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História

Do palco para as redações

História de: Marco Antônio de Souza Rocha
Autor:
Publicado em: 23/06/2020

Sinopse

Marco Antônio Rocha conta em seu depoimento sobre a infância em Araraquara, as brincadeiras com os amigos, a vida tranquila da cidade pacata. Lembra do ensino de boa qualidade que recebeu nas escolas em que estudou, o que resultou muito importante para o seu futuro desenvolvimento profissional. Recorda da vida em São Paulo e de ter ouvido a notícia do suicídio de Getúlio Vargas a caminho da escola, pelo rádio de uma padaria. Era um jovem politizado. Envolveu-se em política estudantil, militou no Partido Trabalhista Brasileiro, participou da campanha de Prestes Maia para prefeito de São Paulo. Em 1958, integrou-se ao grupo do Teatro Oficina. Lembra de seus primeiros tempos no jornalismo, das redações por que passou, e da amizade com Vladimir Herzog.

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História completa

A visita de Sartre

O [filósofo Jean-Paul] Sartre foi a Araraquara fazer uma palestra na Faculdade de Filosofia de Araraquara, para responder a uma pergunta que um dos professores, o professor Castilho, tinha feito para ele, por carta. Quando veio ao Brasil, ele fez questão de ir à Araraquara, para responder à pergunta pessoalmente, para os professores da Faculdade de Filosofia. E, nessa ocasião, ele aproveitou e fez, também, uma palestra para os estudantes de Araraquara, no Teatro Municipal. Na época deu muita repercussão nos jornais porque ele estava em uma campanha a favor do Fidel Castro e de Cuba. Ele escrevia e, inclusive, ele tinha uma coluna na “Última Hora”, o jornal onde eu trabalhava. Ele tinha uma coluna chamada “Furacão sobre Cuba”. Ele defendia, não só as ideias do Fidel Castro, como a Revolução Cubana em geral. [Isso foi de] 1959 para 60. O Fidel tinha acabado de assumir, praticamente, lá em Cuba. A Revolução Cubana tinha sido vitoriosa em final de 1959, se não me engano; em 1960 o Fidel assumiu lá e começou a fazer propaganda da revolução pela América Latina. Um dos primeiros propagandistas foi o Sartre. Acompanhei [a visita] porque a “Última Hora” me designou. Essa é outra história cultural da época: eu era um dos poucos jornalistas, repórter naquela época, que falava francês. Porque todo mundo só se interessava em aprender inglês. Eu era dos poucos que tinha aprendido francês. Então, eu fui acompanhar o Sartre, primeiro na visita que ele fez ao próprio jornal “Última Hora”. Eu fiquei lá no mesão do jornal, junto com outros repórteres, fazendo pergunta para ele, anotando as respostas e tudo o mais, para transformar numa matéria. Depois fomos para Araraquara junto com ele – junto com ele, não, fomos em viaturas separadas. Mas porque ele foi primeiro para essa cidade que tem aqui perto de Campinas, onde a família Mesquita tem uma fazenda [Louveira]. Ele foi passar a noite lá, com os Mesquita. E conversar com o doutor Júlio [de Mesquita Filho], com o pessoal do “Estadão”. E eu fui direto para Araraquara, no jipe da “Última Hora”, que era o Candango. Não sei se vocês chegaram a saber desse veículo, que era um jipe Vemag, que tinha sido feito especialmente para rodar em Brasília. E que tinha esse apelido de Candango, por causa dos nordestinos que iam trabalhar em Brasília, que tinham o apelido de candango também.

