitonas; os cereais eram expostos em sacaria: arroz, feijão, farinha, tudo ali. Havia muita venda a granel, né? Mas quando surgiu o supermercado no Brasil, na década de 50, nós vimos aquilo e já nos interessamos, pois ficou claro que aquele era o caminho, e o meu pai transformou o armazém em supermercado. O começo foi difícil, pois as pessoas não estavam habituadas com supermercado.

          Depois de décadas como supermercado, houve uma época em que nós fechamos, porque o centro ficou impossível de você trabalhar com o supermercado - os supermercados foram para os bairros, em lojas muito mais amplas do que a nossa, com estacionamento. Deixamos, então, de trabalhar com supermercado e passamos a ser uma loja de utilidade doméstica: louça, prataria, cristais, utilidades em geral e, principalmente, uma sessão de ferramentas e ferragens, como está até hoje, mas agora na Rua Primeiro de Agosto.

          Quanto ao Sincomércio, eu fui convidado por um amigo meu, que é diretor do Sincomércio até hoje, o Orlando Burgo. E eu acabei entrando para a diretoria do sindicato quando não existia nem esse prédio que nós estamos hoje – era no prédio da antiga Drogadada, na Rua Rio Branco com a Primeiro de Agosto. Naquela época eu estava como diretor, e hoje eu sou o presidente. E de lá para cá, eu sempre disse o seguinte: “Isso é igual cachaça. Você tomou a primeira vez, gostou, vai ‘garrá’ a tomar. Se não gostar, você não toma mais”.

          O sindicato é uma atividade muito específica, porque ela sempre tem a característica de negociação coletiva, de manter relação com sindicatos e empregados. Eu me especializei nisso, e essa é a razão de eu estar à frente até hoje. Então, a gente toma gosto por aquilo que faz. Para você ver, o sindicato é uma atividade não remunerada, você não tem remuneração nenhuma. Então, a gente faz isso porque gosta. E eu estou nessa há quase trinta anos.

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