[Vladimir Herzog também cobriu essa visita] para o “Estadão”. O Vlado era repórter do “Estadão” e eu era repórter da “Última Hora”. Nós somos da mesma idade, certo? 1936. Acho que ele é de 1937. Acho que ele é um ano mais novo que eu. É, era. Então, nós éramos da mesma idade. E o Vlado foi nessa cobertura também, do Sartre. E aí o Sartre fez essa palestra para os professores, que está editada por esse amigo meu, o Luiz Roberto Salinas Fortes, que gravou a palestra e depois traduziu e editou, chamada “Conferência de Araraquara”. Entre as obras do Sartre, está essa “Conferência de Araraquara”, que é filosófica, uma conferência sobre Filosofia. E depois ele fez a palestra para os estudantes, no Teatro Municipal, falando sobre Cuba. E aí, para minha surpresa, na época, é que ele não falava português, mas entendia tudo que se falasse em português. Ele ouvia as perguntas dos estudantes e não precisava de tradutor, respondia em francês. Depois, eu soube que ele tinha morado na Espanha um tempo enorme e então era normal que ele entendesse português.

 

Estreia no jornalismo

Foi em 1957. Eu já estava na faculdade de Direito e fiz exame também para Filosofia, na PUC. Estava entrando eu, o Zé Celso [Martinez Corrêa], o Plínio Pimenta e mais dois rapazes, cinco alunos, no curso de Filosofia da PUC. 1957. Aí, o Ignácio de Loyola, que tinha vindo de Araraquara com o resto da turma, a chamada Turma de Araraquara, que éramos eu, Zé Celso, o Loyola, o Plínio Pimenta, o Bento Carnais, enfim, o bando de Araraquara, uma parte que era da faculdade de Direito tinha entrado também na Filosofia da PUC. E praticamente todos, com exceção do Zé Celso, faziam parte da Juventude Trabalhista. O outro Pimenta, o Antônio Marcos Pimenta Neves, era primo desse que era, também, da Juventude Trabalhista. Você perguntou como é que eu fui para o jornalismo. Eu já não aguentava mais pedir dinheiro para o meu pai. Preciso trabalhar, fazer alguma coisa. O Loyola, que tinha vindo de Araraquara também, estava trabalhando na “Última Hora”. Aí eu fui falar com ele: “Ignácio, preciso de um emprego, fazer qualquer coisa nesse jornal. Você dá um jeito?” Ele falou: “Eu vou falar com o chefe de reportagem e você conversa com ele”. Fui lá, era o Barroso, o chefe de reportagem. Barrosinho. Um cara gordinho e pequenininho. O Barroso falou: “Você quer ser repórter? Anota seu telefone aí e vamos ver o que dá”. Fui embora para casa. Uns três, quatro dias depois ele me telefona. Olha como eram as coisas, naquela época! “Marco Antônio, você que veio aqui procurar emprego de repórter?” “Fui eu.” “Tem um serviço aqui. Nós estamos sem repórter hoje, aqui está todo mundo ocupado e tem um serviço aqui que é interessante. Não é propriamente um caso de jornal, mas seria bom mandar um repórter lá. Vem aqui e eu te explico.” Eu fui lá no jornal. A “Última Hora” ficava embaixo do viaduto Santa Ifigênia, a redação. Onde é, hoje, uma estação do metrô, se não me engano. Aí ele falou: “Olha, é o seguinte: você sabe do teatro rebolado?” Falei: “Sei”. Teatro rebolado, naquela época, era a expressão que a gente usava para falar do teatro de variedades, o teatro das vedetes, de comédia e tudo o mais. “Variety”, como diziam os americanos. Falei: “Claro que eu sei do teatro rebolado”. “Então, o seguinte: as vedetes vão fazer um jogo de futebol no Pacaembu, em benefício do Hospital do Câncer. Você vai lá cobrir o treino delas, que vai ser hoje” – era uma quarta-feira – “elas vão fazer um treino hoje, quarta-feira, vamos ver o que dá a sua reportagem. Pega um fotógrafo e vai para lá.” Eu peguei o fotógrafo, Kanai, era um japonês, entramos no jipe da “Última Hora”, no Candango, e fomos para o Pacaembu.

Chega lá, teve o treino – sempre lembrando que a gente andava de gravata e paletó, sempre, quando ficava na rua, fosse como estudante, fosse como repórter – chegamos lá, ficamos assistindo ao treino, estavam todas as vedetes famosas na época, que depois viriam a ser personagens da coluna do Stanislaw Ponte Preta: Marly Marley... como é a famosa que diziam que tinha sido amante do Getúlio? Virgínia Lane. Qual mais? Sônia Grey. As “Certinhas do Lalau” estavam lá treinando futebol. Consuelo Leandro. Aí, terminou o treino delas, o Kanai, fotógrafo, fala: “Marco, vamos lá para o vestiário fazer umas entrevistas”. Eu falei: “Como, rapaz? Vamos entrar no vestiário, elas vão estar todas peladas”. Minha cabeça era de Araraquara e era daquela época, certo? Imagine entrar no vestiário de mulher pelada! “Vamos lá, deixa comigo, não se preocupe.” Fomos, eu atrás dele. Fomos entrando no vestiário, ele parou um pouco, eu fiquei atrás, olhando lá para dentro. Aí a Consuelo Leandro, que estava sentada na frente de um espelho de camarim, aqueles com lampadinhas, olhou lá do banquinho dela e falou: “Kanai, quem é esse moço aí? Quem é esse garoto aí?” “É um repórter novo” – ela de calcinha e sutiã, sentada no banquinho – “que está começando, eu estou dando umas dicas para ele.” E ela: “Vem cá, meu filho, vem cá que eu quero conversar com você”. Eu vou lá, com o caderninho na mão e uma caneta, para fazer a entrevista. Eu falei: “Nada disso. Dona Consuelo, a senhora me desculpe” – olha o linguajar! – “mas eu estou trabalhando, eu não posso fazer essas coisas. A senhora me desculpe. Kanai, nada de fotografia, hein, porra”. Bati um resto de papo com ela, terminou ali, o Kanai virou para mim e falou: “Marco, não se preocupe, ninguém vai publicar o que você vai escrever. O que o jornal está interessado são as fotografias. Eles vão jogar fora o que você escrever”.

 

Encontro com Vlado

Eu conheci [Vladimir Herzog] assim, de passagem. Nós já éramos adultos e repórteres, ele do “Estadão” e eu da “Última Hora”. A gente se cruzava em coberturas eventuais, a gente se contatava: eu, ele e a mulher dele, a Clarice. Foi aí que a gente se conheceu. Os primeiros contatos foram como repórter. Depois, essa ligação foi se aprofundando. Começamos a frequentar a casa um do outro, até que o Vlado se ligou também, ou talvez já fosse ligado, mas enfim, a um pessoal que também era do Partido Comunista, do Partidão. Veja: eu era do PTB, mas trabalhava junto com o Partidão. E tinha um pessoal jovem, que era só do Partidão. E que também se ligou ao Vlado. Conheceu, se ligou e também começou a frequentar a casa do Vlado. Nessa casa, na casa do Vlado, a gente fazia reuniões para discutir assuntos do Partido Comunista: linhas de ação, pensamento e coisa e tal. Quando houve a grande discussão entre luta armada e luta democrática, a gente fez várias reuniões para discutir isso. Vinham uns dirigentes do Partidão fazer palestra para gente, vinham do Rio de Janeiro, e que estavam contra. O Partidão sempre foi contra a luta armada. Tem até um idiota que escreve na minha página de Facebook, que diz: “Vocês, comunistas, pegaram no pau de fogo pra matar gente”. Não adianta explicar para ele que nós, comunistas, do Partidão, nunca pegamos no pau de fogo. Porque éramos contra o pau de fogo. Mas não adiantam essas coisas, porque o idiota não conhece, enfim.

 

Na redação da “Visão”

Eu estava na Editora Abril ainda, trabalhando na revista “Realidade”. Eu tinha feito várias escalas na Abril, várias revistas, várias coisas. Inclusive aquelas revistas técnicas da Editora Abril, que tinha revista de metalurgia, revista de transportes, revista de química e derivados. Não sei se vocês conhecem um jornalista, o Raimundo [Rodrigues] Pereira, foi meu colega na revista de “Metalurgia e Mecânica”, da Editora Abril. O Bernardo Kucinski, idem, foi meu colega na revista também. Os dois tinham feito o curso do ITA [Instituto Tecnológico da Aeronáutica], mas tinham sido expulsos do ITA, no golpe, porque eram de esquerda. Foram pedir emprego na Editora Abril. Como eles tinham curso técnico, não tinham se formado, porque tinham sido expulsos, mas tinham estudado no ITA – que não é brincadeira –, aí os botaram na revista técnica, [para] trabalhar nas revistas técnicas, uma das quais eu dirigia. Foi aí que eu fiquei conhecendo o Raimundo e o Bernardo. Aliás, dois jornalistas espetaculares. Não sei até por que foram estudar Engenharia. Entrei na Abril em 1962 e saí no começo de 1970, quando estava na revista “Realidade”, que estava acabando, praticamente. Porque depois do golpe ela começou a ser perseguida. De 1969 para 70, a revista “Realidade” estava acabando. Daí o Pimenta [Neves], que estava dirigindo a revista “Visão”, foi lá na Editora Abril me procurar – era meu amigo de infância, de Araraquara – e falar: “Você que está aí escrevendo sobre Economia, nós estamos precisando de um editor de Economia lá na revista ‘Visão’. Você não quer ir para lá?” Aí eu fui. A “Realidade” estava acabando, acabou naquele ano, fim de 1969, por aí, aí eu fui para a “Visão”, no começo de 1970. Fiquei quase cinco anos na “Visão”, como editor de Economia. O Pimenta também levou o Vlado para lá, na mesma época. Ele cuidava da editoria cultural da revista “Visão”.

Minha convivência [com Vlado] era ótima, era muito boa, porque nós já tínhamos aquela convivência anterior, política, digamos assim, das reuniões na casa dele, de tudo o mais. Não houve nenhum problema de aproximação, nem nada. A gente saía bem. E, nas reuniões de pauta da “Visão”, as ideias que a gente professava eram as mesmas, eram idênticas. O Vlado não era comunista. Não era ligado a partido nenhum, nem ao PTB, nem ao Partido Comunista, nem nada. Essa foi a coisa que eu mais proclamei quando ele foi morto, porque ele foi morto como comunista. Por ter sido considerado comunista, pelos assassinos do DOI-Codi. E porque, na nota que eles distribuíram sobre a morte do Vlado, diziam que ele era comunista. A nota do Segundo Exército dizia que ele era comunista e, por isso, ele tinha sido preso. O Vlado não era comunista. Nunca tinha participado do Partido Comunista e nem de partido nenhum. Ele era um homem independente. Era um homem muito culto, muito bem informado, principalmente sobre arte, sobre cultura. Tal coisa que não era da minha alçada, eu era jornalista de Economia. Eu só me preocupava, na área cultural, em saber se as peças de teatro estavam dando lucro ou não. Ele, não: ele queria saber se eram boas peças ou não.

 

Às vésperas do crime

Uma das coisas que nos salvou do mesmo destino do Vlado foi que o [Paulo] Markun foi solto no dia do batizado da filha dele; [soltaram-no] para assistir ao batizado. E, na igreja, ele contou para alguém ligado a nós, amigo nosso, que eu nem lembro mais quem foi, para nos avisar que nós todos iríamos ser procurados: eu, o [Rodolfo] Konder, todo mundo. Eles estavam à caça de todo mundo. Então, que a gente abrisse o olho. Eu fiquei sabendo disso pelo próprio Vlado. Na quarta-feira, antes dele ser assassinado, teve um jantar na casa do cônsul da Inglaterra em São Paulo, porque o Vlado e o Konder tinham sido muito ligados à BBC de Londres. O cônsul inglês que estava aqui em São Paulo há não sei quanto tempo, e que estava voltando para a Inglaterra, estava se despedindo e deu um jantar na casa dele, para se despedir dos amigos, dos jornalistas que ele conhecia. E eu fui nesse jantar porque eu também tinha estado na Inglaterra meses antes, junto com o Konder. Até tem uma fotografia, entre as fotografias que nós trouxemos, eu e o Konder, ao lado de um lorde inglês, que nos recebeu no Parliament House, para nos mostrar como funcionava a Casa dos Lordes. Nós estamos na porta do Parlamento: eu, o Konder e o lorde inglês. Eu tinha estado com o Konder lá, e o cônsul me convidou também para esse jantar de despedida, na casa dele. Fui lá. Na saída, a Clarice falou: “Marco, venha conosco no carro” – porque o Vlado tinha um Fusca, mas ele não guiava, não sabia guiar; a Clarice é que guiava – “porque a gente precisa conversar um assunto”. Aí fui lá. Fiquei no banco de trás, a Clarice e o Vlado nos bancos da frente. A Clarice no banco do motorista. E aí o Vlado contou que o Markun tinha sido solto para assistir ao batizado da filha e tinha contado para alguém, que eu não lembro, que nós todos íamos ser caçados naquela semana. Aí a Clarice me perguntou: “Marco, o que você acha que nós devemos fazer?” Eu falei: “Olha, vocês dois peguem os filhos e desapareçam de São Paulo”. “Mas por que você acha?” Eu falei: “Porque é o seguinte: na semana que vem vai ter, no Rio de Janeiro, um congresso das agências de turismo internacionais e tem 600 jornalistas estrangeiros credenciados para a cobertura desse congresso. De modo que, se eles querem prender alguém, algum jornalista, só pode ser nesse fim de semana, porque, na semana que vem, eles não vão poder prender jornalista nenhum, porque vai dar uma repercussão no mundo inteiro, por causa dos 600 jornalistas estrangeiros que estarão no Rio de Janeiro. Então, eu, se fosse vocês, pegava os filhos e ia para o raio que o parta, para uma estação de águas em Minas Gerais. E deixassem passar o fim de semana”. Aí o Vlado falou: “Mas isso não posso fazer. Eu tenho o jornal lá na [TV] Cultura para cuidar”. E a Clarice: “Mas Vlado, eu não sei. O Marco está falando uma coisa que tem propósito”. “Bom, vamos decidir.”

 

Instituto Vladimir Herzog

Eu avalio, em resumo, positivamente, porque eu acho que essa história e o desfecho dessa história têm que ser preservados na memória nacional. Se o IVH está batalhando nisso, é muito positivo o seu papel. Além disso, também desenvolver o trabalho que o Vlado começou a desenvolver na história do cinema brasileiro, na história da cultura brasileira, na história do próprio teatro brasileiro. Agora tem uma exposição, no Itaú Cultural, Ocupação Vladimir Herzog, onde estão as cartas, os papéis, os documentos, os palpites do Vlado, errados ou certos, no trabalho dele. Coisas que ele escreveu, coisas que ele promoveu, estão ali. Eu acho isso importante. Não só para a promoção dos direitos humanos, mas para a preservação e promoção de uma memória, que é um ponto importante da história do Brasil.  A redemocratização brasileira começou naquele momento. Aquela multidão na Praça da Sé, silenciosa – como disse o Audálio num livro que ele escreveu: “O silêncio mais barulhento da história do Brasil”. É isso.

 

Sonhos

Aos 83 anos? Morrer bem. O meu desejo no momento é aprender tocar violão bem. Porque piano eu aprendi bem, mas o piano não me deu uma coisa que o violão pode me dar – e por isso que eu quero aprender bem –, que é distinguir as tonalidades das coisas que eu ouço. Por exemplo: o tocador de violão, você canta e fala, como o que eu estava cantando agora: “Boêmia, aqui me tens de regresso...”. O tocador de violão fala: “Lá maior”. É ou não é? Ou, então, alguém que vai cantar com violão, fala para o cara do violão: “Dá um ré maior aí para mim”. Esse aprendizado sonoro, de distinguir as tonalidades pelo ouvido, é que eu quero aprender direito. Por isso que eu estou estudando violão. Só para finalizar: você perguntou qual o meu sonho. E eu disse que não tenho sonho, mas eu gostaria apenas de voltar a ser jornalista de novo. Não como repórter. De voltar para a imprensa de alguma forma, seja como cronista, seja como comentarista, seja como editorialista, que foi o meu último trabalho no “Estadão”. Eu gostaria muito de voltar a ser jornalista, mas do jeito que está a imprensa... o problema é que está caindo verticalmente, faz meses. E você não tem a menor chance.

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